O que é insuportável em José Sócrates Luís Osório

1. O problema já nem são os processos, a inocência processual ou a culpa redentora para o sistema judiciário. O problema já não é o escandaloso arrastar do caso, as notícias e contra notícias, a quantidade de cofres, as explicações, as fugas de informação, os debates, as intermináveis discussões sobre Ministério Público, juízes, comunicação social. O problema já não é saber o que vai acontecer a seguir. Se o juiz Ivo Rosa é sério ou se está a soldo dos poderosos (seja isso o que for), se a mãe do ex-primeiro-ministro tinha uma herança, se guardava o dinheiro vivo ou se estava morto no banco, se a ex-mulher do ex-primeiro-ministro, mais o amigo milionário, mais Ricardo Salgado e o tipo do negócio do sangue e todos os personagens desta novela, têm ou não provas suficientes contra si.

2. O problema é todo este esgoto. Esta imundície moral. Este despudor. Não me interessa se José Sócrates é culpado ou inocente, o problema é que foi primeiro-ministro e teve o meu voto nas eleições em que teve maioria absoluta, o meu e o de milhões de portugueses. E voltou a ter o voto de milhares e milhares nas eleições seguintes (aí já não o meu).

3. O problema é que este senhor nos enganou. O problema é que tinha uma vida desbragada, uma vida de luxúria com dinheiro que ia buscar aqui e ali quando, no exercício das suas funções, pedia sacrifícios aos portugueses. O problema é todo o circo que montou. O poder que acumulou fazendo o que fosse preciso. O problema é tudo o que ouvimos dizer através da sua defesa, dos argumentos que utiliza, da vida que tinha, dos amigos que tinha, do dinheiro que circulava sem pudor, do modo como tratou a função de primeiro-ministro, da falta de dignidade que emprestou à sua função com a vida que decidiu ter.

4. Não, o problema não é o que o pode condenar. As alegações de corrupção prescrita ou não, os indícios ou a falta deles, os testas de ferro, as seis mil páginas do processo, o branqueamento de capitais ou as falsificações e a fraude fiscal.

Dou isso de barato.

O problema, o que verdadeiramente é insuportável, é o cheiro que isto tem a lama que nos foi atirada à cara por um homem em quem o país confiou e ofereceu uma maioria absoluta. Isso é simplesmente imperdoável.   

LO

Retirado do facebook | Mural de Luís Osório

FAZER PELA VIDA | Tiago Salazar

FAZER PELA VIDA I Abstenhamo-nos por instantes de julgar o juiz Rosa, os labregos, o tio Ricardo, o José.

Pensemos nisto: tenham ou não arrebanhado uns milhões, e porfiado no arrebanho de formas mais ou menos ínvias, todos os visados, esses malditos corruptos e corruptores, procuraram a sua felicidade e dos familiares e amigos.

Isto é digno de atenção.

Se um amigo nos acenasse com um milhãozito para lhe fazermos um obséquio digam lá que não hesitavam?!

Estamos furiosos porque isto é um regabofe, como se sentíssemos que o José e seus comparsas tivessem sido apanhados a lamber o nosso pote de mel.

Cambada de ursos gulosos é o que é.

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar

SOFAGATE | A IMORAL MORALIDADE DA EUROPA | Paulo Sande

NÃO

Não aceitamos que o passado esclavagista da Europa, cujos epígonos são sobretudo portugueses, britânicos, espanhóis, franceses, permaneça vivo nos livros de História (e até nas histórias sussurradas de geração em geração). Em nome da moralidade e dos princípios, não o podemos aceitar, ainda que tenha sido essa mesma Europa a proclamar a imoralidade da escravatura e a decretar “urbi et orbi” a sua abolição.

MAS SIM

Toleramos o passado esclavagista de outros continentes, países e regiões, onde ainda hoje milhões de seres humanos vivem em condições que, quando não são de escravatura, são-no da mais abjeta servitude.

NÃO

Não aceitamos que as mulheres, a outra metade da Humanidade, sejam tratadas como seres de segunda categoria, sexualizadas para além da decência (um prolongamento da moral feita ética), maltratadas e abusadas. “Me too” e outros movimentos, todos de origem ocidental, o que é quase o mesmo que dizer europeia, decretaram respeito, consensualidade, tratamento igualitário. E se há abusos e excessos, o princípio é sagrado – homens e mulheres, iguais perante Deus, a sociedade, a lei.

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MARX | L’aliénation | Le Précepteur – Charles Robin

📏 Marx est surtout connu pour sa critique radicale du système capitaliste et son engagement politique en faveur des travailleurs. Mais on connaît beaucoup moins ses analyses sur un concept pourtant fondamental de la philosophie politique, à savoir l’aliénation.

👨🏻‍🏫 QUI EST LE PRÉCEPTEUR ? Charles Robin est précepteur et enseignant en philosophie, français et mathématiques. Depuis plusieurs années, il accompagne des élèves de tous niveaux dans leur parcours scolaire. Ses élèves l’apprécient pour son franc parler, son sens de l’écoute et sa capacité à rendre claires des notions parfois complexes. Son projet, à terme, est de créer une école populaire autonome dans laquelle seraient valorisés les savoirs fondamentaux, les arts et l’initiative collective.

