A anti-globalização de Trump | Carlos Matos Gomes

carlosdematosgomesA anti-globalização de Trump. A agressividade é uma das mais vulgares reacções de medo dos animais (incluindo os humanos) às ameaças. Arreganham os dentes, eriçam os pêlos. O slogan de Trump: América primeiro é o reconhecimento da ameaça da globalização que a América impôs. O feitiço voltou-se contra o feiticeiro. O monstro prepara-se para devorar o seu criador. A América está a provar o veneno que obrigou a União Soviética a beber na época de Reagan, fazendo-a esgotar-se em despesas militares. Hoje, são as potências emergentes, em especial a China, e a Alemanha, que mais beneficiam com o mercado global. A América está a perder e defende-se, isola-se e torna-se mais agressiva. Por isso mais perigosa. Os necons do laissez faire laisser passer andam todos a pintar o cabelo de loiro e acarretar tijolos para os muros do antigo mercado livre.
A América impôs a globalização enquanto a liderou e se aproveitou dela. Era uma coisa boa. Agora, que foi ultrapassada, é uma coisa má. O problema é que, tal como as armas nucleares ou a pólvora, não pode ser desinventada… caiu no domínio público e não adianta querer parar o rio agitando os braços ou construindo ridículos muros…
Sintoma da decadência da América e desta via suicida do isolacionismo de Trump é este só ter como aliada os restos de uma potência, a Inglaterra, ainda em estado mais avançado de decomposição. Aguarda-se que, no regresso da viagem de vassalagem, a primeira ministra inglesa anuncie a construção de um muro na fronteira com a Escócia, a pagar pelos escoceses!
A situação é perigosa… estamos no domínio das atitudes irracionais… do coice da mula…

2017 | O ano em que defendemos a nossa posição | DiEM25

diem-25-200Estamos agora a entrar numa fase intensa de expansão do nosso movimento na luta pela democratização da EU.

Os detalhes serão anunciados em breve mas por agora encontra-se aqui um resumo do que planeámos para os próximos três meses:

Janeiro 27-28: O DiEM25 aterra em Londres para finalmente lançar o nosso movimento lá. Os nossos membros no RU encontram-se agora a definir a organização para refletir o futuro pós-Brexit e contribuir para a cimentação da “Internacional Progressista”.

Srećko Horvat, Elif Shafak e Yanis Varoufakis do DiEM25 vão falar na conferência do Guardian sobre o Brexit no dia 27 de Janeiro no Central Hall Westminster. No dia seguinte o nosso movimento vai ter uma reunião aberta das 10:00 às 13:00 no Conway Hall, Londres Central.

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Oleogarquia | a aliança Trump/Putin explicada | João Camargo in Esquerda.net

joaocamargo_0_1O jogo chama-se Oleogarquia – Oiligarchy em inglês – e pode ser jogado online aqui(link is external). É um jogo de 2008, simples e realista: é-se o presidente de uma empresa petrolífera americana no final da 2ª Guerra Mundial e o objectivo é o mais simples de todos: fazer dinheiro através da exploração de petróleo. Há no início 5 locais para possível prospecção e extracção: o Texas sem qualquer restrição, o Iraque que é um país independente e onde portanto não se pode extrair, o Alasca, zona protegida onde é proibido extrair em terra e no mar, a Venezuela em que, apesar de ser um país independente, é possível extrair em terra e no offshore, e a Nigéria onde, também sendo um país independente, é possível explorar petróleo em terra.

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O Bochechas, a descolonização e nós | José Ribeiro e Castro in Jornal “Público”

ribeiro1. O falecimento de Mário Soares era notícia esperada. Sabia-se da fragilidade da sua saúde, desde que, há um ano, desaparecera da televisão — Mário Soares foi figura pública, activa e opiniosa, até ao último dia que lhe apeteceu. Após o recente internamento, esperava-se a qualquer momento. Foi sem surpresa que soubemos e até com algum alívio: o alívio que reservamos aos que estimamos — por se abreviar o sofrimento próprio, dos familiares e amigos mais próximos.

