Humor | O barman é um robot

Um sujeito entra num bar novo, hi-tech, e pede uma bebida. O barman é um robot que pergunta:

– Qual o seu QI?

O homem responde:

– 150.

Então o robot serve um cocktail perfeito e inicia uma conversa sobre aquecimento global, espiritualidade, física quântica, interdependência ambiental, teoria das cordas, nanotecnologia e por aí.

O tipo ficou impressionado, e resolveu testar o robot. Saiu, deu uma volta e retornou ao balcão. Novamente o robot pergunta:

– Qual o seu QI?

O homem responde:

– Deve ser uns 100.

Imediatamente o robot serve-lhe um whisky e começa a falar, agora

sobre futebol, Fórmula 1, super-modelos, comidas favoritas, armas,

corpo da mulher e outros assuntos semelhantes.

O sujeito ficou abismado. Sai do bar, pára, pensa e resolve voltar e fazer mais um teste.

Novamente o robot lhe pergunta:

– Qual o seu QI?

O homem disfarça e responde:

– Uns 20, eu acho!

Então o robot serve-lhe uma pinga de tinto, inclina-se no balcão, mete um palito na boca e

diz, bem pausadamente:

– Então e o nosso Benfica?

Ana Catarina Mendes | Flashback | por Paulo Querido

Hoje foi um domingo tranquilo, calmo, pacífico. As polémicas que por aí andam são indignas, coisa de tablóides e folhas panfletárias, e estamos no Mês da Grande Alienação. De modos que escrevo sobre o lançamento de Ana Catarina Mendes no Flashback (ou lá como aquilo se chama atualmente).

Seja qual for o nome que tem atualmente — não vou gastar neurónios a atualizar o nome cada vez que se lembram de o mudar, o que sucede com inusitada frequência e mau gosto —, o Flashback está numa boa fase. A entrada de Ana Catarina Mendes, a primeira mulher no programa em cerca de 40 anos, trouxe uma novidade refrescante: levou José Pacheco Pereira e António Lobo Xavier a um mais elevado nível de aprumo discursivo.

Por outro lado, JPP tem vindo a melhorar num aspeto que considero fundamental: abandonou o tudologismo em que caiu durante anos. E parece que prepara melhor a generalidade dos temas (nem todos, mas a grande maioria). E ALB tem feito maravilhas para se distanciar do CDS e da IL, ao mesmo tempo que mantém bem fechada a fronteira com o selvagem da extrema-direita, ganhando assertividade no processo.

Mas esta menção tem outro fundamento. Repara nos dois fotogramas seguintes, que são do programa de há duas semanas:

No primeiro, Pacheco Pereira aplaude Ana Catarina Mendes. Discretamente, mas notoriamente. No segundo, Lobo Xavier tira o chapéu a Ana Catarina Mendes e não é um mero salamaleque de queque. Há um intervalo de menos de um minuto entre os dois fotogramas.

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Cathédrale du Sacré-Cœur d’Alger

La cathédrale du Sacré-Cœur d’Alger, construite à partir de 1956, est devenue la nouvelle cathédrale d’Alger après que la cathédrale Saint-Philippe d’Alger eut été réhabilitée à sa vocation d’origine comme mosquée après l’indépendance puisqu’une mosquée se fut effondrée sur une petite partie de la parcelle sur laquelle la cathédrale avait été édifiée. Elle eLa cathédrale du Sacré-Cœur d’Alger, construite à partir de 1956, est devenue la nouvelle cathédrale d’Alger après que la cathédrale Saint-Philippe d’Alger eut été réhabilitée à sa vocation d’origine comme mosquée après l’indépendance puisqu’une mosquée se fut effondrée sur une petite partie de la parcelle sur laquelle la cathédrale avait été édifiée. Elle est l’église cathédrale de l’archidiocèse d’Alger.

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Caso Angoche, mistério por decifrar | Carlos Vale Ferraz | por Eduardo Pitta

Cinquenta anos passados sobre o Caso Angoche, mistério por decifrar, Carlos Vale Ferraz (n. 1946) deu à estampa «Angoche — Os Fantasmas do Império». Vale Ferraz, pseudónimo literário do coronel Carlos Matos Gomes, na dupla qualidade de oficial do Exército e de investigador de História contemporânea, sabe do que fala.

Oficialmente, os factos são estes: no dia 24 de Abril de 1971, entre as cidades de Quelimane e da Beira, na costa de Moçambique, foi avistado à deriva, com fogo na ponte de comando e na casa das máquinas, o navio de cabotagem Angoche, que transportava material de guerra, treze tripulantes negros, dez tripulantes brancos, um passageiro e um cão. O alerta foi dado no dia 27 pelo petroleiro Esso Port Dickson, com pavilhão do Panamá, continuando por esclarecer o hiato de três dias. Nunca foram encontrados corpos, desconhecendo-se o destino de quem ia a bordo. O Angoche foi rebocado para a baía de Lourenço Marques, onde chegou a 6 de Maio. Mais vírgula menos vírgula, dependendo do jornal ou das fontes “autorizadas”, é aquilo a que a opinião pública tem direito desde 1971.

Há especulações e perguntas para todos os gostos. O Angoche foi atacado? Por quem? Foi vítima de golpe da ARA ou da FRELIMO? Submarino russo ou chinês? Que papel tiveram os serviços secretos sul-africanos? O que aconteceu aos 24 homens? Foram para a Tanzânia? Por que razão o radiotelegrafista se “esqueceu” de embarcar, ficando em Nacala? Que papel tinha na história a mulher de alterne “suicidada” na Beira?

Sobre o assunto existe bibliografia documental, mas «Angoche — Os Fantasmas do Império» é um romance. A fórmula permite a Carlos Vale Ferraz inserir a intriga ficcional nos interstícios dos factos. E faz isso muito bem.

«Angoche — Os Fantasmas do Império» é dedicado «a quem morreu por saber de mais sobre o caso. Mortos por uma causa que ninguém teve a coragem de assumir.»

Para desenvolver o plot, o narrador apoia-se nos conhecimentos do “tio Dionísio”, oficial da Marinha portuguesa com ligações aos serviços secretos sul-africanos. Narrativa aliciante, faz o retrato dos últimos anos da colonização, vistos a partir de Moçambique. Por exemplo, é muito curiosa a caricatura a traço grosso de alguma burguesia de Lourenço Marques (Eduardo de Arantes e Oliveira, governador-geral de Moçambique à data do caso Angoche, surge mais de uma vez), os atritos entre a PIDE e os militares, etc. A sombra da operação Alcora — aliança militar secreta entre Portugal, a África do Sul e a Rodésia — perpassa no relato. Em suma, 170 páginas de boa ficção sobre factos obscuros da guerra colonial.

Lembrar que da obra ficcional de Carlos Vale Ferraz faz parte «Nó Cego» (1982, reeditado em 2018), título incontornável da bibliografia sobre a guerra em Moçambique.

Retirado do facebook | Mural de Eduardo Pitta

CAMÕES TEM DE SER LIDO – NÃO INVENTADO | Helder Macedo

Poeta, ensaísta, romancista, Helder Macedo é professor catedrático emérito da Universidade de Londres King’s College, onde foi titular da Cátedra Camões até 2004. Iam já longe os tempos do Café Gelo, grupo de que foi um dos poetas fundadores. Nasceu – na África do Sul, em 1935 – não para secretariar a musa pomposa, pedante. O autor de “Tão Longo Amor Tão Curta a Vida” (2013) passa ao largo do convencionalismo, do estereótipo e das “mitificações rectrospectivas”. Tem provado que o discurso académico pode ser claro sem perder a densidade nem tropeçar no comum lugar tradicional.

Com Camões, que tem sabido desalojar do pedestal mítico, tem mantido um trato próximo, íntimo. Se no campo do ensaio essa presença é manifesta, quase avassaladora, já na sua ficção o vate surge de modo mais discreto, ora em títulos e epígrafes onde marca o seu lugar tutelar, ora em fugazes aparições textuais sempre significativas.

