Inauguração do Museu Roque Gameiro | 21/11/1970 | 50º aniversário | Minde

FOI HÁ 50 ANOS QUE FOI INAUGURADO O MUSEU ROQUE GAMEIRO.

Em 21 de Novembro de 1970 Minde vivia momentos de grande agitação. Foi inaugurado o MUSEU ROQUE GAMEIRO e Minde recebeu a presença do Presidente da República Almirante Américo Thomaz. Era Presidente da Junta de Freguesia de Minde o Senhor Lourenço Coelho Anjos da Silva.

J’ai des rides | MARINELLA CANU | placé par Samia Cherradi

J’ai des rides.

Je me suis regardée dans le miroir et j’ai découvert que j’avais beaucoup de rides autour des yeux, de la bouche, du front.

J’ai des rides parce que j’ai eu des amis, et on a ri, on a ri souvent, jusqu’aux larmes, et puis j’ai rencontré l’amour, qui m’a fait essorer les yeux de joie.

J’ai des rides parce que j’ai eu des enfants, et je me suis inquiétée pour eux dès la conception, j’ai souri à toutes leurs nouvelles découvertes et j’ai passé des nuits à les attendre.

Et puis j’ai pleuré.

J’ai pleuré pour les personnes que j’ai aimées et qui sont parties, pour un peu de temps ou pour toujours, ou sans savoir pourquoi. J’ai veillé aussi, j’ai passé des heures sans sommeil pour des beaux projets pourtant pas toujours aboutis , pour la fièvre des enfants, pour lire un livre,j’ai veillé aussi pour me lover dans des bras aimants.J’ai vu des endroits magnifiques, de nouveaux endroits qui ont eu tous mes sourires et mes étonnements, et j’ai revu également d’anciens endroits qui m’ont fait pleurer.

Dans chaque sillon sur mon visage, sur mon corps, se cache mon histoire, les émotions que j’ai vécues et ma beauté plus intime, ….. et si je devais enlever tout ceci …. je m’effacerais moi-même.

Chaque ride est une anecdote de ma vie, un battement de coeur, c’est l’album photo de mes souvenirs les plus importants.

“MARINELLA CANU

Très bon week-end à vous tous et toutes

Retirado do Facebook | Mural de Samia Cherradi

Novo Livro | “LATIM DO SÉRIO” | Frederico Lourenço

Lançado hoje! (13/11/2020)

Quando, em Março de 2020, a pandemia levou a Universidade de Coimbra a substituir, até ao fim do ano lectivo, a leccionação presencial pelo ensino online, pensei em formas de manter motivada a minha turma de Poesia Latina.

Ocorreu-me a ideia de criar uma página no Facebook, a que chamei «Vergílio em Coimbra», porque a pandemia atacara no momento em que, justamente, eu me preparava para aprofundar com a turma o estudo de Vergílio. A turma de Poesia Latina tinha 19 inscritos; depressa compreendi que, no Facebook, o universo de interessados era muito maior. Também me fui dando conta de que, na caixa de comentários dos posts, iam surgindo perguntas da parte de gente não só interessada nas reflexões propostas sobre Vergílio como, ao mesmo tempo, curiosa sobre como aprender latim a partir do zero. Comecei a perceber que havia muitas pessoas em Portugal e no Brasil interessadas em saborear as nuances sublimes da poesia vergiliana – só que lhes faltava, para tal, saber latim.

Claude Lorrain e o espírito de Vergílio | Frederico Lourenço

No final da sua longa vida, o pintor seiscentista Claude Gellée (conhecido como «Lorrain» por ter nascido na Lorena) dedicou-se à leitura da «Eneida» de Vergílio, focando-se assim num texto em cujo ideal estético (a Perfeição pura e simples) viu decerto um reflexo do seu.

Sabemos que Claude leu Vergílio na tradução italiana de Annibale Caro (que saíra em Veneza, em finais do século XVI), pois, ao contrário do seu amigo e vizinho Nicolas Poussin, não obtivera uma escolaridade suficientemente sólida em latim para conseguir ler o poema na língua original. E porquê italiano – e não francês? Pela simples razão de que Claude – tal como Poussin – viveu a maior parte da sua vida em Roma; e (de novo, como Poussin) tinha aversão à ideia de viver em França. É sempre estranho vermos a historiografia francesa considerar Poussin e Claude como pintores franceses, porque a única coisa de francês que eles tiveram foi a naturalidade. A sua arte não é francesa: por um lado, todos os modelos que os inspiraram foram italianos (Rafael, Ticiano, Annibale Carracci, Domenichino); por outro, vivendo eles durante toda a sua vida adulta perto da Piazza di Spagna em Roma – e recriando eles, na sua arte, uma antiguidade romana idealizada –, a melhor forma que temos de os descrever é como artistas romanos.

Constantinopla – Florença – Coimbra | Frederico Lourenço

Entre as grandes alegrias de ser professor de Grego na Universidade de Coimbra tenho de contar o sentido histórico de continuidade que nunca deixa de me encantar. Ao vigiar hoje, na Faculdade de Letras de Coimbra, um teste de Grego em que os meus alunos tinham de responder a perguntas sobre uma passagem da comédia «Pluto» de Aristófanes, dei por mim a pensar na longa tradição – que já se estabelecera antes de ter nascido Jesus Cristo – de usar esta comédia como instrumento didáctico para o ensino do Grego. Depois, ao longo de mil anos de escolaridade grega em Constantinopla, o estudo deste texto de Aristófanes ocupou um lugar central. É, de todas as comédias de Aristófanes, a que conta um número mais elevado de manuscritos bizantinos.

RSI | Atirar areia para os olhos da maioria | Tiago Franco

Desde que abriu a caça aos beneficiários do RSI, com a mão amiga da Iniciativa Liberal e do Chega no arquipélago dos Açores, que alguma comunicação social começou a fazer o que dela não se espera. Atirar areia para os olhos da maioria e branquear um populismo crescente e insuportável, que empesta diariamente tudo o que se lê e ouve.

José Manuel Fernandes (JMF) fez a sua parte, assinando esta crónica deplorável sobre Rabo de Peixe (https://observador.pt/…/umas-coisas-que-eu-sei…/…).

Há uma semente de antigos maoístas, ex-combatentes do povo, que entretanto se aburguesaram e ficaram com um ligeiro asco a pobres.

O que o Gambito da Rainha nos ensina sobre a vida (e a política) | Francisco Louçã in Jornal Expresso

Para bastante gente, “O Gambito da Rainha” tem sido uma acolhedora companhia no semi-confinamento em que vivemos. A série tem tido sucesso, seja porque junta uma personagem fascinante, mesmo que puramente ficcional, Elizabeth Harmon, a algum romance, pouco, ao retrato sofrido das esquinas da vida, ou ainda a uma pitada de Guerra Fria em tom de época, seja, e sobretudo, porque se constrói sobre um mistério. Esse mistério é o xadrez, dois exércitos de oito peões e oito aristocratas frente a frente num pequeno tabuleiro.

Encontrado esboço inédito do rosto de Jesus Cristo

Historiadores acreditam que obra-prima pertença ao pintor Leonardo da Vinci, autor de quadros como a Mona Lisa e A Última Ceia.

Um esboço do rosto de Jesus Cristo nunca antes visto foi recentemente descoberto pela comunidade artistica que acredita que a obra deverá pertencer ao pintor Leonardo da Vinci, autor de quadros icónicos como a Mona Lisa e A Última Ceia.

