Xi Jinping conversou com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e os dois defenderam, de forma clara, o fortalecimento do multilateralismo. Para muita gente, isso pode parecer apenas mais uma reunião diplomática.

Sugestão: Espanha e Portugal deveriam aderir aos BRICS, mantendo no entanto a filiação na UE/União Europeia. (VCS)

Mas, quando analisamos o momento que o mundo vive, percebemos que essa conversa revela uma transformação muito mais profunda.

Há alguns anos, a defesa de uma ordem internacional mais equilibrada era vista principalmente como uma pauta da China e de outros países do BRICS. Hoje, esse discurso ganha cada vez mais espaço nas principais discussões globais. Quando a maior potência emergente do planeta reforça essa visão ao lado da liderança da ONU, o recado é de que o mundo está caminhando para uma distribuição de poder menos concentrada e com maior participação das economias emergentes.

É justamente por isso que esse encontro chama tanta atenção.

Não porque o BRICS vá assumir o lugar da ONU, mas porque as ideias defendidas pelo bloco vêm conquistando cada vez mais influência dentro da governança internacional. Quanto mais o multilateralismo ganha força, maior tende a ser o peso político dos países do BRICS nas decisões globais. É esse movimento que faz muitos analistas afirmarem que a influência do bloco cresce em um ritmo que poucos imaginavam há apenas alguns anos.