DESAFÍO INDEPENDENTISTA | El ruido y la furia de la Cataluña de los mecenas | MANUEL JABOIS in “El País”

Joan Baptista Cendrós fue un hombre tan importante en Cataluña que se convirtió en un olor. Un olor muy intenso y mentolado. Era la fragancia de la crema Floïd, after shave que Cendrós ideó en la barbería que heredó de sus padres: la exportó a 50 países y le hizo millonario. Cendrós acogía en su casa a otros hombres ricos, amigos suyos, unidos por una voluntad exquisitamente revolucionaria. Uno de ellos era Fèlix Millet i Marista, un empresario que huyó a Italia para salvar su vida en la Guerra Civil y regresó para combatir en el bando franquista. Con ellos estaba otro patricio, Lluís Carulla, que usó su conocimiento de la botica familiar para crear, junto a su esposa María Font, Gallina D’Or, que luego rebautizó como Gallina Blanca antes de inventar Avecrem. Joan Vallvé fabricaba dinero, literalmente: su factoría en Poblenou acuñaba la peseta. El quinteto lo cerraba el industrial Pau Riera, hijo de Tecla Sala Miralpeix, una empresaria de vida extraordinaria que levantó su imperio textil en un mundo de mujeres empleadas y hombres directivos.

A todos les unía el catalanismo, su voluntad de desbordar la dictadura desde el único lugar donde empezaba a correr un poco de aire: la cultura. Eran, esencialmente, mecenas. Y crearon Òmnium en el año 1961. Le inyectaron dinero, muchísimo, para abrir terminales en toda Cataluña y fomentar la lengua y la cultura catalanas. Fuera de Òmnium esa burguesía intelectual, junto otros apellidos de fuste, fundó un universo propio sobre el que orbitaría la futura Cataluña: la Nova Cancó, los premios Sant Jordi y Carles Riba, la Gran Enciclopedia Catalana, el Instituto de Estudios Catalanes, el Orfeò, el Palau, el Liceu, Banca Catalana; estuvieron detrás de los inicios de Terenci Moix y de Raimon, entre otros. Intentaron que la Academia Sueca le diese el Nobel a Salvador Espriu. Hicieron también grandes tropelías; se adueñaron del espacio, y el dominio cultural que llegó hasta el pujolismo fue de tal asfixia que Cendrós le negó el Premi d’Honor de les Lletres Catalanes, también creado por él, al escritor catalán más importante del siglo XX, Josep Pla, alegando su implicación en el franquismo. Muchos años después, Fèlix Millet hijo hizo recuento de la élite: “Somos unas cuatrocientas personas, no seremos muchas más, pues nos encontramos en todas partes y somos siempre los mismos”.

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«IGNORÂNCIA E PEDANTERIA (por Albano Nunes) | O Partido ‘bipolar’: uma crítica de esquerda (por Elísio Estanque)

O jornal do PCP «Avante!» decidiu dar-me a “honra” de responder a um artigo que publiquei no jornal Público (31.08.2017): Aos meus amigos peço desculpa pela longa preleção e “reprimenda” que o seu autor me dedicou. Em todo o caso, deixo o referido texto na íntegra, seguido do meu artigo (o qual pode considerar-se a minha “resposta”). Sem mais. Vale a pena ler…

«IGNORÂNCIA E PEDANTERIA (por Albano Nunes)

O PCP, a sua história, o seu insubstituível papel na vida social e política nacional incomoda e faz inveja a muita gente. À direita e à «esquerda», nomeadamente a uma «esquerda» de que se reclama Elísio Estanque (EE) como mostra o seu artigo «O partido bipolar: uma crítica de esquerda» (Público de 31.08.17) curiosamente publicado na véspera da abertura da Festa do Avante!. Mas não fosse alguém confundir o seu escrito com uma vulgar diatribe e intriga anti-comunista apresenta-o como uma «crítica de esquerda» insinuando a autoridade de quem sabe do que fala para melhor fazer passar o propósito que percorre todo o seu artigo: introduzir a dúvida e a divisão em relação à direcção e à orientação do Partido, seja em torno da sua definição ideológica (a «velha cartilha marxista-leninista» relativamente à qual «muitos militantes comunistas se interrogam no seu íntimo») seja quanto à posição em relação à actual solução política (com a «incomodidade de sectores da «linha dura» com o facto de o partido se ter tornado “muleta» do Governo PS»).

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O QUE EU DIRIA SE FOSSE A UM CONGRESSO DO PSD… | José Pacheco Pereira in blog “Abrupto”

…onde não posso ir porque não sou delegado, não tive nenhum cargo que me desse esse direito por inerência e não quereria falar numa condição de favor em relação aos que têm o direito de lá estar. Aliás, essa hipótese já se colocou num dos primeiros congressos da era Passos Coelho e foi recusada pela direcção do partido. Aos energúmenos que nos partidos têm a sua única vida profissional e que adorariam essa ocasião para me apupar devo dizer-lhes que é para o lado em que durmo melhor. Já tive na vida muitas mais ocasiões de incómodo e riscos muito maiores, para me assustar com isso. Além disso seria uma honra, como se percebe deste texto. Aqui vai, de fora, como se fosse lá dentro.