Entender o português através do latim Frederico Lourenço

Entender o português através do latimNós – portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos, guineenses, cabo-verdianos e tantos outros que nos exprimimos em português – usamos dezenas de palavras cujo sentido original só o latim nos pode relevar.

Por isso digo sempre: como entender um ensino secundário lusófono de que o latim está ausente? Como chegámos ao ponto de quase exterminar o latim do nosso sistema de ensino? Que crime foi este contra as gerações futuras?

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Paulo Querido | Há ou não há uma “nova direita” a medrar em Portugal?

Há ou não há uma “nova direita” a medrar em Portugal? A questão é suscitada a partir da observação repetida de títulos e artigos de sites de informação e da discussão que já tem algum lastro no “meu” Facebook. A resposta simples é fácil de dar: nos últimos 12 anos foram criados seis partidos em Portugal e três deles são clara, inequivoca e declaradamente de direita, medida em que é correto afirmar que há “novos partidos de direita”, que em linguagem descuidada pode redundar em “nova direita”.

Uma bosta semiótica, portanto. Um partido novo não tem necessariamente propostas novas, que é o sentido procurado com profissionalismo pelos sites de informação. O que me leva à resposta complexa — que contudo tem uma formulação muito simples que preenche a dúvida: não. Não, não há.

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Le Soleil rouge du Tsar | Violette Cabesos | by Hanane Trinel Ourtilani

Et si on parlait de “Le Soleil rouge du Tsar” de Violette Cabesos, sorti là, en mars 2021 chez l’éditeur Mon Poche.

Milena, petite-fille de Russes blancs, a une passion : les trésors perdus de la Russie des tsars. Alors qu’elle s’apprête à partir pour Saint-Pétersbourg où une cache datant de 1917 vient d’être découverte, elle apprend que sa maison de Nice a été saccagée. Sur les murs, d’énigmatiques vers slaves, probablement des références codées à Vladimir le Grand, fondateur de la Sainte Russie.

Un siècle auparavant, Vera, ballerine du théâtre Mariinsky, est déchirée entre les faveurs d’un grand-duc, son amour pour un poète anarchiste, et un brûlant secret d’Etat dont sa famille est dépositaire.

Au-delà du temps et des frontières, une mystérieuse et terrifiante malédiction semble lier ces deux femmes. Faut-il y croire ? Comment ne pas y succomber ?

Au fil d’un suspense historique éblouissant d’érudition, Violette Cabesos nous plonge dans les méandres de la Russie éternelle, sur les traces des Romanov, de Raspoutine et d’obscurs espions du FSB.

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Contribuição temporária para a crise VÍTOR GASPAR

(…) os Estados podem criar uma contribuição temporária sobre os rendimentos mais elevados para pagar o elevado custo da crise pandémica.

Em Portugal, este tema causou polémica após ter sido sugerido pela economista Susana Peralta, mas o Governo tem recusado essa hipótese.

“Para ajudar a dar resposta às necessidades relacionadas com a pandemia, uma contribuição temporária para a recuperação da Covid-19 imposta aos rendimentos elevados é uma opção“, escreve Vítor Gaspar, ex-ministro das Finanças português e diretor do departamento dos Assuntos Orçamentais do FMI.

A receita orçamental de Vítor Gaspar para o pós-pandemia

As recomendações de Vítor Gaspar no Fiscal Monitor não se ficam pela política fiscal, traçando toda uma política orçamental para o pós-pandemia. Para o economista, os políticos têm de encontrar um equilíbrio entre apoiar a economia através da política orçamental e, ao mesmo tempo, manter a dívida num nível gerível. Dentro desta recomendação geral, Gaspar escreve que “alguns países”, onde potencialmente se pode incluir Portugal, terão de começar a “reconstruir amortecedores orçamentais” para diminuir o impacto de choques futuros.

https://www.msn.com/pt-pt/financas/noticias/taxar-quem-ganha-mais-%C3%A9-op%C3%A7%C3%A3o-para-pagar-a-crise-pand%C3%A9mica-diz-v%C3%ADtor-gaspar/ar-BB1fohvb?ocid=msedgntp

A BÍBLIA | UMBERTO ECO

TEXTO DE UMBERTO ECO SOBRE A BÍBLIA

Via José Gabriel:

“Dolenti declinare(relatórios de leitura para um editor)

Anónimos. A Bíblia.

Devo dizer que quando comecei a ler o manuscrito, e ao longo das primeiras centenas de páginas, fiquei entusiasmado. Tudo é acção, e acção é tudo o que o leitor de hoje pede a um livro de evasão: sexo (em profusão), com adultérios, sodomia, homicídios, incestos, guerras, massacres, e assim por diante.

O episódio de Sodoma e Gomorra, com os travestis que os dois anjos querem fazer-se, é rabelaisiano; as histórias de Noé são Salgari puro, a fuga do Egipto é uma história que aparecerá mais cedo ou mais tarde nos écrans… Em resumo, um verdadeiro romance-rio, bem construído, que não economiza os golpes de teatro, cheio de imaginação, com a dose de messianismo suficiente para agradar, mas sem cair no trágico.

