ARRANCADA DE SON HEUNG-MIN VENCE O PRÉMIO PUSKAS

Tottenham’s Son Heung-min celebrates after scoring his team’s first goal during the English Premier League soccer match between Burnley and Tottenham Hotspur at Turf Moor stadium, Burnley, England, Monday, Oct. 26, 2020. (Lindsey Parnaby/Pool via AP) Britain Soccer Premier League

Son Heung-Min, extremo sul-coreano do Tottenham, é o vencedor do Prémio Puskas 2020, prémio para o melhor golo. Uma distinção conseguida com o tento marcado ao Burnley, no triunfo por 5-0 a contar para a 16.ª jornada da Premier League passada.

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Álvaro Cunhal | por Jorge Amado

«Tão magro, de magreza impressionante, chupado a face fina e severa, as mãos nervosas, dessas mãos que falam, mal penteado o cabelo, um homem jovem mas fisicamente sofrido, homem de noites mal dormidas, de pouso incerto, de responsabilidades imensas e de trabalho infatigável, eu o vejo, sentado ao outro lado da mesa, diante de mim, falando com a sua voz um pouco rouca, os olhos ardentes no fundo de um longo e sempre vencido cansaço, e o vejo agora como há cinco anos passados, sua impressionante e inesquecível imagem: Álvaro Cunhal, conhecido por Duarte, o revolucionário português. Falava sobre Portugal, sobre que poderia falar?

Sua paixão e sua tarefa: libertar o povo português da humilhação salazarista, libertar Portugal dessa já tão larga noite de desgraça, de silêncios medrosos, de vozes comprimidas, de alastrada e permanente fome do povo, de corvos clericais comendo o estômago do país, de tristes inquisidores saídos dos cantos mal iluminados das sacristias e da História para oprimir o povo e vendê-lo à velha cliente inglesa ou ao novo senhor norte-americano. Sua paixão e sua tarefa: fazer de Portugal outra vez um país independente e do povo português um povo novamente livre e farto e dono da sua natural alegria.

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Ah, políticos como nós. Que refrescante! | por Mafalda Anjos | in Revista Visão

Os comentários acerca das lágrimas de Marta Temido mostram um equívoco enorme acerca da massa de que deve ser feito um líder e o mesmo machismo persistente em relação a mulheres em cargos de direção.

Uma das grandes epidemias deste século é a da falta de empatia. A tecnologia que colocou vários ecrãs entre nós e os outros tornou-nos menos capazes de ler quem está do lado de lá, de os sentir e de nos colocarmos no seu lugar. É cada vez mais raro alguém experimentar caminhar nos sapatos de outra pessoa, como dizem os ingleses, antes de tecer considerações sobre ela.

Desde o início da pandemia que Marta Temido e Graça Freitas têm sido sujeitas a esta epidemia da falta de empatia e a críticas que não teriam sido feitas a homens se estivessem nos lugares delas. Desde março que a sociedade portuguesa destila todo o seu preconceito em comentários maldosos que nada têm a ver com reparos à sua atuação, mas ao simples facto de lhes faltar a hormona da testosterona.

Quantas vezes ouviram que a tarefa de fazer face a uma pandemia é demasiado árdua para estar a cargo de duas mulheres? Que não têm força para isto, nem “tomates” para as decisões que é preciso tomar? Ou comentários infelizes aos dentes, aos alfinetes de peito, ao que vestem e como se apresentam? Eu li e ouvi centenas, milhares. Demasiados para o que seria de esperar em 2020. Não tenhamos dúvidas: liderar é difícil, liderar sendo mulher mais ainda. Sei do que falo.

Ontem, Marta Temido chorou em público e durante a tarde não se falou de outra coisa. Os comentários foram os mais variados, muitos deles irreproduzíveis aqui, tal e qual como quando se soube que Graça Freitas estava contaminada com Covid-19. A maioria tinha duas coisas em comum: um equívoco enorme acerca da massa de que deve ser feito um líder e o mesmo machismo persistente em relação a mulheres na política ou em cargos de direção.

Merkel, Lula da Silva, Jacinda Ardern, Obama e até mesmo Putin, imagine-se, já choraram em público. Um político não se pode emocionar? E não se pode irritar? Uma diretora-geral da Saúde não pode adoecer? Podem sim. Não só podem, como eu diria mesmo que é refrescante quando isso acontece. É sinal de que os dirigentes, políticos ou técnicos, são feitos da mesma massa do que os outros de nós, que são humanos, que também têm um coração que bate do lado esquerdo e um cérebro que funciona por sinapses. É sinal que têm consciência da repercussão das suas decisões nas vidas alheias e do peso da responsabilidade que assumem. É sinal de que não são robots analíticos desprovidos de humanismo.

Não se imagina o enorme fardo da tarefa que Marta Temido e Graça Freitas desempenham ininterruptamente desde março. As imensas dúvidas que terão tido, as decisões que tiveram de tomar não estando detentoras de toda a informação normalmente confortável para o fazer, os complexos dilemas que tiveram de ultrapassar, a frustração que sentiram perante a falta de recursos e de meios com que têm de atuar.  

Muitas vezes discordei das suas opções e muitas outras critiquei as suas decisões e declarações. Sim, é claro que cometeram vários erros. Mas esperar outra coisa é não ter noção nenhuma do que é conduzir a pasta da Saúde durante uma pandemia com um novo vírus.

Estamos cá para continuar a escrutinar. Quando tudo passar, será a História com o distanciamento devido a avaliar o seu legado e o seu desempenho. Creio que, perante as circunstâncias, não se estão a sair mal – mas ainda faltam os últimos quilómetros decisivos desta maratona, nomeadamente o plano de vacinação.

No entanto, desde já, uma coisa reconheço e agradeço a estas duas senhoras: a sua imensa resiliência, persistência e espírito de sacrifício, a sua quase inesgotável capacidade de trabalho, o seu talento para a gestão de crise com tato e serenidade. Atrevo-me a dizer que poucos seriam os homens à altura deste desafio. 

MAFALDA ANJOS DIRETORA da Revista Visão

Retirado do Facebook | Mural de Revista Visão

Cabo Delgado | Moçambique | Carlos Matos Gomes

A violência em Cabo Delgado é simultaneamente simples de perceber e propositadamente difícil de explicar. A causa simples é a luta pelo poder, enquanto domínio que permite o acesso de um dado grupo às riquezas. Neste sentido, a causa da violência em Cabo Delgado é idêntica à da violência que conduziu às invasões do Iraque, da Síria e à destruição da Líbia. A única diferença é que a região onde se encontram as riquezas – petróleo, gás, e também pedras semipreciosas – é habitada por uma sociedade com poucos ou nenhuns meios de defesa (os macondes) e faz parte de um Estado fraco, incapaz de garantir a ordem interna e de se defender de ataques externos. Cabo Delgado é um alvo mole e barato para os assaltantes.

É deliberada a complexidade das diversas explicações para a violência em Cabo Delgado, classificada como «conflito» – não há qualquer conflito, há imposição de um poder pelo terror. A complexidade destina-se a esconder os responsáveis perante a opinião pública e a confundi-la. Os argumentos que salientam tensões etnolinguísticas, particularmente entre povos muçulmanos da costa, macuas, e macondes (animistas/cristãos), desigualdades no acesso a benefícios do Estado por parte dos macondes, favorecidos pelo estatuto dos antigos combatentes, representação política, assimetrias, lançadas para a opinião pública como estando na origem do jhiadismo e das suas práticas de terrorismo religioso são meras falácias, engodos e enganos.

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O código da vida, decifrado | Arlindo Oliveira | in Jornal Público

Um problema que, durante mais de meio século, desafiou os melhores grupos de investigação do mundo, foi agora resolvido pelo programa AlphaFold.

