Mortos sem valor de mercado | Carlos Matos Gomes

Desenvolvemos uma sociedade onde tudo — mas tudo — tem um valor de mercado. Onde não existem pessoas, mas produtos e consumidores. Tudo é mercado. Esta é a civilização que criámos. O coronavirus expôs os fundamentos dessa “descivilização” que tem como farol os Estados Unidos da América e a Big Apple, Nova Iorque, como capital. Nós, os portugueses e os europeus, pertencemos a essa civilização. Quando o presidente dos Estados Unidos aponta o dedo à China como responsável pela pandemia está a dizer que a “nossa” civilização perdeu, apodreceu, está a reconhecer: A nossa Maçã está podre!

Há dias a comunicação social da nossa civilização mostrava a sede do império — Nova Iorque, a Grande Maçã, a metrópole que não dorme, a da Wall Street, a Bolsa que impõe o valor dos produtos no mercado, a Lota Mundial — a enterrar mortos do “vírus chinês” em valas comuns abertas por escavadoras, porventura chinesas, ou japonesas, ou coreanas, operadas por hispânicos! Conclusão a tirar da confissão de Trump: a China obrigou o nosso império a enterrar os seus mortos sem valor de mercado em valas comuns. Para aí vão os que, no Império do Mercado, não têm dinheiro para pagar um seguro privado de saúde, um fundo privado de pensões, um funeral como os que aparecem nos filmes, num campo relvado e música de fundo! As mesmas valas onde, provavelmente, há uns anos foram enterradas as vacas loucas, aquelas que sofreram uma degenerescência neurológica, ou os frangos da gripe aviária, ou os porcos da peste suína (que veio de Hong Kong) que também já foram sacrificados por não terem valor de mercado.

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É sempre no amor que pouso os ramos | Maria Isabel Fidalgo

É sempre no amor que pouso os ramos
e nele planto acácias ou faço florescer
rosas e cerejas no inverno gélido.
Dir-me-ás que repito as flores e os frutos
que massacro de primavera os versos
que soletro gorjeios violáceos
para falar de amor.
E eu dir-te-ei que sim
que é sempre no amor que pouso os ramos
e que nele colho o sémen a bússola a maravilha.
Porque o amor faz-me dançar nas árvores altas
faz-me correr nos bosques
castiga-me de estrelas
traz-me um tempo de palavras cálidas
nas cordas do frio rigoroso.
Por isso,
é sempre no amor que pouso os ramos
e crescem-me galhos de aves no coração.

maria isabel fidalgo

27) – C19 Upshot | Como será o nosso futuro pós-pandémico. Economistas, investidores e CEOs sobre como o coronavírus mudou para sempre o mundo | Manhattan deserta se trabalhar em casa se tornar a norma | Paulo Querido

🌐 – Bloomberg // Como será o nosso futuro pós-pandémico. Economistas, investidores e CEOs sobre como o coronavírus mudou para sempre o mundo.Alguns analistas dizem que o fundo está próximo, mas poucos esperam que a economia volte ao estado anterior à pandemia. Prepare-se para um alívio maciço da dívida, mais intervenção do governo, aumento das tensões China-EUA e, pelo lado positivo, mais mulheres na força de trabalho.

Que se passa?

A Bloomberg pediu a várias personalidades mundiais da economia, finança e política o seu melhor palpite sobre como as nossas vidas serão fundamentalmente mudadas.

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26) – C19 Upshot | Uma abordagem estratégica para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas COVID-19 | Pela conquista de novos direitos laborais na pandemia | Paulo Querido

💉 Lawrence Corey et al – Science Magazine // Uma abordagem estratégica para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas COVID-19Os coronavírus têm um genoma de RNA de fita simples com uma taxa de mutação relativamente alta. Embora tenha havido alguma deriva genética durante a evolução da epidemia, as principais alterações não são extensas até o momento, especialmente nas regiões consideradas importantes para a neutralização; isso permite um otimismo cauteloso de que as vacinas projetadas agora serão eficazes contra cepas circulantes daqui a 6 a 12 meses.

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Nasceu um movimento que junta os dois lados do Atlântico para combater o populismo

Yanis Varoufakis, Rui Tavares, Bernie Sanders, Naomi Klein, Noam Chomsky e Fernando Haddad são alguns dos nomes do movimento de esquerda que acaba de ser criado.

Nasce esta segunda-feira no mundo virtual a Internacional Progressista. Em causa estão dois movimentos , dos dois lados do Atlântico, que se juntam num online para gritar pela justiça dos povos. A ideia junta o pensamento do senador Bernie Sanders à ação politica de Yanis Varoufakis.

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25) – C19 Upshot | Não tenhamos ilusões quanto ao capitalismo verde: precisamos de uma visão de decrescimento | Em que dados do Covid-19 podemos afinal confiar? | Paulo Querido

💚 Guilherme Serôdio e Hans Eickhoff – Público // Não tenhamos ilusões quanto ao capitalismo verde: precisamos de uma visão de decrescimentoParece que não há coragem para pensar ou liderar a necessária luta ecológica pela transição da sociedade. Será que uma análise verdadeiramente ecológica, sóbria, corajosa e profunda do problema “não vende”?

A situação atual é assustadora

Os autores consideram urgentemente ter a coragem e a humildade de questionar posicionamentos que se defenderam durante vidas inteiras. É preciso ter a coragem de aceitar que não devíamos, nem “relançar a economia”, nem andar como loucos à procura de soluções tecnológicas que resolveriam magicamente os nossos problemas.

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24) – C19 Upshot | A pandemia e a recolonização do tempo | O relato de uma doente que sobreviveu ao novo coronavírus | Paulo Querido

🕰️ Çiğdem Boz e Ayça Tekin-Koru – Social Europe // A pandemia e a recolonização do tempoA expansão do tempo livre durante a crise poderia levar a uma reavaliação do lazer e a uma esfera pública revalorizada.

Que se passa?

Um texto deveras interessante: as autoras debruçam-se sobre um efeito inesperado do confinamento, a valorização do que entendemos por tempos livres. O lazer é entendido hoje como tempo livre. Esta é, no entanto, uma versão diminuída do lazer na tradição aristotélico-marxista. Para os gregos antigos, lazer não significava perder tempo. Pelo contrário, era a forma ideal de autonomia temporal para exibir as virtudes superiores: bondade, verdade e conhecimento.

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A Censura no Estado Novo de 1926 a 1974 | Jorge Alves

Todos sabemos, talvez alguns mais novos desconheçam, que o Estado Novo dos infelizes tempos da outra senhora amordaçava a Comunicação Social então existente com a Censura. Ou seja, não existia de todo liberdade de imprensa. Salazar e o seu seguidor, Marcelo Caetano, montaram uma imensa teia por todo o País e pelas colónias que visava não deixar passar nos jornais, na Rádio e na Televisão tudo o que pudesse ser em desfavor do regime. Essa teia, que actuava em estreita colaboração com a famigerada PIDE/DGS, era tecida por militares e civis afectos aos fascistas, que então controlavam tudo e todos neste nosso Portugal.

