INVENTAR O FUTURO | HELENA SACADURA CABRAL 

Há dias em que o futuro parece um lugar distante, já desenhado por forças maiores do que nós. Como se estivéssemos apenas a caminhar por um caminho que alguém traçou antes. Mas, quando olho com atenção para a minha própria vida, percebo que o futuro raramente chega pronto. Nasce, quase sempre, de pequenos gestos, de escolhas discretas, de ideias que pareciam frágeis quando surgiram.

Inventar o futuro não é prever o que vai acontecer. É permitir-se imaginar o que ainda não existe. É guardar espaço para possibilidades novas quando tudo à volta parece repetir-se. Há uma coragem silenciosa nesse exercício: a coragem de acreditar que aquilo que somos hoje, não esgota aquilo que podemos vir a ser.

Muitas vezes, imaginamos o futuro como um grande acontecimento, uma transformação repentina. No entanto, ele costuma ser construído em momentos quase invisíveis. Uma conversa que abre horizontes, uma decisão tomada sem garantias. Um primeiro passo, dado antes de existir um mapa.

Talvez inventar o futuro seja precisamente isto: agir sem possuir todas as respostas. Aceitar a incerteza não como uma ameaça, mas como matéria-prima da criação. Porque aquilo que já está definido não precisa de imaginação. Só o que permanece em aberto, pode ser reinventado.

Gosto de pensar que cada pessoa transporta dentro de si futuros possíveis. Alguns adormecidos, outros à espera de oportunidade. Nem todos se concretizam, mas todos nos ajudam a compreender que a vida é mais ampla do que o presente imediato. Sonhar não é fugir da realidade; é expandi-la.

O futuro não é, apenas, o lugar para onde vamos. É também aquilo que começamos a construir agora, nas ideias que cultivamos, nas relações que criamos e nas escolhas que repetimos. Inventá-lo é reconhecer que, mesmo sem controlar o mundo, continuamos a participar na sua criação.

E, talvez exista uma beleza especial nessa condição: não saber exatamente o que virá, mas ainda assim, continuar a imaginar, a tentar, a criar. Como quem acende uma pequena luz no escuro e descobre que o caminho surge à medida que se avança.

© HELENA SACADURA CABRAL 

The Dancing Words

CHINA MUDA REGRAS DA EDUCAÇÃO E LIMITA LUCRO DE EMPRESAS DO SETOR

A China realizou uma ampla reforma em seu sistema educacional ao impor novas restrições às empresas privadas que atuam no ensino obrigatório. Com as mudanças, instituições de reforço escolar e tutoria passaram a enfrentar regras mais rígidas, sendo obrigadas, em muitos casos, a operar sem fins lucrativos ou encerrar suas atividades.

Segundo o governo chinês, a medida busca reduzir a desigualdade no acesso à educação, aliviar a pressão acadêmica sobre crianças e adolescentes e diminuir os gastos das famílias com cursos extracurriculares.

A reforma também aumentou o controle estatal sobre o setor, limitando a participação de investidores estrangeiros e estabelecendo normas mais rigorosas para o funcionamento das instituições e para os conteúdos oferecidos aos estudantes.

Embora escolas particulares continuem autorizadas a funcionar, elas passaram a seguir exigências mais rigorosas e estão sujeitas a maior fiscalização.

A iniciativa reforça a estratégia do governo chinês de tratar a educação básica como um serviço de interesse público, ampliando a presença do Estado na gestão do ensino e reduzindo a influência do mercado privado nesse segmento.

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