Miguel Szymansky, “Quem é que ainda quer o quê com esta guerra?”

A Rússia invadiu a Ucrânia com meia dúzia de objectivos, não necessariamente por esta ordem: travar a expansão da NATO, impor a neutralidade da Ucrânia, reconquistar territórios que considera históricos, proteger minorias russas, controlar o acesso ao Mar Negro, neutralizar oligarcas ucranianos. 

Os EUA desencadearam, entraram e empenharam-se nesta guerra com meia dúzia de objectivos, não necessariamente por esta ordem: separar a Alemanha da Rússia, enfraquecer a Rússia, conquistar o mercado energético da União Europeia, proteger o dólar, vender armamento e expandir a NATO.

A Ucrânia mantêm-se nesta guerra porque, dois meses depois de invadida pela Rússia, foi iludida pelos EUA e Reino Unido com a promessa de um “apoio total” se abandonasse as negociações que previam a sua neutralidade.

A União Europeia mantém e alimenta esta guerra (já sem objectivos viáveis face à sua crescente debilidade económica) por três razões: incapacidade de defender os seus interesses económicos e políticos, miopia a raiar a estupidez (vide Merz/Macron) e a tradicional expectativa dos seus governantes que contam com o tacho que se segue (num banco, fundo, universidade norte-americana ou noutra organização ao serviço dos “valores ocidentais”).

por Miguel Szymansky