In vino veritas | Carlos Matos Gomes

In vino veritas. Isto é, o futebol destapa complexos. 

A alegria que vejo pela derrota da Inglaterra não resulta apenas de uma vulgar manifestação do velho complexo de inferioridade. É mais triste. É uma manifestação de masoquismo. Gostamos de ser pequeninos. Somos uns Calimeros.
Muitos portugueses exultaram com a derrota da Inglaterra e identificaram-se com a Croácia. Para esses, nós somos a Croácia, nação que, como se sabe, tal como nós e a Inglaterra, deu mundos ao mundo, navegou por todos os mares do planeta, levou a civilização europeia e a Europa a todos os continentes. Goste-se ou não do resultado, foi um feito histórico mundial, que nos devia fazer olhar os ingleses como iguais, e não os historicamente irrelevantes croatas (com o devido respeito, as coisas foram e são assim).
Os croatas têm, tal como nós temos uma língua falada nos 5 continentes? O inglês está ao nível do servo-croata, do catalão e do provençal! Não é? Parece que sim. 

Também foram os cruzados croatas que vieram auxiliar o rei Afonso Henriques a tomar Lisboa, e Silves, para constituir o território do que é hoje Portugal. E foram croatas que combateram ao lado das tropas daquele que seria o rei João I em Aljubarrota, claro. E a rainha Felipa de Lencastre, uma das mais importantes figuras da nossa história, mãe de Henrique o Navegador, e do que designamos por ínclita geração, por exemplo, era croata e não inglesa?

E também foram croatas os que vieram com Wellington, um general croata, lutar contra as tropas de Napoleão? Claro. E foram croatas que desembarcaram no Mindelo com os liberais do rei Pedro. E foi para a Croácia que se dirigiram os exilados portugueses anti-absolutistas no século XIX e, no século XX os antifascistas? E é aos engenheiros croatas que devemos a caldeira a vapor e o que se seguiu na revolução industrial. 

Deixemos a história. Cada um escolhe os seus referentes. Os croatas são o que são e desempenharam nela o papel que desempenharam. Merecem-me respeito, mas não identificação. Resta o prazer.
Que diabo, o barão de Forrester, tido como o inventor do vinho do Porto, não era croata, era inglês! E o uísque também não é croata. Há excelentes uísques ingleses! Nem os Beatles, nem os Monty Phyton! 

Quanto à final: sou adepto do champanhe, com ou sem ostras. De Cognac e Armagnac. E da trilogia da liberdade, igualdade e fraternidade. Também me merecem muito respeito os portugueses que morreram na França na Grande Guerra, os que lá se exilaram, os que para lá emigraram, lá vivem e trabalham.

Carlos Matos Gomes

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Poesias eróticas de Bocage: as falsas e as verdadeiras | por Adelto Gonçalves

I

Durante largos anos, a imagem de Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805) que ficaria para a posteridade seria a de um poeta erótico, pornográfico e chocarreiro. Nos últimos anos, porém, graças ao trabalho de estudiosos – inclusive, deste articulista –, essa imagem tem sido substituída por um perfil menos caricaturesco. Essa revisão ganha agora ainda mais força com a publicação de Obras completas de Bocage: Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas (Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2017), com organização e notas do pesquisador setubalense Daniel Pires, que reúne as composições de caráter fescenino do poeta, as de autoria duvidosa e as indevidamente atribuídas a ele, acompanhadas por estudo introdutório fundamental para uma melhor compreensão da dimensão do homem, da obra e do seu contexto.

Aliás, as Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas podem ser consideradas como o sétimo volume da obra completa de Bocage, depois de terem sido publicadas inicialmente de maneira anônima em forma de folheto no início do século XIX. Mas só foram, pela primeira vez integradas na obra completa de Bocage em 2004, na edição preparada pelo mesmo Daniel Pires para as Edições Caixotim, do Porto.

Nesta nova edição, porém, os poemas foram divididos por Pires em três núcleos: o primeiro contempla aqueles que são de Bocage, enquanto o segundo reúne aqueles de autoria duvidosa e o terceiro é constituído por peças que não lhe pertencem, mas que lhe foram atribuídas por editores pouco responsáveis ou ainda forjadas por seus inimigos, entre eles Belchior Curvo Semedo (1766-1838) e José Agostinho de Macedo (1761-1831), inclusive a famosa Ribeirada: poema em um só canto, de autor anônimo.

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Frases e expressões do povo no Brasil | Marcia Lailin Mesquita

NAS COXAS
As primeiras telhas dos telhados nas Casas aqui no Brasil eram feitas de Argila, que eram moldadas nas coxas dos escravos que vieram da Africa. Como os escravos variavam de tamanho e porte físico, as telhas ficavam todas desiguais devido as diferentes tipos de coxas.
Daí a expressão fazendo nas coxas, ou seja, de qualquer jeito.

VOTO DE MINERVA.
Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado pelo assassinato da mãe. No julgamento, houve empate entre os acusados. Coube a deusa Minerva o voto decisivo, que foi em favor do réu. Voto de Minerva é, portanto, o voto decisivo.

CASA DA MÃE JOANA
Na época do Brasil Império, mais especificamente durante a
menoridade do Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro, cuja proprietária se chamava Joana. Como esses homens mandavam e desmandavam no país, a frase casa da mãe Joana ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.

CONTO DO VIGÁRIO
Duas igrejas de Ouro Preto receberam uma imagem de santa como presente. Para decidir qual das duas ficaria com a escultura, os vigários contariam com a ajuda de Deus, ou melhor, de um burro. O negócio era o seguinte:
Colocaram o burro entre as duas paróquias e o animalzinho teria que caminhar até uma delas. A escolhida pelo quadrúpede ficaria com a santa. E foi isso que aconteceu, só que, mais tarde, descobriram que um dos vigários havia treinado o burro. Desse modo, conto do vigário passou a ser sinônimo de falcatrua e malandragem.

FICAR A VER NAVIOS
Dom Sebastião, rei de Portugal, havia morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas seu corpo nunca foi encontrado.
Por esse motivo, o povo português se recusava a acreditar na morte do monarca. Era comum as pessoas visitarem o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, para esperar pelo rei.
Como ele não voltou, o povo ficava a ver navios.

NÃO ENTENDO PATAVINAS
Os portugueses encontravam uma enorme dificuldade de entender o que falavam os frades italianos patavinos, originários de Pádua, ou Padova, sendo assim, não entender patavina significa não entender nada.

DOURAR A PILULA
Antigamente as farmácias embrulhavam as pílulas em papel dourado, para melhorar o aspecto do remedinho amargo.
A expressão dourar apílula,significa melhorar a aparência de algo.

SEM EIRA NEM BEIRA
Os telhados de antigamente possuíam eira e beira, detalhes que conferiam status ao dono do imóvel. Possuir eira e beira era sinal de riqueza e de cultura. Não ter “eira nem beira” significa que a pessoa é pobre, está sem grana.

O CANTO DO CISNE
Dizia-se que o cisne emitia um belíssimo canto pouco antes de morrer. A expressão canto do cisne representa as últimas realizações de alguém.

