Erwin Schrödinger acreditava que existe apenas UMA mente em todo o universo

Schrödinger acreditava que existe apenas UMA mente em todo o universo.

Apenas uma.

Ele não estava a falar de um deus ou de uma alma. Foi um dos fundadores da mecânica quântica — o tipo cuja equação descreve literalmente todas as partículas existentes — e até ele afirmou o seguinte:

“O número total de mentes no universo é um só. Na verdade, a consciência é uma singularidade que se manifesta em todos os seres.”

Leia isto novamente.

Ele está a dizer que VOCÊ e a pessoa que está ao seu lado não são duas consciências separadas a viver vidas separadas. Vocês são a mesma consciência, olhando através de dois pares de olhos diferentes, ao mesmo tempo.

Todo o ser humano, todo o animal, todo o “eu” que já disse “Penso, logo existo” — tudo isto pode ser uma única consciência, refractada em biliões de pontos de vista temporários. Como um oceano a experimentar-se a si próprio como inúmeras ondas.

Parece misticismo. Parece algo que se leria num cartaz de retiro de ioga.

Só que isto veio do homem que escreveu literalmente a matemática da mecânica quântica — matemática tão precisa que prevê o comportamento dos eletrões com 12 casas decimais.

Então ele estava a falar poeticamente? Filosoficamente? Ou será que décadas a contemplar o mundo quântico convenceram um dos físicos mais brilhantes da história de que “tu” e “eu” poderíamos ser uma ilusão de separação?

Ninguém sabe.

Mas depois de ler as palavras dele, nunca mais conseguirá pensar em “si” da mesma forma.

#Schrodinger #consciousness #quantumphysics #philosophy #mindblowing #cosmos #science #deepthoughts

Nuno Júdice (1949–2024): A Escrita do Afeto, in Mural Facebook de Maria Helena Manaia

Leio o amor no livro

da tua pele;

demoro-me em cada

sílaba, no sulco macio

das vogais, num breve obstáculo

de consoantes, em que os meus dedos

penetram, até chegarem

ao fundo dos sentidos. Desfolho

as páginas que o teu desejo me abre,

ouvindo o murmúrio de um roçar

de palavras que se

juntam, como corpos, no abraço

de cada frase. E chego ao fim

para voltar ao princípio, decorando

o que já sei, e é sempre novo

quando o leio na tua pele.

 Nuno Júdice, in “Geometria Variável”