Na voz popular, “morreu o Bochechas”. Peço licença, com a mesma irreverência com que ele sempre lidou com os poderes e os mitos, para usar o cognome por que a generalidade dos portugueses o conheceu. Expressão de bom humor, era sinal de carinho e não de sarcasmo. Também se riu disso. Esse cognome e o sorriso cúmplice abraçam o essencial da razão por que o rodeia na hora da morte uma quase unanimidade. É um eco, novo e refrescado, da quase unanimidade que marcou a reeleição presidencial em 1991. Explica que ele tenha inaugurado, como mais ninguém poderia ter feito, aquela expressão e ideia que, desde então, nunca mais se apagou: “o Presidente de todos os Portugueses”. E é o eco popular da excepcionalidade de estatuto que, progressivamente, lhe foi sendo reconhecida.

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Finland flirts with basic income | Arlindo L. Oliveira in blog “Digital Minds”

arlindo oliveiraIn an experimental trial started January 1st, 2017, Finland started to attribute a basic social income to 2000 unemployed persons. Unlike a standard unemployment income, this subsidy will still be paid even if the recipients find work.finland

Under this scheme, unemployed Finns, with ages in the 25 to 58 range will receive a guaranteed sum of €560, every month, independently of whether they have or find any other income. This value will replace other existing social benefits. A number of articles, including this one, in the Guardian, provide additional information about the scheme.

The move comes on the wake of a promise made by the centre-right government coalition elected in 2015, to run a basic income pilot project. The objective is to address concerns related with the disappearance of jobs caused by technological changes.

Other countries, cities and regions are running tentative experiments in basic income, including the Netherlands, Canada and the city of Livorno, in Italy. However, many concerns remain about whether this mechanism is the right mechanism to address the challenges brought in by the advances of technology.

Photo by Mikko Paananen, available at WikiMedia Commons.

https://digitalminds2016.wordpress.com/2017/01/07/finland-flirts-with-basic-income/

QUAL A MINHA IDEIA SOBRE O MOVIMENTO DOS CAPITÃES? | Aniceto Afonso | In Blog “Fio da História”

anicetoEm 2010, fui convidado a participar numa Jornada de Estudos no ISCTE, sobre o tema “Militares e Sociedade, Marinha e Política”.

Apresentei uma comunicação sobre o Movimento dos Capitães e a forma como eu próprio via o aparecimento e o desempenho desse movimento.

O texto veio depois a ser publicado, pelo que destaco aqui apenas a sua primeira parte, como enquadramento da questão.

A primeira vez que me propus estudar este movimento como fenómeno social, fi-lo com o meu amigo, coronel e sociólogo, Manuel Braz da Costa, sendo o texto publicado na Revista Crítica de Ciências Sociais (CES, Coimbra), nº 15/16/17 de Maio de 1985, acessível on-line. 

Reformulado, este estudo foi depois publicado por Luísa Tiago de Oliveira em “Militares e Política – o 25 de Abril”, 2014.

Aqui fica, com um título um pouco diferente…

Após o 25 de Abril, os participantes do Movimento dos Capitães sabiam bem que o movimento era obra de uns tantos, e não de todos, nem sequer de muitos. A nossa lógica construiu-se em bases bem determinadas, mas nem sempre coincidentes. É certo que não ignorávamos a oposição ao regime, pois a história nos ensinava que ao longo da ditadura muitas vozes de militares se tinham levantado, sempre prontamente dominadas pela acção dos defensores do regime. Mas o que nos uniu, a um certo número de militares do Exército, foi a oposição à guerra, ou à forma de fazer aquela guerra, ou ao desprestígio das Forças Armadas (a que pertencíamos) por causa daquela guerra. Tudo começou com pequenos ou muito pequenos núcleos de oficiais que se atreveram (porque a necessidade era premente) a falar sobre a guerra e sobre o regime a propósito da guerra.

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A ascensão da nova ignorância | José Pacheco Pereira in “Público”

jpp-200Nada é mais significativo e deprimente do que ver pessoas que estão juntas, mas que quase não se falam, e estão atentas ao telemóvel.

Entre os temas tabu dos nossos dias está a ignorância. Parece que falar da ignorância coloca logo quem o faz numa situação de arrogância intelectual, o que inibe muita gente de a nomear. Mas não há muita razão para se enfiar essa carapuça, tanto mais que o problema é enorme e está agravar-se e a assumir novas formas, socialmente agressivas. Acompanha outro tipo de fenómenos como o populismo, a chamada “pós-verdade”, a circulação indiferenciada de notícias falsas, e, o que é mais grave, a indiferença sobre a sua verificação. Não explica, nem é a causa de nenhum destes fenómenos, mas é sua parente próxima e faz parte da mesma família. É, repetindo uma fórmula que já usei, como se de repente se deixasse de ir ao médico, e se passasse a ir ao curandeiro.

