Espinosa, Einstein e a Visão Moderna do Universo. Porque Einstein admirava Espinosa


Albert Einstein admirava profundamente Baruch Spinoza, não por partilhar toda a sua filosofia, mas por encontrar nele uma visão do universo fundada na ordem, na racionalidade e na unidade da Natureza.

Para Einstein, o universo é inteligível. Por detrás da diversidade dos fenómenos reside uma ordem que a ciência pode gradualmente desvendar. Esta confiança na existência de leis universais está alinhada com o pensamento de Espinosa, para quem tudo o que existe deriva necessariamente da natureza de Deus ou da Natureza (Deus sive Natura). Nada acontece sem uma causa, mesmo que essas causas nos escapem muitas vezes.

Esta afinidade é evidente na célebre resposta de Einstein em 1929, quando questionado se acreditava em Deus:

“Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na harmonia ordenada da existência, e não num Deus preocupado com o destino e as ações dos seres humanos.” Com esta afirmação, Einstein não quis dizer que concordava com toda a filosofia de Espinosa. Em vez disso, expressou a sua admiração por uma conceção de Deus que se identifica com a própria ordem da Natureza, em vez de o fazer com um ser que intervém nos acontecimentos mundiais.
Ambos partilhavam também um profundo sentido de admiração pela realidade. Para Espinosa, a forma mais elevada de conhecimento conduz ao amor intelectual a Deus (amor Dei intellectualis), uma alegria que nasce da compreensão da unidade da realidade. Einstein falou também de um “sentimento religioso cósmico”: uma humilde admiração pela beleza, harmonia e inteligibilidade do universo.

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A globalização no Brasil do século XVIII, by Kenneth Maxwell


Obra reúne textos do historiador inglês Kenneth Maxwell que mostram a
influência da independência dos EUA na Conspiração de Minas em 1789
Adelto Gonçalves (*)


I

Exatamente no ano que marca o 250º aniversário da assinatura da Declaração de
Independência dos Estados Unidos, a 4 de julho de 1776, o professor e historiador
britânico Kenneth Maxwell acaba de lançar Globalização do Século XVIII – a
Conspiração de Minas e o Atlântico Revolucionário (Dunstable, Grã-Bretanha, Robbin
Laird, editor, 2026), obra que mostra como aquele acontecimento desencadeou uma
série de movimentações políticas no mundo, em especial no Império português que se
abalou com a aspiração de súditos que, em 1788 e 1789, sonharam com a separação de
Minas Gerais e outras capitanias da América Portuguesa. Como se sabe, a chamada
revolução americana começou em 1765 e durou até 1783, mas o marco principal foi a
Declaração de Independência que selou a separação das treze colônias do domínio
britânico.


Em sua mais recente obra, que sai por uma editora inglesa com edições
impressas em Português, Inglês e Francês, Maxwell demonstra que a fundação dos
Estados Unidos não se limitou à Filadélfia, mas que a experiência republicana acabou
por influenciar no mundo espíritos que já não se conformavam com o predomínio dos
ideais monárquicos. E isso se deu inspirado numa coletânea de documentos
constitucionais norte-americanos no idioma francês, que à época predominava como
língua universal, originalmente reunidos pelo diplomata, escritor, jornalista, cientista e
empresário Benjamin Franklin (1706-1790) como ferramenta de propaganda.
Trata-se do livro Recueil des Loix Constitutives des Etats-Unis, volume de 1778
organizado por Franklin com traduções das constituições americanas —, elaborado em
Paris para convencer os ministros do rei francês Luís XVI (1754-1793), deposto em
1792, de que os Estados Unidos dispunham de uma ordem constitucional coerente e
exportável. Foi essa coletânea que acabou trazida para o Brasil por dois ex-estudantes
brasileiros na Universidade de Coimbra, uma por José Álvares Maciel (1760-1804) e

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POESIA | A Ilha, David Mourão Ferreira

A Ilha

Deitada és uma ilha. E raramente

Surgem ilhas no mar tão alongadas

Com tão prometedoras enseadas

Um só bosque no meio florescente

Promontórios a pique e de repente

Na luz de duas gémeas madrugadas

O fulgor das colinas acordadas

O pasmo da planície adolescente.

Deitada és uma ilha que percorro

Descobrindo-lhe as zonas mais sombrias

E nem sabes se grito por socorro

Ou se te mostro só que me inebrias.

Amiga, amante, amada, eu morro

Da vida que me dás todos os dias.

