ÉTICA, de BARUCH SPINOZA | Espinosa demonstra com precisão cirúrgica o mecanismo pelo qual a mente humana, confrontada com a infinita complexidade das cadeias causais, capitula e invoca Deus como “explicação última”.

DEUS: O ASILO DA IGNORÂNCIA

“Um exemplo, suponhamos que uma pedra cai do telhado de uma casa sobre a cabeça de um homem e o mata. Dirão que a pedra caiu expressamente para o matar.

Como poderiam, de facto, tantas circunstâncias ter contribuído para isso se Deus não a tivesse feito cair com esse propósito (e é verdade que estas circunstâncias são frequentemente muito numerosas)?

Poderá responder que o acontecimento em questão se deve a estas duas causas: que o vento soprou e que um homem estava a passar por ali.

Mas imediatamente o bombardearão com perguntas: Porque é que o vento soprou naquele momento? Porque é que um homem passava por ali exatamente naquele mesmo momento?

Responderá também que o vento soprou porque o mar começou a agitar-se no dia anterior, embora o tempo ainda estivesse calmo, e que o homem estava a passar por ali porque ia a um convite de um amigo?” Bombardeá-lo-ão com mais perguntas: Mas porque é que o mar estava agitado? Por que razão foi este homem convidado naquele preciso momento? E assim continuarão a perguntar-te a causa da causa, até que recorras à vontade de Deus, isto é, ao refúgio da ignorância.

ÉTICA, SPINOZA

Espinosa demonstra com precisão cirúrgica o mecanismo pelo qual a mente humana, confrontada com a infinita complexidade das cadeias causais, capitula e invoca Deus como explicação última. Este recurso não é, para Espinosa, um ato de fé iluminista; é uma admissão de derrota intelectual, um refúgio conveniente pomposamente chamado de “vontade divina”, onde na realidade existe apenas a nossa própria ignorância das causas.

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Dia da Criança: Seguro destaca pobreza infantil e apela à proteção da infância para “manter acesa a chama da esperança”, in DN

Chefe de Estado realçou “estatísticas alarmantes”, referindo-se a um estudo, segundo o qual, em 2024, existiam cerca de 301 mil crianças pobres em Portugal.

O Presidente da República assinalou o Dia Mundial da Criança, celebrado esta segunda-feira, 1 de junho, com apelos à proteção da infância, destacando “estatísticas alarmantes” sobre a pobreza infantil.

O Dia Mundial da Criança é de celebração, mas a data deve igualmente convocar “para uma responsabilidade maior: refletir sobre o país que construímos diariamente para o futuro das novas gerações”, defende António José Seguro, em comunicado divulgado no site da Presidência da República.

Nesta mensagem, o chefe de Estado referiu-se a um estudo da Nova School of Business & Economics (Nova SBE), divulgado recentemente e segundo o qual, em 2024, existiam cerca de 301 mil crianças pobres em Portugal. São “estatísticas alarmantes sobre a realidade das crianças em Portugal”, assume Seguro.

“Sabemos que há crianças que passam fome; crianças privadas de atividades escolares, culturais ou desportivas por falta de recursos; crianças que crescem em contextos de pobreza, negligência, violência ou exclusão; crianças vítimas de abuso sexual e de violência doméstica”, afirma Seguro, indicando que “por detrás de cada um destes casos há um rosto, uma infância que é forçada a enfrentar demasiado cedo o peso da adversidade”. “Há sonhos que se vão apagando, talentos que ficam por revelar e caminhos que se estreitam quando deveriam abrir-se ao mundo”, lamentou.

Para o Presidente da República, “a forma como protegemos as nossas crianças constitui uma das mais exigentes provas da nossa humanidade e da nossa maturidade democrática”. Até porque, “quando uma criança vê o seu futuro limitado pelas circunstâncias em que nasceu, é o próprio país que falha no dever de lhe garantir dignidade, igualdade de oportunidades e esperança”, considera.

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Dia Mundial da Criança, in Mural de Maria Helena Manaia, Facebokk, 1 Junho 2026

A ti, Criança

Hoje é o teu dia.

Sei que muitas palavras, vestidas de domingo, virão inundar a praça pública. 

Que os teus direitos serão nomeados, um a um, em Declarações Universais, Tratados e Acordos que, em silêncio, jazem no fundo das gavetas do Poder nos restantes dias do ano. 