Vamos então ver como actuava a Censura, por quem era formada e o ridículo de boa parte das suas actuações?

Vamos então por partes. Nada ia para o prelo ou para o ar sem primeiro passar pelo crivo da Censura. Os senhores militares designados para o efeito, refastelados nos seus cadeirões, tudo viam e analisavam. E não só artigos, mas também peças de teatro ou argumentos de cinema. Tudo tinha de estar conforme aos desígnios do senhor professor Salazar, que Deus Nosso Senhor e a Virgem Maria o abençoassem. Pelo menos era o que dizia sua eminência o senhor cardeal Cerejeira. À cintura não traziam arma, mas sim um lápis azul com que riscavam isto e aquilo. Por vezes riscavam simplesmente tudo. E quem eram esses homens? Geralmente oficiais superiores do Exército, na reserva ou no activo, que encontravam assim, as mais das vezes, um excelente pretexto para não serem destacados para a Guerra Colonial. E além disso ganhavam mais do que os seus pares. Raros foram os civis que integraram esse triste serviço. E quando isso sucedeu claro que eram reputados fascistas que geralmente integravam a Legião Portuguesa, guarda pretoriana do regime, e, na sua componente política, afectos à União Nacional, o partido único do regime.

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23) – C19 Upshot | O contrato racial da América está à vista | Covid-19: A vacina é o próximo campo de batalha | Paulo Querido

⚔️ Adam Serwer – The Atlantic // O contrato racial da América está à vistaA pandemia expôs os termos amargos do contrato racial americano, que considera certas vidas de maior valor que outras. Quando percebeu quem o vírus mais matava, a administração Trump relaxou o combate.

Hipocrisia racial tornada política

A epidemia de coronavírus tornou visível o contrato racial de várias maneiras. Uma vez que o impacto desproporcional da epidemia foi revelado à elite política e financeira americana, muitos começaram a considerar o aumento do número de mortos menos como uma emergência nacional do que como um inconveniente. Medidas temporárias destinadas a impedir a propagação da doença restringindo o movimento, obrigando o uso de máscaras ou impedindo grandes reuniões sociais tornaram-se tirânicas. A vida dos trabalhadores na linha de frente foi considerada tão inútil que os legisladores querem aliviar os seus empregadores da responsabilidade, mesmo quando os forçam a trabalhar em condições inseguras. No leste de Nova York, a polícia agride moradores negros por violar regras de distanciamento social; na parte baixa de Manhattan, distribuem máscaras e sorrisos para pedestres brancos.

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DIA DA VITÓRIA SOBRE O NAZISMO | 9 Maio de 1945

Soldado hasteia bandeira soviética no telhado do Reichstag, a sede do Parlamento alemão, em 9 de maio de 1945 – Foto: Yevgeny Khaldei

“O mundo nunca viu maior devoção, determinação e auto-sacrifício do que o que foi mostrado pelo povo russo e pelos seus exércitos … Com uma nação que, ao salvar-se, está assim a ajudar a salvar todo o mundo da ameaça nazi, este nosso país deve sempre sentir-se feliz por ser um bom vizinho e um amigo sincero no mundo do futuro.”

Franklin Delano Roosevelt

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino

Projeto Adota um Avô

Jovens Voluntários | Projeto “Adota um Avô”
O projeto “Adota um Avô” pretende juntar jovens e idosos a fim de combater a solidão nesta fase de quarentena. Esta iniciativa nasceu em Abrantes, mas queremos expandi-la por Portugal.

Em cada Família há um jovem voluntário e um sénior que conversam e se aproximam durante este período de isolamento social. O jovem voluntário é responsável por ligar ao seu Avô adotado para conversar e fazer companhia. Durante o período de quarentena é completamente proibido o jovem e o sénior encontrarem-se, pelo que o contacto é sempre feito por telefone. No final do projeto, depois da quarentena acabar, o objetivo é organizar um convívio entre os netos e avós, por localidade.

Por segurança, ao jovem só é dado o primeiro nome e contacto do idoso e vice-versa. O custo das chamadas telefónicas que o voluntário faz para o avô ficam a seu cargo.

Se tens entre 18 e 30 anos e queres ajudar a atenuar a solidão de um idoso, este é o projeto ideal para ti!

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScXuzpJk9WU_9ycJh-wen1BizzrFsT5f6JTeVGRhmwEA_B6mA/viewform

22) – C19 Upshot | O “barril de pólvora” das residências para idosos de Madrid, Rumo a um rendimento mínimo europeu | Paulo Querido

👵🏻🦠 Julio de la Fuente – ctxt.es // O “barril de pólvora” das residências para idosos de MadridApenas 5% dos lares e 12% das suas vagas são administrados diretamente pelo governo regional, facto que se mostrou essencial no combate à pandemia, uma vez que, sem capacidade real de controlo, foi muito difícil dar resposta rápida aos pedidos recebidos das administrações.

O horror espanhol explicado

Relacionando o relato cronológico da pandemia em Espanha com as respostas, sobressaem duas explicações que, juntas, não deixam margem para dúvidas. O fraco controlo das estruturas residenciais para idosos por parte das autoridades de Madrid e a lentidão em aceitar que a pandemia existia levaram ao descalabro na região (mais que no resto do país).

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Corrupção, ideologia e ética | Texto de há dois anos* | Carlos Esperança

A corrupção é suscetível de atravessar todo o espetro partidário, mas a sua incidência é mais marcada em partidos que ocupam o poder, dependendo a perceção da liberdade de informação, que só os regimes pluripartidários consentem, enquanto a ética assume um carácter pessoal, havendo, em qualquer partido, militantes impolutos e venais.

A necessidade de financiamento dos partidos e a proximidade dos grupos económicos, com porta giratória entre os governos e as empresas, promovem a corrupção, enquanto a perceção depende da comunicação social e, sobretudo, dos interesses que ela defende.

O poder judicial devia ser o garante da investigação imparcial e do julgamento isento de todos os crimes, sem prejuízo do julgamento político que cabe à AR e aos cidadãos, mas a promiscuidade que parece haver entre alguns agentes e a comunicação social tem sido motivo de preocupação com a eventual politização da Justiça.

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Michel Houellebecq | el mundo después de pandemia ‘será exactamente igual’ | in RFI.fr, texto por Alejo Schapire

Houellebecq no cree que nada vaya a cambiar, sino que las tendencias de fondo de la sociedad tecnificada se agudizarán. “En primer lugar, no creo ni por medio segundo en afirmaciones como ‘nada volverá a ser lo mismo’. Al contrario, todo seguirá siendo exactamente igual. 