Sabe-se, há muito tempo, que determinadas características dos progenitores passam para os descendentes. Porém, os mecanismos de transmissão destas características só foram compreendidos há relativamente pouco tempo. Mendel descobriu, e publicou em 1866, algumas das regras que controlam a transmissão destas características, mas o seu trabalho permaneceu ignorado durante décadas e só foi redescoberto no princípio do século XX. Quando, em 1859, Charles Darwin comunicou a sua descoberta (que partilhou com Alfred Russel Wallace) de que este mecanismo de herança de características estava na origem de todas as espécies que existem no planeta, revolucionou a nossa compreensão do mundo. Existia, afinal, uma resposta simples, óbvia e definitiva para a questão: o que somos, de onde vimos, como aparecemos neste planeta? Mas Darwin não sabia como era feita a transmissão de características nem conhecia o trabalho de Mendel. Foi preciso esperar mais um século até ficar definitivamente esclarecido qual o mecanismo biológico usado pela natureza para passar as características dos progenitores para os seus descendentes, criando a variação, mas também a continuidade, que tornam possível o processo evolutivo.

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Glass Marcano, la jeune cheffe vénézuélienne qui va dynamiter la musique classique.

Há três meses, a jovem de 24 anos vendia frutas com a mãe em Yaracuy, no centro-oeste da Venezuela. Ela deixou o país pela primeira vez de uma forma bizarra e agora tira selfies com a Torre Eiffel ao fundo.

E também coleciona elogios em francês.

“É uma jovem extremamente talentosa, trabalhadora e inteligente que terá uma grande carreira”, prevê em conversa com a BBC News Mundo Romain Fievet, da orquestra Paris-Mozart, que em conjunto com a Filarmónica da capital francesa organizou o concurso Maestra, para profissionais mulheres.

Fundação José Saramago | Eduardo Lourenço

No dia em que nos despedimos de Eduardo Lourenço, sobre quem José Saramago escreveu «Abriu-nos os olhos, mas a luz era demasiado forte. Por isso, tornámos a fechá-los.», recuperamos, dos diários de José Saramago (Cadernos de Lanzarote e O Caderno), algumas passagens sobre a duradoura relação de amizade e admiração que construíram.
Adeus, querido Eduardo Lourenço.

Abertura do «Último Caderno de Lanzarote», de José Saramago

23 de maio de 1993
Bastou-me esperar com paciência, e aí está: Eduardo Lourenço fez hoje 70 anos, apanhou-me. Jantámos juntos: Annie e Eduardo, Luciana, Pilar e eu. O restaurante chama-se El Callejón, também nomeado Rincón de Hemingway, cujas lembranças (fotos, nada mais que fotos) se mostram dentro. Espero que o Hemingway tenha tido a sorte de comer melhor do que nós: estes restaurantes que se gabam das celebridades que um dia por lá passaram, geralmente servem mal. Divertimo-nos como garotos em férias. Alguma má-língua risonha.

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Eduardo Lourenço faleceu | por Francisco Louçã

Eduardo Lourenço (1923-2020)

Será lembrado como o ensaísta mais marcante das últimas décadas, e era-o. Será venerado como um exigente europeísta, que não cedia ao maniqueísmo financeiro, e era-o certamente. Será homenageado como um pensador da esquerda e um criador de pontes, como era. E deve ser recordado como um ser humano excepcional, de amizade inquebrantável e fiel às interrogações que nos levam para a frente. Adeus, Eduardo.

Guardador de Rebanhos | Poesia Portuguesa II

Mário Viegas ironiza sobre a “popularidade” de Fernando Pessoa, escritor e poeta da primeira metade do século XX; Mário Viegas conversa com “Fernando Pessoa” (personagem interpretada por Mário Viegas) sobre a sua personalidade e obra; 41m50: Mário Viegas declama 10 poemas do livro “Guardador de Rebanhos ” de Alberto Caeiro, acompanhado por António Marques à flauta e a interpretação de Rui Miguel, ator; reconstituição do quadro “Retrato de Fernando Pessoa” de José Almada Negreiros.

Certamente | Paulo Querido

Quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Hoje: um diário muito mais político do que é habitual. Não te habitues: tenho dias.

Orçamento de Estado para 2021 aprovado por 3 votos
😂 Rui Rio
😕 Catarina Martins
😰 António Costa
😐 Inês Sousa Real
😞 Telmo Correia
🤥 André Ventura

Pontos breves:

O Bloco fez um arriscado investimento no chumbo do OE com a proposta do corte do Novo Banco. Vai pagar juros altíssimos, a começar já em Janeiro com o eleitorado a fugir de Marisa Matias para Ana Gomes e João Ferreira.

Rui Rio foi o espertalhufo da semana: não arriscou um cêntimo seu e palmou quase todo o lucro que a proposta do Bloco possa vir a render.

O PCP, o PEV e o PAN estiveram imperiais. Não apenas os seus eleitores mas os portugueses de uma forma geral devem-lhes uma palavra de agradecimento pela seriedade, pelo empenho e pelo esforço que colocaram neste Orçamento. Se o documento não ficou pior, muito se deve aos deputados destes três partidos. E se não temos o agravamento desnecessário da tensão política a semanas das presidenciais e da chefia portuguesa da União Europeia, a eles o devemos.

João Leão revelou-se frouxo e inábil. Ou vice-versa. Não me parece que António Costa e João Leão, ou vice-versa, possam invocar a COVID-19 para justificar o gelo fino em cima do qual o Governo vai entrar em 2021. Ou Costa está farto de ser PM, ou este é um desastre político difícil de explicar. E não é limpando as mãos ao Bloco nem dramatizando o golpe de mestre de Rio que o PS se safa.

Catarina Martins e Mariana Mortágua estão a lamber as feridas e a tirar os estilhaços da bomba explodida por Rui Rio. O Bloco perdeu espaço de manobra a troco de nada. Eu creio que foi premeditado o timing da jogada: dar um rebuçado à ala dura do Bloco enquanto se surge como oposição destemida a “este” PS e fazê-lo JÁ, a dois orçamentos de distância das próximas legislativas. Quer dizer: eu QUERO ter esta fé. Chama-me ingénuo se quiseres.

Leia aqui: https://paulo.querido.net/#diario

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PAN | PESSOAS-ANIMAIS-NATUREZA

O PAN defende uma sociedade informada, consciente, livre, justa e inclusiva e uma democracia baseada na participação, na ética, na convergência, no respeito e na igualdade.

Ciente do poder de mudança de cada um de nós, o PAN considera que as transformações políticas, sociais, económicas, ambientais e culturais que almeja só podem ser alcançadas por via do exercício da democracia participada, do pensamento livre, do compromisso pessoal e da responsabilização onde a reunião de vontades e esforços se conjugam no trabalho colectivo.

Os presentes estatutos conferem os instrumentos normativos para que todos e todas possam construir visões, estratégias e objectivos, promovendo o envolvimento e valorizando cada pessoa em toda a sua singularidade, na estreita observância dos princípios e valores éticos que norteiam o PAN.

Estas disposições procuram conferir uma organização interna baseada na confiança, na solidariedade, no respeito pela diversidade e, sobretudo, na liberdade e nas responsabilidades partilhadas a todos os níveis.

Reconhecendo a relevância de todos os contributos e a igualdade de oportunidades na participação nos destinos, implantação e consolidação do PAN, os estatutos garantem a representatividade dos vários pensamentos e sensibilidades que enriquecem este projecto, pois o PAN de cada um e de cada uma é o PAN de todos e de todas.

https://www.pan.com.pt

Querido Diego | Luís Osório

Não me conheces, mas eu aprendi a gostar de futebol com as tuas fintas, o teu toque de bola, a tua habilidade para fazer de cada jogada uma obra de arte.

Impossível ficar indiferente ao que eras dentro de campo. No palco estavam vinte e dois homens, mas os olhos das pessoas não se desviavam de ti, do teu corpo baixo e anafado, da tua pose provocadora, da tua arrogância de menino de rua.

Nunca conheci ninguém como tu. Nunca conheci ninguém que tivesse feito tanta merda para que o mundo desistisse de ti. Esforçaste-te o melhor que conseguiste para enterrar fundo tudo o que de bom fizeras nascer. Foste um mau exemplo para as crianças, mas as crianças continuaram a olhar fascinadas para as imagens dos teus golos.

Foste dependente de todas as drogas. Fumadas, snifadas, injetadas. Heroína, cocaína, anfetaminas, crack. Nos dias de catástrofe injetavas-te num braço com cocaína e no outro braço com heroína. Precisavas de acelerar para viver e de acalmar para que os cavalos não te saíssem a galope do coração. Mas mesmo assim o povo continuou a aplaudir-te como se tu fosses o que salva pessoas do vício e os faz acreditar que é possível a felicidade.

