Prémio PEN Clube de Ensaio 2012

Salazar e o Poder – A Arte de Saber Durar foi vencedor do prémio PEN Clube de Ensaio 2012.

Fernando Rosas deixa-nos uma visão lúcida e desprendida de atavismos morais. Bem documentado, este livro, espelha o trabalho de quem dedicou uma vida académica a este período da história de Portugal e sempre procurou saber como Salazar sobrevivera durante tanto tempo. Não o teria conseguido por recurso a um exercício excessivamente autoritário ou repressivo, mas por uma sábia conduta de quem conhece a verdadeira natureza dos portugueses e, tirando partido disso, se lhes impôs como líder desejado e providencial. Uma obra indispensável ao conhecimento deste período da história de Portugal que, nos dias de hoje, muitos gostariam de ver repetida.

leia mais no Acrítico – leituras dispersas

Francisco Louçã | Entrevista com Viriato Teles

contas_08flcProf. universitário, deputado e dirigente do Bloco de Esquerda. Tinha 17 anos em 25 de Abril de 1974 e vivia em Lisboa.
Os amigos gabam-lhe a afabilidade, o sentido de humor, a clareza do discurso, a boa educação. Os adversários vêem nele um político frio e calculista. Mas todos lhe reconhecem a inteligência superior, a competência política, a combatividade. É o único dirigente político a quem os correlegionários tratam pelo diminutivo: o Chico, o camarada que dirige sem precisar de ser secretário-geral ou presidente. Um entre iguais, porém diferente de todos os outros.
O que resta da extrema-esquerda de 74-75 está hoje maioritariamente encaixado nos gavetões do poder de alterne: uns foram ministros, outros esperam vir a ser, e os que optaram por ficar de fora estão regra geral esquecidos e silenciados. Francisco Louçã é um sobrevivente, e é mais do que isso: é também o responsável pelo abanão político que nos últimos anos do século XX evitou o marasmo absoluto em que ameaçava afundar-se a Esquerda portuguesa.

Ler mais:  http://www.viriatoteles.com/net/livros/contas-a-vida/francisco-louca (FONTE)

Lettre de Paul Newman à sa femme Joanne Woodward : « Etre heureux dans son mariage n’arrive pas par hasard. »

Il y a 5 ans, en octobre 2008, décédait le mythique Paul Newman, acteur aux visages multiples, il fut notamment remarqué pour sa performance incendiaire dans le film La chatte sur un toit brûlant et plus tard dans Les Sentiers de la Perdition. Si son regard bleu a marqué l’histoire du cinéma, l’acteur lui n’avait d’yeux que pour sa femme Joanne Woodward. Mariés en 1958, les deux époux ne se sont plus quittés jusqu’à la mort de l’acteur. Le jour de son mariage, Paul Newman écrivait cette lettre touchante et émouvante à sa femme où il explique sa vision du mariage idéal.

Newman

1958

Être heureux dans son mariage n’arrive pas par hasard. Un bon mariage se construit. Dans l’Art du Mariage, les petites choses sont les choses importantes. C’est n’être jamais trop vieux pour se tenir par la main. C’est se souvenir de dire “Je t’aime” au moins une fois par jour. C’est ne jamais se coucher fâchés. C’est ne jamais considérer l’autre comme acquis, la séduction ne s’arrête pas après la lune de miel; elle doit se poursuivre à travers les ans. C’est avoir les mêmes valeurs et des objectifs communs. C’est affronter le monde ensemble. C’est former un cercle d’amour qui rassemble la famille entière. C’est faire des choses l’un pour l’autre, non pas par sens du devoir ou du sacrifice, mais avec joie. C’est dire combien on apprécie l’autre et montrer sa reconnaissance par de petites attentions. C’est ne pas voir son mari comme un saint ni donner des ailes d’anges à son épouse. C’est ne pas chercher la perfection chez l’un et l’autre. C’est cultiver la flexibilité, la patience, la compréhension et le sens de l’humour. C’est être capable de pardonner et d’oublier. C’est créer un climat où l’un et l’autre peuvent évoluer. C’est trouver une place à la spiritualité. C’est une recherche commune de bonté et de beauté. C’est établir une relation où l’indépendance est partagée, où la dépendance est mutuelle et l’obligation réciproque. Ce n’est pas seulement épouser le partenaire idéal mais aussi être le partenaire idéal.

