Novas Cartas Portuguesas Entre Portugal e o Mundo

Nova Cartas Portuguesas Entre Portugal e o MundoNovas Cartas Portuguesas, de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, tiveram em Portugal e no resto do Mundo.

Organizado por Ana Luísa Amaral e Marinela Freitas, inclui depoimentos e traduções de inúmeros artigos publicados na Imprensa estrangeira, entre eles, o de Simone de Beauvoir.

Novas Cartas Portuguesas Entre Portugal e o Mundo tem como objectivo mapear o impacto e a recepção nacional e internacional do livro (Novas Cartas Portuguesas) relevando a repercussão que ele teve na academia, no trabalho de outros autores (escritores, dramaturgos, actores, tradutores, etc.) e na sociedade em geral.”

Ana Luísa Amaral, in Introdução

 

Meninas, de Maria Teresa Horta

MeninasDo fabuloso monólogo de Lilith num paradisíaco ventre materno, primeiro conto deste volume, até «Estrela», que fecha o livro, numa violenta, mas irresistível, história de abuso sexual paterno que leva a filha ao suicídio, Maria Teresa Horta traça, num português sumptuoso, ao longo de trinta e dois contos, uma vasta e belíssima galeria de meninas. Quase todas negligenciadas, quando não abandonadas e maltratadas, entregam-se à magia ou à leitura salvadoras. É assim com Beatriz, à beira do abismo no Faial, com Laura, abandonada pela mãe em «Eclipse», com Branca, perseguida pela madrasta e o pai, com Maria do Resgate, que abre a porta aos anjos na falta da mãe, com Rute, ladra «sem culpa» de uma rosa apaixonante. Mas também com a infância de personagens históricas como a sanguinária condessa húngara Erzsébet, com a rebelde Carlota Joaquina, inconformada com um destino que não quis, a seduzir e a enfeitiçar o pintor Maella, autor do seu retrato oficial, ou literárias como Katie Lewis, apaixonada pela leitura e assim retratada por Edward Burne-Jones, a gerar o fascínio de Oscar Wilde.

Citando Maria Teresa Horta

Azul Claro, é a cor mote que coube a Maria Teresa Horta nesta coletânea Do Branco ao Negro.

Quando se deita pela primeira vez com um homem, Raquel usa uma liga azul-clara, cor de um céu esvaído…

1977327_10201842620851645_5609680712669485005_nCompõe o corpo, sente prazer nisso, enquanto, centrada em si própria, tudo imagina. É ela a teia que atrapa. O seu corpo é um caminho, o trajeto mais curto, por onde eles descerão os lábios, a quererem ir matar a sede no poço sombrio do seu corpo candente e febril… Assume então a condição da arte do voo e a teia é a sua constelação.

Comia aranhas quando era menina, macilenta e dúctil, olhos azul do céu sumido no extravio da salvação, criança de suspeição e agrura sem alimentos de quase nada. Raquel, esculpindo a si mesma, enquanto personagem. Sabe que a loucura das mulheres sempre assustou os homens, não lhe é estranha a velocidade da aranha. O percurso mais curto de regresso a casa, a teia que nunca foi liberdade.

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«A DAMA E O UNICÓRNIO»: MITO, SEDUÇÃO E TRAGÉDIA | Maria Teresa Horta

Graficamente belíssimo, já chegou às mãos de Maria Teresa Horta o livro com a sua última obra poética, «A Dama e o Unicórnio», incluindo o CD com a sonata profana de António de Sousa Dias sobre os poemas de MTH, ditos por Ana Brandão. Os leitores interessados terão de ter um pouco de paciência: a cuidada edição de Cecília Andrade, da Dom Quixote/Leya, com impecável produção executiva do Atelier 007, de Patrícia Reis (capa e paginação de Joana Miguéis), só chegará às livrarias no próximo dia 29.
Até lá fica um dos 72 poemas que compõem a obra e um trecho da contracapa.

LUME

Lume…
imagina o Unicórnio

Ao sentir o afago
da mão que a Dama
demora no seu dorso

E em seguida na lividez
da testa
em torno do seu corno

Osso de luz
a contragosto

CONTRACAPA – Conjugando numa unidade indivisível a tecedura das tapeçarias quatrocentistas «La Dame à la Licorne» com uma original interpretação da intriga nelas urdida, Maria Teresa Horta cria uma obra poética que se desdobra por vários cantos – «Arte e Ofício», «As Personagens», «As Tapeçarias», «O Mito», «À mon seul désir», «A Sedução», «Posse» e «A Eternidade» – numa apaixonante e mágica composição que o modelo gráfico acompanha lúcida e harmoniosamente. Com esta obra complexa, na qual uma sensualidade imanente subjaz ao lirismo com que a tragédia é tecida nos seus 72 poemas, a poetisa dá voz a um fascínio que remonta ao final dos anos 50, em Paris, quando se lhe depararam as tapeçarias numa primeira visita ao Musée de Cluny, actual Musée National du Moyen Âge.

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Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013)

“O meu amigo Urbano morreu, e eu de súbito fiquei desamparada, sem chão, o dia perdeu claridade.
Era muito nova quando nos conhecemos, e desde o primeiro momento, a sua generosidade, a sua solidariedade, fez toda a diferença.
Ontem, de um momento para o outro, senti-me absolutamente só, a pensar que lhe devia ter dito mais vezes, quanto o admirava, quanto ele fora importante para mim. Mas, também, agradecer-lhe o exemplo de hombridade, de honra e de coragem, que me deu sempre.
O Urbano foi o homem mais corajoso que conheci.
O Urbano era um homem da liberdade.
Obrigada querido Urbano por teres sido como foste.”

Maria Teresa Horta    (publicado no Facebook)

Veja aqui a reportagem da RTP

As palavras do corpo

O lado interdito e incómodo do nosso corpo liberta-se pela palavra. Maria Teresa Horta resgata-o num banquete de partilha onde o amor assume o seu lado carnal. As palavras são esse corpo desvendado sem falsos pudores. Onde o poema se despe e se deita ao nosso lado. Poesia maior e de maioridade que resgata para todo o sempre a mulher (poeta) de qualquer laivo de menoridade; morreram as poetizas, nasceu a poesia completa, com o seu lado homem e o seu lado mulher.

(in acrítico)