Em muitos dias alucinados agredias pessoas, disparavas tiros de espingarda contra jornalistas acampados à porta de tua casa, cuspias, ameaçavas e eras na maioria parte do teu tempo um mau caráter. Ah, mas as pessoas nunca te abandonaram.

Nunca desistiram de ti. A cada erro, a cada queda lá vinham os aplausos, os abraços, as lágrimas. Trataste mal filhos e mulheres com quem casaste. Foste um cabrão da pior espécie, mas depois erguias-te e tudo passava. Ficaste disforme. Duzentos quilos de gente. Um monstro de banhas num corpo quase anão, os olhos quase a sair das órbitas, um exemplo de decadência. Mas o povo não te via assim, via-te outra vez na Bombonera a partir os rins a meia equipa contrária antes de picares a bola por cima do guarda-redes.

Passavas os dias em bordéis e trocavas mensagens com chulos, mas até o Papa Francisco te definiu como o único ser humano que se aproximou de uma ideia de Deus.

Envolveste-te com a máfia napolitana, trocaste favores, fizeste trinta por uma linha, mas se fechar agora os olhos vejo-te a fintar meia equipa de Inglaterra antes de entrares com a bola pela baliza dentro.

Fizeste tudo o que pudeste para que o povo te abandonasse. Mas fracassaste, Diego. Desculpa que te diga, mas fracassaste nesse objetivo.

Aos deuses tudo se perdoa. E tu foste o único humano a quem tudo se perdoou. A esta hora não estarás a caminho do céu, não acredito nisso.

Mas sei que já estarás no Olimpo, uma terra de deuses imperfeitos onde pertences por inteiro direito.

Adeus, Diego. Não me conheces, mas eu conheço-te muito bem. E perdoei-te sempre. Nunca liguei ao que fizeste para que eu te esquecesse.

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Retirado do Facebook | Mural de Luís Osório

Teresa Ricou | antes palhaça do que equilibrista | Luís Osório

1.

Chegara-se à conversa final e Daniel Sampaio foi o mais entusiasta. Teresa Ricou, a mulher palhaço, deveria ser a escolhida. D. Manuel Clemente, ao contrário de António Barreto e Cristina Louro, não a conhecia bem. Explicaram então ao bispo e na altura recém-nomeado Patriarca de Lisboa, que Tété era mais do que uma palhaça – a escola de circo que fundara, o Chapitô, salvara dezenas de miúdos da marginalidade.

Transformara uma prisão de mulheres, o estabelecimento das Mónicas, num lugar que oferecia a hipótese de um futuro. Para Clemente calou fundo a ideia da salvação pela arte, bastou-lhe para ficar convencido.

Sá Carneiro não pertenceria a este PSD | Luís Osório

1.

A propósito da evocação dos 40 anos da trágica morte do fundador do PSD, o Instituto Sá Carneiro preparou uma campanha que espalhará três frases intemporais do seu líder histórico pelas principais cidades do país.

“Ser homem é ser livre, a liberdade de pensar é a liberdade de ser”

“Não há nada que pague a sinceridade na ação política”

“O meu sentimento? Define-se numa palavra: responsabilidade”

Inauguração do Museu Roque Gameiro | 21/11/1970 | 50º aniversário | Minde

FOI HÁ 50 ANOS QUE FOI INAUGURADO O MUSEU ROQUE GAMEIRO.

Em 21 de Novembro de 1970 Minde vivia momentos de grande agitação. Foi inaugurado o MUSEU ROQUE GAMEIRO e Minde recebeu a presença do Presidente da República Almirante Américo Thomaz. Era Presidente da Junta de Freguesia de Minde o Senhor Lourenço Coelho Anjos da Silva.

Claude Lorrain e o espírito de Vergílio | Frederico Lourenço

No final da sua longa vida, o pintor seiscentista Claude Gellée (conhecido como «Lorrain» por ter nascido na Lorena) dedicou-se à leitura da «Eneida» de Vergílio, focando-se assim num texto em cujo ideal estético (a Perfeição pura e simples) viu decerto um reflexo do seu.

Sabemos que Claude leu Vergílio na tradução italiana de Annibale Caro (que saíra em Veneza, em finais do século XVI), pois, ao contrário do seu amigo e vizinho Nicolas Poussin, não obtivera uma escolaridade suficientemente sólida em latim para conseguir ler o poema na língua original. E porquê italiano – e não francês? Pela simples razão de que Claude – tal como Poussin – viveu a maior parte da sua vida em Roma; e (de novo, como Poussin) tinha aversão à ideia de viver em França. É sempre estranho vermos a historiografia francesa considerar Poussin e Claude como pintores franceses, porque a única coisa de francês que eles tiveram foi a naturalidade. A sua arte não é francesa: por um lado, todos os modelos que os inspiraram foram italianos (Rafael, Ticiano, Annibale Carracci, Domenichino); por outro, vivendo eles durante toda a sua vida adulta perto da Piazza di Spagna em Roma – e recriando eles, na sua arte, uma antiguidade romana idealizada –, a melhor forma que temos de os descrever é como artistas romanos.

Constantinopla – Florença – Coimbra | Frederico Lourenço

Entre as grandes alegrias de ser professor de Grego na Universidade de Coimbra tenho de contar o sentido histórico de continuidade que nunca deixa de me encantar. Ao vigiar hoje, na Faculdade de Letras de Coimbra, um teste de Grego em que os meus alunos tinham de responder a perguntas sobre uma passagem da comédia «Pluto» de Aristófanes, dei por mim a pensar na longa tradição – que já se estabelecera antes de ter nascido Jesus Cristo – de usar esta comédia como instrumento didáctico para o ensino do Grego. Depois, ao longo de mil anos de escolaridade grega em Constantinopla, o estudo deste texto de Aristófanes ocupou um lugar central. É, de todas as comédias de Aristófanes, a que conta um número mais elevado de manuscritos bizantinos.

Encontrado esboço inédito do rosto de Jesus Cristo

Historiadores acreditam que obra-prima pertença ao pintor Leonardo da Vinci, autor de quadros como a Mona Lisa e A Última Ceia.

Um esboço do rosto de Jesus Cristo nunca antes visto foi recentemente descoberto pela comunidade artistica que acredita que a obra deverá pertencer ao pintor Leonardo da Vinci, autor de quadros icónicos como a Mona Lisa e A Última Ceia.

O desenho, feito com recurso a giz vermelho, foi mantido durante anos numa coleção particular de um banco na Lombardia, em Itália. Agora foi tornado público.

“É uma obra extraordinariamente bela e refinada. Estou absolutamente convencida de que é um esboço de Da Vinci”, garantiu Annalisa Di Maria, historiadora de arte italiana, em declarações ao Telegraph.

Para determinar se a peça foi ou não produzia pelo renacentista. especialistas testaram o papel usado e confirmaram que remonta ao século XVI, altura em que da Vinci desenhou o “Retrato de um Homem em Giz Vermelho”, com um estilo muito semelhante à obra descoberta.

A peça está agora nas mãos de dois colecionadores da cidade de Lecco, no norte de Itália.

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Freitas Do Amaral

O comunismo ainda não existiu, o fascismo e o nazismo, sim | Gabriel Leite Mota in Jornal Económico

PCP e Bloco estão do lado humanista da política. O Chega, não. Essa é a grande fronteira. Esse é o grande muro que não devemos deixar cair.

Tem sido motivo de aceso debate o acordo de governo que CDS, PPM, PSD, Chega e IL fizeram no Açores. Nesse acordo, ficou estabelecido que PSD, CDS e PPM governam em coligação, com o beneplácito parlamentar de Chega e IL.

A notícia é o facto de o Chega ter sido incluído nesse acordo, sabendo-se que este recente partido é, o que hoje chamamos, da extrema-direita populista, uma novidade no nosso sistema político.