As contas nem sempre são redondas como seixos e há as que nem se deixam fazer: incontáveis anos de leituras continuadas; mais de três dezenas de estudos sobre Camões, de fôlego variável e a mesma fluência, publicados em várias línguas; 23 anos a dirigir a Cátedra Camões no King’s College; mais de 50 anos de vida literária; viagens infindas à roda da literatura portuguesa, com paragens meditadas em D. Dinis, Camões, Bernardim Ribeiro, Camilo, Cesário, Pessoa. Para Helder Macedo todos os dias são dias de Camões. Sabe, no entanto, que o 10 de junho é o dia mais propenso à canibalização de Camões pelos discursos.

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10 DE JUNHO – DIA DE CAMÕES | Deixem ir o amador à coisa amada | Manuel S. Fonseca

Este texto foi uma encomenda. Escrevi-o com muito gosto e com um descaramento que se baseia numa ideia simples: os poetas, os pintores, os romancistas devem ser falados, interpretados e comentados pelos seus leitores, mesmo por aqueles que, como eu, só como amadores os comentem. Recupero-o neste 10 de Junho de 2021.

Os amadores, na sua exaltada e infantil incompetência, nunca dispensarão os especialistas. Os amadores são como as criancinhas que um tolerante Cristo deixa vir a si. Mas mal do especialista que não deixe, magnânimo, sentarem-se os amadores aos pés da coisa amada.

saiba o mundo de Amor o desconcerto,

que já coa Razão se fez amigo,

só por não deixar culpa sem castigo.

O Século de Camões | Manuel S. Fonseca

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Dia 10 de Junho de 2021 | Dia de Portugal | Le verdict que le juge a rendu au voleur

Un garçon de 15 ans a été surpris en train de voler dans un magasin en Amérique.

Pour tenter de s’échapper, le garçon a également détruit une étagère.

Après que le juge ait entendu l’affaire, il a demandé au garçon :

“- Tu as vraiment volé quelque chose ? Tu as volé du pain et du fromage et détruit l’étagère ?”

Le garçon, honteux, la tête baissée, répondit :

“- Oui “.

Juge : « Pourquoi tu as volé ? ′

Enfant : « c’était nécessaire ».

Juge : « Tu ne pouvait pas les acheter au lieu de les voler ?

Garçon : “Je n’avais pas d’argent”

Juge : “Tu aurais pu demander de l’argent à tes parents”

Garçon : ′ ′ Je n’ai que ma mère qui est alitée et malade et qui n’a pas de travail. Pour elle j’ai volé du pain et du fromage ′ ′

Juge : « Tu ne fais rien, tu n’as pas de travail ? ′

Enfant : ′ ′ j’ai travaillé dans un lavage d’auto. J’ai pris un jour de congé pour aider ma mère et c’est pourquoi j’ai été licencié. ′

Juge : « Tu n’as pas cherché autre chose pour travailler ailleurs ?

Après la fin de la conversation avec le garçon, le juge a annoncé le verdict :

Voler, surtout voler du pain, est un crime très honteux. Et nous voilà tous responsables de ce crime . Toutes les personnes présentes dans cette salle d’audience aujourd’hui, y compris moi, sommes responsables de ce crime . De cette façon, toutes les personnes présentes seront condamnées à une amende de 10 dollars, personne ne sortira d’ici sans qu’il ne donne 10 dollars

Le juge a sorti un billet de 10 $ de sa poche, a pris un stylo et a commencé à écrire :

De plus, j’ai imposé une amende de 10000 dollars au propriétaire du magasin pour avoir remis l’enfant affamé à la police. Si l’amende n’est pas payée dans l’heure, le magasin restera fermé.”

Toutes les personnes présentes se sont excusées auprès du garçon et lui ont remis tous 10$ . Le juge a quitté la salle d’audience en cachant ses larmes.

Après avoir entendu le verdict, les personnes présentes dans la salle d’audience avaient les larmes aux yeux.

Je me demande si notre société, notre système, nos tribunaux auraient pu rendre un tel verdict ?

Le juge a ajouté : « Si une personne est surprise en train de voler du pain, tous les membres de cette communauté, de la société et du pays devraient avoir honte !

Retirado do facebook | Mural de Chekini Kamel

Moderados, uma espécie em extinção? Paulo Sande

1 Os partidos políticos em Portugal vivem sob o signo da inquietude, com dúvidas existenciais sobre o que fazer para assegurar aquilo para que existem, isto é, para conquistar o poder e, depois, mantê-lo. A todo o custo. Custe o que custar, mesmo que isso implique coligarem-se com partidos cuja ideologia execram ou renegarem os eleitores que os elegeram, para satisfazer os mecenas ou sublimar a mais recente, embora efémera, agenda da moda. Temem, se falharem, pela razão de ser da sua existência enquanto partidos políticos. A qual é, como escrevi, conquistar o poder e mantê-lo, a todo o custo.

2 Só que não é. Não que o não seja vezes demais, mas porque não deve ser assim. Não pode ser. Os partidos e os políticos que abandonam os seus eleitores – prometem, sabendo que não cumprirão, traem, escolhendo o poder em detrimento do bem público – não cabem na democracia do século XXI. Que não pode ser igual à do século XX.

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Golfinhos | Enzo Maiorca, mergulhador italiano

O famoso mergulhador italiano, Enzo Maiorca,  nadava nas águas quentes do mar de Siracusa e conversava com sua filha Rossana que ficara no barco.

Pronto para submergir, sentiu algo bater ligeiramente nas costas. Virou-se e viu um golfinho. Percebeu então que ele não queria brincar, mas expressar alguma coisa.

O animal mergulhou e Enzo o seguiu.

A cerca de 12 metros de profundidade, preso em uma rede abandonada, havia outro golfinho.

Maiorca rapidamente pediu à filha que apanhasse suas facas de mergulho. Em poucos minutos os dois conseguiram libertar o golfinho que, no limite das forças conseguiu emergir, emitindo um “grito quase humano” (assim descreveu Maiorca).

Um golfinho pode resistir debaixo d’água até 10 minutos, depois afoga-se.

O golfinho liberto, ainda atordoado, foi controlado por Enzo, Rossana e o outro golfinho. Depois veio a surpresa: Era uma delfina, que logo deu à luz um filhote.

O macho circulou-os e, parando à frente de Enzo, lhe tocou na bochecha (como se fosse um beijo), num gesto de gratidão… e se afastaram.

Enzo Maiorca terminou sua intervenção dizendo: “até que o homem aprenda a respeitar e a dialogar com o mundo animal, nunca poderá conhecer o seu verdadeiro papel nesta Terra.”

Retirado do Facebook | Mural de José Silva Pinto

Angoche | Os Fantasmas do Império Carlos Matos Gomes | Apresentação online

Tenho o prazer de vos convidar para a apresentação do romance Angoche – Os Fantasmas do Império, da Porto Editora. Esta apresentação será feita online, através dos links que constam deste email. Terá   lugar amanhã, dia 1 de Junho, das 21 às 22 horas.

Será moderada pelo editor Vasco David, desenrolar-se-á sob a forma de uma conversa, com interrogações e dúvidas, entre mim e o comandante Carlos de Almada Contreiras, que fez parte de um dos navios portugueses envolvidos no bloqueio do Porto da Beira, em 1966. Será possível a intervenção dos assistentes.

Trata-se de um romance cujo enredo procura desvendar os interesses que estiveram na origem do que aconteceu ao navio mercante Angoche e à sua desaparecida tripulação, e, a partir dos interesses, chegar aos seus autores. As personagens do romance são homens e mulheres envolvidos, como tantas vezes acontece, em situações que os ultrapassam. As respostas a que cheguei são apenas deduções e premonições do que poderia ter acontecido.  A Porto Editora e eu estamos a procurar a melhor oportunidade para uma apresentação ao vivo, sujeita aos condicionalismos do tempo presente.

Aqui vos deixo os links para a apresentação do dia 1 de Junho:

– https://youtu.be/qXJkFzqA7UsFacebook – https://www.facebook.com/PortoEditora/posts/4114022285301916Facebook (evento) – https://www.facebook.com/events/2668635700093451/

Carlos Matos Gomes

Do MDLP ao MEL e do ELP ao Chega: sempre o mesmo fel | Carlos Matos Gomes

Do MDLP ao MEL e do ELP ao Chega: sempre o mesmo fel.

