A castidade com que abria as coxas | Carlos Drummond de Andrade

A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil seres

em mim ressuscitados.

Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.

Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.

Carlos Drummond de Andrade, in ‘O Amor Natural’

Pour toujours | Carlos Drummond de Andrade

Pourquoi dieu permet
Que les mères s’en aillent ?
Maman n’a pas de limite,
C’est un temps sans heure,
Une lumière qui ne s’éteint
Quand souffle le vent
Et tombe la pluie,
Un velours caché
Au sein d’une peau rugueuse,
Une eau pure, un air pur,
Une pure pensée.

Mourir arrive
Soudainement
Et sans laisser de vestige.
Maman, dans sa grâce,
Est éternelle
Pour que dieu se rappelle
– mystère profond –
de la reprendre un jour ?
si c’était moi le roi du monde
je ferai une loi :
une mère ne meurt jamais
une mère resterai toujours
près de son fils
et lui, même vieux,
sera tout petit,
fait de grain de maïs.

Carlos Drummond de Andrade | photographie de ma mère (VCS)

Mon Regard | Le Gardeur de Troupeaux (Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Mon Regard | Le Gardeur de Troupeaux

Tout ce que je vois est net comme un tournesol.
J’ai l’habitude d’aller le long des routes
Tout en regardant à droite et à gauche,
Et de temps en temps derrière moi…
Or ce que je vois à chaque instant
Est cela même qu’auparavant jamais je n’avais vu,
Et je sais fort bien m’en rendre compte…
Je sais maintenir en moi l’étonnement
Que connaîtrait un nourrisson si, à sa naissance,
Il remarquait qu’il est bel et bien né…
Je me sens nouveau-né à chaque instant
Dans la sereine nouveauté du monde…

Je crois au monde comme à une marguerite,
parce que je le vois. Mais je ne pense pas à lui
Parce que penser, c’est ne pas comprendre…
Le monde ne s’est pas fait pour que nous pensions à lui
(Penser, c’est être dérangé des yeux)
Mais pour que nous le regardions et en tombions d’accord…
Moi je n’ai pas de philosophie : j’ai des sens…
Si je parle de la Nature ce n’est pas que je sache ce qu’elle est,
Mais c’est que je l’aime, et je l’aime pour cela même,
Parce que lorsqu’on aime, on ne sait jamais ce qu’on aime
Pas plus que pourquoi on aime, ou ce que c’est qu’aimer…

Aimer est la première innocence,
Et toute innocence ne pas penser…

(Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

Quando Eu não te Tinha | Alberto Caeiro, in ‘O Pastor Amoroso’

Quando Eu não te Tinha

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima …
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza …
Tu mudaste a Natureza …
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou. 

Só me arrependo de outrora te não ter amado.

Alberto Caeiro, in ‘O Pastor Amoroso’.

Há metafísica bastante em não pensar em nada | Alberto Caeiro | Heterónimo de Fernando Pessoa

Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

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Poema | Maria Isabel Fidalgo

Um dia morrerão todos os dias

e sem barulho ou vaidade

adormeceremos longe do orvalho

das gaivotas loucas na orla das ondas

da luz infinita da sede no alvor da madrugada.

Sorveremos exaustos o silêncio térreo

longe dos deuses mortais que tudo sabem

dos festins do metal e deferências.

Um dia iremos para além da noite

sem que nos seja possível o retorno

da felicidade infinita num jardim menino.

Um dia, apesar do amor

o peso das canseiras

transformará o suor em frio

um galo há de cantar de madrugada

a chuva calará a sede dos campos

o sol repetirá a nobreza da alegria

como graça divina

e numa manjedoura, príncipes do nada

repetirão o pão que o diabo amassou.

 

Maria Isabel Fidalgo

Poema | Maria Isabel Fidalgo

Nesta manhã de sol rasgado
domingo triunfante de preguiça
a nitidez da luz esmorece os sobressaltos.
Resplandecem cores quase estrangeiras ao longe
ocorrem-me primaveras intensas na rosa encarnada da jarra
que me consente a breve graça da alegria.
Hoje exalto o dia e o mistério efervescente de claridade
este sagrado brilho onde o coração dos pássaros se ergue alto na ara dos olhos.
Hoje exalto esta matina clara
a planar numa colina onde se erguem voos
rendidos à destreza dos sentidos.
Depois cantamos.
és-me tão sempre quando te fazes cântico depois da noite.