Álvaro Cunhal | Elementos Biográficos

Álvaro Cunhal nasceu em Coimbra (freguesia da Sé Nova) em 10 de Novembro de 1913. Passou parte da sua infância em Seia. A família mudou-se entretanto para Lisboa, onde Álvaro Cunhal começou por frequentar o Liceu Pedro Nunes e, mais tarde, o Liceu Camões.

Concluídos os estudos liceais, ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa onde iniciou a sua actividade revolucionária. Participou no movimento associativo estudantil, tendo sido eleito em 1934 como o representante dos estudantes no Senado Universitário. Foi militante da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas (FJCP) sendo eleito seu secretário-geral em 1935. Membro do Partido Comunista Português desde 1931, a partir de 1935 passou a integrar o quadro de militantes clandestinos.

Preso em 1937 e em 1940 e submetido a torturas, voltou imediatamente à luta logo que libertado depois de alguns meses de prisão.

Gonçalo Ribeiro Telles | por Anabela Mota Ribeiro

É um monárquico que viveu sob o signo da República. “Eu não me importo nada de servir a República. Tenho bilhete de identidade, servi, fui deputado”.

É um arquitecto paisagista que fala de jardins como se falasse do paraíso. “Na Bíblia, quando se fala do jardim, é um lugar concreto, circunscrito. Os hebreus não andavam à procura do jardim, andavam à procura do Éden, o vale fértil onde estava o jardim. Depois vem a casa do Homem. A certa altura a casa do Homem é tão grande que começa a ser necessário o jardim público, o parque, a ligação de parques e de jardins, os espaços verdes. Não chega, porque 84% da população mundial vai viver para as cidades, que ficam desmesuradas, ou então são todas torres, o que é desumano. Temos de criar um Éden para esta cidade, e temos que criar dentro do Éden o paraíso, que é o jardim”. Um idealista? Um realista. Empenhou-me em fazer um mundo mais próximo daquele onde gostaria de viver. 

É um homem de outro tempo. Do tempo em que se brincava na Avenida da Liberdade. A cidade era outra. “Eu tinha uma tia que morava numa casa que hoje é um hotel de luxo, na Rua de Santa Marta. Essa tia não tinha filhos e tinha um sobrinho, que era o meu avô; vendeu o palácio e fez uma casa na Avenida da Liberdade (que já foi abaixo). A minha avó, por sua vez, vinha de uma casa de São Paulo, ao Cais do Sodré; depois de casar, ocupou a casa na Avenida da Liberdade. Trouxe com ela o irmão coxo, que [se instalou] nas águas-furtadas. Vivia sozinho com uma criada, o marido da criada, que era carteiro, e os livros. O resto da família vivia por andares, no prédio; eu vivia no 3º”. Visitava-o muito.

Gonçalo Ribeiro Telles é um contador de histórias. Passei uma tarde com ele a ouvir histórias. É esta a sua história.

Fatma Said records “Aatini Al Naya Wa Ghanni” أعطنى الناى وغنى

La soprano égyptienne, formée dans les écoles prestigieuses de musique berlinoises, chante en arabe , en français et espagnol, aussi bien des airs d’opéra, que des chants du patrimoine arabe et européen. Le mariage magique entre l’Orient et l’Occident. Ouarda, fayrouz, Oum keltoum, etc. ont une jeune héritière. Écoutez. [Souad Khodja]

Biden, o pacificador, é eleito 46º Presidente dos Estados Unidos | in Revista Visão

Aos 77 anos, é o mais velho presidente eleito. História de um homem decente que passou por batalhas duríssimas.

As sondagens davam-no como vencedor, as projeções da noite eleitoral deram-no por momentos como derrotado e os votos que demoraram muito tempo a contar, urbanos e por correio, elegeram-no. Joe Biden destronou Donald Trump e tornar-se-á o 46º Presidente dos EUA. Kamala Harris será a primeira mulher vice-presidente. Joe Biden deverá falar dentro de poucas horas aos americanos, fazendo o que tem sido o seu comportamento nos últimos dias: pacificar e unificar uma América dividida.


Kamala Harris | Vice-Présidente des États-Unis

Kamala Harris, sénatrice de Californie est désormais la première femme vice-présidente des États-Unis✌️
Joie Biden lui doit incontestablement sa victoire en mobilisant sans relâche,les jeunes, les femmes et les minorités.
Sa pugnacité et son dynamisme la mèneront sans aucun doute en 2024 à être première femme noire présidente des États-Unis! Et que vive la diversité.

Nadia Bensmaia | Facebook

Barack Obama | Joe Biden and Kamala Harris

I could not be prouder to congratulate our next President, Joe Biden, and our next First Lady, Jill Biden.

I also couldn’t be prouder to congratulate Kamala Harris and Doug Emhoff for Kamala’s groundbreaking election as our next Vice President.

In this election, under circumstances never experienced, Americans turned out in numbers never seen. And once every vote is counted, President-Elect Biden and Vice President-Elect Harris will have won a historic and decisive victory.

We’re fortunate that Joe’s got what it takes to be President and already carries himself that way. Because when he walks into the White House in January, he’ll face a series of extraordinary challenges no incoming President ever has – a raging pandemic, an unequal economy and justice system, a democracy at risk, and a climate in peril.

I know he’ll do the job with the best interests of every American at heart, whether or not he had their vote. So I encourage every American to give him a chance and lend him your support. The election results at every level show that the country remains deeply and bitterly divided. It will be up to not just Joe and Kamala, but each of us, to do our part – to reach out beyond our comfort zone, to listen to others, to lower the temperature and find some common ground from which to move forward, all of us remembering that we are one nation, under God.

Finally, I want to thank everyone who worked, organized, and volunteered for the Biden campaign, every American who got involved in their own way, and everybody who voted for the first time. Your efforts made a difference. Enjoy this moment. Then stay engaged. I know it can be exhausting. But for this democracy to endure, it requires our active citizenship and sustained focus on the issues – not just in an election season, but all the days in between.

Our democracy needs all of us more than ever. And Michelle and I look forward to supporting our next President and First Lady however we can.

Barack Obama ( Facebook)

Yuval Noah Harari | Sapiens, une brève histoire de l’humanité – Homo Deus, une brève histoire de l’avenir – 21 leçons pour le XXIe siècle | by Rania Hadjer

Je viens de finir la série de Yuval Noah Harari et je pense qu’elle doit faire partie du top 10 des livres à lire dans sa vie. Un rythme haletant et captivant autour d’un voyage en trois temps : passé, présent et futur.

– Dans « Sapiens, une brève histoire de l’humanité » l’auteur interroge de manière inédite le passé sur Comment notre espèce a-t-elle réussi à dominer la planète ? Pourquoi nos ancêtres ont-ils uni leurs forces pour créer villes et royaumes ? Comment en sommes-nous arrivés à créer les concepts de religion, de nation, de droits de l’homme ? À dépendre de l’argent, des livres et des lois ? À devenir esclaves de la bureaucratie, des horaires, de la consommation de masse ? Et à quoi ressemblera notre monde dans le millénaire à venir ?

– Homo Deus, une brève histoire de l’avenir nous dévoile ce que sera le monde d’aujourd’hui lorsque, à nos mythes collectifs tels que les dieux, l’argent, l’égalité et la liberté, s’allieront de nouvelles technologies démiurgiques. Et que les algorithmes, de plus en plus intelligents, pourront se passer de notre pouvoir de décision. Car, tandis que l’Homo Sapiens devient un Homo Deus, nous nous forgeons un nouveau destin : Que deviendront nos démocraties quand Google et Facebook connaîtront nos goûts et nos préférences politiques mieux que nous-mêmes ? Qu’adviendra-t-il de l’Etat providence lorsque nous, les humains, serons évincés du marché de l’emploi par des ordinateurs plus performants ? Quelle utilisation certaines religions feront-elles de la manipulation génétique ?

– Enfin, dans 21 leçons pour le XXIe siècle, Yuval Noah Harari décrypte le XXIe siècle sous tous ses aspects: politique, social, technologique, environnemental, religieux, existentiel…Avec l’intelligence, la perspicacité et la clarté qui ont fait le succès des deux premiers ouvrages, l’auteur répond à des questions centrales de notre siècle telles que : Pourquoi la démocratie libérale est-elle en crise ? Sommes-nous à l’aube d’une nouvelle guerre mondiale ? Que faire devant l’épidémie de « fake news » ? Quelle civilisation domine le monde ? Que pouvons-nous faire face au terrorisme ? Que devons-nous enseigner à nos enfants ?