Ponham lá nas paredes das sedes do PSD… 

Passavam menos de 15 dias sobre o 25 de Abril de 1974, a 6 de Maio, três homens, Francisco Sá Carneiro, Joaquim Magalhães Mota e Francisco Pinto Balsemão, liam a declaração genética do PPD, depois PSD, intitulada Linhas para um Programa. Chamo a atenção: o habitual argumento destinado a desqualificar os documentos dos primeiros anos do PSD, de que são o resultado de habilidades linguísticas destinadas a obter legitimidade nos anos do PREC, não colhe de todo. Este documento é escrito muito antes de se dar a radicalização política do ano de 1975 e aliás não esconde a génese do novo partido na chamada “ala liberal” cuja actividade cessava então “pelo nascimento dum partido de orientação social-democrata“. Ou seja, os autores desta declaração estavam a dizer exactamente o que queriam dizer e a situar-se exactamente onde queriam situar-se.

Inscrito a letras de ouro … 

Deixemos de lado a parte do apoio ao MFA e ao 25 de Abril, para nos atermos às demarcações do texto e ao seu conteúdo programático. Primeira demarcação: a “concepção e execução dum projecto socialista viável em Portugal, hoje, exige a escolha dos caminhos justos e equilibrados duma social-democracia, em que possam coexistir, na solidariedade, os ideais de liberdade e de igualdade.” A expressão “caminhos justos e equilibrados duma social-democracia” significa que o novo partido se distanciava dos outros “socialismos”, em particular dos dois partidos que tinham chegado ao 25 de Abril aliados por um “programa comum”: o PS e o PCP. Esse “programa” não durou muito, mas existia.

Para não se esquecerem de onde vimos… 

O que é que significava esta “visão social-democrata da vida económico -social“?

a) Planificação e organização da economia com participação de todos os interessados, designadamente das classes trabalhadoras e tendo como objectivos: desenvolvimento económico acelerado; – satisfação das necessidades individuais e colectivas, com absoluta prioridade às condições de base da população (alimentação, habitação, educação, saúde e segurança social); – justa distribuição do rendimento nacional. b) Predomínio do interesse público sobre os interesses privados, assegurando o controlo da vida económica pelo poder político (…). c) Todo o sector público da economia deve ser democraticamente administrado (…) . d) A liberdade de trabalho e de empresa e a propriedade privada serão sempre garantidas até onde constituírem instrumento da realização pessoal dos cidadãos e do desenvolvimento cultural e económico da sociedade, devendo ser objecto de uma justa programação e disciplina por parte dos órgãos representativos da comunidade política. (…) f) Adopção de medidas de justiça social (salário mínimo nacional, frequente actualização deste salário e das pensões de reforma e sobrevivência, de acordo com as alterações sofridas pelos índices de custo de vida, reformulação do sistema de previdência e segurança social, sistema de imposto incidindo sobre a fortuna pessoal preferentemente ao rendimento de trabalho com vista à correcção das desigualdades).

Citei mais extensivamente porque é uma parte crucial da “visão”. Estão lá mais coisas, como a crítica ao absentismo dos latifundiários, a defesa do direito à greve (“meios necessários para uma permanente e contínua subordinação da iniciativa privada e da concorrência aos interesses de todos e à justiça social“); a possibilidade de nacionalizações para garantir o “controlo da vida económica pelo poder político“; a defesa do “saneamento” e do “julgamento dos crimes constitucionais de responsabilidade, de corrupção, contra a saúde pública e os consumidores e, dum modo geral, contra a vida económica nacional, bem como dos abusos do poder.

No plano político está lá a defesa daquilo que viria a chamar-se o “poder local”; a independência do poder judicial; a laicidade do Estado; o fim da discriminação das mulheres, e a afirmação de que a “educação e a formação constituem serviço público no mais amplo e digno sentido de expressão porquanto são fundamento e garantia de liberdade e de responsabilidade. A igualdade de oportunidades, alargamento de horizontes e a preparação ou readaptação à vida em sociedade são os objectivos fundamentais de educação e formação.” Ou seja, a educação é o mecanismo-chave da mobilidade social. E por fim, a defesa da “autodeterminação” nas colónias com imediato cessar-fogo.

Para quem não sabe o que é a social-democracia… 

Talvez a mais significativa frase do texto seja esta:

Consideração do trabalhador como sujeito e não como objecto de qualquer actividade. O homem português terá de libertar-se e ser libertado da condição de objecto em que tem vivido, para assumir a sua posição própria de sujeito autónomo e responsável por todo o processo social, cultural e económico.”