O desenho, feito com recurso a giz vermelho, foi mantido durante anos numa coleção particular de um banco na Lombardia, em Itália. Agora foi tornado público.

“É uma obra extraordinariamente bela e refinada. Estou absolutamente convencida de que é um esboço de Da Vinci”, garantiu Annalisa Di Maria, historiadora de arte italiana, em declarações ao Telegraph.

Para determinar se a peça foi ou não produzia pelo renacentista. especialistas testaram o papel usado e confirmaram que remonta ao século XVI, altura em que da Vinci desenhou o “Retrato de um Homem em Giz Vermelho”, com um estilo muito semelhante à obra descoberta.

A peça está agora nas mãos de dois colecionadores da cidade de Lecco, no norte de Itália.

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Freitas Do Amaral

O comunismo ainda não existiu, o fascismo e o nazismo, sim | Gabriel Leite Mota in Jornal Económico

PCP e Bloco estão do lado humanista da política. O Chega, não. Essa é a grande fronteira. Esse é o grande muro que não devemos deixar cair.

Tem sido motivo de aceso debate o acordo de governo que CDS, PPM, PSD, Chega e IL fizeram no Açores. Nesse acordo, ficou estabelecido que PSD, CDS e PPM governam em coligação, com o beneplácito parlamentar de Chega e IL.

A notícia é o facto de o Chega ter sido incluído nesse acordo, sabendo-se que este recente partido é, o que hoje chamamos, da extrema-direita populista, uma novidade no nosso sistema político.

Prazo de validade: Velho | Paulo Sande | in EURATÓRIA

  1. Uma pandemia não é um acontecimento frequente. Infelizmente, poucas tiveram o alcance, o impacto e as consequências (previsíveis) da resultante do SARS-COV-2, vulgo COVID 19. A peste negra, no século 14, provocada pela bactéria yersinia pestis, que matou mais de 75 milhões de pessoas. A vibrio cholerae, bactéria da cólera, cuja primeira manifestação global, de 1817, vitimou centenas de milhares. A gripe espanhola, causada por um subvírus da influenza, que não falava espanhol mas matou, em cerca de quatro anos, mais de 50 milhões de pessoas no mundo inteiro, a maior parte das quais jovens adultos.  E agora o COVID 19, cuja mortalidade se avizinha do milhão e meio.

A Crise | Thomas Paine

Em Dezembro de 1776, numa altura em que a sorte da guerra lhe era adversa, Paine publicou um panfleto intitulado A Crise, que começava assim:

Estas são as ocasiões que põem à prova a alma dos homens. O soldado do tempo de verão e o patriota dos dias ensolarados irão, nesta crise, recuar perante o serviço ao seu país; mas aquele que agora se mantém firme merece o amor e a gratidão dos homens e das mulheres.

Este ensaio foi lido às tropas, e George Washington expressou a Paine um «sentimento vivo da importância das suas obras»

Transcrito de uma obra de Sir Bertrand Russel

Álvaro Cunhal | Elementos Biográficos

Álvaro Cunhal nasceu em Coimbra (freguesia da Sé Nova) em 10 de Novembro de 1913. Passou parte da sua infância em Seia. A família mudou-se entretanto para Lisboa, onde Álvaro Cunhal começou por frequentar o Liceu Pedro Nunes e, mais tarde, o Liceu Camões.

Concluídos os estudos liceais, ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa onde iniciou a sua actividade revolucionária. Participou no movimento associativo estudantil, tendo sido eleito em 1934 como o representante dos estudantes no Senado Universitário. Foi militante da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas (FJCP) sendo eleito seu secretário-geral em 1935. Membro do Partido Comunista Português desde 1931, a partir de 1935 passou a integrar o quadro de militantes clandestinos.

Preso em 1937 e em 1940 e submetido a torturas, voltou imediatamente à luta logo que libertado depois de alguns meses de prisão.

A Pandemia | Isto é uma guerra | Jorge Alves

Bom dia, amigos. Diz-se por aí, à boca pequena, que a situação da pandemia está como está por culpa do Costa.

Há muitos casos? A culpa é do Costa; há muitos mortos? A culpa é do Costa; há poucos testes? A culpa é do Costa.

Antes do mais, uma pequena declaração de interesses: como a maioria sabe, não sou militante do PS.

Se o primeiro-ministro tomou várias decisões erradas no decurso desta tremenda luta contra o Covid? Com certeza que sim.

Mas que diabo! Algum de nós, em consciência, queria estar na pele de António Costa?

Creio convictamente que, apesar dos vários erros (diria que naturais em quem tem de trabalhar no arame e quase às cegas…), este Governo tem feito um bom trabalho na defesa dos Portugueses.

Dúvidas? Vejamos os casos de dois países muito mais ricos e desenvolvidos (acentuo o muito mais…) do que nós – a Suécia e a Áustria (ambos com o mesmo número de habitantes do que Portugal). O número de casos nos três países é semelhante (204 mil para Portugal, 191 mil para a Áustria e 177 mil para a Suécia).

É verdade que a Áustria está melhor do que nós no que toca a falecimentos por Covid – 1.660 mortos, contra os nossos 3.250. Mas que dizer da Suécia, que tem muitos mais recursos do que nós? É que os suecos já vão, infelizmente para eles, nos 6.160 mortos!

Voltemos por uns instantes à questão dos recursos existentes em cada país – suecos e austríacos têm muito mais dinheiro e mais meios para combater esta pandemia. Mas têm testado muito menos – 2,6 milhões de testes em cada um desses países e 3,25 milhões em Portugal.

Isto diz bem, a meu ver, do enorme esforço que está a ser feito por quem nos governa. A verdade, meus amigos, é que todo o mundo está a trabalhar no trapézio. Se há muita gente que chora os seus entes queridos e muitos mais ainda que perderam tudo? Pois há e infelizmente muitos mais vai haver.

MAS ISTO É UMA GUERRA.

Se ainda não tinham percebido, acordem. Mas não crucifiquemos quem não merece.

Um bom sábado para todos.

Jorge Alves

Retirado do Facebook | Mural de Jorge Alves

Marta Menezes | Pianista | Natural de Minde

CENTRO CULTURAL DE BELÉM | 15 NOVEMBRO 2020, 11H | LUDWIG VAN BEETHOVEN, Sinfonia nº 6, em Fá Maior, op. 68, Pastoral

https://www.martamenezes.com

Vencedora do 1º Prémio no Concurso Beethoven no Royal College of Music, em Londres, e no Concurso Internacional de Piano de Nice Côte D’Azur, Marta Menezes conta ainda com outros prémios em concursos internacionais em Portugal, Espanha e França. Recebeu em 2014 a “Medalha de Prata de Valor e Distinção” pelo seu percurso enquanto pianista, atribuída pelo Instituto Politécnico de Lisboa.

Marta apresenta-se regularmente em concertos a solo, em música de câmara e com orquestra, tendo actuado em diversos países na Europa, nos Estados Unidos, em Cabo Verde e na China. Das temporadas recentes, destacam-se os seus recitais no National Centre for the Performing Arts (Pequim), na Chopin Society of Connecticut (Estados Unidos), em St. Martin-in-the-Fields (Londres), no Festival Internacional IKFEM (Espanha) e no Festival Internacional de Música de Gaia.

Como solista, apresentou-se com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orchestre Régional de Cannes (concurso de piano de Nice), Orquestra IKFEM, Orquestra Sinfónica Juvenil, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Orquestra Sinfónica da Escola Superior de Música de Lisboa, Camerata MusArt, entre outras. Trabalhou com maestros como Pedro Neves, Pedro Amaral, Nicolas Simon, Christopher Bochmann, Gareguin Aratiounian e Vasco Azevedo.