  O facebook também é cultura 

Marcia Lailin Mesquita 

Os Demónios Loucos que governam o mundo | Carlos Matos Gomes in “Medium”

(…) os comunicadores querem fazer-nos acreditar que um ser como o Trump, ou a May ou o pequeno Macron, estão inconsolavelmente preocupados com a saúde e as comodidades essenciais dos comerciantes de damascos sirios, dos vendedores de tecidos, dos velhinhos sírios, dos sírios de meia idade, os estudantes sírios! Eles amam desinteressadamente os sírios e a Síria!

Os recentes ataques à Síria, o anterior à Líbia, a invasão do Iraque, mas também a negação das alterações climáticas, ou ainda, para ir mais atrás, a ideia de um Povo Eleito, as invasões napoleónicas, ou a construção da Muralha da China e agora da do México, só para recordar alguns atos de dirigentes políticos ao longo dos tempos, levantam a questão da natureza racional e moral dos seres que ao logo dos século alcançaram o poder de governar os povos. Da racionalidade e da moralidade dos condutores da humanidade. Em linguagem maoista, da natureza dos nossos queridos lideres e também dos santos que adoramos.

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«Jardim das Pichas Murchas», São Tomé, Lisboa, Foto (e texto) da revista Timeout,15-3-2018.

Jardim das Pichas Murchas

Não é um jardim e não tem nada de murcho ou que possa murchar. Mas em tempos este pequeno largo na Rua de São Tomé, perto do Castelo, juntava a terceira idade do bairro em plena contemplação. Ora um calceteiro, de seu nome Carlos Vinagre, começou a chamar aquele sítio o jardim das pichas murchas, dada a quantidade de sistemas reprodutores ociosos que se sentavam naqueles bancos. O nome pegou, e nem mesmo uma tentativa da junta de mudar o nome demoveu os populares da zona que defenderam sempre este topónimo.», Timeout dixit.

Retirado do Facebook | Mural de André Freire

Fui ao “meu” centro de saúde | Inês Salvador

Fui ao “meu” centro de saúde. Não há médico de família para mim, porque não há médicos de família em número suficiente para a população abrangida por aquele centro de saúde. Têm então uma solução, que pelo nome me pareceu inventada pelo Ricardo Araújo Pereira: “médico de família para as pessoas que não têm médico de família”. Acontece que o “médico de família para as pessoas que não têm médico de família” está de baixa. Na melhor das hipóteses terei consulta lá para Janeiro, não sendo ainda possível marcar nada.

Agora vou-me perfumar, porque depois deste post de certeza que vou ganhar um beijinho do Marcelo e quero estar bem cheirosa para a fotografia.

Não há miséria estrutural nacional que não se resolva com um beijinho do Marcelo.

Quando eu tinha quatro, cinco anos comia bolachas Maria com manteiga. Às vezes, deixava cair a bolacha e a bolacha caia sempre com a manteiga para baixo. Então, apanhava a bolacha, dava um beijinho na bolacha e continuava a comer.

Percebo agora que aos quatro, cinco anos fui quase Presidente de uma República. Uma República de bolachas, mas uma República.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Hablemos de la independencia de Cataluña

Puigdemon viajaba en un avión y en el asiento de al lado iba una niña. Miró a la niña y le dijo:
—- dicen que los viajes de avión se hacen más rápidos charlando, ¿ te parece que hablemos?.
La niña le miró y cerrando el libro que tenía en sus manos, le dijo – ¿de qué le gustaría hablar?—-
Puigdemon respondió — ¿ te parece que hablemos de la independencia de Cataluña?–

–bueno– respondió la niña — pero déjeme antes hacerle una pregunta : — ¿ un caballo, una vaca y un ciervo comen lo mismo, o sea hierba, no?—

Sí– contesto el President.

—- pues bien, me puede explicar porque el ciervo caga bolitas…, la vaca hace una “plasta” y el caballo una pelota como de hierba seca…?.

Puigdemon, visiblemente sorprendido por la inteligencia de la niña y tras pensar un rato, dijo:
— pues no tengo ni idea —

A lo cual la angelical niña, le dijo:
— ¿ De verdad se siente cualificado para discutir sobre la independencia de Cataluña, cuando no puede ni opinar sobre una mierda?….

Retirado do Facebook | Mural de Luís Quintino

E foi tão bom, que os vizinhos acenderam um cigarro | Inês Salvador

Vou tentar comentar a sério as declarações da Cristina Ferreira. A sério, sem me rir, o que é difícil. Embora a Cristina Ferreira não queira saber das meus comentários para nada, e faz ela bem, atrevo-me a sugerir-lhe que, antes de escrever aquelas coisas, leia, pelo menos, Henry Miller: “Sexus”, Plexus” e “Nexus”. Podia ainda adicionar outras sugestões, mas a leitura deste monumento literário já chegaria para a Cristina não escrever “Quando chegares a casa quero que me comas contra a parede”, e, em vez desta patetice do “comer”, chamar os bois pelos nomes. É que “comer” é da família da queca e da pilinha, e de tudo o que remete a mau sexo. O que surpreende (a mim) é, não só a falta de qualidade da linguagem, que a Cristina quer picante, mas que lhe saiu só baixa e sem sal, de meia tesão, sem o obsceno, ainda que insinuado, que é a tesão toda, como a expressão de desejo quase a medo, de fantasia iniciática, pouco mais que adolescente, em clichês, como se estivesse a partir a loiça toda na expiação do motel, essa área de serviço reservada à experimentação de “coisas novas”, não exatamente novas, entenda-se, mas a estrear na prática para quem nunca as fez. E fiquei eu assim na surpresa desta descoberta da sexualidade numa moça que está a abrir as portas da meia idade. Moça ocidental, emancipada e independente, que disto tudo, ao menos, tem uma certeza:”devagar sabe melhor”. Bom, Cristina, velocidades à parte, não basta ter um Ferrari, é preciso saber guiá-lo, do contra a parede ao contra o tecto, é capaz de haver um bocado para andar… E foi tão bom, que os vizinhos acenderam um cigarro.