La femme philosophe rayée de l’Histoire | Hypatie d’Alexandrie in http://compediart.com

Connue comme la plus illustre des savantes antiques, Hypatie d’Alexandrie doit sa renommée à son sordide assassinat commis en public par des moines fanatiques. Pourtant, ce personnage fait encore l’objet aujourd’hui de nombreuses distorsions bien éloignées de la réalité historique. Retour aujourd’hui sur la véritable histoire d’une femme fascinante à plus d’un titre…

Née aux environs de 360 après Jésus-Christ dans une Alexandrie alors sous domination romaine, Hypatie suit l’enseignement de son père, le mathématicien Théon d’Alexandrie, avant de partir parfaire sa formation à Athènes où elle étudie notamment la philosophie. Quand elle revient dans sa ville natale, elle s’installe en tant que professeur, donnant des conférences publiques mais proposant aussi des cours privés aux jeunes gens de l’élite alexandrine. Son enseignement mêle mathématiques, sciences naturelle et philosophie néo-platonicienne et l’amène à devenir l’une des savantes les plus en vue d’Alexandrie à son époque. Bien qu’elle ne soit à l’origine d’aucune invention, Hypatie est reconnue pour ses brillantes qualités intellectuelles qui lui permettent d’étudier, synthétiser et commenter aussi bien des textes mathématiques que des traités astronomiques comme ceux du savant Ptolémée, un scientifique ayant vécu au début du IIème siècle à Alexandrie et étant notamment avec Aristote à l’origine de la théorie géocentrique du cosmos.

Les documents historiques au sujet d’Hypatie sont rares, et nous la connaissons surtout à travers sa correspondance avec l’un de ses disciples, Synésios, qui deviendra par la suite évêque de Ptolémaïs mais ne cessera de recourir à ses conseils intellectuels éclairés. A travers ces documents, Hypatie est présentée comme une femme très admirée tant pour sa grande intelligence que pour sa beauté et sa tempérance, restant vierge jusqu’à la fin de sa vie pour préserver sa liberté.

Pourtant, nous ne saurions sans doute rien d’Hypatie si elle n’était pas entrée dans la légende avec le sordide assassinat dont elle fut l’objet. En 415, alors qu’elle rentre chez elle, la philosophe est arrêtée par un groupe de moines fanatiques qui l’amènent dans une église où ils l’écorchent vivante avec des coquillages et des tessons de verre, avant de démembrer son corps et de le brûler sur une colline proche.

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Essa Gente | Chico Buarque

SINOPSE

Um escritor decadente enfrenta uma crise financeira e emocional enquanto o Rio de Janeiro colapsa à sua volta. Tragicomédia urgente, o novo romance de Chico Buarque, o primeiro depois da atribuição do Prémio Camões, encara de frente o Brasil do agora.

Autor de um romance histórico que fez furor nos anos 1990, o escritor Manuel Duarte passa por um deserto criativo e sentimental. Dividido entre várias ex-mulheres, espartilhado por pesadas dívidas, surpreendido por um filho de quem vai aprendendo a ser pai, Manuel Duarte bate perna nas ruas do Leblon no intervalo das horas em frente ao teclado, desesperando por um novo livro.
O pano de fundo é um Rio de Janeiro que sangra e estrebucha sob o flagelo de feridas sociais a cada dia mais ostensivas; cenário maior onde se desenrolam as feridas individuais das personagens, que juntas compõem um diário em que se procura fazer sentido do tumulto do presente.
Ao seu melhor estilo, Chico Buarque esfuma as fronteiras entre vida, imaginação, sonho e delírio, e constrói uma narrativa engenhosa, tão divertida quanto trágica, em cujas entrelinhas se descortinam as contradições de um país ameaçando despedaçar-se, assim como as deliciosas incoerências e ilusões da gente como nós.

CRÍTICAS DE IMPRENSA
«O livro de Chico é uma vertigem. Você é sugado pela primeira linha e levado ao estilo falso leve, a prosa depurada e a construção engenhosa até sair no fim lamentando que não haja mais, assombrado pelo sortilégio deste mestre de juntar palavras. Literalmente assombrado.»
Luis Fernando Verísssimo, O Globo

O novo livro de Chico Buarque confirma (mesmo não sendo necessário) a qualidade da obra já conhecida. Para quem ainda não conhece, é um excelente ponto de partida. Para quem já é apreciador, é mais uma oportunidade de deslumbramento.
Ana Magalhães | 23-12-2019

À PROPOS D’ALBERT CAMUS | Yacine Bouzaher

Dans un échange avec une amie, j’ai émis un avis concernant l’œuvre de Camus, que je reproduis ci-dessous:
-“J’ai une lecture de l’œuvre et une interprétation de Camus, que je n’ai jamais vue par ailleurs, ou alors ça m’a échappé. Pour moi, Camus, c’est celui qui a ma connaissance, à le mieux donné à voir, à ressentir, la solitude profonde de l’être. Nous sommes cadenassés dans notre être ontologique, seuls face à nous-mêmes, cerné par le monde qui nous entoure. Et nous aurons beau faire, nous ne sortirons jamais de nous-mêmes pour fusionner avec le monde.

Paradoxalement, la prise de conscience d’exister, nous condamne à cet enfermement en soi. Et le fameux, je pense donc je suis, se transforme en je pense donc je suis seul en moi.