Marta tem um papel activo na divulgação da música portuguesa. Fez a encomenda e estreia de várias obras de compositores contemporâneos e desenvolveu vários projectos dedicados a este repertório. Na presente temporada, prepara a apresentação dos 5 Concertos para Piano de Beethoven, com a estreia absoluta de 5 encores aos Concertos, encomendados a compositores da sua geração, no contexto dos 250 anos do nascimento de Beethoven.

Em 2015 editou o seu primeiro CD com obras de Beethoven e Lopes-Graça, com o apoio da Fundação GDA, que recebeu o prémio Global Music Award nos EUA: Silver Medal – Outstanding Achievement nas categorias de classical piano e emerging artist.

Marta tem sido convidada para dar entrevistas e a participar em programas na rádio Antena 2, rádio Super Bock Super Rock, Radio Internacional da China e Rádio Morabeza (Cabo Verde), bem como em televisão, tendo recentemente estado no Jornal da Noite da TVI.

Marta fez os seus estudos na Escola Superior de Música de Lisboa com Miguel Henriques, tendo também trabalhado com Jorge Moyano. Terminou o seu Mestrado com classificação máxima. Em Londres, fez um segundo mestrado no Royal College of Music, com Dmitri Alexeev, que terminou com distinção. Marta é doutorada pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, onde trabalhou com Arnaldo Cohen, tendo como tema do seu trabalho final as “Obras para Piano e Orquestra de Compositores Portugueses”.

Gonçalo Ribeiro Telles | por Anabela Mota Ribeiro

É um monárquico que viveu sob o signo da República. “Eu não me importo nada de servir a República. Tenho bilhete de identidade, servi, fui deputado”.

É um arquitecto paisagista que fala de jardins como se falasse do paraíso. “Na Bíblia, quando se fala do jardim, é um lugar concreto, circunscrito. Os hebreus não andavam à procura do jardim, andavam à procura do Éden, o vale fértil onde estava o jardim. Depois vem a casa do Homem. A certa altura a casa do Homem é tão grande que começa a ser necessário o jardim público, o parque, a ligação de parques e de jardins, os espaços verdes. Não chega, porque 84% da população mundial vai viver para as cidades, que ficam desmesuradas, ou então são todas torres, o que é desumano. Temos de criar um Éden para esta cidade, e temos que criar dentro do Éden o paraíso, que é o jardim”. Um idealista? Um realista. Empenhou-me em fazer um mundo mais próximo daquele onde gostaria de viver. 

É um homem de outro tempo. Do tempo em que se brincava na Avenida da Liberdade. A cidade era outra. “Eu tinha uma tia que morava numa casa que hoje é um hotel de luxo, na Rua de Santa Marta. Essa tia não tinha filhos e tinha um sobrinho, que era o meu avô; vendeu o palácio e fez uma casa na Avenida da Liberdade (que já foi abaixo). A minha avó, por sua vez, vinha de uma casa de São Paulo, ao Cais do Sodré; depois de casar, ocupou a casa na Avenida da Liberdade. Trouxe com ela o irmão coxo, que [se instalou] nas águas-furtadas. Vivia sozinho com uma criada, o marido da criada, que era carteiro, e os livros. O resto da família vivia por andares, no prédio; eu vivia no 3º”. Visitava-o muito.

Gonçalo Ribeiro Telles é um contador de histórias. Passei uma tarde com ele a ouvir histórias. É esta a sua história.

CARTA DE AMOR A MOÇAMBIQUE | Paulo Sande

1. Os telejornais inteiros cheios de Covid e suas sequelas. Um cheirinho de Trump, alguma coisa de Biden, quase nada de tudo o resto. Futebol, sempre, mesmo esventrado. De Moçambique, reportagens rápidas, friamente compungidas, a despachar. Temos de fazer muito melhor.

2. Vivi em Lourenço Marques alguns anos, quando ainda se chamava assim. Passei duas férias grandes – quatro longos meses de verão – em Nampula, na adolescência, um tempo de primícias e promessas. Fundei a primeira Câmara de Comércio com um país africano lusófono, justamente Moçambique e fui o seu primeiro Presidente. Visitei o país dezenas de vezes em três anos.

3. Assassinos a quem chamam “al-shabab”, mas que não deviam ter nome porque não podem ter nome os seres sem alma nem rosto, tão feios são, há meses que matam, violam, destroem, roubam. São maka, como os macuas chamam aos muçulmanos do litoral, ou talvez sejam tumpurawus (tubarões) de duas pernas que chegam das terras do norte, fanáticos, ou simplesmente baratas, praga difícil de exterminar.

4. Horrorizaram-nos as torres a desabar como castelos de cartas, fomos todos Charlie Hebdo até à exaustão, chorámos lágrimas sentidas pelos inocentes do Bataclan e os mortos de Paris, revendo dezenas de vezes as imagens e a imaginar o medo, o sofrimento, escandalizámo-nos com os degolados de Nice, os sacrificados de Viena de Áustria. Os nossos irmãos europeus.

5. Moçambique, sobretudo aquele norte distante onde em tempos morreram tantos portugueses – e moçambicanos – a lutar por uma causa em que acreditavam, aquele norte que nos soa a qualquer coisa quando nos falam de Mueda, de Pemba, a capital da província de Cabo Delgado, das Quirimbas (belo e ensanguentado arquipélago), do Rovuma que é fronteira com a Tanzânia, esse norte merece-nos um rápido “que horror”, um breve “coitados”, um capilé de palavras sem alma e depois de volta ao jantar que o recolher obrigatório não espera.

6. Devíamos ligar mais a Moçambique, ao que se passa no seu norte? Às vinte pessoas mortas nos últimos dias, aos milhares assassinados nos últimos meses, a tiro, à catana, degoladas, espancadas? Lamentar os inocentes, homens, mulheres, crianças, sacrificados em Mucojo, Naunde, Pangane, Nambo, na Ilha Mais? Preocupar-nos com os assaltos às penitenciárias de Mocímboa da Praia e Mieze? Com os mais de 300 mil deslocados?

7. Portugal tem uma obrigação moral. Tem uma obrigação política. Tem uma obrigação humanitária. Tem uma obrigação para consigo próprio e com o seu passado.

8. Acreditem: conheço-os, não certamente muito bem, mas sei do seu carácter afável e da sua hospitalidade. São gente boa e isso não é dizer qualquer coisa, isso é dizer tudo. A palavra Portugal tem valor em Moçambique. Os moçambicanos gostam maningue dos portugueses (eu sei). Façamos desse valor fortuna, ajudando. Preocupando-nos.

9. O país apelou à comunidade internacional, a ministra moçambicana dos negócios estrangeiros reuniu-se com o corpo diplomático em Maputo e exigiu a condenação inequívoca do terrorismo; cooperação para o eliminar; apoio no controlo de fronteiras (as belas mas ó tão permeáveis fronteiras marítimas e terrestres do país longo, tropical, coralífero); no combate ao crime organizado; na cibersegurança. E o mais importante: no apoio humanitário. Fome, doenças diarreicas, milhares de deslocados a precisar de ajuda.

10. Portugal pode fazer mais? Há certamente limitações para a ajuda que podemos dar, sejam elas diplomáticas, logísticas, financeiras, militares. Mas temos a obrigação de ajudar tanto quanto essas limitações permitam. E se calhar ultrapassá-las. Senão, não vale a pena continuarmos a encher a boca com retóricas desgarradas sobre a amizade com os povos irmãos lusófonos. É tempo de mostrar que a alma – a grande e antiga alma lusitana – não é pequena, mas generosa, grata e solidária.