Depois, seguindo para diante, dei-me conta de que estava, afinal, perante uma antologia de vários autores, com numerosos, excessivos, trechos de poesia, alguns francamente lamentáveis e aborrecidos, perfeitas jeremíadas sem pés nem cabeça.

O resultado é um conjunto monstruoso, arriscando-se a não agradar a ninguém, por tanto ter de tudo. E, depois, será um problema tratar de todos os direitos dos diversos autores, a menos que o organizador trate disso, ele próprio. Mas do organizador nunca consegui descobrir o nome, nem sequer no índice, como se fosse proibido nomeá-lo.

Eu diria que se fizessem contactos a ver se será possível publicar separadamente os primeiros cinco livros. Seria andarmos mais pelo seguro. Com um título como “Os Desesperados do Mar Vermelho”.

Umberto Eco, “Diário Mínimo”

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

JESUS – UM BREVE ROTEIRO HISTÓRICO Reinaldo José Lopes

O milagre da multiplicação dos livros sobre a figura histórica de Jesus já virou uma das tradições da Semana Santa. No entanto, não é fácil achar uma obra com essa temática que se disponha a começar do começo, explicando as bases dessa área de pesquisa, em vez de expor uma nova hipótese bombástica sobre o Nazareno. Para quem quer dar os primeiros passos nessa discussão, um livro recém lançado por um historiador brasileiro pode ser útil.

“Jesus – Um Breve Roteiro Histórico para Curiosos” é a primeira obra escrita sobre o tema por Alex Fernandes Bohrer, professor do IFMG (Instituto Federal de Minas Gerais) e especialista em história da arte. Com uma estrutura simples, a partir de capítulos em formato de perguntas —“Oque é a Bíblia?”, “Como foi a infância de Jesus” etc.—, a obra busca explicar, com considerável sucesso, o que os historiadores sabem sobre Cristo e sobre as origens do cristianismo.

Pintura de Matthias Grunewald, representando a morte e o sepultamento de Jesus Cristo

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Passo e fico, como o Universo. Fernando Pessoa

Ah! querem uma luz melhor que a  do Sol!

Querem prados mais verdes do que estes!

Querem flores mais belas do que estas que vejo!

A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.

Mas, se acaso me descontentam,

O que quero é um sol mais sol que o Sol,

O que quero é prados mais prados que estes prados,

O que quero é flores mais estas flores que estas flores –

Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

Sim, choro às vezes o corpo perfeito que não existe.

Mas o corpo perfeito é o corpo mais corpo que pode haver.

E o resto são os sonhos dos homens,

A miopia de quem vê pouco,

E o desejo de estar sentado de quem não sabe estar de pé.

Todo o cristianismo é um sonho de cadeiras.

E como a alma é aquilo que não aparece,

A alma mais perfeita é aquela que não aparece nunca —

A alma que está feita com o corpo

O absoluto corpo das cousas,

A existência absolutamente real sem sombras nem erros,

A coincidência exacta e inteira de uma cousa consigo mesma.

~~

Alberto Caeiro

In Poemas Inconjuntos

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, 2001

Imagem: Themistokles von Eckenbrecher

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CES MONTAGNES À JAMAIS | Joe Wilkins | par Hanane Trinel Ourtilani

Les jours de ce mois d’avril risque de se rallonger avec un confinement qui n’en est pas vraiment un, enfin confusion et restrictions et besoin que le moral remonte en flèche, … j’attendais avec impatience en avril une avalanche de polars, dont un grand nombre seront chroniqués ici … dès que je les aurais lus, bien sûr, le polar et moi , c’est toute une histoire ! En attendant, voici ceux que j’ai apprécié 😊

Sortir de sa sphère de contact, être déstabilisé par une intrigue, la réaction d’un personnage, ou même changer carrément de décor, se plonger dans un futur imaginaire et imaginé, pour se poser des questions, avancer ou juste s’amuser.

Dans cette dernière catégorie, au rayon Angoisse, La maison à Claire-Voie de Brice Tarvel (Zinedi) est un recueil de nouvelles dont la précision d’écriture fait monter sans cesse la tension.

Au rayon Anticipation, Cinquante-trois présages de Cloé Mehdi (Seuil) démontre la talent de cette jeune auteure qui, après nous avoir expliqué l’avènement d’une Multitude de divinités, nous présente une de leurs messagers avec toutes ses difficultés spirituelles et matérielles. Ce roman nous offre la possibilité de réfléchir à la fois sur les pauvres et leur manque d’espoir mais aussi sur la religion et son devenir, ce qui en fait un roman puissant.

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Frédéric LENOIR, conférence “Le miracle Spinoza”, 14.01.2018

Conférence de Frédéric LENOIR le 14 janvier 2018

“Plus conscient, plus libre, plus heureux avec Spinoza !”

à Crans-Montana (Valais, Suisse).