El más influyente de los narradores franceses de la actualidad publica este lunes una carta en la que reflexiona sobre las consecuencias del coronavirus. El impacto del confinamiento en la escritura, la confirmación de la tendencia de una “obsolescencia en las relaciones humanas” o la disimulación de los muertos son algunos de los temas que aborda, lo que le lleva a decir que el día después el mundo “será el mismo, solo que un poco peor”.

A contramano de quienes vaticinan que ya nada será igual, que la pandemia es una oportunidad para replantearse el mundo y salir mejores, Michel Houellebecq (1956) responde con una risita desesperada que echa por tierra cualquier esperanza.

En una carta titulada “Un poco peor”, el narrador francés resume el estado del mundo tal como lo ve después de la convulsión provocada por la COVID-19.

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O direito ao contraditório e ao ruído | Carlos Esperança

Gosto de quem exerce o legítimo direito de discordar das minhas posições invocando o gosto de pensar pela própria cabeça, na insinuação subliminar de que eu penso com uma cabeça alheia.

Aprecio a alegação contra a denúncia dos crimes cometidos por Hitler, Franco, Pinochet ou Salazar com perguntas retóricas sobre os de Mao, Estaline, Enver Hoxha ou Pol Pot, como se alguma vez tivessem defesa uns ou outros.

Agrada-me o argumento irritado, quanto à denúncia de crimes cometidos por militantes de um qualquer partido, com o desfiar do rol de delinquentes de um partido concorrente, como se a bondade partidária se medisse pela conduta dos militantes.

Regozijo-me com a amnésia dos admiradores de Cavaco, Passos e Portas, que os julgam salvadores da Pátria e responsabilizam o governo anterior pelas suas malfeitorias, como se a crise financeira mundial de 2008 não tivesse existido, e ignorando que a falência de um Estado ou de uma empresa (bancarrota) não se confunde com a fissura numa banca da praça do peixe (banca rota), como há uma década vêm escrevendo.

Mas nada me extasia tanto como os ataques irritados a qualquer governo que não inclua o PSD e o seu apêndice de serviço, o CDS. Há quem, na sua crença, pense que Cavaco é um intelectual e Passos Coelho um académico. É mais um motivo para minha diversão.

Finalmente, resta-me recordar à direita truculenta a satisfação manifestada pela eleição de Bolsonaro, por Paulo Portas, Nuno Melo, Assunção Cristas, André Ventura e Luís Nobre Guedes, para não falar da carta de felicitações que Santana Lopes lhe enviou.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

21) – C19 Upshot | No ‘novo normal’, a bicicleta e o andar a pé fazem parte da cidade, Así será el día después del Covid-19, según los expertos de la mayor universidad presencial de España | Paulo Querido

🚴‍♀️ Mário Rui André – Shifter // No ‘novo normal’, a bicicleta e o andar a pé fazem parte da cidadeCom os transportes públicos sob ameaça de perder passageiros, por medo e por restrições às lotação dos veículos, e com o automóvel a não ser uma alternativa sustentável, algumas cidades já estão a olhar para a bicicleta e para o andar a pé como parte do pós-confinamento.

Sumário

O artigo passa em revista algumas mudanças em cidades europeias. Londres e Glasgow, no Reino Unido, tornaram os seus sistemas de bicicletas partilhadas gratuitas para estimular o uso – em Lisboa foi feito o mesmo mas apenas para profissionais de saúde. Também as bicicletas elétricas podem ser úteis, ajudando a descongestionar o trânsito citadino e a melhorar o ambiente. Muitas cidades pelo mundo criaram ou estão a planear criar ciclovias temporárias.

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20) – C19 Upshot | Mulheres com crianças que trabalham suportam a maior carga de stress causado pelo confinamento, What Life Looks Like on the Other Side of the Coronavirus | Paulo Querido

🌐 Cristina Benlloch, Empar Aguado e Anna Aguado – The Conversation // Mulheres com crianças que trabalham suportam a maior carga de stress causado pelo confinamentoAs mulheres não são obrigadas a trabalhar em casa e a cuidar de crianças em simultâneo, mas espera-se que devem tentar facilitar o teletrabalho dos seus parceiros

Que se passa aqui?

Cristina Benlloch e Empar Aguado, professores do Departamento de Sociologia e Antropologia Social da Universidade de Valência, e a cientista-jurista política Anna Aguado estão a realizar pesquisas para aprender como o confinamento afeta o teletrabalho e a conciliação em unidades familiares. Com entrevistas por telefone e uma pesquisa voluntária on-line concluem, entre outras observações, que são principalmente as mães que monitoram a situação escolar de seus filhos e que, em alguns casos, as mulheres precisam facilitar o teletrabalho para seus parceiros.

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Lançamento da Internacional Progressista ! | DiEM25

Na segunda-feira, 11 de Maio, o DiEM25 dá um grande salto na formação da Internacional Progressista com o lançamento da sua nova plataforma digital.

Em Dezembro de 2018, associámo-nos ao Sanders Institute para lançar um apelo aberto à formação de uma frente comum na luta contra um autoritarismo crescente.

O ano que se seguiu foi descrito como uma “Onda de Protesto Global”. De Deli a Paris, de Santiago a Beirute, os cidadãos ergueram-se para defender a democracia, exigir um nível de vida decente e proteger o planeta para as gerações futuras.

2020 é o ano em que unimos estes protestos díspares numa Internacional Progressista, juntando o DiEM25 com ativistas e organizadores, sindicatos e associações de inquilinos, partidos políticos e movimentos sociais para construir uma visão partilhada de democracia, solidariedade e sustentabilidade.

A 11 de Maio, entraremos em direto com o nosso novo website – progressive.international – e anunciaremos os nomes do nosso Conselho consultivo, incluindo rostos familiares como Noam Chomsky e Naomi Klein, políticos como Álvaro García-Linera e Áurea Carolina, pensadores como Arundhati Roy e Nanjala Nyabola, e ativistas como Carola Rackete e Vanessa Nakate.

Com DiEM25 como força motriz da Internacional Progressista, perguntamos a todos os nossos membros: podem doar ao DiEM25 para apoiar os nossos esforços na construção desta frente global?

Damos-vos as boas vindas para se juntarem a nós para darmos vida à Internacional Progressiva na próxima semana!

David

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19) – C19 Upshot | Adiando uma catástrofe na produção de petróleo | Paulo Querido

🐑 Carl T. Bergstrom e Natalie Dean – The New York Times // O que realmente significa a imunidade de grupoTalvez o mais importante seja entender que o vírus não desaparece magicamente quando o limite de imunidade do rebanho é atingido. Não é quando as coisas param – é apenas quando elas começam a desacelerar.

A experiência sueca

A Suécia enveredou por uma política diferente: não confinou a população, aplicando apenas umas frouxas medidas aos idosos. O objetivo: manter a economia a funcionar, esperando atingir rapidamente a imunidade de grupo e apostando que no longo prazo o número de vítimas será idêntico ao dos países que confinaram.

