Para se conhecer o pensamento político de Fernando Pessoa | Adelto Gonçalves

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Depois de 22 anos, Politica e Profezia: Appunti e frammenti 1910-1935 (Roma, Antonio Pellicani Editore, 1996), que reúne textos políticos do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), traduzidos e anotados por Brunello Natale De Cusatis, professor de Língua Portuguesa e Literaturas Portuguesa e Brasileira da Universidade de Perugia, hoje aposentado, ganhou em 2018 pela Edizioni Bietti, de Milão, uma segunda edição, revista e aumentada, constituindo o 26º volume da coleção l´Archeometro. Na introdução que preparou para esta edição, entre outras argutas observações, De Cusatis recupera a polêmica travada à época da primeira edição com o escritor italiano Antonio Tabucchi (1943-2012), autor de Afirma Pereira (1994), na qual também teve participação (involuntária) este articulista.

Como se sabe, à época, o fato de ter mostrado que o pensamento político de Fernando Pessoa passava longe dos hostes esquerdistas, embora não se pudesse qualifica-lo de fascista, aparentemente, desagradou Tabucchi, antigo professor de Língua e Literatura Portuguesa na Universidade de Siena, diretor do Instituto Italiano de Cultura em Lisboa e tradutor de obras de Fernando Pessoa para o italiano. E o que se seguiu foi uma série de ataques pela imprensa, especialmente um artigo publicado no jornal Corriere della Sera, de Milão, em 31 de maio de 2001.

Como escreveu o crítico José Almeida, no periódico impresso O Diabo, de Lisboa, na edição de 15 de janeiro de 2019, a polêmica mostrou, “de um lado, as calúnias, as mentiras e as infâmias de Tabucchi e respectivo séquito, de outro a verdade assente sobre os fatos, a honestidade intelectual e o profundo conhecimento de De Cusatis em relação à obra do modernista português”.

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Nelson Urt: do jornalismo à ficção | Adelto Gonçalves

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Depois de uma carreira de três décadas em grandes veículos de comunicação de São Paulo, como O Estado de S.Paulo, revista Placar (Editora Abril),  Diário Popular e ESPN Brasil, entre outros, o jornalista Nelson Urt, 65 anos, voltou em 2004 para a sua Ladário natal, antigo distrito e hoje cidade vizinha a Corumbá, no Pantanal do Estado do Mato Grosso do Sul, onde continuou a exercer sua profissão nas redações do Diário Corumbaense e do Correio de Corumbá e como autônomo, além de dedicar-se aos estudos acadêmicos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

A par disso, em fevereiro de 2019, decidiu criar uma editora, a Maria Preta Cartonera, pela qual acaba de lançar Amor e Morte em Tempos de Chumbo, que reúne um conto inédito e crônicas, além de poesias e artigos escritos ao longo dos últimos dez anos. Juntamente com o livro de Urt, a Maria Preta Cartonera lançou Paixão e Morte no Bordel, com contos dos jornalistas e historiadores Luiz Fernando Licetti, Silas de Almeida e Nelson Urt.

O mergulho de Urt na ficção, porém, não deixa de ser um retrato bem acabado de uma realidade vivida por jornalistas e outros intelectuais, de modo geral, na cidade de São Paulo nos anos 60 e 70, durante os tempos de chumbo provocados pelo regime militar (1964-1985). Com um texto enxuto e pacientemente elaborado de quem dedicou os seus melhores anos à escrita de reportagens na área esportiva, o jornalista, agora ficcionista, reconstitui no conto que dá título ao livro as peripécias de Marcus, uma espécie de alter ego, fotógrafo do Diário da Noite, periódico do empresário Assis Chateaubriand (1892-1968), dono do conglomerado Diários Associados, magnata das comunicações entre o final de 1930 e o começo da década de 1960.

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Paulina Chiziane, autora que toda mulher deveria conhecer | Adelto Gonçalves

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A exemplo do que já fizera em Dicionário de personagens da obra de José Saramago (Blumenau-SC: Editora da Fundação Universidade Regional de Blumenau – EdiFurb, 2012), levantamento de 354 protagonistas que perpassam os romances e peças teatrais do Prêmio Nobel de Literatura de 1998,  feito a partir de pesquisa que durou 15 anos e contou com a colaboração de mais de oito dezenas de seus alunos, a professora, contista, ensaísta e crítica Salma Ferraz acaba de lançar Dicionário de personagens da obra de Paulina Chiziane (São Paulo: Todas as Musas, 2019), publicado com recursos do Ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura.

A obra é resultado de um trabalho coletivo que durou cinco anos e foi realizado por uma equipe coordenada pela professora Salma Ferraz, incluindo 53 alunos de graduação em Letras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com o auxílio de duas alunas da Pós-Graduação em Literatura Brasileira da mesma UFSC, Patrícia Leonor Martins e Márcia Mendonça Alves Vieira. Como diz na apresentação que escreveu para este livro Tania Macedo, professora titular de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e diretora do Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo (USP), este trabalho constitui uma espécie de “mapa” da escrita da autora moçambicana Paulina Chiziane (1955) que vai muito além daquilo que o título da obra deixa entrever.

Além de relacionar personagens que aparecem em vários livros de Paulina, o Dicionário traz uma fortuna crítica e uma biografia da autora, bem como duas entrevistas concedidas por ela para órgãos de imprensa do Brasil e do exterior e dois ensaios de especialistas. Um dos responsáveis por um desses ensaios é este articulista, autor de “O feminismo negro de Paulina Chiziane”, originalmente publicado em Passagens para o Índico: encontros brasileiros com a literatura moçambicana, de Rita Chaves e Tania Macedo, organizadoras (Maputo: Marimbique Conteúdos e Publicações, 2012, pp. 33-41). O outro ensaio é “Adão e Eva na obra de Paulina Chiziane”, de António Manuel Ferreira, professor associado com agregação do Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro. Ao final, o livro traz ainda uma fortuna crítica de textos acadêmicos dedicados à obra da autora moçambicana.

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J’ai couru vers le Nil | Alaa El Aswany

Le Caire, 2011. Alors que la mobilisation populaire est à son comble sur la place Tahrir, Asma et Mazen, qui se sont connus dans une réunion politique, vivent leurs premiers instants en amoureux au sein d’une foule immense. Il y a là Khaled et Dania, étudiants en médecine, occupés à soigner les blessés de la manifestation. Lui est le fi ls d’un simple chauffeur, elle est la fille du général Alouani, chef de la Sécurité d’État, qui a des yeux partout, notamment sur eux. Il y a là Achraf, grand bourgeois copte, acteur cantonné aux seconds rôles, dont l’amertume n’est dissipée que par ses moments de passion avec Akram, sa domestique. Achraf dont les fenêtres donnent sur la place Tahrir et qui, à la suite d’une rencontre inattendue avec Asma, a été gagné par la ferveur révolutionnaire. Un peu plus loin, il y a Issam, ancien communiste désabusé, victime de l’ambition de sa femme, Nourhane, présentatrice télé, prête à tout pour gravir les échelons et s’ériger en icône musulmane, qu’il s’agisse de mode ou de mœurs sexuelles.
Chacun incarne une facette de cette révolution qui marque un point de rupture, dans leur destinée et dans celle de leur pays. Espoir, désir, hypocrisie, répression, El Aswany assemble ici les pièces de l’histoire égyptienne récente, frappée au coin de la dictature, et convoque le souffle d’une révolution qui est aussi la sienne. À ce jour, ce roman est interdit de publication en Égypte.

Dmitri Hvorostovsky | Russian waltz “Hills of Manchuria”

Dmitri Khvorostovski
Cantor de ópera
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DescriçãoDmitri Aleksandrovitch Khvorostovski foi um barítono russo. Hvorostovsky nasceu em Krasnoiarsk, na Sibéria. Estudou na Escola de Artes de Krasnoiarsk sob os ensinamentos de Ekaterina Yofel e fez sua estreia na Casa de Ópera de Krasnoiarsk no papel de Marullo, Rigoletto. Wikipédia
Nascimento: 16 de outubro de 1962, Krasnoyarsk, Rússia
Falecimento: 22 de novembro de 2017, Londres, Reino Unido
Filhos: Nina Hvorostovskaya, Daniel Hvorostovsky, Aleksandra Hvorostovskaya, Maxim Hvorostovsky
Cônjuge: Florence Illi (de 2001 a 2017), Svetlana Hvorostovskaya (de 1989 a 2001)
Filmes e programas de TV: Tchaikovsky: Eugene Onegin: The Metropolitan Opera, MAIS

«Leonardo da Vinci e as Mulheres», de Kia Vahland

«Leonardo da Vinci e as Mulheres», de Kia Vahland: Um novo olhar sobre a vida e obra do grande génio no 500.º aniversário da sua morte.

Em Leonardo da Vinci e as Mulheres, que chegará amanhã às livrarias portuguesas, a autora e historiadora da arte Kia Vahland dá-nos a conhecer que, séculos antes dos movimentos de emancipação femininos, Leonardo da Vinci desenvolveu na sua pintura a imagem da mulher moderna.

Este génio universal, e criador da lendária Mona Lisa, celebra nos seus quadros e desenhos a persistência, o intelecto, as emoções e a sensualidade femininas – e, com os seus modelos, revela a mulher moderna como a contrapartida do homem, em plena igualdade. Na realidade, Leonardo retratou as mulheres como o mundo ainda não as conhecia, inventando a imagem da mulher autónoma com ideias próprias, a mulher bela e autoconfiante mas também vulnerável que encara diretamente o homem a partir da tela.

Segundo Nicola Kuhn, do Der Tagesspiegel, «A linguagem de Kia Vahland é clara e direta. Recusando perder-se em formulações egocêntricas, trata as coisas pelos nomes, amiúde com um toque de ironia.»

Já Niklas Maak, do Frankfurter Allgemeine Zeitung, diz que «Kia Vahland movimenta-se no mundo académico e jornalístico e escreve sobre a história da arte como se de um romance policial se tratasse. Trabalha com a linguagem como um pintor com as tintas.»

Um livro de leitura obrigatória que chega até nós no ano em que se assinala o 500.º aniversário da morte deste artista.

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RAÍZES DO ESTRANHAMENTO: A (IN)COMUNICAÇÃO PORTUGAL-BRASIL | Carlos Fino

(Tese de doutoramento em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e pela Universidade de Brasília)

Resumo

Apesar da língua e de um fundo histórico e cultural comuns, as relações entre Portugal e o Brasil têm sido reconhecidamente permeadas por um sentimento de estranhamento ou desconforto mútuo, mesmo quando no plano estatal – sobretudo em períodos de coincidência ideológica e política dos regimes que os governam – se registam avanços em termos de acordos e tratados celebrados em diversas áreas.

Esse estranhamento opera como fator inibitório do aprofundamento das relações, que estão aquém da intensidade registada noutros casos de relacionamento entre a ex-potência colonial e as ex-colónias, designadamente os Estados Unidos com a Inglaterra e a Espanha com os países latino-americanos. Essa situação de latência não inteiramente realizada entre Portugal e o Brasil já foi caracterizada como “parceria inconclusa”.

Paralelamente, regista-se entre os dois países um défice de comunicação, que tanto pode derivar desse sentimento de desajustamento mútuo como estar, até, na sua origem. Em qualquer caso, essa (in)comunicação tende a reforçar o estranhamento e vice-versa, num perpetuum mobile em que ambos mutuamente se alimentam.

Investigar as origens dessa realidade, sondar na História do passado comum as razões desse estranhamento e dessa (in)comunicação – este o objetivo do presente estudo.

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O Deus da violência não existe | Frei Fernando Ventura | in MILÉNIO stadium (online)

Teólogo e biblista, Frei Fernando Ventura foi professor de Ciências Religiosas no ISCRA em Aveiro. É intérprete na Comissão Teológica Internacional da Santa Sé. Colabora, como tradutor, com diversos organismos internacionais. Pertence ao quadro de redatores da revista Bíblica, onde assina artigos de aprofundamento teológico. Autor do primeiro estudo sobre Maria no Islamismo, lançou o livro Roteiro de Leitura da Bíblia. Ministra cursos e retiros, percorre o mundo, de convite em convite ou de conferência em conferência, como tradutor. É assíduo comentador de atualidade social e religiosa em diversos canais de comunicação social em Portugal.

Como é possível? Esta é a pergunta recorrente que qualquer pessoa de bem e de bom senso faz, sempre que as notícias chegam carregadas de sangue, injustiça, revolta, ódio… e sustentadas em supostas crenças religiosas. Frei Fernando Ventura é franciscano capuchinho. Foi a ele que recorremos para tentar entender o que nos parece inexplicável – como é possível alguém matar em nome de Deus?

Frei Fernando Ventura – O Prof. Agostinho da Silva dizia “eu não tenho religião, há uma religião que me tem a mim”. A pior coisa que pode acontecer a alguém é ter uma religião. Seja uma religião religiosa, seja uma religião política, seja uma religião futebolística, seja tudo aquilo que faz de mim o centro do mundo e não me permite passar para além de mim, em relação ao outro. Eu só sou capaz de encontrar Deus se for capaz de me desinquietar a mim. Eu digo sempre que há um momento zero de toda a revelação da Bíblia – quando Moisés ouve uma voz que o chama e ao mesmo tempo lhe diz tira as sandálias porque o espaço que pisas é sagrado. É a grande declaração formal da sacralidade do espaço do outro, da sacralidade do espaço de Deus e da sacralidade do meu espaço. É este o desafio. E é aqui que falham as pessoas que são gente da religião, mas não são gente de fé. São pessoas incapazes de perceber que a construção do “nós” se faz com a interseção dos dois “eu’s”

M.S. – O que me está a dizer é que devemos separar, de uma forma muito objetiva, a religião da fé.

