PENSAMENTO | OS AVÓS | José Tolentino Mendonça

Os avós são mestres de uma arte esplêndida e rara: a arte de ser. Os avós sabem tornar um mero encontro quotidiano numa apetitosa celebração. Sabem olhar e olhar-nos sem pressas, vendo-nos esperançosamente mais adiante. Sabem dar valor às coisas de nada. Nunca consideram que quando se entretêm connosco estão a perder tempo, muito pelo contrário. Sabem que o amor dá-se bem com essa gratuita codivisão. Os avós são docemente silenciosos, mesmo se muito tagarelas. Os avós parecem distraídos, e isso é bom. Os avós caminham a nosso lado sem pressa. Têm tanto de distante como de próximo no arco do tempo. Têm uma sabedoria que se expressa por histórias calorosas e não por conceitos. Têm uma memória que nos parece inesgotável, cheia de aventuras, de bagatelas e de detalhes para divertir. Têm armários carregados de objetos (alguns incompreensíveis) que nos põem a sonhar. Apresentam-nos a gostos e a sabores que passamos a identificar com eles. Os avós já foram muitas vezes aos lugares onde nos levam pela primeira vez.

Chamam a atenção para coisas incalculáveis, como a forma de uma nuvem ou a cor diferente que ganham as folhas. Ensinam-nos com serenidade, colocando-se a nosso lado. Nunca acham despropositada a fantasia, nem os medos, nem o mimo. Têm o sentido das pequenas coisas e colos onde cabem as grandes. Eles não separam, como o resto das pessoas, aquilo que é útil do que é inútil. Fazem-nos sentir que é assim, que já passaram por isso e que existe uma solução que nos vão revelar, só a nós, como um grande segredo. Amparam os nossos desequilíbrios com o corrimão invisível e seguro do seu afeto, disponíveis degrau a degrau. Adivinham o que não dizemos sem se confundirem com a nossa confusão. Quando não estão connosco, pensam em nós, repetem aos amigos as frases que dissemos, disputam-nos, orgulham-se de coisas parvas, como o modo como sorrimos ou respiramos. Penso que se sentimos tão intensamente que os devemos salvar é porque percebemos, desde muito cedo, que somos salvos por eles.

© JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

The Dancing Words

FUTEBOL | A opinião dos jogadores, in Facebook

Ferenc Puskás: “O melhor jogador de futebol da história foi Di Stéfano: recuso-me a classificar Pelé como jogador de futebol, era mais do que isso.”

 Just Fontaine: “Quando vi o Pelé jogar, senti que estava na altura de pendurar as chuteiras.”

 George Best: “Se eu tivesse nascido feio, ninguém teria ouvido falar de Pelé.”

 Alfredo Di Stéfano: “Pelé era magnífico; a sua melhor qualidade era a capacidade de marcar golos. Era o melhor.”

 Tarcisio Burgnich: “Antes da partida, disse a mim mesmo: ‘Ele é de carne e osso, como qualquer outro.’ Enganei-me.”

 Johan Cruyff: “Pelé era um herói. Eu também. E hoje é a vez de Messi. Pelé foi o único jogador de futebol que transcendeu os limites da lógica.”

 Hugo Gatti: “Pelé era de outro planeta, não era Maradona.”  César Luis Menotti: “Pelé era uma mistura de Messi, Maradona, Cruyff e Di Stéfano.”

 Andy Warhol: “Pelé é um dos poucos que contradiz a minha teoria: em vez de 15 minutos de fama, terá 15 séculos.”

 Diego Armando Maradona: “A minha mãe dizia-me: ‘Porque é que te comparam com o Pelé? Tu és melhor. O Pelé jogava com jogadores que nem se mexiam.’ Não gosto de ser comparado a ele: diz asneiras quando toma o medicamento errado. O bom de ser comparado ao Messi é que isso deixa o Pelé de fora.”

 Bielsa: “Gostava de ver o Pelé, o Maradona e agora o Messi. Acho que fazer comparações não é para glorificar o escolhido, mas para diminuir aquele que foi esquecido.”

 Romário, sempre Romário

 Romário: “Depois do Pelé veio o Maradona, e depois do Maradona veio eu. Como jogador, é o nosso rei, o nosso deus, mas devia ser amordaçado.”

 Willington Ortiz: “Pelé era melhor do que Maradona porque era um jogador mais completo; sabia cabecear e era ambidestro”.

 Vinicius: “Nada é mais especial do que ser convocado para a seleção no dia de aniversário do O’Rei. Vida longa a Pelé, o melhor de sempre.”

 Neymar: “Ninguém se compara a ti, Pelé. Obrigado por tudo o que fizeste pelo futebol.”  Vida longa ao O’Rei!

 Beckenbauer: “Pelé é o melhor de todos os tempos.”

 Ronaldo Nazário: “Para os brasileiros, falar de Pelé é falar de uma instituição. Algo muito superior a todos os outros.”

 Alguém me disse que são opiniões pessoais, bem, vejo que muita gente pensa assim.

 Na foto: Gattin (Argentina) 1,93m, Pelé 1,73m.

 Ferenc Puskás: “O melhor jogador de futebol da história foi Di Stéfano: recuso-me a classificar Pelé como jogador de futebol, era mais do que isso.”