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O Futuro — talvez valha a pena pensar nele | Carlos Matos Gomes

Um vírus fez e faz tremer o planeta. Confinou habitantes de continentes, ceifou mais de 230 mil vidas, até agora, e alterou o modo de vivermos e como vamos viver. Como será o mundo que nos espera após esta crise? Que rumo devemos tomar individual e coletivamente? O jornal espanhol El País perguntou a 75 especialistas e pensadores quais as suas chaves e qual a sua visão para a nova era. Resumi 7 delas, uma por cada dia, que me pareceram mais marcantes, do meu ponto de vista. O link para o artigo encontra-se no fim. Também serve de contraponto à querela bizantina 1 de Maio contra 13 de Maio.

Vai em espanhol, mas parece-me compreensível. Todos hablamos poquito.

1. Reestruturar toda a dívida publica e privada

Así, un virus sin cerebro nos obliga a enfrentarnos a un sencillo dilema: o la zombificación de los bancos y las empresas posterior a 2008 engulle al resto de la economía, o reestructuramos masivamente la deuda pública y privada. Esta es la decisión política fundamental de nuestra época. Por desgracia, nuestras pseudodemocracias la están evitando.

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18) – C19 Upshot | Adiando uma catástrofe na produção de petróleo | Paulo Querido

⛽ Antonia Colibasanu – Geopolitical Futures // Adiando uma catástrofe na produção de petróleoRecém-chamado a intermediar um acordo global sobre cortes na produção de petróleo, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os cortes americanos são uma prioridade para o país.

Que se passa?

O armazenamento de petróleo está quase no limite da capacidade. O acordo para a extração limitada pode fracassar ou ser insuficiente, o que levaria a uma catástrofe com o preço do petróleo a cair até ao zero neste mês de maio.

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As Fúrias da Televisão — Oresteia e as Erínias | Carlos Matos Gomes

Vejo pouca televisão. A televisão interessa-me mais enquanto meio de manipulação de opinião (a sua verdadeira função) do que como meio de informação ou de entretenimento. Já vi menos. Agora mais, por efeito colateral do cofinamento. Vou percorrendo as estações. Há menos anúncios, logo, menos dinheiro, mais luta interna, mais espaço para cada estação mostrar os seus interiores, a sua alma, a natureza do seu produto e dos seus vendedores. A verdadeira face. Os anúncios são do melhor que as televisões apresentam, juntamente com alguns documentários. Sem anúncios, com poucos documentários, sem a peixeirada à volta do futebol, resta a televisão propriamente dita, sem maquilhagem, entregue ao seu elenco residente e aos seus guiões descarnados como os chifres de um touro que está na arena, às lutas de bastidores que são sempre o recheio mais interessante das peças, sejam farsas sejam comédias, sejam tragédias.

Tenho andado à procura nos clássicos — há tempo para os clássicos em tempos de confinamento, e eles disseram o que havia a dizer de essencial sobre a natureza humana — de referências para o que vai passando pelo palco liso dos ecrãs e imaginando o reboliço nos camarins, nos corredores. As mensagens explícitas e as sublimares. Descobri que todas as estações de televisão exibem perante nós, mais ou menos condenados à assistência, versões da Oresteia, a Triologia de Orestes, peças do dramaturgo grego Ésquilo, que o CCB apresentou em 2018.

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Le Maghreb, Le Machrek et le Portugal | L’œcuménisme dans la vision grecque de la culture ouverte | Jorge Alves

“Le Portugal, pour des raisons historiques et géographiques, ne peut et ne doit pas ignorer l’héritage historique qu’il détient du Maghreb et du Machrek. Nous devons au moins le respecter. Pour une raison simple – il fait partie de notre ADN. Et, mes chers amis, que ce serait bien si nous ne gaspillions pas le capital de sympathie que nous avons dans le monde arabe! Comme je me souviens des regards brillants et pleins d’affection de ceux qui m’ont demandé d’où je venais, dans n’importe quel coin de la Syrie ou de la Palestine, quand j’ai répondu: Portugal.”

[ JORGE ALVES , journaliste ]


Étymologie | Le Maghreb et Le Machrek ( Wikipedia )

Le Machrek peut d’abord être défini par rapport au MaghrebMachreq signifie en effet Levant, par opposition à Maghreb qui veut dire Couchant. Le Maghreb désigne aujourd’hui un ensemble septentrional de l’Afrique, qui correspond aussi à la partie occidentale du monde arabe, entre le Maroc (dont le nom arabe a longtemps été Al Maghrib Al Aqsa, ou le couchant extrême, désormais abrégé en Al Maghrib) et la Tripolitaine (en Libye), en passant par l’Algérie et la Tunisie, voire par la Mauritanie. Quand la péninsule ibérique était sous souveraineté arabe, elle était aussi incluse dans l’appellation Maghreb, de même que Malte et la Sicile.


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17) – C19 Upshot | E depois da pandemia? Dez notas para pensar o futuro | Paulo Querido

🔮 Tiago Barbosa Ribeiro – Público // E depois da pandemia? Dez notas para pensar o futuroSe ninguém tem uma bola de cristal para antecipar as mudanças, há tendências que se desenham no horizonte. Arrisco antecipar muito sumariamente dez delas.

Sinopse

O autor fornece uma lista com o que considera serem as 10 tendências do futuro pós-pandemia. Mais Estado; mais e melhor Europa; mudanças na globalização; reindustrialização; mudança de paradigmas de trabalho; mais uma legião de desempregados; digitalização e desmaterialização; emergência climática; reforço do serviço de saúde como direito fundamental; maior recolha de dados sem menor amplitude democrática; e novas regras mundiais para limitar focos de zoonoses.

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1º de Maio | Sem Novidade | Carlos Matos Gomes in Jornal Tornado

A propósito das comemorações do 25 de Abril – Dia da iberdade, e do 1º De Maio – Dia do Trabalhador. Eu, que não sou encenador, preocupei-me pouco com a encenação das cerimónias. Também não sou tutor de adultos que, para o caso são até dirigentes políticos e responsáveis por si e pela condução das coisas publicas para me preocupar com o seu grau de confinamento, nem de exposição a riscos sanitários. Dito isto, deixando o teatro aos encenadores e as preocupações sanitárias a quem de direito, a começar pelos próprios, interessou-me, enquanto cidadão conhecer o que me tinham a dizer os políticos e os dirigentes das grandes organizações de trabalhadores, afinal aqueles que regulam o nosso presente e devem preparar o nosso futuro, enquanto sociedade num momento de crise, em que tudo, mas tudo, está posto em causa. Desde logo o nosso modelo de sociedade. É sobre o conteúdo dos discursos, ou da falta dele, que aqui escrevo. Se os senhores e as senhoras estavam à distancia regulamentar, se tinham guia de marcha interconcelhia… coisas assim graves não constam do texto.