F.F.V. – Sim. E quantas vezes são as religiões que incomodam a fé, vemos pessoas obrigadas a determinado tipo de comportamento, em nome de Deus, deixando de lado o outro. Dou sempre o exemplo do samaritano – está um homem caído na estrada a precisar de ajuda, passa o sacerdote, passa um levita e quem pára é o samaritano. Mas o sacerdote e o levita não param por serem maus, eles não param porque têm uma religião. Porque se eles tivessem tocado no cadáver ou no sangue ficavam impuros para entrar no templo. A religião tribalizada, o fanatismo religioso é isto, é quando eu sou o centro de mim próprio.

M.S. – E é o fanatismo que leva ao extremismo…

F.F.V. – Por isso é que todas as religiões têm as mãos manchadas de sangue. E a culpa não é das religiões, a culpa é de gente que não sabe ser gente com outra gente. Tenho dito tanto isto em tantos sítios… a nossa missão, independentemente da opção futebolística, sexual, clubística, gastronómica, política, seja o que for…, enquanto seres humanos a única missão que nos toca é ser gente com gente, para que cada vez mais gente seja gente e nunca ninguém deixe de ser pessoa. Na eternidade não há religiões. Deus não tem religião.

M.S. – Porque Deus será o mesmo para todas as religiões, não é?

F.F.V. – É o Deus que acima de tudo tem uma relação pessoal com cada um de nós. O drama é quando as religiões entendidas como articulações de comportamentos e normas de relações interpessoais não são momentos nem espaços de celebração da fé, mas são momentos de celebração da minha tribo. Isto acontece no futebol, acontece na política, acontece na vida social – a tribalização do eu. Nós vivemos numa sociedade, como eu costumo dizer, solteira de afetos, viúva de emoções e divorciada de compromissos. De relações fluídas, de utilidade… O que está em crise hoje em dia não é a fé. O que está em crise é a vida.

M.S. – As relações entre as pessoas…

F.F.V. – Entre os estados, entre os países. Temos muitos conflitos no mundo que não são mais do que conflitos políticos, geopolíticos e económicos mascarados de religião.

M. S. – Quando se fala desta temática – religião – usa-se muito um conceito que, eu sei, o Frei Fernando Ventura não gosta mesmo nada, que é a Tolerância.

F.F.V. – Tenho uma raiva danada à tolerância

M.S. – Porque isto de tolerar alguém pode querer dizer que estamos a menosprezá-lo, não é?

F.F.V. – Completamente! Eu posso tolerar uma dor de cabeça, uma dor de dentes enfim, mas eu não tenho que tolerar ninguém. Eu não tenho o direito de dizer a ninguém “eu tolero-te”. Nós só temos o direito de olhar alguém de cima para baixo quando for para o ajudar a levantar-se. E há um outro mito que é preciso desconstruir – nós estamos todos convencidos, e ensinamos isso aos nossos filhos, nas escolas, nas catequeses…, que a minha liberdade termina quando começa a liberdade do outro – isto é uma estupidez.

M.S. – É?

F.F.V. – É, porque se o outro é o limite da minha liberdade eu tenho que o matar para ser livre. Os conflitos estão aqui também. Quando percebermos que na relação eu/tu a minha liberdade aumenta, na medida em que encontra a tua liberdade. Se eu for capaz de abrir o meu metro quadrado ao metro quadrado do outro, nós ficamos com dois metros quadrados. A minha liberdade alargou. O outro não é o limite.

M. S. – Mas quando se diz a minha liberdade termina quando começa a do outro é sinal de respeito pelo outro, pelo metro quadrado do outro…

F.F.V. – Oxalá fosse. Os nossos amigos muçulmanos diriam Insha’Allah. (risos)

M.S. – A propósito de dizer “nossos amigos muçulmanos”… eu sei que o Frei Fernando Ventura convive muito bem com outras religiões. O que poderemos fazer para haver cada vez mais pessoas assim… a olhar para os outros como iguais e respeitá-los na sua diferença?

F.F.V. – É perceber que o meu irmão judeu precisa que eu seja um bom cristão para ele ser um bom judeu. O meu irmão muçulmano precisa que seja um bom cristão para ele ser um bom muçulmano… e por adiante. A diferença do outro é aquilo que me completa. Se não eu morro sozinho.

M. S. – A religião hoje em dia é geradora de enormíssimas fortunas.

F.F.V. – São autênticos impérios.

M. S. – E isso, desde tempos imemoriais tem provocado guerra.

F.F.V. – E, desculpem a vulgaridade, sempre que o poder político e o poder religioso foram para a cama juntos, nasceram monstros. E o mundo de hoje continua com monstros destes. Com casamentos de conveniência. Por trás da geopolítica está sempre o calendário das guerras atuais e das guerras futuras, se quiser perceber onde vão acontecer os próximos conflitos tem que ver onde está o gás, o petróleo… ali vai ser montado um conflito. Ali vai ser montada uma guerra. Que vai ser uma guerra mascarada de religião, que de religião não tem nada.

M.S. – Como já teve oportunidade de dizer todas as religiões têm as mãos manchadas de sangue. E isso gera ódios. O que podem fazer hoje os líderes religiosos, as pessoas de bem, para resolver esta situação?

F.F.V. – É preciso que as pessoas de bem não se calem, independentemente da sua opção religiosa. A frase não é minha, mas “o que me assusta não é a voz dos maus, mas o silêncio dos bons”. Este é o tempo de passar da religião à fé, nas comunidades católicas, por exemplo, temos demasiadas missas e pouquíssimas eucaristias, temos demasiada gente que vai à missa, mas não vai à vida, temos gente “casada” com um Deus tirano que esmaga, mas que é gente que na vida real olha os outros de cima para baixo. A urgência é passar da religião à fé, da lógica do poder à lógica do serviço. Por aqui transformamos o mundo. Se não, não faremos mais do que construir muros e vamos morrer orgulhosamente sós. Agarrados a mitos. O Deus da violência não existe. E um homem ou uma mulher que diz que tem uma relação com Deus e não tem uma relação de horizontalidade com a vida, é só um fanático. É só um doente.

“O Deus da violência não existe”

BORGES, OS LAPSOS E A EUROPA DO EXTREMO-OCIDENTE | Fernando Couto e Santos

O recente Congresso Internacional da Língua Espanhola – que se realizou no final do passado mês de março na Argentina – ficou marcado pelo discurso inaugural do rei Felipe VI. Por lapso, o monarca espanhol, ao referir-se ao mais conhecido e universal dos escritores argentinos de todos os tempos, nascido em 1899 e falecido em 1986, trocou-lhe o nome e, em vez de o identificar como Jorge Luis Borges, chamou-lhe José Luis Borges. Muitos observadores glosaram sobre este equívoco de sua majestade, se seria sinónimo de desinteresse pela literatura ou resultado de uma mera distração. Afinal – afirmaram alguns – embora Jorge seja um nome comum, José é-o ainda mais e José Luis é no mundo hispânico – tal como no lusófono, aliás – mais corrente do que Jorge Luis (em castelhano Luis não leva acento na letra «i»). Em tempos, conversando com alguém que conheci e que, não sendo particularmente erudito, tinha a pretensão de saber alguma coisa de literatura, tive a surpresa de verificar que o dito cujo parecia nunca ter ouvido falar de Jorge Luis Borges, visto que me respondeu, perante uma citação que lhe fiz do génio argentino, que desconhecia que o padre José Luís Borga escrevesse livros, pois pensou que eu me referia a um tal padre cantor que, por acaso, entretanto, até já publicou um livro. Por conseguinte, a confusão entre Jorge Luís e José Luís é deveras vulgar. Que eu saiba, não existe nenhuma figura pública chamada Jorge Luís Gomes de Sá, pois correria o risco de ser confundido com uma reencarnação ou um descendente do famoso negociante de bacalhau e comerciante portuense José Luís Gomes de Sá Júnior (1851-1926) que deu origem à célebre receita de Bacalhau à Gomes de Sá.

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Lisboa acolhe festival literário | in Jornal Público

O Festival da Palavra estreia a sua primeira edição na capital, a realizar-se entre os dias 8 e 11 de Março. E a palavra de ordem é “fronteira”.

Lisboa vai ser o palco da primeira edição de um festival literário promovido pela Cabine de Leitura da Praça de Londres, em colaboração com as livrarias Barata, Tigre de Papel e Leituria, e terá lugar na freguesia de Alvalade a partir desta sexta-feira, dia 8, a estender-se até ao dia 11 do presente mês.

Na sequência de outros actos de cidadania e voluntariado, como é exemplo a Cabine de Leitura, que criou em 2014 na Praça de Londres, Carlos Moura-Carvalho, o único fundador desta iniciativa, decidiu avançar para a realização de um festival literário.

“Lisboa não realiza um festival literário à sua dimensão, de capital, de metrópole turística, de urbe com uma história única na Europa”, aponta. “Realizar um festival centrado numa palavra pareceu-nos ser uma opção criativa e desafiadora”.

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Vinte anos de Bloco | Francisco Louçã

Porque o Bloco passou a representar politicamente a força de um ativismo social com memória e foi sempre fiel a essa raiz.
Porque encerrou uma pré-história em que grupos testemoniais se identificavam mais pelas ideias generosas do que pela capacidade de as disputar na sociedade.
Porque restabeleceu a política de esquerda como ela é: um programa que faz, que conhece a relação de forças, que aprende na ação social com os de baixo.
Porque detesta a vaidade de quem cria um grupo ou partido se tem ou uma diferença de opinião ou a pretensão de representar a verdade de uma versão literária da história.
Porque o caminho da convergência é o da aprendizagem e o da divergência é o da fraqueza.
Porque aprendeu com uma urgência, a do referendo perdido em 1998.
Porque a luta alterglobalização batia à porta e, logo depois, a independência de Timor Leste e a oposição à guerra da Jugoslávia e à ocupação do Iraque confirmaram tanto a ofensiva do império quanto a necessidade de lhe opor um internacionalismo militante.
Porque juntar capacidades, trajetos e vontades num grande partido é a forma da política de massas.
Porque correr por fora e por dentro exige saber para onde se vai.
Porque um partido é necessário e útil quando, podendo, consegue aumentar o salário mínimo e as pensões ou parar as privatizações.
Porque o Bloco, ao fazer o seu caminho, se torna mais combativo à medida que é capaz de formular alternativas e de as apresentar como fatores decisivos no debate nacional.
Porque o Bloco foi o primeiro e, até hoje, o mais consistente dos novos partidos à esquerda que, na Europa, mas também noutros continentes, o foram replicando ou seguindo caminhos paralelos.
Porque a luta das mulheres e homens que trabalham ou estão reformados fica mais forte com uma esquerda de confiança.
Porque os jovens precários precisavam de uma força política para os seus movimentos.
Porque as lutas feministas, anti-racistas, LGBT+, ou de quem estuda precisam de uma voz política que muda a agenda nacional.
Porque ganhamos muitas vezes e perdemos outras.
Porque a política militante de esquerda é continuidade e é persistência.
Porque nos lembramos do Miguel, do João, da Helena e de tantas e tantos outros e outras.
Porque na esquerda não desistimos de nada.

Francisco Louçã

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã 

Témoignage d’une reine pendant la guerre d’Algérie | Izza Bouzekri

Très beau témoignage d’une reine pendant la guerre d’Algérie
Izza Bouzekri Madame veuve Abbane Ramdane aujourd’hui Mme DEHILES

