O mito da honestidade de Salazar | Inês M. Santos

O mito da honestidade de Salazar só interessa a quem tem uma ideia errada do que era a vida naquela altura. A quem vive numa ignorância deslumbrada. E que não quer aprender o que realmente se passou.

Argumentam que naquele tempo é que era, que naquele tempo não havia políticos corruptos, naquele tempo os valores morais é que eram.

Sabem que mais? Salazar era corrupto. Salazar favorecia elites. Salazar sabia que eram as elites que lhe davam o poder e o mantinham à frente do país. Salazar sabia que a ignorância da população o ajudava a manter-se à frente do país. Salazar tirava aos pobres para dar às elites. Estão a ver o Robin Hood? É exactamente o contrário.

E mais: ninguém que o defende agora, foi beneficiado. Os beneficiados, e são muitos, calam-se que nem ratos, porque sabem que é melhor não levantarem poeira. Os que continuam vivos.

A inveja é muito feia, e na minha educação não aprendi o que era o ódio. Mas o que estes defensores fazem é pior: uma inveja ignorante.

Todos os ministros do governo de Salazar vinham da elite. Ou seja, também favorecia os amigos.

Existia elite. E esta elite não se preocupava com a pobreza dos outros e andava mais  deslumbrada com as festas e os vestidos.

Numa Europa devastada pela guerra, muita da elite europeia encontrava refúgio em Portugal. Não vinham passar fome com o povo, isso lhes garanto!

Os homens preocupavam-se com a soberba, com as amantes, com as aparências e com aumentar as suas poupanças.

E as mulheres neste elite preocupavam-se mais com as jóias ou os casacos de pele. A sua importância nesta história, é mínima. E continuam a existir pessoas assim. Vazias de tudo. Mulheres que foram educadas mas preferem continuar na opulência que a sua condição lhes permite.

A vida das mulheres parece-me que é sobejamente conhecida. Deve ser por isso que há mais defensores daquele regime do que defensoras.

Mulheres e homens que preferem que o seu motorista contorne os bairros sociais. No regime ditatorial e neste. Não lhes importa.

As elites não iam para a guerra. Para a guerra iam os outros. A elite tinha estudos indispensáveis à continuidade de um Portugal ditatorial.

O povo pobre, não tinha outro remédio senão ir trabalhar no fim da 4a classe. Ou ser recrutado para a guerra. Os que conseguiram, emigraram. Mas mal começou a guerra colonial, Salazar criminalizou a emigração clandestina. Dava-lhe jeito a mão de obra. Quem emigrasse sem autorização podia apanhar até dois anos de prisão.

As elites não passavam fome: comiam lagosta e bebiam champanhe.

As elites não passaram pelos tormentos que os pobres passaram. As elites foram cúmplices daquele regime.

Não se iludam: Salazar era tão corrupto como qualquer um que usam como exemplo para o defender.

E ainda que considere que o debate de ideias seja salutar para a construção de uma democracia saudável, isto é só estúpido. Informem-se, leiam, sobre esse período e outros.

Salazar era corrupto, e morreu com muito sangue e suor de um povo a que impôs a ditadura.

Não venham para o meu mural defender um homem que impôs uma polícia do regime, um medo de morte, à generalidade da população. Eram estes os valores morais que eram bons não é?

Não venham para o meu mural defender um homem que impôs a fome. Diferenças sociais enormes, que ainda hoje estão presentes.

Não venham para o meu mural defender uma coisa que só revela a vossa profunda ignorância sobre o tema.

Não venham, sobretudo, defender um homem cujo regime fez tanto mal ao meu avô.

Inês M. Santos

Retirado do Facebook | Mural de  Inês M. Santos

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