“A bien des égards, Spinoza est non seulement très en avance sur son temps, mais aussi sur le nôtre. C’est ce que j’appelle le “miracle Spinoza”. F. Lenoir

(www.fredericlenoir.com)

Thèmes abordés :  La sagesse en général. La fondation SEVE (Savoir Vivre et Etre Ensemble) et les ateliers philo et méditation pour les enfants et adolescents. La vie de Baruch Spinoza, son intransigeance avec la vérité, la cohérence de sa vie avec son oeuvre. Changement de regard (politique, religieux, l’être humain. l’anthropologie, l’éthique, la laïcité…). Le désir est l’essence de l’homme, les affects et les pensées adéquates et non adéquates, apprendre à réorienter son désir. Dualité joie/tristesse . Passions tristes et vie personnelle. Passions tristes et vie politique. La morale. L’ union de l’âme et du corps, et joie active.  La psychologie des profondeurs.  Jésus, Dieu, la métaphysique selon Spinoza.

SPINOZA | Dieu n’attend rien de nous | Charles Robin, LE PRÉCEPTEUR

📏 Spinoza est surtout connu pour sa vision déterministe du monde. Mais il est également l’un des rares philosophes à s’être opposé frontalement à la tradition religieuse de son époque. Pour lui, Dieu n’est pas un être séparé du monde et juge de nos actions. Coup de projecteur sur une philosophie aussi originale que captivante.

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👨🏻‍🏫 QUI EST LE PRÉCEPTEUR ? Charles Robin est précepteur et enseignant en philosophie, français et mathématiques. Depuis plusieurs années, il accompagne des élèves de tous niveaux dans leur parcours scolaire. Ses élèves l’apprécient pour son franc parler, son sens de l’écoute et sa capacité à rendre claires des notions parfois complexes. Son projet, à terme, est de créer une école populaire autonome dans laquelle seraient valorisés les savoirs fondamentaux, les arts et l’initiative collective.

SPINOZA | Le déterminisme | Charles Robin, LE PRÉCEPTEUR

📏 Théoricien du déterminisme, Spinoza n’en reste pas moins convaincu qu’une forme de liberté est accessible à l’homme. Pour lui, notre liberté réside dans notre “puissance d’agir” et dans la joie que procure la compréhension des causes de ce qui nous affecte. Analyse de cette conception.

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👨🏻‍🏫 QUI EST LE PRÉCEPTEUR ? Charles Robin est précepteur et enseignant en philosophie, français et mathématiques. Depuis plusieurs années, il accompagne des élèves de tous niveaux dans leur parcours scolaire. Ses élèves l’apprécient pour son franc parler, son sens de l’écoute et sa capacité à rendre claires des notions parfois complexes. Son projet, à terme, est de créer une école populaire autonome dans laquelle seraient valorisés les savoirs fondamentaux, les arts et l’initiative collective.

SPINOZA | Le libre-arbitre n’est-il qu’une illusion ? | Charles Robin, LE PRÉCEPTEUR

Esta iniciativa de descodificar o pensamento complexo de Espinoza para ser entendido por alunos de vários graus de ensino, é fantástica. Não é qualquer um que pode adentrar-se pela matéria da ÉTICA, por exemplo, ou mergulhar na controversa (no seu tempo considerada um sacrilégio) questão de Deus e Natureza, ou questionar se o livre arbítrio está ao alcance de todos ou tem que transpor obstáculos. Entrar nestas questões pela mão de alguém como Charles Robin é um exemplo a seguir. Até, ou sobretudo, em Portugal, onde os alunos podiam ser estimulados pelo facto de Baruch Espinoza, nascido em Amsterdão, ser filho de portugueses de cultura judaica.

Helena Ventura Pereira

👨🏻‍🏫 QUI EST LE PRÉCEPTEUR? Charles Robin est précepteur et enseignant en philosophie, français et mathématiques. Depuis plusieurs années, il accompagne des élèves de tous niveaux dans leur parcours scolaire. Ses élèves l’apprécient pour son franc parler, son sens de l’écoute et sa capacité à rendre claires des notions parfois complexes. Son projet, à terme, est de créer une école populaire autonome dans laquelle seraient valorisés les savoirs fondamentaux, les arts et l’initiative collective.

📏 Spinoza est souvent cité comme le philosophe ayant le mieux démontré que le libre-arbitre n’est qu’une illusion. Et pourtant, une lecture plus approfondie de son oeuvre montre que les choses sont loin d’être aussi simples. C’est ce que nous allons voir dans cette vidéo.

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Palavras em Tempos de Crise | Luis Sepúlveda | por Almerinda Bento in Esquerda.net

Embora abarcando temas muito diversos, o facto de ter sido escrito em 2012, faz com que muitos dos artigos deste “Palavras em Tempos de Crise” sejam verdadeiros manifestos de um homem de esquerda. Por Almerinda Bento

Há um ano tomámos conhecimento de que Luis Sepúlveda, que tinha estado nas Correntes d’Escritas na Póvoa de Varzim, estava infectado com o novo coronavírus. Viria a falecer em meados de Abril com apenas 70 anos e para quem gostava do homem e dos seus livros, foi um choque e uma grande tristeza. Ainda tenho por ler alguns dos seus livros e este ano, quando seleccionei os livros que iria ler, fui buscar um deles e, no “sorteio” dos 27 títulos a ler este ano, tirei o papelinho que dizia “Palavras em Tempos de Crise”.