“Je suis née a la casbah,17 rue pyramide, en 1928 .A l’âge de trois ans j’ai perdu mon père qui gagnait péniblement sa vie.Nous avons déménagé a notre dame d’afrique, rue du Carmel ou j’ai fréquenté l’école communale jusqu’à l’obtention du certificat d’études puis j’ai continué a la Chabiba ou j’ai été impregnée et sensibilisée a la cause nationale par cheikh Tayeb el Okbi qui a eu une grande influence sur moi.Nous étions pauvres et ma mère ,veuve travaillait.Je l’aidais comme je pouvais.J’avais conscience de l’indigence des indigènes comparé au train de vie des colons .L’injustice était flagrante.
J’ai commencé a militer en 1947 au sein de l’AFMA (association des femmes musulmanes algeriennes ) sous l’égide du MTLD et présidée par Mamia Chentouf . J’y ai croisé Nafissa Hamoud future professeur Laliam .Nous faisions beaucoup de social et nous entrions dans des mariages a la casbah et a belcourt pour entonner des chants patriotiques ce qui nous valait de ressortir avec une petite cagnotte !
En 1949, atteinte de tuberculose, je suis envoyée a Marseille ou je suis sauvée in extrémis .Lors de mon séjour au sanatorium d’Annecy qui dura environ 15 mois j’ai été formée a la sténo -dactylo.
De retour a Alger, j’ai décidé de m’émanciper en enlevant le hayek au grand désespoir de ma mère ;de parfaire ma formation a l’école Pigier.
C’est grâce au MTLD que j’ai trouve un poste de secrétaire chez un avocat :maître Boyer, rue Duc des Cars.
Dés le déclenchement de la révolution j’ai cherché a rejoindre le FLN ,Nassima Hablal fût la première a y accéder et ce n’est qu’en Juillet 1955 que mon voeu se réalisa. Nous avions un voisin qui enseignait l’arabe, Hocine Belmili avec qui je discutais le matin avant d’aller a mon travail. Un jour ,il m’a dit :tu es sûre de vouloir entrer dans le FLN ? Oui ai-je répondu ,alors tiens toi prête demain.
Le lendemain par une belle journée de juillet , nous avons pris un taxi direction la Glacière a El Harrach. Un homme nous attendait.J’ai tout de suite compris que j’avais affaire a un élément important du FLN. Il m’a d’emblée tutoyer:
-Tu fais quoi?
– je suis la secrétaire d’un avocat
– Tu tapes a la machine
– oui
– tu as des contacts et des refuges surs ?
– oui
– Alors tu seras contactée a ton boulot.
Il a tourné les talons et a disparu.
Je venais de faire la connaissance de Abane Ramdane !
15 jours aprés,j’ai reçu la visite de Amara Rachid agent de liaison :Abane cherchait un refuge.
Je lui ai présenté Fatima Zekkal Benosmane qui l’a reçu chaleureusement.
J’ai profité de mon travail pour taper tout les tracts et autres documents que le FLN m’envoyait, parallelement a Nassima Hablal jusqu’à son l’arrestation en octobre 1955, arrestation a laquelle j’ai assisté ! J’ai cessé toute activité car j’étais fichée par la police qui me filait matin et soir, tout en continuant mon travail chez l’avocat.
Quelques temps aprés Abane m’envoie Mohamed Seddik Benyahia pour me demander d’entrer dans la clandestinité .Ce que je fis ,en m’installant dans la famille Alkama au 20 rue bastide;
J’ai eu l’honneur de taper les six premiers numéros d’El Moudjahed ainsi que la plate forme de la Soummam.
Aprés la grève des 8 jours, la répression policière a été telle que Abane a du fuir Alger pour Tunis en fevrier 1957, me laissant seule avec notre bébé .Ma vie de militante s’est arrêtée net. Je n’ai plus eu de ses nouvelles jusqu’en décembre 1957 date a laquelle je reçois un télégramme : “rejoins- moi “.
Arrivée a tunis début janvier 1958 il était trop tard il venait d’être assassiné mais je l’ignorais et on m’a laissé dans l’ignorance durant 5 longs mois…. Je l’ai recherché sans relâche jusqu’au jour ou j’ai croisé Slimane Dehiles son ami de toujours, le défenseur de la veuve et l’orphelin.
Nous avons pleuré Abane ensemble et je l’ai épousé en Novembre 1959
Et depuis ,je suis murée dans mon silence !”
Izza Bouzekri
Veuve Abane Ramdane
épousé par Slimane DEHILES dit le Colonel Sadek

Récupéré de Facebook | Mur de Mas Mati

Retirado do Facebook | Mural de Mas Mati

Catherine Marie Colon

Biographie de Catherine Marie Colon

Je me suis mise à la peinture en mai 2016 et ce fut comme une révélation, un besoin immense de m’exprimer.

Je crée mes tableaux dans l’impulsion de mes émotions, de mes ressentis et de mes réflexions intérieures. Devant mes toiles vierges, jouant avec l’acrylique, l’huile et les matériaux qui m’interpellent, je laisse mes mains, mes pinceaux, mes couteaux et spatules et les couleurs se mêler, se superposer, se confondre ou se compléter pour suggérer des sujets à ceux qui regardent mes créations.

Dans mes abstractions intenses, pleines de forces contenues, ma constante dualité s’exprime dans une unité d’expression qui dévoile ma profession, thérapeute énergéticienne. Je me suis révélée au fil d’années de pratique et d’écoute axées sur l’amour de l’humanité, vers les âmes meurtries et les cœurs en souffrance.

Après de longues années en Suisse, je viens de choisir le Thoronet pour vivre mes passions.
A ce jour, plusieurs expositions privées et 2 tableaux primés à l’International Prize Caravaggio le 07/12/2018 et un tableau primé à l’International Prize Botticelli le 09/02/2019.

Actuellement une cinquantaine de mes œuvres est exposée au Casino Barrière à Sainte Maxime (France)

Run for the life

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Citations de Socrate qui vous remettront en question sur la vie | 470 avant JC /-399 avant JC

Philosophe et poseur de questions, empêcheur de tourner en rond depuis -435 av. JC.

25 citations de Socrate qui vous remettront en question sur la vie.

Socrate était l’un des philosophes les plus influents de tous les temps. Ses pensées sont non seulement de grande inspiration, mais ils vont vous faire remettre en question sur la vie d’une façon tout à fait unique. Socrate n’ayant jamais rien écrit, sa vie et sa pensée sont connues principalement par des contemporains (Aristophane), qui ont parfois été ses disciples (Platon et Xénophon), ainsi que par des sources indirectes, au premier rang desquelles Aristote (né en 384).

La doctrine de Socrate est que la justice est la vertu principale de l’accomplissement personnel de l’homme. L’homme est composé d’une âme et d’un corps.
Le corps a-t-il plus de valeur que l’âme ou l’âme a-t-elle plus de valeur que le corps ?
Pour Socrate, l’âme est supérieure au corps. Selon lui, l’âme représente l’amour, la raison, la conscience et par conséquent, le bonheur. D’après Socrate, l’âme permet de vivre en accord avec soi-même et donc, par la force des choses, d’être heureux. Vivre en accord avec son âme et en prendre soin, c’est vivre selon la justice, vertu morale suprême selon Socrate.
« Philosopher, c’est apprendre à mourir ». Selon Socrate, mourir, c’est séparer le corps de l’âme. En se détachant du corps, l’âme débutera son parcours ascendant vers l’absolu qu’il contemple. Philosopher est donc une façon de se préparer à l’éternité.

Voici les 25 citations de Socrate qui vous feront remettre en question la vie:

1) « La vraie sagesse est de savoir que vous ne savez rien. »

2) « Un vie sans examen ne vaut pas la peine d’être vécue. »

3) « Le seul bien est la connaissance, le seul mal est l’ignorance. 

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Timgad, Batna, Algeria, patrimoine mondial de l’humanité

Un site, un musée a ciel ouvert, tout comme Khemissa, Madaure et la grandiose el DJEMILA

Magnifique reportage réalisé pour l’ UNESCO par la chaîne japonaise NHK sur la Pompeii d’Afrique: Timgad, Batna, Algeria, patrimoine mondial de l’humanité.

Jesus, mestre do Bem | Frederico Lourenço

Se é verdade que os quatro evangelhos canónicos retratam Jesus como profeta, não é menos evidente para quem lê estes mais maravilhosos de todos os textos que a sua figura central, Jesus de Nazaré, é retratado também como mestre. A palavra «mestre» (em grego «didáskalos») é usada como forma de alguém se dirigir a Jesus pela primeira vez, no evangelho mais antigo, em Marcos 4:38. Neste evangelho, há uma dúzia de ocorrências da palavra «mestre», em que tanto os discípulos de Jesus como pessoas do público em geral se lhe referem por meio dessa palavra.

Marcos também nos clarifica o conteúdo da didáctica praticada por este extraordinário «didáskalos»: trata-se de um «ensinamento novo» (διδαχὴ καινή, Marcos 1:27). Nunca é de mais sublinhar a novidade cortante daquilo que Jesus veio ensinar. Jesus – com a doutrina de «fazei bem àqueles que vos odeiam» (Lucas 6:27) – veio ensinar à humanidade a novidade absoluta do Bem.

Mencionei que, em Marcos, tanto os discípulos como o público em geral se dirigem a Jesus com a interpelação «mestre». Curiosamente, a situação é subtilmente diferente nos evangelhos de Mateus e de Lucas. Nestes dois evangelhos, o público em geral usa a palavra «mestre» para referir Jesus, mas os discípulos não lhe chamam διδάσκαλος. Chamam-lhe «senhor» (κύριος) e, em Lucas, temos a situação curiosa de Jesus ser chamado por um nome que está ausente de todos os outros livros do Novo Testamento: trata-se da palavra homérica «epistátês» (ἐπιστάτης), que ocorre pela primeira vez na literatura grega no Canto 17 da Odisseia.

O termo em Homero significa algo como «suplicante», mas na literatura grega da época clássica tem o sentido de «comandante». No «Édipo em Colono» de Sófocles, o deus Posídon é referido como o «epistátês» de Colono, ou seja «divindade tutelar de Colono». Quando os discípulos de Jesus no Evangelho de Lucas aplicam ao seu mestre esta palavra ausente de todo o restante Novo Testamento, estão a aplicar-lhe uma palavra cheia de História.

Voltando a «mestre» como «didáskalos»: a palavra também é usada por Lucas com referência a João Baptista (Lucas 3:12). Há muitas semelhanças entre Jesus e João Baptista que ressaltam da leitura dos quatro evangelhos. Entre as diferenças, no entanto, há uma fundamental: João Baptista preconizava o ascetismo. Jesus, não.

Isso está claríssimo logo a partir de Marcos 2:18. O prazer da vida humana fazia parte da maneira de Jesus estar na terra – e os seus discípulos, contrariamente aos de João, não jejuavam: apreciavam o prazer da boa mesa e do bom vinho. Esta desvalorização do ascetismo e da abstinência por parte de Jesus está clara em Mateus 9:19; 11:18, Lucas 7:33-34. Toda a gente sabe o que Jesus fez perante a perspectiva de dar água a beber numa festa: transformou-a em vinho.

O cristianismo que se estabeleceu a partir do «ensino novo» de Jesus pautou-se, na sua obsessão pela abstinência, por João Baptista. Estabeleceu a ideia de que o prazer terreno é mau, que é preciso jejuar, que há uma incompatibilidade básica entre espiritualidade e corporalidade: que o corpo é, de alguma forma, intrinsecamente profano. Os apetites humanos são para NÃO satisfazer, na doutrina do cristianismo, à boa maneira de João Baptista. No entanto, não foi esse o ensinamento do mestre do Bem, Jesus.

Por isso, uma das frases mais deliciosas de Jesus é a que ocorre quando Jesus, já ressuscitado e, para todos os efeitos, já só com corpo espiritual, aparece aos discípulos e diz: «Rapazes! Tendes algo para comer?!» (João 21:5)

Comamos, pois. Não martirizemos o nosso corpo. Porque o mestre do Bem nos ensinou que fazer bem ao corpo faz bem.

(na imagem: Jesus e João Baptista por Guido Reni)

Frederico Lourenço

Retirado do Facebook | Mural de Frederico Lourenço

 

O PSD QUE EU CONHECI E O ACTUAL ESTADO DA ARTE | Rodrigo Sousa e Castro

Após a revolução tive a oportunidade de conhecer notáveis personalidades do PPD.
Era jovem, comprometido com a revolução e com a mudança e também comprometido com a defesa intransigente das Instituições Democráticas nascentes, particularmente a Constituição da República Portuguesa tinha um enorme interesse em conhecer esses políticos e com eles dialogar.
A notável plêiade de fundadores e artífices do PPD, Sá Carneiro, Sá Borges, Magalhães Mota , Pinto Balsemão, Jorge Miranda , Victor Crespo, Fernando Amaral, Mota Amaral e muitos mais, confortava os que lutavam pela Democracia, Igualdade e Justiça e colocava o partido como elemento estrutural do novo Regime , a III República, conjuntamente com o partido socialista de Mário Soares, Salgado Zenha, Almeida Santos e outros.
Era claro, que ao longo do País e sobretudo nas pequenas localidades, os que apoiavam ou militavam no partido, constituíam na maior parte dos casos, núcleos conservadores muitas vezes tutelados pelos curas católicos, mas gente, que havia acatado a ideia de Liberdade e Democracia como uma nova esperança.
A liderança politica, acima citada, urbana, cosmopolita e académica teve a arte e o condão de conduzir essa massa conservadora em apoio duma solução progressista para a Nova República, e foi ela própria muitas vezes o motor da mudança (Jorge Miranda p. ex.) tal como noutras alturas foi o moderador dos excessos.
Essa insigne geração de políticos desapareceu ou está em vias disso e o partido PPD que entretanto tomou o nome de PSD gerou dentro de si, através do carreirismo partidário, as alternativas subsequentes.
A transição foi feita por um homem de características totalmente diversas, Cavaco Silva, que rodeado de arrivistas da “ província” geriu o partido numa fase de vacas gordas, constituindo um núcleo duro de indivíduos que hoje podemos recordar pelas piores razões.
Uma parte enveredou por processos fraudulentos de enriquecimento sem causa, outra parte aninhou-se na comodidade dos negócios privados mais ou menos sérios e benéficos para a Nação.
Eis agora chegados a um ponto em que a liderança perdeu valor e prestigio, qualidade humana e técnica, e mais grave perdeu a noção do tempo politico e da vacuidade do seu vazio estratégico e de pensamento.
Resultante de uma cooptação sem critério das lideranças intermédias, o arrivismo, nepotismo e compadrio não é mais escamoteável como uma realidade incontornável deste e de outros partidos políticos.
É nesse quadro que Pedro Passos Coelho, alguém sem a mínima preparação ou qualidade para governar o País, chega a Primeiro Ministro.
A inércia das Instituições garantirá pela certa que o PSD não vai desaparecer de pé para a mão, mas o caminho que se perfila, a não ser arrepiado, é de decadência .
O que não augura nada de bom para a saúde da Democracia que tanto prezamos.

Rodrigo Sousa e Castro

Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa e Castro

Bernini, Pluto et Proserpina | Gian Lorenzo Bernini

Gian Lorenzo Bernini, Pluton et Proserpine (Persephone), 1621-22, marbre de Carrare, 225 cm de hauteur (Galleria Borghese, Rome) Entretien entre les docteurs Beth Harris et Steven Zucker. Proserpine est la variante latine du mythique Perséphone grec. Créé par Beth Harris et Steven Zucker.