Il y a deux moments dans la vie, ou cette réalité de la condition humaine ( l’humain en tant qu’être pensant) font exception. Mais de manière fugace et peut-être illusoire. C’est, quand, bébé, on n’a pas vraiment ( encore que) conscience d’exister, la fusion avec la mère, Camus a un peu évoqué cela. Et quelquefois, dans la fusion de l’amour ( qui ne dure qu’un instant comme dit la chanson), surtout au moment ( c’est hélas pas toujours le cas) de l’orgasme sexuel, une infra seconde, le temps s’arrête et nous sortons de nous-mêmes, pour une extase partagée. À cet infinitésimal instant nous ne sommes pas seuls, sinon … 

Cette solitude pour fondement, je l’ai particulièrement ressenti à la lecture de “L’étranger”. Mais, on retrouve cette épaisseur, qui avec le temps se transforme en pavois, dans toute son œuvre, Sisyphe ( le mythe de Sisyphe), “Caligula”. Dans la pièce ” Le malentendu”, il aborde explicitement ce thème avec l’amour ( celui de la mère ou celui d’une femme) comme possibilité d’y échapper, mais encore une fois ce sera raté. Il ne restera que la solitude. Dans “La peste” ( œuvre à plusieurs tiroirs) nous retrouvons également cette dimension.”

Yacine Bouzaher 

Retirado do Facebook | Mural de Yacine Bouzaher

Nos 60 anos da morte de Albert Camus | Rui Bebiano in “A Terceira Noite”

O escritor húngaro Imre Kartész, antigo deportado de Auschwitz-Birkenau, resumiu numa frase curta a afeição imediata e duradoura por Albert Camus: «Amei imediatamente a sua liberdade, mas também a sua insolência». A par do impacto da voz literária, as marcas de independência e de insubmissão do autor de Os Justos têm sido determinantes para manter um poder de atração, uma irradiação de heroísmo e resistência, que têm cruzado diferentes épocas e circunstâncias. Eclipsadas as grandes narrativas do tempo histórico, muitos dos que foram perdendo as certezas acolheram com agrado aquela que foi, como escreveu nas memórias Maria Casarès, o amor de muitos anos, «a sua paixão pela justiça e pela verdade». A dilatação desta influência tem sido, no entanto, diretamente proporcional às incompreensões mantidas dentro do território político ao qual pertenceu.

Alguns dos seus personagens são modelos de egotismo e desapego pelos outros, mas o mesmo não se passou com o seu criador. Um Camus solidário apoiou os republicanos contra Franco e opôs-se à ocupação alemã («comecei a guerra como pacifista, terminei-a como resistente», anotará um dia). Em 1935 tornou-se militante do PCF, de onde sairia dois anos depois por rejeitar as posições moderadas sobre o fascismo e o colonialismo impostas por Estaline. Desta passagem guardará a desconfiança face ao doutrinamento, a certeza de que a ética individual não pode ceder ao transitório, e a convicção de que a esquerda não tem dono ou procurador. O afastamento aumentará em 1946 com os artigos aparecidos no Combat, sob o título genérico «Ni victimes, ni bourreaux», nos quais denunciou os campos de trabalho soviéticos. E depois com O Homem Revoltado, de 1952, onde exaltou a revolta como instante crítico da emancipação do indivíduo. O caráter libertador desse momento parecia-lhe, porém, ameaçado pela opção revolucionária. Ao instituir a violência e a supremacia do coletivo como uma necessidade, esta arriscar-se-á sempre a subverter e a arruinar o princípio último em nome do qual funda a sua insubmissão.

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Passeport pour «l´aventure révolutionnaire comme castration» | Fernando Couto e Santos | Chronique de janvier 2020

«C´était au temps où, chassé de ce Parti auquel j´avais donné ma vie, je me trouvais désert et comme déraciné…». Cette phrase, que l´on peut lire dans le roman- ou recueil de nouvelles ?-Faux passeports, traduit ce que fut le désarroi, l´angoisse et le désespoir des déçus du communisme. Il n´est jamais d´ailleurs inutile de rappeler qu´en français on a le même mot pour le participe passé du verbe «partir» et pour le nom exprimant l´association de personnes possédant des idées politiques communes. Or, le verbe partir a toujours fait bon ménage avec le parti communiste, en France, en Belgique, ou ailleurs.

Le roman Faux passeports –dont la collection Espace Nord (Impressions Nouvelles, Fédération Wallonie-Bruxelles) vient de faire paraître une nouvelle édition- a remporté le prix Goncourt en 1937, au moment où en Union Soviétique les procès de Moscou battaient leur plein. Il était signé Charles Plisnier, un Belge, le premier écrivain ne possédant pas la nationalité française à obtenir le prix le plus prestigieux des lettres françaises.

Continue ici:  https://laplumedissidente.blogspot.com/2019/12/chronique-de-janvier-2020.html?fbclid=IwAR3Qd2yi77BkK4rUOMXITQm6iBEHqA4AJDduT58RDtkHeztejlgCE8zDkSc 

Amar | Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade – no livro Claro Enigma de 1951

O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo | Adelto Gonçalves

Uma nova interpretação da história de São Paulo

SÃO PAULO – Quem quiser conhecer uma nova interpretação da história do Brasil e especialmente da terra paulista não pode deixar de ler O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo, do professor, jornalista e historiador Adelto Gonçalves, que revisa o século XVIII e corrige equívocos publicados em outros livros por falta de pesquisa em arquivos. O trabalho desenvolvido por Adelto Gonçalves consiste em uma análise dos anos de 1788 a 1797, período de governo de d. Bernardo José Maria da Silveira e Lorena (1756-1818), mostrando como a capitania de São Paulo sempre teve um papel de grande importância na construção do Brasil, especialmente em razão de sua localização estrategicamente favorável.

