Stephen Hawking e o seu legado

História de thedailydigest.com
 

Londres, outubro de 2018. No telão gigante do Museu da Ciência, uma voz metálica e instantaneamente reconhecível começa a falar. O público sabe que a voz está morta há seis meses, e ainda assim, pelos próximos minutos, é como se Stephen Hawking estivesse de volta ali, na sala, falando diretamente com os presentes.

Não se tratava de um truque ou de qualquer filmagem de arquivo antiga. Era o encerramento de um livro que Hawking havia deixado inacabado, concluído por sua família e publicado sob o título “Breves Respostas para Grandes Questões”.

Escondida em suas páginas estava uma reflexão que eventualmente se tornaria, para grande parte da imprensa britânica, o resumo definitivo de tudo o que o físico pensava sobre o universo, a existência e o lugar que ocupamos nele.

“Deus não existe. Ninguém controla o universo” foram algumas de suas últimas palavras no livro.

Essa é uma das ideias que Stephen Hawking defendeu por décadas: que as leis da física poderiam explicar o funcionamento do cosmos sem a necessidade de recorrer a um criador.

Não surpreendentemente, seu trabalho o levou a refletir sobre o interior dos buracos negros ou sobre a própria origem do universo e do tempo.

Hawking argumentou que o universo poderia ter surgido espontaneamente a partir das leis da física e que, se o tempo começou com o próprio universo, falar sobre algo que existiu anteriormente, incluindo um criador, seria sem sentido dentro dessa estrutura.

Não foi a primeira vez que Stephen Hawking expressou sua opinião sobre a existência de Deus.

Em sua participação no programa de televisão “Genius of Britain” em 2010, Hawking disse o seguinte: “A questão é: a forma como o universo começou foi escolhida por Deus por razões que não podemos compreender, ou foi determinada por uma lei da ciência? Eu acredito na segunda opção.”

Ele participou desse programa em 2010 para promover “The Grand Design”, livro que escreveu em coautoria com o físico Leonard Mlodinow, no qual argumenta que, graças às leis da física, o universo pode surgir do nada, sem que ninguém precise “acender o pavio” para colocá-lo em movimento.

Aquele livro causou bastante alvoroço na época, então suas últimas palavras em 2018 não foram tanto uma novidade, mas sim a conclusão definitiva de uma posição que ele vinha defendendo há quase dez anos.

Nesta última obra, “Breves Respostas para Grandes Questões”, que pode ser vista como um resumo de seu legado, Hawking também ousou abordar algumas das grandes questões que continuam a fascinar a humanidade: se a vida poderia existir fora da Terra, o que aconteceria se uma inteligência artificial escapasse do nosso controle ou até que ponto a viagem no tempo é fisicamente possível.

Segundo a ITV News, no evento de lançamento em outubro de 2018, a voz de Stephen Hawking lembrou ao público a importância de “olhar para as estrelas e não para os próprios pés”. “Tentem compreender o que veem e perguntem-se o que faz o universo existir.”

Stephen Hawking faleceu em 14 de março de 2018, em sua casa em Cambridge, aos 76 anos, após conviver por 55 anos com esclerose lateral amiotrófica (ELA), diagnosticada quando ele tinha apenas 21 anos.

Suas cinzas agora repousam na Abadia de Westminster, entre Isaac Newton e Charles Darwin. Um local de descanso eterno para um homem que dedicou sua vida a tentar responder a algumas das maiores questões sobre o universo.

O legado que ele deixou foi algo ainda mais perturbador para muitas pessoas: a possibilidade de que por trás do universo não exista mente, plano ou vontade. Apenas leis físicas.

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