QUANDO A PASIONÁRIA VIROU CATÓLICA | José Luís Andrade | in “Observador” 14/1/2019

Depois de ter sido uma das figuras maiores da máquina de propaganda de Moscovo, a “Pasionaria” acabou os seus dias reconciliada com a sua fé de infância e juventude, tendo regressado à Igreja Católica.

Dolores Ibárruri Gómez, mais conhecida por la Pasionaria, foi uma encarniçada militante comunista espanhola, membro do Bureau Político do Partido Comunista de Espanha desde 1932, e sua presidente desde 1960 até à sua morte em 1989. Nascida em 1895, crescera numa família basca de simpatias carlistas, entranhadamente católica. Os parcos recursos do pai, mineiro, e a sua larga prole (11 filhos), levaram-na a ter de sair da escola aos 16 anos para ganhar a vida e ajudar a família. Pouco depois, conheceu o seu primeiro companheiro, Julián Ruiz, um militante socialista filo-bolchevista, com quem casaria em 1916. Ruiz foi determinante na sua conversão ao comunismo e, com ela, e com outros defensores da inscrição do PSOE na Internacional Comunista, fundaria o PCE, em Novembro de 1921.

Ao escrever o seu primeiro artigo em El Minero Vizcaíno, adoptou o pseudónimo de Pasionaria, ou porque o tivesse redigido durante a Semana Santa, como sugere a maioria dos seus biógrafos, ou porque o usasse nos seus anteriores textos de colaboração no boletim paroquial, como defendem alguns. Mercê do seu papel na revolução das Astúrias de 1934, iniciada pelo PSOE mas a que o PCE se anexara oportunisticamente, foi «eleita» para o Comité Executivo da Komintern, no 7º (e último) Congresso da Internacional Comunista, em Agosto de 1935. Foi nesta reunião magna dos comunistas estalinistas que foi aprovada a estratégia das Frentes Populares que, poucos meses depois, daria frutos em Espanha. A Pasionaria seria uma das principais intérpretes dessa orientação política e uma das figuras de proa da eficaz máquina de propaganda de Moscovo.

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Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa | Assinado em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1990

Considerando que o projecto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa aprovado
em Lisboa, em 12 de Outubro de 1990, pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia
Brasileira de Letras e delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São
Tomé e Príncipe, com a adesão da delegação de observadores da Galiza, constitui um passo
importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestigio
internacional,

Considerando que o texto do acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos
Países signatários.

a República Popular de Angola,
a República Federativa do Brasil,
a República de Cabo Verde,
a República da Guiné-Bissau,
a República de Moçambique,
a República Portuguesa,
a República Democrática de São Tomé e Príncipe, acordam no seguinte:

Artigo 1º

É aprovado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que consta como anexo I ao presente
instrumento de aprovação, sob a designação de Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
(1990) e vai acompanhado da respectiva rota explicativa, que consta como anexo II ao mesmo
instrumento de aprovação, sob a designação de Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da
Língua Portuguesa (1990).

Artigo 2º

Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as
providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de Janeiro de 1993, de um vocabulário
ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador
quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.

Artigo 3º

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em 1 de Janeiro de 1994, após
depositados os instrumentos de ratificação de todos os Estados junto do Governo da República
Portuguesa.

Artigo 4º

Os Estados signatários adaptarão as medidas que entenderem adequadas ao efectivo respeito
da data da entrada em vigor estabelecida no artigo 3º.
Em fé do que, os abaixo assinados, devidamente credenciados para o efeito, aprovam o
presente acordo, redigido em língua portuguesa, em sete exemplares, todos igualmente
autênticos.

Assinado em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1990.

CLICAR AQUI PARA VER O TEXTO DO ACORDO

http://www.cplp.org/Files/Filer/cplp/Acordos/maisAcordos/AcordoOrtogrLinguaPortug.pdf

Um ‘New Deal’ contra o populismo | Bernie Sanders e Yanis Varoufakis | AMANDA MARS in El País

O democrata norte-americano Bernie Sanders e o ex-ministro grego Yanis Varoufakis promovem uma Internacional Progressista | AMANDA MARS | 3 JAN 2019

Reunião da Internacional Progressista com Ada Colau no centro, Bernie Sanders a sua esquerda e Yanis Varoufakis de perfil.

“Há uma guerra global em curso contra os trabalhadores, contra o meio ambiente, contra a democracia, contra a decência. Uma rede de facções direitistas está se espalhando através das fronteiras para erodir os direitos humanos, silenciar a discordância e promover a intolerância. Desde 1930 a humanidade não enfrentava uma ameaça dessas.” Com estas palavras tão diretas começa o manifesto da Internacional Progressista, uma plataforma promovida pelo veterano senador esquerdista norte-americano Bernie Sanders e pelo célebre economista grego Yanis Varoufakis como resposta a velhos e novos inimigos. Os velhos são as elites que eles acusam de criar um sistema econômico cada vez mais desigual; os novos são os movimentos populistas de corte conservador com os quais ninguém contava há alguns anos.
As vitórias eleitorais de Donald Trump nos Estados Unidos, de Jair Bolsonaro no Brasil e do vice-premiê italiano Matteo Salvini serviram como um atestado de vida dessa tendência, uma prova empírica, quase um endereço postal. A Internacional Progressista procura o seu de alguma forma. Propõe uma “rede global” de esquerda que rebata essa maré que vem da direita. Quando políticos e intelectuais se reuniram entre os dias 29 de novembro e 1º. de dezembro na sede do Instituto Sanders, em Burlington (Vermont), para apresentar a iniciativa, chegaram a diagnósticos muito similares.

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O mito da honestidade de Salazar | Inês M. Santos

O mito da honestidade de Salazar só interessa a quem tem uma ideia errada do que era a vida naquela altura. A quem vive numa ignorância deslumbrada. E que não quer aprender o que realmente se passou.

Argumentam que naquele tempo é que era, que naquele tempo não havia políticos corruptos, naquele tempo os valores morais é que eram.

Sabem que mais? Salazar era corrupto. Salazar favorecia elites. Salazar sabia que eram as elites que lhe davam o poder e o mantinham à frente do país. Salazar sabia que a ignorância da população o ajudava a manter-se à frente do país. Salazar tirava aos pobres para dar às elites. Estão a ver o Robin Hood? É exactamente o contrário.

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Quem foi Jesus? | Frederico Lourenço

Quem foi o homem cujo nascimento hoje celebramos? Desde o século XIX, o estudo crítico do Novo Testamento e do primeiro cristianismo tem tentado reconstituir quem terá sido o «Jesus histórico». Em que ponto estamos desta investigação? Vou dar-vos uma proposta de biografia do Jesus real.

Jesus nasceu em Nazaré, na fase final do reinado de Herodes, o Grande (rei que morreu em 4 a.C.). Era filho de um construtor chamado José e da sua mulher, Maria. Jesus era o mais velho de vários irmãos e irmãs. Em casa, falava-se aramaico; mas Jesus beneficiou do facto de Nazaré estar perto de cidades gregas, como Séforis, cuja distância de Nazaré corresponde à que medeia, na nossa cidade do Porto, entre o Estádio do Dragão e a rotunda da Boavista. Em toda a volta de Nazaré, falava-se grego. De Gádara, uma das dez cidades gregas da zona, era originário o maior poeta grego do século I a.C., Meleagro. A helénica Séforis tinha um teatro; e Jesus sabia o que era o conceito grego de «actor», pois usou a palavra grega «hipócrita» numa acepção sem qualquer equivalente no aramaico falado em casa ou no hebraico da Escritura.

Jesus recebeu uma educação judaica baseada nessa Escritura e foi certamente o rapaz intelectualmente sobredotado de que vemos reflexo em Lucas 2:47. As pessoas não lhe chamaram «mestre» à toa.

Nos anos 20 do século I, Jesus contactou com o movimento de João Baptista, que apelava aos israelitas que «mudassem de mentalidade» e que, por meio do baptismo no rio Jordão, obtivessem o cadastro limpo perante Deus que, oficialmente, só podia ser obtido por meio do sacrifício de animais no templo. João Baptista atraiu a má vontade da elite sacerdotal de Jerusalém; o mesmo aconteceria com Jesus.

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SOCIAL EUROPE

https://www.socialeurope.eu/

Mission Statement

Social Europe (SE) is an award-winning digital media publisher that combines thematic and technical expertise to produce and disseminate high value content. We use the values of ‘Social Europe’ as a viewpoint to examine issues in politics, economy and employment & labour and are committed to publishing cutting-edge thinking and new ideas from the most thought-provoking people.

Our in-depth analyses and constructive proposals seek to link policy-making to wider social and economic concerns. It is our goal to help the process of promoting and strengthening progressive and inclusive societies, sustainable economies and responsible businesses as well as dynamic civil societies.

Since its founding, SE has published thinkers and decision-makers of the highest calibre including Nobel laureates, global leaders and internationally acclaimed academics as well as some of the best young talent.

SE is published from Berlin by Social Europe Publishing & Consulting GmbH

Are We Still Good Europeans? | by Jürgen Habermas on 13/07/2018 in “Social Europe”

When I graduated from high school, my career aspiration was listed on my diploma: Habermas wants to become a journalist, it said. Yet once I began working for the Gummersbach section of the Cologne daily Kölner Stadtanzeiger, and then again when I wrote under Adolf Frisé for the culture pages of the Handelsblatt, it was repeatedly made clear to me that my writing style was far too complex. Even the extremely charitable Karl Korn, who fervently urged me to practice during my time as a university student in Bonn, later declared that I should perhaps stick to my academic proclivities. It is a critique that continues to be reflected in reader mail, and at my age, improvement isn’t likely. All of which makes me even more delighted about the invitation, extended to me by the director general of Saarland Broadcasting in conjunction with the German-French Journalism Prize, to follow in the footsteps of such distinguished predecessors as Tomi Ungerer, Simone Veil and Jean Asselborn. My connection to Asselborn is that he too prefers blunt honesty when speaking of Europe. With the prize presenter and laudator having found such complimentary words for my efforts – endeavours which are otherwise simply derogated as euro-romanticism – you will certainly not view it as a transgression of good taste if I, against the backdrop of our disintegrating continent, merely repeat that which I have often stated before on this subject.

I will refrain from addressing the symptomatic clamouring coming out of Bavaria, a ruckus that triggered a government crisis while shoving the more pressing issue – the lack of cooperation in the EU – into the background. The culpability lies with that sort of pro-European who shies away from admitting to the real reservations they in fact hold against a Europe of practiced solidarity. Jean-Paul Sartre explained the term mauvaise foias an elegant contradistinction to bonne foi. Who among us is not familiar with this quietly murmuring uneasiness? We act bona fide, in good faith, but in moments of reflection, we sense a gnawing doubt about the consistency of the assertively argued convictions we hold – as if there was a weak spot in the river bank over which the waters of our argument are flowing unnoticed. My impression is that Emmanuel Macron’s appearance on the European stage has exposed just such a weak spot in the self-image of those Germans who patted themselves on the back during the euro crisis, convinced as they were that they remained the best Europeans and were pulling everyone else out of the quagmire.

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Natal | A origem e o significado da comemoração | Paulo Nogueira in “Histórias com História”

Contar a história e as origens do Natal, é algo controverso, e discutível por muitos entendidos assim como estudiosos da matéria, no entanto, e segundo a tradição da religião católica, é comemorado anualmente em 25 de dezembro. Já nos países eslavos e ortodoxos cujos calendários eram baseados no calendário juliano, o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro. A data é o centro das festas de fim de ano e no cristianismo, o marco inicial do ciclo de Natal que dura 12 dias, pois segundo a lenda, este foi o tempo que levou para os três reis Magos chegarem até a cidade de Belém e entregarem os presentes (ouro, mirra e incenso) ao menino Jesus.

Originalmente destinada a celebrar o nascimento do Deus Sol no solstício de inverno, na Roma antiga, o 25 de dezembro era a data em que os romanos comemoravam o início do inverno. A Escandinávia pagã comemorava um festival de inverno chamado Yule, realizado do final de dezembro ao período de início do janeiro. Como o Norte da Europa foi a última parte do continente a ser cristianizada, as suas tradições pagãs tinham uma grande influência sobre o Natal. Os escandinavos continuam a chamar ao Natal  Jul. Portanto, acredita-se que haja uma relação deste fato com a oficialização da comemoração do Natal e por volta do séc. III, para estimular a conversão dos povos pagãos sob o domínio do império romano, a igreja Católica passou a comemorar o nascimento de Jesus da Nazaré neste dia. Esta comemoração começou em Roma, enquanto no cristianismo oriental o nascimento de Jesus já era celebrado em conexão com a Epifania (revelação ou a primeira aparição de Jesus aos reis magos), em 6 de janeiro.
A comemoração em 25 de dezembro foi importada para o oriente mais tarde, por João Crisóstomo já no final do séc. IV provavelmente, em 388, e em Alexandria, somente no século seguinte. Mesmo no ocidente, a celebração da Natividade de Jesus em 6 de janeiro parece ter continuado até depois de 380. No ano de 350 o Papa Júlio I, levou a efeito uma investigação pormenorizada, fazendo proclamar o dia 25 de dezembro como data oficial e o Imperador Justiniano em 529 declarou-o feriado nacional. Do ponto de vista cronológico, o Natal é uma data de grande importância para o Ocidente, pois marca o ano 1 da nossa História.

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Frédéric LENOIR, conférence “Le miracle Spinoza”, 14.01.2018

Conférence de Frédéric LENOIR le 14 janvier 2018 “Plus conscient, plus libre, plus heureux avec Spinoza !” à Crans-Montana (Valais, Suisse).