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Um passo mais para o caos | José Goulão

jose_goulaoO ano de 2016 representou, em todo o Médio Oriente, mais um passo em direcção ao caos que os estrategos de Washington e do poder absoluto dos Estados Unidos sobre a globalização – independentemente do ocupante da Casa Branca – dizem ser construtivo.

Nos anos 90 do século passado, sobre os escombros da União Soviética e quando a unipolaridade sob tutela norte-americana reinava, com poder absoluto, em quase todo o mundo, o Dr. Paul Wolwovitz cavalgou as nuvens do tempo e sentenciou: «O nosso principal objectivo é evitar o ressurgimento de qualquer rival que signifique uma ameaça semelhante à da anterior União Soviética, tanto na ex-URSS como em qualquer outro lugar. Esta é a base da nossa nova estratégia de defesa regional, e exige o nosso esforço para evitar que uma potência hostil domine uma região cujos recursos, sob um poder consolidado, sejam suficientes para gerar a energia global».

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Como acabam as Repúblicas | Paul Krugman | in “Esquerda.Net”

krugmanPaul Krugman reflete sobre a decadência da República de Roma e a democracia nos EUA, publicado no blog do NYTimes – The Conscience of a Liberal.

Muitas pessoas reagem ao Trumpismo e movimentos xenófobos na Europa olhando para a História – especificamente, a história dos anos 30. E estão certos em fazê-lo. É necessário uma cegueira voluntária para não ver os paralelos entre o surgir do fascismo no séc. XX e o pesadelo político atual.

Mas os anos 30 não são a única década com lições úteis. Ultimamente, tenho lido bastante sobre o mundo antigo. Inicialmente, devo admitir, como entertenimento e refúgio das notícias que pioram a cada dia que passa. Mas não pude deixar de reparar nos ecos contemporâneos de parte da história de Roma – especificamente, a lenda de como a República Romana caiu.

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Em Alepo está uma fronteira da humanidade | Francisco Louçã

francisco louca02 - 200Em Alepo, a devastação da cidade lembra outros crimes desta dimensão e talvez por isso suscite estes momentos de emoção: isto é o que já vimos ou de que nos lembramos. Alepo é Faluja, ou os campos palestinianos de Sabra e Chatila, ou Grozni, ou Srebrenica, ou Gaza, ou também Varsóvia ou Guernica, os lugares onde um manto de bombas destroçou a vida das populações, alvos e reféns da guerra mais suja. Mas Alepo é também a nossa contemporânea Mosul, depois da chacina dos Yazidis pelo Daesh e onde os civis continuam aprisionados. Alepo é uma das vergonhas do século XXI e não é única.

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A LIÇÃO DA SÍRIA | Por Carlos Fino in “Facebook”

carlos-finoA narrativa ocidental sobre a guerra na Síria é simples – era uma vez um ditador chamado Assad contra o qual, em 2011, o povo se ergueu pedindo democracia; o ditador mandou prender, torturar e bombardear os rebeldes e aí começou uma guerra civil que dura até hoje.

Uma guerra terrível, que já fez meio milhão de mortos e provocou milhões de refugiados – mais de metade da população, deixando um rasto de devastação e ruínas, a ponto de estar em causa a própria sobrevivência do país, agora retalhado em zonas de influência.

O problema com esta narrativa é que ela não se sustenta inteiramente. Tem, é certo, elementos de verdade – Assad é um ditador, a perseguição aos opositores é terrível, havendo até suspeitas (como no caso de Saddam, no Iraque) de utilização de armas químicas contra populações civis.

Mas esse esquema interpretativo deixa na sombra as razões mais profundas do conflito: o embate regional entre as duas grandes correntes do Islão – sunitas contra xiitas – e, tanto ou mais importante ainda, a luta pelos recursos energéticos da região.