Ororomela (esperar com esperança) …

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Sande

Um Rio desencontrado da história | Daniel Oliveira in Jornal Expresso

Rui Rio celebrou o avanço da história que representou a derrota de Trump enquanto o PSD remava em sentido contrário, com uma aliança entre Chega e PSD, nos Açores.

Para além do acordo regional, o Chega disse que o PSD nacional lhe deu garantias de que contemplará no seu projeto de revisão constitucional pontos que o partido defende. Na frenética sucessão de tweets a desmentir a existência deste acordo nacional, Rio só nunca quis dizer que a fonte original da informação, o Chega, mentia.

Nem é capaz de dar a sua opinião sobre a existência do acordo regional.

Assim, defende a sua honra sem pôr em causa a viabilização do governo açoriano. É evidente que Ventura exigiu mudanças constitucionais que não foram atendidas. As do sistema político já eram do PSD, as da justiça são opostas às que defende. Mas ele não precisava de conquistar nada, só precisava de abrir uma porta nos Açores sem que Rio a fechasse em Lisboa. A porta foi aberta pelo acordo regional e pela ausência de reação direta de Rio às suas mentiras. Rui Rio, que nunca manifestou oposição expressa ao acordo regional, defende-se com o facto do Chega não entrar para o governo.

E escreveu: “Merkel recusou a Afd nos Governos regionais, tal como o Chega que não vai para o Governo dos Açores. O PP espanhol tem entendimentos parlamentares com o Vox em três regiões autónomas.”

Tem razão em relação ao PP espanhol, e Pablo Casado bem se arrepende. Não tem razão em relação a Merkel. A líder da CDU não se limitou a recusar a AfD nos Governos regionais. Recusou o que o PSD acabou de aceitar. Quando a CDU aceitou o apoio da AfD para um governo liderado pela FDP na Turíngia, Merkel disse: “Esta eleição de um ministro-presidente de um estado rompeu com uma convicção central da CDU e minha, ou seja, que nenhuma maioria deve ser conquistada com a ajuda da AfD”. Demitiu um membro do governo que celebrou o acordo e acabou por o impedir.

Já Rio, nem consegue dizer que “este acordo é errado” ou que “o Chega está a mentir”. Rui Rio partilhou no Twitter o extraordinário discurso de derrota de John McCain.

No fim da sua vida, McCain teve a coragem de traçar uma linha vermelha que o deixou quase sozinho no seu campo político.

Rui Rio teve a primeira oportunidade histórica para o fazer. Duvido que tenha outra. Há momentos que parecem pequenos e são tudo.

Retirado do Facebook | Mural de Daniel Oliveira

CARTA ABERTA AO actual PSD | Gaëlle Becker Silva Marques

A coligação do PSD Açores com o Chega é reveladora de uma grande enfermidade!

Enquanto filha de um ex-deputado do PSD, não posso deixar de manifestar um profundo desprezo pela decisão política dos actuais dirigentes deste partido.

Enquanto filha de um ex-Presidente da Bancada Parlamentar do PSD, não posso ficar calada perante esta assombrosa decisão.

Enquanto filha de um dissidente do Estado novo, de um grande lutador pela Democracia em Portugal, sinto-me na obrigação de denunciar o inimaginável e de acusar o actual PSD Açores de defraudar os ideias democráticos que o fizeram nascer e crescer enquanto partido.

Acusar o actual PSD Açores de defraudar os portugueses que nele votaram, acreditando que os princípios fundadores do partido continuariam a ser os mesmos princípios de sempre e, por isso, os de respeito, de diálogo, de defesa da Democracia e de combate em prol da Democracia. Acusar o actual PSD Açores de defraudar os seus eleitores, que se reviram naqueles princípios e que deram o seu voto para que esses fossem firmemente aplicados em nome da Democracia. Acusar o actual PSD de defraudar, sem o mínimo sentido crítico, sem a mínima consciência histórica e partidária, de forma deliberada, oportunista e desonesta, o seu próprio partido. Acusar o actual PSD Açores de defraudar a memória dos seus fundadores, a memória de Francisco Sá Carneiro que acreditou que a reconstrução política através do diálogo era não só possível, mas louvável.

Também é como filha de um pai resiliente e lutador que denuncio. A que presenciou a uma realidade perturbante. A que cresceu ao lado de um pai que foi preso, perseguido, torturado e obrigado a viver no exílio porque acreditava no Ideal Democrático. A que soube o quão devastador foi para ele o afastamento com a sua família. A que soube como se acentuaram as complicações que os anos de Clandestinidade provocaram no seio familiar: ameaças de morte, rusgas, pilhagem. A que o viu abraçar-se ao seu próprio pai, bafejado pelas lágrimas, este que o julgara morto e que por isso demorou a desculpá-lo. A que pressentiu e presenciou: as suas angústias, os seus terrores nocturnos, as suas cicatrizes no corpo, as suas tensões e crispações, os seus sobressaltos, a sua revolta contra a injustiça, a sua luta na defesa do oprimido, da dignidade humana, do direito das mulheres e de todos os direitos que um regime totalitário pretende à força, a ferro, a tiro e a sangue abafar e anular.

Esta coligação não só ataca a Democracia, como também ataca directamente as famílias nos seus lares. Ataca o que de mais precioso se exala: o livre Pensamento, a Liberdade em si, a Humanidade, o direito à Escolha, mas também a Responsabilidade.

A política existe, antes de mais, para servir o eleitor. Jamais deve obstruir a livre circulação da democracia. Jamais deve pactuar com a gangrena que se queira instalar.

E é em nome de todos os cidadãos que acreditam nos valores da Democracia, mas também em nome do meu Pai, que hoje denuncio:

Acuso! Acuso o actual PSD de fragilizar a via democrática e de empurrar, mesmo que a longo prazo, a nação portuguesa para a via totalitária!

Não à gangrena!

A gangrena, Nunca Mais! Nem a da Esquerda, nem a da Direita!

E que o medo nunca nos cale!

Gaëlle Silva Marques

Hoje, no dia 7 de Novembro de 2020, dia em que o meu Pai faria anos, denuncio o que ele próprio denunciaria se ainda estivesse vivo.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Eu sou do tempo do Silva Marques deputado do PSD, e também de Emídio Guerreiro e uns tantos mais (Nuno Rodrigues dos Santos) que nos (aos militares do 25 de abril) mereciam respeito embora e apesar das suas opções e ruturas. Eram uma garantia de antifascismo. Esses garantes pelo que lemos na corajosa e límpida carta da filha deixaram de existir com Rui Rio.

Carlos Matos Gomes

UM POEMA E UMA IMAGEM DO LIVRO “EUFORIA” RECENTEMENTE PUBLICADO | Casimiro de Brito

Aurora! Somos nós onde quer que respiremos;

somos nós em todos os rios e montanhas,

somos nós nas flores e nos templos sagrados,

em lágrimas e em grãos de areia. A febre

atravessa os bichos humanos, os criadores de deuses,

os mágicos tão pobres como a terra

onde nascem. Mas eles desencantam

mantos de alegria, levantam templos

e confiam. E mesmo quando a doença e a morte

se aproximam sorriem.

FRAGMENTOS MÍNIMOS | II VOLUME DE “A MÚSICA ROUCA DO PRAZER” | LIVRO DE EROS | Casimiro de Brito

1 – Eros. A música rouca do prazer.