E, com esta qualidade de influência na opinião pública, nunca mais nos livramos dos 900 anos de recalcamentos que é a nossa História.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Há 1 ano | Uma memória | Inês Salvador

Estava aqui a olhar para o terror das imagens que puseram nos maços de cigarros e a lembrar-me de uma vez que estive em Birmingham com uns amigos. Chegámos ao hotel e tratamos de fazer o habitual check in. Um a um, iam perguntando se éramos fumadores ou não fumadores. Isto já foi há uns anos, no tempo que ainda se fumava dentro dos aviões, e a questão de ser ou não fumador, colocada ali, no check in de um hotel, era para nós uma novidade. Aos que se davam à morte, dizendo que eram fumadores, propunham um quarto para fumadores, pelo que cobravam uma taxa extra. Os meus amigos deixaram imediatamente de fumar. Ter de pagar uma taxa extra foi remédio santo para que ali, e imediatamente, ainda que de forma temporária, abandonassem o vício do fumo. Fui eu a única que, por uns “couple of pounds”, não abdiquei temporariamente de ser quem era, e disse que sim, fumo e quero um quarto para pessoas como eu. Chaves distribuídas, dirigimo-nos aos quartos. Era um hotel de charme e todo o cenário parecia de filme, com as típicas remodelações inglesas, de alcatifa sobre alcatifa a afundar os sapatos e as paredes revestidas a papel de parede sobre papel de parede, criando espessura, em estonteantes e imensas e pirosas estampagens, as alcatifas e o papel de parede, nada batendo certo com nada, mas tudo batendo certo com tudo. E lá fomos, ao longo do alegórico corredor encontrando a porta do quarto que nos estava reservado. Chegada a minha vez, entrei e todo um mundo de deslumbramento não me deixava fechar a boca. O meu quarto era belíssimo. Imenso. Podia correr-se lá dentro. As janelas eram enormes e davam para um jardim. A casa de banho era outro imenso quarto, com mais janelas enormes a dar para o mesmo jardim. E sem bidé, tipicamente sem bidé. Essa maravilhosa erotizante peça que os ingleses desprezam. Essa peça de maravilhosa fonética onde se refrescam os pipis. O desprezo dos ingleses pelo bidé sempre me fez desconfiar da sexualidade dos ingleses, mas isso seria outra conversa. E continuava distraída pela decoração que acumulava história, tudo era contemplação. Havia águas, frutas, cafeteira para chás e chás, rebuçados de mentol e uma infinidade de mimos e detalhes que me faziam pensar que podia ficar ali para sempre. Saí porta fora à procura dos meus amigos. O hotel era extraordinário, tínhamos de partilhar aquilo. Desatei a bater-lhes à porta e a desolação foi chegando. Os quartos deles eram feios, pequenos, escuros, acanhados. Mostrei-lhes o meu. Fomos todos à recepção saber se havia engano. Não havia. Os fumadores precisam de espaço, de ar, de janelas. É importante prevenir que não causem incêndios. Os fumadores fumam e depois têm sede, que fumar faz sede. Fumam e depois querem livrar-se do cheiro do tabaco e, por isso, num quarto para fumador, de tudo havia para resolver as necessidades de um fumador. Fomos todos para o meu quarto fumar e beber chá com vistas para o jardim e, ali, concluímos que fumar, afinal, era uma coisa boa.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Temos novela, falta um Molière | Carlos Matos Gomes

Em Portugal não há doentes imaginários. Em Portugal é considerado um insulto dizer a alguém que ele está com boa saúde. Ou que parece estar. A resposta é uma lista de achaques e de consultas marcadas para várias especialidades atirada à cara do energúmeno que ousou tal ofensa à doença. Os portugueses têm o maior armário da casa cheio de caixas de remédios. Acredito que muitos portugueses foram à escola apenas para lerem as bulas dos medicamentos. O medicamento é sagrado.
É, pois, compreensível a luta de vida ou morte dos edis e outros chefes locais para a sua terra albergar a sede da Agência Europeia do Medicamento. Oferecer a oportunidade dos eleitores se aviarem de pílulas e xaropes mesmo ali e por conta da Europa é eleição garantida. Ter farmacêuticos, analistas, médicos, aviadores de receitas vindos de Londres ao pé da nossa porta levará, com certeza, muitos dos nossos compatriotas a aprender línguas estrangeiras.
As eleições autárquicas, além das curas para as doenças, puxam sempre pelos brios regionais. O Porto quer a Agência em nome da descentralização – Biba o Porto e o Norte! Coimbra quer a Agência porque é o Centro e tem universidade. Aguarda-se a todo o momento que Vila Real, a Guarda, Viseu, Santarém e Beja apresentem as suas candidaturas em nome do Interior sempre preterido e despovoado em favor do Litoral. Têm todas as cidades a vantagem de bons ares, especialmente a transmontana Vila e a beirã Guarda. E haverá ainda que atender as zonas fronteiriças de Chaves, Vilar Formoso, Elvas, que poderiam servir os dois países vizinhos.
Temos novela, falta um Molière.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Poesia | Inês Salvador | José Luiz Sarmento Ferreira

Escrevem umas coisas que não entendem, sombreadas de palavreado arcaico e de aqui e ali, na tentativa falhada da vida em vernáculo, uma pífia imagem pornográfica e acham que estão a escrever poesia. As massas gostam. As lasanhas, as carbonaras, as pizzas e os raviolis, gostam. A gordura gosta do pífio. Os azeiteiros comem à mesma mesa. Alfabetizamos, a literacia não se cumpriu. Já os restaurantes italianos expandiram bem. Um alfabetismo obeso, sem educação do gosto. Por complexo, se não se entende é arte, se for estrangeiro é melhor.
Para as estrangeiras há um lote crescente de prestáveis moços a oferecer serviços. Um atropelo à circulação. Sou portuguesa e não estou de férias, não parecendo. Parecendo, estes moços são poesia pífia.
Os Miseráveis de Victor Hugo e os grotescos de Dickens, um scanner social.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Comentáro ao texto supra de José Luiz Sarmento Ferreira:

Há um mito nórdico sobre a origem da má poesia. A história pode ser encontrada na recolha feita por Neil Gaiman. Como dá muitas voltas, não a vou resumir aqui. Destaco apenas o final: Odin, tendo roubado o hidromel da poesia ao gigante que o tinha guardado e não o partilhava com ninguém, transforma-se em águia e voa para a residência dos deuses, onde Thor e os outros, que entretanto se tinham dedicado à construção de tonéis, estão à sua espera. O gigante espoliado persegue-o, também transformado em águia. Chegado a Aasgard, morada dos Aesir, Odin regurgita o hidromel para os tonéis; e é por isso que os homens têm hoje o dom da poesia. Mas a história tem uma coda: pouco antes de chegar a Aasgard, Odin solta pelo ânus uma bufa monumental e fétida que vai bater em cheio no bico e nos olhos do seu perseguidor. Este, desorientado, volta para trás e vai-se lavar no tonel que tanto se tinha esforçado por guardar mas está agora vazio. A água suja dessa lavagem ainda está no tonel do gigante. E é assim que sabemos ainda hoje, sempre que ouvimos um mau poema, com rimas forçadas, métrica coxa, léxico impreciso, ideias feitas ou metáforas despropositadas, de que tonel bebeu o poeta.