Do que li, vi e ouvi a propósito de presença de Rui Rio e Passos Coelho numa sessão organizada por uma nova empresa de marketing político que adotou para o efeito o pseudónimo de MEL — Movimento Europa e Liberdade — conclui que eles não sabem de quem são filhos, ou quem são os pais. Em sentido político, é evidente. São dois seres sem raízes, sem passado, sem história, sem leituras, sem referências, sem credibilidade. Os frangos de aviário são assim fabricados, como os hambúrgueres ou as salsichas em lata. Já quanto à participação de políticos até agora aderentes ao Partido Socialista, a questão não é a de desconhecerem a paternidade, mas sim a de, segundo o Princípio de Peter, terem atingido o seu patamar de incompetência e de ali terem ido para adoção e uma segunda vida. Foram seguir os passos da atriz em decadência Maria Vieira, que representa o papel de madrinha do Chega.

Quanto ao convívio do MEL, na realidade uma ação de relações públicas do Chega, as presenças significativas são as de Rio e de Passos Coelho. Eles são ou foram dirigentes de um partido político que em 1974 começou por se designar PPD e mais tarde, para aproveitar as aragens da história, assumiu a social-democracia!

Um pouco de passado:

Após o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 realizado pelo Movimento das Forças Armadas, quer o PS quer o PPD fizeram parte de todos os acontecimentos marcantes e ocuparam todos os degraus do poder que construiu o regime em que hoje vivemos. Um regime de democracia política, económica e social com variantes mais ou menos avançadas. O PS e o PPD/PSD fizeram parte do consenso político que definiu a Constituição de 1976, aceite e aprovada pelos dois partidos mais o PCP, o MDP/CDE e a UDP.

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Ademir Demarchi | textos escritos no calor da hora | por Adelto Gonçalves

I

            Siri na lata (Santos, Realejo Edições, 2015), livro premiado e selecionado em 2014 para publicação pelo Programa de Apoio Cultural da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Santos, reúne crônicas publicadas pelo poeta e crítico literário Ademir Demarchi, de 2008 a 2015, em revistas e jornais, principalmente no Diário do Norte do Paraná, de Maringá, além de resenhas e textos para orelhas e prefácios de outras obras e uma percuciente entrevista dada pelo autor à jornalista e pesquisadora Márcia Costa, publicada no Jornal da Orla, de Santos, em 17/11/2008.

            O título, expressão muito popular na região litorânea que tenta refletir a situação de desespero em que fica um siri ou um caranguejo preso numa lata antes de ir para a panela, procura refletir a tensão de um trabalho que foi escrito no “calor da hora” diante da obrigatoriedade de produzir semanalmente um texto de cultura que prendesse a atenção do leitor de jornais diários. Como se sabe, este tipo de leitor – cada vez mais raro nestes tempos digitais – geralmente está mais preocupado com as coisas do dia a dia e com aquilo que pode prejudicar a sua vida, em função da parlapatice que tem marcado a ação dos homens públicos. São textos em que autor experimenta a crônica, a ficção, a prosa poética, a resenha e até faz comentários de fundo político.

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L’ÉTERNITÉ DES ÂMES DANS LA PHILOSOPHIE DE SPINOZA | Victor Brochard

[371] Les historiens ne sont pas d’accord sur le sens et la portée qu’il

convient d’attribuer à la doctrine de l’éternité des âmes exposée dans la seconde

moitié de la cinquième partie de l’Éthique. Qu’il ne s’agisse pas de l’immortalité

au sens vulgaire du mot, c’est ce qui est attesté expressément dans le texte même

de la Proposition XXI, où la mémoire et l’imagination sont considérées comme

liées à la vie présente. D’ailleurs il est indubitable que l’existence de l’âme dans

son rapport à la durée cesse avec celle du corps. L’éternité de l’âme affirmée par

Spinoza est attribuée uniquement à l’essence, et, dans toute cette dernière partie

de l’Éthique, c’est uniquement de l’essence opposée à l’existence qu’il est

question. Mais cette éternité de l’essence, comment faut-il l’entendre ? On peut

être à première vue tenté de croire qu’il s’agit d’une éternité tout impersonnelle,

plus ou moins analogue à celle qu’Aristote attribue à l’intellect actif qui vient

éclairer quelque temps l’âme humaine sans cesser d’appartenir à la divinité, ou

encore comme l’étincelle de feu divin qui, selon les Stoïciens, éclaire un instant

l’âme humaine, et, à la mort du corps, se réunit au feu universel.

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Para quem gosta de se manter bem informado | Uma boa aposta do Paulo Querido | CERTAMENTE

Hoje o Bloco dominou o noticiário com duas pressões: à direita e ao Governo. Amanhã o partido tem a sua Convenção, é provável que continue a atrair a atenção dos media. Oxalá. Para variar do enjoo de Ventura.

Grande cobertura mediática da coordenadora do Bloco de Esquerda hoje! Não é por acaso: vai correr este fim de semana a XII Convenção Nacional do partido. Mas é uma raridade: BE Catarina Martins dominaram a atenção dos media com 19 e 18 citações cada, com o PS na terceira posição com 15 e António Costa com 12 no quarto lugar (o PM é o primeiro desta lista 80% do tempo). Isto num dia em que as atenções deveriam estar centradas nos apoios do Estado ao turismo e aos setores mais afetados pela pandemia.

Patente no print-screen tirado à recolha do meu assistente Cecil, a ofensiva do Bloco (envolveu mais do que a sua coordenadora) consistiu em dois pontos:

  • pressão sobre a direita, com Catarina Martins a gritar para Rui Rio o que o país grita para o PSD, there’s nothing there in the ultra right wing, come on
  • sacudir o PS/Governo em matéria de Orçamento de Estado e políticas de futuro, posicionando-se desde já o Bloco como eventual parceiro.
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Natalie Portman e Yuval Noah Harari em conversa

Natalie Portman – Atriz vencedor do Academy Award, produtora, diretora e ativista social entrevista Yuval Noah Harari ao vivo para o público em Londres. Em uma conversa que abrange uma ampla gama de questões contemporânes, eles discutem mitos X realidade, o papel da religião, a relação entre IA e Arte e muito mais.

An Atheist’s God | The Paradox of Spinoza

Beth Lord discusses Spinoza with Alan Saunders in an episode of the Philosopher’s Zone from a few years back. Baruch Spinoza, one of the greatest philosophers of his day, was expelled from the Amsterdam synagogue in 1656 because of his unorthodox religious views. Ever since, he has been regarded as the great atheist of the Western tradition. Yet he mentions God very often throughout his writings.


Beth Lord discute Spinoza com Alan Saunders em um episódio da Zona dos Filósofos de alguns anos atrás. Baruch Spinoza, um dos maiores filósofos de sua época, foi expulso da sinagoga de Amsterdão em 1656 por causa de suas opiniões religiosas pouco ortodoxas. Desde então, ele é considerado o grande ateu da tradição ocidental. No entanto, ele menciona Deus com muita freqüência em seus escritos.

Espinosa, uma subversão filosófica | Espinosa, une subversion philosophique Marilena Chauí | TRADUIT POUR LE FRANÇAIS

I. Maledictus

A 27 de julho de 1656, a assembleia dos anciãos que dirige a comunidade judaica de Amsterdã promulga um herem (excomunhão, em hebraico), excluindo e banindo Espinosa, que, nessa época, tem 24 anos.

Em 1670, aos 37 anos, Espinosa publica o Tratado Teológico-Político, impresso sem o nome do autor. A obra se destina à defesa da liberdade de pensamento e de expressão. A 19 de julho de 1674, trazendo o brasão e as armas de Guilherme de Orange III, os Estados Gerais da Holanda, sob orientação e exigência do Sínodo calvinista, promulgam um édito em que declaram o livro pernicioso, venenoso e abominável para a verdadeira religião e para a paz da república, proibindo sua impressão e divulgação.

Em 1678, um ano após a morte de Espinosa, um novo édito do governo da Holanda proíbe a divulgação do conjunto de sua obra, publicada postumamente por seus amigos.

Afinal, o que dissera o jovem Espinosa – em 1656 –, o que escrevera o filósofo – em 1670 – e o que deixara escrito – em 1678 –, para que fosse expulso da comunidade judaica e condenado pelas autoridades cristãs? Por que alguns leitores, seus contemporâneos, afirmam estar diante de “nova encarnação de Satã” e que seu nome, Benedictus em latim, deveria ser mudado para Maledictus?