3 – A morte. Conheci enfim a morte. A morte eufórica. Quando nos amámos.

14 – A boca quando beija: um fruto que não se esgota.

19 – Mata-me, o perfume da minha amada, que tanto gozo me dá.

29 – Do sexo: sol interior.32Quando a mulher se cala o homem treme.

39 – A mulher, quando ama, é líquida. Reparai como ela se molda ao seu amado.

41 – O mais doce dos exílios: a concha da minha amada.

52 – Amar-te é uma bebedeira sem fim.

60 – A tua febre dá-me paz. Agita-me. Estou vivo.

65 – Amo. Sei que tudo é boca e seio.

68 – A taça, dá-me a tua taça que me quero de novo embriagar.

Fatma Said records “Aatini Al Naya Wa Ghanni” أعطنى الناى وغنى

La soprano égyptienne, formée dans les écoles prestigieuses de musique berlinoises, chante en arabe , en français et espagnol, aussi bien des airs d’opéra, que des chants du patrimoine arabe et européen. Le mariage magique entre l’Orient et l’Occident. Ouarda, fayrouz, Oum keltoum, etc. ont une jeune héritière. Écoutez. [Souad Khodja]

Biden, o pacificador, é eleito 46º Presidente dos Estados Unidos | in Revista Visão

Aos 77 anos, é o mais velho presidente eleito. História de um homem decente que passou por batalhas duríssimas.

As sondagens davam-no como vencedor, as projeções da noite eleitoral deram-no por momentos como derrotado e os votos que demoraram muito tempo a contar, urbanos e por correio, elegeram-no. Joe Biden destronou Donald Trump e tornar-se-á o 46º Presidente dos EUA. Kamala Harris será a primeira mulher vice-presidente. Joe Biden deverá falar dentro de poucas horas aos americanos, fazendo o que tem sido o seu comportamento nos últimos dias: pacificar e unificar uma América dividida.


Kamala Harris | Vice-Présidente des États-Unis

Kamala Harris, sénatrice de Californie est désormais la première femme vice-présidente des États-Unis✌️
Joie Biden lui doit incontestablement sa victoire en mobilisant sans relâche,les jeunes, les femmes et les minorités.
Sa pugnacité et son dynamisme la mèneront sans aucun doute en 2024 à être première femme noire présidente des États-Unis! Et que vive la diversité.

Nadia Bensmaia | Facebook

Literalmente, cortaram-lhe o pio! | por Carlos Matos Gomes

Algumas televisões dos Estados Unidos cortaram a intervenção que Donald Trump fez sexta-feira, na Casa Branca. Literalmente, cortaram-lhe o pio!

Justificaram dizendo que o Presidente estava a mentir. O título da edição brasileira do El País é divertido:

“Três grandes redes de TV dos EUA interrompem o discurso em que Trump blefava sobre fraude eleitoral. ABC, CBS e NBC cortam a transmissão da fala em que, sem prova alguma, o presidente acusava adversários de tentar “roubar” na apuração e atacava todo o sistema eleitoral dos EUA”

Algumas almas mais cândidas levantaram a questão de defender o regime americano, pois não seria possível imaginar outro país democrático onde algo de semelhante pudesse acontecer, com um Presidente ou com outra qualquer pessoa, e com o mesmo argumento.

Ora, as decisões nos EUA nunca são tomadas tendo como base a “democracia” , mas sempre tendo por base o “ mercado”. A decisão das estações de TV americanas não é, não foi, nem deixa de ser democrática.

Foi uma decisão empresarial. Os acionistas das estações, com a força do seu negócio, entenderam que aquele produto (Trump) já lhes estragava a imagem (eles vivem da imagem) o negócio e as vendas. Descontinuaram-no. Simplesmente despejaram da montra um manequim que deixou de ter préstimo.

O mercado a funcionar. A democracia é outra coisa.

Carlos Matos Gomes | Facebook

Barack Obama | Joe Biden and Kamala Harris

I could not be prouder to congratulate our next President, Joe Biden, and our next First Lady, Jill Biden.

I also couldn’t be prouder to congratulate Kamala Harris and Doug Emhoff for Kamala’s groundbreaking election as our next Vice President.

In this election, under circumstances never experienced, Americans turned out in numbers never seen. And once every vote is counted, President-Elect Biden and Vice President-Elect Harris will have won a historic and decisive victory.

We’re fortunate that Joe’s got what it takes to be President and already carries himself that way. Because when he walks into the White House in January, he’ll face a series of extraordinary challenges no incoming President ever has – a raging pandemic, an unequal economy and justice system, a democracy at risk, and a climate in peril.

I know he’ll do the job with the best interests of every American at heart, whether or not he had their vote. So I encourage every American to give him a chance and lend him your support. The election results at every level show that the country remains deeply and bitterly divided. It will be up to not just Joe and Kamala, but each of us, to do our part – to reach out beyond our comfort zone, to listen to others, to lower the temperature and find some common ground from which to move forward, all of us remembering that we are one nation, under God.

Finally, I want to thank everyone who worked, organized, and volunteered for the Biden campaign, every American who got involved in their own way, and everybody who voted for the first time. Your efforts made a difference. Enjoy this moment. Then stay engaged. I know it can be exhausting. But for this democracy to endure, it requires our active citizenship and sustained focus on the issues – not just in an election season, but all the days in between.

Our democracy needs all of us more than ever. And Michelle and I look forward to supporting our next President and First Lady however we can.

Barack Obama ( Facebook)

Yuval Noah Harari | Sapiens, une brève histoire de l’humanité – Homo Deus, une brève histoire de l’avenir – 21 leçons pour le XXIe siècle | by Rania Hadjer

Je viens de finir la série de Yuval Noah Harari et je pense qu’elle doit faire partie du top 10 des livres à lire dans sa vie. Un rythme haletant et captivant autour d’un voyage en trois temps : passé, présent et futur.

– Dans « Sapiens, une brève histoire de l’humanité » l’auteur interroge de manière inédite le passé sur Comment notre espèce a-t-elle réussi à dominer la planète ? Pourquoi nos ancêtres ont-ils uni leurs forces pour créer villes et royaumes ? Comment en sommes-nous arrivés à créer les concepts de religion, de nation, de droits de l’homme ? À dépendre de l’argent, des livres et des lois ? À devenir esclaves de la bureaucratie, des horaires, de la consommation de masse ? Et à quoi ressemblera notre monde dans le millénaire à venir ?

– Homo Deus, une brève histoire de l’avenir nous dévoile ce que sera le monde d’aujourd’hui lorsque, à nos mythes collectifs tels que les dieux, l’argent, l’égalité et la liberté, s’allieront de nouvelles technologies démiurgiques. Et que les algorithmes, de plus en plus intelligents, pourront se passer de notre pouvoir de décision. Car, tandis que l’Homo Sapiens devient un Homo Deus, nous nous forgeons un nouveau destin : Que deviendront nos démocraties quand Google et Facebook connaîtront nos goûts et nos préférences politiques mieux que nous-mêmes ? Qu’adviendra-t-il de l’Etat providence lorsque nous, les humains, serons évincés du marché de l’emploi par des ordinateurs plus performants ? Quelle utilisation certaines religions feront-elles de la manipulation génétique ?