“Adelto Gonçalves substancialmente enriquece a nossa compreensão da história e do desenvolvimento de São Paulo durante o fim do século XVIII. Este trabalho, de sólida base em documentos históricos e pesquisas de arquivo, reflete a formidável jornada de Adelto como historiador de Portugal e Brasil”, escreve no prefácio o historiador britânico e ex-diretor do Programa de Estudos Brasileiros do Centro David Rockfeller da Universidade Harvard, de Massachussetts (EUA), Kenneth Maxwell, doutor em História pela Universidade Princeton (EUA). E acrescenta: “Esta obra é, em sua totalidade, não só uma rica análise do governo de Bernardo Lorena, mas um estudo que abre muitas linhas de investigação e formula muitos problemas novos, o que deveria ser a tarefa de todo bom historiador. Para a história de São Paulo no século XVIII tardio não há guia melhor”, garante.

Já o historiador Carlos Guilherme Mota, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), diz, no texto de apresentação (“orelhas), que este livro “se distancia de abordagens mais recentes beneficiadas por publicidade apressada e aplaudida pela imprensa”. E observa: “Em patamar mais alto, Adelto Gonçalves aprofunda sua análise da vida paulistana no período colonial com inusual rigor, alargando, porém, suas balizas cronológicas, sem os modismos e generalizações muito comuns em certa historiografia que trafega na superfície dos acontecimentos, marcada pela busca do pitoresco”. Para Mota, trata-se de “um estudo bem estruturado e inovador, baseado em fontes documentais sólidas e, vale registrar, bem escrito”.

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Peter Gabriel | Heroes (Live in Verona 2010)

Heroes
I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can beat them, just for one day
We can be heroes, just for one day
And you, you can be mean
And I, I’ll drink all the time
‘Cause we’re lovers, and that is a fact
Yes we’re lovers, and that is that
Though nothing will keep us together
We could steal time just for one day
We can be heroes for ever and ever
What d’you say?
I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them, for ever and ever
Oh we can be Heroes, just for one day
I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can be Heroes, just for one day
We can be us, just for one day
I, I can remember (I remember)

A NOVA POTÊNCIA REGIONAL | Francisco Seixas da Costa in Jornal Negócios.pt

Barack Obama chamou um dia “potência regional” à Rússia, uma expressão cujo impacto deve ter medido bem, porque, ao contrário do seu sucessor, ele conhece o peso das palavras. O antigo presidente queria significar que, não obstante se tratar de um poder nuclear, com forças convencionais nada desprezíveis, a potência sucessora da União Soviética sofre, nos tempos que correm, de fortes constrangimentos económicos e tecnológicos, que a colocam muito longe dos anos áureos em que se afirmava como um poder geopolítico global, concorrencial com os Estados Unidos, com uma forte capacidade de proselitismo, atração e influência. Acresce ainda, no caso da Rússia, ser atravessada por uma tendência demográfica trágica, que não parece facilmente reversível e pode ter consequências muito sérias no futuro do país.

A expressão de Obama, que encerrava uma inegável verdade, esconde, contudo, uma ironia: para “potência regional”, a nova Rússia de Vladimir Putin mostra uma vitalidade muito apreciável, uma capacidade de ser estrategicamente relevante no seu “near abroad” e mesmo, por vezes, de ir um pouco mais além, como se tem visto em alguns arroubos na Venezuela.

Não cabe aqui analisar o poder do “czar” desta nova Rússia, que dirige com mão forte e evidente apoio popular um país que continua a sentir-se muito maltratado pela História recente, que considera que os seus imediatos antecessores foram incapazes de negociar um final mais honroso para a clamorosa derrota sofrida na Guerra Fria.

O alargamento das fronteiras da NATO até uma escassa distância de Moscovo, bem como de uma União Europeia que integra hoje países que olham para a Rússia quase como um Estado inimigo, deu a Putin um argumento para testar as “linhas vermelhas” do mundo ocidental. A travagem da deriva ocidentalizante na Geórgia, a resposta firme ao “golpe de Estado” que a Europa e os EUA estimularam em Kiev, garantindo a retomada da Crimeia e o hábil “congelamento” do conflito no Donbass, suscitam hoje em alguns a dúvida sobre se o líder russo pode ser tentado a ir mais longe. Em particular nos Estados bálticos, essa questão está bem viva.

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Centro Ciência Viva do Alviela – CARSOSCÓPIO | Comemoração dos 12 anos | 15 de dezembro 2019

O Centro Ciência Viva do Alviela faz 12 anos e comemora o seu aniversário em ambiente natalício.