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Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes in “Os Anos da Guerra Colonial” | Continuação

fotocarlosmatosgomesAinda a propósito das efervescências patrioteiras a despropósito das responsabilidades do dr Mário Soares na descolonização.
Em primeiro lugar não foi o doutor Mário Soares que decidiu derrubar o a ditadura, nem terminar com o sistema colonial que após 13 anos de guerra não tinha outra solução que não fosse continuar a guerra.
Não foi o dr Mario Soares que decidiu o cessar fogo na Guiné, nem o estabelecimento de conversações com o PAIGC.
Não foi o dri Mário Soares que decidiu estabelecer ligações com a Frelimo, nem com os 3 movimentos em Angola. Foram alguns militares, entre os quais me orgulho de estar incluído.
Antes desses militares, os do 25 de Abril, já o professor Marcelo Caetano estabelecera conversações com o PAIGC em Londres, com o MPLA através de Paris e Roma, com a Frelimo através do engenheiro Jardim e de Keneth Kaunda.da Zambia (planos Lusaka).
Já vários generais conspiravam para derrubar Marcelo Caetano, Spinola, Kaulza de Arriaga, entre outros.
Mas, antes de tudo, já o doutor Salazar se tinha comportado com a estranha inação perante os massacres de Março de 1961, para se manter no poder e mais tarde, em Dezembro, deixaria os militares portugueses . abandonados na Índia.
Isto é, quanto a “traidores”, traidores a sério, chefes que traem os seus militares estamos conversados.

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ANGOLA | OS MASSACRES DE MARÇO DE 1961 | Os sinais que Salazar não quis receber | Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes in “Os Anos da Guerra Colonial”

carlosdematosgomesSoares e a descolonização. Circula por aí um texto de propaganda negra de pretensas afirmações de Mário Soares sobre a descolonização com o título de uma frase referente aos colonos: “Atirem-nos ao mar”, ou qq coisa do género, que há uns anos aparecia atribuída a Rosa Coutinho. O texto é uma manifestação de estupidez de quem os publica. Acreditar que algum dirigente político faça uma afirmação daquelas em público é estupidez, ninguem faz. Tive divergências políticas sérias com a forma como as opções políticas do doutor Mário Soares após o 25 de abril, mas há a verdade, a descolonização tem outro responsável.  Tentar que alguém acredite é tomar os outros por estúpidos. Agora o que é verdade é que Salazar sabia que os massacres de Março de 1961 iam ocorrer naquela data e nada fez. E isso sim é verdadeiramente criminoso. Eu e o Aniceto Afonso publicámos o seguinte texto na obra “Os Anos da Guerra Colonial” – Edição QuidNovi Porto 2010 com 9 (Nove) notícias do que ia acontecer e que eram do conhecimento do governo de Salazar, que não agiu.

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Fidel e o encanzinamento da direita | Francisco Louçã in jornal “Público”

che_guevara_fidel_castroO problema da direita com Fidel não é a democracia, é flutuarem no tempo ao sabor dos ventos e da vontade de ajustes de contas caseiros.

QUE VIVA CUBA! | António Ribeiro, jornalista in “Facebook”

che_guevara_fidel_castroPara quem não sabe, não se lembra, ou não viveu nos anos 50/60 do século XX. Em nome da realidade histórica. E independentemente de simpatias ou antipatias políticas. Mas é bom saber, ler e reflectir. Belo texto!

Parabéns ao jornalista António Ribeiro.

Não me sinto o mais indicado para tecer loas a Fidel Castro. Não é que ele não as merecesse e garanto-vos que merecia mesmo! Liderar um país que era miserável em 1960 contra os interesses da mais agressiva superpotência mundial, e tudo isso a apenas 150 quilómetros de Key West (Miami), que em matéria de valores e de estilo de vida é uma espécie de América ao quadrado, não há-de ter sido nada fácil. É aliás obra de gigante, isso podem crer. Nacionalizar os sectores monopolistas americanos (hotéis de luxo, batota casineira, tráfico de droga, prostituição à escala industrial, banca, produção e distribuição de electricidade e exclusivo das comunicações) sem pagar nada aos donos daquilo tudo foi uma empreitada e pêras! Logo a seguir convém lembrar as tentativas de assassinato, a nojenta aventura da Baía dos Porcos orquestrada pela CIA, a questão irresolvida de Guantánamo e, sobretudo, o escandaloso boicote comercial que deixou o país à míngua de tudo, incluindo os sobressalentes indispensáveis para manter máquinas e equipamentos em estado operacional. Muita gente não sabe, ou já esqueceu, que o embargo não era só anti-Cuba, era também contra todas as companhias do mundo inteiro que teimassem em manter negócios com Cuba, em exportar para Cuba, em voar ou navegar para lá, entidades às quais era automaticamente vedado ter relações comerciais com companhias americanas. Uma chantagem política miserável, inumana e desproporcionada, que pretendia esmagar um povo inteiro e estimulá-lo à insurreição contra os seus dirigentes. De maneira que os EUA transformaram-se eles mesmos, a propósito de Cuba, numa imensa “baía dos porcos”.

