RAÍZES DO ESTRANHAMENTO: A (IN)COMUNICAÇÃO PORTUGAL-BRASIL | Carlos Fino

(Tese de doutoramento em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e pela Universidade de Brasília)

Resumo

Apesar da língua e de um fundo histórico e cultural comuns, as relações entre Portugal e o Brasil têm sido reconhecidamente permeadas por um sentimento de estranhamento ou desconforto mútuo, mesmo quando no plano estatal – sobretudo em períodos de coincidência ideológica e política dos regimes que os governam – se registam avanços em termos de acordos e tratados celebrados em diversas áreas.

Esse estranhamento opera como fator inibitório do aprofundamento das relações, que estão aquém da intensidade registada noutros casos de relacionamento entre a ex-potência colonial e as ex-colónias, designadamente os Estados Unidos com a Inglaterra e a Espanha com os países latino-americanos. Essa situação de latência não inteiramente realizada entre Portugal e o Brasil já foi caracterizada como “parceria inconclusa”.

Paralelamente, regista-se entre os dois países um défice de comunicação, que tanto pode derivar desse sentimento de desajustamento mútuo como estar, até, na sua origem. Em qualquer caso, essa (in)comunicação tende a reforçar o estranhamento e vice-versa, num perpetuum mobile em que ambos mutuamente se alimentam.

Investigar as origens dessa realidade, sondar na História do passado comum as razões desse estranhamento e dessa (in)comunicação – este o objetivo do presente estudo.

Para tal, procedeu-se a um levantamento historiográfico relativamente detalhado, acompanhando em simultâneo os juízos e interpretações de caráter político e sociológico que os acontecimentos foram suscitando logo na época em que ocorreram ou como foram integrados nos estudos e narrativas posteriores ao longo do processo, muitas vezes contraditório, de construção da(s) respetiva(s) identidade(s).

A investigação mostrou que não estamos perante fenómenos transitórios de fácil superação. O afastamento entre Portugal e o Brasil – traduzido nesse sentimento de estranhamento e nessa (in)comunicação – tem raízes profundas: surgiu em situações históricas de reiterados confrontos e consolidou-se ao longo de dois séculos nas narrativas históricas e sociológicas, tendo depois os seus termos sido absorvidos pelos sistemas escolar e mediático, que os consolidaram – pela repetida popularização – no próprio senso comum.

Ainda que sempre acompanhado e contrariado por uma corrente lusófila, o antilusitanismo – um dos fatores que gerou e alimenta esse sentimento e essa situação – não é, portanto, algo de efémero: está na génese da própria nacionalidade, o que obviamente dificulta qualquer ação que tenha por objetivo superá-los.

Identificadas as raízes do estranhamento e da (in)comunicação, o autor procurou, no final da investigação e à luz das teorias e práticas já existentes, apontar, em traços gerais, o que poderia eventualmente ser feito para ao menos mitigar esse sentimento profundo que paira sobre o relacionamento entre Portugal e o Brasil.

Agradecimentos

Em Lisboa, ao Professor Eduardo Lourenço, pela inspiração e pelo encorajamento.

Em Brasília, ao Professor Amado Cervo, por me ter desafiado a decifrar o enigma.

Em Porto Alegre, à Professora Zélia Leal Adghirni, pela amizade e confiança.

No Rio de Janeiro, à Professora Sylvia Moretzsohn, pelo estímulo.

Em todo o Brasil, à Comunidade Portuguesa, coração que bate mas não se vê, pelo exemplo de vontade e determinação.

Em Portugal, ao Alentejo da minha infância e da minha saudade, com cujo povo aprendi a sonhar e a resistir.

Aos jornalistas Bárbara Reis, do Público; Paulo Markun, da TV Cultura; Lopes Araújo, da RTP; José Manuel Barroso, da Agência Lusa, Rui Nogueira, do Estado de São Paulo; Jaime Spitzkovsky, da Folha de São Paulo; Alfredo Prado, do Portugal Digital; Odair Sena, do Mundo Lusíada; Graciano Coutinho, do jornal O Povo, de Fortaleza; e Vera Souto, da Rede Globo – pelas informações, críticas e sugestões.

Aos meus amigos portugueses de Brasília António Barahona, Manuel Lousada, Carlos Christo e Fernando Vasconcelos pelos livros, pelas estórias partilhadas e pelo tempo dispensado.

Aos meus orientadores, Professora Madalena Oliveira, em Braga, e Professor Fernando Oliveira Paulino, em Brasília, pelas sugestões e o enquadramento constante, a paciência benévola e as orientações e, acima de tudo, por terem sempre acreditado.

À Elaine, minha companheira, interlocutora crítica de todas as horas, sem cujo amor e ajuda este trabalho não teria literalmente visto a luz.

Carlo Fino

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