Dia 15 de dezembro, é dia de festa no Centro Ciência Viva do Alviela. Comemoramos 12 anos e oferecemos entrada gratuita nas nossas exposições, das 10h00 às 18h00.
Às 15h30, há Café de Ciência: A árvore e a estrela de Natal. O astrónomo Máximo Ferreira, Diretor do Centro Ciência Viva de Constância, explica-nos que fenómeno poderá ter ocorrido no céu e que foi interpretado pelos “Reis Magos” como a “estrela” que os guiaria ao local onde havia nascido o “filho de Deus”. Seria um cometa? Um meteoro? Com recurso a modernos meios de simulação do céu, demonstrar-se-ão alguns dos fenómenos astronómicos que têm sido considerados nas pesquisas levadas a cabo ao longo dos tempos. Jorge Canhoto, investigador do Centro de Ecologia Funcional do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, fala-nos da árvore de Natal e qual o grupo de plantas ou espécies usualmente utilizadas como árvore de Natal em Portugal e em outros países do Mundo. Sabe como se iniciou a tradição da árvore de Natal em Portugal? Donde virá a associação da cor vermelha ao Natal: da imagem do Pai Natal ou da planta utilizada pelos povos celtas na comemoração do solstício de i! nverno?
Às 17h00 sopramos as velas do nosso bolo de aniversário e brindamos aos 12 anos de promoção da cultura científica, em Alcanena.
A Floresta – Centro Ciência Viva de Proença a Nova, também está presente no nosso aniversário! Desde o dia 1 de dezembro que estamos a oferecer pinheiros-bravos, provenientes da limpeza das florestas, para quem quiser fazer a sua árvore de natal recorrendo a um produto natural. Limpamos a floresta e reflorestamos: juntamente com o pinheiro-bravo é oferecido um pinheiro-manso para plantar. Já veio buscar a sua árvore de Natal?

Junte-se a nós na comemoração dos 12 anos do Centro Ciência Viva do Alviela!

Agradecemos inscrição para o Café de Ciência através do 249 881 805 ou info@alviela.cienciaviva.pt

A Restauração da Independência de Portugal | 1 de Dezembro de 1640 | Vítor Aguiar e Silva in Diário do Minho

Há trezentos e setenta e nove anos, no dia 1 de Dezembro de 1640, Portugal recuperou a independência nacional, após sessenta anos de integração no império espanhol. Felipe II, filho de uma princesa portuguesa e neto de D. Manuel, fora reconhecido como rei de Portugal pelas Cortes de Tomar, em 1581, comprometendo-se a respeitar a autonomia do seu novo reino patrimonial. Após o falecimento do cardeal-rei D. Henrique, os exércitos do Duque de Alba tinham ocupado militarmente Portugal e Cristóvão de Moura conseguira, com a sua astúcia e a corrupção dos dinheiros de Castela, vencer a resistência de grande parte da nobreza, do clero e da alta burguesia.

O regime liberal oitocentista, a 1.ª República e o Estado Novo celebraram com fervor patriótico a Restauração da Independência. A inauguração, no dia 28 de Abril de 1886, do obelisco dos Restauradores, na praça do mesmo nome, no centro de Lisboa, foi a expressão do sentimento geral do povo português. A Comissão Central do 1.º de Dezembro de 1640 materializava no obelisco dos Restauradores o simbolismo da ressurreição de uma nação submetida durante seis séculos ao jugo estrangeiro. Após o restabelecimento da democracia em Portugal e em Espanha e a adesão dos dois países ibéricos à Comunidade europeia, a comemoração em Portugal do evento histórico do 1.º de Dezembro de 1640 tornou-se compreensivelmente mais discreta.

Naquela manhã do dia 1 de Dezembro de 1640 – um dia que amanheceu claro, sem rigores invernais –, um pequeno número de conjurados, pertencentes à nobreza mas com ligações importantes ao clero e à burguesia, alterou radicalmente a situação política em Portugal, modificou significativamente os factores geopolíticos da Espanha e contribuiu decisivamente, como hoje, séculos volvidos, podemos entender, para o futuro histórico do Brasil e de Angola, que conheceriam futuros bem diferentes se tivessem caído sob o domínio duradouro de outras potências colonizadoras europeias.

Após a morte, em 1598, de Filipe II, tornara-se cada vez mais grave a decadência multiforme de Espanha: as guerras europeias em que esteve envolvida durante o século XVI, em particular na Flandres e na Itália, tinham arruinado as finanças do reino, obrigando o poder político a aumentos sucessivos dos impostos; a recessão económica e a crise demográfica provocaram o despovoamento de grandes áreas do território; a criminalidade e o banditismo aumentaram dramaticamente; as epidemias assolaram as populações desesperadas e famintas.

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Quero Dizer-Te… | Sónia Soares Coelho

Procuro-Te algures, …, no Espaço, certamente, como combinado…
Não estás…
Ou não Te vejo por cá…

De Ti, não sei nada de nada.
Logo, é de mim que Te falo.
Só assim poderia ser e assim é.