– Enfin, dans 21 leçons pour le XXIe siècle, Yuval Noah Harari décrypte le XXIe siècle sous tous ses aspects: politique, social, technologique, environnemental, religieux, existentiel…Avec l’intelligence, la perspicacité et la clarté qui ont fait le succès des deux premiers ouvrages, l’auteur répond à des questions centrales de notre siècle telles que : Pourquoi la démocratie libérale est-elle en crise ? Sommes-nous à l’aube d’une nouvelle guerre mondiale ? Que faire devant l’épidémie de « fake news » ? Quelle civilisation domine le monde ? Que pouvons-nous faire face au terrorisme ? Que devons-nous enseigner à nos enfants ?

Bref, un vrai coup de cœur que je vous conseille vivement.

Rien de mieux qu’un livre entre les mains mais pour ceux qui les veulent en version PDF je les ai, laissez moi vos adresses mails en commentaire ou en privé si vous les voulez en version électronique (gratuite)

Rania Hadjer (Facebook)

“Velha Maria, Vais Morrer” | Um poema do médico-guerrilheiro Ernesto Che Guevara (1928-1967)

Velha Maria, vais morrer:
Quero falar contigo seriamente.

Tua vida foi um rosário completo de agonias,
não houve homem amado nem saúde nem dinheiro,
apenas a fome para ser compartilhada.
Mas quero falar-te da tua esperança,
das três diversas esperanças
que tua filha fabricou sem saber como.

Toma esta mão de homem que parece de menino
nas tuas mãos, polidas pelo sabão amarelo.
Abriga teus calos duros e teus nós puros dos dedos
na suave vergonha de minhas mãos de médico.

Escuta, avó proletária:
crê no homem que chega,
crê no futuro que nunca verás.

Não rezes ao deus inclemente
que toda uma vida desmentiu tua esperança;
não peças clemência à morte
para ver crescer tuas pardas carícias;
os céus são surdos e o escuro manda em ti.
Mas terás uma vermelha vingança sobre tudo,
juro pela exata dimensão de meus ideais:
todos os teus netos viverão a aurora.
Morre em paz, velha lutadora.

Vais morrer, velha Maria:
trinta projetos de mortalha
dirão adeus com o olhar
num destes dias em que te vais.

Vais morrer, velha Maria:
ficarão mudas as paredes da sala
quando a morte se conjugar com a asma
e copularem seu amor na tua garganta.

Essas três carícias construidas de bronze
(a única luz que alivia a tua noite),
esses três netos vestidos de fome
chorarão os nós destes dedos velhos
onde sempre encontravam um sorriso.
E isso será tudo, velha Maria.

Tua vida foi um rosário de magras agonias,
não houve homem amado, saúde, alegria
apenas a fome para ser compartilhada.
Tua vida foi triste, velha Maria.

Quando o anúncio do descanso eterno
suaviza a dor de tuas pupilas
e quando a tua mão de perpétua borralheira
absorve a última e ingênua carícia,
pensas neles… e choras,
pobre velha Maria!

Não, não o faças!
Não rezes ao deus indolente
que toda uma vida desmentiu a tua esperança,
nem peças clemência à morte,
que tua vida foi horrivelmednte vestida de fome
e acaba vestida de asma.

Mas quero anunciar-te,
na voz baixa e viril das esperanças,
a mais vermelha e viril das vinganças.
Quero jurá-lo pela exata
dimensão de meus ideais.

Toma esta mão de homem que parece de menino
nas tuas mãos, polidas pelo sabão amarelo.
Abriga teus calos duros e teus nós puros dos dedos
na suave vergonha de minhas mãos de médico.

Descansa em paz, velha Maria,
descansa em paz, velha lutadora:
todos os teus netos viverão a aurora.
EU JURO!

Ernesto Che Guevara

(Poema escrito a uma doente terminal de Che, quando este actuava como médico num hospital do México. Pouco antes da sua partida para a Sierra Maestra)

Tarrafal | o Campo da Morte Lenta (84.º aniversário) | Carlos Esperança

Urge lembrar o Massacre de Batepá (do português coloquial “Bate-Pá!”) atrocidade das tropas coloniais em S. Tomé e Príncipe, 3 de fevereiro de 1953, em que fuzilaram talvez mais de mil homens, mulheres e crianças, por motivos laborais e mera crueldade; o de Pidjiguiti, cerca de 50 mortos e de 100 feridos, que deu início à luta de libertação da Guiné–Bissau, também por motivos laborais; o de Wiriyamu, na guerra colonial, 16 de dezembro de 1972, com pelo menos 385 mortos da população civil.

Recordar o que foram as mortes em plena rua das cargas da GNR e da polícia de choque da PSP, é uma obrigação cívica, ainda que os requintes de crueldade e sadismo fossem atingidos pela Pide nos interrogatórios e nas masmorras, e nos assassínios arbitrários.

Mas hoje é dia de recordar o Tarrafal, esse campo da morte e da tortura onde a brandura dos costumes, alegada pelo ditador vitalício, era a imagem do regime beato e amoral.

***Para recordar as vítimas do Tarrafal, deixo um texto já antes publicado:Há 83 anos, outubro era mês e 29 o dia em que, ao Campo de Concentração do Tarrafal, chegaram 152 presos políticos, onde era mais doce a morte do que o Inferno da vida que os torturadores lhes reservavam.

Foram 11 dias de viagem, de Lisboa ao Tarrafal, que a primeira leva de vítimas levou a chegar, grevistas do 18 de janeiro de 1934, na Marinha Grande, e marinheiros dos que participaram na Revolta dos Marinheiros de 8 de setembro desse ano.

O Tarrafal foi demasiado grande no campo da infâmia e do sofrimento para caber num museu. Salazar teve aí, no degredo da ilha de Santiago, Cabo Verde, o seu Auschwitz, à sua dimensão paroquial, ao seu jeito de tartufo e de fascista.Ali morreram 37 presos políticos desterrados, na «frigideira» ou privados de assistência médica, água, alimentos, e elementares direitos humanos, alvos de sevícias, exumados e trasladados depois do 25 de Abril.

Edmundo Pedro, o último sobrevivente, chegou ali, com 17 anos, na companhia do pai. Como foi possível tanto sofrimento no silêncio imposto pela ditadura?

E como é possível o esquecimento da democracia? Dói muito, dói pelo sofrimento dos que lutaram contra o fascismo e pelo esquecimento a que os votam os que receberam a democracia numa manhã de Abril com cravos a florirem nos canos das espingardas do MFA.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

TRÊS DIÁLOGOS SOBRE A MORTE | PEDRO GALVÃO | por Carlos Fiolhais

Hoje escrevo no jornal I sobre este estimulante livro de Pedro Galvão. Ignoramos em geral o tema da morte, mas o tema impõe-se como uma constante da humanidade. Transcrevo um excerto:”(…) No 3.º diálogo, que trata a questão da imortalidade (“um tédio”, para o Sr. Perrier), são apresentados dois argumentos famosos na história das ideias sobre a morte. Um deles é de Epicuro, o filósofo grego dos sécs. IV e III a.C., que, na sua Carta a Meneceu, nos sossega: “Portanto, o mais atemorizador dos males, a morte, nada é para nós, porque quando existimos, a morte não está presente, e quando a morte está presente, não existimos. Deste modo, ela nada é nem para os vivos nem para os mortos, porque os primeiros não a têm e os últimos já não existem.” E o outro é de Lucrécio, o filósofo romano do século I a. C., expresso no poema De Rerum Natura (“Da Natureza das Coisas”, nome do blogue que mantenho há anos): “Vê, olhando para trás, como nada significou para nós toda a porção de eternidade que se passou antes do nascer. Eis o espelho que a Natureza nos apresenta do tempo futuro, do que virá depois da nossa morte. Surge nisto algum horror, alguma tristeza? Não é tudo muito mais seguro do que o sono?” (há uma edição recente: Relógio d’Água, 2015, que Galvão não usa).Não sendo tratada no livro, vale a pena referir a relação profunda que há entre o sexo e a morte. Jacques Ruffié aborda-a no seu livro O Sexo e a Morte (D. Quixote, 1987): “O sexo e a morte são dois tributos que pagamos ao progresso evolutivo. São dois fenómenos complementares, mas surpreendentemente contrastados. O primeiro ocorre na alegria, no prazer, e na esperança; o segundo no sofrimento, no horror e no vazio”. E, noutro lado, “A morte é um fenómeno biologicamente necessário, sem o qual a sexualidade estaria sem objetivo”. (…)