(…) numa rotação lasciva e desafiadora (…) | Inês Salvador

Tanto se está a falar da Madonna, pois vou contar uma história. Há uns anos, e já lá vão uns quantos, fui parar à área VIP da Moda Milão para assistir a um desfile “reservado”. Às tantas, todas as atenções estavam viradas para alguém que acabava de entrar, mas que de tão ladeada de seguranças, uns moços gigantes africanos muito bem-apessoados, mal se conseguia perceber logo quem era. O círculo de seguranças foi abrindo até deixar ver a pequena figura de uma mulher de pele branca, muito branca, muitíssimo branca, branca como ninguém quer ser, da cor das folhas de papel, das paredes caiadas. da neve e do açúcar. A pele imaculada, mas apertada para os pululantes tendões que se debatiam a cada passo com as veias azuladas da cartografia do tónus. O olhar, mais que os olhos, imparáveis mas lentos, numa rotação lasciva e desafiadora, que tudo parecia notar. Era a Madonna. Sorria, sorria sempre, parecia ver-nos a todos, parecia sorrir a todos. Firme e certeira, sentou-se no lugar que lhe estava reservado. A Madonna viu o desfile, nós vimos a Madonna.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

a revolução abanava as paredes e gritava-se viva la france | Inês Salvador

Em tempos, sempre que chegava a Primavera chegava o francês para passar uma temporada em casa da minha então vizinha de cima. Era a época em que o colchão da vizinha rangia das molas todas as noites. Caiam objectos, soltavam-se ais e gemidos, a revolução abanava as paredes e gritava-se viva la france com a bastilha a ser tomada várias vezes pela noite dentro. De manhã, calhava-me encontrar o francês no elevador e na circunstancial conversa lá arriscava “vacances?”, “oui”, respondia ele lascivo e meio desgrenhado de sorriso morno, como se a revolução ainda lhe estivesse no pêlo. Uma temporada, uma manhã, encontrei o francês no elevador e soltei o tradicional camarada de circunstância “vacances?”, “comme ci comme ça” foi tudo o que disse à procura de um ponto onde assentar os olhos. Nunca mais vi o francês.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Prémios | Carlos Matos Gomes

Prémios. Por muito que me custe, passo o dia e parte da noite a ouvir notícias sobre os bancos. Notícias de milhões, o BES e grupo de forcados associados torrou 10 mil milhões, o BPN do pobre Oliveira e Costa e família de amigos de Cavaco Silva, de 6 a 8 mil milhões, o BANIF de oque e amigos, um pouco menos, a Caixa um 3 ou 4 mil milhões de imparidades, o Montepio, o BCP, o BPI … Do que oiço e ouvi, todos os conselhos de administração, conselhos fiscais, mesas de assembleias gerais destas e doutras desnatadeiras receberam chorudos prémios de gestão… O Ministério Público não se interessa em saber se foi incompetência ou corrupção, a doutora Cristas, toda bem disposta diz que era de confiar e assinava de cruz, com os pés dentro de água e a pele a luzir de bronzeador. O público, como nas touradas grita Bravo e Olé!

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

“Poensia”, florinhas e gatinhos | Inês Salvador

Imagino que o máximo que pode acontecer naqueles perfis que estão numa relação, eventualmente com alguém, não especificam, depois estão solteiros, eventualmente com alguém, não especificam, depois estão numa união de facto, eventualmente com alguém, não especificam, depois estão outra vez numa relação, eventualmente outra vez com alguém, outra vez não especificam, depois “poensia”, florinhas, gatinhos, coisinhas lindinhas e outra vez gatinhos e pouco mais, que mais não especificam, se houver um golpe de estado ou coisa que o valha, não especificam e alteram a relação para “é complicado”.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

o dia da mulher | inês salvador

Fofinhos, talvez dizer-vos que hoje é dia da mulher, não é dia dos namorados, portanto, flores e florzinhas, bombons e pinchavelhos e almocinhos coisinhos… Enfim. Se o dia da mulher tem simbolismo e serventia, não é de certeza a de mais uma xaropada de objetificação do feminino.
Moças, não se passem por tolinhas por um molho de nabiças com pétalas. Amanhã está tudo na mesma, a pilha de roupa continua a ser a mesma para passar a ferro e no fim do mês a folha de ordenado não mente.
Sobre os presentes que se dão às mulheres, que os presentes insistem em ter destinatário no género, lembro-me de um programa que passou na tv há uns anos, em que um casal, cada programa um casal diferente, um homem e uma mulher, duas personalidades conhecidas, seguiam de carro conversando sobre as coisas dos homens e das mulheres e das relações entre eles. Tipicamente, os homens compareciam ao programa com flores para oferecer à mulher. Num dos programas, o casal convidado foi a Julie Sergent e o Otelo Saraiva de Carvalho, e o que o Otelo ofereceu à Julie Sergent foi um saco de alheiras.
Está bem, está bem, o Otelo e blá-blá, mas é nesta e noutras que se vê quem é capaz de alinhar na revolução.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Da auto-indulgência | Inês Salvador

Pessoas que não são gordas, estão é fortes, e não é fácil que enfraqueçam, derivado a passar fraqueza, porque são largas de ossos. Homens que não são gordos, têm é barriga… Se tirarem a barriga… Mas não tiram, e assim se mantém infinitamente magros com barriga, a mesma barriga que até já esteve maior, no verão passado, por exemplo, quase a fazer crer que já nem é barriga, mas apenas o umbigo que cresceu em metamorfose definitiva. E quase não comem, não comem nada, toda aquela carga é que se lhes foi colando aos ossos como um injusto bónus desta passagem pelo mundo que é vida.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Speedy Gonzalez | Carlos Matos Gomes

O que vai acontecer ao Speedy Gonzalez? Com a ideia do genial Trump levantar um muro entre o México e os Estados Unidos já alguém perguntou ao fanático Rasputine que o aconselha ou à madame que lhe trata da imagem o que vai acontecer ao Speedy Gonzalez? Ele pode passar o muro? Fica retido? É deportado? O que vai acontecer ao Speedy Gonzalez? Já alguém se lembrou do Speedy Gonzalez?

speedy

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Londres | A velha aliança e a oliveira secular | Carlos Matos Gomes

oliveira02Sou completamente a favor. Podemos ter muitas razões de queixa dos ingleses, mas devemos-lhe muito mais. Os cruzados ingleses auxiliaram Afonso Henriques a conquistar Lisboa aos mouros. Não é pouca coisa não termos de andar nas ruas de camisa de dormir, de estarmos proibidos de salpicões, febras, presuntos e principalmente de sandes de coiratos antes de ir à bola. As mulheres devem dar graças por poderem guiar automóveis e tomar banhos de sol na praia. Também foram cruzados ingleses que estiveram na conquista de Silves, que permitu nos anos 70 a vinda dos ingleses e inglesas para Albufeira e para o 7 e 1/2. Devemos-lhe a melhor rainha da história, Felipa de Lencastre. As empresas de caminhos de ferro, de telefones, de transportes publicos, a industria do textil do algodão, a derrota dos franceses, até as colónias lhes devemos. Devemos-lhe o Churchill ter tratado Salazar como o pobre diabo que ele era na segunda guerra… devemos-lhe o barão de Forrester, que inventou o vinho do Porto… eu devo-lhes ter tido um MG… aos vinte anos… até as aventuras hípicas de uma égua de 7/8 de sangue inglês. Por mim, tudo isto e algo mais que é do foro privado vale uma oliveira secular, que, tenho a certeza, os ingleses a tratarão muito bem.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Abnegação | Joaquim António Ramos

