Stephen Hawking | Buracos Negros

Durante muito tempo, acreditou-se que um buraco negro era uma armadilha sem saída. Que tudo o que nele caísse desaparecia para sempre. Então, Stephen Hawking surgiu e mudou essa ideia.

Em 1974, Hawking propôs que os buracos negros emitem energia lenta e continuamente e que, com o tempo, evaporam. Isto é conhecido como radiação de Hawking.

A ideia surge da combinação da relatividade geral com a mecânica quântica. À escala quântica, o vácuo não é completamente vazio: pares de partículas aparecem constantemente na orla do buraco negro. Quando uma escapa e a outra cai, o buraco negro perde energia. E se perde energia, perde massa. E se perde massa continuamente, acaba por desaparecer.

Para buracos negros supermassivos, este processo demoraria um tempo incomparavelmente maior do que a idade do universo. Para os mais pequenos, seria mais rápido, com uma explosão final de energia quando evaporam completamente.

A fórmula da imagem, a equação de entropia de Bekenstein-Hawking, foi uma das primeiras pontes matemáticas entre a gravidade e a física quântica. Continua a ser um dos resultados mais profundos da física teórica.

Carlos Brito. Rompeu com Cunhal para se afastar de Lenine, in Observador

No dia da Revolução dos Cravos, Carlos Brito encontrava-se em Lisboa onde era o responsável local pela estrutura do PCP. Por estar na clandestinidade, a queda do Estado Novo representou para ele um “dia espantoso”. “Antes, não podia ver a família, os amigos. O 25 de Abril foi para mim uma dupla ou tripla libertação”, relembrou em 2021.

Durante os primeiros anos do PCP em democracia, Carlos Brito confirmou a sua influência no seio do partido. Foi um dos 230 deputados constituintes, sendo eleito pelo círculo do distrito de Faro. Sobre essas primeiras eleições em democracia, reconheceu o “espanto enorme” que foi o curto resultado eleitoral dos comunistas (12,5%), muito longe do PPD de Francisco Sá Carneiro (26,4%) e ainda mais do PS de Mário Soares (37,9%). A expectativa era assumidamente outra, depois da “avalanche” de inscrições na sequência do golpe militar e da facilidade que o PCP tinha em mobilizar apoiantes para as ruas.

Ainda assim, o empenho de Carlos Brito na representação do partido não seria, por enquanto, abalado. Foi eleito deputado nas seis eleições legislativas seguintes, desde 1976 a 1991, tendo liderado a bancada parlamentar dos comunistas durante 15 anos. Apesar de ter ocupado um lugar central na estrutura do PCP ao longo destes anos, garante que mantinha a capacidade de divergir da linha oficial do partido. “Quando divergia, aceitava sempre, no entanto, a decisão da maioria. Defendi muitas vezes, na Assembleia da República e noutras instâncias, soluções e opções com as quais não estavam de acordo.”

Se o debate era “franco e aberto” no grupo parlamentar comunista, o “mérito” era de Carlos Brito, defendeu Vital Moreira numa crónica que dedicou ao amigo em 2021. Este outro dissidente do PCP, que foi vice-líder da bancada de Brito durante sete anos, destacou também a sua “convicta dedicação à frente parlamentar, quando o partido a menosprezava”.

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