Não sei se foi o facto de “Rosas de Atacama” ter sido um dos primeiros livros que li de Sepúlveda, esse livro sempre teve um lugar muito especial no meu coração. Mal comecei a ler “Palavras em Tempos de Crise”, percebi que a estrutura era parecida: pequenos artigos, experiências e reflexões pessoais.

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LE CERCLE DES ÂMES PIEDS NUS | Hanane Trinel Ourtilani

Ceci est un cercle de lecture.

Chaque mois,les membres proposeront un thème de lecture avec une liste de livres. Tous pourront y participer .

Chaque thème est ouvert du 1 et au dernier jour du mois, un article sur le groupe le présente. Les membres votent pour le ou les livres qui seront abordés. Les membres publient ensuite des billets : divagations sur le thème, comptes rendus de lecture , propositions musicales ou picturales en rapport.

Pour celles ou ceux qui souhaitent parler de leur lecture de vive voix, nous pouvons organiser des salons de discussion en ligne, chaque vendredi ou samedi. Vous pouvez aussi vous donner rendez vous dans votre ville et vous réunir. Nous serons très heureux de voir des photos de ces rencontres.

Vous pouvez écrire, des textes, en rapport avec le thème choisi.

L’âge, le sexe, ou la profession importe peu, le cercle sera d’autant plus enrichissant qu’il réunira des profils différents. Les berbérophones et les arabophones sont les bienvenus et peuvent aussi participer, pour les œuvres traduites.

Le but est aussi de créer un lien social autour du livre, et voir émerger de nouvelles amitiés, c’est cela, le plaisir de lire ensemble.

GRÃOS DE AMOR | Maria Helena Ventura

Escorrem pelo corpo

recessivos

estes grãos de amor sobejo.

Que devo fazer com eles

se tão alheios são

ao sossego?

Ao contrário:

que devo fazer sem eles

se tanto agasalho dão

ao silêncio?

Escorrem em centelhas

deserdadas

pelos sulcos da pele salgada

na pungência acesa

de marulhos indóceis

Maria Helena Ventura | PEDRA DE SOL

Tela de FRANCISCO Ángel GUTIÉRREZ (1906-1945 | A DESPEDIDA

Che Guevara | Hasta siempre, Comandante!

Over 500 photos of Che, with 5 interesting versions of the song Hasta siempre, Comandante, by Carlos Puebla: Ahmet Koc, Classico Latino, Jan Garbarek, and Paquito de Rivera.

Ernesto trascendió en el tiempo, eso se llama inmortalidad, no ha muerto , vive en el corazón de millones, a pesar de los de siempre que tratan vanamente de borrarlo de la Historia.

O comunismo Agostiniano do Espírito Santo | Gabriel Leite Mota | in Jornal Económico

Agostinho da Silva previa que chegaria o tempo da gratuidade da vida, em que as máquinas já produziriam tudo o que o ser humano precisava para viver, tornando-o livre para ser o poema que estava destinado a ser.

Um dos grandes pensadores portugueses do século XX foi Agostinho da Silva.

Nos anos 90 desse século, regressado a Portugal depois de longa estadia no Brasil, onde teve grande impacto académico e público, Agostinho da Silva surpreendeu os portugueses com a sua filosofia na ponta da língua, particularmente durante uma série de entrevistas que deu para a RTP com o título de “Conversas vadias”, em que diferentes entrevistadores iam tentar decifrar e explorar o pensamento do filósofo. Estas entrevistas (disponíveis para visualização na internet) são um testemunho brilhante do seu pensamento, ao mesmo tempo profundo e provocador.

À época, muitos criticavam-no por entenderem que ele se contradizia, por ter o hábito de não ser absolutamente definitivo ou categórico nas suas respostas e, muitas vezes, responder com perguntas às perguntas (aí, o que Agostinho da Silva estava a fazer era, tão-só, querer ser preciso e clarificar o que realmente estava a ser perguntado). Na prática, notou-se nestas entrevistas, muitas vezes, uma décalage de profundidade filosófica entre os perguntadores e o respondente, e a perplexidade dos entrevistadores tinha muito a ver com isso.

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Baruch Spinoza | Um convite à alegria do pensamento

Apontado como um dos grandes racionalistas na assim chamada Filosofia Moderna, Baruch Spinoza (1632-1677) é considerado o “pai” do criticismo bíblico moderno e um dos primeiros pensadores a formular uma potente crítica contra as ideologias estabelecidas.

Filósofo de poucas obras publicadas em vida, em função da excomunhão e censura que lhe foram infligidas pela comunidade hebraica de Amsterdã, o holandês inspira a discussão de capa da IHU On-Line desta semana.

Consideradas fantasias, as leituras místicas e alegóricas da Bíblia são criticadas por Spinoza, aponta Maria Luísa Ribeiro Ferreira, da Universidade de Lisboa. Apesar de Deus ser central na sua Ética, não se trata daquele judaico-cristão, pondera.

No pensamento político de Spinoza, o exercício da democracia como potência e virtude caminha ao lado de uma compreensão das causas da obediência, que não deve ser “insensata”, argumenta Diego Tatian, da Universidade Nacional de Córdoba, Argentina.

http://www.ihuonline.unisinos.br/media/pdf/IHUOnlineEdicao397.pdf

Did Einstein believe in God? | MARCELO GLEISER | com tradução para português e francês

Here’s what Einstein meant when he spoke of cosmic dice and the “secrets of the Ancient One”.

