Clara Ferreira Alves, “TÃO FELIZES QUE NÓS ÉRAMOS”, 24/4/2024, in Facebook

“Anda por aí gente com saudades da velha portugalidade. Saudades do nacionalismo, da fronteira, da ditadura, da guerra, da PIDE, de Caxias e do Tarrafal, das cheias do Tejo e do Douro, da tuberculose infantil, das mulheres mortas no parto, dos soldados com madrinhas de guerra, da guerra com padrinhos políticos, dos caramelos espanhóis, do telefone e da televisão como privilégio, do serviço militar obrigatório, do queres fiado toma, dos denunciantes e informadores e, claro, dessa relíquia estimada que é um aparelho de segurança.

Eu não ponho flores neste cemitério.

Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos. No meio havia meia dúzia de burgueses esclarecidos, exilados ou educados no estrangeiro, alguns com apelidos que os protegiam, e havia uma classe indistinta constituída por remediados. Uma pequena burguesia sem poder aquisitivo nem filiação ideológica a rasar o que hoje chamamos linha de pobreza. Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós. Numa rua de cidade havia uma mercearia e uma taberna. Às vezes, uma carvoaria ou uma capelista. A mercearia vendia açúcar e farinha fiados. E o bacalhau. Os clientes pagavam os géneros a prestações e quando recebiam o ordenado. Bifes, peixe fino e fruta eram um luxo.

A fruta vinha da província, onde camponeses de pouca terra praticavam uma agricultura de subsistência e matavam um porco uma vez por ano. Batatas, peras, maçãs, figos na estação, uvas na vindima, ameixas e de vez em quando uns preciosos pêssegos.

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Eugénio de Andrade, poema “Lisboa sabes…”, in mural de Maria Helena Manaia, Facebook

Lisboa, sabes…

Eu sei. É uma rapariga

descalça e leve,

um vento súbito e claro

nos cabelos,

alguma rugas finas

a espreitar-lhe os olhos,

a solidão aberta 

nos lábios e nos dedos,

descendo degraus

e degraus

e degraus até ao rio.


 Eugénio de Andrade

Deixo-me guiar pelas palavras de Eugénio de Andrade e pela voz inconfundível do Trovante. Uma homenagem intemporal à nossa cidade que se funde com o Tejo. (Maria Helena Manaia)  

Dilma Rousseff e o Banco BRICS, in Mural Moz na Diáspora, Facebook

O Banco do BRICS voltou a acelerar movimentos estratégicos sob a liderança de Dilma Rousseff, e isso começa a chamar atenção até mesmo fora do eixo político brasileiro. Durante sua gestão no Novo Banco de Desenvolvimento, o bloco ampliou financiamentos para infraestrutura, fortaleceu projetos ligados à energia e aumentou a articulação econômica entre países emergentes. Em meio às tensões globais e às disputas econômicas entre Estados Unidos e China, o BRICS passou a atuar de forma ainda mais agressiva na construção de alternativas financeiras fora da influência ocidental.

Nos bastidores internacionais, analistas apontam que Dilma conseguiu entregar estabilidade administrativa justamente num momento em que o BRICS expandia sua influência global. O banco ganhou mais protagonismo, novos acordos começaram a surgir e o discurso sobre moedas locais e redução da dependência do dólar voltou a ganhar força dentro do bloco. Isso transformou o Banco do BRICS em uma ferramenta geopolítica muito mais relevante do que era anos atrás.

A atuação de Dilma também reforçou a imagem do BRICS como um projeto de longo prazo do Sul Global. Enquanto Europa e Estados Unidos enfrentam crises econômicas, inflação e disputas comerciais, o bloco tenta acelerar uma nova arquitetura financeira internacional. E nesse cenário, a condução da ex-presidente brasileira passou a ser vista como pragmática e estratégica, principalmente pela capacidade de manter diálogo entre países com interesses completamente diferentes. Convenhamos, fazer China, Rússia, Índia, Brasil e outros emergentes caminharem na mesma direção não é exatamente trabalho simples. Nem reunião de condomínio funciona direito.

O avanço do BRICS sob a atual gestão mostra que Dilma Rousseff recuperou relevância no cenário internacional através da governança econômica. E isso revela uma mudança importante no mundo atual: a disputa global deixou de ser apenas militar. Agora ela também passa pelos bancos, pelas moedas, pelas rotas comerciais e pelo controle das grandes decisões financeiras do planeta.