Bref, un vrai coup de cœur que je vous conseille vivement.

Rien de mieux qu’un livre entre les mains mais pour ceux qui les veulent en version PDF je les ai, laissez moi vos adresses mails en commentaire ou en privé si vous les voulez en version électronique (gratuite)

Rania Hadjer (Facebook)

Tarrafal | o Campo da Morte Lenta (84.º aniversário) | Carlos Esperança

Urge lembrar o Massacre de Batepá (do português coloquial “Bate-Pá!”) atrocidade das tropas coloniais em S. Tomé e Príncipe, 3 de fevereiro de 1953, em que fuzilaram talvez mais de mil homens, mulheres e crianças, por motivos laborais e mera crueldade; o de Pidjiguiti, cerca de 50 mortos e de 100 feridos, que deu início à luta de libertação da Guiné–Bissau, também por motivos laborais; o de Wiriyamu, na guerra colonial, 16 de dezembro de 1972, com pelo menos 385 mortos da população civil.

Recordar o que foram as mortes em plena rua das cargas da GNR e da polícia de choque da PSP, é uma obrigação cívica, ainda que os requintes de crueldade e sadismo fossem atingidos pela Pide nos interrogatórios e nas masmorras, e nos assassínios arbitrários.

Mas hoje é dia de recordar o Tarrafal, esse campo da morte e da tortura onde a brandura dos costumes, alegada pelo ditador vitalício, era a imagem do regime beato e amoral.

***Para recordar as vítimas do Tarrafal, deixo um texto já antes publicado:Há 83 anos, outubro era mês e 29 o dia em que, ao Campo de Concentração do Tarrafal, chegaram 152 presos políticos, onde era mais doce a morte do que o Inferno da vida que os torturadores lhes reservavam.

Foram 11 dias de viagem, de Lisboa ao Tarrafal, que a primeira leva de vítimas levou a chegar, grevistas do 18 de janeiro de 1934, na Marinha Grande, e marinheiros dos que participaram na Revolta dos Marinheiros de 8 de setembro desse ano.

O Tarrafal foi demasiado grande no campo da infâmia e do sofrimento para caber num museu. Salazar teve aí, no degredo da ilha de Santiago, Cabo Verde, o seu Auschwitz, à sua dimensão paroquial, ao seu jeito de tartufo e de fascista.Ali morreram 37 presos políticos desterrados, na «frigideira» ou privados de assistência médica, água, alimentos, e elementares direitos humanos, alvos de sevícias, exumados e trasladados depois do 25 de Abril.

Edmundo Pedro, o último sobrevivente, chegou ali, com 17 anos, na companhia do pai. Como foi possível tanto sofrimento no silêncio imposto pela ditadura?

E como é possível o esquecimento da democracia? Dói muito, dói pelo sofrimento dos que lutaram contra o fascismo e pelo esquecimento a que os votam os que receberam a democracia numa manhã de Abril com cravos a florirem nos canos das espingardas do MFA.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

O mercado da diferença | O PCP e o BE são hoje formações políticas sociais-democratas | Carlos Matos Gomes

O mercado da diferença. Pode alguém ser o que não é? É o título de uma canção, que podia aplicar-se às dificuldades do BE e do PCP em aceitarem um compromisso com o PS para a aprovação de um Orçamento e ajuda a entender as manobras em curso. O PCP e o BE são hoje formações políticas sociais-democratas, por muito que se esforcem ao nível do discurso por se apresentarem como portadoras de um projeto revolucionário.

O processo histórico do pós-Muro de Berlim provocou uma nova divisão de modelos políticos, de um lado os neoliberais, de outro os estados que na Europa ainda mantêm a matriz de estado social, ou social democrata. Para já a situação é esta e não se alterará com o Orçamento do Estado Português para 2021.O PCP e o BE estão hoje neste grupo social democrata a competir com o tradicional ocupante do espaço, o Partido Socialista. Para sobreviverem neste mercado têm de “mostrar serviço”. Vivem a conhecida situação das mercearias que se transformaram em minimercados na zona dos supermercados. Fazem promoções nos produtos de maior impacto, são mais agressivos nas campanhas, recusam alianças, mesmo que mutuamente vantajosas, procuram fidelizar nichos de mercado, mas vendem o mesmo.

A sua sobrevivência depende da demonstração de diferença. A apresentação de um candidato à presidência de República por cada uma das formações é reveladora da indispensabilidade de cada uma “marcar a diferença a todo o custo” para sobreviver.As disputas sobre o Orçamento são parte da afirmação de existência do PCP e do BE. São opções conscientes e compreensíveis tomadas pelos seus dirigentes para se manterem no jogo da política e fidelizarem a clientela tradicional. É um jogo arriscado, que pode remeter para fábula do escorpião que ia às costas da rã e que a matou por ser a sua natureza e assim morreu também, mas é um jogo legítimo, que os órgãos de direção dos dois partidos decidiram correr e que têm praticado ao longo dos tempos. É o mercado a funcionar. A clientela decidirá.

Humanismo | Paulo Roberto Falcão – Mário Quintana

Mário Quintana (1906-1994) foi um enormíssimo poeta brasileiro. Entre muitos e muitos outros toca-me o seu poema “Das Utopias”, onde escreveu: “Se as coisas são inatingíveis… ora! Não é motivo para não querê-las…Que tristes os caminhos, se não fora a mágica presença das estrelas!

”Paulo Roberto Falcão (nascido em 1953) foi, por sua vez, uma estrela do futebol brasileiro, depois treinador, comentarista desportivo e jornalista. Foi considerado um dos maiores futebolistas brasileiros de sempre.

Um dia, em 1983, o Hotel Majestic, em Porto Alegre, onde Quintana, já velhinho, residia há muito tempo, colocou-o no olho da rua. A miséria tinha batido à porta do poeta e jornalista e ele não tinha como pagar a sua conta. O porteiro do hotel, porque aos pobres até os outros pobres rebaixam com maldade, atira-lhe um casaco que tinha ficado no quarto, dizendo:- Toma, velho!

O poeta, sem ter para onde ir, sentou-se, pensando na vida, sobre a mala que lhe tinham colocado no passeio A sarjeta aguardava-o.

Paulo Roberto Falcão, o agora técnico de futebol e antiga estrela da seleção do Brasil ouviu na rádio, em direto, algo sobre o acontecido. Pouco depois estacionava o seu carro em frente ao hotel e observava de longe aquela cena absurda, triste. Até que saiu do carro e caminhou até ao poeta, perguntando-lhe:

– Sr. Quintana, o que está acontecendo? Mário Quintana ergue os olhos e enxuga uma lágrima, daquelas que insistem em molhar os olhos dos poetas. Naquela hora quem lhe dera ter ouvido os conselhos da sua mãe, quando era jovem, e ter estudado para engenheiro, médico, farmacêutico… e não ter vivido para a poesia. Ninguém vive da poesia. Quintana explica a Falcão que o dinheiro acabou, que está velho e se encontra desempregado, sem família, sem amigos… sozinho. Que lhe restam apenas a sua dor e aquela mala no meio de uma rua de Porto Alegre, que agora é mais um empecilho que um apoio…

Falcão pega na mala e coloca-a no porta-malas do seu carro, em silêncio. E em silêncio, abre a porta do automóvel a Mário Quintana, convidando-o a entrar.

No silencio da tristeza, duas almas de poeta (poeta não é só aquele que escreve poesia…) atravessam a tarde fria de Porto Alegre.

O carro ruma ao Hotel Royal. Falcão para, descarrega as malas e chama o gerente:- O Sr. Quintana agora é nosso hóspede!

– Por quanto tempo, Sr. Falcão? – quis saber o gerente. O homem do futebol observa o olhar tímido e surpreso do poeta e enquanto o abraça comovido, responde:

– Para sempre…O hotel pertencia ao Falcão. Mário Quintana faleceu em 5 de maio de 1994.