Ela é uma das chaves para perceber o pensamento de Sá Carneiro e dos fundadores. Não vem do marxismo, nem do socialismo, nem do esquerdismo, vem da doutrina social da Igreja tal como se materializava no pensamento da social-democracia que se queria instituir. Demarca o PSD do PS, do PCP mas, acima de tudo, daqueles que no lugar do “trabalhador” colocam as “empresas”, a “economia”, ou outras variantes de qualquer poder que não “liberta”.

A escolha e a ordem das palavras não são arbitrárias. Estes homens devem ter ponderado todas as palavras, todas as ideias e todas as frases deste documento com o máximo cuidado e rigor. Sabiam que estavam a escrever para a História e para o dia seguinte, para os portugueses e para Portugal. Nem é preciso dizer, de tão evidente que é, que nada disto é o que pensa e o que diz a direcção do neo-PSD que hoje existe.

Este é o PSD antigo, mas esta é também a parte que não é “modernizável”.

José Pacheco Pereira

htpp://abrupto.blogspot.com/2016/06/o-que-eu-diria-se-fosse-um-congresso-do.html

a ribalta dos lugares em disputa | José Maltez

Um tipo de esquerda não lê, nem ouve, o que um tipo de direita escreve, ou diz, tal como um tipo de direita é cego, ou surdo, face a um tipo de esquerda, mesmo que entre os dois, na substância e no subsolo filosófico, haja mais identidade do que rivalidade. São iguais, mas rivalizam em facciosismo, tribalismo e, portanto, inquisitorializam, porque são estreitos os campos onde possam ter lugares e casas comuns. Logo, o país empobrece e a competição, em lugar de produzir riqueza de ideias, gera uma constante secundarização, dado que a ribalta dos lugares em disputa deixa de ser acessível pelo mérito e passa a ser conquistada pela cunha, pela influência e pela brutalidade do saneamento e da consequente distribuição de despojos, depois do saque do vencedor.

Retirado do Facebook | Mural de José Maltez

Venezuela? Siga a pista do petróleo | José Goulão in blog AbrilAbril.pt

Os conglomerados censórios omitem o potencial golpista da pista do petróleo na Venezuela. Mas não conseguem apagá-la.

À revelia da enxurrada de doutas opiniões e anafadas informações sobre as diatribes do «ditador» Maduro e suas gentes, herdeiras do diabólico «chavismo», que teve o desplante de ganhar todas as consultas populares democráticas do último quarto de século – menos duas – venho dar-vos uma dica sobre um facto esquecido que explica a agressão em curso contra a Venezuela: sigam a pista do petróleo.

Esta via de análise é de tal maneira larga e determinante que parece impossível omiti-la. No entanto, é o que acontece, do mesmo modo que se ignora uma manada de elefantes banhando-se numa pequena praia em pleno domingo de Agosto. Só fechando os olhos ou não querendo ver.

Esconder a coincidência possível entre o permanente golpe contra as instituições democráticas na Venezuela e o facto de este país albergar as maiores reservas de petróleo mundiais, superando as da ditadura saudita, quase triplicando as da Rússia e valendo, por si só, as do Iraque e do Irão somadas, é um caso de censura.

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Emmanuel Terray : être de droite c’est avoir peur | Emmanuel Terray avec Mathieu Deslandes

L’anthropologue Emmanuel Terray, qui signe « Penser à droite », a enquêté sur la tribu dont les valeurs triomphent depuis plus de trente ans.

Emmanuel Terray est un grand nom de l’anthropologie française. C’est aussi un citoyen engagé, comme on dit, franchement à gauche. Il vient de publier un livre,« Penser à droite » (éd. Galilée), dont on a envie de souligner toutes les phrases.

En étudiant les écrits des grands penseurs de droite depuis la Révolution française, il a dégagé ce qui constitue leur socle commun, quelles que soient les époques, et quels que soient les « courants » et les traditions dans lesquels ils s’inscrivent.

Il nous aide à comprendre pourquoi l’immigration et l’islam sont des obsessions des hommes politiques de droite. Et pourquoi on peut être pauvre mais voter pour un candidat qui n’aide pas les pauvres.

Au terme de son enquête, il estime que la vision du monde « de droite » est aujourd’hui hégémonique – et que « François Hollande est un bon reflet » de cette domination.

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Há liberdade na democracia? | John Locke

Há liberdade na democracia? Locke esclarece. Esta semana na colecção Grandes Nomes do Pensamento, Dois Tratados do Governo Civil do inglês John Locke, fundador do liberalismo clássico com o escocês David Hume. Por mais 9,90€ com o jornal Público.

Tradução de Miguel Morgado seguindo a edição da Yale University Press ( Para encomendar este volume ou a colecção completa contacte-nos por esta página).