“A bien des égards, Spinoza est non seulement très en avance sur son temps, mais aussi sur le nôtre. C’est ce que j’appelle le “miracle Spinoza”. F. Lenoir (www.fredericlenoir.com)

Thèmes abordés : La sagesse en général. La fondation SEVE (Savoir Vivre et Etre Ensemble) et les ateliers philo et méditation pour les enfants et adolescents. La vie de Baruch Spinoza, son intransigeance avec la vérité, la cohérence de sa vie avec son oeuvre. Changement de regard (politique, religieux, l’être humain. l’anthropologie, l’éthique, la laïcité…). Le désir est l’essence de l’homme, les affects et les pensées adéquates et non adéquates, apprendre à réorienter son désir. Dualité joie/tristesse . Passions tristes et vie personnelle. Passions tristes et vie politique. La morale. L’ union de l’âme et du corps, et joie active. La psychologie des profondeurs. Jésus, Dieu, la métaphysique selon Spinoza.

Conférence organisée par l’association Montagn’Arts (www.montagn-arts.ch) qui, propose des activités artistiques (ateliers, conférences et spectacles) comme nectar et ambroisie au meilleur de chacun pour vivre l’espace de l’instant en sourire, ouverture et confiance.

Musique : Aria. Variations Goldberg, Jean-Sébastien Bach. Kimiko Ishizaka.

FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES | Uma Casa Comum para uma memória partilhada | por LUÍS MIGUEL QUEIRÓS in Jornal Público de 9 de Dezembro de 2018

Com mais de 2,2 milhões de objectos digitais, o arquivo da FMS é hoje tão importante para a história da oposição ao Estado Novo como para salvaguardar a memória das lutas de libertação das ex-colónias.

O arquivo da Fundação Mário Soares (FMS) arrancou em 1996, quando o líder socialista terminou o seu segundo mandato na Presidência da República, e o objectivo inicial era digitalizar e disponibilizar na Internet o gigantesco acervo documental reunido por Mário Soares (só fotografias, são mais de cem mil), testemunho do seu extenso e notável percurso político, iniciado ainda nos anos 40.

Mas atrás do arquivo de Soares vieram outros, muitos outros, e a FMS tem hoje à sua guarda um vasto conjunto de fundos documentais, alguns tão obviamente relevantes para a historiografia portuguesa como os de Afonso Costa ou Bernardino Machado, ou tão incontornáveis para a memória das lutas de libertação das ex-colónias como o Arquivo da Resistência Timorense ou os arquivos de Mário Pinto de Andrade (1928-1990), fundador e presidente do MPLA, que mais tarde se oporia a Agostinho Neto, e de Amílcar Cabral (1924-1973), fundador do PAIGC, cujos papéis foram resgatados in extremis de um edifício bombardeado e saqueado.

Ao todo são mais de 200 arquivos, que ocupam cerca de 2,5 km lineares e cobrem praticamente todo o século XX em Portugal e nos países de língua portuguesa, com um foco evidente, mas não exclusivo, na oposição ao Estado Novo e no combate ao colonialismo. E não menos significativa do que a sua dimensão física, é a componente digital deste arquivo. A FMS apostou, desde o início, em digitalizar e disponibilizar na Internet, tão rapidamente quanto possível, os materiais que ia recebendo, uma estratégia absolutamente pioneira nesses meados dos anos 90, e cujos reconhecidos bons resultados ajudam decerto a explicar – a par do prestígio, das relações pessoais e do empenho do próprio Mário Soares –, que tanta gente tenha tomado a iniciativa de confiar os seus papéis à fundação. Somando as digitalizações de documentos textuais às fotografias, registos sonoros e vídeos, os arquivos da FMS reúnem hoje mais de 2,2 milhões de objectos digitais.

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06 de Dezembro de 1185: Morre em Coimbra, D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal | In Infopédia

Cognominado “o Conquistador”, foi o primeiro rei de Portugal, governando de 1128 a 1185. Filho de D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa de Aragão, nasceu provavelmente em Guimarães (embora Viseu seja também um local apontado para o seu nascimento) em finais de 1108 (ou primeiros meses de 1109) e faleceu em 1185. Casou em 1146 com D. Mafalda, filha de Amadeu II, conde de Moriana e Saboia.
Após a morte de D. Henrique, D. Teresa ficou à frente dos destinos do Condado Portucalense, sendo influenciada politicamente pela família Peres de Trava. O jovem infante tomou então uma posição política oposta à de sua mãe, sob a direcção do arcebispo de Braga D. Paio. Ter-se-á armado cavaleiro no dia de Pentecostes de 1122, por suas próprias mãos, na catedral de Zamora. Em Setembro de 1127 D. Afonso VII invadiu Portugal e cercou o Castelo de Guimarães, onde se encontrava o infante. Depois de D. Afonso Henriques ter reafirmado a sua lealdade perante Afonso VII, rei de Leão, este desistiu de conquistar a cidade e levantou o cerco. Feitas as pazes com Afonso VII, a posição de D. Afonso Henriques e dos nobres que o acompanham volta-se contra D. Teresa e a família Trava. O conflito só viria a ser sanado com a batalha de S. Mamede, que teve lugar a 24 de Junho de 1128 nos arredores de Guimarães, tendo saído vitoriosas as hostes de D. Afonso Henriques. A partir desta data passou o infante a governar o condado.

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QUEM É QUEM | Paulo de Almeida Sande | Curriculum Vitae

Paulo Almeida Sande é o cabeça de lista do Aliança às europeias. 

30.11.2018 | 23h45

O partido de Pedro Santana Lopes, Aliança, já tem cabeça de lista às eleições europeias. Trata-se de Paulo Almeida Sande, assessor político do Presidente da República para os Assuntos Europeus.

A apresentação oficial acontece no domingo, às 19:30, num hotel da capital. Paulo Almeida Sande, que vai manter as suas funções em Belém até à campanha eleitoral, aceitou ser o cabeça de lista do Aliança, mas na qualidade de independente.

À SIC, Santana Lopes explicou a opção por Paulo Sande como “uma aposta na credibilidade, num candidato que sabe muito bem do que vai tratar”.

Licenciado em direito e com um mestrado em Ciência Política, Paulo Sande, comentador da SIC e colunista do Observador, foi diretor do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal entre 2004 e 2012.

Além de consultor de Marcelo Rebelo de Sousa, é professor da cadeira de Construção Europeia na Universidade Católica.

curriculum vitae

Paulo de Almeida Sande

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DiEM25 | Estamos em todo o lado. Encontra-nos!

Aqui está um resumo do que se tem passado no DiEM25 nos vários países. O número de atividades que está a decorrer é avassalador, por isso fazemos este apanhado por país. (Se achas que não estás a receber a newsletter do país/cidade correcto, por favor consulta no teu profile.)

Bélgica

Chegou a altura de decidir o futuro DiEM25 na Bélgica. Durante os últimos dois anos e meio, o CN (Coletivo Nacional) trabalhou muito para estabelecer os grupos de voluntários em  Bruxelas, Antuérpia, Ghent, Liége  e outros. Através desta ação conhecemos centenas de voluntários que trabalham para promover os nossos objectivos e ambições para a Bélgica e para a Europa. No entanto tal não é suficiente. Daí que o CN Belga está a pedir que tu votes se o DiEM25 deve concorrer nas eleições europeias na Bélgica, e se o deve fazer como parte da Primavera Europeia ou sozinho. Lê os argumentos do CN no fórum e depois vai à Zona dos Membros para poderes votar.
Se vives na Bélgica e queres estar envolvido, manda email para info@be.diem25.org

República Checa

Os membros do DiEM25 da República Checa organizaram alguns CEDs e estamos prontos para eleger CN (Coletivo Nacional) – está atento para o convite nas próximas newsletters.

Alemanha

A Alemanha está a fervilhar com a ala eleitoral do DiEM25 e a Demokratie in Europa, acabou de eleger Yanis Varoufakis, Daniela Platsch, Srećko Horvat e uma lista de fantásticos candidatos para as eleições europeias. Lê o sumário de assembleia e a resposta dos media aqui. Ser membro do DiEM25 não te torna membro de nenhm partido; O DiEM25 tem, e continuará a ter nas suas fileiras membros do Linke, Verdes, SPD, Piratas etc. Portanto se quiseres juntar-te ao partido alemão, preenche o seguinte formulário. Para obter mais informação sobre o partido ou fazer uma contribuição dedutível nos impostos, visita o nosso novo website.

França

O CN Francês está a terminar os documentos para a criação de uma ala eleitoral que deverá ser colocada a escrutínio de todos.

Grécia

O MeRA25, a ala eleitoral do DiEM25 na Grécia está de vento em poupa para as eleições para o Parlamento Europeu de Maio de 2019 e para as eleições nacionais também em 2019. A campanha eleitoral está a deslocar-se pela Grécia, a colocar grupos de voluntários e a espalhar as ideias e do partido. A equipa já concluiu duas visitas à ao centro e norte da Grécia, e montou 15 grupos partidários locais, e no dia 1 de Dezembro vão iniciar a campanha pelo Peloponneso.
Para Dezembro, o MeRA25 agendou dois eventos políticos diferentes, 7 de Dezembro na cidade de Larisa e 17 de Dezembro nna cidade de Patras onde Yanis Varoufakis, Secretário do MeRA25, vai apresentar o programa político do partido. Para fazer uma doação para as nossas atividades na Grécia, segue este link. para te juntares a este partido grego, dirige-te aqui.

Itália

Depois dos nossos membros terem aprovado a opção 1 no referendo interno sobre a nossa estratégia eleitoral, a ala eleitoral italiana está a terminar a constituição da maior coligação de progressivos da Primavera Europeia.

No entretanto, para além dos eventos apinhados do DiEM25,em Roma (com o Yanis), Milão e Veneto durante as próximas semanas estão planeadas ações e assembleias contra as alterações climáticas dia 8 de Dezembro, e outros eventos sobre a Primavera Europeia em Turin e Taranto. Para doar para as actividades do DiEM25 de Itália, clica aqui.

Holanda

A Holanda vai ter uma assembleia dia 17 de Novembro. Vai haver outra assembleia dia 8 de Dezembro, antes do início das eleições para o Coletivo Nacional.

Portugal

CN Português  acabou de ser eleito em Outubro e está  a trabalhar enquadramento do orçamento participatório que existe em várias partes do país, a trabalhar ca nível local com os CEDs de Lisboa, Porto e Oeiras. Vão também ser feitas iniciativas para organizar jantares e reuniões no país para fortalecer os CED e fomentar a ativação dos membros.
Dia 27 de Outubro o Porto recebeu o primeiro evento nacional do DiEM25 Portugal, que foi organizado pelo CNP e pelo CN. O evento, chamado 3D – Debates, Democracia & DiEM -, teve convidados e painéis sobre Democracia, Sustentabilidade e descrescimento, Transparência, Migrações, Palestina e Síria, que foram mediados por membros dos CEDs com especializações nestes tópicos.  As fotos do eventos mais o áudio estão disponíveis no soundcloud na página oficial do facebook.

Espanha

Os principais CEDs, Madrid e Barcelona, estiveram em actividades contra a ganância dos banqueiros (#ganalabanca) e contra o facismo (#october13) e pelos direitos dos migrantes. Também estivemos a organizar demonstrações, reuniões e a marcar presença! Mais, os membros do DiEM25 em Espanha vão conhecer-se na escola de Outono (#EscuelaDiEM25) que decorre de dia 1 a dia 9 de Dezembro: uma série de webinars sobre tópicos do DiEM25 organizados para um aprendizagem em grupo onde aprendemos uns com os outros! Temos agora também um novo website: https://es.diem25.org/ . Para fazerem uma doação para os nossos amigos em Espanha, clica  aqui.

Reino Unido

Enquanto a histeria aumenta de tom em Westminster sobre o Governo e o Brexit, sobre o qual o Parlamento votará dia 11 de Dezembro, os ativistas do DiEM25 UK estão a preparar-se para rejeitar a falsa escolha entre um Brexit terrível e um um “No deal” catastrófico e apelam a todos para aderir ao Take a Break from Brexit, A campanha é apoiada quase exlusivamente pelos membros do DiEM25 para adiar o Brexit e apelar à marcação de  eleições.
Depois de uma reunião preenchida em Newcastle por ocasião do European Balcony Project, estamos a planear um evento  simbólico que vai ser lançado em Londres e em Stoke-on Trent, as capitais do Remain e do Leave, no dia 12 de Dezembro. Convidamos apoiantes de ambos os lados, aqueles que não votaram para duas noites de discursos, poesia e cultura, assim como para exigir o tempo necessário para a democracia respirar de novo e trazer a Primavera Europeia para o Reino Unido.

Estados Unidos

Vê o nosso anúncio da Internacional Progressista onde Yanis Varoufakis encontra-se com Bernie Sanders em Vermont este fim-de-semana.

Outros Locais

Os esforços do DiEM25 estão a inspirar grupos de ativistas em outros locais. Agora temos CEDs (Colectivos espontâneos do DiEM25, aka grupos locais) em Nova Iorque e em Sydney! Também estamos presentes na Europa de leste e nos Balcãs, com o CED de Belgrado1 a produzir materiais para promover o nosso New Deal Europeu.
Queres organizar um grupo local? >> Podemos ajudar-te a encontrar outras pessoas.
Vives longe ou preferes contribuir de casa? >> Existem vários grupos de voluntários.

… e em termos de política, como está o nosso trabalho?

O nosso trabalho na Agenda Progressiva Europeia continua. Vê os nossos papers aqui. O nosso último paper, o Technological Sovereignty green paper no. 2 está disponível aqui. Se o quiseres discutir, junta-te ao primeiro zoom oficial  a 2 de Dezembro pelas 20:00 CET.