URSULA VON DER LEYEN EM PORTUGAL | por Nuno Vidal

Ursula von der Leyen, a Presidente da União Europeia, está em Portugal hoje e amanhã. Impressionou com o seu recente discurso do Estado da União. Embora proclamatório – tudo na Europa tem de ser aprovado por 27 países – destacou-se a defesa da dignidade do trabalho, designadamente pela criação de um salário mínimo europeu; o lançamento do NextGenerationEU, a prioridade ao Pacto Ecológico Europeu e a criação da Década Digital da Europa.

A determinação europeia que revelou faz-nos recordar que Van Der Leyen viveu sob proteção policial na sua juventude, tendo de ir viver para Inglaterra – onde se licenciou em Economia – devido a ameaça da RAF (grupo terrorista de extrema-esquerda) contra a sua família, tendo, depois do seu regresso à Alemanha, feito um doutoramento em Medicina em Hamburgo.

Em todos os lugares por onde tem passado (foi Ministra de três pastas na Alemanha) tem promovido a paridade, como fez agora na Comissão. Apoiou a aplicabilidade das mesmas regras fiscais a casais heterossexuais e homossexuais, bem como direitos iguais de adopção para casamentos do mesmo sexo e votou favoravelmente no Parlamento a aprovação da lei que prevê a igualdade entre casamentos homossexuais e heterossexuais, tendo combatido a pornografia infantil.

Uma democrata-cristã tolerante, aberta ao mundo e do seu tempo (em profundo contraste com os políticos bota-de-elástico que dominam a cena portuguesa).

Nuno Vidal

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

Elvira Fortunato Vence Prémio Europeu pelo Primeiro Ecrã Transparente

A cientista portuguesa Elvira Fortunato foi hoje distinguida pela Comissão Europeia, com o Prémio Impacto Horizonte 2020, pelo Projeto “Invisible” (Invisível), que consiste no desenvolvimento do primeiro ecrã transparente a partir de óxido de zinco, um material semicondutor de baixo custo, não degradável e que produz melhores resultados, o óxido de zinco, que entra na composição de pomadas para bebés ou protetores solares.

O prémio, no valor de 10.000,00€ (dez mil euros) distingue projetos científicos financiados por fundos europeus e cujos resultados tiveram impacto na sociedade.

A investigadora e engenheira de materiais, que dirige o Cenimat – Centro de Investigação de Materiais da Universidade Nova de Lisboa, da qual é vice-reitora, foi a única portuguesa premiada, entre outros cientistas distinguidos de uma lista de 10 finalistas.
O anúncio dos cinco vencedores da edição 2020 do Prémio Impacto Horizonte foi feito hoje, dia 23 de setembro, em Bruxelas, Bélgica.

O Prémio Impacto Horizonte destina-se a cientistas que lideram projetos financiados pelo 7º Programa-Quadro (2007-2017) e pelo Programa Horizonte 2020 (2014-2020).
O projeto “Invisible” foi financiado em 2,25 milhões de euros pelo Conselho Europeu de Investigação, agência da Comissão Europeia que apoia a investigação científica, nomeadamente através de bolsas, tendo sido desenvolvido durante cinco anos, entre 2009 e 2014.

Recorde-se que a cientista Elvira Fortunato, tem raízes no concelho de Alcanena, sendo os seus pais naturais de Louriceira.

Retirado do Facebook | Mural Câmara Municipal de Alcanena

ALGÉRIE | Ami Mouloud, le plus ancien bouquiniste de la capitale | Yacine Bouzaher

Parce que, je ne l’ai pas oublié, parce qu’il incarne une Algérie, à jamais disparu, il est une figure de l’Alger que j’ai tant aimé, ou j’ai vécu mes émois aussi bien amoureux que littéraires et culturels. Il est parti, il y a 4 ans (un 24 décembre 2016) suite à une agression de 3 individus dont il ne sait pas remis. Ami Mouloud, le plus ancien bouquiniste de la capitale, présent à la rue Didouche Mourad depuis l’indépendance, Mouloud Mechkour dit Ami Mouloud.
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MA JOLIE MÔME , DEIXOU-ME | Júlio Isidro

Desculpem-me mas vou falar na primeira pessoa .
Juliette Greco era e continuará a ser uma paixão minha, sempre presente nos sonhos irrealizáveis de Paris nos anos 40, 50 por onde não andei porque as crianças não se podem perder nas ruas misteriosas e encantatórias da cidade -luz.

Aos 18 anos, sozinho em Paris, procurei os lugares da Diva de Negro na margem esquerda, à procura do Tabou ou do L’oeil de Boeuf espaços de cultura, amor e pecado onde a voz dos poetas cantava “Je suis comme je suis” e convivia com Camus, Boris Vian, Jean Cocteau ou Sartre que dela disse: – A voz da Greco tem milhões de poemas que ainda não foram escritos.

O menino tímido, ficou à porta do calor húmido de Chez Barbara, porque aqueles abraços e beijos de paixões aquecidas a Calvados ou Créme de Cassis, me inibiram.
Maldita educação/ domesticação trazida do país dos “bons costumes”.

Tantas vezes adormeci a ouvir Juliette a cantar Désabillez-moi e sonhei que cruzava os dedos naquela mão branca de mármore desta mulher de tantas canções e quase tantos amores.

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Feminismo | Ruth Bader Ginsburg | Maria João Pessoa

Quando a Ruth Bader Ginsburg era a única e a primeira mulher em tanta coisa. Quando a Ruth sabia que outras mulheres existiam anonimamente a serem a primeira e única em coisas tão simples como serem as pioneiras a fazerem um relatório financeiro na sua empresa, digno de merecer uma promoção, um aumento, um respeito. Quando a Ginsburg tinha em mente que jovens raparigas eram violentadas no seu corpo e na sua mente, ela sabia que tinha que chegar primeiro que homens aos lugares de decisão.

“Women belong in all places where decisions are being made. It shouldn’t be that women are the exception.”

A América, o mundo e eu acordamos com a sensação que morreu uma das feministas mais poderosas da sociedade contemporânea. Que é uma perda trágica. Que dadas as circunstâncias, estamos perdidas. A morte de Ruth Bader Ginsburg, a corda que parecia segurar a agora frágil democracia americana, parece abrir caminho a uma maioria conservadora que pode fazer recuar anos de progresso e engavetar o trabalho e mudanças e leis que, tanto a Ginsburg como milhares de mulheres americanas, lutaram para ser realidade e constância.

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Mayflower Day | September 16, 1620

Today is Mayflower Day.
Mayflower Day celebrates the date the Mayflower sailed from Plymouth, England to soon to become America. On September 16, 1620, 102 men, women, and children set sail from Plymouth, England. Their destination was the settlement in Virginia, where they could have religious freedom, and continue using their native language, culture, and customs. Every Mayflower Day, we commemorate these brave, early settlers. They were the very first immigrants, and helped to pave the way for millions more to follow, in search of freedom and the dreams and promises of a New World.
Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino 

The Art of Jack Vettriano ( Scottish painter, born 1951 ) | The Singing Butler, 1992.

The Art of Jack Vettriano ( Scottish painter, born 1951 ) – The Singing Butler, 1992.

The Singing Butler is an oil-on-canvas painting made by Scottish artist Jack Vettriano in 1992. It sold at auction in 2004 for £744,800, which was the record at the time for any Scottish painting, and for any painting ever sold in Scotland. Reproductions of The Singing Butler make it the best-selling art print in the UK.

The painting measures 28 inches (710 mm) by 36 inches (910 mm). It depicts a couple dancing on the damp sand of a beach on the coast of Fife, with grey skies above a low horizon. To the left and right, a maid and a man hold up umbrellas against the weather. The dancers wear evening dress: a dinner jacket and a red ball gown; the woman also wears long red gloves but appears to have bare feet. The butler is also formally dressed, while the maid wears a white apron and clutches her hat.

As a contemporary cultural icon, The Singing Butler has been compared to Grant Wood’s American Gothic. Vettriano has described the painting as an “uplifting fantasy” and chose the subject after being complimented on his paintings of beaches. He added the servants to balance the composition.