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Capítulo I
“1.-A escravatura é uma condição do homem tão vil e miserável, e tão directamente oposta ao temperamento generoso e à coragem da nossa nação, que dificilmente se concebe que um inglês, e muito menos um gentil-homem, possa advogá-la…” Início do livro Dois Tratados do Governo civil

“Os Dois Tratados do Governo civil, publicados de forma anónima em 1689, expõem as ideias de Locke, que inspirarriam os filósofos iluministas e as revoluções amercianas e francesa, sobre um Estado e uma sociedade legitimados num pacto entre homens e nos seus direitos naturais, pré-civis, iguais.” Sousa Dias, Filósofo.

Retirado do Facebook | Mural de Levoir

Que terroristas vai Trump matar para o Afeganistão? | Carlos Matos Gomes

Lemos, vemos, ouvimos, mas não pensamos. Que vale termos acesso à informação se a engolimos sem a mastigar? No Le Monde de 22 de Agosto saíram duas notícias a par. Numa, mais um pontapé de Donald Trump nas promessas da campanha eleitoral. Trump candidato tinha prometido retirar as tropas americanas do Afeganistão. Trump eleito, num discurso de 21 de Agosto engole as afirmações e lê o discurso preparado pelos generais e pelo o complexo militar-industrial. Um discurso articulado em dois blocos, um perceptível por um auditório médio: “Não se trata de um cheque em branco, nem de exportar a democracia” e outro para satisfazer os pistoleiros broncos do nível de Trump: “Trata-se de matar os terroristas!” A eles, sus!

Haverá quem acredite que os americanos andam a matar os terroristas no Afeganistão? O Le Monde parece que sim e os seus leitores também. Não existe nenhuma crítica à afirmação. No entanto, confiante que os consumidores comem tudo, o Le Monde coloca ao lado da banha de cobra de Trump a notícia de que os atentados da Catalunha foram realizados por cidadãos marroquinos, conduzidos ao crime por um também marroquino estabelecido com banca de atentados numa mesquita em Ripoll, uma localidade espanhola e que tinha passado várias temporadas na Bélgica a traficar droga. Um delinquente como tantos outros que cresceram entre nós e que foram por nós educados, como recordaram os avós de dois dos assassinos. Não há notícia destes terroristas de Barcelona terem passado pelo Afeganistão, por onde também não passaram os assassinos de Londres, da Alemanha, de Paris, de Nice, de Bruxelas…

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O Golpe de Estado de 21 de Agosto em Washington | Carlos Matos Gomes

O discurso de 21 de Agosto de Trump aos Estados Unidos, a propósito da política para o Afeganistão, foi o resultado visível de um golpe de estado em Washington. Os generais do Pentágono tomaram o poder. Trump é, a partir de ontem à noite, apenas o títere dos militares americanos. Numa manobra prévia, os generais correram, defenestraram, todos os cortesãos iniciais de Trump e apenas o deixaram a ele, à mesa da sala oval, a fazer de espantalho. No dia 21 à noite, impuseram-lhe um discurso de resignação sob a forma de “nova política para o Afeganistão”, onde o colocaram a desdizer tudo o que tinha dito e prometido quanto a política de intervenção militar na campanha eleitoral. Puseram-no a defender a política de Hilary Clinton, a sua candidata!

A 20 de janeiro deste ano de 2017, Donald Trump proclamou que daí em diante seria «America First », isto é, a América não se aventuraria mais no estrangeiro. Agora, como escreve o Washington Post, «teve de se vergar diante da realidade.» E a realidade é que quem manda são os generais. E o que os generais dizem é que o Afeganistão é um saloon numa região árida e sem lei. Por isso os americanos têm de lá estar para competirem com os outros pretendentes a donos do local. Um clássico dos westerns. O Afeganistão interessa à Rússia, é parte da sua fronteira sul, interessa à China, é parte da sua fronteira ocidental (mesmo que numa estreita língua), permite a ligação ao sub-continente indiano e ao Índico, faz fronteira com o Irão.

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O PROVEDOR | Francisco Seixas da Costa

Não vale a pena iludirmo-nos: a questão dos incêndios florestais é muito séria. Tanto pelos imensos danos materiais provocados como pelo descrédito induzido na imagem do Estado.

Por muito que alguns, na esfera política, possam não querer aceitar, é uma evidência que está criada, na sociedade portuguesa, a ideia de que a administração do Estado é hoje impotente para gerir, com aceitável eficácia, esta situação, limitando-se a reagir, perante os factos com que se vê confrontada, numa penosa e quase patética navegação à vista.

O executivo faz o que pode: tenta utilizar da melhor forma os meios ao seu dispor, mas já terá percebido que, a repetirem-se, no futuro, conjugações climatéricas negativas, o que não parece improvável, a tragédia vai reeditar-se. No meio de tudo isto, a fé na eficácia tempestiva das alterações legislativas acaba por ser uma atitude quase ridícula. Não que o “pacote florestal” não seja necessário, mas é mais do que óbvio que a sua completa implementação vai demorar um imenso tempo que o país não tem. E, até lá, é preciso agir com medidas urgentes e excecionais, a montante de uma nova crise, com as autarquias e com o governo central na primeira linha da prevenção, aproveitando o que a declaração de calamidade pública agora facilita.