A filosofia espinosana é a demolição do edifício filosófico-político erguido sobre o fundamento da transcendência de Deus, da Natureza e da Razão, voltando-se também contra o voluntarismo finalista que sustenta o imaginário da contingência nas ações divinas, naturais e humanas. A filosofia de Espinosa demonstra que a imagem de Deus, como intelecto e vontade livre, e a do homem, como animal racional e dotado de livre-arbítrio, agindo segundo fins, são imagens nascidas do desconhecimento das verdadeiras causas e ações de todas as coisas. Essas noções formam um sistema de crenças e de preconceitos gerado pelo medo e pela esperança, sentimentos que dão origem à superstição, alimentando-a com a religião e conservando-a com a teologia, de um lado, e o moralismo normativo dos filósofos, de outro.

II. Deus, ou seja, a Natureza: a filosofia da imanência

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TIAGO GUEDES | Diretor do Teatro Municipal do Porto distinguido pelo Governo Francês

Tiago Guedes recebeu esta tarde o título de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras pelos serviços prestados à cultura e ao intercâmbio entre Portugal e França. “Ao observar o percurso profissional de Tiago Guedes, conduzido num espírito de abertura ao mundo, fica-se impressionado com a sua fidelidade sem falhas aos artistas franceses”, afirmou Florence Mangin, embaixadora de França em Portugal. A cerimónia decorreu no Palácio de Santos, em Lisboa, onde está localizada a embaixada. Rui Moreira esteve entre os convidados.

Coreógrafo, programador cultural e atual diretor do Teatro Municipal do Porto, Tiago Guedes (Minde, 1978) recebeu hoje as insígnias de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras, uma das principais distinções atribuídas pelo governo francês, pelo seu percurso profissional e contributo à divulgação da cultura francesa.

A medalha de “Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres” foi entregue pela embaixadora de França em Portugal, que apresentou Tiago Guedes como “homem de cultura português que, há muitos anos, dedica toda a sua energia e paixão ao encontro entre os artistas e o seu público”. A restrita cerimónia teve, entre as testemunhas, o presidente da Câmara do Porto, mas também a ministra da Cultura, Graça Fonseca, o secretário de Estado da Presidência do Conselho dos Ministros, André Moz Caldas, e a deputada socialista Rosário Gamboa.

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𝐇𝐚𝐩𝐩𝐲 𝐚𝐧𝐝 𝐡𝐚𝐫𝐦𝐨𝐧𝐢𝐨𝐮𝐬 𝐛𝐢𝐫𝐭𝐡𝐝𝐚𝐲, 𝐌𝐨𝐳𝐚𝐫𝐭!

𝐇𝐚𝐩𝐩𝐲 𝐚𝐧𝐝 𝐡𝐚𝐫𝐦𝐨𝐧𝐢𝐨𝐮𝐬 𝐛𝐢𝐫𝐭𝐡𝐝𝐚𝐲, 𝐌𝐨𝐳𝐚𝐫𝐭! 🥳🎶 𝐇𝐚𝐩𝐩𝐲 𝐚𝐧𝐝 𝐡𝐚𝐫𝐦𝐨𝐧𝐢𝐨𝐮𝐬 𝐛𝐢𝐫𝐭𝐡𝐝𝐚𝐲, 𝐌𝐨𝐳𝐚𝐫𝐭! 🥳🎶 Wolfgang Amadeus Mozart: “Parto, parto”, de “La Clemenza di Tito” (KV 621) The Royal Concertgebouw Orchestraconductor: Mariss Jansons | Elina Garanca

QUINTA FEIRA DA ASCENSÃO (DIA DA ESPIGA) | António Galopim de Carvalho

Hoje 13 de maio, Quinta feira, é para os cristãos, o dia em que se comemora a ascenção de Jesus ao Céu. É também o popular Dia da Espiga.

Eis o texto do meu confrade Firmino Cacheirinha (da Confraria Gastronómica do Alentejo) sobre o este dia, que me foi enviado.

“A Festa da Ascensão, ou Quinta Feira da Ascensão, é uma festa marcadamente católica, sendo feriado municipal em muitos concelhos de Portugal. No entanto em simultâneo com ela, e provavelmente com maior adesão, celebra-se o Dia da Espiga, ou Quinta Feira da Espiga.

A Origem da Tradição

Os rituais pagãos, com especial enfoque nas culturas célticas e romanas, de celebração das primeiras colheitas, e pedido pela qualidade e quantidade destas, remontam à antiguidade.

Com a chegada do Cristianismo, tendo em conta a data das celebrações da Páscoa, em Portugal acabou por se colar à Festa da Ascensão, celebrada 39 dias depois da Páscoa. Até porque era um Feriado oficial em Portugal, até 1952.

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Frederico Varandas | Médico | Presidente do Sporting Clube de Portugal

Frederico Nuno Faro Varandas, é um médico militar português, presidente do Sporting Clube de Portugal desde 9 de Setembro de 2018, quando ganhou as eleições do clube após a destituição do anterior presidente, Bruno de Carvalho.

Nascimento: 19 de setembro de 1979 (idade 41 anos), Lisboa, Portugal

Nome completo: Frederico Nuno Faro Varandas

Formação: NOVA Medical School – Faculdade de Ciências Médicas (2005), Academia Militar – Lisboa

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Wikipédia

União Europeia (UE) | O dia da Europa Carlos Esperança

Quem tem memória da ditadura e do atraso do Portugal salazarista não esquece o que deve à UE que hoje celebrou auspiciosamente a data durante a cimeira portuguesa, com o discurso notável de António Costa a abrir, na qualidade de Presidente da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, a Conferência sobre o Futuro da Europa, com Ursula von der Leyen e o Presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli.

Após a parceria estratégica com a Índia, de enorme relevância, e da colocação do pilar social no centro das políticas europeias, seria injusto ignorar o mérito português para o futuro comum da Europa.

A UE é um projeto singular, nascido no rescaldo da última Guerra Mundial, após 60 ou 70 milhões de mortes, o maior desastre de origem humana de toda a História. O Dia da Europa, instituído em 1985, celebra a proposta do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros francês Robert Schuman, que, a 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da II Guerra Mundial propôs a criação de uma Comunidade do Carvão e do Aço Europeia, precursora da União Europeia.

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Eternidade e esquecimento: memória,identidade pessoal e ética segundo Espinosa | Ulysses Pinheiro

Resumo
Espinosa dispensa um tratamento elusivo ao papel da memória na determinação da identidade pessoal, reservando para ele uma breve passagem em um Escólio da Parte IV da Ética.
Apesar de sua brevidade, a análise desse trecho mostrará que ele tem várias repercussões
importantes na teoria ética desenvolvida no resto do livro.

Palavras-chave: Espinosa, identidade pessoal, memória, morte, eternidade, ética.

http://oquenosfazpensar.fil.puc-rio.br/import/pdf_articles/OQNFP_25_03_ulysses_pinheiro.pdf

A GRANDE AVENTURA DO PENSAMENTO António Galopim de Carvalho

Com boa vontade, podemos admitir que a filosofia interessa a todos. Tanto podem falar dela os académicos, numa linguagem elitista, só a eles acessível, mas hermética para o cidadão comum, como nós, numa exigência mais modesta, ao nível da chamada divulgação.

Todos somos filósofos sempre que procuramos saber ou investigar algo, seja o que for. Tudo é sabedoria, pelo que tudo é filosofia. Mas o conceito académico de filosofia é algo mais profundo, a tratar por quem ganhou estatuto para tal. É uma sabedoria vasta e complexa, com uma longa história, que abarca a universalidade do conhecimento, que o questiona, explora e, tantas vezes, vai à frente dele.

Como filósofo que sou, no estrito sentido de gostar de saber coisas, não resisto a “meter o nariz e espreitar” este maravilhoso domínio do génio humano. Que perdoem os muitos que tratam por tu o discurso filosófico. Não é para eles que escrevo. A eles peço, sim, que me corrijam onde eventualmente possa errar ou ser menos claro ou incompleto. Escrevo para os que não tiveram oportunidade de contactar com os temas que habitualmente divulgo e que, todos os dias esperam estes meus despretensiosos escritos.

