“O problema não está no PS e a solução não é a ala esquerda do PS” – Daniel Oliveira in “Expresso” de 06/05/2026

“Chegado de Angola, onde tudo está por fazer e isso relativiza todas os pequenos dramas domésticos, choquei de frente com uma nova novela política que, entretanto, abrandou: Pedro Nuno Santos regressou ao parlamento com estrondo e obrigando todos a reagir. É natural que isso aconteça quando um ex-líder se mantem no parlamento. Uma decisão que só faz sentido se se quiser voltar a ser qualquer coisa relevante na política. Duarte Cordeiro reagiu à acusação de “tacticismo”. É verdade que podia ter avançado contra Carneiro. Quando houve uma mudança de ciclo, Pedro Nuno avançou. No pior momento para ele e para o PS. Mas numa coisa Cordeiro tem razão: é o género de polémica que entusiasma comentadores e embala de tédio a generalidade dos portugueses.

Interessa-me mais, por isso, a análise de Pedro Adão e Silva, que conhece melhor o PS do que eu. Apesar de não concordar com várias coisas (a comparação entre Pedro Nuno e Santana Lopes é uma absurda ferroada que até tira força analítica ao texto), o debate vai para lá da falta de carisma de Carneiro (que até se vai safando) ou da vontade de travar o passo a Duarte Cordeiro num momento em que o PS sobe nas sondagens. A questão não será tanto, como diz Adão e Silva, se a liderança é mais ou menos “populista”, expressão que, de tão abastardada, deixou de ser operativa no debate político. É, como também diz, se tem espaço para polarizar. E eu digo que não, pela experiência recente e pela lógica da política.

Continuar a ler