A mais miserável dimensão desta história é a sua exploração político-partidária. Será que alguém, minimamente honesto, acredita que, se acaso a direita estivesse no poder, a Proteção Civil teria sido mais eficaz, o Siresp teria funcionado melhor, outro modelo de responsabilização funcional e pessoal teria levado a resultados diferentes?

Sejamos claros: PS ou PSD/CDS (PCP ou BE quase não contam aqui) são as duas faces da mesma moeda – onde se misturam o aparelhismo e o compadrio político, a instrumentalização partidária dos bombeiros, uma maior ou menor complacência face às negociatas em torno do material de combate aos incêndios. Ter a esquerda ou a direita no poder, nesta questão dos incêndios é, como dizem os franceses, “bonnet blanc/blanc bonnet”. É absolutamente indiferente. Toda a gente sabe isto, de António Costa a Passos Coelho, embora todos façam de conta que não.

Contudo, os incêndios deste ano não foram iguais aos outros. Na dimensão, nas tragédias, no trauma coletivo que provocaram. O Estado, e a confiança no Estado, não saem intocados disto. É aqui que, inevitavelmente, entra o papel do chefe desse Estado, pelo crédito afetivo que hoje o responsabiliza perante o país. No tradicional Inverno do nosso esquecimento que aí vem, compete-lhe ser o provedor do sentimento nacional de urgência e desespero e não permitir que a espuma dos dias seguintes abafe a necessidade de atuar. Já.

Francisco Seixas da Costa

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Seixas da Costa

Viva a Inglaterra | Manuel Alegre in jornal Diário de Notícias

Eu era muito pequeno, não devia ter sequer 4 anos. Passeávamos na avenida, em Espinho, e, de repente, meu avô materno, republicano, e meu pai, monárquico, tiraram os chapéus e começaram a gritar Viva a Inglaterra! Nunca mais esqueci. Voltei a lembrar-me ao ver o filme Dunkirk. Também a mim me apeteceu dar um viva à Inglaterra. A evacuação das tropas cercadas pelos nazis é um feito histórico incomparável e decisivo para o futuro da guerra. Milhares de civis foram a Dunquerque em barcos de recreio ou de pesca buscar os seus soldados. Governantes, diplomatas e funcionários da União Europeia deviam ver esse filme para recordarem e não caírem na mesquinha tentação de aproveitar as dificuldades provocadas pelo brexit para castigarem a Inglaterra e conseguirem benefícios perversos.

As democracias europeias tinham caído uma a uma. Estaline celebrara com Hitler o pacto germano-soviético. Os americanos, apesar dos esforços de Roosevelt, viviam um período de isolacionismo e pensavam em si próprios. Durante anos, a Inglaterra resistiu sozinha. Lutou no ar, no mar, em terra, pronta a defender a sua ilha, cidade a cidade, rua a rua, como disse Churchill no célebre discurso em que proclamou: “Jamais nos renderemos.” Bateram-se pela sua e pela nossa liberdade. Podem ter muitos defeitos, mas esse é um valor que os ingleses sabem preservar. Não creio que alguma vez permitissem que outra instituição que não o seu Parlamento discutisse e condicionasse o seu orçamento. Por isso jamais aprovariam o tratado orçamental. Qualquer que seja a opinião que se tenha sobre o brexit, os países europeus têm todo o interesse em manter com o Reino Unido uma relação estável e amistosa. Espero, pelo menos, que Portugal se lembre do papel da Inglaterra em momentos decisivos da nossa luta pela independência. E quando alguém tiver a tentação de cálculos mesquinhos, haja quem não se esqueça dos quase quinhentos mil emigrantes portugueses. Se há matéria de política externa em que Portugal deve ter uma posição própria e autónoma, é a das relações com a Inglaterra, que devem ser ditadas pelos laços históricos entre as nossas nações com uma aliança multissecular. Por mim, não esqueço esses anos terríveis em que a Inglaterra se bateu sozinha por uma Europa livre. Por isso, quando alguns pretendem fazer agora o papel de duros, eu tenho vontade de repetir o grito de meu avô e de meu pai: Viva a Inglaterra!

Manuel Alegre

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/viva-a-inglaterra-8709813.html

Trump and his friends cannot hear the dead who are crying to be heard. Can you? | Richard Zimler

418,000 American women and men died in World War II, most of them while fighting fascists, ultra-nationalists, Nazis and neo-Nazis. To speak of neo-Nazis and Nazis and KKK members marching in Charlottesville as having a valid and legitimate “philosophy” and value system – equal to those who oppose them – is an insult to all those dead American soldiers who fought to liberate France, Italy, Germany and the rest of the Europe. Yes, Trump has insulted 418,000 dead American soldiers and their families and friends, as well as everyone else, like me, who greatly respects and thanks the sacrifice they made. It is also an insult to every African-American and Jew. Tens of millions of Africans were tormented and tortured as slaves from the early 1600s up until the end of the Civil War, and then, after they were granted freedom, persecuted and hounded by White nationalists and even the police right up until the present day. Every American who died in World War II and every lynched African American and every Jew murdered in the Holocaust is telling us us that there is no place in America for neo-Nazis, Nazis, KKK segregationists and White Nationalists. Trump and his friends cannot hear the dead who are crying to be heard. Can you?

