A arrogância do futebol brasileiro | Fernando da Mota Lima

Alguém teve acaso a curiosidade de ler as frases escritas na fachada dos ônibus das seleções participantes da Copa do Mundo? O que atraiu minha curiosidade foi ver na quarta-feira numa reportagem do Jornal Nacional, ainda sobre a humilhante derrota do Brasil para a Alemanha, a que escolheram para o ônibus da seleção brasileira: “Preparem-se! O hexa está chegando!” Cotejei-a com as das demais seleções. Quase todas invocam o espírito de orgulho nacional, unidade nacional, exaltação mítica da nação, espírito competitivo e guerreiro, valores enfim previsíveis em um contexto de competição esportiva entre nações.

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Dia “D” de Drummond

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Carlos Drummond de Andrade tinha 28 anos quando conseguiu publicar seu primeiro livro, Alguma Poesia, em 1930. Foi uma edição modesta, paga pelo próprio autor. Essa obra, que tinha poemas como No Meio do Caminho, Quadrilha e Poema de Sete Faces, mudou os rumos da poesia no Brasil.

Num texto de 1958, Bandeira se pergunta: “Como chegou ele a tamanha destreza”? Em seguida, responde: “Conheço um pouco o segredo dele pela leitura de um livro seu que nunca foi publicado — Os 25 Poemas da Triste Alegria. O estilo do livro sabe àquela sutileza própria do Ronald-Guilherme, no modernismo incipiente”. O original dessa obra, de 1924, estava desaparecido.  Muitos chegaram a duvidar de sua existência. Há quatro anos, o poeta Antônio Carlos Secchin, conseguiu localizá-lo. Agora, com aval da família, pretende publicá-lo em versão fac-similar.

Os 25 poemas foram escritos no começo de 1920. Doze são inéditos, e os demais foram publicados, esparsamente, em jornais da época como o Diário de Minas. Nesse período, Drummond acabara de mudar-se para Belo Horizonte.  Foi nesse mesmo ano que o poeta pediu a Dolores para datilografar os 25 poemas. Ele mandou encadernar um único exemplar e o enviou para o amigo Rodrigo Melo Franco de Andrade, que morava no Rio de Janeiro, então capital da República, e tinha bons contatos que poderiam ajudar na publicação da obra. Nesses poemas, Drummond já usa o verso livre. Sua temática são as musas esvoaçantes, o anoitecer, a angústia pela passagem do tempo.

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Brasil – Patrícia Melo

Crédito/foto: Bel Pedrosa

Crédito/foto: Bel Pedrosa

Patrícia Melo publicou seu primeiro romance Acqua Toffana em 1994, pela Companhia das Letras, obtendo grande reconhecimento da crítica e do público.

O Matador, seu segundo romance, publicado em 1995, também pela Companhia das Letras, firmou o lugar da autora na moderna literatura brasileira. O romance foi publicado na França (Albin Michel, 1996), Itália (Feltrinelli, 1996), Inglaterra (Bloomsbury, 1997), Espanha (Ediciones B, 1997), Holanda (Wereldbibliotek, 1997), Noruega (Aschenhoug, 1998), com excelente repercussão.

Com O Matador, Patrícia Melo foi indicada, em 1996, para o Prix Femina (um dos prêmios literários mais importantes da França) e conquistou os prêmios Deux Océans (França, 1996) e Deutscher Krimi Preis (Alemanha, 1998).

O Matador foi relacionado pela revista World Literature Today como um dos melhores romances publicados na década de 90 no Brasil.

Em 2000, a revista Time Magazine inclui-a entre os cinquenta “Latin American Leaders for the New Millenium”.

Patrícia Melo também é dramaturga, tendo adaptado A Doença da Morte de Marguerite Duras, que recebeu quatro indicações para o prêmio Mambembe (Brasil, 1987). A autora escreveu a peça Duas Mulheres e Um Cadáver, que esteve em cartaz em 2000 e 2001 no Rio de Janeiro e em São Paulo, com as atrizes Fernanda Torres e Débora Bloch nos papéis principais. A peça foi um grande sucesso de público e crítica.

Patrícia Melo também é roteirista de TV e Cinema, foi responsável pela adaptação de O Caso Morel e Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca, dirigido por Flávio Tambelini e que recebeu o prêmio de melhor roteiro no festival de cinema de Miami em 2001.

Foi roteirista de O Xangô de Baker Street, de Jô Soares (com direção de Miguel Farias) eCachorro!, inspirada na obra de Nelson Rodrigues (dirigido por José Henrique Fonseca, produzido pela Conspiração Filmes).

Seu livro O Matador foi adaptado para o cinema, com o roteiro de Rubem Fonseca, direção de José Henrique Fonseca e produção da Conspiração Filmes. Murilo Benício e Claudia Abreu são protagonistas do filme, que esta em fase de montagem.

A autora publicou seu terceiro romance, Elogio da Mentira, em Maio de 1998, também pela Companhia das Letras. O livro foi editado na Inglaterra (Bloomsbury), Alemanha (Klett-Cotta), Estados Unidos (Bloomsbury / USA), Espanha (Grijalbo Mondadori), Holanda (Wereldbibliotek), França (Actes Sud), Portugal (Campo das Letras), Itália (Fanucci), Finlândia (Albert Bonniers Forlag) e China (Choice), entre outros países.

Em setembro de 2000, publicou Inferno, pela Companhia das Letras. O livro que conta a saga de um traficante de drogas, foi publicado no mundo interiro e recebeu, no Brasil, o prêmio Jabuti, na categoria de melhor romance.

Em Outubro de 2001, a revista Time publicou o artigo “The Murder Business” de sua autoria.

Seu romance Valsa Negra, que trata a questão do ciúmes, foi lançado em 2003 pela Companhia das Letras, e traduzido para diversos idiomas. Na Inglaterra, onde foi editado pela editora Bloomsburry, o livro indicado para o IMPAC Award (2005).

Em 2005, a atriz Carolina Ferraz estreou sua peça do O Rim, sob a direção de Elias Andreato, com temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e São Paulo.

O romance Mundo Perdido, que traz de volta o personagem protagonista do Matador foi publicado pela Companhia das Letras em 2005 e seu último romance Jonas, o copromanta, também da Companhia das Letras, editado no ano passado, está para ser lançado em Portugal pela editora Campo das Letras. Este último foi indicado para o prêmio Telecom Portugal.

Em 2008, sua peça A Ordem do Mundo, foi encenada pela a atriz Drica de Moraes, com direção de Aderbal Filho.

Atualmente, Patrícia vive entre Brasil e Suíça, e escreve seu novo romance.

FONTE:  http://pnetliteratura.pt