MARCELO GLEISER

  • To celebrate Einstein’s birthday this past Sunday, we examine his take on religion and spirituality.
  • Einstein’s disapproval of quantum physics revealed his discontent with a world without causal harmony at its deepest levels: The famous “God does not play dice.”
  • He embraced a “Spinozan God,” a deity that was one with nature, within all that is, from cosmic dust to humans. Science, to Einstein, was a conduit to reveal at least part of this mysterious connection, whose deeper secrets were to remain elusive.

Given that March 14th is Einstein’s birthday and, in an uncanny coincidence, also Pi Day, I think it’s appropriate that we celebrate it here at 13.8 by revisiting his relationship with religion and spirituality. Much has been written about Einstein and God. Was the great scientist religious? What did he believe in? What was God to Einstein? In what is perhaps his most famous remark involving God, Einstein expressed his dissatisfaction with the randomness in quantum physics: he “God doesn’t play dice” quote. The actual phrasing, from a letter Einstein wrote to his friend and colleague Max Born, dated December 4, 1926, is very revealing of his worldview:

Quantum mechanics is very worthy of regard. But an inner voice tells me that this is not the true Jacob. The theory yields much, but it hardly brings us close to the secrets of the Ancient One. In any case, I am convinced that He does not play dice.

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Fernando Pessoa | O amor, quando se revela

O amor, quando se revela,

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p’ra ela,

Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há-de dizer.

Fala: parece que mente…

Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

P’ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;

Quem quer dizer quanto sente

Fica sem alma nem fala,

Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe

O que não lhe ouso contar,

Já não terei que falar-lhe

Porque lhe estou a falar…

Última hora! Alerta! | Paulo Fonseca

A Associação Nacional de Treinadores de Futebol reuniu esta madrugada de emergência com a Liga de Futebol Profissional para exigir um novo processo contra o Sporting Clube de Portugal.

<<É inaceitável que se promova o trabalho infantil desta maneira escandalosa, à vista de toda a gente, numa impunidade que humilha a lei e o direito>>, confidenciou o presidente da ANTF à nossa reportagem.

E continuou : <<o Sporting colocou em campo uma criança que acabou de fazer 16 anos, num jogo oficial de adultos, retirando o carinho materno e a catequese ao jovem vítima desta irresponsabilidade>>

.Da parte do conselho de disciplina, a nossa reportagem gravou a certeza de que esta provocatória exploração de trabalho infantil não ficará impune….<<

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OPINIÃO | Rui Bebiano

Rui Bebiano: “A forma de impedir o retorno da direita ao poder, com todas as consequências das quais já tivemos um vislumbre na ação calamitosa e deprimente do governo neoliberal de Passos Coelho, passará assim por estabelecer uma estratégia de aproximação entre as diversas forças. No sentido de construir um acordo em condições de superar as debilidades que puseram termo ao anterior e de não se limitar, como aconteceu, a renhidas negociações parlamentares, por vezes com o aspeto de chantagem. Só que, para que tal seja possível, é necessário que todos, sem exceção, criem mecanismos transparentes de compromisso e de mobilização. Nesta fase parece difícil, mas não o fazerem será imperdoável. E também suicidário.”   / /in  A Terceira Noite : https://www.aterceiranoite.org/2021/03/20/as-sondagens-e-o-dever-da-esquerda/

Europa, colónias e velhas glórias | Carlos Matos Gomes

Porquê este reacender de labaredas do passado? Perguntava-me um amigo, natural de Angola, homem do mundo do petróleo e da defesa do meio ambiente.

A pergunta surgiu após vários artigos e reportagens a propósito do início da guerra colonial portuguesa em Angola, 1961.

África — nem conquistada nem ocupada

Uma das razões para este revivalismo colonial pode ser da ordem do subconsciente coletivo. Da ideia que os europeus construíram de si como centro do mundo e dos portugueses serem entre os europeus (com os gregos) aqueles em que, porventura, é maior a distância entre a realidade da sua história e a imagem que dela têm.

Independentemente da relação de cada um dos povos europeus com África, a África negra é o único dos continentes que os europeus dominaram, mas não conquistaram. Os europeus nunca dominaram nem conquistaram a Ásia. Nem a Índia, nem a China, nem a Indochina, nem o Japão. Todos esses imensos territórios (continentes) mantiveram no essencial as suas culturas, as suas instituições e mantêm-nas até hoje. Quanto ao continente americano, norte e sul, os europeus aniquilaram as culturas e os povos locais e ocuparam-no através da conquista.

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«Dar de comer a quem tem fome» | a Pastoral do Bispo de Beja, em 1953 | via Helena Pato

«Dar de comer a quem tem fome» – a Pastoral do Bispo de Beja, em 1953Um apelo à caridade cristã como forma de superar a dolorosa situação de fome nas populações alentejanas. Mas contem um quadro real da enormíssima pobreza à época, corajosamente denunciada nessa pastoral. Em minha opinião é uma surpreendente pastoral, onde fica dito: «Saudemos e bendigamos essas iniciativas e auroras de benéficas esperanças; que se congreguem, sim, todas as boas vontades para as levar a cabo; que se institua um regímen de trabalho que dê a cada um aquilo a que tem insofismável direito, mas o que importa desde já, e para já, é atenuar a gravidade da hora presente e essa só entra em aspectos de solução proporcionando o alimento aos que têm fome!»