Haverá quem te ofereça balões e presentes, mas haverá também quem te ofereça guerra, fome e a dor de te sabermos indefesa perante a hipocrisia dos homens.

Mas a tua verdade, criança, resiste. 

Longe dos discursos vazios, a tua felicidade encontra-se na pureza deste abraço à terra. Sujar as mãos para plantar uma árvore é o teu verdadeiro manifesto: um ato de esperança, de liberdade e de futuro.

Que o mundo aprenda com a tua simplicidade e que o teu sorriso seja sempre protegido.

NOTA DO EDITOR

No dia 1 de junho comemora-se o Dia Mundial da Criança. Esta efeméride assinalou-se pela primeira vez em 1950 por iniciativa das Nações Unidas, com o objetivo de chamar a atenção para os problemas que as crianças então enfrentavam | Vítor Coelho da Silva 

Mural “Resumé des Livres et des Idées”, in Facebook. DIEU SELON BARUCH SPINOZA

Les êtres humains ont tendance à créer Dieu à leur image. Dans les trois grandes religions monothéistes  le judaïsme, le christianisme et l’islam  Dieu se voit attribuer des caractéristiques typiquement humaines : une volonté, des émotions, des jugements, des préférences. L’Ancien Testament illustre particulièrement bien cette tendance : on y rencontre un Dieu qui se met en colère, qui punit, qui se repent parfois de ses propres décisions, qui est jaloux et exige une obéissance absolue. Ce Dieu se comporte davantage comme un souverain despotique que comme un être parfait et infini.

Spinoza voit dans cette conception une profonde contradiction. Si Dieu est absolument parfait et infini, comment pourrait-il ressentir de la colère ou de la jalousie ? Ces émotions sont des réactions à une situation subie, des signes d’un manque ou d’une vulnérabilité. Elles appartiennent aux êtres limités, imparfaits, qui dépendent de leur environnement. Les attribuer à Dieu revient à le réduire au niveau de ses propres créatures.

De même, le désir suppose un manque : on ne désire que ce que l’on n’a pas encore. Un être véritablement infini et parfait ne peut rien désirer, car rien ne lui fait défaut. Si Dieu désire être prié, adoré, obéi, cela signifie qu’il a besoin de nous  et un Dieu qui a besoin de l’homme n’est plus vraiment Dieu.

Spinoza dénonce également l’image du Dieu-roi, assis sur son trône céleste, attendant que les hommes le prient, le flattent et lui rendent hommage. Cette image, selon lui, dit plus sur la psychologie humaine que sur la nature réelle de Dieu. Les hommes ont projeté sur Dieu leurs propres structures sociales;  la monarchie, la hiérarchie, le pouvoir,  et ont ainsi fabriqué une divinité à leur mesure, rassurante et familière, mais philosophiquement incohérente.

Pour dépasser cette vision naïve, Spinoza propose une métaphysique entièrement nouvelle. Selon lui, tout ce qui existe dans l’univers est formé d’une seule et même substance. Cette idée est fondamentale : il n’existe pas une multitude de choses indépendantes les unes des autres, mais une réalité unique dont tout procède. Les êtres que nous percevons ; les humains, les animaux, les plantes, les pierres, les astres ; ne sont pas des substances séparées, mais des modes, c’est-à-dire des expressions particulières et temporaires de cette substance unique.

Cette substance est ce que Spinoza appelle Dieu. Et elle possède une caractéristique extraordinaire : elle est causa sui, c’est-à-dire sa propre cause. Elle n’a pas été créée par une puissance extérieure ; elle existe par elle-même, nécessairement, de toute éternité. Elle n’a ni début ni fin. Elle ne dépend de rien d’autre qu’elle-même pour exister.

Cette substance divine est infinie, non pas dans le sens d’une grandeur immense, mais dans le sens d’une complétude absolue : elle possède une infinité d’attributs, dont nous ne pouvons en connaître que deux ; la pensée et l’étendue (la matière). Tout ce qui pense et tout ce qui occupe un espace dans l’univers est une manifestation de Dieu.

“Deus sive Natura” : Dieu ou la Nature

C’est pourquoi Spinoza formule l’une des équations les plus audacieuses de toute l’histoire de la philosophie : Deus sive Natura  “Dieu, c’est-à-dire la Nature”.

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