TRUMP: «A EUROPA VAI DEVOLVER CENTENAS DE MILHARES DE MILHÕES» — A CONTA DA UCRÂNIA CHEGA À EUROPA, por Tita Alvarez, in Facebook

Donald Trump declarou que os Estados Unidos vão exigir que a Europa devolva as centenas de milhares de milhões de dólares gastos pela administração Biden em ajuda militar à Ucrânia.

A declaração de Trump desloca assim a discussão de «quanto mais vamos dar à Ucrânia» para a questão muito mais incómoda: «Quem vai pagar a conta, afinal?»

E este é talvez o ponto que a Europa preferiria não discutir.

Durante anos, os governos europeus participaram no apoio à Ucrânia, enquanto Washington assumia uma parte enorme dos custos militares.

Agora, Trump surge determinado a colocar em cima da mesa a conta da anterior política americana.

E se Washington exigir efetivamente que os europeus devolvam centenas de milhares de milhões, então a discussão adquire uma dimensão completamente diferente.

Porque uma coisa é votar mais um pacote de ajuda em Bruxelas, outra bem diferente é ter de explicar aos contribuintes europeus quanto custou, no total, a política até agora seguida.

E é aqui que entra o comentário de Kirill Dmitriev.

Dmitriev é diretor do Russian Direct Investment Fund (RDIF), o fundo de investimento estatal russo, desde 2011, e enviado especial de Putin para investimentos internacionais e cooperação económica.

Com a sua experiência em investimentos internacionais e os seus contactos nos meios empresariais e políticos americanos, tem-se tornado num importante canal de Moscovo para Washington.

E Dmitriev comenta a declaração de Trump com aquela dose necessária de… ironia europeia:

«Isso não deverá ser problema para os brilhantes líderes europeus, que acreditam que sabem o que estão a fazer.»

Irónico? Absolutamente.

Mas a questão por trás do sarcasmo é totalmente real.

De onde virá o dinheiro?

Dos orçamentos nacionais?

De novo endividamento europeu?

De dívida comum da União Europeia?

De cortes noutras despesas?

Ou, afinal, do próprio contribuinte europeu?

Porque o dinheiro gasto a nível dos Estados e da União Europeia não desaparece.

Alguém o paga.

E enquanto a Europa continuar a apresentar cada novo financiamento como um «investimento necessário na segurança», mais terá de responder à pergunta mais simples de todas: quem assume o custo?

Trump, de qualquer forma, parece querer fazer exatamente o que prometeu: transferir uma maior parte do ónus financeiro para os aliados europeus.

E aqui começa o verdadeiro jogo político.

Porque se Washington decidir reduzir a sua própria participação financeira e, ao mesmo tempo, exigir que a Europa cubra despesas americanas anteriores, os governos europeus ver-se-ão perante uma conta que dificilmente pode ser escondida atrás de belas palavras.

A Europa pode, certamente, encontrar dinheiro.

A questão é quanto mais está disposta a encontrar.

E, principalmente, quanto estão os seus cidadãos dispostos a pagar por uma guerra em que a própria Europa tem investido política, económica e militarmente durante anos.

Trump abre, pois, uma discussão que Bruxelas provavelmente preferiria evitar.

Não sobre se a Europa «apoia a Ucrânia».

Mas sobre quanto custa esse apoio.

E, principalmente…

QUEM VAI PAGAR A CONTA?

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