Notas sobre a situação política | por Paulo Querido | Título de Vítor Coelho da Silva

O Governo cometeu algum erro gravíssimo? Não. Um conjunto de desastres? Não.

A pandemia foi mal gerida? Não.

Algum ministro foi julgado num escândalo de corrupção? Não.

Casos, houve. Há sempre casos. Mas houve algum caso grave, tipo terramoto político, capaz de abanar as intenções de voto? Capaz de alterar o rumo? Não se vislumbrou nem vislumbra. É de tal forma que as alminhas andam a agitar a sombra do acidente de Eduardo Cabrita há meses, em loop, um disco riscado, uma cassete triste — o ponto é: uma cassete única e um casinho lamentável, lamentavelzinho, inho. Grau 2 na escala de Richter política.

As finanças, como estão? As contas públicas estão bem e recomendam-se.

A economia está mal? Nem na cabeça do mais empedernido ayatollah da direita, o que inclui o Sol e i, quase toda a SIC, Observador, grande parte da TVI, metade do Expresso, pelo menos. A realidade é que Portugal está a crescer.

A crescer mais do que a previsão. A crescer acima da média europeia.

A economia está num V eufórico.

 Dito isto: onde raio tem Marcelo a cabeça para inventar uma crise política? Eleições?

Onde raio tinham BE e PCP os neurónios para chumbarem um OE bastante decente?

Que raio de crise virtual é esta?!

Posso estar enganado, mas vejo sinais de estarem reunidas as condições para uma derrota épica do PSD. E não vejo nenhuns outros sinais. Por muito que as televisões e os semanários se esforcem com as suas campanhas de drama e horror.

Há umas franjas sensíveis ao clima de terror, sobretudo entre os de mais idade, com um ou os dois pés fora do mercado de trabalho, que têm sobre-visibilidade e sobre-exposição ao Facebook. Mas em regra o cidadão olha, divertido, para o circo montado, como quem aponta os pantomineiros aos filhos, olha que nariz tão giro!, e que bem que meneia o arco!, enquanto na app marca o jantar para o fim de semana, que já só se consegue com marcação de muitos dias, vê os preços airbnb no Alentejo de Algarve e mete mais um anúncio a pedir desesperadamente trabalhadores qualificados para as tarefas de agora.

A rapaziada das entregas não pára. E os setores da construção civil? Queres renovar a cozinha, vai para a fila, são 3 a 6 meses. Com sorte. (Estimativa de observação em vários prédios: 1 em cada 20 casas e lojas está em renovação. Nunca vi uma coisa assim.)

O desemprego está no zero virtual. Há muito mau salário. Mas já foi pior e as perspetivas são animadoras.

Na bomba com a mangueira na mão o incauto vê uma câmara e holofotes e microfone e (Pavlov descreveu isto) saliva em protesto pelo preço da gasolina enquanto atesta novamente o depósito.

A pressão da procura mantém os preços altos e vai até gerar inflação. A economia vai ao rubro em breve.

Repito: onde raio tem Marcelo a cabeça? Como pode o PSD fazer uma campanha neste clima? Com Rangel a dizer que é a alternativa a isto? LOL!!

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Querido

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