É tudo por hoje! Obrigado por fazeres parte desta comunidade. O DIEM25 é mais forte contigo.

Carpe DiEM!

Judith Meyer
>>Coordenadora dos Voluntários do DiEM25

25 de Novembro e Jaime Neves | por Carlos Matos Gomes in “Medium”

Neste 25 de novembro lembrei-me do Jaime Neves que conheci. E, a propósito da biografia pessoal que dele fez o professor Rui de Azevedo Teixeira, as múltiplas personalidades que todos somos e as muitas sombras que todos projetamos. As imagens que os outros vão criando de cada um de nós. Todas são verdade e nenhuma é a verdade. A biografia tem por título «Jaime Neves, homem de guerra e boémio» e o subtítulo «Jaime Neves por Rui de Azevedo Teixeira». É uma imagem de Jaime Neves criada por um autor, como uma pintura, ou uma fotografia.

Eu não tenho de Jaime Neves a imagem nem como homem de guerra, nem como boémio, embora tenha partilhado com ele a guerra e alguma boémia. Também conheço com alguma intimidade o papel dele no 25 de novembro de 75 e a imagem que dele tenho não é a da mitologia (pequena mitologia) que à sua volta alguns foram criando e que mais não são que a sua colocação numa moldura de circunstâncias, a circunstância da guerra, a circunstância dos excessos dos descansos dos guerreiros entre campanhas e batalhas, o aproveitamento dos guerreiros para fins de tomada de poder por parte dos que não querem correr o risco vida no combate.

Ao longo da vida tive a felicidade, que constitui o meu maior património, para além da minha família, de conhecer e conviver com personalidades extraordinárias, e aqui a palavra é a adequada, que incluem Samora Machel e Aquino de Bragança, generais como Spínola, Costa Gomes e Kaúlza de Arriaga, meus camaradas homens de guerra como Almeida Bruno, Raúl Folques, Santos e Castro, Abreu Cardoso, aventureiros e visionários como Jorge Jardim, seres históricos como Salgueiro Maia, mulheres como Isabel do Carmo, Maria Tereza Horta ou Maria de Lurdes Pintassilgo, até um comissário político da brigada Lister na guerra civil espanhola! E, dessa galeria de figuras, que incluem algumas que nunca referirei, faz parte o Jaime Neves.

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Juramento de Hipócrates

” Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

Hipócrates

O INCÊNDIO DA BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA | Fonte: História do Mundo | in Facebook, Mural de Carlos Fino

Na sexta-feira da lua nova do mês de Moharram, no vigésimo ano da Hégira (isso equivale a 22 de dezembro de 640), o general Amr Ibn al-As, o emir dos agareus, conquistava Alexandria, no Egito, colocando a cidade sob o domínio do califa Omar. Era um dos começos do fim da famosa Biblioteca de Alexandria, construída por Ptolomeu Filadelfo no início do terceiro século a.C. para “reunir os livros de todos os povos da Terra” e destruída mais de mil anos depois.

A idéia de reerguer a mais formidável biblioteca de todos os tempos surgiu no final dos anos 70 na Universidade de Alexandria. Em 1988, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, assentou a pedra fundamental, mas foi só em 1995 que as obras realmente começaram. O suntuoso edifício de 11 andares, que custou US 212 milhões, boa parte dos quais pago pela Unesco, foi concluído no ano passado. Só a sala de leitura da biblioteca principal tem 38.000 m2, a maior do mundo. O acervo, que ainda não foi inteiramente reunido, deverá contar com 5 milhões de livros. Será interessante ver como o governo egípcio, que não é exatamente um entusiasta das liberdades de informação e expressão, administrará as coisas. Haverá, por exemplo, um exemplar dos “Versos Satânicos” (obra de Salman Rushdie, tida como ofensiva ao Islã)? E quanto a livros que critiquem o próprio governo egípcio? Todos os cidadãos terão acesso a todas as obras? Mas não é tanto a nova biblioteca que me interessa, e sim a velha, mais especificamente a sua destruição.

Na verdade, seria mais correto falar em destruições. Como nos mitos, há na extinção da Biblioteca de Alexandria uma série de componentes políticos. A historieta com a qual iniciei esta coluna é uma das versões. É contra os árabes. Existem outras, contra os cristãos, contra os pagãos. Nenhum povo quer ficar com o ônus de ter levado ao desaparecimento da biblioteca que reunia “os livros de todos os povos”. É curioso, a esse respeito, que o site oficial da biblioteca (http://www.bibalex.gov.eg/) só registre as versões anticristã e antipagã. A contrária aos árabes é descartada sem nem mesmo ser mencionada. Utilizo aqui principalmente informações apresentadas pelo italiano Luciano Canfora, em seu excelente “A Biblioteca Desaparecida”. Continuar a ler

Onésimo Teotónio Almeida: “Haja um pouco de senso. O papel do historiador não é condenar a História, é narrar os factos, e explicar. ” in Jornal Público com JOSÉ RIÇO DIREITINHO

O livro O Século dos Prodígios — uma colecção de ensaios sobre a história da ciência no período da Expansão — acaba de ser publicado e distinguido com um prémio pela Fundação Calouste Gulbenkian. Onésimo Teotónio Almeida, o autor, falou com o PÚBLICO da nova mentalidade científica que surgiu em Lisboa no século XV.

Onésimo Teotónio Almeida (São Miguel, 1946) é professor catedrático no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros na Universidade de Brown, em Providence, nos Estados Unidos da América. O Século dos Prodígios (edição Quetzal) é o seu mais recente livro — que acaba de ser distinguido com o Prémio de História da Presença de Portugal no Mundo, da Fundação Calouste Gulbenkian — uma colecção de ensaios sobre a história da ciência no período da Expansão europeia, o dos Descobrimentos portugueses dos séculos XV e XVI.

Numa altura em que a palavra “Descobrimentos’” dá origem a algumas discussões acesas, e que, para alguns, será politicamente incorrecto usar, Onésimo Teotónio Almeida, em conversa com o PÚBLICO, disse que “descobrir não significa criar, inventar. Quando a Polícia descobre o criminoso, não o inventa. Os portugueses descobriram ilhas que não tinham ninguém nem estavam sequer mapeadas. Descobriram o caminho marítimo para a Índia, ninguém diz que os portugueses descobriram a Índia. Do resto são ‘Descobrimentos’ do ponto de vista europeu. Haja um pouco de senso. O papel do historiador não é condenar a História, é narrar os factos, e explicar. Na narrativa, lidamos com factos e com argumentos, não cabe absolver nem condenar a História.”

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O Século dos Prodígios vence Prémio História da Presença de Portugal no Mundo | Onésimo Teotónio de Almeida in Jornal Público

Um ensaio de Onésimo Teotónio Almeida, que se debruça sobre o carácter pioneiro da ciência portuguesa no período dos Descobrimentos, recebe prémio da Fundação Calouste Gulbenkian.

 O Século dos Prodígios, ensaio de Onésimo Teotónio Almeida, que se debruça sobre o carácter pioneiro da ciência portuguesa no período dos Descobrimentos, venceu o Prémio História da Presença de Portugal no Mundo, foi esta quinta-feira anunciado.

“O livro O Século dos Prodígios – A Ciência no Portugal da Expansão, de Onésimo Teotónio Almeida, foi anunciado, pela presidente da Academia Portuguesa de História (APH), Manuela Mendonça, como vencedor do Prémio Fundação Calouste Gulbenkian, História da Presença de Portugal no Mundo”, revelou a Quetzal, chancela que editou o livro.

O livro será lançado nesta sexta-feira e a cerimónia de entrega do prémio ocorrerá a 5 de Dezembro, nas instalações da APH, em Lisboa.

Trata-se de um prémio instituído pela APH e patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian, que visa galardoar obras históricas de reconhecido mérito.

Num momento em que se discute a importância e a natureza dos Descobrimentos, Onésimo Teotónio Almeida lembra, nesta obra ensaística, o carácter pioneiro da ciência portuguesa desse período.

“O nosso século XVI foi, verdadeiramente, um século de prodígios, cheio de inovação, de curiosidades e de especulação”, escreve.

Neste livro, Onésimo Teotónio Almeida presta especial atenção aos séculos XV e XVI, afastando-se tanto da perspectiva nacionalista (na qual incorrem com frequência os historiadores portugueses), como da indiferença que geralmente marca a historiografia anglo-saxónica – ao ignorar o papel que Portugal teve na história da ciência e do conhecimento, descreve a editora.

Um livro que é uma “revisitação desses anos de ouro da história portuguesa e a revelação de como, durante o ‘período da Expansão’, surgiu e cresceu um núcleo duro de pensamento e trabalho científico pioneiros, que tornou possíveis as viagens desses séculos – e dos posteriores”, acrescenta.

Durante as últimas décadas, como professor em universidades americanas, Onésimo Teotónio Almeida viu-se no papel de historiador da ciência portuguesa, papel para o qual — refere na introdução do livro — nem sempre estava tão preparado quanto desejava.

Contudo, foi aprofundando esses conhecimentos, através da análise e da recolha de informação.

Nascido em São Miguel, Açores, em 1946, Onésimo Teotónio Almeida doutorou-se em Filosofia pela Brown University e foi director de vários departamentos naquela universidade, onde lecciona uma cadeira sobre valores e mundividências.

Na Quetzal tem já publicados Despenteando Parágrafos e A Obsessão da Portugalidade.

https://www.publico.pt/2018/11/13/culturaipsilon/noticia/onesimo-teotonio-almeida-fascinio-novo-aconteceu-aqui-1850838

” Eu, pecadora, me confesso a Deus” | Maria Isabel Fidalgo

Lémen podia ser uma criança
perdida nos seus sonhos
uma folhagem deslumbrada
com um acontecer de primavera
uma ave
uma alba
uma nuvem
um céu musical aberto em rosa
uma cerejeira bicada de pássaros
uma erva macia onde o corpo caísse leve.
Lémen podia ser um outro olhar
uma casa horizontal
cuja voz acordasse os regatos
e meninos descalços enfeitassem de risos
as águas maculadas.
Lémen podia ser o coração do homem
antes do inferno
chamas de ódio
em corpos descarnados.
Lémen podia ser um um rosto
e não um esqueleto vivo
uma côdea de osso
sem força para chorar
a nossa culpa.

Maria isabel fidalgo

É tão chique, a indiferença perante o fascismo | Francisco Louçã

Explica Assunção Cristas que, no Brasil, não votaria em Haddad, que detesta, mas também não em Bolsonaro, pois, “apesar de ser do espaço político de centro direita, não me revejo nos extremismos de Bolsonaro e não seria capaz de votar nele”. Ele é da família (é ela ou é ele que é de “centro-direita”?) mas cheira mal.

O argumento é interessante, já foi repetido por Nuno Melo e até, para surpresa de muita gente, por Adolfo Mesquida Nunes, que costuma ser civilizado. Contrasta nitidamente com a atitude de Freitas do Amaral, fundador do CDS, que não só tomou atitude contra Bolsonaro como se empenhou em mobilizar opiniões para a derrota do fascista. No CDS, toda a gente acha que a atitude certa é calar e andar.

Francisco Assis, um homem da direita do PS, diz desassombradamente o que é evidente: o PT é comparável ao PS e à social-democracia europeia, com a qual aliás faz parte da Internacional Socialista, tratá-lo como de esquerda radical é ridículo, a sua experiência de governo diz tudo. A desculpa da direita, alegando dois “extermismos” é somente um voz de ódio e uma forma de justificar o silêncio perante Bolsonaro. A realidade é que Haddad defende a democracia e respeita a liberdade, e essa diferença faz toda a diferença.

Diz muito do estado da direita tradicional que, por puro gosto do desastre, esteja disposta a fechar os olhos e desse modo a favorecer a vitória de um fascista como Bolsonaro, cuja última intervenção pública é garantir que os seus adversários políticos vão “apodrecer na cadeia”. Nem uma palavra de Cristas sobre as ameaças, nem um comentário. É indiferente. A liberdade é para ela uma coisa tão relativa, não é?

Francisco Louçã

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã

“Somos índios, resistimos há 500 anos. Fico preocupado é se os brancos vão resistir” | Ailton Krenak in Jornal Expresso

Há 30 anos, em plena Assembleia Constituinte, pintou o rosto de negro, declarou guerra aos políticos brasileiros e venceu. Ailton Krenak tem agora 65 anos, já viu muito e o que não viu, recorda-se, numa memória que lhe foi legada pelos antepassados. Líder indígena, assume-se e ao seu povo como sobreviventes de um genocídio. Mas teme pelo futuro dos brancos, aqueles que nunca aprenderam a pisar com leveza a “Mãe Terra” e que por isso poderão acabar “enterrados no próprio vómito”.

Quando uma criança krenak nasce, não vai para a creche, fica com a mãe, as avós e as tias. Partilham um quotidiano e um modo de estar na vida. As crianças indígenas não são educadas, mas orientadas. Não aprendem a ser vencedores, porque, para uns vencerem, outros têm de perder. Aprendem a partilhar o lugar onde vivem e o que têm para comer. Têm o exemplo de uma vida onde o indivíduo conta menos do que o coletivo. Este é o mistério indígena, um legado que passa de geração para geração. Ailton carrega no apelido a pertença à sua gente, o povo krenak. E a sua memória mais antiga é muito simples: “Eu não sei viver sozinho.”

Esteve esta semana em Portugal para participar no Fórum Internacional de Festivais de Cinema de Ambiente, em Seia, onde realizadores de mais de 30 países estiveram reunidos e demonstraram preocupação com o rumo político do Brasil e as consequências das eleições presidenciais na preservação da floresta amazónica. Antes de regressar a casa, Ailton Krenak conversou com o Expresso.