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Medalha de Valor e Altruísmo do Município de Alcanena, atribuída ao Serviço Nacional de Saúde | 8 de Maio de 2021 | 107º aniversário da fundação do Concelho

Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, Receberá Medalha de Valor e Altruísmo do Município de Alcanena, atribuída ao Serviço Nacional de Saúde

O Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, estará amanhã, dia 8 de maio, em Alcanena, para participar na Sessão de Atribuição de Condecorações Honoríficas, no âmbito das comemorações do 107º aniversário da fundação do concelho, onde receberá, da Presidente da Câmara, Fernanda Asseiceira, a Medalha de Valor e Altruísmo do Município de Alcanena, atribuída ao Serviço Nacional de Saúde.

A atribuição desta condecoração foi aprovada em reunião extraordinária da Câmara Municipal, realizada no passado dia 4 de maio, em homenagem e reconhecimento pela entrega e dedicação de todos(as) os(as) profissionais de saúde, que dão corpo ao Serviço Nacional de Saúde Português.

Com o último ano marcado pela pandemia, o executivo municipal, neste importante momento para o Concelho de Alcanena, considerou relevante uma homenagem de reconhecimento a todos(as) os(as) “heróis” e «heroínas» das várias instituições e áreas do Serviço Nacional de Saúde, que, diariamente, têm apoiado a população do concelho de Alcanena e, de forma ainda mais complexa e exigente, vencendo a Pandemia e procurando, todos os dias, salvar as pessoas.

Retirado do facebook | Mural de Câmara Municipal de Alcanena

REFLEXÕES EM TORNO DO G7 Inquietações: um G7 muito combativo Victor Ângelo | in Diário de Notícias

O G7 agrupa as maiores economias liberais, ou seja, por ordem decrescente de grandeza, os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha, o Reino Unido, a França, a Itália e o Canadá. Representam, no seu conjunto, cerca de 50% da economia mundial. A liderança do G7 em 2021 cabe aos britânicos, que organizaram nesta semana uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, em preparação da cimeira prevista para junho.

Passaram dois anos sem se reunir.

A pandemia e o mal-estar causado pela presidência de Donald Trump explicam o longo hiato. Agora as realidades são outras. O controlo da pandemia parece possível, graças às campanhas de vacinação. E as políticas seguidas em Washington já não são imprevisíveis. Mesmo assim, foi preciso decidir entre uma reunião presencial ou não. Após um ano de conferências virtuais, concluiu-se que, em matéria de diplomacia, o contacto pessoal é, de longe, o mais produtivo. A maioria das videoconferências realizadas entre políticos ao longo da pandemia acabou por ser um mero exercício formal, em que cada um lia o texto que tinha à sua frente, sem se proceder a uma troca de ideias, a uma análise das opções ou a um comprometimento pessoal. Regressamos agora, a passo seguro, às discussões frente a frente.

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Architecte Bâtisseur | Présentation formation coupole | Une formation sur les voûtes sans coffrages.

“Nul n’entre ici, s’il n’est géomètre” | Platon

Cette phrase fut écrite sur l’entrée de l’académie de Platon en 387 av JC et montre à quel point la géométrie était la porte de toutes les sciences.

Dans ce qui nous concerne, la construction, elle nous permet d’ouvrir de nouvelles possibilités et de pouvoir jouer avec la physique.

Ce que je te propose de découvrir dans cette formation, c’est cette porte vers le savoir profond des bâtisseurs anciens.

Napoleão: foi em Portugal que começou a queda

Cumprem-se hoje 200 anos sobre a morte de Napoleão Bonaparte, o homem que veio da obscuridade, subiu às culminâncias, fez-se Imperador dos Franceses e morreu degredado numa ilha semi-desértica do Atlântico Sul.

Há um culto popular em torno de Napoleão e do 1.º Império, adesão que não se confina ao hexágono. Há estátuas e bustos celebrativos de Napoleão um pouco por todo o mundo e na Bélgica, Holanda, Itália, Canadá, Estados Unidos e México, activas associações de estudos incensam, entre a lenda e a realidade, a personalidade de Napoleão. Este sobrevive ao tempo, os seus aforismos, a petite histoire das suas paixões e anedotário são património comum, até das pessoas que não lêem; a sua aventura, das escarpas escalvadas da Córsega aos campos de Waterloo, da sagração a Santa Helena, surgem como irresistíveis histórias quase tocadas pelo fabuloso. Napoleão não deixa ninguém indiferente. A passagem pela história europeia de um homem desses, que se afirmava expoente da razão e em quem outros viram a história montada sobre um cavalo, continua a ser uma bela história.

Em 1809 e 1810 em Portugal, em 1812 na Rússia e em 1815 em Waterloo, a estrela de Napoleão empalideceu, congelou e estilhaçou-se. A derrota do Ogre, do Anti-Cristo, do Crocodilo Corso, da Besta Monstruosa, Novo Átila ou simplesmente Bonny para os britânicos – então satirizado como tronco de couve decepada, bilha partida, boneco esventrado – também convidava a interpretações providencialistas e dos desígnios de Deus, mudo desde 1789, em vão confiante no arrependimento dos homens, até finalmente se pronunciar, castigando aqueles que Dele se haviam afastado.

Entre o mito e a lenda, a propaganda e a caricatura, importa fazer a pergunta fatal. Quem derrotou Napoleão? Ora, Portugal, a Rússia e a sempre teimosa Inglaterra. Portugal foi o primeiro grande fracasso político e militar do Imperador. Há que lembrá-lo, sempre, pois, a quantos pensam [erradamente] que aquela partida da Família real para o Brasil foi um acto de cobardia. Não, se a família real portuguesa tivesse caído nas mãos de Junot, não teria havido resistência popular, heróica e desesperada, assim como não teria havido o levantamento nacional espanhol e a invasão de França pelos exércitos coligados. Se portugueses e russos não o tivessem detido, Napoleão teria triunfado e o curso da história teria sido diferente.

MCB in Nova Portugalidade

O esquecido papel de Napoleão na escravidão

No bicentenário da morte de Napoleão Bonaparte, celebrado por muitos na França como herói, discute-se um lado pouco lembrado de seu legado: em 1802, ele restabeleceu a escravidão, oito anos após ser abolida pelo país.

Como parte das comemorações do bicentenário da morte de Napoleão Bonaparte, que se completa nesta quarta-feira (05/05), o centro cultural Grande Halle de la Villete, em Paris, está apresentando uma grande exposição sobre o ex-imperador francês. Ela será aberta ao público assim que as restrições de covid-19 forem levantadas e poderá ser visitada até 19 de setembro de 2021.

Em meio a 150 objetos que incorporam a deslumbrante grandeza do ex-imperador francês – “uma figura que é, ao mesmo tempo, fascinante e controversa”, como diz o trailer da exposição –, uma seção da exibição foca, no entanto, um lado mais sombrio de seu legado.

Ela apresenta as cópias originais das leis assinadas por Napoleão em 1802, que reverteram a abolição da escravidão que havia sido anunciada oito anos antes, na esteira da Revolução Francesa. Essa legislação fez da França o único país a ter realmente reintroduzido a escravidão após torná-la ilegal.

“Quando se ouve falar sobre Napoleão, a maioria das pessoas pensa no grande império e nas muitas vitórias da França durante as guerras daquela época. Esta glória sobre Napoleão ofusca tudo mais o que ele fez”, diz Dominique Taffin, diretora da Fundação para a Memória da Escravidão, em entrevista à DW. “Decidimos que era necessário aumentar a conscientização sobre essa parte sombria de seus atos para um público mais amplo.”

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Galáxia Sombrero

A Galáxia Sombrero Simplesmente perfeita (também conhecida como Messier Object 104, M104 ou NGC 4594)

A Galáxia Sombrero é uma galáxia espiral na constelação de Virgo e Corvus, a cerca de 9.55 megaparsecs (31.1 milhões de anos luz) da nossa galáxia, dentro do superaglomerado local.

Tem um diâmetro de aproximadamente 15 quiloparsecs (49,000 anos luz), 0.3 x vezes o tamanho da Via Láctea.