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Ecumenismo na visão grega de cultura aberta | Jorge Alves

“Le Portugal, pour des raisons historiques et géographiques, ne peut et ne doit pas ignorer l’héritage historique qu’il détient du Maghreb et du Mashrek. Nous devons au moins le respecter. Pour une raison simple – il fait partie de notre ADN. Et, mes chers amis, que ce serait bien si nous ne gaspillions pas le capital de sympathie que nous avons dans le monde arabe! Comme je me souviens des regards brillants et pleins d’affection de ceux qui m’ont demandé d’où je venais, dans n’importe quel coin de la Syrie ou de la Palestine, quand j’ai répondu: Portugal. “

—— / ——

“Portugal, por razões históricas e geográficas, não pode e não deve ignorar a herança histórica que detém do Magreb e do Mashreq. Devemos no mínimo respeitá-la. Por uma simples razão – faz parte do nosso ADN. E, meus caros amigos, que bom seria se não desperdiçássemos o capital de simpatia que temos no mundo árabe! Como me recordo dos olhares brilhantes, plenos de afecto, de quem me perguntava de onde eu era, em qualquer recanto da Síria ou da Palestina, quando eu respondia: de Portugal.”

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Citação | Jorge Alves

Bom dia, amigos.

Desde que, numa qualquer remota aldeia da antiga Mesopotâmia, um sacaninha qualquer pensou que era mais espertalhaço do que os seus vizinhos e começou a contratar os brutamontes do povoado para lhe guardarem as costas, nunca mais o Povo teve paz.

Desde que esse mesmo sacaninha se aliou a um troca-tintas qualquer que amedrontava os vizinhos com histórias de demónios, a vida do Povo passou a ser um inferno. Nunca mais a terra foi do Povo – passou a ser do sacaninha, dos brutamontes que o defendiam e dos troca-tintas dos falsos demónios.

Interrogo-me quando é que nós, o Povo, vamos finalmente correr com o sacaninha, com os brutamontes e com os troca-tintas. A terra é do Povo e para o Povo. Nós, o Povo, estamos cansados, fartos, saturados. Nós, o Povo, dizemos basta! Um bom sábado para todos.

Jorge Alves

Retirado do Facebook | Mural de Jorge Alves 

Notas Soltas – Abril/2020 | Carlos Esperança

Brasil – Ninguém melhor do que o governador de S. Paulo definiu Bolsonaro: “Temos um presidente que não está em plenas faculdades mentais para liderar um país”. Já não estava quando a IURD, o juiz Moro e interesses suspeitos o levaram à vitória eleitoral.

Turquia – Quando um chefe de Estado se torna pirata, não surpreende que retenha um avião, que faz escala no País e leva ventiladores para Espanha, com o argumento de que a carga lhe é imprescindível. A pirataria era o crime que faltava no seu currículo.

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Querido Tiago | Brindemos então aos nossos amores! | Frederico Duarte Carvalho

Querido Tiago,

Brindemos então aos nossos amores! Que as nossas mulheres nunca fiquem viúvas e que venha mais uma garrafa de rum! Sim, poderia falar das mulheres que amei e amo, mas não seria justo para elas nem para aquelas que, sabe-se lá, podem um dia também vir a querer amar-me! Tu tiveste uma vida de casado com uma figura pública e há essa história, linda, da coincidência da mensagem no telemóvel enquanto ambos, sem o saberem, estão praticamente na mesma rua. É de filme. No meu caso, tive os meus filmes, as minhas coincidências, as minhas certezas, incertezas, paixões e entregas. A todas que amei, amei. No meio disto tudo, houve um filho. O meu único filho, Álvaro. É hoje o homem que eu amo. Um loiraço de olhos azuis, inteligente, com personalidade e excelente jogador de ténis.

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16) – C19 Upshot | Economias europeias com (pequenos) sinais de recuperação | Paulo Querido

Jessica Hinds – Capital Economics // Economias europeias com (pequenos) sinais de recuperaçãoExistem sinais preliminares de melhoria da atividade económica nos dados de alta frequência, como o aumento do consumo de eletricidade em Itália e em Espanha e um tráfego ligeiramente menos deprimido nas cidades alemãs na semana passada.

A sério?!

Sim. A autora pensa que Abril pode marcar o início da recuperação. Mas avisa que ainda é muito cedo para tirar qualquer conclusão pois outros indicadores ainda precisam de mostrar progressos.

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Poesia | Sou viagem | Lançamento a 16 de Maio | Maria Isabel Fidalgo

No dia 16 de Maio será lançado, via online, mais um livro de Poesia de Maria Isabel Fidalgo, pela Poética Edições, com o título ” Sou Viagem”. Alegoria da vida, os poemas retratam uma alma aberta à beleza, aos odores e rumores do mundo, sem esquecer os lados mais dramáticos da existência. E ainda a morte, fronteira aberta para o país do pó.

 

 

 

 

Sou Viagem
vela desfraldada em pleno alto mar
em ondas revoltas
barco seguro do apeadeiro
ao longe.
Sou Viagem
fruto mais que maduro
a medir o chão na árvore alta.
Fui viagem
ventre vento leve
batente luminoso
a colorir colos berços beijos
acordar de asa a mensurar alturas.
Sempre.
Sou viagem.
Cambraia cama lavra
cinto de terra
a medir o chão do alto da árvore.

Maria Isabel Fidalgo

Querido Frederico Duarte Carvalho | O Amor é uma coisa rara | Tiago Salazar

Querido Frederico Duarte Carvalho

Voltamos sempre ao amor (e à paz e a justiça, como as Misses Mundo). Um dia li esta frase, da Hélia Correia, e guardei a sua fala para sempre. “O Amor é uma coisa rara. Tão rara como um homem evolar-se pelos ares ou um analfabeto citar Cícero em correcto latim”. A Hélia (e o Jaime Rocha), duas almas antigas e floridas, vivem um amor raro. Um amor onde assenta a poesia é do domínio da raridade. Na rua chamam-me “o poeta” ou, por vezes, “fadista”. É um equívoco perdoável. Logo eu, que tenho uma obra completa de três poesias e nada sei de decassílabos, sextilhas ou sonetos.

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15) – C19 Upshot | Companhias aéreas e gigantes do petróleo estão à beira do colapso. Nenhum governo deve oferecer-lhes a salvação | Paulo Querido

George Monbiot – The Guardian // Companhias aéreas e gigantes do petróleo estão à beira do colapso. Nenhum governo deve oferecer-lhes a salvaçãoEsta crise é uma chance de reconstruir nossa economia para o bem da humanidade. Vamos salvar o mundo dos vivos, não seus destruidores, diz o colunista do Guardian George Monbiot

Que se passa aqui?

Esta crise é uma oportunidade para reconstruir a economia para o bem da humanidade. Vamos salvar o mundo dos vivos, não os seus destruidores, defende o colunista do Guardian George Monbiot.