Quero dizer-Te tanto que vou dizer muito pouco: é sempre assim!
E digo-o escrevendo, visto que alternativa não resta.

Quero dizer-Te que gosto de Ti,
Que o sinto do fundo do meu ser, por isso sei que é verdade: é o que é!

Continue aqui: http://dasletras.com/literatura-num-minuto/quero-dizer-te-sonia-soares-coelho/?preview=true&_thumbnail_id=16890

Passam hoje 44 anos sobre o 25 de Novembro | Jorge Alves

Bom dia, amigos.

Passam hoje 44 anos sobre o 25 de Novembro. Para mim, é uma data a comemorar. O 25 de Abril permitiu a Revolução, o 25 de Novembro trouxe-nos a Democracia. Pena é que esta data não tenha, para muitos, a dignidade que deveria ter. Não fosse a acção firme de homens corajosos, capitaneados pelo general Eanes, devidamente escudado, é bom dizê-lo, por Mário Soares, Francisco de Sá Carneiro, Freitas do Amaral e a própria Igreja Católica, Portugal seria hoje a Cuba da Europa.

Da minha parte, uma palavra de apreço, porque merecida, para o Regimento de Comandos, então comandado pelo coronel Jaime Neves, quantas vezes vilipendiado mas verdadeiro ponta-de-lança para travar de vez os radicais que pretendiam transformar este País numa bandalheira, sob a batuta de Otelo.

Uma palavra de homenagem aos comandos caídos no Regimento da Polícia Militar, na Ajuda, vítimas das balas assassinas que dali foram disparadas. Na sequência dessa acção cobarde, só a voz firme do general Eanes, secundado por Jaime Neves, que se viu obrigado a distribuir bofetadas a alguns dos seus homens, impediu que os comandos fizessem ali uma chacina, na pretensão de vingar os camaradas mortos.

Uma última palavra de apreço para Álvaro Cunhal, que a pedido do general Costa Gomes recusou pegar em armas e deu provas de elevado sentido de patriotismo, evitando assim que este País caísse numa guerra civil que seria trágica.

Pessoalmente, em especial ao meu querido general Eanes, o meu muito obrigado por ter evitado que o meu País caísse numa nova ditadura.

Bem-haja! Uma boa segunda-feira para todos.

Jorge Alves

Retirado do Facebook | Mural de Jorge Alves

El poeta catalán Joan Margarit gana el Premio Cervantes 2019

La 44ª edición del Premio Cervantes, el más relevante de las letras en español que concede el Ministerio de Cultura y dotado con 125.000 euros, ha alzado este año a Joan Margarit (Lleida, 1938). El poeta catalán toma el relevo a la uruguaya Ida Vitale, la quinta mujer ganadora desde que se inauguró el Cervantes en 1976.

El ministro de Cultura y Deporte en funciones, José Guirao, ha sido el encargado de revelar el nombre del galardonado en esta edición, cuyos candidatos son propuestos por la Real Academia de la Lengua Española (RAE). La lectura ha tenido lugar como cada año en el Paraninfo de la Universidad de Alcalá de Henares, cuna del autor del Quijote.

Guirao, como ya hizo el año pasado con Vitale, ha adelantado el fallo del Cervantes leyendo el poema No tires las cartas de amor, del libro El primer frío (1975-1995). El jurado ha destacado su “obra poética de honda trascendencia y lúcido lenguaje siempre innovador. Ha enriquecido tanto la lengua española como la lengua catalana y representa la pluralidad de la cultura peninsular en una dimensión universal de gran maestría”.

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Fernando Rosas premiado pela Academia Portuguesa de História | in Esquerda.net

A Academia Portuguesa de História anunciou esta quarta-feira que Fernando Rosas estava entre os nove autores que decidiu galardoar. O livro “Salazar e os Fascismos. Ensaio breve de história comparada” venceu o prémio da Fundação Calouste Gulbenkian na categoria “História da Europa”.

“Salazar e os Fascismos. Ensaio breve de história comparada”, livro editado pela Tinta-da-China, valeu a Fernando Rosas o prémio Fundação Calouste Gulbenkian, na categoria História da Europa, atribuído pela Academia Portuguesa da História Lisboa.

O anúncio da distinção aconteceu esta quarta-feira. No livro, Rosas aborda a comparação entre a ditadura que se instalou em Portugal a partir dos anos 20 do século passado e os outros regimes autoritários de direita que terão o seu auge na Europa nos anos 30.

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Uma sociedade moralista sem piedade | Henrique Monteiro | jornal Expresso Diário 13/11/2019

Henrique Monteiro

O caso da jovem de 22 anos que terá abandonado o filho recém-nascido num caixote de lixo é um horror? Claro que sim! Que se pode fazer? A nossa sociedade moralista e inquisitorial – em tudo o que não diga respeito às tradições e chamadas causas fraturantes – tem uma resposta: prender a mãe!

