O ateísmo, as religiões e a democracia | Carlos Esperança

A minha conhecida condição de ateu não me conduziu ao combate primário às crenças e, jamais, aos crentes que se limitam a viver a fé sem buscarem impô-la pela violência.

Isso não significa que não combata as instituições com poder, que, na minha perspetiva, sejam danosas para a democracia e os direitos humanos. É frequente visar, como tal, as religiões. Combatê-las é um efeito colateral da minha luta pela liberdade.

Em Portugal, apenas as religiões do livro têm representação que mereça atenção. Vale a pena lembrar a origem hebraica do Antigo Testamento (AT), fonte dos 3 monoteísmos e só assim designado pelos dois credos posteriores, cristianismo e islamismo que, tendo aí a origem, consideram respetivamente Cristo e Maomé, também como fontes da vontade divina.

O cristianismo, primeira cisão com êxito do judaísmo, surgiu da utilidade para a coesão do Império Romano pelo imperador Constantino. Paulo de Tarso teve a ideia genial de transformar o Deus de Israel em Deus global e fazer dele o salvador universal, apesar de o Homo Sapiens existir há 350 mil anos, sem salvação até há cerca de 6 mil.

O AT, apesar das alterações, é um interessante documento histórico e literário da Idade do Bronze, quando os patriarcas das tribos hebraicas idealizaram o deus abraâmico à sua imagem e semelhança. Trágico é haver quem perfilhe a moral da Idade do Bronze ou as interpretações clericais da vontade de Deus aí contida.

Quem ler, por exemplo, o Levítico fica horrorizado e não é o perigo de haver quem veja em tais tolices a vontade divina que inquieta, é a ação a que essa crença pode conduzir.
O Islão é uma cópia grosseira de judaísmo e cristianismo, alegadamente ditada durante duas décadas, entre Medina e Meca, pelo Arcanjo Gabriel, a um beduíno analfabeto e amoral com ímpetos belicistas.

Sabe-se como o ambiente em que se nasce nos molda e como a repressão nos impede de refletir livremente, e ninguém pode, em sociedades livres, deixar de contestar preceitos que limitam os direitos humanos, submetem a um plano de inferioridade a mulher ou fazem apelos à guerra santa.

Poucos saberão que, quando o sinistro aiatola Khomeini lançou a fatwa contra o escritor Salman Rushdie, o Papa, o arcebispo de Cantuária e o rabino chefe de Israel rejeitaram a condenação dessa fatwa que, cumprida por um muçulmano, garantia virgens e mel doce ao assassino.

Deve condescender-se com religiões que querem ser filosofia, modo de vida, código de conduta e sistema de Justiça de um estado totalitário cujo modelo perfeito é a teocracia?

Em nome do respeito pelas crenças, pode aceitar-se a humilhação da mulher, a limitação dos direitos humanos e o código de valores que extasia Deus e cujos funcionários são os intérpretes da sua vontade?

– Não, nunca.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

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