Carlos Fiolhais

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fiolhais

Elīna Garanča | SCHUMANN & BRAHMS

Robert Schumann
Frauenliebe und Leben op. 42

Johannes Brahms
Heimweh II: “O wüsst’ ich doch den Weg zurück” op. 63 no. 8
Liebe und Frühling II: “Ich muss hinaus” op. 3 no. 3
Liebestreu op. 3 no. 1 · Mädchenlied op. 107 no. 5
O kühler Wald op. 72 no. 3 · Verzagen op. 72 no. 4
O liebliche Wangen op. 47 no. 4 · Geheimnis op. 71 no. 3
Wir wandelten op. 96 no. 2 · Alte Liebe op. 72 no. 1
Die Mainacht op. 43 no. 2 · Von ewiger Liebe op. 43 no. 1
Elīna Garanča
Malcolm Martineau November 6, 2020

Pandemia, Política e Decência | Rodrigo Sousa e Castro

Se o País fosse declarado em estado de guerra, não passava pela cabeça de ninguém que aos diversos ramos das forças armadas não se juntassem outras forças armadas, como as policias, GNR, guardas de outra natureza, proteção civil e corpos de bombeiros.

Era então certo que haveria um comando único com o seu estado maior, uma hierarquia única e um plano de combate que todos deveriam realizar.

Pode então perguntar-se, porque é que numa situação pandémica com um forte agravamento em curso, todos os órgãos e estabelecimentos ligados ao sistema de saúde, hospitais sejam eles privados públicos ou sociais, clinicas, academias médicas, inem, centros de saúde básicos ou intermédios não são colocados sob uma comando único, obedecendo a uma mesma hierarquia, perdendo temporariamente as condições especificas de gestão que após a pandemia debelada recuperariam ?

A resposta a uma questão tão óbvia é bem fácil e de constatação dolorosa:- a Politica governamental e Presidencial segue o seu caminho demagógico e titubeante mesmo em tempos pandémicos;- A ganância do lucro oblitera o sentido patriótico que a parte privada do sistema tinha a estrita obrigação de ter nesta conjuntura;- agentes altamente responsáveis, desde sindicalistas a bastonários agem com a fria determinação de aproveitaram em modo de abutres uma situação onde só deveria caber, sacrifício, luta, compaixão e dever patriótico.

A distância entre a generosidade e esperança de quem baniu a ditadura e sonhou um regime livre e justo é agora mais evidente.

Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa Castro

A Náusea | Jean Paul Sartre

Os homens. É preciso amar os homens. Os homens são admiráveis. Sinto vontade de vomitar – e de repente aqui está ela: a Náusea. Então é isso a Náusea: essa evidência ofuscante? Existo – o mundo existe -, e sei que o mundo existe. Isso é tudo. Mas tanto faz para mim. É estranho que tudo me seja tão indiferente: isso me assusta. Gostaria tanto de me abandonar, de deixar de ter consciência de minha existência, de dormir. Mas não posso, sufoco: a existência penetra em mim por todos os lados, pelos olhos, pelo nariz, pela boca… E subitamente, de repente, o véu se rasga: compreendi, vi. A Náusea não me abandonou, e não creio que me abandone tão cedo; mas já não estou submetido a ela, já não se trata de uma doença, nem de um acesso passageiro: a Náusea sou eu.

Jean Paul Sartre

Papa cristão | Daniel Oliveira | in Jornal Expresso

Ao defender uma lei civil que enquadre as relações entre pessoas do mesmo sexo, o Papa Francisco não reconheceu ou aceitou o casamento. Mas deu mais um passo. E se este gesto pode não ser importante para o conjunto da comunidade, porque os Estados laicos não precisam de bênção papal para garantirem igualdade de direitos, é-o para milhões de católicos LGBT, que passam a sentir-se um pouco mais em casa na sua Igreja. Como mostrou com os divorciados, o Papa quer recuperar aqueles que a Igreja foi deixando pelo caminho e que já não aceitam a culpa dessa exclusão.

Quer impedir que a Igreja Católica se transforme num reduto de ultraconservadores, incapaz de lidar com a pluralidade dos seus fieis. Dirão que se adapta aos tempos modernos. É o contrário. Estes não são tempos de inclusão e pontes, são de polarização. O Papa Francisco tenta livrar a Igreja de uma guerra cultural que tem sido suicida para sectores políticos tradicionais e que a entregaria a nichos fanatizados. (…) Tenta colocar a Igreja num lugar mais próximo da radicalidade do cristianismo. (…)

Para os que se habituaram a ver a Igreja como um lugar de castigo, que usam o perdão como forma de agressão, que se armam com a religião para perseguir o que não compreendem, que vivem obcecados com o sexo consensual entre adultos mas fecharam os olhos ao abuso de menores, deve ser perturbante ter um Papa cristão.

O Amor é fodido | Miguel Esteves Cardoso | Prefácio de Ricardo Araújo Pereira

“O sobressalto começa no título. Mesmo o leitor menos experiente suspeita que, embora escritores de todos os tempos e lugares se tenham dedicado a tentar definir o amor, talvez seja improvável que alguém alguma vez tenha optado por terminar uma frase começada pela expressão «o amor é» com a palavra «fodido». O amor costuma ter, apesar de tudo, boa imprensa – o que, pensando bem, é incompreensível. Dizer que o amor é fodido é, finalmente, tratá-lo como ele merece. É resumir, para quem não quer perder tempo com eufemismos eruditos, a etimologia da palavra paixão.” Ricardo Araújo Pereira

Baruch Espinosa | Carta sobre o Infinito

CARTA N.° 12 – (OU CARTA SOBRE O INFINITO)

(RIJNSBURG, 20 DE ABRIL DE 1663)

Ao mui sábio e experiente Lodewijik Meijer, doutor em Medicina

Meu excelente amigo,

Recebi duas cartas tuas, uma de 11 de janeiro (que me foi entregue por nosso amigo N.N.) e outra de 20 de março (enviada de Leyden por um amigo desconhecido). Ambas me encheram de alegria, sobretudo porque compreendi que tudo vai muito bem para ti e que te lembras de mim. Agradeço-te pela bondade e pela consideração com que me honras; peço-te para creres que também te sou muito devotado e que me esforçarei para mostrá-lo sempre que a ocasião e minhas fracas forças o permitirem. Para começar, tentarei responder ao que me perguntas nas cartas. Pedes também que te comunique o que penso sobre o infinito. Fá-lo-ei de bom grado.