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A minha resposta ao CDS sobre a TAP | Pedro Nuno Santos

“A TAP não estava a ser bem gerida, mesmo antes do Covid. 800 milhões de euros é a dívida da TAP.
Pergunto-lhe senhor deputado João Gonçalves Pereira (CDS): Um empréstimo de 350 milhões garantido pelo povo português vai resolver o problema da empresa? 350 milhões acima de 800 milhões de dívida que já tem? Se a empresa não pagar, o empréstimo é de quem? É o povo português que paga. E se é o povo português que paga, é bom que seja o povo português a mandar. A partir deste momento a conversa Com a comissão executiva tem de ser feita fora do quadro do acordo parassocial, pelo Estado soberano.

Retirado do Facebook | Mural de Pedro Nuno Santos

 

HONRA OS TEUS VELHOS | Cardeal José Tolentino de Mendonça | in Jornal Expresso

Um facto ao qual não nos deveríamos habituar é este: que na informação sobre as vítimas da pandemia venha associada a sua idade e a indicação de que eram afetados por outras patologias. Não nos damos conta, mas com isso descemos, de forma irreversível, alguns degraus daquele precioso património comum a que chamamos civilização. Não discuto que a intenção possa ser virtuosa, pois supostamente visa serenar os outros segmentos da população. Mas certas serenidades induzidas têm de ser questionadas, sobretudo se reforçam a vulnerabilidade de quem já tem de suportar tanto. É fundamental que para as nossas sociedades seja claro que há coisas piores do que a infeção com o vírus da covid-19. Se os velhos são reduzidos a números, e a números com escassa relevância humana e social, podemos até superar airosamente a crise sanitária, mas sairemos diminuídos como comunidade. Rodarão as estações. A esta primavera suceder-se-á outra, porventura, mais risonha, distendida e ampla. Mas nunca mais respiraremos da mesma maneira.

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14) – C19 Upshot | Como a pandemia afeta a liderança americana no mundo | Paulo Querido

João Paulo Charleaux – Nexo Jornal // Como a pandemia afeta a liderança americana no mundoCom recorde de mortos, um sistema de saúde colapsado e taxas históricas de desemprego, os EUA vêem tornar-se mais frágil uma imagem construída a partir da Segunda Guerra Mundial. Cenário acentuado pela degeneração do quadro político interno: mesmo durante a crise, Trump não desistiu da postura permanentemente belicosa que caracterizou todo o seu mandato.

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13) – C19 Upshot | Germany’s Covid-19 expert: ‘For many, I’m the evil guy crippling the economy’ | Paulo Querido

Laura Spinney – the Guardian // Germany’s Covid-19 expert: ‘For many, I’m the evil guy crippling the economy’At the moment, we are seeing half-empty ICUs in Germany. This is because we started diagnostics early and on a broad scale, and we stopped the epidemic – that is, we brought the reproduction number [a key measure of the spread of the virus] below 1. Now, what I call the “prevention paradox” has set in. People are claiming we over-reacted, there is political and economic pressure to return to normal. The federal plan is to lift lockdown slightly, but because the German states, or Länder, set their own rules, I fear we’re going to see a lot of creativity in the interpretation of that plan. I worry that the reproduction number will start to climb again, and we will have a second wave.

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O 25 de Abril e os revivalistas militares | Carlos Matos Gomes

O 25 de Abril e os revivalistas militares

Dos que mordem a mão de quem lhes abriu a porta

Muito raramente escrevo sobre assuntos militares. Evito fazê-lo porque estou há anos fora do serviço ativo e desconheço os elementos essenciais que fundamentam as decisões.

Escrevo desta vez porque me choca a violação do princípio do respeito pelo passado entre gerações de militares, e mistificação da História que mais uma vez e a propósito das comemorações do 25 de Abril li nas redes sociais, em textos da autoria de militares retirados do serviço, mas de uma geração que cumpriu a sua carreira já depois do fim da guerra colonial e do 25 de Abril.

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Portugal em Paris | Manuel Alegre

Solitário
por entre a gente eu vi o meu país.
Era um perfil
de sal
e abril.
Era um puro país azul e proletário.
Anónimo passava. E era Portugal
que passava por entre a gente e solitário
nas ruas de Paris.

Vi minha pátria derramada
na Gare de Austerlitz. Eram cestos
e cestos pelo chão. Pedaços
do meu país.
Restos.
Braços.
Minha pátria sem nada
sem nada
despejada nas ruas de Paris.

E o trigo?
E o mar?
Foi a terra que não te quis
ou alguém que roubou as flores de abril?
Solitário por entre a gente caminhei contigo
os olhos longe como o trigo e o mar.
Éramos cem duzentos mil?
E caminhávamos. Braços e mãos para alugar
meu Portugal nas ruas de Paris.

Manuel Alegre

12) – C19 Upshot | O que mudou num mês? Não há dinheiro | Paulo Querido

Tiago Freire, Exame // O que mudou num mês? Não há dinheiro. Não sei se o governo subestimou os custos desta travagem, para as empresas e para os cofres do Estado (por exemplo com a magnitude do recurso ao layoff simplificado). Provavelmente esperaria uma ação solidária europeia, com meios que ajudassem neste momento absolutamente extraordinário, algo que o bom senso poderia razoavelmente prever. O problema é que o bom senso não é há muito critério para a atuação da União Europeia. Ao fim do dia, e por mais floreados que o esforçado Mário Centeno faça, da Europa veio uma mão-cheia de nada, e mesmo assim arrancada a ferros.

O que se passa? Sujeito à pressão contínua de múltiplos actores do comércio, indústria e restauração, completamente parados desde o início do confinamento obrigatório do Estado de Emergência, o Governo Português prepara-se para lançar um plano de reabertura da economia, quando, há poucas semanas, deixava (pouco) implícito que estaríamos confinados, para nossa segurança, durante largas semanas. O que mudou?

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Tempo de Homenagem – 25 de Abril de 1974 | João Paciência, Arqº

Tempo de Homenagem – 25 de Abril de 1974 , que hoje se comemora em tempo de pandemia e confinamento obrigatório, passados 46 anos.
Tempo de viragem para um país mais democrático e livre, que se abriu ao desenvolvimento acelerado de uma sociedade rural que então era a nossa.

Tempo de Homenagem também aos meus Mestres Arquitectos Nuno Portas e Nuno Teotonio Pereira , em cujo atelier ( Atelier Escola que era para muitas gerações), trabalhava como colaborador neste importante projecto que aqui recordo , que era o Plano de Pormenor do Alto do Restelo, ideia muito impulsionada por Nuno Portas sobre o desenho da cidade com alta densidade e baixa altura, cruzando os conceitos de morfologias e tipologias que então dominavam na época, formalizados aqui em quarteirões alongados com blocos multifamiliares e moradias em banda, formando ruas enfiadas visualmente sobre o Rio Tejo.