Retirado do Facebook | Mural de Richar Zimler

Umberto Eco | 14 lições para identificar o neofascismo e o fascismo eterno

Intelectual italiano, romancista e filósofo, autor de “O pêndulo de Foucault” e “O Nome da Rosa”, morreu em 19 de fevereiro, aos 84 anos; “O fascismo eterno ainda está ao nosso redor, às vezes em trajes civis”, diz Eco.

Revista Samuel reproduz o texto de Umberto Eco “Ur-Fascismo”, produzido originalmente para uma conferência proferida na Universidade Columbia, em abril de 1995, numa celebração da liberação da Europa.

‘O Fascismo Eterno’

Em 1942, com a idade de dez anos, ganhei o prêmio nos Ludi Juveniles (um concurso com livre participação obrigatória para jovens fascistas italianos — o que vale dizer, para todos os jovens italianos). Tinha trabalhado com virtuosismo retórico sobre o tema: “Devemos morrer pela glória de Mussolini e pelo destino imortal da Itália?” Minha resposta foi afirmativa. Eu era um garoto esperto.

Depois, em 1943, descobri o significado da palavra “liberdade”. Contarei esta história no fim do meu discurso. Naquele momento, “liberdade” ainda não significava “liberação”.

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A PRIVATIZAÇÃO DO ESTADO E A “DEMOCRACIA MODERNA” | José Goulão

Há muito que escutamos indiscutíveis lições a ensinar-nos o quão saudáveis são as privatizações para o nosso tecido económico, enquanto elas vão progredindo, tomando conta de tudo.

Todos os dias, em ambiente de acrescida e assustadora indiferença, somos testemunhas de fenómenos absurdos que gradualmente se vão inserindo, com anormal normalidade, num quotidiano cada vez mais em marcha – assim proclamam os tempos – que se acha moderno, inovador, de tal maneira prafrentex que até há quem goste de lhe chamar «progressista».

Isto por contraponto inquestionável ao «conservadorismo» de quem continua a defender que o ser humano deve ter direitos e não apenas deveres, uma vida decente e não uma servidão que alimente os números das estatísticas e os valores dos lucros ditados pelos sumos-sacerdotes do mercado.

É a «democracia moderna», sentenciam alguns que ganharam colunas de «referência» em observadores expressos e todos privados, embora alguns se digam públicos, correios, diários i jornais das notícias da manhã, da tarde ou da noite, todas iguais, mais ou menos polidas, por regra contaminadas pela verve do engano, pelo vírus da falsificação.

Nunca se explica muito bem o que é essa «democracia moderna», talvez porque faltem artes mágicas aos colunistas para convencerem leitores, ouvintes e espectadores de que é marchando em rebanho para a ditadura que se moderniza a democracia. Por isso navegam discorrendo com impagável sabedoria pelos pântanos daquilo a que chamam política, uma lama fedorenta e repugnante a que os cidadãos devem fugir cada um por si para tratarem do que é seu, entregando-se aos deuses ou à sorte, o que vem a dar no mesmo.

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Bilderberg | O Clube Secreto dos Poderosos | Cristina Martín Jiménez

“Parece o argumento de um filme mas trata-se de algo real: o clube Bilderberg, que se reúne há 61 anos, congrega as individualidades mais poderosas do mundo e aqueles que um dia serão altos dirigentes”, afirma a TVI numa reportagem sobre o livro O Clube Secreto dos Poderosos, da jornalista Cristina Martín Jiménez. Esta sevilhana explica que os membros do Bilderberg “têm o poder como ideologia” e implementam “planos secretos para governar o mundo inteiro, destruindo gradualmente as soberanias nacionais e tirando aos países a capacidade de decidir. Desde o 25 de Abril que os portugueses estão muito alheados do que realmente se passa e muito dependentes dos políticos, que promovem certas pessoas e outras não. A crise terá sido fabricada entre quatro paredes para dar mais poder a quem já o tem.”

“José Sócrates foi ao Bilderberg um mês antes de ser líder do PS e um ano depois ganha as eleições legislativas. Quando eles vêem que alguém se pode destacar chamam-no e, se passar no teste, terá todo o apoio de Bilderberg”, garante Cristina Jiménez, recordando que António Costa é também – tal como Sócrates – outro servo das elites políticas, tendo ingressado no Bilderberg em 2008.

O vídeo acima inclui a entrevista que a escritora deu à revista Sábado.

