Fomos governados por um líder que nasceu e morreu na pobreza absoluta?, in “A Andorinha Mais Atenta”, Facebook, segundo publicação da Revista Sábado.

💰 A ideia de que o antigo regime em Portugal foi governado por um líder que nasceu e morreu na pobreza absoluta é um dos maiores mitos propagandísticos que a história alimentou.

📰 O jornalismo de investigação da revista SÁBADO, baseado no inventário oficial e obrigatório do tribunal após a sua morte, deitou por terra a lenda do governante desapegado do dinheiro ao revelar o verdadeiro património pessoal que o chefe de governo acumulou ao longo da vida.

💵 É verdade que, em dinheiro líquido no banco, Salazar tinha o equivalente a 113.000€ atuais depositados na Caixa Geral de Depósitos (CGD) quando faleceu. Dito assim, até pode parecer pouco comparado com os escândalos modernos. Mas o verdadeiro escândalo está no império em tijolo, ouro e benesses que foi deixado para trás.

🏰 Salazar viveu 31 anos no Palacete de São Bento com todas as despesas de alimentação, pessoal doméstico, segurança e deslocações pagas a 100% pelo dinheiro dos impostos públicos. Enquanto acumulava o seu património privado, o seu salário mensal equivalia a 8.450€ por mês em dinheiro de hoje. Para além disso, recorreu sistematicamente a funcionários e meios públicos para tratar dos seus assuntos e negócios puramente pessoais.

🏠 Ao contrário do mito de que só tinha uma casinha antiga na aldeia, o inventário do tribunal revelou um recheio repleto de barras de ouro, pratas trabalhadas, participações financeiras e ações em grandes editoras (como os lucros dos direitos de autor da Almedina). Embora não tivesse propriedades no estrangeiro, detinha um vasto conjunto de casas urbanas, terrenos agrícolas, quintas, vinhas, olivais e pinhais concentrados principalmente na região de Santa Comba Dão que hoje valeriam muitos milhões de euros. Para se ter uma ideia do valor real do património que o rodeava, só um dos prédios em Lisboa foi avaliado no mercado de luxo por 5,5 milhões de euros.

🧑‍⚖️ Como o antigo governante não tinha filhos, este património milionário — construído à custa de décadas sem despesas pessoais — foi dividido pelos seus 3 sobrinhos-netos. O caso mais flagrante é o do seu herdeiro, Rui Salazar, que arrastou tribunais e autarquias numa longa disputa judicial por este espólio de propriedades e moedas privadas.

🏥 Para além disso, quando adoeceu, não gastou um único cêntimo da sua fortuna pessoal. O Estado atribuiu-lhe um ordenado vitalício e pagou-lhe uma assistência médica privada exclusiva, cuja fatura final custou ao erário público o equivalente a 1,9 milhões de euros atuais. O choque é ainda maior quando lembramos que, naquela época, os cidadãos comuns não tinham direito a nada disto, pois o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que hoje nos protege a todos simplesmente não existia.

🏚️ Enquanto o povo asfixiava na miséria, na fome e na emigração forçada, o topo do poder acumulava ouro, terras e deixava contas milionárias de hospitais privados para o erário público pagar.

🧠 O verdadeiro patriotismo exige olhar para os factos com racionalidade e frontalidade. Quem critica — e bem — os privilégios dos políticos de hoje, não pode passar pano nos privilégios e nas fortunas pessoais do passado. A exigência de transparência e boa gestão tem de ser igual para todos, ontem e hoje. 🇵🇹

Vou deixar o link direto para a notícia completa no primeiro comentário para quem quiser consultar todos os dados oficiais da investigação. 👇

CLICAR AQUI: Aqui está o acesso à investigação completa e detalhada da revista Sábado com todos os dados do inventário oficial do tribunal: 

https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/dinheiro-gastos-e-benesses-do-estado-os-segredos-da-vida-financeira-de-salazar

No tempo de Salazar era tudo tão bom que… José Alberto Oliveira, in Facebook

1. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… entre 1965 e 1973, cerca de um milhão e meio de portugueses abandonaram o país, fugindo às más condições de vida, aos baixos salários, ao subemprego e à mobilização para a Guerra Colonial.

2. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… em 1960, só na região de Lisboa, havia 115.071 famílias sem habitação condigna, incluindo 16.812 que viviam em barracas e quase 29 mil em casas sobrelotadas.

3. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… em 1970, 25,7% dos portugueses eram analfabetos, cerca de 1,8 milhões de pessoas.

4. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… em 1970, 31% das mulheres não sabiam ler nem escrever, contra cerca de 20% dos homens.

5. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… em 1970, cerca de 23% das famílias viviam em casas sem água, eletricidade nem instalações sanitárias.

6. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… em 1970, menos de metade dos alojamentos tinha água canalizada e apenas 17% da população tinha acesso a esgotos, incluindo fossas sépticas.

7. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… em 1960 morriam 77,5 bebés antes de completarem um ano por cada mil nascimentos, uma das taxas de mortalidade infantil mais elevadas da Europa.

8. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… ainda em 1973, um em cada cinco partos não tinha qualquer assistência médica.

9. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… em 1970, 88% da população com mais de dez anos tinha, no máximo, o ensino primário e apenas 2,4% dos maiores de 15 anos possuíam ensino médio ou superior.

10. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… em 1970, apenas 11% dos portugueses com mais de 65 anos recebiam uma pensão de reforma.

11. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… o próprio Marcello Caetano escreveu a Salazar, em 1954, depois de viajar pelo Norte, que encontrara «muita pobreza, salários baixíssimos» e «exploração de menores».

12. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… o Estatuto do Trabalho Nacional de 1933 acabou com o sindicalismo livre e proibiu a greve, colocando a organização dos trabalhadores sob controlo corporativo do Estado.

13. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… jornais, revistas, livros, rádio, cinema e teatro estavam sujeitos à censura, que cortava ou proibia tudo o que o regime considerasse politicamente inconveniente.

14. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… a PIDE perseguia e prendia opositores políticos e recorria a espancamentos, privação do sono, tortura da estátua e isolamento durante os interrogatórios.

15. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… o regime criou no Tarrafal, em Cabo Verde, uma colónia penal para presos políticos marcada por tortura, trabalhos forçados, alimentação insuficiente, falta de assistência médica e dezenas de mortes.

16. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… Humberto Delgado, principal adversário presidencial do regime em 1958, acabou no exílio e foi assassinado pela PIDE em 1965, em Espanha.

17. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… até as eleições legislativas de 1969 ficaram marcadas por fraude, perseguição, intimidação, prisões, agressões e manipulação eleitoral.

18. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… o direito de voto estava longe de ser universal e as mulheres tiveram durante décadas condições de acesso ao sufrágio mais restritivas do que os homens.

19. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… Portugal permaneceu durante 13 anos em guerra em Angola, Guiné e Moçambique, mobilizando mais de um milhão de militares, com 8.831 mortos e cerca de 30 mil feridos segundo os números oficiais.

20. No tempo de Salazar era tudo tão bom que… em 1971, a mobilização e manutenção das forças envolvidas na Guerra Colonial absorviam quase 45% das receitas do Estado, num país onde faltavam escolas, hospitais, habitação, água, energia eléctrica, saneamento e proteção social.