quitoOra aí está! Isto é que é abnegação! Isto é que é caridade cristã!
Cinco refugiados líbios encontraram refúgio num Convento do centro de Itália, em Junho do ano passado. As noviças decidiram, num gesto pleno de fraternidade e solidariedade, tomar nas suas mãos – e parece que em outras partes da respectiva anatomia – a satisfação das necessidades dos jovens magrebinos, fugidos da fome e da miséria e das tempestades mediterrânicas. Lavaram-nos, vestiram-nos, alimentaram-nos e, na ausência da madre superior, aplacaram-lhes os ardores do sangue.
A notícia não é clara quanto à Ordem das freiras, mas eu estou em crer que podia ser Carmelitas descalças, daquelas que trajam quase andrajos e andam de pés nus, em sinal de pobreza e despojo. Ora, ver um pé nu é, para um seguidor de Maomé o mesmo que ver um seio ou uma coxa ao natural. Faz o mesmo efeito! Como é que os desgraçados, com os últimos meses vividos entre uma barcaça no Mediterrâneo e um Convento em Itália, sem fêmea disponível, podiam resistir a um bando de pés nus, frescos em flor, a correr pelos claustros do convento, ainda por cima com a Madre Superiora a dormir fora? Só podia dar nisso.

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Fazer amigos ao estilo FACEBOOK | António Serra

nua02-200Actualmente, estou a tentar fazer amigos fora do Facebook… mas usando os mesmos princípios.
Todos os dias saio à rua e durante alguns metros acompanho as pessoas que passam e explico-lhes o que comi, como me sinto, o que fiz ontem, o que vou fazer mais tarde, o que vou comer esta noite e mais coisas.
Entrego-lhes fotos da minha mulher, da minha filha, do meu cão, minhas no jardim, na piscina, e fotos do que fizemos no fim de semana.
Também caminho atrás das pessoas, a curta distância, ouço as suas conversas e depois aproximo-me e digo-lhes que “gosto” do que ouvi, peço-lhes que a partir de agora sejamos amigos e também faço algum comentário sobre o que ouvi. Mais tarde, partilho tudo quando falo com outras pessoas.


E funciona…

Já tenho 3 pessoas que me seguem…
São dois polícias e um psicólogo.


P.S: Boas Festas e que 2017 seja um ano com muita saúde , repleto das maiores realizações pessoais e profissionais de todos os amigos ou não , que lerem ou não, este texto.

Retirado do Facebook | Mural de Antóno Serra

Nota: Foto selecionada pelo Coordenador do Blog

O Zalberto Catarino faz anos | hoje, 08 de Dezembro | Relembrando uma crónica em jeito de “Parabéns a Você” | Autor: Rudolfo Miguez Garcia

Em 27/10/2012 travou-se em Abrantes uma dura batalha contra uns lautos tachos de favas. Um dos valentes guerreiros foi o nosso amigo Zalberto Catarino, que hoje celebra o seu aniversário. Aqui fica a recordação com os desejos de muitos tachos na futura longa vida.

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Nova crónica não anunciada de um almoço anunciado. “Ataque ao Tacho”

27/10/2012 – Parque de São Lourenço – Abantes, por Rudolph Miguezz

“Estamos no ano da desgraça 02, depois de PPC. Toda a Lusitânia foi há muito tempo ocupada pelo invasor oportunista e bárbaro, cujo único desiderato é possuir um tacho.

Um grupo de irredutíveis Lusitanos, oriundos da Aldeia Gaulesa de La Salle, parte para a luta. Deixam o conforto e segurança das suas paliçadas e reúnem-se na região interior da Lusitânia, em AbraAntes. A palavra de ordem é resistir ao invasor, decidida e bravamente convencidos que o modo mais radical de acabar com os tachos, é comê-los e …obrá-los!

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Direitos Universais da Carneirada | in “mural de Facebook” de José Filipe da Silva

Olhai os poderosos do mundo e reflictam. É necessário estabelecer, desde já, os Direitos Universais da Carneirada.

1 – A carneirada deverá ter direito a pasto suficiente, para que não morra de fome;
2 – A carneirada deverá ter direito a um redil, de escolha do seu pastor;
3 – A carneirada tem direito a manter a cabeça sobre o corpo, independentemente do uso que lhe dá;
4 – A carneirada pode ser tosquiada, desde que lhe seja mantida lã suficiente para que não morra de frio;
5 – Ninguém poderá inibir o balir da carneirada, mesmo que haja total indiferença aos “més-més” e à interpretação dos mesmos;
6 – Mais do que um dever, é um direito do carneiro ser escolhido para imolação;
7 – Cada grupo de carneiros deverá ter direito a um cão pastor e “perceber” que ele está presente para sua protecção e segurança;
8 – Se o pastor tiver “patrões” ocultos a carneirada pode adorar esses “patrões” como se de o pastor se tratasse;
9 – A carneirada tem direito à procriação e à multiplicação do rebanho, desde que eduque os carneirinhos nos são princípios enunciados pelos pastores e de que não faça deles coisa sua;
10 – Sempre que a carneirada julgue ter razão poderá dar um “mês-més” mais altos, sem que nunca questione as soluções do pastor;
11 – A carneirada tem direito a um cantinho de pasto, desde que pague taxa de relva, taxa de ocupação de terra, taxa de rega, taxa de sol sobre a eira e taxa de ventilação de ar puro;
12 – É livre a circulação da carneirada, dentro dos limites do arame farpado definido pelos pastores;
13 – A carneirada tem o direito de escolher periodicamente o menos mau dos pastores e a fazer ensaios entre os mais improváveis para essa tarefa.

carneirada

Os “lambe-cus” | Elísio Estanque | in “Jornal Público”

ee_ri1(…) Mas a sua verdadeira recompensa está no próprio ato de lamber. Sem essa prática, constante e repetida, a sua existência não tem qualquer sentido. Eles são a contraparte da vontade de bajulação de personagens “importantes” cujos enormes umbigos – e as lambidelas diárias – os fazem sentir-se muito mais importantes do que realmente são.

No Portugal antigo, nos tempos da sociedade rural e do paroquialismo, era a “graxa” que dava “lustro” aos mais poderosos. Mais tarde surgiram os “lambe-botas”; e atualmente, é o tempo dos “lambe-cus”. A espécie não é obviamente um exclusivo do “habitat” lusitano. Mas não tenho dúvidas de que por cá ela germinou, floresceu e hoje multiplica-se a olhos vistos. Isto porque aqui encontra as condições ideais para a sua multiplicação. Os atuais lambe-cus são descendentes dos “lambe-botas”. Não deixa, no entanto, de ser curioso, e aparentemente paradoxal, que os lambe-botas (os pais dos lambe-cus) tenham sido tão combatidos, quase exterminados, com a restauração da democracia, e depois ressurgiram tão vigorosamente. À medida que o regime democrático se foi acomodando às suas rotinas burocráticas e, posteriormente, começou a ser corroído por dentro, eles brotaram das entranhas e estão agora por todo o lado. Digamos que a corrosão da democracia está em correspondência direta com o aumento dos lambe-cus. Porque será que isto ocorre e porque será que o país se tornou um “viveiro” tão fértil para esta espécie?