Os partidos servem sociedades secretas e o sector financeiro | Elizabette Tavares

Na manhã de 29 de Julho, os telespectadores da SIC Notícias tiveram durante alguns minutos acesso à verdade, dita pela jornalista do jornal Expresso e da revista Exame Elisabete Tavares. A propósito da actual (e permanente) crise política, a jornalista afirmou que “os partidos não existem para nos servir, nem para servir a economia nem o país. Servem muitos interesses, desde sociedades secretas ao sector financeiro, e cada um tem os seus lobbies. Tem de existir uma mudança de mentalidade profunda na forma como o país é pensado, gerido e governado. Não é para se servirem interesses, lobbies, o sector financeiro ou interesses obscuros; nem para andar ao sabor dos partidos e das eleições. Os portugueses terão de agir: sejam jornalistas, professores, médicos ou polícias, já não basta só criticar.”

“Há que reformar e pensar no futuro, no tecido empresarial, pensar mesmo a sério onde é que queremos investir. Temos de mudar o sistema de educação que é uma aberração. Temos de mudar o sistema de saúde que apenas ‘trata’ a doença – não temos nenhuma medicina preventiva. São custos brutais, milhões dados às farmacêuticas.”

Como exemplo da manipulação praticada pelos partidos políticos, Elisabete Tavares falou sobre muitos dos comentários, supostamente deixados por leitores casuais, em sites de notícias como o do próprio Expresso“alguns partidos têm comentadores pagos só para irem lá comentar se as nossas opiniões não lhes forem favoráveis. É este o país que queremos? É este tipo de ética que queremos? Estas coisas têm de ser ditas.”

ANNIVERSAIRE | Le 8 août 1945 | Albert Camus

ANNIVERSAIRE | Le 8 août 1945, Albert Camus est le seul intellectuel occidental à dénoncer l’usage de la bombe atomique deux jours après les attaques sur Hiroshima dans un éditorial de Combat resté célèbre. En voici le texte intégral.

Le monde est ce qu’il est, c’est-à-dire peu de chose. C’est ce que chacun sait depuis hier grâce au formidable concert que la radio, les journaux et les agences d’information viennent de déclencher au sujet de la bombe atomique. On nous apprend, en effet, au milieu d’une foule de commentaires enthousiastes que n’importe quelle ville d’importance moyenne peut être totalement rasée par une bombe de la grosseur d’un ballon de football. Des journaux américains, anglais et français se répandent en dissertations élégantes sur l’avenir, le passé, les inventeurs, le coût, la vocation pacifique et les effets guerriers, les conséquences politiques et même le caractère indépendant de la bombe atomique. Nous nous résumerons en une phrase : la civilisation mécanique vient de parvenir à son dernier degré de sauvagerie. Il va falloir choisir, dans un avenir plus ou moins proche, entre le suicide collectif ou l’utilisation intelligente des conquêtes scientifiques.

En attendant, il est permis de penser qu’il y a quelque indécence à célébrer ainsi une découverte, qui se met d’abord au service de la plus formidable rage de destruction dont l’homme ait fait preuve depuis des siècles. Que dans un monde livré à tous les déchirements de la violence, incapable d’aucun contrôle, indifférent à la justice et au simple bonheur des hommes, la science se consacre au meurtre organisé, personne sans doute, à moins d’idéalisme impénitent, ne songera à s’en étonner.

Rogoff, o esquerdista que quer perdoar as dívidas | Nicolau Santos in jornal Expresso

Está visto que os esquerdistas querem todos a mesma coisa: que a dívida do país seja perdoada. Agora, até arranjaram um reforço de peso, um tal Kenneth Rogoff, um economista norte-americano, que deve ter na mesinha de cabeceira a foto da Catarina Martins.

Pois não é que o tal Rogoff deu uma entrevista ao Expresso, publicado na edição de papel este sábado, dizendo que, na resposta à crise iniciada em 2008, “o erro maior foi a Europa e o FMI (…) terem recusado o perdão ou a mutualização das dívidas da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha”? É preciso topete! Então aos credores, aos que nos ajudaram, aos que meteram cá dinheiro, não lhes devíamos ter pago?! Onde é que já se viu empréstimos a fundo perdido? Isso é o que a Catarina Martins quer e o Francisco Louçã e a Mariana Mortágua e mesmo aquele Pedro Nuno Santos, do PS. E agora temos este Rogoff a dar-lhes cobertura. É comuna, de certeza.

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Eu, “antidemocrata” me confesso | Nuno Ramos de Almeida in Jornal i

Embora o termo democracia esteja enevoado pelas meninges dos Assizes desta vida, democracia quer dizer “poder do povo”. E este só consegue ter poder quando oitenta por cento dele não está na miséria.