A questão do infinito sempre pareceu dificílima para todos, até mesmo inextricável, porque não distinguiram entre aquilo que é infinito por sua natureza, ou pela força de sua definição, e aquilo que não tem fim, não pela força de sua essência, mas pela sua causa. E também porque não distinguiram entre aquilo que é dito infinito porque não tem fim, e aquilo cujas partes, embora conheçamos o máximo e o mínimo, não podem ser explicadas ou representadas apenas por um número. Enfim, porque não distinguiram entre aquilo que só pode ser inteligido, mas não imaginado, e aquilo que também podemos imaginar. Se tivessem prestado atenção nisso, jamais teriam sido esmagados sob o peso de tantas dificuldades. Com efeito, teriam claramente compreendido qual infinito não se divide em partes (ou que não tem partes) e qual, ao contrário, pode ser dividido em partes sem contradição.

As cartas de Nise da Silveira a Spinoza

CARTA I

Meu caro Spinoza,

Você é mesmo singular. Através dos séculos continua despertando admirações fervorosas, oposições, leituras diferentes de seus livros, não só no mundo dos filósofos, mas, curiosamente, atraindo pensadores das mais diversas áreas do saber, até despretensiosos leitores que insistem, embora sem formação filosófica (e este é o meu caso), no difícil e fascinante estudo da filosofia.

Mais surpreendente ainda é que, à atração intelectual, muitas vezes venham juntar-se sentimentos profundos de afeição. Assim, Einstein refere-se a você como se, entre ambos, houvesse “familiaridade cotidiana”. Dedica-lhe poemas. O poema para A Ética de Spinoza transborda de afeto: “Como eu amo este homem nobre / mais do que posso dizer por palavras”.

Materiais Diversos | Livro “Paisagens Imprevistas” | 10 anos de Festival Materiais Diversos

Materiais Diversos apresenta livro Paisagens Imprevistas – Outros lugares para as artes performativas e reflete sobre 10 anos de Festival Materiais Diversos | dia 24 de Outubro, às 16h, no Cine-teatro Rogério Venâncio – Minde
O livro Paisagens Imprevistas – Outros lugares para as artes performativas celebra as 10 edições do Festival Materiais Diversos e traz diferentes olhares sobre o panorama da criação e programação artística fora das grandes cidades. 
Em 2019, o Festival Materiais Diversos comemorou 10 anos de existência, com núcleos de programação em Alcanena, Minde e Cartaxo. A propósito do aniversário, a Materiais Diversos propôs-se reflectir e sistematizar 10 anos de edições do festival, mas não só. Observar a história do Festival Materiais Diversos foi o mote para traçar e escrever sobre as artes performativas e a sua relação com os novos centros de criação, programação e divulgação, fora das grandes cidades.
A par do desenvolvimento deste livro, a Materiais Diversos tem-se dedicado a um trabalho de análise do seu investimento e impactos nos territórios onde actua e das suas relações com habitantes, organizações privadas e públicas e empresas locais. 
Gostaríamos muito de o/a convidar para o lançamento do livro em Minde, no próximo dia 24 de Outubro, às 16h, no Cine-teatro Rogério Venâncio (convite em anexo) onde partilharemos também esta visão e análise do investimento humano, programático e financeiro da Materiais Diversos no concelho de Alcanena. 
Em anexo enviamos um breve dossier que apresenta dados do trabalho realizado nos últimos 10 anos no concelho de Alcanena, bem como observações e comentários de parceiros da região.     

La société autophage | Capitalisme, démesure et autodestruction | Anselm Jappe | in Facebook Mur de Yacine Bouzaher

” La société capitaliste est-elle en train de s’auto-dévorer ? On voit partout les signes non seulement d’un effondrement économique, mais aussi d’un délitement des structures psychiques qui ont caractérisé la modernité. Le narcissisme est en train de devenir la pathologie dominante. La critique radicale de la valeur et de l’argent, du travail, de la marchandise et de l’État peut-elle aider à mieux comprendre ces phénomènes ? “

Le mythe grec d’Érysichthon nous parle d’un roi qui s’autodévora parce que rien ne pouvait assouvir sa faim – punition divine pour un outrage fait à la nature. Cette anticipation d’une société vouée à une dynamique autodestructrice constitue le point de départ de La Société autophage. Anselm Jappe y poursuit l’enquête commencée dans ses livres précédents, où il montrait – en relisant les théories de Karl Marx au prisme de la « critique de la valeur » – que la société moderne est entièrement fondée sur le travail abstrait et l’argent, la marchandise et la valeur.Mais comment les individus vivent-ils la société marchande ? Quel type de subjectivité le capitalisme produit-il ? Pour le comprendre, il faut rouvrir le dialogue avec la tradition psychanalytique, de Freud à Erich Fromm ou Christopher Lasch. Et renoncer à l’idée, forgée par la Raison moderne, que le « sujet » est un individu libre et autonome. En réalité, ce dernier est le fruit de l’intériorisation des contraintes créées par le capitalisme, et aujourd’hui le réceptacle d’une combinaison létale entre narcissisme et fétichisme de la marchandise.

Le sujet fétichiste-narcissique ne tolère plus aucune frustration et conçoit le monde comme un moyen sans fin voué à l’illimitation et la démesure. Cette perte de sens et cette négation des limites débouchent sur ce qu’Anselm Jappe appelle la « pulsion de mort du capitalisme » : un déchaînement de violences extrêmes, de tueries de masse et de meurtres « gratuits » qui précipite le monde des hommes vers sa chute.Dans ce contexte, les tenants de l’émancipation sociale doivent urgemment dépasser la simple indignation contre les tares du présent – qui est souvent le masque d’une nostalgie pour des stades antérieurs du capitalisme – et prendre acte d’une véritable « mutation anthropologique » ayant tous les atours d’une dynamique régressive.

O mercado da diferença | O PCP e o BE são hoje formações políticas sociais-democratas | Carlos Matos Gomes

O mercado da diferença. Pode alguém ser o que não é? É o título de uma canção, que podia aplicar-se às dificuldades do BE e do PCP em aceitarem um compromisso com o PS para a aprovação de um Orçamento e ajuda a entender as manobras em curso. O PCP e o BE são hoje formações políticas sociais-democratas, por muito que se esforcem ao nível do discurso por se apresentarem como portadoras de um projeto revolucionário.

O processo histórico do pós-Muro de Berlim provocou uma nova divisão de modelos políticos, de um lado os neoliberais, de outro os estados que na Europa ainda mantêm a matriz de estado social, ou social democrata. Para já a situação é esta e não se alterará com o Orçamento do Estado Português para 2021.O PCP e o BE estão hoje neste grupo social democrata a competir com o tradicional ocupante do espaço, o Partido Socialista. Para sobreviverem neste mercado têm de “mostrar serviço”. Vivem a conhecida situação das mercearias que se transformaram em minimercados na zona dos supermercados. Fazem promoções nos produtos de maior impacto, são mais agressivos nas campanhas, recusam alianças, mesmo que mutuamente vantajosas, procuram fidelizar nichos de mercado, mas vendem o mesmo.

A sua sobrevivência depende da demonstração de diferença. A apresentação de um candidato à presidência de República por cada uma das formações é reveladora da indispensabilidade de cada uma “marcar a diferença a todo o custo” para sobreviver.As disputas sobre o Orçamento são parte da afirmação de existência do PCP e do BE. São opções conscientes e compreensíveis tomadas pelos seus dirigentes para se manterem no jogo da política e fidelizarem a clientela tradicional. É um jogo arriscado, que pode remeter para fábula do escorpião que ia às costas da rã e que a matou por ser a sua natureza e assim morreu também, mas é um jogo legítimo, que os órgãos de direção dos dois partidos decidiram correr e que têm praticado ao longo dos tempos. É o mercado a funcionar. A clientela decidirá.