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A tragédia dentro da própria tragédia | Inês Salvador

Ines Salvador -200A tragédia dentro da própria tragédia: casais às compras que se tratam por “mor”

– Mor, ó mor, vais ali pesar as cenouras?
– Porra, mor, ’tás aí há meia hora a escolher cenouras!
– Pá, mor, ´tava a ver as meloas…
– Também queres que pese as meloas, mor?
– Não sei, mor, olhó abacaxi… Também ’tá bom…
– Mor, decide-te, ’tou com fome, quero ir jantar!

 Por Mor de Deus!

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Humor logo pela manhã | Inês Salvador

ines-200Quem são estas pessoas que, ao sábado de manhã, enxameiam o feed de imagens de jogging por campos verdejantes e orvalhados, fitness, work outs e afins em salas de ginásio e vistas de pés cansados à beira mar? Não sabem ficar em casa? Dormir a manhã na cama? Arrastarem-se para o sofá da sala e lá ficar a comer torradas a pingar manteiga? Com franqueza, há gente muito estranha.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Os “pilha galinhas” | José Filipe da Silva

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Reflexão histórica ::: Mandava El-Rei D. Pedro I, o Justiceiro ou o Cruel, aquele que padecendo de amores, deles não morreu… e sua majestade legislou, na “Ordenação sobre a tomada de galinhas”, que se proibisse, “tanto aos grandes como à própria casa real, que fossem comprados por preço inferior ao corrente, ou tomados à força, patos galinhas, leitões e outros géneros”. Estavam assim proibidos e identificados (as elites, os grandes, o poder político), em pleno século XIV, os “pilha galinhas” de Portugal. Não consta que esta legislação tenha sido revogada, garanto-vos que pesquisei abundantemente. Fica a questão, até quando o povo português terá que pagar milhares de milhões (das receitas dos seus impostos) para “salvar” bancos e “negócios públicos” geridos por “pilha galinhas”? É que é manifestamente contra a lei… 😉

Retirado do Facebook | Mural de José Filipe da Silva

Carta ao Ministro das Finanças | Joaquim António Ramos

quitoExmo Senhor Ministro das Finanças
Excelência:
Depois de ter percorrido várias Repartições de Finanças, de ter perdido grande parte dos meus ultimos dias em filas com senhas das mais diversas cores, sem conseguir resposta às minhas angústias fiscais,atrevo-me a vir junto de V. Excia para ser esclarecido sobre as novas regras que se anunciam para o IMI. Toda a gente diz que as vistas e a exposição solar vão agravar o IMI, mas ninguém sabe em que medida ou como minimizar o impacto. Por isso recorro a V. Excia. Passo a expôr:
1. Eu vivo numa casa que só tem vistas para um lado, e a paisagem que tenho à frente é o portal da igreja – bem bonito, por sinal…Se me pendurar na janela ainda consigo vislumbrar o pelourinho e a Câmara Municipal. Isto tudo virado a Nascente, logo com alguma exposição solar. De resto, a Sul dou logo de trombas com o muro do Padre, a Norte com uma casa que ardeu e a Poente com o muro dos Barretos, donde só saem pulgas, osgas e ratos, porque a casa está abandonada há uma porrada de anos. Consequentemente, em termos de vistas, dos quatro pontos cardeais, só o Oriente Próximo me aterroriza. Estou assim mais ou menos como a Europa.
2. Falando de vistas, pelo exposto em 1, e como a Igreja está isenta de IMI, pensei que esta isenção poderia alargar-se à minha fachada Nascente. Caso não seja este o entendimento do Fisco, posso fazer uma declaração com assinatura reconhecida e tudo, a jurar que fecho os olhos de cada vez que assomo a uma janela da fachada Nascente – arejo os quartos às apalpadelas – ou mesmo a trancar as janelas com protecções de madeira inamovíveis e a mandar demolir a varanda donde expio procissões e casamentos. Os senhores das Finanças poderão ir lá verificar. E de vistas estamos falados, pois não acredito que o muro do Senhor Prior, mais o dos Barretos e a casa ardida tenham atributos paisagísticos suficientes para me agravar o IMI.

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Isto do Euro foi bom… | Inês Salvador

Ines Salvador -200

Isto do euro foi bom, mas não foi assim tão bom. A euforia não chegou para postar nudes, nem uma ameaça de nude se viu. Nem umas maminhas a assomar no feed, nem um tronco nu de moço a cerveja exibiu por aqui. Parece que foi bom, mas não foi assim tão bom. É que, como sabemos, para ser bom, mesmo bom, tem de fazer tirar a roupa.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Champagne | morangos | “quelares” | por Inês Salvador

Ines Salvador -200A cada esquina há uma loja do indiano, de indianos, que está lá sempre um grupo deles e nunca são os mesmos. Uma espécie de lojas de conveniência, muito convenientes, abertas até à meia noite a vender um pouco de tudo. De tudo mesmo, e neste sentido não falta lá nada. Os morangos são ótimos. Em todas as lojas dos indianos há imensos morangos e são sempre deliciosos. Passando pelas lojas dos indianos, entrando nas lojas dos indianos, dá-se logo pelo cheiro dos morangos. Parece que os indianos são especialistas em vender morangos. Pena que não sejam também especialistas na venda de champagne. Champagne e morangos é uma boa definição do que a vida deve ser.

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Cartão de Cidadão | Inês Salvador

Ines Salvador -200Uma moça ser portadora de um cartão é sempre discriminatório, porque todo o cartão é gaijo no género. Para mim, a coisa bem feita era os gaijos passarem a ter cartona de cidadão. É que alterando-se o cidadão para cidadania, o mal continua lá, no cartão, que em gaija, assim de repente, não passa de cartolina.

Nestes inquietantes pensamentos tentei escrever um parágrafo sobre o que fosse e que pudesse não ser discriminatório no genérico e desisti. Já sabíamos que a língua portuguesa, sendo do género feminino, é machista, tal como uma lamentável e grande parte das mulheres portuguesas. Daria isto uma grande conversa a que agora não me disponho. Apenas digo que, se a “nossa pátria é a língua portuguesa”, ela é também causa, sinal e sintoma dos nossos inconscientes condicionamentos mais básicos. A luz ao fundo do túnel não é um comboio, é a paridade sexual.

Foi isto durante o meu jantar, olhei para a mesa e lá estava a postos a ferramenta, uma colher, uma faca e um garfo, e pensei, duas para um, isto é um threesome, que ganda maluca me saiu a cutelaria!

