Mensageiro revolucionário, da ternura e do humanismo | O Papa Francisco | by Paulo Fonseca

Pensamento do dia :

Revela-se, cada mais activo, este mensageiro revolucionário, da ternura e do humanismo … O Papa Francisco.

Nesta mensagem de Páscoa, ao invés de se perder em místicas interpretações da Renovação da Vida, Francisco cumpriu o seu desígnio com objectividade exemplar, apontando o dedo à realidade revoltante, vergonhosa e cruel.
Sózinho, da tribuna Divina, Francisco atirou lágrimas de compaixão sobre milhões de seres humanos que agoniam às mãos do pecado…. desse pecado cometido em êxtase por uns homens contra outros…
Denunciou o pecado, com a autoridade que lhe advém da bondade eloquente e do consagrado estatuto de Apóstolo.
Na verdade, Francisco apenas reclama aquilo que deveria ser normal numa civilização humanista que tivesse cuidado solidário e sóbria dignidade.
Na verdade, Francisco apenas denunciou o mal, o liberalismo selvagem, o extremismo político, a falta de respeito pelos direitos humanos, a prostituição dos valores através da luxúria egoísta….
Em boa verdade, Francisco apenas fez uma declaração de guerra contra a opressão, o exagero mercantil, o fascismo ideológico e a libertinagem disfarçada de liberdade…. fez a sua mensagem Pascal apontando a renovação da vida e convocando os Cristãos ao combate….
O mundo precisa muito que o revolucionário da ternura se alongue na vida, para comandar o desafio maior deste tempo – salvar a dignidade Humana.

Paulo Fonseca 

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Fonseca

Perante uma Basílica vazia, papa propõe anulação da dívida dos países pobres

TSF : https://www.tsf.pt/mundo/perante-uma-basilica-vazia-papa-propoe-anulacao-da-divida-dos-paises-pobres-12061221.html?fbclid=IwAR18QO3yBGeCpTVJTxDQQKu8S6MySlj5xkf9Zn-nEt-sGqRysUutGd8MeI0

Querido Frederico, Frederico Duarte Carvalho | Tiago Salazar

Estas partilhas, que vamos fazendo públicas, e suscitam comentários imediatos, alerto-o, por mim, e creio por ti, são a narrativa das mais puras das verdades. Por outro lado, não as considero tempo perdido ou uma forma de gastar o tédio dos dias confinado, e nunca, mas nunca, escrevê-las à pressa, descarregando-as sem as rever, cortar, limar, polir e aperfeiçoar com todos os detalhes. Prefiro espaçá-las, sem nenhum imperativo de as escrever, ou de que me respondas forçado, como se houvera um compromisso com os leitores (a não ser que estes nos digam, queremos contribuir para a vossa causa, queremos cartas diárias, e mais tarde, umas vez compiladas por um editor generoso, nos enviem uns trocos para casa).

Eis um tema na ordem de todos os dias: o custo e a paga. Isto, por exemplo, é uma troca de correspondência, mas sem pretensões agostinianas, falo de Agostinho da Silva, e as suas míticas Sete Cartas a um Jovem Filósofo, rilkianas, de Rainer Maria Rilke, autor máximo do género com as suas Cartas a um Jovem Poeta, ou mesmo do teu conhecido Christopher Hitchens, polemista autor das Letters to a young contrarian, nomeado por Gore Vidal como o seu sucessor, e em quem Susan Sontag viu brilhantismo epistolar, género onde outros tendem a praticar o cliché.

Temos um método e um objetivo: chegar às 40, número bíblico do sofrimento cristão, jornada iniciática, providencial. Porventura este falso cativeiro irá prolongar-se além desta quarentena, e aí, por mais vividos e aventureiros, teremos esgotado os superlativos temas das nossas autobiografias prematuras (somos jovens de 48 anos, tu ainda por completar).

Notemos aos que nos lêem que nunca combinamos o tema do dia. A magia de escrever, realista ou surrealista, é como tudo nasce de onde nos venham as ganas.

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Edgar Morin | As certezas são uma ilusão | in Fronteiras do Pensamento

Ao conferir uma leitura sobre a pandemia do coronavírus e o isolamento social em entrevista ao jornal francês CNRS, o filósofo Edgar Morin explicita que o cenário nos impõe desconstruções: a desconstrução da crença em verdades absolutas na ciência, da obstinação por garantias e certezas, e da pesquisa sem controvérsias.

O momento em que vivemos tende a convencer cidadãos e pesquisadores de que as teorias científicas são biodegradáveis e que “a ciência é uma realidade humana que, como a democracia, se baseia em debates de ideias, embora seus métodos de verificação sejam mais rigorosos”.

Aos 98 anos, Morin acredita que somos obrigados a encarar as incertezas, mas que podemos abraçar a certeza dos fatos que acompanhamos diariamente: o despertar da solidariedade e a oportunidade de reforçar a consciência das verdades humanas que fazem a qualidade de vida: amor, amizade, comunhão e solidariedade. Leia a entrevista completa abaixo.

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Aleluia ou Hossana! | Um novo mundo — uma nova ordem financeira | Carlos Matos Gomes

Sofremos um tremor de terra que está a derrubar (ou já derrubou) o que havia sido construído com base na ideia da economia como ciência, do corte feito entre ação humana e a ética, em que tudo tem um preço, inclusive a terra e o trabalho. A pretensão de a economia ser uma ciência e, principalmente, a de se situar fora da ética, tem de ser questionada. Não estamos perante uma ventania que arrastará uns telhados que com mais ou menos esforço acabarão por ser repostos.

A pandemia vai obrigar-nos a voltar às origens, a ressuscitar o conceito que vigorou desde a Grécia Antiga até à Revolução Industrial de tratar a economia como um ramo da filosofia. Vamos ter de questionar a propriedade e o uso da propriedade, a produção e a acumulação da riqueza, a “arte da troca” e a “arte do uso”. O conceito de dinheiro, que para Aristóteles, tinha o único propósito de ser um meio de troca, o que significava para ele que era inútil. “ …não é útil como um meio para qualquer das necessidades da vida”. Um instrumento. A sua acumulação era, além de inútil, desonrosa: “a troca no comércio pela simples acumulação é justamente censurada, pois é desonrosa”. Aristóteles também desaprovava a usura e o lucro através do monopólio, instituídos como mandamentos pela civilização que se tornou dominante.

Não sou economista (apenas um pensionista com tempo e disponibilidade para ler e pensar), nem crente em ressurreições. O que morreu, está morto. Sou um tipo comum que aprendeu muito novo, antes de qualquer catequese, nos Açores, a distinguir uma tempestade de um tremor de terra.

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