O Mito das Escolas de Salazar: O Que Dizem os Factos, por Christian Salles, in Mural “Comunidade Lusófona”, Facebook

É comum ver o argumento de que “Salazar construiu 7.000 escolas e acabou com o analfabetismo”. Mas a história real, longe da propaganda, mostra que o regime usou a falta de instrução como uma ferramenta de controlo social.

O próprio Oliveira Salazar nunca escondeu o seu pavor em relação a um povo instruído. Numa entrevista a António Ferro, o ditador afirmou textualmente:

“Considero mais urgente a criação de elites do que a necessidade de ensinar o povo a ler.” Justificando, noutra ocasião, que a instrução de massa gerava “descontentes e rebeldes”.

As escolas do Plano dos Centenários existiam, mas o ensino obrigatório foi deliberadamente reduzido pelo regime para apenas 3 ou 4 anos. O objetivo não era criar cidadãos críticos ou técnicos qualificados, mas sim ensinar o mínimo indispensável para formar uma massa trabalhadora submissa e obediente.

O resultado desta política foi catastrófico: em 1970, enquanto o resto da Europa Ocidental tinha o analfabetismo praticamente erradicado (perto de 0%), Portugal ainda tinha cerca de 25% a 30% da sua população sem saber ler nem escrever.

Foi este país rural, analfabeto e de salários miseráveis que empurrou mais de um milhão de portugueses a fugir “a salto” para a periferia de Paris. As pessoas não emigravam por ideologia política; fugiam da fome e do subdesenvolvimento a que o regime as condenou. Celebrar estes números como uma vitória é ignorar a história e insultar o sofrimento dos nossos avós.

“A quem não sabe ler, qualquer papel o faz calar.”

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