Cuba nos BRICS?

Cuba deu um passo importante para tentar transformar sua atual condição de país parceiro em uma participação plena no BRICS. Durante a cúpula realizada em Nova Délhi, o primeiro vice-ministro cubano do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Carlos Jorge Méndez, confirmou que Havana pretende estreitar as relações econômicas com os países do bloco e afirmou que a entrada como membro pleno pode acontecer no futuro. 

A declaração ganhou ainda mais peso porque, logo após a cúpula, o Kremlin afirmou que a Rússia apoia as aspirações de Cuba de participar do BRICS, embora tenha deixado claro que candidaturas específicas para uma nova expansão não foram discutidas durante o encontro de Nova Délhi. Cuba atualmente possui status de país parceiro, condição criada para ampliar a cooperação do bloco sem conceder participação plena nas decisões. 

Para Havana, a aproximação não é apenas diplomática. Cuba quer ampliar comércio, investimentos e mecanismos financeiros com os países do BRICS, inclusive avançando no uso de moedas nacionais nas relações comerciais. Méndez afirmou que o país está abrindo setores antes restritos ao investimento privado e estrangeiro e pretende intensificar as relações bilaterais com cada integrante do grupo. 

A possibilidade de Cuba ingressar definitivamente no BRICS, portanto, ganhou novo impulso, mas ainda não existe uma decisão de admissão. O que existe neste momento é uma manifestação explícita de interesse de Havana, apoio declarado da Rússia e uma relação que já começou pelo status de parceiro. Se esse processo avançar, Cuba deixará de ser apenas uma presença associada ao bloco e poderá passar a integrar formalmente uma organização que hoje reúne 11 membros plenos e 10 países parceiros.

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