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

O Amor está no virtual | Inês Salvador

Ines - 200A gosta da foto de perfil de B
A gosta de mais uma foto de perfil de B
A gosta de várias fotos de perfil de B
A gosta de posts B
A gosta da página da empresa onde trabalha B
A comenta fotos e posts de B com elogios superlativos e graçolas e (im)pertinências dispensáveis
A gosta da foto de perfil de C
A gosta de mais uma foto de perfil de C
A gosta de várias fotos de perfil de C
A gosta de posts C
A comenta fotos e posts de C com elogios superlativos e graçolas e (im)pertinências dispensáveis
A tornou-se amigo D, E, F, H…
A gosta da foto de perfil de D
A gosta de mais uma foto de perfil de D
A gosta de várias fotos de perfil de D
A gosta de posts D
A comenta fotos e posts de D com elogios superlativos e graçolas e (im)pertinências dispensáveis
A foi bloqueado por B
B é agora amigo de C
A repete a receita com E, F, G, H…
A falou no chat com B, C, D, E, F, G, H…
I, J L, M, N sabem quem é A
A arrasta-se no alfabeto virtual da sua não existência.
A morreu de amor virtual.

Retirado sem autorização do Facebook | Mural de Inês Salvador

Inês Salvador | Mercado Biológico, Vegans e Paleolíticos

ines - 150Fui ao Mercado Biológico e ai que maravilha, por coincidência era tudo biológico! Carnes, peixes, mariscos, pão, bolos, fruta, vinhos, água, chás, cafés, detergentes, produtos para a higiene íntima, maquilhagem, etcetera, etcetera. Havia leitões que tinham largado os campos e feito maratonas para chegar à loja e desmaiar nas vitrinas ainda com as bolotas na boca, mexilhões que tinham vindo a cavalo em polvos, que percorreram a ciclovia na ponta dos tentáculos para caírem de cansaço dentro da arca frigorífica, perdizes que voaram para dentro da loja e foram sentar-se nas prateleiras dos congelados já depenadas, pães com os grãos de trigo e centeio ainda descascarem-se dentro da embalagens, água a correr da nascente mascarada de garrafa de plástico, óleos de todas as espécies e origens do que é oleoso, sacos de algas, sacos de lodo, sacos de tanta e tanta coisa, e sacos de papel reciclado para levar tudo.

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É mesmo, Schäuble? | Mariana Mortágua

marianamortagua1 - 150Verão de 2007. Portugal estava a banhos e descansava sobre um crescimento económico de quase 2,5%, a que se juntava o défice abaixo das exigências de Bruxelas e uma dívida de 68% do PIB.

Do lado de lá do mar, o sentimento era outro. O Lehman Brothers mostrava os primeiros sinais de instabilidade. Ainda assim, ninguém fez grande caso, até o banco apresentar perdas de 3900 milhões, deixando os mercados em estado de sítio. O resto da história já sabemos. O fim da bolha do imobiliário norte-americana deixou o sistema europeu em apuros, secou o financiamento à atividade económica e obrigou a gigantescos resgates com dinheiro dos contribuintes. As economias periféricas, mais frágeis, foram as primeiras a cair, assim que a loucura dos especuladores chegou às dívidas públicas. Sob a pressão das agências de rating, o financiamento dos estados ficou insuportavelmente caro, precisamente no momento em que era mais necessário. E, tudo isto, sob o olhar parado e indiferente do todo-poderoso BCE.

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A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário Ikea

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Hilariante, mordaz, um sucesso mundial traduzido para 36 países.

Estreia de Romain Puértolas é o maior fenómeno da literatura francesa atual.

A crítica foi unânime, também o foram os milhares de leitores: A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário Ikea, romance de Romain Puértolas, foi a grande surpresa da literatura francesa atual e chega finalmente às livrarias nacionais no dia 1 de setembro, numa edição Porto Editora.

Uma «pérola de humor» (Livres Hebdo), este é «o livro mais divertido do momento e, como se isso não bastasse, uma reflexão profunda sobre o destino dos imigrantes ilegais» (Radio RTL). Trata-se de uma aventura rocambolesca e hilariante passada nos quatro cantos da Europa e na Líbia pós-Kadhafi, uma história de amor efervescente, mas também o reflexo de uma terrível realidade: o combate travado por todos os clandestinos, últimos aventureiros do nosso século.

Romain Puértolas estará em Lisboa nos dias 10 e 11 de setembro e disponível para entrevistas.

 

Quando fores mãe, vais ver

Quando fores maeNo primeiro domingo de maio celebra-se o Dia da Mãe e, como nascemos sem o respetivo manual de instruções, aqui deixo uma sugestão para este dia. Uma leitura indispensável a todas as mães e a todos os filhos. Quando fores mãe, vais ver é um livro de Ana Saragoça, editado pela Planeta.

O Das Culturas falou com a autora.

– Como surgiu a ideia deste livro?
A ‘mãe’ da ideia foi a Ana Maria Pereirinha, editora da Planeta Manuscrito, que pretendia um livro bem humorado sobre as ‘mães à portuguesa’ e os ditos comuns a grande parte delas. Depois de ter visto A Mãe da Noiva, uma micropeça que escrevi para o Teatro Rápido, achou que eu era a pessoa certa para elaborar o conceito. Como alentejana e filha de alentejana, pareceu-me bem enriquecê-lo com um capítulo de ditos usados na minha família há gerações.

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O balde

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Um agricultor alentejano, já entrado nos anos, tinha uma bela barragem na sua  herdade.

Depois de algum tempo sem ir ao local, decidiu naquele dia ir dar uma olhadela geral para ver se estava tudo em ordem.

Pegou num balde para aproveitar o passeio e trazer fruta do pomar e, ao aproximar-se do lago, ouviu vozes femininas, animadas e divertidas.

Então viu um grupo de jovens a tomar banho no lago, completamente nuas.

Chegou mais perto e com isso, todas elas fugiram para a parte mais funda do lago, deixando apenas a cabeça fora de água.

Uma delas gritou: -Não saímos daqui enquanto o senhor não se for embora.

O alentejano, que não era burro, respondeu: – Calma meninas, eu não vim até aqui para as ver a nadar ou para as ver sair nuas do lago, e levantando o balde, disse:

-Eu só vim dar comida ao crocodilo…

(Idade e experiência sempre triunfarão sobre a juventude e o entusiasmo)

Bartoon II – Estreia no Teatro de Bolso de Setúbal

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O TAS, Teatro de Animação de Setúbal estreou ontem “Bartoon II”, inspirado nas tiras de Luís Afonso para o jornal Público e encenado por Carlos Curto.
“Após uma recolha e seleção de dez anos de publicações, foi estabelecida uma “trama” dramática, procurando respeitar em absoluto a essência e o espírito do autor.”

Os atores, caraterizados de forma particularmente feliz, contagiam a plateia com o humor típico do universo de Bartoon. Conversas dispersas, cheias de sarcasmo e com o particular sentido crítico português, onde uma ideia incompleta se pode sempre rematar com um definitivo: “Ah, pois!”.
A dinâmica em palco está bem conseguida e as representações colocam-nos, de forma convincente, perante os personagens das tiras criadas por Luís Afonso. Ficou-me apenas um reparo: a passagem entre quadros podia acompanhar melhor o ritmo do espetáculo.
Gostei particularmente da solução cénica encontrada para a abertura e fecho do espetáculo: brilhante.