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CAVE CANEM | Mário de Carvalho

No Século V A.C. houve em Atenas um político e militar brilhante, ambicioso e destituído de escrúpulos chamado ALCIBÍADES, que estava a cair em desgraça. Tinha um cão caríssimo, enorme, bonito. Certo dia, mandou cortar a cauda ao cão. Toda a gente se indignou e na cidade não se falava de outra coisa: «Óptimo! É o que eu queria» – disse o cínico Alcibíades aos amigos. «Enquanto falarem do cão, não falam de mim. MdC

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Por onde entrar no labirinto de Gonçalo M. Tavares? | Anabela Mota Ribeiro

Por onde entrar no labirinto de Gonçalo M. Tavares? Vários acessos, vários percursos. Vários livros, vários personagens. É um autor prolífico. Nos últimos meses, editou o ambicioso Viagem à Índia, Matteo perdeu o Emprego e novo livro da série dos senhores. Editou dezenas de livros, nos últimos nove anos.

É um homem genial, a chegar aos 40, reconhecido já como um dos grandes escritores de língua portuguesa do século XXI. Editado no mundo todo, recebe críticas elogiosas nos grandes jornais e revistas. Recentemente, Aprender a Rezar na Era da Técnica foi apontado como o melhor romance estrangeiro editado em França. Uma honra, diz ele. Em França dizem frequentemente que é o Kafka português.

Ler mais aqui:  http://anabelamotaribeiro.pt/62336.html

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Citando Luís Salgado de Matos

(…) temos hoje uma dívida pública de cerca de 125% do PIB. Porque não nos emprestam mais, abaixo de 7% ao ano? Vejamos o caso do Reino Unido: a sua dívida pública é 170% do PIB e consegue que lhe emprestem a 2% ao ano. Apesar de em termos relativos a dívida britânica ser muito maior do que a nossa, os britânicos conseguem empréstimos a baixo juro e nós não. (…)

http://oeconomistaport.wordpress.com/2013/10/29/o-oe-2014-e-as-verdades-da-economia/ … (FONTE)

Dia “D” de Drummond

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Carlos Drummond de Andrade tinha 28 anos quando conseguiu publicar seu primeiro livro, Alguma Poesia, em 1930. Foi uma edição modesta, paga pelo próprio autor. Essa obra, que tinha poemas como No Meio do Caminho, Quadrilha e Poema de Sete Faces, mudou os rumos da poesia no Brasil.

Num texto de 1958, Bandeira se pergunta: “Como chegou ele a tamanha destreza”? Em seguida, responde: “Conheço um pouco o segredo dele pela leitura de um livro seu que nunca foi publicado — Os 25 Poemas da Triste Alegria. O estilo do livro sabe àquela sutileza própria do Ronald-Guilherme, no modernismo incipiente”. O original dessa obra, de 1924, estava desaparecido.  Muitos chegaram a duvidar de sua existência. Há quatro anos, o poeta Antônio Carlos Secchin, conseguiu localizá-lo. Agora, com aval da família, pretende publicá-lo em versão fac-similar.

Os 25 poemas foram escritos no começo de 1920. Doze são inéditos, e os demais foram publicados, esparsamente, em jornais da época como o Diário de Minas. Nesse período, Drummond acabara de mudar-se para Belo Horizonte.  Foi nesse mesmo ano que o poeta pediu a Dolores para datilografar os 25 poemas. Ele mandou encadernar um único exemplar e o enviou para o amigo Rodrigo Melo Franco de Andrade, que morava no Rio de Janeiro, então capital da República, e tinha bons contatos que poderiam ajudar na publicação da obra. Nesses poemas, Drummond já usa o verso livre. Sua temática são as musas esvoaçantes, o anoitecer, a angústia pela passagem do tempo.

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Lettre de Lou Reed à Delmore Schwartz : « Je voulais écrire. Une phrase aussi bonne que l’une des vôtres. »

Lou Reed s’est éteint le dimanche 27 octobre 2013, à l’âge de 71 ans. Figure mythique de la musique et des cultures de l’underground, star presque malgré lui, ce compositeur-chanteur-guitariste d’exception, fondateur des Velvet Underground, qui créa les immortels Take a walk on the wild side, Vicious, Perfect day ou encore Satellite of love, était un féru de littérature. Prince du punk et du rock, il doit sa passion poétique, son amour des mots, l’amenant à écrire des recueils de poèmes et à consacrer l’une de ses dernières tournées à lire en public Edgar Allan Poe, à son professeur de littérature, le poète Delmore Schwartz. En hommage à ces deux personnages, voici la lettre posthume de l’élève au maître : une exclusivité deslettres !

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1er juin 2012

Ô Delmore, comme vous me manquez. C’est vous qui m’avez insufflé l’envie d’écrire. Vous êtes le meilleur homme que j’aie jamais rencontré. Vous saviez saisir les émotions les plus profondes avec les mots les plus simples. Vos titres étaient plus que suffisants pour éveiller en moi des muses enflammées. Vous étiez un génie. Maudit.