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Che Guevara | aforismos e excertos

che02-200É preciso endurecer, sem perder a ternura, jamais. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

Se você é capaz de tremer de indignação cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

O caminho é longo e em parte desconhecido; conhecemos nossas limitações. Faremos, nós mesmos, o homem do século XXI. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

Deixe-me lhe dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é feito de grandes sentimentos de amor. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

§

A universidade deve ser flexível, pintar-se de negro, de mulato, de operário, de camponês ou então ficar sem portas, e o povo invadirá a Universidade e a pintará com as cores que quiser. 
— Che Guevara, no livro “Sem perder a ternura: pequeno livro de pensamentos de Che Guevara”. Rio de Janeiro: Record, 1999

DiEM25 | Conselho de Validação

diem - 200Com um pouco de atraso o DiEM25 constituíu o seu primeiro Conselho de Validação. Vê a lista de membros aqui. O Conselho de Validação tem várias tarefas de acordo com os Princípios Orientadores, um deles o de votar em nome dos membros quando uma decisão tem de ser tomada de forma muito rápida. Contudo, quando há tempo suficiente, devemos continuar a ter votações por todos os membros como nomeadamente occorreu aquando  da nossa posição política face ao processo do Brexit.

Os resultados do nosso voto interno acabaram de chegar.

Das quatro opções disponíveis que podes rever aqui ( para não membros: aqui), a opção A foi a que teve mais votos com 32.07%. A opção B ficou em segundo lugar com 27.74%, em terceiro lugar a opção D com 23.54% e finalmente a opção C teve 16.65%.

Face a isto, as opções A&B serão agora votadas numa segunda volta para decidir qual será a posição do DiEM25 quanto ao processo do Brexit.

Ambas as opções estão a favor de um acordo entre Londres e Bruxelas segundo o qual dois anos após a ativação do Artigo 50, entraria em vigor um acordo ao estilo do acordo com a Noruega que duraria pelo menos até à próxima legislatura do Parlamento Britânico. Desta forma, o veredicto dado relativo ao Brexit pela população Britânica é respeitado enquando, por outro lado, um periodo de estabilidade é assegurado durante o qual o próximo Palamento – um eleito com um mandato para o fazer – poderá concluir os acordos Britâncios pós-Brexit com a UE.

A diferença entre ambas as opções ( A e B) reside na obrigatoriedade do compromisso ou não de a PM Theresa May e o seu governo terem um acordo como o estabelecido entre a UE e a Noruega. Se tal não sucedesse o DiEM25 não apoiaria/ou apoiaria na mesma a activação do Artigo 50.

A opção A , insiste na condicionalidade, isto é, não dá o nosso consentimento ao governo conservador para prosseguir o fim da liberdade de movimentos e outros direitos importantes no momento em que o Artigo 50 é activado.

A opção B apoia a activação do artigo 50 de forma incondicional e evita a questão: Se a activação do artigo 50 for derrotada pelo Parlamento visto que a PM May recusa comprometer-se com um acordo provisório do tipo-Noruega , não significaria isto que o Reino Unido ficaria na UE contra a escolha dos que votaram?

Considera isto e vota aqui: https://internal.diem25.org/vote/6

Carpe DiEM!
A quipa DiEM25

Lançamento de novo livro de José Adelino Maltez | Do Império por Cumprir

galvaoNão temos política colonial, nem um espírito colonial, nem um método colonial.

Henrique Galvão, em Huíla. Relatório de Governo. 1929, confessa que não temos política colonial, nem um espírito colonial, nem um método colonial. Porque esta falta de uma doutrina colonial resulta em grande parte da ausência de uma Política Colonial, e a falta de uma e outra, eliminam, de entrada, a possibilidade de ideias coloniais práticas e eficientes. Fica sempre tudo à mercê das ideias dos governantes que passam, dado que cada ministro da pasta dispõe de ideia própria para governar as possessões ultramarinas, mas esta não é transmitida aos governadores, uma vez que estes também dispunham de ideias próprias, e o fenómeno vai reproduzindo-se em toda a escala hierárquica até ao mais simples amanuense. Uma situação que permite que tudo seja possível – até bons governos!