His work has been widely criticised by art critics, but is popular with the public. The Singing Butler has been criticised for its uneven finishing, inconsistent lighting and treatment of wind, and for the odd position of the dancers. The dancers’ pose is reversed from a normal closed dance hold. Usually, with the man leading, his left hand would hold the woman’s right hand, and he would place his right hand on or below the woman’s left shoulder blade, while she places her left hand on his right arm, just below the shoulder.

The original painting was sold at auction in August 2003 for £90,000, and then sold to a private collector in April 2004 for £744,800, a Scottish record at that time. After the painting was sold, it was reported that Vettriano had used an artists’ reference manual, The Illustrator’s Figure Reference Manual, as a basis for the figures (the female figure in the reference work is actress Orla Brady). Vettriano retorts that Francis Bacon had the same book in his studio, and that Picasso said that some artists borrowed but he stole.

Another version of the painting, Dancer in Emerald, omits the maid, while the female dancer wears a green dress. Both were included in Vettriano’s first London exhibition, God’s Children, at the Mall Galleries in October 1992.

The original painting of The Singing Butler was displayed at Aberdeen Art Gallery in February 2012, the first public exhibition for 20 years.

Courtesy Jack Vettriano https://www.jackvettriano.com/biography/

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Filipe Cruz

POSTAL DE FIM-DE-SEMANA | Francisco Louçã: uma história difícil | por Luís Osório

1.
Um texto difícil, uma memória que não me é fácil. Não por ser algo que esconda; na verdade os dois anos em que militei no PSR foram felizes e cobertos de experiências políticas, ilusões ideológicas e amorosas, desilusões. Mas prometi regressar a Francisco Louçã e cumpro agora o melhor que sei.

2.
Em poucas linhas: militei na extrema-esquerda trotskista entre os 19 e os 21 anos. Via Francisco, por todos conhecido como Chico, como a figura que desempenharia um papel na moralização da política portuguesa – os seus discursos eram poéticos e revolucionários; a sua superioridade retórica esmagava; as ideias e a capacidade de liderança indiscutíveis. Nunca se desviava do que considerava essencial, nunca passava noites no Bar das Palmeiras, sítio de reunião e divertimento dos jovens do PSR. Muitos bebiam cerveja, alguns fumavam haxixe e todos efabulavam sobre se estariam à altura da revolução quando e se ela chegasse. Ouvíamos Clash, Doors, Sex Pistols. Com o João Aguardela, vocalista e líder dos Sitiados, jovem banda ainda desconhecida, organizávamos na companhia do mítico José Falcão as movimentadas e inesquecíveis noites de um tempo que nunca esquecerei.

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Cinquentenário da morte de Salazar – A andropausa da ditadura e o caruncho | Carlos Esperança

Em 3 de agosto de1968, um inseto coleóptero atingiu a apoteose na cadeira que ajudou a desconjuntar. O caruncho foi o artífice da inestimável tarefa que marcou o início do fim do ditador, que vegetou ainda até ao dia 27 de julho de 1970. Faz hoje 50 anos.

Por mérito próprio ou ansiedade de um povo, o caruncho tornou-se o celebrado autor da queda da cadeira que arrastou o mais longevo ditador europeu do século XX. Ignora-se o número de anos e de insetos cuja vocação xilófaga os conservou no interior da cadeira onde o biltre repousava, no Forte de Santo António da Barra, em São João do Estoril, e, prostrado aos pés, um calista lhe tratava regularmente os calos.

Nesse dia, o sádico ditador tornou-se um decadente ator de comédia. Presidiu a supostos Conselhos de Ministros onde os cúmplices do seu último Governo iam como figurantes. Lentamente, foi-se esquecendo de quem era e dos crimes de que foi responsável.

As memórias do cruel massacre de Batepá, em S. Tomé; da pedofilia dos ministros que não permitiu julgar; das prisões, degredos, perseguições, demissões e assassínios de adversários; da tortura de presos e da tragédia da guerra colonial, foram-se esvaindo de um corpo já sem cérebro do tirano sem princípios.

A Pide, a Legião, a GNR e os Tribunais Plenários continuavam a funcionar; nas prisões, a tortura mantinha-se; nos jornais, a censura prévia permanecia; nas prisões políticas, os espancamentos, a tortura do sono, a estátua, as queimadelas de cigarros e eletrochoques não pararam. O País continuou a coutada de alguns. O analfabetismo e a mortalidade infantil e materno-fetal competiam com países do terceiro mundo. Nem os funcionários públicos tinham qualquer assistência médica ou medicamentosa, e eram injustificadas as faltas, por motivo de parto, às mães solteiras.

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MANTAS DE MINDE – JÁ TÊM PADRINHO | TIAGO GUEDES

 

 

 

 

Candidatura a uma das 7 Maravilhas da Cultura Popular – é apadrinhada pelo Minderico TIAGO GUEDES – director artístico do Teatro Municipal do Porto.
O Tiago Guedes foi aluno do Conservatório de Música e do Atelier de Dança do Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro, em Minde. É coreógrafo, licenciado em Dança, pela Escola Superior de Dança de Lisboa. É detentor de um curriculum de referência nacional e internacional.

Nota – o padrinho é a personalidade escolhida por cada um dos candidatos, com a missão de o representar, nos diferentes programas que a RTP irá transmitir. Deverá ser uma figura pública, com grande notoriedade nacional, de origem ou com fortes ligações à terra do candidato que vai defender. No nosso caso, o Tiago reune todas estas condições e é um Minderico de sangue e de coração.

https://www.facebook.com/mantas.deminde

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O PRIMEIRO GLOBO TERRESTRE | apelidado “Maçã do Mundo” | 20 de Junho de 1492

Em Nuremberga, no dia 20 de Junho de 1492, ou seja, algumas semanas antes da descoberta do “Novo Mundo”, o cartógrafo e navegador Martin Behaim conclui a construção do primeiro globo terrestre. Em colaboração com o pintor Georg Glockenthon, Behaim  construiu-o entre 1491 e 1493 aquando da sua permanência em Nuremberga, denominando-o  “Erdapfel”, ou seja, “maçã do mundo”. O original está hoje em exibição no Germanisches Nationalmuseum de Nuremberga e é uma das obras de arte mais descritas da Europa.

O Globo de Behaim, também conhecido como Globo de Nuremberga, seguiu a ideia de um globo construído por volta de 1475 para o papa Sisto IV, porém melhorando a representação e incluindo meridianos e a linha do Equador. Este globo, de cerca de 50 centímetros de diâmetro, encontra-se conservado na sua cidade natal.

A rotundidade da Terra, posta em evidência dois mil anos antes, não era já dúvida para ninguém. Entretanto, houve necessidade de mais meio século para compreender, a partir de Copérnico, que a Terra é que gira em torno do Sol e é só um planeta no meio de outros.

É certo que os Sumérios, devotados à astronomia e que viviam na Mesopotâmia 3 mil anos antes de Cristo, representavam a Terra como um disco chato pousado sobre um oceano sem limites.

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28 de maio de 1926 | Carlos Esperança

Há 94 anos teve lugar o golpe de Estado de que viriam a apropriar-se as pessoas erradas para a mais longa ditadura europeia.

O integralismo lusitano, o nacional-sindicalismo e a Cruzada Nun’Álvares tinham feito o caminho para que o nacional-catolicismo se transformasse no fascismo paroquial de Salazar, um professor da Universidade de Coimbra, sem mundo e sem visão de futuro.

Salazar foi o protagonista da longa ditadura que adiou Portugal. Ficou “orgulhosamente só” a liderar o país onde o analfabetismo, a mortalidade infantil, a tuberculose e a fome foram a imagem do regime, para acabar na tragédia da guerra colonial.

Salazar saiu da aldeia do Vimioso para o seminário de Viseu e, daí, para a Universidade de Coimbra onde dirigiu a madraça do CADC que havia de fornecer-lhe os quadros para a repressão que o manteve no poder. Não recebeu a tonsura no seminário, mas fez do País uma sacristia.

