Bartolomeu de Gusmão: a obra de um visionário, de Daniel Pires, por Adelto Gonçalves

Historiador Daniel Pires reúne textos (quinze inéditos) do “padre voador” que estavam esquecidos nos arquivos 

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Uma vida breve, mas assinalada por fatos que marcaram uma personalidade muito à frente de seu tempo, capaz de produzir textos extremamente importantes – essa descrição do que representou o sacerdote secular Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724) pode ser comprovada com a leitura dos textos (quinze deles inéditos), além de traduções, petições e peças científicas em latim, que foram reunidos em Obra de Bartolomeu de Gusmão (Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda – IN-CM, 2025), pelo historiador, pesquisador e professor Daniel Pires. Nascido na então vila de Santos, no Brasil, o religioso ficou conhecido como padre voador, por ter inventado o primeiro aeróstato operacional (balão de ar quente), a “Passarola”, que subiu (sem tripulante) aos céus em 1709, em Lisboa, fato que acabou por circunscrever o seu nome a essa experiência pioneira, relegando praticamente ao esquecimento uma obra marcada por sua erudição e criatividade e por seu visionarismo e espírito científico. 

Diplomata, poliglota, filósofo, polígrafo, poeta, ensaísta e orador sacro, Bartolomeu de Gusmão é considerado o primeiro cientista do continente americano. Morreu em Toledo, na Espanha, provavelmente por febre tifoide, em meio a uma vida tumultuada e atribulada por perseguições movidas pelo preconceito, pela inveja e pela ignorância, à frente das quais estava o Tribunal do Santo Ofício. Ainda em 2026 será possível conhecer circunstâncias mais detalhadas e fundamentadas dessa vida com a publicação pela IN-CM de uma biografia também preparada por Daniel Pires, que fez intensas pesquisas em arquivos de Portugal, Espanha e Brasil, tendo coligido novas informações sobre essa figura genial.

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Choque de bilionários: há super-ricos a dizerem a outros super-ricos para se calarem e pagarem os impostos, in CNN Portugal

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, cuja fortuna está avaliada em cerca de 200 mil milhões de dólares, foi recentemente questionado sobre a proposta de imposto sobre as grandes fortunas da Califórnia, que tem irritado alguns bilionários.

“Está tudo bem”, garantiu. “Nunca pensei nisso”.

Muitos bilionários estão frustrados com as tentativas dos estados e cidades democratas de aumentar os impostos sobre os super-ricos. Os titãs de Silicon Valley, Sergey Brin e Peter Thiel, estão a gastar milhões para combater a proposta da Califórnia. O financeiro Ken Griffin considerou “vergonhoso” o presidente da câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, usar a sua penthouse em Manhattan como cenário para um vídeo que propõe um imposto sobre imóveis de uso partilhado. Steven Roth, CEO da gigante imobiliária Vornado, comparou os apelos para taxar os ricos a um insulto racial.

Mas Huang representa um segmento dos super-ricos que está a dizer aos seus colegas bilionários para ultrapassarem isso. Pagar impostos é uma “forma de retribuir”, sublinhou. Até brincou ao dizer que o dinheiro deveria ser usado para reparar um buraco específico na Autoestrada 101.

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