Citando Ana María Matute

Olhou-me pela primeira vez, com os seus grandes olhos azuis, parecidos ou talvez iguais aos do Unicórnio, e acrescentou: «Deve ter outra linguagem.» Com outra linguagem, e sabendo que as flores murchas podem ressuscitar de noite, e também contam as suas histórias as chávenas, os garfos, as agulhas de pontear e as frigideiras, passava eu, no meu barquinho de papel de jornal, até à gruta debaixo do alto e incómodo sofá, onde me permitiam ver, ouvir e cheirar todas aquelas criaturas, que fingiam não me ver mas que gostavam de mim.

Ana María Matute, escritora Catalã editada pela Planeta (excerto de Paraíso Inabitado)

“Ana María Matute enche-me de orgulho como mulher, como escritora, como exemplo de conhecimento, de experiência, de sabedoria, de humanidade e celebro-a em todas as suas vertentes e capacidades. Exalto-a e elevo-a. Desejo-lhe, com toda a admiração e a par desta complexa e temporária passagem pelo planeta Terra, muita saúde e as maiores felicidades em tudo, na sua condição humana e na sua literatura.” Cristina Carvalho

Uma Ligeira Dor – Teatro Sem Fios – Antena 2

TeatroEsta manhã, a Maria João Pinho, o Nuno Gonçalo Rodrigues e eu estivemos no antigo estúdio da Emissora onde gravámos UMA LIGEIRA DOR, uma peça radiofónica (a primeira, escrita em 1958) de Harold Pinter. Passa no Teatro Sem Fios da Antena Dois no Dia Mundial do Teatro, a 27 de Março. Pelas 21h. É um texto bem estranho, escorregadio, deslizante. Uma obra de juventude onde já surge tanto do que veio a escrever depois. Ouçam, ouçam.
Jorge Silva Melo, encenador, cineasta e crítico. (retirado do Facebook)

Na foto a actriz Maria João Pinho.

História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-75

Historia Revolucao_E

«Raquel Varela é uma das mais brilhantes críticas sociais de Portugal dos nossos dias

Ricardo Antunes, sociólogo, autor de Os Sentidos do Trabalho

«A luta política assume nas sociedades contemporâneas, em condições de calendário eleitoral estável, essencialmente, a forma da luta entre os partidos. Quando uma revolução se coloca em movimento, no entanto, tudo pode ser subvertido, porque milhões de pessoas inativas ou até desinteressadas despertam para a luta social. Este livro apresenta-nos uma rigorosa investigação sobre a revolução portuguesa que ambiciona dar voz aos que não tiveram voz. Nos livros de história eles são, não poucas vezes, invisíveis. Mas são os rostos comoventes destas grandes massas populares que oferecem sentido àquelas maravilhosas fotografias da revolução portuguesa. Anónimos, os seus retratos nas manifestações dizem-nos tudo o que precisamos de saber sobre a esperança e a frustração, a fúria e o medo, o entusiasmo e a ilusão, e tudo aquilo que oferece grandeza à vida e não cabe em palavras. Foram eles que fizeram a revolução. Nas páginas deste livro bate um coração que tem respeito e admiração por essa gente.» Valério Arcary, historiador.

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