Sinceramente, não esperava que se chegasse a tamanha desumanidade. Recapitulemos: alguém com 17 anos, natural de Cabo Verde, tenta fugir da miséria vindo para Portugal (também li o seu nome, mas não o publico; haja recato). Cinco anos depois está a viver em condições desumanas numa tenda, ao pé de restaurantes, discotecas de luxo e cais de embarque de cruzeiros. Nestes cinco anos que esteve em Portugal quem lhe estendeu a mão? Quem se preocupou? Era uma miúda e nada lhe correu bem, o que se passou?

Quase ninguém se interroga e, quando chega o minuto de as autoridades se pronunciarem – depois de um outro sem abrigo ter alertado para o facto de estar um bebé num contentor –, é para lhe apontar o destino: a cadeia. A acusação é fácil: qualquer coisa como tentativa de homicídio qualificado na forma tentada. A prisão é preventiva, não houve julgamento. Mas as condições da prisão preventiva são mais do que duvidosas: não se prevê a continuação da atividade criminosa, nem prejuízo para o processo nem alarme social. Mesmo os mais alarves dos nossos concidadãos (e concidadãs), que também os há, além de felizmente não saberem exatamente quem é a rapariga de 22 anos, não me parece que a quisessem perseguir ou matar.

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A Formação de leitores como desafio do Brasil atual é o tema da quarta edição da Felisquié | Valdeck Almeida de Jesus

A campanha da Festa Literária “Eu giro para onde gira o sol” criada pela Publicar News prestigia o sertão de Jequié, seus escritores, personagens e poetas. O cineasta Glauber Rocha também será homenageado

Um dos mais esperados eventos literários do Sudoeste da Bahia, a Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié, inicia a sua quarta edição no dia 28 de novembro de 2019, quinta-feira, na Câmara de Vereadores em Jequié e terá a “Leitura”, como tema principal. Os escritores Luís Cotrim, Pacífico Ribeiro, Wilson Novais, Heleusa Câmara e  o cineasta Glauber Rocha serão os principais homenageados. Com o tema “A formação de leitores como desafio do Brasil atual”, o evento vai reunir uma programação variada, conduzida por autores da literatura nacional e internacional, com conferências, mesas-redondas, palestras e lançamento de livros.

As cantoras Ana Vitória e Flaviane vão abrilhantar a primeira noite da Felisquié interpretando as canções mais belas da MPB. O jornalista, professor, escritor e curador da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié, Domingos Ailton fará o pronunciamento de abertura: “A Felisquié representa o universo encantador do sertão de Jequié, além de promover uma interface entre a literatura e outras linguagens artísticas”, define o autor do romance “Anésia Cauaçu”. Em seguida, a educadora jequieense e Embaixadora da Paz, Maribel Barreto dará início a primeira conferência intitulada “Leitura e consciência: um diálogo transformador”.

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Sei que tenho uma dívida | Francisco Louçã | texto de 2010

Escrevi em 2010 este resumo. Acho que ainda vale, mas falta tanta gente e tantas emoções.

Sei que tenho uma dívida. Estive uns breves dias preso em Caxias com alguns amigos, por causa de um protesto contra a guerra na passagem do ano de 1972. Desses camaradas, um deles, que já morreu, Francisco Pereira de Moura, só o voltei a encontrar muito mais tarde, quando regressei à faculdade. Tinha sido convicto católico conservador, membro da Câmara Corporativa, mas olhou para o seu país e fez frente à ditadura. Foi por isso o primeiro candidato da oposição, foi preso, voltou a ser preso. Foi demitido de professor universitário. Chegou ao 25 de Abril, foi libertado e foi ministro, e saiu quando achou que o seu tempo tinha chegado, para voltar a dedicar-se à sua paixão, o ensino. Ele sabia da dívida que tinha para com o país, o trabalhador explorado, o pobre, a mulher sem direitos, as pessoas sem dignidade. E sabia que essa dívida se paga sempre, de todas as formas. Eu sei que todos temos essa dívida.

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Eu, Elton John: a biografia de uma lenda viva do mundo da música

             Honesta, vibrante e com um extraordinário sentido de humor        

No dia 14 de novembro, a Porto Editora faz chegar às livrarias a primeira e única autobiografia de uma das grandes lendas vivas do mundo da música: Eu, Elton John.

Nada indicava que Reginald Dwight, um Tiny Dancer residente em Pinner, cinzento subúrbio de Londres, se transformaria em Elton John, nome incontornável da música pop e rock n’roll. Excêntrico, personagem maior do que os grandes palcos que pisou, resultado do seu carisma e de performances eletrizantes, Elton John é um verdadeiro Rocket Man: no ativo há quase 50 anos (o seu primeiro concerto em nome próprio foi aos 23 anos) é um dos artistas com maior número de álbuns vendidos, vencedor de múltiplos prémios (como um Oscar e 6 Grammy) e cantor-compositor de músicas intemporais.