( na íntegra, abaixo)

O AMPARO DOS POBRES

Para as Crianças – para os Inválidos – para os sem Trabalho

Meus caríssimos diocesanos:

SEM esquecer a palavra profética de Jesus Cristo, de que há-de haver sempre pobres no meio de nós, sem pretender estudar as origens dum problema gravíssimo e, muito menos, dar-lhe cabal remédio, eu venho dirigir aos corações bondosos, caritativos e generosos um veemente apelo pastoral que se resume na verificação deste facto doloroso: as condições económicas dos pobres não têm melhorado, antes se agravam impiedosamente, de ano para ano, e o estendal da sua miséria é cada vez mais lancinante. Não posso calar por mais tempo a denúncia de circunstâncias no nosso Baixo Alentejo – não tenho senão que confinar-me aos limites da minha Diocese – que tornam amargurante, definhadora e horrivelmente descaridosa a vida das classes proletárias rurais, circunstâncias que as lançam numa parte sensível do ano nos braços da fome. Seria parcialidade negar os importantes esforços para vencer este mal, já por meio das organizações oficiais, no notável desenvolvimento da assistência pública, no constante progresso das instituições de mutualidade, na periódica preparação de contractos colectivos de trabalho – contractos que ainda não beneficiam as classes rurais – já por tantas obras de caridade particular disseminadas por vilas e aldeias, e pelas generosidades pessoais de tantos corações beneméritos. Tem-se feito alguma coisa: é indubitável. Se as iniciativas oficiais são de louvar, também há que fazer justiça, sincera e profunda, aos sentimentos caritativos do povo alentejano, e aos arreigados e compreensivos movimentos duma compaixão que se traduz em fazer bem, em valer aos necessitados.

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Uma longa viagem | João Céu e Silva

Não é preciso ser historiador, cronista ou especialista em política para se apaixonar pela Longa entrevista que fiz em 42 tardes a Vasco Pulido Valente e que chega em livro às livrarias dia 25. Basta ter uma pontinha de curiosidade sobre o que tem sido a nossa História nos últimos 200 anos, vista por alguém que não fazia cedências, e estar disposto a não largar a narrativa de VPV enquanto não chegar ao fim.

PRECISAMOS MESMO DE UM NOVO AEROPORTO? | RAZÃO E PRECONCEITO | por Viriato Soromenho Marques – DN

«Numa notável crónica, Daniel Deusdado demonstrou de modo fundamentado e convincente a insensatez da insistência em construir na Margem Sul qualquer aeroporto complementar ao da Portela (DN, 07 03 2021). Mesmo antes da pandemia, todo este processo – que agora ainda fica mais desfocado com o ressuscitar da falsa opção entre Montijo e Alcochete – estava à partida programado para dar um resultado favorável, independentemente dos fortíssimos factores contrários: as irregularidades no processo de avaliação ambiental (tanto na vertente da protecção da biodiversidade como dos impactos das alterações climáticas); a falta de objectividade do Ministério do Ambiente; as objecções dos representantes dos pilotos sobre os enormes riscos colocados à segurança de aeronaves e passageiros; uma análise custo-benefício irrealista…

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MANUEL ZERBONE (1855-1905) | crónica do quotidiano faialense]

(…) Tu já assististe, leitora da minha alma, numa dessas manhãs de Julho, quando o sol começa a espreitar por cima do dorso gigante do Pico a água tranquila da baía, para onde ele deixa correr o oiro dos seus raios numa faixa de luz que treme e corre – um rio de oiro regando um prado de safiras – já assististe numa dessas manhãs claras à chegada dos barquinhos que nos trazem da fronteira ilha a lenha para cozermos a carne e as batatas, e os damascos para comermos em fruto nas sobremesas da estação calmosa e em amêndoa nos confeitos da Semana Santa?

Já assististe, leitora da minha alma?

Pois bem, nessa doce hora de calmas poesias suaves, em que todo o ar se agita num gozo sensual, como se as frescas emanações do oceano e os deliciosos aromas dos arvoredos rumorejantes o tivessem fecundado num himeneu castíssimo, há uma brusca interrupção frisantíssima quando os barquinhos com as suas velas em triângulo – os barquinhos de que te falei – abicam à praia e vazam no sílex do areal os picarotos e as picarotas que trazem a bordo.

Os que esperam em terra gritam furiosamente pelos cestos de ameixas, pelos molhos de lenha, pelos sacos de inhames, pelos cabazes de ovos e pelas esteiras de sumagre; os que estão a bordo ainda mais gritam pelo homem que está à vara, pelo que deita a poita, pelo que tira o leme, pelo que apanha os remos e pelo garoto que está na caverna deitando água fora.

