Um livro de pano nas mãos … talvez minha a memória mais antiga | Paulo Dentinho

Os professores são sempre um atelier do futuro

É talvez minha a memória mais antiga, ela com um livro de pano nas mãos, insistindo comigo para tentar ler aquela história para crianças. Era o tempo das primeiras letras, e essa mulher extraordinária procurava trazê-las ao meu conhecimento, enredando ardilosamente a minha curiosidade infantil na trama de uma história de coelhos feitos gente… A minha avó Angelina foi a minha primeira professora. Era então reitora de um liceu de Lisboa, o Rainha Leonor.

Depois, tive muitos outros professores. Alguns foram bons, outros muito bons, houve vários medíocres, um ou outro verdadeiramente mau.

Comigo, para sempre, tenho o Virgilio Ferreira, a Euridice, a Miriam… Afinal, eu sou eles todos, porque todos eles fizeram também de mim o que sou. Foram, para o melhor e para o pior, verdadeiros “andaimes” onde me construí adulto.

Os professores são sempre um atelier do futuro… Não perceber isto é não perceber o seu papel na sociedade, em qualquer sociedade!

A Euridice disse, naquela primeira aula do primeiro ano de Filosofia no liceu de Faro, “o objectivo desta disciplina é chegarem ao fim do ano com muito mais dúvidas do que aquelas que hoje têm”. O jornalista que sou nunca esqueceu essas palavras…

Citando Paulo Dentinho | Sobre o Festival da Canção

A música é um adereço para expor o grotesco ou será o contrário? O vencedor(a) do festival da Eurovisão venceu porque tem uma bela voz e uma bela canção ou porque é uma coisa extravagante? A Miley Cyrus canta bem, mas porque precisa de simular um broche a uma pila enorme num concerto? Ou porque necessitará a Rihanna de roçar a peida nas paredes como se estivesse com cio? Coitado do Brahms e do Schubert! No tempo deles não havia disto.