Que povo é o seu?
Krenak.

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Os portugueses não conhecem o Diamantino, capitão de Abril | Carlos Matos Gomes

As portuguesas e os portugueses não conhecem o Diamantino 

Diamantino Gertrudes da Silva

Antes do Diamantino também não conheceram o Corvacho, nem o Tomaz Ferreira, nem o Vila Lobos, nem o Ramiro, nem o Ernesto, o Melo Antunes, nem o Varela, o Gomes, nem o Victor, o Crespo, os portugueses não conhecem os portugueses que estiveram no dia 25 de Abril de 1974 no comando das operações na Pontinha, nem nas unidades que tomaram o poder. Nem dos que estiveram em Bissau, em Luanda, ou em Nampula a assumir a responsabilidade histórica de resolver um problema colonial que se arrastava desde a Conferência de Berlim (1884), que fora causa da queda da monarquia, da implantação da República, da entrada de Portugal na I Grande Guerra, da instauração da ditadura em 1926 e de uma guerra colonial de 13 anos.
O desconhecimento desses nomes e o conhecimento de outros, de futebolistas e comentadores de TV, de cantores e de apresentadores de TV, de cabeleireiros e cozinheiros, de alfaiates e famosos das relações públicas representa a glória dos anónimos militares como o Diamantino.
O Diamantino morreu hoje. O Diamantino teve um papel decisivo no 25 de Abril, comandando a coluna militar que controlou o centro do país. Os portugueses não conhecem o Diamantino, nem os camaradas que o acompanharam nesse dia e nessa acção. O desconhecimento do Diamantino é a sua maior condecoração. O Diamantino e os seus camaradas fizeram o que fizeram para que os comentadores comentassem, os cantores cantassem, os famosos se exibissem. O Diamantino e os seus camaradas são anónimos para que os portugueses tenham nome e possam tê-lo. O Diamantino e os seus camaradas fizeram o que fizeram para que os portugueses tivessem um serviço nacional de saúde e também um multibanco.
O Diamantino morreu ontem. Nasceu em 1943, na Beira Alta, em Moimenta da Beira. Filho de gente humilde – não se trata de neo-realismo – frequentou o seminário e depois a Academia Militar, onde entrou em 1963. Conheci-o ainda de missal, expressão séria, a sair da caserna para ir à missa. Eu, três anos mais novo, já agnóstico. Nunca falámos de religião, de deuses, de salvação. Respeito. Ele infundia respeito, mesmo quando acreditava no que me merecia radicais oposições: eu dispensava a ideia de Deus, ele ainda a respeitava, não como amparo pessoal, mas como instância de justiça, julgo.
Ao longo da minha vida conheci pessoas extraordinárias. Sorte a minha. O mais extraordinário de todos, se me perguntarem, Samora Machel. Mas, falando apenas dos que já morreram, conheci também Aquino de Bragança (informem-se sobre a personagem), e Spínola (escrevi sobre ele no Expresso na data da sua morte), e Costa Gomes, e Varela Gomes, e Fernando Salgueiro Maia, e o comissário político da brigada Lister na guerra civil de Espanha, e Santos e Castro, fundador dos comandos e comandante de mercenários, fui amigo do Jaime Neves… e apoiante da Maria de Lurdes Pintassilgo. Fui amigo do Diamantino…
Quando, como é da história, nas revoluções se separam águas entre os que a fizeram, eu e o Diamantino ficámos na mesma margem. Foi depois do 25 de Novembro de 1975. Numa tarde, ou noite clandestina, encontrámo-nos em Viseu, a sua base, a conversar sobre o que era possível salvar, não da esperança, mas da parte do poder que devia caber aos que, sujeitos a séculos de dependências, iniciavam a descoberta da liberdade de decidirem o seu presente e o seu futuro. Poder popular, se não for descoberta outra designação aos sans culottes que, aqui em Portugal, viviam a sua revolução francesa no Portugal rural e eclesiástico após o 25 de abril. O “Comunismo” nos sermões dos padres lúbricos e guardadores de rebanhos.
O Diamantino formou-se em História, em Coimbra. Ele, e um outro destes capitães, também já desaparecido, o Monteiro Valente. Conheci-os, relacionei-me com eles como mais um privilégio que a vida me concedeu. O Monteiro Valente foi o único (julgo) capitão que teve de disparar a sua arma para impor o 25 de Abril numa unidade militar!
A História concedeu a Portugal, aos portugueses que não sabem quem eles foram, o privilégio de ter os capitães dos seus exércitos de terra, mar e ar no local certo, no tempo certo, para realizarem a 25 de Abril de 1974 aquilo que era necessário fazer e foi feito da forma exemplar que a História reconhece como a “revolução dos cravos”.
O Diamantino pertenceu a essa gesta de anónimos capitães que Portugal e os portugueses tiveram a sorte histórica de encontrar generosamente disponíveis e culturalmente preparados para assumirem os riscos de lhes traduzirem os anseios de liberdade e de paz. Ele escreveria ensaios e fições sobre a sua geração.
A morte do Diamantino, capitão de Abril, ocorre no tempo em que emerge do lado de lá do Atlântico, no Brasil a quem tanto nos une, um capitão de negrume, de nome Bolsanaro…um fantasma da História. Figura recorrente de abutre militar…
O capitão Diamantino, que morreu em Viseu, era a face luminosa dos militares de qualquer parte do mundo que estão do lado da História e dos seus povos…
Será enterrado singelamente. Como um militar digno. Com as “sem honras” que a sua vida merece.
Que a semente do seu exemplo frutifique…

Carlos Matos Gomes

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Djamila Bouhired (née en 1935) | Nationaliste Algérienne | L’ALGERIE, A TRAVERS SES ANCIENNES PHOTOS

Djamila Bouhired (née en 1935) est une nationaliste algérienne, considérée comme une héroïne de la guerre d’indépendance.
Née dans une famille de classe moyenne, elle est scolarisée à l’école française (il n’y en avait pas d’autres). Elle rejoint le Front de libération nationale durant ses années étudiantes. Elle travaillera plus tard comme officier de liaison et assistante personnelle de Yacef Saadi à Alger.

En avril 1957, elle est blessée dans une fusillade et capturée par l’armée française (la force coloniale). Elle est soupçonnée d’être une poseuse de bombe, inculpée pour ses actes, torturée et condamnée à mort. Son exécution est stoppée par une campagne médiatique menée par Jacques Vergès et Georges Arnaud. Ils écrivent un manifeste, publié la même année aux Éditions de Minuit, Pour Djamila Bouhired. C’est, avec le livre d’Henri Alleg La Question, l’un des manifestes qui alerteront l’opinion publique sur les mauvais traitements et les tortures infligés par l’armée aux indépendantistes algériens. Devant le tollé international soulevé par sa condamnation, elle est finalement graciée et libérée en 1962.

Elle travaille après sa libération avec Jacques Vergès, qu’elle épousera en 1965, sur Révolution africaine, un magazine centré sur les révolutions nationalistes africaines. Elle a eu 2 enfants de son mariage avec Vergès.

Sa vie a été adaptée au cinéma par Youssef Chahine, Djamilah sorti en 1958. Son parcours est aussi évoqué dans la première partie du film L’Avocat de la terreur consacré à Jacques Vergès.

L’ALGERIE, A TRAVERS SES ANCIENNES PHOTOS

Retirado do Facebook | Mural de Hamdane Ouali  

“CONVERSANDO” COM D. MANUEL II, A PROPÓSITO DO DIA DE HOJE | 5 de Outubro | António Galopim de Carvalho

(…)

Terminada esta conversa, procurei aproveitar o contacto com este atencioso, culto e último representante da monarquia portuguesa para saber um pouco mais acerca daquele período que marcou a transição para a República.
– Julgo que o vosso reinado não foi fácil.
– Não foi fácil, não. O último governo do meu pai era presidido por João Franco, que se tornou um ditadorzinho. A repressão estúpida que exerceu sobre os seus adversários políticos culminou com a prisão de grandes figuras do Partido Republicano, como Afonso Costa e António José de Almeida.
– E foi nesse contexto que se deu o regicídio.
– Sem dúvida. Os republicanos tinham esboçado um levantamento a 28 de Fevereiro, mas o exército manteve-se fiel à coroa. Foram presos mais de cem conspiradores. Foram alguns dos que escaparam à prisão que mataram o meu pai e o meu irmão.
– Mortos o monarca e o príncipe herdeiro, o vosso destino ficou logo ali traçado.
– Feito rei aos 18 anos, adeus carreira na marinha, um sonho que ficou por cumprir.
– Foi, por assim dizer, um reinado conduzido por republicanos.
– Diga-se que numa onda que já vinha de trás, do tempo do meu pai. A influência dos republicanos crescia a olhos vistos. No Congresso, que reuniram em 1909, criaram um directório com a incumbência imperativa de conduzir a luta política no sentido da revolução. Deste congresso, em meu entender, histórico, saiu um comité revolucionário no qual tiveram papel de destaque grandes intelectuais e políticos, como o escritor, historiador, jornalista e diplomata João Pinheiro Chagas, que foi, depois, primeiro-ministro da República, o Doutor Afonso Costa, advogado e lente da Universidade de Coimbra, o Dr. António José de Almeida, médico e, mais tarde, o sexto Presidente da República, e, ainda, o vice-almirante Cândido dos Reis. No propósito de serenar os ânimos, minha mãe conseguiu a demissão de João Franco.

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Auto de Fé |

“Na manhã outonal de 18 de outubro de 1739, o majestoso cortejo do Auto de Fé sai ordenadamente do Palácio da Inquisição e serpenteia pelo Rossio, até entrar na Igreja do Convento de S.Domingos, do outro lado da praça. Atrás do flamejante estandarte do Santo Ofício vêm dezenas de guardas e inquisidores conferindo a necessária pompa ao cortejo dos 56 penitenciados. O povo, que há já quinze dias ouve apregoar o Auto, enche a praça e exubera: “Grande misericórdia, bendito o Santo Ofício”, esperando que o grande espetáculo da morte lhe expie os pecados. António José é o número sete da lista dos hereges. Tem 34 anos. Vem desfigurado da tortura e com dificuldade encara a luz do dia, após dois anos e treze dias de cárcere escuro. Veste uma aviltante túnica branca com a sua cara toscamente pintada no meio de labaredas e diabinhos a mordê-lo. No rol dos penitenciados vêm também a sua mãe Lourença, o irmão André e a mulher Leonor. Já dentro da igreja, os réus ouvem penosamente a leitura das culpas e longos sermões que invocam a implacável ira divina para com os hereges.

Ó infelizes despojos de Israel, desgraçadas relíquias do hebraísmo […] na estimação de Deus sois a gente mais abominável do mundo.

O ritual termina já noite dentro e o cortejo dos relaxados (condenados à morte) sai da igreja dirigindo-se, pelas ruas estreitas da velha Lisboa, ao tribunal da Relação, lá para os lados da Sé. Aí, o Inquisidor-mor lava as mãos do pecado e remete para a justiça secular a execução da pena, que o tribunal se limita a confirmar.

Declaram o réu António José da Silva por convicto, negativo, pertinaz e relapso… e como herege apóstata de nossa Santa Fé Católica o condenam e relaxam em carne…

Nova viagem descendo a encosta até ao queimadeiro, no Campo da Lã, junto ao Tejo, onde se encontra montada a improvisada cenografia da morte: tablados de madeira, para que o público tenha boa visibilidade, espessos mastros equipados de garrotes para que se proceda à morte sem efusão de sangue e monumentais pilhas de lenha.

Adverti que os Deuses não permitem, nem as leis ordenam, que sem culpa morra um inocente.
(Anfitrião ou Júpiter e Alcmena)

O sol já brilha nas águas do Tejo quando o corpo de António José é lançado nas chamas da fogueira.

Morrer como valorosos, que maior afronta é cair nas mãos do vencedor.
(Os Encantos de Medeia)”

João Paulo Seara Cardoso

Retirado do Facebook | Mural de José Maltez

Breve história da Inquisição em Portugal | RTP | José Pedro Paiva

Ao longo de quase 300 anos esta foi uma das instituições mais temidas em Portugal. Para garantir uma fé católica com elevado grau de pureza, milhares de pessoas foram perseguidas, torturadas e mortas na fogueira. Nenhuma heresia escapava ao Santo Ofício.
O ofício deste tribunal eclesiástico era inquirir dos desvios da fé católica, das heresias e das demais práticas pagãs. Todas as denúncias eram aceites, uma carta anónima ou um boato constituíam factos suficientes para iniciar um processo inquisitorial que permanecia secreto para a maioria. Os inquisidores tinham centenas de pessoas ao seu serviço e dispunham de uma rede de informadores a quem atribuíam recompensas e privilégios, como a isenção de pagar impostos, por exemplo. Trabalhar para a Inquisição, como ficou conhecido o tribunal do Santo Ofício, era também uma promoção social.

Os poderes conferidos aos inquisidores eram quase ilimitados. Podiam prender, julgar, castigar e torturar sem que os acusados pudessem escolher a sua defesa. O crime tinha de ser confessado e, não menos importante, tinha de haver lugar para o arrependimento, as almas que a Igreja conseguia salvar do inferno. Para isso, os inquisidores dispunham de métodos de interrogatório tão eficazes que o suspeito ou sucumbia nos instrumentos de suplício ou, como acontecia quase sempre, dizia-se culpado.

