Ana Catarina Mendes | Flashback | por Paulo Querido

Hoje foi um domingo tranquilo, calmo, pacífico. As polémicas que por aí andam são indignas, coisa de tablóides e folhas panfletárias, e estamos no Mês da Grande Alienação. De modos que escrevo sobre o lançamento de Ana Catarina Mendes no Flashback (ou lá como aquilo se chama atualmente).

Seja qual for o nome que tem atualmente — não vou gastar neurónios a atualizar o nome cada vez que se lembram de o mudar, o que sucede com inusitada frequência e mau gosto —, o Flashback está numa boa fase. A entrada de Ana Catarina Mendes, a primeira mulher no programa em cerca de 40 anos, trouxe uma novidade refrescante: levou José Pacheco Pereira e António Lobo Xavier a um mais elevado nível de aprumo discursivo.

Por outro lado, JPP tem vindo a melhorar num aspeto que considero fundamental: abandonou o tudologismo em que caiu durante anos. E parece que prepara melhor a generalidade dos temas (nem todos, mas a grande maioria). E ALB tem feito maravilhas para se distanciar do CDS e da IL, ao mesmo tempo que mantém bem fechada a fronteira com o selvagem da extrema-direita, ganhando assertividade no processo.

Mas esta menção tem outro fundamento. Repara nos dois fotogramas seguintes, que são do programa de há duas semanas:

No primeiro, Pacheco Pereira aplaude Ana Catarina Mendes. Discretamente, mas notoriamente. No segundo, Lobo Xavier tira o chapéu a Ana Catarina Mendes e não é um mero salamaleque de queque. Há um intervalo de menos de um minuto entre os dois fotogramas.

Os dois já “escolheram” anteriormente o futuro secretário geral do PS e futuro Primeiro Ministro. Digamos até que o preparam (não encontro uma melhor tradução para o inglês to groom) ao longo dos meses que esteve no programa. É inevitável fazer um paralelismo — e estas imagens tiveram esse poderoso efeito. Estou convencido que este assunto faz parte da cumplicidade dos membros do programa. Com os devidos sorrisos.

Pessoalmente, gostaria que a “escolha” se concretizasse 😉 Considero outros candidatos e não enjeitaria nenhum dos nomes já lançados, mas vejo em Ana Catarina Mendes todos os predicados para Primeira Ministra. A “rodagem” que nitidamente tem vindo a ganhar no Flashback (ou lá como se chama agora) é mais um passo numa trajetória ascensional que tem sido interessante seguir.

Vamos com calma, ou melhor: vamoláver. A eleição de um novo secretário-geral do PS não está propriamente na agenda. É certo que se especula com uma eventual saída para um cargo europeu, mas em primeiro lugar é especulação e em segundo lugar mesmo que venha a suceder será num futuro relativamente longínquo.

António Costa está para lavar e durar no PS e no Governo. À partida tem as condições reunidas para um terceiro governo, uma terceira legislatura. Digo “à partida” porque se as eleições fossem hoje Costa ganhava-as e fazia o governo que quisesse, mas faltam dois anos e não subestimemos nem a reconhecida e excelsa competência das tribos do PS para destruirem a reputação com as suas práticas endogâmicas, muito menos o desgaste que todo e qualquer elenco governativo sofre através dos tempos.

A favor de Ana Catarina Mendes está a sua idade. Terá 50 anos no início da próxima legislatura.

Paulo Querido

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