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The Dream (Le Rêve), 1932 by Pablo Picasso

Le Rêve (The Dream in French) is a 1932 oil painting (130 × 97 cm) by Pablo Picasso, then 50 years old, portraying his 24-year-old mistress Marie-Thérèse Walter. It is said to have been painted in one afternoon, on January 24, 1932. It belongs to Picasso’s period of distorted depictions, with its oversimplified outlines and contrasted colors resembling early Fauvism.

The erotic content of the painting has been noted repeatedly, with critics pointing out that Picasso painted an erect penis, presumably symbolizing his own, in the upturned face of his model.

Le Rêve was purchased for $7,000 in 1941 by Victor and Sally Ganz of New York City. This purchase began their 50-year collection of works by just five artists: Picasso, Jasper Johns, Robert Rauschenberg, Frank Stella, and Eva Hesse. After the Ganzes died (Victor in 1987 and Sally in 1997), their collection, including Le Rêve, was sold at Christie’s auction house on November 11, 1997. Le Rêve sold for an unexpectedly high $48.4 million, at the time the sixth most expensive painting sold (tenth when taking inflation into account). The entire collection set a record for the sale of a private collection, bringing $206.5 million. The total amount paid by the Ganzes over their lifetime of collecting these pieces was around $2 million.

The buyer who purchased Le Rêve at Christie’s in 1997 appears to have been the Austrian-born investment fund manager Wolfgang Flöttl, who also briefly held Portrait of Dr. Gachet by Van Gogh in possession in the late 1990s. In 2001, under financial pressure, he sold Le Rêve to casino magnate Steve Wynn for an undisclosed sum, estimated to be about $60 million.

The Dream (Le Rêve), 1932 by Pablo Picasso

MIAU… | Helena Ventura Pereira

Nicolau Maria de Vasconcelos e Arronches de Meneses Nicólidas Chuchu Maria Zé Ponche. Era o nome do gato persa (julgavam eles) dos meus primos. O mais velho dera-lhe os de porte aristocrático. O mais novo não se lembrava de nenhum com pedigree e oferecia a possível colaboração.

O gato não se importava. Confortado pela vestimenta do mais puro cinza, vaidoso do amarelo esverdeado dos olhos grandes, não se sentia ofendido com a descida à ralé. Afinal eram apenas três detalhes, disfarçados pelo eco dos primeiros nomes com o remate do seu patronímico.

Não sei o que lhe achava de estranho naquela tarde… O Nicolau olhava-me fixamente como se eu fosse uma isca, arqueava o dorso inclinado para as patas da frente… E soltando das entranhas o mais profundo MIAUUU, saltava felino para o meu ombro esquerdo.

Já sei que não vão acreditar, mas desde então inclino-me para esse lado e não quero que me corrijam a postura. Já me habituei ao defeito.

Maria Helena Ventura – 22 de Abril de 2021

Pintura de GEORGY KURASOV

Retirado do Facebook | Mural de Helena Ventura Pereira

The Beatles | Eleanor Rigby e Strawberry fields forever

Le più belle canzoni dei Beatles in un arrangiamento sinfonico orchestrale nell’interpretazione della Mitteleuropa Orchestra e dal Coro del FVG. “Revolution” è il titolo di questo concerto dedicato alle musica del più famoso quartetto di Liverpool, Dirige Ernest Hoetzl. Una produzione DueErre Produzioni Multimediali.

Phil Collins | Golden Slumbers, Carry That Weight, The End (1998)

The Gentleman you ask about is George Martin. He produced the Beatles which is a good thing to have on a CV !!! Before that he produced The Goons and others. I’d known George for many years and during an interview with him for a TV series he was doing, he mentioned that he was going to put the Beatles stuff on CD, and it would be the last time those tapes would be heard as they were. I couldn’t resist asking if I could come and have a listen….so I went to AIR studios, above Oxford Circus, and heard their multi-tracks for the first and last time.

Yesterday, Ticket to Ride, Help…..paradise. When he put each fader up separately (and there was only 4 of them !!!)… each track had one or two instruments on them and you could hear the guys coughing etc. Anyway to get back to the point, he was making what was to be his last album. His hearing has suffered over the years and this was to be the last one. He asked the people he liked to pick songs of the Beatles to perform. I chose, after discussing it with him, Golden Slumbers, which has the little drum solo in it.

He came out to France where we were recording DITL, and we did it all in a day. He’d say…”this is what George sang…” and “this is what Paul did..”it was quite magical. The album is called “IN MY LIFE” and there was a documentary made… don’t know if that is available, though I have a copy. When I think of these things I’ve been able to do in my career, I’m very touched that I’ve managed to work with some of the greatest musicians, writers, producers of our time. I never forget how lucky I am. (2005)

Phil Collins – Another Day In Paradise (Official Music Video)

Olivença é um tesouro patrimonial e cultural, mas também moral, humano e espiritual | JOSÉ RIBEIRO E CASTRO | JUAN MIGUEL MÉNDEZ

Se há quem tenha apostado com verdadeiro zelo pela aproximação entre Espanha e Portugal, tendo Olivença como ponto de encontro, esse é José Duarte de Almeida Ribeiro e Castro (Lisboa, 1953) Advogado português de longa carreira política e social desde o nível municipal ao nível comunitário, ao ter sido membro do Parlamento Europeu. A sua figura tem sido fundamental para que os Oliventinos hoje também possam adquirir a nacionalidade portuguesa. HOY Olivenza faz em exclusivo um balanço com o Dr. Ribeiro e Castro da sua experiência institucional e da sua relação com Olivença.

– Lembra-se quando foi a sua primeira visita e como se sentiu quando conheceu Olivença?

– Foi no final de 1974. O meu pai viveu em Badajoz durante algumas semanas e eu ia estar muitas vezes com ele. Numa dessas visitas, aproveitei para dar uma saltada a Olivença. Vi, gostei, respondi à minha curiosidade, mas não senti nada de especial. Tinha 20 anos, a visita foi muito rápida. Fui sozinho, não conhecia ninguém. Na verdade, vi, mas não entendi.

Depois, no fim de 1980, vindo do sul de Espanha, em lua-de-mel, passei na estrada ao lado de Olivença, só para mostrar a minha mulher onde era. Mas nem chegámos a entrar. Vínhamos de regresso a Lisboa e não parámos. Estava muito longe de perceber e sentir o mistério e o feitiço de Olivença.

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Quadro de Honra de Abril | Carlos Esperança

Quadro de Honra de Abril – Instituições e pessoas de quem gosto

Num país onde um indivíduo cortado às rodelas por um herdeiro apressado merece mais protagonismo do que um cientista de topo, uma atleta de exceção e servidores públicos notáveis, é de elementar justiça mencionar quem apreciamos, enquanto lutas partidárias, mitómanos e fascistas procuram destruir os alicerces do Estado de direito democrático.

Militares de Abril – Sempre, grato até à morte;

SNS – Hoje e sempre;

Marta Temido – Ministra da Saúde;

Graça Freitas – Diretora-geral de Saúde;

Gouveia e Melo – Almirante, coordenador do bem-sucedido e exemplar plano de vacinação;

Médicos, enfermeiros e outro pessoal de Saúde;

Telma Monteiro – A judoca europeia mais medalhada de sempre;

Vítor Cardoso – Físico português (IST) a quem foi atribuída uma bolsa de 5,3 milhões de euros na Dinamarca para criar um grupo de investigação no Instituto Niels Bohr, da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, mantendo o seu grupo de investigação em Lisboa.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

A Abrilada de 1961 – Para Angola em força? Não: Para São Bento em Força! | Carlos Matos Gomes

A Abrilada de 1961 – Para Angola em força? Não: Para São Bento em Força!

Ontem, 13 de Abril, passaram 60 anos da Abrilada de 1961 – reduzida na historiografia oficial a um pronunciamento conduzido pelo general Botelho Moniz para afastar Salazar.

A RTP apresentou um apontamento sobre a efeméride, em que participei. Resultante de uma excelente entrevista de quase duas horas com a jornalista Ana Luísa Rodrigues, muito bem preparada e muito bem informada.

A efeméride bem merecia outro tratamento e a direção de informação da RTP tinha a obrigação de lho dar, porque é serviço público.