Agora, a par com a sua tournée final, Sir Elton John decide contar a história da sua vida. Ao longo de 360 páginas, estão descritas sete décadas de altos e baixos. Da infância e da relação conturbada com os pais às mais recentes revelações sobre o seu estado de saúde, Eu, Elton John não deixa nenhum assunto de fora. Num registo polvilhado com um fino humor britânico, o cantor-compositor desvenda como nasceram canções que fazem parte da vida de milhões de fãs, as amizades com outras lendas da música (como John Lennon, George Michael ou Freddie Mercury), e revelações sobre as noites loucas e as festas espampanantes que o afundaram numa espiral de dependência. Brutalmente honesto, o autor não poupa palavras para descrever os seus maus momentos, tentativas de suicídio e a viagem emocional para a reabilitação. Nada ficou fora deste livro, nem a amizade com a Princesa Diana e Gianni Versace, nem o amor e a paternidade com David Furnish. É uma vida inteira, de luz e sombra, agora em livro.

Com 72 anos e a meio da sua última digressão (que durará três anos), este é um testemunho imperdível de um artista que não deixa de dizer I’m still standing.

SOBRE O LIVRO 

Elton John é o cantor-compositor de sucesso com a carreira mais longa de todos os tempos. São sete décadas – até agora – de uma vida extraordinária pautada por constantes altos e baixos. Agora, na primeira pessoa e com a habitual frontalidade e bom humor, Elton John partilha a sua história – todos os momentos, dos mais hilariantes aos mais comoventes.
Reginald Dwight era um miúdo tímido, de Pinner, nos subúrbios de Londres, com uma relação conturbada com os pais, que adorava música e sonhava ser uma estrela pop. Tinha 23 anos quando deu o primeiro concerto nos EUA: com umas jardineiras amarelas, uma T-shirt às estrelas e botas com asas deixou uma imensa plateia absolutamente deslumbrada. Elton John tinha chegado e o mundo da música nunca mais seria o mesmo.
À imagem da vida de Elton, não falta drama nesta autobiografia: desde as rejeições iniciais das editoras a ser considerado o artista pop mais famoso do mundo; das amizades com Jonh Lennon, Freddie Mercury e George Michael às noites loucas no Studio 54; das tentativas de suicídio à dependência que escondeu até de si próprio durante anos e que quase o destruiu.
Elton descreve de forma emocionada o processo de reabilitação, a criação da Elton John AIDS Foundation, como encontrou o verdadeiro amor ao lado de David Furnish, as férias com Versace e a participação no funeral da princesa Diana. E ficamos também a saber como e quando percebeu que queria ser pai e como isso acabou por mudar novamente toda a sua vida.
Excentricamente divertido, mas também profundamente emocionante, Eu, Elton John levá-lo-á numa viagem inesquecível pela intimidade de uma lenda viva.

SOBRE O AUTOR

Elton John

Os êxitos alcançados por Sir Elton John ao longo da sua carreira são insuperáveis. É um dos artistas a solo mais vendidos de todos os tempos com 26 álbuns de ouro e 38 de platina ou multi-platina e um álbum de diamante. Elton John conta também no seu currículo com 6 Grammys, 13 Ivor Novellos e um BRITT Award. Em 2018 foi nomeado o artista masculino a solo de maior sucesso pela Billboard Hot 100. A sua Fundação já angariou mais de 450 milhões de dólares para a luta contra o VIH. É casado com David Furnish com quem tem dois filhos.

Romance Social O LIXEIRO E O PRESIDENTE de Silas Corrêa Leite

  • Se arte e criatividade são, entre outras coisas, a inteligência e a imaginação se divertindo, segundo Albert Einstein, e, como diz Nelson Oliveira (Prêmio casa de las Américas), o maior mérito de uma obra literária é ser, acima de tudo, uma festa para a inteligência, em O LIXEIRO E O PRESIDENTE, romance social, o escritor, poeta e ficcionista premiado, Silas Corrêa Leite, mostra nesse novo trabalho e de novo polêmico e diferenciado, a face da personagem principal do livro, o Presidente Fernando 2, o néscio, como rotula ele, bem a propósito do que preconiza Sigmund Freud, de que cada pessoa é um abismo, e dá vertigem olhar dentro delas. Bem isso.
  • O livro criativo, ousado, e ainda assim cativante, finca o palco nas narrativas todas em diálogos, entre causos, humores políticos, contações e abobrinhas afins, no Palácio do Planalto, as redondezas e quadradezas, entornos e antros, na Era D.c (Depois de Collor), em que um Fernando 2 – e de Fernando em Fernando o Brasil vai se ferrando – deita e rola no mesmo funesto modus operandi de maracutaias de carteis e propinas da anterior era civil e mesmo do militarismo incompetente e corrupto no processo histórico que o antecedeu, e que nasceu nas hediondas capitanias hereditárias até hoje nos podres poderes do planalto central.
  • A obra, entre uma comédia escondida e uma tragédia camuflada – corja blindada pela justiça e pela mídia abutre corruptas – resgata desvão de almas corrompidas nos flancos dos poderes executivo, legislativo e judiciário, mais o quarto poder, a imprensa blindando uma elite pústula em nome de neoescravistas neoliberais e agiotas do capital emboaba.
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