Guterres admite que há 10 anos não imaginava mundo tão ameaçador e confirma regresso a Portugal

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu hoje que, há 10 anos, não imaginaria que deixaria o cargo com um mundo tão deteriorado em matéria de paz, desigualdades e riscos existenciais, confirmando ainda que regressará a Portugal.

Em resposta à agência Lusa, Guterres refletiu sobre o estado do mundo nas vésperas da sua última Semana de Alto Nível da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a cerca de três meses de deixar a liderança da organização.

“Eu penso que há 10 anos ninguém poderia prever que nós chegássemos a uma situação tão deteriorada em relação a paz e segurança, com um nível de desigualdades tão dramático como aquele que encontramos e com duas situações que correspondem a riscos existenciais: no clima e na inteligência artificial”, disse Guterres, numa conferência de imprensa em Nova Iorque.

“Seria difícil imaginar um quadro tão ameaçador como aquele que nós enfrentamos neste momento”, acrescentou.

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Cuba nos BRICS?

Cuba deu um passo importante para tentar transformar sua atual condição de país parceiro em uma participação plena no BRICS. Durante a cúpula realizada em Nova Délhi, o primeiro vice-ministro cubano do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Carlos Jorge Méndez, confirmou que Havana pretende estreitar as relações econômicas com os países do bloco e afirmou que a entrada como membro pleno pode acontecer no futuro. 

A declaração ganhou ainda mais peso porque, logo após a cúpula, o Kremlin afirmou que a Rússia apoia as aspirações de Cuba de participar do BRICS, embora tenha deixado claro que candidaturas específicas para uma nova expansão não foram discutidas durante o encontro de Nova Délhi. Cuba atualmente possui status de país parceiro, condição criada para ampliar a cooperação do bloco sem conceder participação plena nas decisões. 

Para Havana, a aproximação não é apenas diplomática. Cuba quer ampliar comércio, investimentos e mecanismos financeiros com os países do BRICS, inclusive avançando no uso de moedas nacionais nas relações comerciais. Méndez afirmou que o país está abrindo setores antes restritos ao investimento privado e estrangeiro e pretende intensificar as relações bilaterais com cada integrante do grupo. 

A possibilidade de Cuba ingressar definitivamente no BRICS, portanto, ganhou novo impulso, mas ainda não existe uma decisão de admissão. O que existe neste momento é uma manifestação explícita de interesse de Havana, apoio declarado da Rússia e uma relação que já começou pelo status de parceiro. Se esse processo avançar, Cuba deixará de ser apenas uma presença associada ao bloco e poderá passar a integrar formalmente uma organização que hoje reúne 11 membros plenos e 10 países parceiros.