Já presenciaste uma destas cenas, leitora adorável, lança mão agora da tua vigorosa imaginação de mulher, acrescenta à algazarra em que te falei toda a algazarra que puderes imaginar, e terás uma ideia um pouco pálida, mas todavia uma ideia, do alarido que se fez na abertura da Junta Geral, no primeiro dia deste mês de Maio – o mês das flores que nem ao menos teve flores de retórica – do ano da graça que vai correndo. (…

Manuel Zerbone, «Crónicas Alegres», I. Organização de Carlos Lobão. Câmara Municipal da Horta, 1989. (Crónica de 10.05.1885, pp. 41-42)

Mariana Mazzucato | A economista que defende uma mudança radical do capitalismo para o mundo pós-pandemia

Mariana Mazzucato é professora de Economia da Inovação na University College London, no Reino Unido

Mariana Mazzucato é considerada uma das economistas mais influentes dos últimos anos. E existe algo que ela quer ajudar a consertar: a economia global.

“Admirada por Bill Gates, consultada por governos, Mariana Mazzucato é a especialista com quem outras pessoas discutem por sua conta e risco”, escreveu a jornalista Helen Rumbelow no jornal britânico The Times, em um artigo de 2017 intitulado “Não mexa com Mariana Mazzucato, a mais assustadora economista do mundo”.

Para Eshe Nelson, da publicação especializada Quartz, a economista ítalo-americana não é assustadora, mas “franca e direta, a serviço de uma missão que poderia salvar o capitalismo de si mesmo”.

O jornal The New York Times a definiu como “a economista de esquerda com uma nova história sobre o capitalismo”, em 2019. Em maio deste ano, a revista Forbes a incluiu no relatório: “5 economistas que estão redefinindo tudo. Ah, sim, e elas são mulheres”.

“Ela quer fazer com que a economia sirva às pessoas, em vez de focar em sua servidão”, escreveu o colunista Avivah Wittenberg-Cox.

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A propósito dos 100 anos do PCP | O PCP e a independência das colónias | Vítor Dias in O Tempo das Cerejas

Título no «Avante! de Julho de 1961

Contam-me que, num recente debate de âmbito universitário sobre os 100 anos do PCP, um historiador voltou a menorizar o papel do PCP na luta contra a guerra colonial preferindo atribuir uma maior coerência nessa luta a sectores católicos e de extrema-esquerda.

Sobre o assunto, entendo sublinhar o seguinte :

1. Bastaria consultar a imprensa clandestina do PCP, os seus numerosos comunicados e materiais de agitação, as emissões da Rádio Portugal Livre (que teve um enviado à guerrilha do PAIGC na Guiné-Bissau) ou ter em conta as acções da ARA contra o aparelho de guerra colonial para se concluir da completa falta de fundamento da referida menorização.

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Spinoza, Einstein e liberdade | MARCELO GLEISER

Minhas idéias estão próximas das de Spinoza: admiração pela beleza e crença na simplicidade lógica da ordem e da harmonia que percebemos, humilde e imperfeitamente. Devemos aceitar que nosso conhecimento é imperfeito e tratar questões morais e valores como problemas humanos.”

Assim escreveu Albert Einstein, referindo-se a Bento (ou, em seu nome judaico, Baruch) Spinoza, o grande filósofo de origem portuguesa que viveu em meados do século 17 na Holanda. Os dois tinham um espírito rebelde e iconoclasta, pondo-se contra a ordem vigente: Einstein repensando como compreendemos e representamos o espaço, o tempo e a matéria, e Spinoza abolindo Deus como guia necessário para a moral humana.

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RAPIDAMENTE E EM FORÇA | Francisco Seixas da Costa

Se acaso eu fosse democrata e adulto nos anos 40 e 50 do século passado, teria sido um orgulhoso colonialista.Como o haviam sido, desde o século XIX, os republicanos, os combatentes contra a ditadura, os anti-fascistas. Ser colonialista, ser adepto da manutenção do império colonial era um desígnio nacional, patriótico. Os republicanos puseram o país a ferro e indignação porque a “pérfida Albion” nos não deixou executar o sonho do “mapa cor-de-rosa”.

Portugal teimou, depois, em ir para a Grande Guerra para defender as suas possessões ultramarinas, as suas colónias. Cunha Leal, expoente da luta contra Salazar, era um ferrenho colonialista. Norton de Matos, antigo governador-geral de Angola, pedia meças ao ditador de Santa Comba no interesse em manter a nossa África nossa.

Nos anos 50, até o movimento descolonizador ter começado a abalar as anteriores certezas da esquerda portuguesa, as colónias eram “nossas”. Repito o que disse, com total convicção: se acaso fosse democrata e adulto nos anos 40 e 50 do século passado, teria sido um orgulhoso colonialista.

A legitimidade da “posse” colonial só começou a ser posta em causa, em Portugal, pelo PCP. Honra lhe seja! Fê-lo, naturalmente, porque a opinião de quem o guiava (leia-se, Moscovo) tinha entretanto mudado. Já havia tido lugar, entretanto, a Conferência de Bandung. A China de Mao, ainda antes do cisma sino-soviético, já tinha cheirado “l’air du temps” e pressentido que o “terceiro-mundo”, a Tricontinental, o suposto “não-alinhamento”, eram a nova fronteira de um Norte-Sul inevitável.

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