Aqui trabalhei quatro anos e conheci colegas brilhantes que aqui recordo e cumprimento os ainda vivos : o Pedro Botelho que desenvolveu mais as moradias , o Joaquim Braizinha , a Manuela Fazenda , o Pedro Lobo Antunes , que comigo desenvolveram os blocos, sempre com a sábia orientação dos Mestres, pese embora o Nuno Teotonio ter sido entretanto preso pela Pide .

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Querido Tiago | “era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto” | Frederico Duarte Carvalho

Querido Tiago,

Como diria o pai da Ana Margarida de Carvalho, a tua “madrinha” do PCP, “era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto”. Se estas cartas fossem como um bar, então não poderíamos falar de política, religião e futebol. Como os dois últimos temas já foram abordados, só nos faltava mesmo entrarmos no campo da política. São os ventos de Abril, claro. As portas que nos abriram, sobretudo agora, quando temos as portas que o vírus nos fechou. No que diz respeito a escolhas políticas, poderia comparar isso a escolhas clubísticas e até a escolhas de amores: não se explicam. Sentem-se. Só que a minha mente gosta de encontrar lógica até nos sentimentos.

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SÓ PARA NÃO ESQUECER | Paulo Marques

Há quatro décadas Portugal era um país triste, pobre, atrasado e analfabeto, em guerra em três colónias (que se arrastou por treze penosos anos). Nesse tempo, os mais audazes partiam rumo à emigração e os que ficavam tinham de se sujeitar às regras dum país pequenino e mesquinho, conservador e moralista, em que o lápis azul da censura “selecionava” o que os portugueses podiam ou não saber. Uma moral castradora que cortava o beijo do filme Casablanca, proibia os Beatles e a Coca-Cola, punia com multa um beijo na boca em público…

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11) – C19 Upshot | Repensar as cidades e o modo de vida | Paulo Querido

Repensar as cidades e o modo de vida

Talvez a principal oportunidade proporcionada pelo coronavirus seja a de repensarmos a forma como nos organizamos nas cidades. Ao longo dos milénios vimos acumulando mais e mais pessoas, recursos e riqueza em cidades que se tornaram estados e cresceram até se tornarem megacidades complicadas de gerir, que começam a criar mais problemas do que as soluções que oferecem. A insustentabilidade do modelo mega é hoje notória. A leitura de dois artigos abaixo propostos é uma reflexão intensa sobre o nosso modo de vida – e como o vamos modificar.

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Querido Frederico Duarte Carvalho | (…) daqui te escreve o camarada Salazar | Tiago Salazar

Querido Frederico Duarte Carvalho

Para falar de Abril e da Revolução, daqui te escreve o camarada Salazar, o único membro do Partido Comunista Português (PCP) de apelido conotado com o fascismo. Era simpatizante e votante de longa data do PCP, e passei a militante de cédula e quotas (opcionais), num Abril de há dois anos. Ninguém me sondou ou aliciou. Fui pelos meus pés, amadrinhado pela Ana Margarida De Carvalho, sem que a amizade ditasse a minha escolha.

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Dia Mundial do Livro: não deixem o vírus matar Camões | Manuel S. Fonseca

Hoje, Dia Mundial do Livro, autores, editores e livreiros estão em perigo. Tolstói ou Dostoievski, Shakespeare e Camões, Camilo ou Eça vivem, como Portugal, como o mundo, a situação calamitosa que afecta dramaticamente a nossa forma de vida, as pessoas e as empresas. Sim, os grandes romances, os grandes ensaios, os livros de ciência ou de filosofia, tal como os editores e livreiros que são a sua casa, acabam de sofrer um violento abalo. Fragilizados pelas crises económicas de 2008 e de 2011, editores e livreiros são agora, como resultado directo desta pandemia, confrontados com a mais dura ameaça que o livro já experimentou em Portugal. A espada de Dâmocles, que é a insolvência de editores e o fecho definitivo de muitas livrarias, paira sobre as nossas cabeças, sobre a cabeça dos grandes livros e dos grandes autores, o que o empobrecimento salarial dos leitores, já de si uma minoria da população, mais reforça.

CONTINUAR A LER (LINK) :  https://paginanegra.pt/2020/04/23/dia-mundial-do-livro-nao-deixem-o-virus-matar-camoes/?fbclid=IwAR11tj7weVI-o394Zlp40awhasrhLFx9EIp4R3AoOXt-Gy3-qwjMfjdOd1A

Querido Tiago | Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas | Frederico Duarte Carvalho

Querido Tiago,

Hoje é dia 23 de Abril, uma quinta-feira – isto para quem ainda faz sentido saber em que dia da semana estamos. Se a revolução de 25 de Abril tivesse de acontecer nos dias de hoje, então era hoje, a 23 de Abril, que ela deveria ter lugar. Seria hoje que os tanques viriam para a rua, tomariam de assalto os pontos nevrálgicos de comunicações e emitiram as suas recomendações para que a população permanecesse fechada em casa. Sem sair à rua:

“Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas nas quais se devem conservar com a máxima calma”.

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10) – C19 Upshot | Mário Centeno: estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação | Paulo Querido

Teresa de Sousa, Público // Mário Centeno: estamos a falar de 12 zeros para o plano de recuperação Definido o plano de emergência, falta o plano de recuperação. Mário Centeno deixa pistas para as decisões que cabem ao Conselho Europeu de quinta-feira.

Que se passa aqui? Trata-se de uma grande entrevista a Teresa de Sousa de Mário Centeno enquanto presidente do Eurogrupo. Mostra-se obviamente otimista para o Conselho Europeu, dizendo coisas como: ‘O apelo que agora é feito à inovação neste último passo – o da recuperação – não é novo. Não devemos ficar muito ansiosos, portanto, face à capacidade para inovar também aqui. Estou muito confiante e muito seguro de que essa resposta vai aparecer. As forças que têm permitido construir a Europa vão estar presentes nesta discussão e vão levar-nos a um porto seguro.’

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O Vírus Chinês e os misseis Strela da Guiné | A Confissão de Impotência do Imperador | Carlos Matos Gomes

No dia 23 de Março de 1973 o PAIGC disparou o primeiro míssil antiaéreo Strela contra um avião português. A 25 de Março foi abatido o primeiro avião, um Fiat G 91, sobre Guileje, no Sul, o piloto, tenente Pessoa, ejeta-se e salva-se. Três dias mais tarde, a 28 de Março, outro Fiat, desta vez pilotado pelo tenente-coronel Almeida Brito, também é abatido no sul da Guiné. O avião explode no ar provocando a morte do piloto. Na semana seguinte, a 6 de Abril, a Força Aérea perde ainda dois aviões ligeiros de transporte DO-27 e um avião de ataque ligeiro T-6G, com os respetivos pilotos, devido à ação do míssil. Para as tropas portuguesas é uma escalada na guerra com a qual não contavam e para a qual não estavam preparadas. Para o PAIGC foi a derradeira arma para vencer a guerra. A gravidade da situação é espelhada na informação que a delegação da DGS na Guiné envia para Lisboa, a 9 de Abril, sobre a perda de supremacia pela Força Aérea Portuguesa: “Não dispomos de meios aéreos que possam constituir uma força de dissuasão ou que nos permitam castigar duramente as bases de apoio, temos que encarar como muito possível que o PAIGC venha num muito curto prazo de tempo a estabelecer novas áreas libertadas, e dificultar ou impedir o tráfego aéreo e até mesmo a aniquilar algumas guarnições que agora passaram a não poder contar com o apoio aéreo para as defender, evacuar os feridos e reabastecer.”