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Filósofo Habermas alerta para exigência dos cidadãos de uma “democracia directa”

Para o filósofo, “no caso da pós-democracia, a perceção é que os governos não só perderam a vontade como também a força para intervir de modo a alterar o estados dos mais desfavorecidos”.
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O filósofo alemão Jurgen Habermas afirmou hoje, em Lisboa, que no mundo ocidental há uma apatia e um distanciamento em relação aos políticos e há uma exigência, por parte dos cidadãos e grupos de protesto, de uma democracia direta.

A convite da Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito de uma conferência internacional sobre educação, o teórico alemão, de 84 anos, falou sobre democracia na Europa, sobre a “transnacionalização” democrática perante a crise na zona euro.

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Pianist Maria João Pires panics as she realises the orchestra has started the wrong concerto…

By  | The Telegraph |  October 26th, 2013

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This is quite extraordinary. The wonderful Maria João Pires is ready to play a Mozart piano concerto with the Amsterdam Concertgebouw conducted by Riccardo Chailly, only to hear the orchestra begin playinganother Mozart concerto – no 20 in D minor, K466, not what she was expecting or had prepared for. Can you imagine her horror? You’ll have to watch the film below to find out what happened next.

Breve tratado sobre a felicidade como doença | Paulo José Miranda

“o medo comporta-se no organismo humano como um alienígena; o organismo humano não consegue sintetizar o medo; o medo é um organismo independente dentro do organismo humano; nada o sintetiza, nada o assimila, nada o expele; o medo não é um produto do cérebro humano ou de qualquer órgão; o medo é uma outra vida dentro de nós.O medo entra em nós pela incapacidade de aceitar os outros; o medo é o outro dentro de nós, o outro que não se quer; o medo é como que a solidificação da incompreensão dentro de um humano.”
Paulo José Miranda – [breve tratado sobre a felicidade como doença]

O que faremos se o sistema já não conseguir criar trabalho? | Anselm Jappe in “Jornal Público”

jappe10No capitalismo, é a relação com o trabalho que nos define, diz o filósofo Anselm Jappe, em Lisboa a convite do Teatro Maria Matos. Mas o sistema é um “castelo de cartas que começa a perder peças”. E é tempo de repensar o conceito de trabalho.

O capitalismo distorceu a ideia de trabalho, desligando-a das necessidades reais da sociedade. Trabalhamos a um ritmo cada vez mais acelerado apenas para alimentar a lógica do sistema. Mas este parece ter entrado numa rota de autodestruição porque, com a exclusão de cada vez mais gente do mercado de trabalho, há também cada vez mais gente excluída do consumo, afirma o filósofo Anselm Jappe, nascido em 1962 na Alemanha e que hoje vive entre França e Itália.

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A HOMENAGEM A TODAS AS MÃES | Aguarela de Mestre Alfredo Roque Gameiro “O retrato de sua Mãe”

Obra Prima

Quem vê o que fizeste, o que criaste
E admira tanta cor, tanta beleza,
De encanto há-de pensar que a Natureza
Te deu algo de seu… ou lho roubaste,

Pois é tão belo tudo o que pintaste,
Tão inocente em sua singeleza
Que a nossa gente, a gente portuguesa
Se dá em crer que tu a modelaste;

Mas para mim, em toda a profusão
Da tua obra, um quadro, é evidente,
Os olhos mais convida a toda a gente:

Aquele em que o amor e a inspiração
Te deixaram pintar, como ninguém,
Uma mulher de Minde… a tua mãe.

Francisco Madeira Martins

mãe

Lettre de François Mitterrand à Marie-Louise, sa fiancée : « Mon bonheur ne dépend que de toi, et je ne suis pas malheureux de constater ma dépendance »

François Mitterrand, figure incontournable, aussi adulée que détestée de la société française, a fait couler beaucoup d’encre. Si sa vie intime et publique a été révélée au grand jour par de nombreux témoignages, scandales, et autres publications sulfureuses, si son passé est empreint de polémiques, il est un visage de Mitterand qui reste méconnu : l’amoureux. En pleine seconde guerre mondiale, François Mitterand est fiancé à une certaine Marie-Louise Terrasse, qui deviendra par la suite Catherine Langeais, présentatrice de télévision qui fera date. Le goût de la littérature et l’amour ont enivré l’intrépide Mitterand dans cette lettre pour le moins surprenante à sa Dulcinée.

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5 mars 1940

Ma fiancée chérie, tu le vois, j’ai peine à me séparer de toi. D’un seul coup, ce vide où je suis précipité loin de toi, m’effraie. Et je tente de continuer notre conversation. J’essaie de croire que tu es là et que tu m’entends. Ce qui rend une lettre si difficile, c’est qu’elle ne peut tenir compte du silence : près de toi, les paroles sont douces, mais pas nécessaires ; il semble que je puis t’exprimer aussi bien mon amour en me taisant. Comment rendre avec des phrases ce qui est si terriblement simple ? Comment te dire je t’aime alors que je le sens si profondément ?

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