Tinha a obrigação porque em 13 de Abril de 1961 se jogou o futuro de Portugal: os 13 anos de guerra e a descolonização como ela ocorreu. Eu apresentei o meu entendimento de que Salazar poderia (e deveria) ter evitado guerra e poderia ter aberto Portugal ao exterior. Até a história de África poderia ter sido diferente se o desfecho do que aconteceu a 13 de Abril de 1961 tivesse sido outro, se a Abrilada tivesse vingado.

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NOBRE POVO? | Daniel Oliveira in Jornal Expresso

Abaixo-assinados para defenestrar juízes, a “perplexidade” que a PGR compreende quando não se dirige ao trabalho do Ministério Público, os discursos dos televangelistas da indignação… Tudo é atribuído a uma reforçada exigência cívica.

Vou arriscar: a desilusão da maio­ria das pessoas com a democracia não tem nada a ver com a corrupção, tão antiga como o poder.

Vem quase sempre das condições de vida que ela devolve. Entre muitas razões complexas e nenhuma delas moral, a crise da democracia resulta de vivermos num tempo em que sabemos que o futuro será pior do que o passado. A corrupção até é mais visível, porque a combatemos melhor. Nenhuma república das bananas julga um ex-primeiro-ministro do partido no poder. E desde que Sócrates terá cometido os crimes de que vem acusado evoluiu-se: os prazos de prescrição são mais dilatados e há novos crimes na lei. Há muito a fazer, e não é só na justiça e na política. Também é connosco.

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AS MONTANHAS | António Galopim de Carvalho

Um dos problemas que, durante mais tempo, intrigou filósofos, naturalistas e, mais tarde, geólogos, foi, sem dúvida, a formação das montanhas. O árabe Avicena, no século X, afirmava que um tremor de terra elevava o solo, podendo criar uma montanha. Dois séculos mais tarde, Alberto, o Grande, admitia que o calor libertado pelo interior da Terra erguia o relevo, fazendo nascer as montanhas. No século XV, Leonardo da Vinci afirmava que os fósseis encontrados nas montanhas eram restos de seres vivos depositados no fundo do mar, no que foi corroborado, dois séculos depois, pelo dinamarquês Nicolau Steno, dando, assim, corpo a uma ideia vinda da Antiguidade. Com efeito, para o geógrafo grego, Estrabão (63 a.C. – 24 d.C.) e numa notável antecipação, a existência de conchas marinhas, nas camadas rochosas das montanhas, eram prova da formação destas a partir da elevação de materiais acumulados no mar. Parecia, pois, evidente, que as montanhas eram porções da crosta terrestre soerguidas muito acima da superfície geral do planeta.

Que forças colossais poderiam ter elevado tão extensas e volumosas porções de crosta? Era a pergunta que não tinha e, durante muito tempo, não teve resposta. Uma outra interrogação, à época, era suscitada pela ocorrência de camadas de rochas, que se sabia serem rígidas, mas que se apresentavam intensamente dobradas, testemunhando uma plasticidade que, aparentemente, não têm.

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DIA MUNDIAL DA VOZ | Vítor Serrão

Porque hoje se assinala o dia em que se celebra a importância da voz e se avisa para os cuidados preventivos que ela impõe, recorro a um belíssimo quadro de Diego Velázquez, de 1619, exposto na Gemaldegalerie de Berlim.

O pintor, ainda à data estante em Sevilha mas já conhecedor das novas tendências caravagescas, desenvolve nesta tela precoce o apreciado «gosto costumbrista», próprio da pintura flamenga de género, mas visto à luz do novo naturalismo tenebrista que desde Itália se impunha.

Três músicos populares, de forte tónus realista, reunem-se em torno de uma mesa onde há pão, queijo e vinho, e cantam e tocam o seus instrumentos, confraternizando com os nossos olhares contemporâneos. E que vivam a música, a palavra e a voz, sempre !

Retirado do Facebook | Mural de Vitor Serrão | Quadro de Diego Velásquez

Hoje atiro-me a José Sócrates. Tinha de chegar a minha vez. | PAULO QUERIDO

Certamente! Qui, 15 abril 2021: Pois mas Isaltino não tinha um apartamento de luxo em Paris.

Hoje atiro-me a José Sócrates. Tinha de chegar a minha vez.

Desagrada-me em José Sócrates a atitude face ao Partido Socialista. As instituições são maiores que as pessoas. Todas as pessoas. Isto inclui fundadores históricos e grandes conquistadores (e criminosos, acumulem ou não com outras definições). Sócrates tem todos os direitos, incluindo o de criticar o seu antigo partido. Criticar não me desagrada. Desagrada-me o modo como o faz: pessoalizando o assunto. Como se ele fosse credor e o partido devedor. Não: o partido não o serve. Ele serviu o partido. Ele, above all people, devia saber o que é um partido político e quais as regras implícitas da vida política.

Para abordar o assunto Sócrates é comum ver declarações iniciais de auto-crítica. O típico “eu até votei nele mas”. Compreende-se, embora seja errado. E corrigir este erro é um dever de cidadania. Vivemos uma época intensa em que cada palavra é um punhal ou um carinho. Por exemplo: eu regressei ao voto no PS por causa de José Sócrates. Mas fui eleitor do PS, não de José Sócrates. A distinção é importante não por qualquer tipo de demarcação — estive em comícios, ouvi Sócrates e outros socialistas, gostei das propostas e achei que ele tinha a visão e a paixão necessárias para conduzir o país e não me arrependo de ter votado nem me envergonho desse momento nem do Sócrates dessa época — mas para ficar claro o ponto principal: em eleições legislativas, votamos em programas de ação e seus executores embainhados por partidos.

José Sócrates é um cadáver político que insiste em circular como se estivesse vivo. É um passivo tóxico desprovido de auto-consciência. Fernando Medina (para minha surpresa) disse o que havia para dizer para o despertar para a dura realidade. Sócrates preferiu continuar no sono a sonhar que tem capital político. Se realmente se vê como um Lula, como decorre de comportamentos e afirmações públicas, é lamentável. Não falo da matéria processual. Comparo somente as figuras políticas. Se tivéssemos uma escala de lulismo de 0 a 10, Sócrates não passava de um 2, correspondente às doses de carisma e importância histórica. E mesmo sobre Lula há dúvidas quanto à sua importância política atual e futura. Sobre Sócrates há a certeza de que passou a capital negativo.

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Charles Baudelaire – Declamação – 38 Poemas de “As Flores do Mal” traduzidos por Dante Milano

Retorno Onírico

Charles Baudelaire – 38 Poemas d’As Flores do Mal – Tradução de Dante Milano Introdução parafraseada da obra “Dante Milano: Poemas traduzidos de Baudelaire e Mallarmé”, redação original de Virgílio Costa, Editora Boca da Noite (1988). Declamação – Charles Baudelaire na tradução de Dante Milano; “Dante Milano: Poemas traduzidos de Baudelaire e Mallarmé”, Ed. Boca da Noite (1988).

Som de fundo: Nocturnes (Complete), Chopin. Tocado por Brigitte Engerer

A justiça das multidões | Carlos Matos Gomes

A justiça das multidões. Baudelaire está a ser celebrado a propósito dos 200 anos do seu nascimento e como o poeta maldito que modernizou a poesia, com o célebre “As Flores do Mal”. É apresentado como um exemplo do conflito entre o comportamento do individuo, mesmo que marginal (como era o seu caso) e a multidão, que teve lugar no período revolucionário em França e de que vivemos hoje aqui em Portugal uma réplica à nossa escala.

Baudelaire utilizou expressões “goût de la vengeance” (gosto da vingança) e do “plaisir naturel de la demolition” (prazer natural da destruição), para classificar as atitudes das multidões.

Podemos utilizá-las hoje a propósito da multidão mediática. Há, segundo as notícias, mais de 150 mil peticionários disponíveis para um lugar de participantes num auto de fé, ou a uma execução com a guilhotina numa praça pública.

O historiador inglês Georges Rudé, em “A multidão na história”, cita as formas de tratamento da multidão de Gustave Le Bon, o criador da moderna psicologia de massas, como: “irracional, instável e destrutiva, intelectualmente inferior aos seus componentes, primitiva, ou com tendência a reverter a uma condição animal”. Le Bon admite também que as pessoas de instintos destrutivos tendem a sentir-se atraídos pela multidão.