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9) – C19 Upshot | El Gobierno ya plantea una España sin hoteles, bares y restaurantes recuperados hasta Navidad | Paulo Querido

Eduardo Fernández, El Mundo // El Gobierno ya plantea una España sin hoteles, bares y restaurantes recuperados hasta Navidad “El Ministerio de Trabajo y Economía Social está trabajando en dos fases para las medidas en los sectores más afectados: excepcionalidad atenuada, que durará hasta este verano, y normalidad atenuada, que se prolongará hasta final de año”, comunicó a última hora este departamento.

O que se passa? O Governo Espanhol prepara a segunda fase de abertura do País, e entre a primeira fase agora encetada, e a segunda fase, depois do verão até ao final do ano, antevê que negócios como a Cultura, os Bares e Restaurantes e os Hotéis possam vir a ser fortemente restritos até ao final de 2020.

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8) – C19 Upshot | Sobrevive a democracia ao coronavírus? | Paulo Querido

EDITORIAL por Paulo Querido

Nova secção de bookmarks

A partir da edição de ontem a newsletter conta com uma secção fixa intitulada **bookmarks**. O objetivo é manter uma lista perene de links para conteúdos particularmente úteis, como sites de síntese gráfica, boletins oficiais relevantes e documentos científicos.

Esta lista será acrescentada regularmente e aceita indicações dos leitores, que as podem submeter por email (ver abaixo, na secção). Uma vez analizada a sua pertinência, serão integrados. Aliás, o quinto link foi inserido hoje a partir da sugestão enviada por um membro. E escrevo ‘membro’ porque a newsletter não se esgota enquanto tal: propõe a interação entre os interessados, em moldes que vão eles próprios evoluir com o tempo e o envolvimento.

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A propósito das comemorações do 25 de Abril e das hipocrisias | Carlos Matos Gomes

Uma pequena história sobre locais de reunião. Estamos no Verão de 1973. Na Guiné, um grupo de militares, quase todos capitães, reúne-se regularmente para conspirar. A conspiração tem dois níveis, o da contestação a um decreto sobre carreiras e o da contestação à política colonial da guerra eterna até ao desastre final de uma nova Índia. O comandante militar, brigadeiro Alberto Banazol, soube da contestação e pediu uma reunião com a comissão de contestatários. O brigadeiro Banazol cedia-nos as instalações da biblioteca do Quartel-general para nos reunirmos, para que não andássemos de Anás para Caifás, e nós comprometíamo-nos a informá-lo do essencial tratado nas nossas reuniões. Assim foi. Até que o brigadeiro Banazol convida a comissão e os capitães mais antigos para um beberete informal, em sua casa (onde é hoje a embaixada de Portugal em Bissau), fora das horas de serviço, para nos comunicar com toda a lealdade que, dado o teor das matérias tratadas nas reuniões e dadas também das orientações recebidas superiormente (referiu o ministério da Defesa), a autorização para nos reunirmos na biblioteca do Quartel-general era revogada. Não mais nos poderíamos ali reunir. Avançou o capitão mais antigo: o já falecido e digníssimo capitão Simões Vagos para agradecer a franqueza e a lealdade do oficial general e para lhe dizer, recordo as palavras: “Meu brigadeiro, continuaremos a reunir-nos mesmo que seja debaixo de um cajueiro!”

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Querido Fred, Frederico Duarte Carvalho | Tiago Salazar … Querido Tiago Salazar | Frederico Duarte Carvalho

Querido Fred,
Frederico Duarte Carvalho

Se eu morresse agora isto seria o meu cartão de farewell:

Tiago Salazar nasceu em Lisboa, em 1972 (a 21 de fevereiro)
Formou-se em Relações Internacionais e estudou Guionismo e Dramaturgia em Londres
É (era) doutorando no Instituto de Geografia onde prepara(va) uma tese sobre A Volta ao Mundo de Ferreira de Castro
Trabalhou como jornalista desde 1991
Venceu o prémio Jovem Repórter do Centro Nacional de Cultura, em 1995
Foi formador de Escrita e Literatura de Viagens
Idealizou, escreveu e apresentou o programa Endereço Desconhecido, da RTP2
Foi Bolseiro da Fundação Luso Americana em Washington, em 2010
Foi vencedor do prémio Literatura na XVII Gala dos prémios da revista Mais Alentejo, em 2018

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O ódio como semente de fascismo | Paulo Fonseca

Pensamento do dia : O ódio como semente de fascismo

É impressionante a forma como tantos perdem a razão em segundos de desorientação coletiva…. É impressionante como muitos mais se refugiam na imundície do ódio como último recurso para fugirem à liberdade…. É impressionante como se justifica com a liberdade, o combate à liberdade…..
Neste país fantástico, mas corroído pela ingenuidade, um conjunto de saudosistas que nunca comemoraram a liberdade nem a democracia, arranjam, todos os anos, uma desculpa para fundamentarem os seus ódios e justificarem a sua saudade….
Nem o confinamento consegue parar tanto ódio… tantos odientos que o são mas quase sempre ficam confusos sobre o alvo desse mesmo ódio. Deve haver por aí muito espécime que de manhã odeia uma coisa e de tarde o seu contrário, para odiar uma terceira coisa à noite…. Impressionante….

Olhemos para os últimos meses….

Primeiro, enquanto um bando de burros frequentou a praia de Carcavelos, os odientos tinham ali espaço para as suas dissertações…. Mas o Povo Português está a portar-se muito responsavelmente, cumprindo as diretrizes governamentais e até os burros de Carcavelos recolheram ao confinamento….

Depois, juraram, por todo o lado, que a pandemia se combatia ao contrário do que o governo fez….. «Essa cambada de políticos incompetentes que tinha obrigação de decretar o fim do vírus para a primeira semana da pandemia….»
Logo se montou o circo….milhentos especialistas, todos Portugueses, que estudam o corona desde que foram baptizados, apontaram a táctica, a estratégia e até o plano de contingência. Tem sido uma festa, a lembrar o velho oeste, cada um a mostrar que é melhor que o outro a dominar búfalos e cavalos selvagens….
Contrariamente ao que anunciara esta multidão de especialistas, o vírus está a ser dominado, e em Portugal, as cautelas governamentais, apoiadas pela cooperação democrática e pela capacidade do sistema público, têm dado resultado.
Mais. Ao contrário do que anunciava esta multidão de especialistas lusos, são muitos os elogios internacionais que chegam de diversos países

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