Henrique Carlos Mata Galvão (1895-1970).

Participa no golpe dos Fifis (1927). Deportado para Angola.

Governador de Huíla (1929). Organiza a Exposição Colonial Portuguesa no Porto (1934).

Deputado. Diretor da Emissora Nacional (1935). Lança a Exposição Colonial do Mundo Português (1940). Inspetor superior da administração colonial.

Discurso parlamentar (22 de janeiro 1947). Fuga da prisão (1959). Assalto ao paquete Santa Maria e coordenação da operação de desvio de um avião da TAP (1961).

Depoimento na ONU (13 dezembro de 1963).

convite

Fidel, bem-me-quer, mal-me-quer | Ferreira Fernandes in “Diário de Notícias”

fidelFidel, um grande homem. Acabou como ditador e é preciso dizer que começou por acabar com um ditador, Fulgencio Batista. Com qualidade rara, a coragem, cortou com a sua própria situação de privilegiado e arriscou a liberdade e a vida. Aqueles que amocharam em situações semelhantes – e em Portugal ainda há gerações em que a escolha foi posta – deveriam não se esquecer de que houve um Fidel que fez o que eles deveriam ter feito e não fizeram. Que os tíbios reconheçam: “Honra aos que souberam dizer não quando o não era necessário e nós não estivemos à altura de o dizer.” E depois podiam, com mais mérito, criticar o Fidel liberticida. Acresce ainda que para lutar contra a ditadura Fidel não pôde contar com o exemplo da admirável América: ela era madrinha de Batista e madrasta de Cuba. Longe de Deus, não sei, mas tão próximo dos Estados Unidos – naqueles tempos, pelo menos – era mais difícil ser democrata. Poder tomado, Fidel tirou partido do seu jeito para o simbólico: caqui, charuto, barbas… Ora, os ícones – que se mostram muito, por definição – têm de função mais própria escamotear. Esse Fidel das fotografias romantizou o que foi; e ajudou a enganar sobre o que aí vinha. Os factos acabaram por ser: o ditador Fidel assassinou muitos e a todos os seus compatriotas tirou a liberdade. Ao combatente de grande causa, honra. Ao tirano, vergonha. E a todos nós, uma lição de história.

Ferreira Fernandes in Diário de Notícias 28-11-2016

Fidel Castro | Francisco Louçã in Jornal “Público”

francisco louca02 - 200Com a morte de Fidel Castro, desaparece uma das últimas grandes figuras que marcaram o século XX. Dirigente da única revolução socialista vitoriosa no Ocidente, enfrentou o maior poder da nossa era, o de Washington, e resistiu a invasões e agressões militares, a inúmeras tentativas de assassinato, ao bloqueio permanente e a todas as pressões. Fidel sai da vida como um vencedor.

À frente de um pequeno exército guerrilheiro, de apenas cinco mil homens e mulheres (só tinha sobrevivido uma dúzia quando desembarcaram do Gramna para iniciar a luta), conquistou Havana porque o povo não tolerava mais aquela combinação de ditadura e máfia dos casinos, a subserviência e a miséria que alimentava a corte de Fulgêncio Batista. A revolução cubana tinha essas raízes na esperança de uma vida digna e é por isso que, ao contrário de outros regimes, manteve uma base popular tão expressiva e se tornou um exemplo continental.

Fidel nunca dependeu estritamente de Moscovo: tentou criar a Tricontinental para desenvolver uma acção internacionalista autónoma, desencadeou sem autorização do Kremlin a operação militar para salvar Angola da invasão sul-africana – e venceu o mais poderoso exército de África, contribuindo assim para a futura derrota do apartheid – e prosseguiu uma política latino-americana baseada na estratégia de criação de um ciclo anti-imperialista. Também é certo que, noutros casos, se submeteu a razões de conveniência (Havana, como Moscovo e Pequim, opôs-se à independência de Timor). Em qualquer caso, a sua independência reforçou a posição de Cuba.