Esta antiga qualificação das multidões pode aplicar-se aos movimentos populistas, justicialistas, que medram hoje em oposição a comportamentos geralmente classificados pela trilogia: humano/normal/racional.  Já recebi propostas para integrar esta nova multidão vindas pessoas que julgava normais!

Voltando a Baudelaire, em “Les Veuves”, o poeta que foi acusado de ausência de “mens sana”, de loucura, descreveu o que hoje vivemos, afirmando que multidões refletem “a alegria do rico no fundo dos olhos do pobre”.

 Isto é, há sempre um rico, um pastor, a promover a irracionalidade das multidões e estas não partem à desfilada espontaneamente. As flores do mal crescem e confundem-se com as de um jardim.

Carlos Matos Gomes

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Энигма. Элина Гаранча | Énigme. Elina Garanca

“The blonde Netrebko” – так называют Элину Гаранчу в мировой прессе, хотя ничего общего между, возможно, лучшим меццо-сопрано современности, уроженкой Латвии, и эталонным русским сопрано нет, кроме того, что обе родились в стране, которой больше не найти на карте, обе в одночасье стали звездами в Зальцбурге благодаря Моцарту и великому Николаусу Арнонкуру, и обе не только сверхъестественно талантливы, но и бесподобно хороши.
Получается, общего все-таки много, хотя Гаранча абсолютно во всем не Нетребко, и вообще – зачем сравнивать Солнце и Луну, если можно любоваться и тем, и другим.


“La blonde Netrebko” – c’est ainsi que l’on appelle Elina Garanca dans la presse mondiale, bien qu’il n’y ait peut-être rien de commun entre, peut-être, la meilleure mezzo-soprano de notre temps, originaire de Lettonie, et la soprano russe de référence, sauf que tous deux sont nés dans un pays que l’on ne trouve plus sur la carte, tous deux sont devenus des stars du jour au lendemain à Salzbourg grâce à Mozart et au grand Nikolaus Arnoncourt, et tous deux sont non seulement surnaturellement talentueux, mais aussi incroyablement bons. Il s’avère qu’il y a encore beaucoup de points communs, bien que Garanch ne soit absolument pas Netrebko dans tout, et en général, pourquoi comparer le Soleil et la Lune, si vous pouvez admirer les deux.

O que é insuportável em José Sócrates Luís Osório

1. O problema já nem são os processos, a inocência processual ou a culpa redentora para o sistema judiciário. O problema já não é o escandaloso arrastar do caso, as notícias e contra notícias, a quantidade de cofres, as explicações, as fugas de informação, os debates, as intermináveis discussões sobre Ministério Público, juízes, comunicação social. O problema já não é saber o que vai acontecer a seguir. Se o juiz Ivo Rosa é sério ou se está a soldo dos poderosos (seja isso o que for), se a mãe do ex-primeiro-ministro tinha uma herança, se guardava o dinheiro vivo ou se estava morto no banco, se a ex-mulher do ex-primeiro-ministro, mais o amigo milionário, mais Ricardo Salgado e o tipo do negócio do sangue e todos os personagens desta novela, têm ou não provas suficientes contra si.

2. O problema é todo este esgoto. Esta imundície moral. Este despudor. Não me interessa se José Sócrates é culpado ou inocente, o problema é que foi primeiro-ministro e teve o meu voto nas eleições em que teve maioria absoluta, o meu e o de milhões de portugueses. E voltou a ter o voto de milhares e milhares nas eleições seguintes (aí já não o meu).

3. O problema é que este senhor nos enganou. O problema é que tinha uma vida desbragada, uma vida de luxúria com dinheiro que ia buscar aqui e ali quando, no exercício das suas funções, pedia sacrifícios aos portugueses. O problema é todo o circo que montou. O poder que acumulou fazendo o que fosse preciso. O problema é tudo o que ouvimos dizer através da sua defesa, dos argumentos que utiliza, da vida que tinha, dos amigos que tinha, do dinheiro que circulava sem pudor, do modo como tratou a função de primeiro-ministro, da falta de dignidade que emprestou à sua função com a vida que decidiu ter.

4. Não, o problema não é o que o pode condenar. As alegações de corrupção prescrita ou não, os indícios ou a falta deles, os testas de ferro, as seis mil páginas do processo, o branqueamento de capitais ou as falsificações e a fraude fiscal.

Dou isso de barato.

O problema, o que verdadeiramente é insuportável, é o cheiro que isto tem a lama que nos foi atirada à cara por um homem em quem o país confiou e ofereceu uma maioria absoluta. Isso é simplesmente imperdoável.   

LO

Retirado do facebook | Mural de Luís Osório

ADAM ET ÈVE | Quelle faute ont-ils commise ? | Le Précepteur – Charles Robin

📏 Selon le christianisme, l’être humain est marqué, dès l’origine, par le sceau du péché. En succombant à la tentation du fruit défendu, Adam et Ève auraient plongé l’humanité dans la souffrance et la corruption. Mais au-delà de la dimension religieuse, que nous enseigne cette épisode biblique sur notre condition ?

👨🏻‍🏫 QUI EST LE PRÉCEPTEUR ? Charles Robin est précepteur et enseignant en philosophie, français et mathématiques. Depuis plusieurs années, il accompagne des élèves de tous niveaux dans leur parcours scolaire. Ses élèves l’apprécient pour son franc parler, son sens de l’écoute et sa capacité à rendre claires des notions parfois complexes. Son projet, à terme, est de créer une école populaire autonome dans laquelle seraient valorisés les savoirs fondamentaux, les arts et l’initiative collective.


MARX | L’aliénation | Le Précepteur – Charles Robin

📏 Marx est surtout connu pour sa critique radicale du système capitaliste et son engagement politique en faveur des travailleurs. Mais on connaît beaucoup moins ses analyses sur un concept pourtant fondamental de la philosophie politique, à savoir l’aliénation.

👨🏻‍🏫 QUI EST LE PRÉCEPTEUR ? Charles Robin est précepteur et enseignant en philosophie, français et mathématiques. Depuis plusieurs années, il accompagne des élèves de tous niveaux dans leur parcours scolaire. Ses élèves l’apprécient pour son franc parler, son sens de l’écoute et sa capacité à rendre claires des notions parfois complexes. Son projet, à terme, est de créer une école populaire autonome dans laquelle seraient valorisés les savoirs fondamentaux, les arts et l’initiative collective.

A BÍBLIA | UMBERTO ECO

TEXTO DE UMBERTO ECO SOBRE A BÍBLIA

Via José Gabriel:

“Dolenti declinare(relatórios de leitura para um editor)

Anónimos. A Bíblia.

Devo dizer que quando comecei a ler o manuscrito, e ao longo das primeiras centenas de páginas, fiquei entusiasmado. Tudo é acção, e acção é tudo o que o leitor de hoje pede a um livro de evasão: sexo (em profusão), com adultérios, sodomia, homicídios, incestos, guerras, massacres, e assim por diante.

O episódio de Sodoma e Gomorra, com os travestis que os dois anjos querem fazer-se, é rabelaisiano; as histórias de Noé são Salgari puro, a fuga do Egipto é uma história que aparecerá mais cedo ou mais tarde nos écrans… Em resumo, um verdadeiro romance-rio, bem construído, que não economiza os golpes de teatro, cheio de imaginação, com a dose de messianismo suficiente para agradar, mas sem cair no trágico.

Depois, seguindo para diante, dei-me conta de que estava, afinal, perante uma antologia de vários autores, com numerosos, excessivos, trechos de poesia, alguns francamente lamentáveis e aborrecidos, perfeitas jeremíadas sem pés nem cabeça.

O resultado é um conjunto monstruoso, arriscando-se a não agradar a ninguém, por tanto ter de tudo. E, depois, será um problema tratar de todos os direitos dos diversos autores, a menos que o organizador trate disso, ele próprio. Mas do organizador nunca consegui descobrir o nome, nem sequer no índice, como se fosse proibido nomeá-lo.

Eu diria que se fizessem contactos a ver se será possível publicar separadamente os primeiros cinco livros. Seria andarmos mais pelo seguro. Com um título como “Os Desesperados do Mar Vermelho”.

Umberto Eco, “Diário Mínimo”

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