As sentenças eram proclamadas e executadas em sessões públicas, mais tarde chamadas autos-de-fé. As cerimónias mais famosas eram publicitadas e encenadas como se se tratassem de espetáculos de entretenimento, para atrair, excitar e comover a população; muitos contavam com a presença do rei e da família real. As penitências aplicadas incluíam açoites, prisão temporária ou perpétua, condenação às galés, desterro, confisco de bens e execução pelo fogo. Porém, o direito canónico não permitia que os juízes do Santo Ofício condenassem ninguém à morte, essa parte cabia às autoridades civis, o que é mais uma prova da ligação entre a Igreja e Estado .

A Inquisição entrou em Portugal em 1536, quando as viagens dos Descobrimentos afirmavam a nação lusa no mundo. O novo tribunal, a funcionar em pleno em Espanha, foi primeiro pedido sem sucesso por D. Manuel e, de novo em 1531, por D. João III, que incumbira o embaixador em Roma de requerer a sua criação. Os reis queriam sobretudo “uma nova arma de centralização régia”. Para justificar a presença num território em que a unidade religiosa não estava em perigo, quase sem protestantes, a instituição portuguesa elegeu os cristãos-novos, judeus forçados à conversão religiosa, com poder e por isso invejados, os seus maiores inimigos.

As perseguições aos hereges duraram 285 anos. Aos poucos, a organização que começou por estar subordinada ao poder do rei, que se fez um estado dentro do Estado, foi perdendo popularidade e vitalidade. O marquês de Pombal manda acabar com a distinção entre cristãos-velhos e cristãos-novos e equipara o Santo Ofício a qualquer outro tribunal régio. O golpe final chega em 1861, um ano depois da revolução liberal. Dos registos que existem, sabemos que entre 1543 e 1684, a Inquisição condenou em Portugal 19 247 pessoas, das quais 1 379 foram queimadas, e centenas morreram na prisão enquanto esperavam julgamento.

O historiador José Pedro Paiva, co-autor do livro “A História da Inquisição Portuguesa, 1536- 1861”, faz um resumo do que foi este Tribunal, que era considerado santo nos meios e nos fins.

VER VÍDEO neste endereço

http://ensina.rtp.pt/artigo/breve-historia-da-inquisicao-em-portugal/

Em 1990 a direita recusava a vinda de Le Pen a Portugal | Francisco Louçã in Jornal Expresso

Em 1990 a direita recusava a vinda de Le Pen a Portugal. Em 2018 indigna-se porque Marine Le Pen foi desconvidada. O que fez virar a direita?

No dia 5 de julho de 1990, algumas centenas de personalidades protestaram por escrito contra a vinda de Le Pen a Portugal. Apelidaram os que com ele se reuniam em Sesimbra como “pessoas não gratas” e o Presidente da República denunciou a iniciativa. Entre quem então recusou a vinda de Le Pen estava gente grada do CDS (Freitas do Amaral, Francisco Lucas Pires, Basílio Horta, António Lobo Xavier, Abel Pinheiro, Narana Coisssoró) e do PSD, então no governo (Emídio Guerreiro, Manuela Aguiar, Pedro Roseta, Montalvão Machado, Rui Carp, Guilherme Silva).
Em 2018, em contrapartida, a direita levantou-se indignada por Marine Le Pen não vir à Web Summit. Nuno Melo, no seu estilo leve, gritou contra a má educação do desconvite. Os jovens turcos do PSD multiplicaram-se em explicações atabalhoadas sobre como estariam na primeira fila a ouvir Le Pen e a detestá-la mesmo muito. O Observador explodiu em amargura, anunciando que vivemos em “fascismo obrigatório” (Helena Matos, secundada pelo inimitável Alberto Gonçalves) ou que Le Pen foi alvo de um “ataque fascista” (Sebastião Bagulho), mais uns salamaleques de Rui Ramos e por aí adiante, há sempre um concurso de Constanças naquele panfleto quando há festa ou festança. 

O que é que então mudou na direita portuguesa para que em 1990 protestasse contra Le Pen e em 2018 acarinhasse a vinda da sua herdeira? E para que em 1990 achasse que a democracia é uma barreira e em 2018 defenda que Le Pen deve ser normalizada? Vale a pena reparar nesta transformação porque é um sinal. Há a razão pretextual: se a esquerda critica o convite a Le Pen, a direita quer Le Pen. Mas isso é só pavloviano. Há ainda a razão ideológica, relançar o refrão da Guerra Fria: a esquerda combate os fascistas por ser igual. Mas isso também é grotesco. Há outro motivo, esse mais importante, e é que a direita está encantada com Steve Bannon e Trump, achando que, como só tem a propor o sofrimento ao povo, a forma de ganhar eleições é espalhar ódio.
O episódio do convite a Le Pen, em si, não vale nada, é só uma tontice de Cosgrave. Mas a fúria convidativa da direita revela algo muito importante: a partir de agora, toda a sua política será suja. Vale tudo. Vamos ter salada ideológica, campanhas de calúnias, blogs falsos, imprensa escandalosa. Bannon é o mestre.

Francisco Louçã

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã

AÍ ESTÁ “O LADO OCULTO”! | José Goulão

http://oladooculto.com é o endereço do novo semanário digital de informação internacional “O Lado Oculto”, que entrou agora online com uma edição experimental, o Número 0.

Nesta edição encontrará o leitor as informações essenciais sobre a publicação, que tem como mensagem de apresentação a frase “Antídoto para a propaganda global”. É mesmo isso que este colectivo de jornalistas seniores de muitas nacionalidades pretende trazer-vos, uma informação alternativa à desinformação dominante. Na edição experimental estão igualmente disponíveis as informações para proceder à assinatura.

A partir de agora “O Lado Oculto” deixou de ser nosso: está nas vossas mãos!

Perigiali [George Seferis] | Mikis Theodorakis | “On the seashore” | Singer: Maria Farantouri

“On the seashore” is a song by Mikis Theodorakis made on a poem by the great Greek poet George Seferis. It is a poem about inevitable changes in our lives where we have to let go of things we love and cherish and move on. The song was written in 1962 . It is a song that carries many of the distinct colours, phrases and sesnsations that make up what is Greece and I tried to couple those with photos that carry these feelings as well. Here it is performed by Maria Farantouri.

Denial In a hidden seashore white as a dove we found ourselves in midday, thirsty, but the water undrinkable. On the golden sand we wrote her name, how beautifully the breeze came and erased the writing. We started our life with all our heart, all our breath, all our passion — a mistake! and we changed our life. George Seferis was the pen name of Georgios Seferiadis (1900 — 1971). He was one of the most important Greek poets of the 20th century, and a Nobel laureate. He was also a career diplomat in the Greek Foreign Service, culminating in his appointment as Ambassador to the UK, a post which he held from 1957 to 1962. Mikis Theodorakis , born July 29, 1925, is one of the most renowned Greek songwriters and composers. Internationally, he is probably best known for his songs and for his scores for the films Zorba the Greek), and Serpico. Politically, he identified with the left until the late 1980s and has consistently opposed oppressive regimes and was the key voice against the Greek Junta 1967-1974, which imprisoned him. Maria Farantouri ,born in 28 November 1947, is a Greek singer and also a political and cultural activist. She has collaborated with prominent Greek composers such as Mikis Theodorakis

Deuses Gregos e Romanos | in Historia do Mundo Uol

https://historiadomundo.uol.com.br

Na foto o deus HERMESDeus da eloquência, da hermenêutica, das comunicações e viagens, do comércio, da ginástica, da astronomia, da magia, da divinação, dos ladrões, dos diplomatas e de algumas formas de iniciação, guia das almas dos mortos para o reino de Hades.

Nome nativo: Hermes

Morada: Monte Olimpo

Símbolo: caduceu

Pais: Zeus e Maia

Irmão(s): Ártemis, Afrodite, Musa, Cárites, Ares, Apolo,

Dioniso, Hebe, Atena, Héracles, Helena, Hefesto, Minos, Poro

Romano equivalente: Mercúrio

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hermes

Durante o século IV e III a.C., os romanos encontram os gregos que estavam instalados na região sul do que hoje é a Itália desde o século VIII a.C. Além de alguns conflitos e trocas de mercadorias, esses dois povos trocaram, ou melhor, começaram a trocar algo igualmente importante: idéias.

Entre os séculos II e I a.C. os romanos conquistam a Península Balcânica, local em que a civilização grega se desenvolveu. Lá os romanos fizeram muitos escravos, entre eles diversos sábios gregos.

Ao chegarem em Roma, esses sábios escravizados realizaram diversas funções como, por exemplo, educar os filhos das famílias aristocráticas do Império. Ao educar essas crianças, os sábios passavam muitos do seus valores para elas. Ou seja, transmitiram valores da cultura grega às crianças romanas, fazendo com que estas assimilassem esse valores e misturassem aos seus próprios, como no caso dos deuses e da religião.

As crianças se tornam adultas, mas não perdem os valores passados pelos sábios gregos. Esse adultos acabam dando continuidade a esses valores. Existem vários exemplos dessa mescla de valores, mas o mais conhecido é a associação dos deuses gregos aos deuses romanos. Zeus, o principal deus grego foi associado a Júpiter; Ares, deus da guerra dos gregos foi associado a Marte, o deus romano da guerra. Portanto, através dessa associação, várias características dos deuses gregos foram incorporadas aos deuses romanos.

Deus Grego Deus Romano Função ou Característica
Zeus Júpiter Pai dos deuses e dos homens, principal deus do Olimpo.
Cronos Saturno Deus do tempo, pai de Zeus. Pertencia à raça dos titãs.
Hera Juno Rainha dos deuses, esposa de Zeus.
Hefesto Vulcano Artista do Olimpo, fazia os raios que Zeus lançava sobre os mortais. Filho de Zeus e Hera.
Poseidon Netuno Senhor do oceano, irmão de Zeus.
Hades/Dis Plutão Senhor do reino dos mortos, irmão de Zeus.
Ares Marte Deus da guerra, filho de Zeus e Hera.
Apolo Febo Deus do sol, da arte de atirar com o arco, da música e da profecia. Filho de Zeus e Latona.
Artemis Diana Deusa da caça e da lua, irmã de Apolo.
Afrodite Vênus Deus da beleza e do amor, nasceu das espumas do mar.
Eros Cupido Deus do amor, filho de Vênus.
Palas Atenas Minerva Deusa da sabedoria, nasceu da cabeça de Zeus.
Hermes Mercúrio Deus da destreza e da habilidade, cultuado pelos comerciantes. Filho e mensageiro de Zeus.
Deméter Ceres Deusa da agricultura, filha de Cronos e Ops.

https://historiadomundo.uol.com.br/artigos/deuses-gregos-romanos.htm

Centenário do nascimento de Nelson Mandela | Carlos Esperança

Em 18 de julho de 1918 nasceu o maior vulto do continente africano dos últimos cem anos.

O prisioneiro 46 664, foi o símbolo dos que não desistem de transformar o Mundo e deixar um país livre e multirracial. O primeiro presidente da África do Sul, condenado a prisão perpétua, resistiu ao cativeiro 27 anos, e ao ódio e à vingança o resto da sua vida. 
Distinguido com o Prémio Nobel da Paz, foi maior o prestígio que conferiu ao Prémio do que este ao premiado. Paladino da liberdade e o grande obreiro da transição pacífica de um regime racista e colonialista para um país multicultural e multirracial – a África do Sul –, permanece a maior referência de África e uma das maiores figuras da Humanidade.

Faleceu aos 95 anos esse gigante da História cuja grandeza ética, inteligência e sensibilidade o distanciaram dos dirigentes políticos do seu tempo, deixando-nos a esperança de um mundo onde não seja possível a discriminação por razões de raça, religião, sexo ou convicções políticas.

A grandeza moral levou-o a perdoar aos países que, em 1987, votaram contra a sua libertação incondicional, proposta pela Assembleia Geral das Nações Unidas, – EUA, Inglaterra e Portugal –, onde governavam Reagan, Thatcher e Cavaco, anões morais que se tornaram ainda mais vis perante a grandeza do homem que pretendiam preso.

Nelson Mandela é um daqueles homens que será sempre maior do que a lenda.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

Quem é Quem | Daniel Jonas – poeta, dramaturgo e tradutor

Daniel Jonas é poeta, dramaturgo e tradutor. Enquanto poeta, publicou, entre outros, Sonótono (Cotovia, 2006), que lhe valeu o prémio PEN de Poesia e Nó (Assírio & Alvim, 2014), galardoado com o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes da APE. Foi ainda um dos sete poetas nomeados para o Prémio Europeu da Liberdade, pelo seu livro Passageiro Frequente (Língua Morta, 2013), traduzido em polaco por Michal Lipszyc. Antes tinha sido distinguido com o prémio Europa David Mourão-Ferreira, da Universidade de Bari/Aldo Moro, pelo conjunto da sua obra. Traduziu vários autores, entre os quais John Milton, Shakespeare, Waugh, Pirandello, Huysmans, Berryman, Dickens, Lowry, Henry James e William Wordsworth. Como dramaturgo, publicou Nenhures (Cotovia, 2008) e escreveu Estocolmo, Reféns e o libreto Still Frank, todos encenados pela companhia Teatro Bruto.

Daniel Jonas regressa ao soneto com Oblívio, que chegou às livrarias, e é um desconcertante e surpreendente livro que nos traz de novo «(…) tempos diversos: o clássico, o romântico, o moderno, numa apoteose de rastos e linhagens que comparecem subtilmente», como afirmou António Guerreiro no preâmbulo a uma entrevista feita ao autor (Público, 2014). Na Assírio & Alvim estão também publicados os livros Bisonte e Nó, vencedor do Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes da APE. Como nos diz o poeta, «Assim no meu soneto aqui gravei / Quem não sou nem fui e menos serei.»