Em cena no Teatro de Bolso de Setúbal.
Atores: Carlos Rodrigues, Duarte Vítor, José Nobre e Sónia Martins.

Saiba mais aqui.

Dia “D” de Drummond

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Carlos Drummond de Andrade tinha 28 anos quando conseguiu publicar seu primeiro livro, Alguma Poesia, em 1930. Foi uma edição modesta, paga pelo próprio autor. Essa obra, que tinha poemas como No Meio do Caminho, Quadrilha e Poema de Sete Faces, mudou os rumos da poesia no Brasil.

Num texto de 1958, Bandeira se pergunta: “Como chegou ele a tamanha destreza”? Em seguida, responde: “Conheço um pouco o segredo dele pela leitura de um livro seu que nunca foi publicado — Os 25 Poemas da Triste Alegria. O estilo do livro sabe àquela sutileza própria do Ronald-Guilherme, no modernismo incipiente”. O original dessa obra, de 1924, estava desaparecido.  Muitos chegaram a duvidar de sua existência. Há quatro anos, o poeta Antônio Carlos Secchin, conseguiu localizá-lo. Agora, com aval da família, pretende publicá-lo em versão fac-similar.

Os 25 poemas foram escritos no começo de 1920. Doze são inéditos, e os demais foram publicados, esparsamente, em jornais da época como o Diário de Minas. Nesse período, Drummond acabara de mudar-se para Belo Horizonte.  Foi nesse mesmo ano que o poeta pediu a Dolores para datilografar os 25 poemas. Ele mandou encadernar um único exemplar e o enviou para o amigo Rodrigo Melo Franco de Andrade, que morava no Rio de Janeiro, então capital da República, e tinha bons contatos que poderiam ajudar na publicação da obra. Nesses poemas, Drummond já usa o verso livre. Sua temática são as musas esvoaçantes, o anoitecer, a angústia pela passagem do tempo.

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Stand up: Quer o seu futuro bem ou mal passado?

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O Rui Zink e eu (Raquel Varela) fizemos os cálculos e achamos que o valor do PIB permite comer bifes todos os dias, mal-grado Isabel Jonet e Ulrich acharem que não aguentam ver a população a passar tão bem. Mas, como 8,5 milhões de portugueses ainda não foram a nenhuma manif, quisemos contribuir para os convencer, misturando 3 doses (des) equilibradas de verdade sobre as contas públicas, o absurdo da via para o empobrecimento e humor…porque na vida quem não ri das fraquezas vive claramente abaixo das suas possibilidades.

Vamos levar «Uma Modesta Proposta…», a qualquer canto de Portugal, dependendo claro do nosso tempo, do vinho que nos oferecerem ao jantar e da paciência dos portugueses – dizem as boas notícias que assim que os portugueses resolverem imitar os turcos ou os brasileiros, esta stand-up perde toda a oportunidade, facto que o Rui e eu não deixaremos de celebrar!

Raquel Varela, Historiadora, Investigadora do IHC (FCSH-UNL)
Rui Zink, Escritor, Professor FCSH-UNL
Design: Pedro Páscoa, Foto: Naoki Tomasini

CIÊNCIA | Universidade do Porto procura voluntárias para assistir a filmes com conteúdo sexual in “Jornal SOL”

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Pequenos filmes de conteúdo sexual e romântico vão ajudar investigadores da Universidade do Porto (UP) a medir a amplitude de pulsação e a vasocongestão vaginal das mulheres para realizar uma nova investigação sobre resposta sexual do género feminino.

O estudo experimental sobre “Preditores da resposta sexual feminina”, orçado em 90 mil euros e financiado pela Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT), vai medir o nível de excitação fisiológica nas mulheres com recurso a curtas películas cinematográficas com cariz sexual e com a duração de três minutos, explicou à Lusa Pedro Nobre, coordenador do SexLab’, o primeiro laboratório de investigação em sexualidade humana em Portugal, e o espaço onde vai decorrer a investigação.

“Vamos mostrar dois filmes sexualmente explícitos, para além de filmes neutros, que são documentários, e onde basicamente vamos querer testar algumas hipóteses que nos podem ajudar a explicar quais são os factores que determinam a resposta sexual”, informou, referindo que “o grande objectivo” deste estudo é perceber que “variáveis psicológicas” mais determinam, ou que são mais importantes, na determinação da resposta sexual em mulheres e homens”.

A investigação vai recorrer-se também de um “fotopletismógrafo vaginal”, ou seja, um instrumento que mede a vasocongestão e a amplitude de pulsação vaginal quando as mulheres estão a visualizar os filmes pornográficos.

Segundo Pedro Nobre, esta é a segunda fase de um estudo que já arrancou com voluntários homens entre os 18 e os 50 anos e cujo modus operandis foi idêntico ao estudo das mulheres, recorrendo a filmes de conteúdo sexual e ao “indium gallium gauge”, ou seja um medidor de tumescência peniana que avalia as mudanças na circunferência peniana.

Esta primeira fase foi financiada em 80 mil euros pela FCT.

Segundo Pedro Nobre, há estudos clínicos que têm mostrado que homens e mulheres com disfunções sexuais – disfunção eréctil nos homens e perturbações do desejo, excitação ou do orgasmo nas mulheres -, se explicam, de forma significativa, por causa de factores psicológicos, designadamente as crenças sexuais.

As crenças são uma das variáveis mais estudadas e o resultado de algumas experiências em laboratório mostram que as “mulheres e os homens que têm problemas sexuais têm crenças disfuncionais, ou seja, têm ideias sobre a sexualidade que são muitas vezes inadequadas, irrealistas, erradas, mas que não deixam de acreditar nelas e que por outro lado são muitas vezes crenças que predispõem o desenvolvimento de problemas sexuais”, afirmou o especialista, acrescentando que “quem tem mais crenças está mais em risco”.

O estudo “Preditores da resposta sexual feminina”, arranca este mês e conta para já com 30 mulheres voluntárias, maioritariamente jovens universitárias.

O SexLab está actualmente a angariar voluntárias entre os 18 e os 40 anos para participarem no novo estudo, e as voluntárias ganham, cada uma, 30 euros em vales de compras numa multinacional.

Lusa/SOL

Cavaco Silva e o insulto do cronista | Ferreira Fernandes in “Diário de Notícias”

“Uma coisa é chamar-lhe “burlesco” ou “cómico” ou qualquer outra palavra similar, tanto essas palavras estão – infelizmente, mas é assim – conotadas com os políticos. Mas o que o cronista disse ontem fere o homem público no âmago do que ele faz, desqualifica-o na sua função: “Sozinho, completamente sozinho, o dr. Cavaco Silva conseguiu arruinar a Presidência da República. A Presidência da República não tem hoje autoridade, influência ou prestígio”, foi dito por Vasco Pulido Valente, ontem, e publicado no Público.”

Ler mais:

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3238830&seccao=Ferreira+Fernandes&tag=Opini%C3%A3o+-+Em+Foco