Durante estas décadas, Cuba sofreu de tudo: um bloqueio destruidor, uma vinculação económica aos interesses da URSS que lhe impôs a monocultura do açúcar e, depois, uma transição difícil, sem petróleo e sem indústria. Sobreviveu, com grande custo, mas constituindo uma notável excepção na América Latina, com níveis de desenvolvimento distantes de outros países e com resultados notáveis, sobretudo na medicina e educação. Internamente, manteve um regime de partido único, o que se impôs sempre contra a capacidade de expressão popular e de mobilização democrática, mas, ao contrário da história trágica da URSS e da mortandade de comunistas e opositores que foi a marca de Estaline, permitiu e até estimulou formas de diversidade cultural de que são exemplo a publicação dos livros de Leonardo Padura (leu “O Homem que Gostava de Cães” ou os seus romances policiais?) ou o cinema crítico (por exemplo, “Morango e Chocolate”, de Tomas Alea em 1994, no auge do período mais difícil da economia cubana). Foi portanto uma liderança popular e marcante.

Marcelo Rebelo de Sousa, homem de direita, resumiu tudo ao dedicar a sua visita a Cuba ao esforço de conseguir um encontro com Fidel. Agora, terminou esta história que nunca absolve, mas que compreende e que luta pela memória.

Público

Duas ou três coisas que sei sobre a vida | Francisco Louçã

fl(este texto foi publicado a 12 Novembro 2010; reproduzo-o agora pela mesma razão, falar aos amigos e dedicá-lo a quem me ensina toda a vida; a foto é de 1991, com João Salaviza)

Não sei como agradecer as generosas mensagens que me mandaram. Mas lembro-me de algumas coisas que a vida me tem ensinado.

Sei que tenho uma dívida. Estive uns breves dias preso em Caxias com alguns amigos, por causa de um protesto contra a guerra na passagem do ano de 1972. Desses camaradas, um deles, que já morreu, Francisco Pereira de Moura, só o voltei a encontrar muito mais tarde, quando regressei à faculdade. Tinha sido convicto católico conservador, membro da Câmara Corporativa, mas olhou para o seu país e fez frente à ditadura. Foi por isso o primeiro candidato da oposição, foi preso, voltou a ser preso. Foi demitido de professor universitário. Chegou ao 25 de Abril, foi libertado e foi ministro, e saiu quando achou que o seu tempo tinha chegado, para voltar a dedicar-se à sua paixão, o ensino. Ele sabia da dívida que tinha para com o país, o trabalhador explorado, o pobre, a mulher sem direitos, as pessoas sem dignidade. E sabia que essa dívida se paga sempre, de todas as formas. Eu sei que todos temos essa dívida.

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A Guerra nos Balcãs | General Carlos Branco | texto de Carlos Matos Gomes in “Facebook”

carlosA nudez da realidade. Estive ontem na apresentação deste livro – A Guerra nos Balcãs – do general Carlos Branco. Que diz ele? Que a informação sobre este conflito foi uma mistificação, uma mentira que os media propagaram às opiniões públicas por encomenda dos governos dos países que originaram o conflito e são responsáveis pelos massacres. Exemplos, o genocídio de Sbrenica, não foi um genocídio, mas uma mortandade deliberadamente provocada pelo governo muçulmano da Bósnia, com a cumplicidade dos governos ocidentais. O jiadismo começou na Bósnia, com a criação de um estado islâmico patrocinado pelos países da NATO… É de ler e de arrepiar. Aquilo que se lê neste livro tem duas lições principais: não acreditem no que os grandes meios de comunicação dizem sobre os conflitos, desde a desagregação da Juguslávia ao que acontece hoje na Síria. Não acreditem na liberdade e independência dos grandes meios de informação: são apenas instrumentos da guerra que os seus governos desencadeiam e alimentam. Leiam este livro arrepiante. O autor foi observador militar da ONU na Juguslávia de 1994 a 1996, monitor eleitoral nas eleições na Bósnia, pertenceu à Divisão Militar do secretariado da ONU, foi porta-voz da NATO no Afeganistão, diretor da divisão de segurança e cooperação militar no estado-maior internacional da NATO, sub-diretor do Instituto de Defesa Nacional, entre outros cargos. O livro foi apresentado pelo embaixador Seixas da Costa… Eu tive a satisfação de cumprir um dever de consciência ao dar um modestíssimo contributo para que este livro viesse a público…

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes