41) – C19 Upshot | Coronavírus: o fim do europeísmo ingénuo? | “Respect them”: mesmo em zonas ricas, a procura de bancos alimentares está em alta | Paulo Querido

16 jun 2020 // Hoje temos escolhas de Paulo Querido, Ana Roque.

🇪🇺 Coronavírus: o fim do europeísmo ingénuo?

No meio da discussão sobre possíveis instrumentos financeiros para fazer face aos custos da pandemia, já está à vista o problema básico que poderá surgir quando a emergência sanitária tiver terminado. Itália e Espanha foram duramente atingidas pelo vírus, mas Portugal – com menos casos – também se sentiu atacado por declarações políticas vindas do Norte da Europa.

A retórica do confronto Norte-Sul voltou à política da UE, com o risco de minar a confiança dos poucos italianos eurófilos que ainda restam e de marcar uma mudança de tendência em Espanha e Portugal. Se o europeísmo ingénuo sofrer uma mutação, como o vírus, aprofundará a divisão Norte-Sul.

[Héctor Sánchez Margalef – ctxt.es]

😰 “Respect them”: mesmo em zonas ricas, a procura de bancos alimentares está em alta

O cenário em Valley Stream, uma comunidade de 37 000 habitantes, foi reproduzido em todo o país durante um período de 10 semanas, no qual 42 milhões de americanos se candidataram ao subsídio de desemprego. Longas filas de carros, por vezes em número de milhares, apoiados enquanto os seus ocupantes esperam – por vezes durante horas – pela oportunidade de levar para casa um lote gratuito de alimentos.

[David Crary – AP NEWS]

🍄 Porque não podemos contar com explorações que sugam o carbono para abrandar as alterações climáticas

As terras agrícolas do mundo inteiro têm capacidade para armazenar anualmente milhares de milhões de toneladas de dióxido de carbono no solo. Mas ainda há incerteza quanto às técnicas agrícolas que funcionam e até que ponto, em diferentes tipos de solo, profundidades, topografias, variedades de culturas, condições climáticas e períodos de tempo.

[James Temple – MIT Technology Review]

🚦 Como e quando pôr termo ao confinamento: uma abordagem de otimização

Como o número de novos casos confirmados diariamente começa a diminuir, os governos têm de decidir como libertar as suas populações da quarentena da forma mais eficiente possível, sem sobrecarregar os seus serviços de saúde. Aplicámos um quadro de controlo óptimo a um modelo adaptado de modelo SEIR (Susceptible-Exposure-Infection-Recovery) para investigar a eficácia de duas potenciais estratégias de libertação em quarentena, centradas na população do Reino Unido como um caso de teste.

Para limitar a propagação recorrente, verificamos que o fim simultâneo da quarentena para toda a população é uma estratégia de alto risco e que uma abordagem de reintegração gradual seria mais fiável. Além disso, para aumentar o número de pessoas que podem ser libertadas pela primeira vez, não se deve pôr termo à quarentena até que o número de novos casos confirmados diariamente atinja um limiar suficientemente baixo.

Modelamos uma estratégia de libertação gradual, permitindo que diferentes fracções daqueles que se encontram em isolamento voltem a entrar na população activa não em quarentena.

[Thomas Rawson et al – Frontiers]

🚌 A cidade em metamorfose

Apesar da repetição exaustiva da frase “nada será como dantes”, para o geógrafo e economista João Seixas, os tempos trazidos pela pandemia são mais de urgência do que de transformação. No entanto, à medida que o desconfinamento acontece, cresce a vontade de discutir modelos alternativos de progresso para as cidades.

  • Apesar das evidências e das propostas alternativas cada vez mais consistentes — sobre a ecologia e as alterações climáticas, sobre as desigualdades e a qualidade de vida, sobre uma economia mais verde e mais justa, sobre a activação de redes solidárias e comunitárias —, tem-se mantido uma grande dificuldade de renovação da política urbana e de partilha de ideias de futuro.
  • Muitas decisões políticas e económicas mantêm-se sustentadas em lógicas positivistas e crescentemente contestadas, mesmo que envolvidas de alta tecnologia e de elevados níveis de investimento público e privado. A “tragédia dos comuns” surge agora plenamente globalizada e transversalizada. As mudanças são oblíquas ou vertiginosas, fermentadas pelas muito emocionais redes sociais e originando percepções sociais fractais mas cada vez mais intensas, que conjugam ansiedade e insatisfação com expectativa e reacção. Terrenos férteis, portanto, tanto para novos populismos e tribalismos, como para novas capacidades sociais e políticas.
  • Temos óptimas ferramentas — tecnológicas, culturais, científicas, cívicas — para essa construção. Precisamos agora das alavancas políticas. Há já muito a ser feito, há quase tudo por fazer. Se já era essencial, agora a construção de cidades mais ecológicas, empreendedoras, inclusivas, circulares e participativas, tornou-se obrigatória.

[João Seixas – Público 🔐]

CURTAS

👋 America, We Break It, It’s Gone. O que fazer? Onde podemos encontrar a liderança necessária para acalmar esta situação, lidar com as suas causas subjacentes e, pelo menos, fazer-nos passar pelas eleições de 2020? [Thomas L. Friedman – The New York Times]

🤭 Hangzhou : plano para “códigos de saúde” permanentes preocupam os residentes. Os cidadãos de Hangzhou estão preocupados com o facto de uma proposta de avaliação dos residentes de Hangzhou com base nos seus registos médicos e opções de estilo de vida poder pôr em risco a privacidade pessoal e abrir caminho à discriminação. [Ye Ruolin – Sixth Tone]

🦠 Mortalidade, confinamento e síndrome de Estocolmo: recortes de uma pandemia. Constata-se, até ao momento, uma enorme assimetria pandémica na Europa, de tal forma que se alguns países viveram uma situação de catástrofe, como a Bélgica e a Espanha, outros mal vislumbraram sinais de epidemia, como a Grécia e a maioria dos países do leste. [Paulo Costa – Evidentia Médica]

💰 Banco de Portugal mais pessimista que o Governo. PIB cai 9,5% este ano. Dados mais recentes da actividade económica e travagem acentuada dos países parceiros da zona euro levam Banco de Portugal a rever em baixa as previsões que tinha feito em Março, no início da pandemia. [Sérgio Aníbal – Público]

BOOKMARKS

  1. 📈 Direção-Geral de Saúde: ponto de situação atual em Portugal (link)
  2. 💊 Mapping COVID-19 Research: The “Map of Hope” provides a geographical overview of planned, ongoing and completed clinical trials. (link)
  3. 📊 Reuters: breaking the wave (link) (enviado por Marisa Torres da Silva)
  4. 📊 ESRI: Evolução Covid-19 em Portugal – Dados Adicionais (link) (enviado por leitor anónimo)
  5. 📈 European monitoring of excess mortality for public health action (link) (enviado por Manuel Carreira)
  6. 🕸️ Google: See how your community is moving around differently due to COVID-19 (link)
  7. 🏙️ Público: Como está a evoluir a pandemia onde eu vivo (link)
  8. 🏛️ Oxford University: Government Response Tracker (OxCGRT) (mapa das políticas de resposta, RECOMENDADO) (link)
  9. 📈 Ministério da Saúde: Vigilância da mortalidade (link)
  10. 🦠 Uns estão a vencer, outros não: que países estão a safar-se melhor na luta contra a COVID-19? (link)
  11. 📊 Pordata: Números da Crise. Dezenas de indicadores-chave para melhor analisar o impacto económico e social da Covid-19 em Portugal (link) (enviado por leitor anónimo)
  12. 📈 COVID-19 Infections Tracker; Estimativas de RT por país (NOVO) (link) (enviado por Manuel Carreira)
  13. 📈 Coronavirus Country Comparator: permite comparar casos ou mortes, valores absolutos ou per capita (NOVO) (link) (enviado por Luís Grave)

Conhece um gráfico, documento ou interatividade excelente que deva estar nesta lista de bookmarks? Sugira enviando-nos uma mensagem.

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