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Um pouco sobre as origens do nosso País | Jorge Alves

Bom dia, amigos. Se estiverem de acordo, vamos falar hoje um pouco sobre as origens do nosso País. Decerto todos ouviram falar do Condado Portucalense. Mas o que era exactamente esse condado? Como surgiu? E porquê essa designação? Alguns de vocês estarão decerto a pensar que surgiu com o pai de D. Afonso Henriques. Mas não. Surgiu muito antes. Mais de 200 anos antes. Uma ressalva – estamos a falar da Alta Idade Média, altura em que os textos existentes eram muito escassos. Para piorar ainda um pouco mais a situação, poucos chegaram até nós. Fazer um retrato do que se passou há tantos anos é um pouco como montar um puzzle às cegas. O que daí resulta é algo nebuloso e com pouco grau de certezas. Mas há algumas.

Sabemos, por exemplo, que onde se situa hoje a cidade do Porto já durante a ocupação romana havia então dois núcleos importantes – Portus, no que é hoje a Ribeira, e Cale, na Penaventosa, onde está o Morro da Sé. Com o passar dos anos, Cale expandiu-se e desceu até ao rio, de onde surgiu o topónimo Portucale. Erradamente, muita gente julga que Cale corresponderia à actual Gaia. Mal, já se vê. O texto mais antigo onde surge o topónimo Portucale é-nos apresentado pelo bispo galaico-romano Idácio de Chaves, que viveu no século V (há mais de 1.500 anos!) e que nos relata a desordem resultante da desagregação do Império Romano e de como tribos bárbaras vindas do Norte e do Leste da Europa se apossaram da Península Ibérica a partir do ano 408.

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Nietzsche e o cristianismo | in Revista Cult

Interessa ao filósofo não a verdade histórica, ou seja, o texto da verdadeira pregação do Cristo, mas a reconstituição de seu tipo psicológico.

Que possibilidades restam hoje para um diálogo entre Nietzsche e o Cristianismo? Tomemos a frase de O anticristo que, de imediato, nos lança no campo filológico das relações entre texto e interpretação: “Eu volto atrás. Conto a autêntica história do Cristianismo (des Chirstenthums). Já a palavra ‘Cristianismo’ (Christenthum) é um mal entendido – no fundo houve um único cristão, e este morreu na cruz. O ‘Evangelho’ morreu na cruz.”1.

O Cristianismo (Christenthum) é um mal entendido porque resulta de uma falsa interpretação do Evangelho, da vida de Jesus de Nazaré. “O ‘Evangelho’ morreu na cruz” – isso significa que o mal entendido consiste na fé cristã, tal como esta se apresenta no Cristianismo histórico. Desvirtua-se a Boa Nova de Jesus, considerando-a sob a óptica teológica do pecado, da culpa e do castigo; tomando-o como vítima expiatória de um sacrifício vicário.

Nietzsche estabelece uma oposição entre Christenthum (Cristianismo) e Christlichkeit e Christ-sein (respectivamente Cristianicidade e ser-cristão). O Cristianismo ‘oficial’ consiste na redução do Ser-cristão, da espiritualidade própria à Cristianicidade, a dogmas, fundamento da crença eclesiástica.

“Reduzir o Ser-cristão, a Cristianicidade a um ter-por-verdadeiro, a uma mera fenomenalidade da consciência, significa negar a Cristianidade. De fato não houve em absoluto cristãos. O ‘cristão’, aquilo que há dois milênios se chama cristão, é meramente um mal entendido psicológico.!”2?

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Campanha Green New Deal para a Europa | DiEM25

Vamos ter mais uma sessão de boas vindas para a nossa campanha do Green New Deal para a Europa (GNDE), na próxima sexta-feira, 22 de Maio, pelas 17h00 CEST (16h00 hora de Portugal). A sessão será em inglês.

Se estiveres interessado(a) em te juntares à equipa, mesmo que seja apenas uma ou duas horas por semana, esta sessão é uma grande oportunidade para conhecer melhor as ideias, princípios e estratégias da nossa campanha. É também uma boa oportunidade para falar com o coordenador principal da campanha e tirar todas as dúvidas sobre este tema.

O Green New Deal para a Europa é uma campanha internacional para uma transição rápida, justa e democrática para uma Europa sustentável. O nosso relatório descreve um plano pormenorizado para a Europa alcançar este objetivo — agora só temos de construir as bases para concretizarmos a mudança (ver aqui também o resumo em português).

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José Mariano Gago | Carlos Fiolhais

José Mariano Gago faria 72 anos neste sábado, 16 de Maio, o Dia Internacional da Luz por determinação da UNESCO. Vi-o pela última vez em 19 de Janeiro de 2015, em Paris, na sede da UNESCO, na cerimónia inaugural das celebrações de 2015 – Ano Internacional da Luz. Eu estava lá, como Comissário Nacional para o Ano da Luz, nomeado pela Ciência Viva, acompanhado pelo Pedro Pombo, da Universidade de Aveiro, um grande entusiasta dos lasers, Deve ter sido a última cerimónia pública.do José Mariano. Eu e o Pedro falámos com ele em conversa amena. No fim do painel sobre cooperação internacional em que participou comentámos as declarações da ministra da Ciência da África do Sul, sua parceira, sobre ciência e cooperação, a quem ele deu inteira razão: África precisava de mais ciência e de mais cooperação científica. O mundo todo precisava e África, que a Europa não tratou bem, precisava ainda mais.

Ele já estava doente, mas nós não sabíamos. Nada me fez prever que nunca mais o voltaria a ver. Faleceu daí a três meses, a 17 de Abril de 2015. Lembro-me bem pois a notícia me chegou quando estava a começar uma sessão sobre História da Ciência em Portugal no El Corte Inglês em Lisboa. A comoção foi geral. No livro que a Sociedade Portuguesa de Física publicou no final de 2015 (“Histórias da Física em Portugal no século XX”) deixei um depoimento curto mas sentido. Se Mariano Gago, a história da ciência entre nós teria sido diferente.

Gago tem uma curiosíssima ligação ao laser: o seu dia de aniversário, 16 de Maio, é precisamente o mesmo que o aniversário do primeiro laser visível (a data do Dia Internacional da Luz foi escolhido por essa razão). A 16 de Maio de 1960, quando Theodor Maiman acendeu o primeiro laser de rubi em Malibu, Califórnia, o José Mariano apagava doze velas do seu bolo de aniversário. Morreu inesperada e precocemente: como seria bom celebrar com ele, no Dia Internacional da Luz, os seus 72 anos.

Entre os prémios que mais gostei de receber foi o Prémio José Mariano Gago, da Sociedade Portuguesa de Autores, que partilhei com o José Eduardo Franco. Mariano Gago é para nós uma luz na demanda de um mundo com mais e melhor ciência, com mais e melhor cultura científica. Neste Dia da Luz, de Mariano Gago e dos cientistas portugueses, em tempos escuros que temos de iluminar, saibamos seguir o seu tão claro exemplo.

Carlos Fiolhais

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fiolhais 

Le Maghreb, Le Machrek et le Portugal | L’œcuménisme dans la vision grecque de la culture ouverte | Jorge Alves

“Le Portugal, pour des raisons historiques et géographiques, ne peut et ne doit pas ignorer l’héritage historique qu’il détient du Maghreb et du Machrek. Nous devons au moins le respecter. Pour une raison simple – il fait partie de notre ADN. Et, mes chers amis, que ce serait bien si nous ne gaspillions pas le capital de sympathie que nous avons dans le monde arabe! Comme je me souviens des regards brillants et pleins d’affection de ceux qui m’ont demandé d’où je venais, dans n’importe quel coin de la Syrie ou de la Palestine, quand j’ai répondu: Portugal.”

[ JORGE ALVES , journaliste ]


Étymologie | Le Maghreb et Le Machrek ( Wikipedia )

Le Machrek peut d’abord être défini par rapport au MaghrebMachreq signifie en effet Levant, par opposition à Maghreb qui veut dire Couchant. Le Maghreb désigne aujourd’hui un ensemble septentrional de l’Afrique, qui correspond aussi à la partie occidentale du monde arabe, entre le Maroc (dont le nom arabe a longtemps été Al Maghrib Al Aqsa, ou le couchant extrême, désormais abrégé en Al Maghrib) et la Tripolitaine (en Libye), en passant par l’Algérie et la Tunisie, voire par la Mauritanie. Quand la péninsule ibérique était sous souveraineté arabe, elle était aussi incluse dans l’appellation Maghreb, de même que Malte et la Sicile.


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