DEBATE ANTÓNIO COSTA – RUI RIO | 5 ASPECTOS | por António Carlos Cortez

1. Costa esteve melhor, pois conhece os dossiers e tem experiência governativa desde 1995. Em três ocasiões foi incisivo: quando confrontou Rio com declarações suas sobre o salário mínimo, que Rio disse ser erro gravíssimo; quando desmentiu Rui Rio mostrando a manchete do Expresso de Setembro de 2015, por ocasião do que o PS faria caso nas eleições a direita fosse minoritária; quando desmascarou Rio relativamente ao que, no programa do PSD, é o ataque à classe média a respeito do fim do serviço tendencialmente gratuito do SNS e que Rio quer ver mais nas mãos dos privados;

2. Costa mostrou-se sereno e Rio sempre um pouco mais histérico. Com certa ironia, Costa desmontou falácias do líder do PSD, como por exemplo a que diz respeito à TAP. A TAP não foi nacionalizada, como disse Rio, a TAP foi (e bem) salva pelo Estado e a empresa Barraqueiro, uma vez que 50% da TAP ficou nas mais desses dois accionistas;

3. Costa foi claro a respeito do que será o seu futuro político caso não tenha maioria. Vincou por 4 vezes a ideia: “Eu não viro as costas a Portugal”.

4. Ao trazer consigo o orçamento do Estado, Costa quis mostrar o trabalho de casa e o absurdo do chumbo deste OE. Explicou, e bem,  como será a descida do IRS e a passagem de escalões. Explicou, e bem, como é fantasista a hipótese de Rio, segundo o qual – no fim da legislatura – os portugueses terão poupado em sede de IRS oito mil milhões…

5. Os jornalistas, em especial Clara de Sousa, não souberam orientar o debate e quiseram, como vem sendo hábito, ser protagonistas. Escapou o jornalista da RTP. Das formas de tratamento (o uso do pronome ele, quando se referem o PM e o líder da oposição, o uso da forma você, reiterada por Clara de Sousa) à forma que julgam ser profissional quando é só má-educação (interromper quem fala, ironizar, desviar o olhar quando António Costa falava – Clara de Sousa fez isso diversas vezes, olhando pra cima, pro alto…), a verdade é que se a qualidade dos nossos políticos é fraca, igualmente a pobreza dos debates é fruto destes jornalistas facciosos, pretensiosos e que desconhecem o papel do moderador.

ADENDA:

  • Não se falou de educação,
  • Não se pensou o país e o seu papel na Europa,
  • Não se pensou na cultura,
  • Não se desenvolveu qualquer ideia de projecto comum, de ideal, que galvanize as pessoas.

Foram números, percentagens, estatísticas, defesa dum modelo de crescimento que, dadas as alterações climáticas, está errado e é inútil.

  • Não se falou da relação de Portugal com os PALOP, nesse que deveria ser um dos eixos estratégicos da política portuguesa para o futuro, pois há mercado, há hipóteses de trabalho que devem ser potenciadas.
  • Não se falou da pobreza no nosso país, onde há dois milhões de pobres.
  • Não se falou da lei do arrendamento.
  • Costa venceu o debate.
  • Mas Portugal ganhará o quê? Como viveremos em 2030? Com que carga de impostos? Com que preparação para as alterações climáticas?
  • Há plano de reflorestação? A costa portuguesa está a ser defendida? Como dar vida ao interior do país, hoje com cidades-fantasma?

NÃO HOUVE IDEAL, MAGIA, UTOPIA.

FOI SÓ TECNOCRACIA.

Retirado do Facebook | Mural de Antonio Carlos Cortez Letras

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