David Mourão-Ferreira

PENSAMENTO | OS AVÓS | José Tolentino Mendonça

Os avós são mestres de uma arte esplêndida e rara: a arte de ser. Os avós sabem tornar um mero encontro quotidiano numa apetitosa celebração. Sabem olhar e olhar-nos sem pressas, vendo-nos esperançosamente mais adiante. Sabem dar valor às coisas de nada. Nunca consideram que quando se entretêm connosco estão a perder tempo, muito pelo contrário. Sabem que o amor dá-se bem com essa gratuita codivisão. Os avós são docemente silenciosos, mesmo se muito tagarelas. Os avós parecem distraídos, e isso é bom. Os avós caminham a nosso lado sem pressa. Têm tanto de distante como de próximo no arco do tempo. Têm uma sabedoria que se expressa por histórias calorosas e não por conceitos. Têm uma memória que nos parece inesgotável, cheia de aventuras, de bagatelas e de detalhes para divertir. Têm armários carregados de objetos (alguns incompreensíveis) que nos põem a sonhar. Apresentam-nos a gostos e a sabores que passamos a identificar com eles. Os avós já foram muitas vezes aos lugares onde nos levam pela primeira vez.

Chamam a atenção para coisas incalculáveis, como a forma de uma nuvem ou a cor diferente que ganham as folhas. Ensinam-nos com serenidade, colocando-se a nosso lado. Nunca acham despropositada a fantasia, nem os medos, nem o mimo. Têm o sentido das pequenas coisas e colos onde cabem as grandes. Eles não separam, como o resto das pessoas, aquilo que é útil do que é inútil. Fazem-nos sentir que é assim, que já passaram por isso e que existe uma solução que nos vão revelar, só a nós, como um grande segredo. Amparam os nossos desequilíbrios com o corrimão invisível e seguro do seu afeto, disponíveis degrau a degrau. Adivinham o que não dizemos sem se confundirem com a nossa confusão. Quando não estão connosco, pensam em nós, repetem aos amigos as frases que dissemos, disputam-nos, orgulham-se de coisas parvas, como o modo como sorrimos ou respiramos. Penso que se sentimos tão intensamente que os devemos salvar é porque percebemos, desde muito cedo, que somos salvos por eles.

© JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

The Dancing Words

FUTEBOL | A opinião dos jogadores, in Facebook

Ferenc Puskás: “O melhor jogador de futebol da história foi Di Stéfano: recuso-me a classificar Pelé como jogador de futebol, era mais do que isso.”

 Just Fontaine: “Quando vi o Pelé jogar, senti que estava na altura de pendurar as chuteiras.”

 George Best: “Se eu tivesse nascido feio, ninguém teria ouvido falar de Pelé.”

 Alfredo Di Stéfano: “Pelé era magnífico; a sua melhor qualidade era a capacidade de marcar golos. Era o melhor.”

 Tarcisio Burgnich: “Antes da partida, disse a mim mesmo: ‘Ele é de carne e osso, como qualquer outro.’ Enganei-me.”

 Johan Cruyff: “Pelé era um herói. Eu também. E hoje é a vez de Messi. Pelé foi o único jogador de futebol que transcendeu os limites da lógica.”

 Hugo Gatti: “Pelé era de outro planeta, não era Maradona.”  César Luis Menotti: “Pelé era uma mistura de Messi, Maradona, Cruyff e Di Stéfano.”

 Andy Warhol: “Pelé é um dos poucos que contradiz a minha teoria: em vez de 15 minutos de fama, terá 15 séculos.”

 Diego Armando Maradona: “A minha mãe dizia-me: ‘Porque é que te comparam com o Pelé? Tu és melhor. O Pelé jogava com jogadores que nem se mexiam.’ Não gosto de ser comparado a ele: diz asneiras quando toma o medicamento errado. O bom de ser comparado ao Messi é que isso deixa o Pelé de fora.”

 Bielsa: “Gostava de ver o Pelé, o Maradona e agora o Messi. Acho que fazer comparações não é para glorificar o escolhido, mas para diminuir aquele que foi esquecido.”

 Romário, sempre Romário

 Romário: “Depois do Pelé veio o Maradona, e depois do Maradona veio eu. Como jogador, é o nosso rei, o nosso deus, mas devia ser amordaçado.”

 Willington Ortiz: “Pelé era melhor do que Maradona porque era um jogador mais completo; sabia cabecear e era ambidestro”.

 Vinicius: “Nada é mais especial do que ser convocado para a seleção no dia de aniversário do O’Rei. Vida longa a Pelé, o melhor de sempre.”

 Neymar: “Ninguém se compara a ti, Pelé. Obrigado por tudo o que fizeste pelo futebol.”  Vida longa ao O’Rei!

 Beckenbauer: “Pelé é o melhor de todos os tempos.”

 Ronaldo Nazário: “Para os brasileiros, falar de Pelé é falar de uma instituição. Algo muito superior a todos os outros.”

 Alguém me disse que são opiniões pessoais, bem, vejo que muita gente pensa assim.

 Na foto: Gattin (Argentina) 1,93m, Pelé 1,73m.

 Ferenc Puskás: “O melhor jogador de futebol da história foi Di Stéfano: recuso-me a classificar Pelé como jogador de futebol, era mais do que isso.”