“O bem-te-vi e a folha amarela”, de Flávio. R. Kothe.

Contos feitos de memória, reflexão e ficção
Obra mais recente do professor Flávio R. Kothe reúne narrativas que expõem dúvidas e perplexidades dos personagens 
                     Adelto Gonçalves (*)

                    I
Se como disse o saudoso professor, ensaísta e crítico Massaud Moisés (1928-2018), em Dicionário de Termos Literários (São Paulo, Editora Cultrix, 2004), o conto deve ter ênfase antes na ação, antes no conflito que nos participantes, enquanto a narração representa papel menor, aparecendo apenas para abreviar o desfile de acontecimentos secundários ou anteriores à ação principal, os trinta contos que compõem O bem-te-vi e a folha amarela (São Paulo, Editora Cajuína, 2026), do professor Flávio R. Kothe, cumprem esse papel. São textos que partem da memória do autor, de seus primeiros anos e de sua vida profissional, mas que não deixam de adentrar as searas da ficção e da reflexão, para, através do desvelar do novelo da memória,  percorrer os caminhos da parte íntima dos personagens. 

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