Corrupção, ideologia e ética | Texto de há dois anos* | Carlos Esperança

A corrupção é suscetível de atravessar todo o espetro partidário, mas a sua incidência é mais marcada em partidos que ocupam o poder, dependendo a perceção da liberdade de informação, que só os regimes pluripartidários consentem, enquanto a ética assume um carácter pessoal, havendo, em qualquer partido, militantes impolutos e venais.

A necessidade de financiamento dos partidos e a proximidade dos grupos económicos, com porta giratória entre os governos e as empresas, promovem a corrupção, enquanto a perceção depende da comunicação social e, sobretudo, dos interesses que ela defende.

O poder judicial devia ser o garante da investigação imparcial e do julgamento isento de todos os crimes, sem prejuízo do julgamento político que cabe à AR e aos cidadãos, mas a promiscuidade que parece haver entre alguns agentes e a comunicação social tem sido motivo de preocupação com a eventual politização da Justiça.

O que não pode aceitar-se é a campanha de intoxicação desta direita, que deseja decidir quem deve governar. Pode a pressão mediática amedrontar o próprio PS, este a quem a direita não perdoa o apoio do BE, PCP e PEV, no primeiro governo de António Costa; pode o ‘bullying’ atemorizar os dirigentes; pode a direita, enredada nos maiores escândalos do regime, esconder os seus com ruído; o que a esquerda não pode é pactuar com a campanha dos adversários que chamam a si os piores trânsfugas e os maiores oportunistas, desde António Barreto, a Zita Seabra de calças que não frequenta cursos de cristandade do Opus Dei, até aos antigos militantes do MRPP que cumpriram o papel provocatório e hoje, como outrora, estão ao seu serviço.

Basta ver os rostos dos grandes corruptores, que aqui deixo, e saber quem são, ou eram, os seus amigos. É preciso topete para as acusações, especialmente por arruaceiros do CDS, numa atitude de quem ignora como foi financiado o seu partido e o mal que fez ao País a sua ex-líder a assinar a imponderada e ruinosa resolução do BES, na mais pura ignorância e a pedido de uma colega de Governo.

Esta direita prenhe de virtude, que julga que a esquerda necessita de nascer duas vezes para ser mais séria de que ela, é incapaz de autocrítica.

Quando um político admitiu que recebeu de um banco aldrabão um lucro de 132%, com ações não cotadas em Bolsa, se as pagou, e ocupou os mais altos cargos da República; quando o gestor de uma empresa falida recebeu mais de 6 milhões de euros que, por burla provada, a UE viria a exigir a devolução, e ignorava que era preciso pagar à Segurança Social, se tornou PM; quando um gestor de uma empresa de sondagens falida fraudulentamente admitiu, com candura, que não tinha recibos porque eram estudantes os assalariados, e chegou a vice-primeiro-ministro; quando o banqueiro do PSD chegou a líder do BPN e o do regime, dono do BES, ajudou a preparar em sua casa a primeira candidatura vitoriosa de Cavaco a PR, reunindo aos dois casais o do ex-PM cúmplice da invasão do Iraque e o do PR seguinte, há coincidências a mais num país a menos.

E há, como se vê, amnésia em excesso.

* Recuperei este texto por causa de mais um financiamento ao Novo Banco, o tal, que, na garantia da Dr.ª Maria Luís, não custaria um cêntimo aos contribuintes.

Carlos Esperança

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Esperança

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