Comecemos com uma pequena história. Era uma vez uma familiar minha que trabalhava numa importante organização internacional. Essa delegação era dirigida por um funcionário da ONU, por mandatos de alguns anos. No início dos anos 80, esse diretor foi substituído. O homem, antes de vir viver para Portugal, mandou um telex a perguntar “se havia comida em Lisboa e produtos nas prateleiras dos supermercados”. Apesar dos esclarecimentos dados de cá, ele que tinha visto, durante anos, horas de notícias sobre a situação de guerra civil em Portugal nas televisões, aterrou no Aeroporto de Lisboa com as bagagens pejadas de latas de comida. Durante os anos da revolução portuguesa, a comunicação social falava que Portugal estava a ferro e fogo, que escasseavam bens de primeira necessidade, que andavam conselheiros cubanos pelas matas a preparar a guerra civil e que o país vivia numa ditadura militar comunista.

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SETE RAZÕES PARA NÃO VOTAR FERNANDO MEDINA NAS AUTÁRQUICAS EM LISBOA (II): UMA REPOSTA AOS CRÍTICOS | André Freire

Pelo menos nas redes sociais, este artigo, «Sete razões para não votar Fernando Medina nas autárquicas em Lisboa», gerou uma grande celeuma. Alguns críticos reagiram com elevação e pertinente sentido crítico, outros nem tanto, reagiram mais com profundo sectarismo. Não vou aqui debruçar-me sobre todas as críticas e muito menos responder a todas elas. Esta é, pois, uma resposta às críticas de que me recordo, que reputo mais pertinentes e feitas com maior elevação e menor sectarismo. E tal como nas razões para não votar em Medina, também na resposta aos críticos me fixo no número mágico de sete respostas. Claro que houve também muitos elogios, por exemplo aqui, mas desses não me ocupo aqui.

Um primeiro lote de questões críticas dizia respeito à eventual instrumentalização do artigo e dos argumentos pela direita. É uma crítica pertinente, pois pode acontecer e terá até já acontecido…, mas tal não pode ser razão para calarmos a nossa voz perante o que está mal, do nosso ponto de vista, genuíno e consciente.

Uma segunda linha de críticas tinha a ver com eu parecer desejar que a oposição (de direita) estivesse forte, e quiçá ganhasse. Quem ler o ponto sete verá que não é isso, mas de qualquer modo a valoração (que efetivamente faço) de uma oposição forte e com capacidade de escrutínio, seja ela de direita ou de esquerda, é algo que creio que deve ser feito por todos os democratas, pois uma oposição forte é uma condição sine qua non do bom governo.

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Sete razões para não votar Fernando Medina nas autárquicas de Lisboa (I) | André Freire in jornal Público

É preciso que o PS perca a maioria absoluta e tenha de negociar com forças com efetivo e conhecido peso político-eleitoral.

Há um principio básico em democracia, a prestação de contas. O caso do PS/Medina, em Lisboa, aponta em sentido oposto. Ao fim de 10 anos no poder, 2007-2017, estão a fazer todas e mais alguma obra(s) no final do terceiro mandato, como se tivessem chegado anteontem, e tornando a vida dos eleitores num inferno, e uma série de coisas que deveriam ter feito até aqui… prometem-nos agora para o futuro… precisarão de mais 10 anos? Claro que é improvável que percam as eleições em Lisboa, desde logo porque a comunicação social anda praticamente “com ele(s) ao colo”. Depois porque as forças partidárias à direita estão de cabeça perdida, e nem fazem oposição que se veja, nem apresentam alternativas sérias e construtivas. Mas seria desejável que recebessem pelo menos um bom castigo eleitoral que os levasse a perder a sobranceria da maioria absoluta atual, tendo de negociar um acordo político com outro(s) partido(s). Pela minha parte, passo a apresentar sete razões para isso.

1. Um eleitoralismo nunca visto e a vida dos lisboetas num inferno

A cidade de Lisboa está um inferno dadas as mil e uma obras praticamente iniciadas todas no último ano de mandato, ao fim de dez anos. Vejamos: têm sido as inúmeras obras no eixo central (Avenidas da República e Fontes Pereira de Melo, Praça do Saldanha e Picoas); há o programa “pavimentar Lisboa”, que pretende recuperar os pavimentos para peões e automóveis em 150 ruas; tem sido o programa “uma praça em cada bairro” que obrigará a 31 intervenções em múltiplas zonas; etc., etc. Mostrar trabalho feito em anos de eleições é algo positivo em democracia, algum eleitoralismo é até quiçá positivo, sempre existiu e existirá, mas este nível desmesurado de eleitoralismo, que tem tornado a vida dos lisboetas e seus visitantes muitíssimo desagradável, nunca se tinha presenciado, e é claramente pernicioso. Para um partido que está há dez anos no poder fazer tantas obras no décimo ano de mandato, várias questões se colocam. Será mau planeamento? Será má gestão? Estarão a extravasar o mandato político de 2013? Qualquer resposta positiva é um problema, teme-se que sejam todas.

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El retroceso «nacional-estalinista» | Pablo Stefanoni in jornal Nueva Sociedad

El nacional-estalinismo es una especie de populismo de minorías que gobierna como si estuviera resistiendo en la oposición.

Tras un viaje en 1920 a la Rusia revolucionaria, junto con un grupo de sindicalistas laboristas, el pensador británico Bertrand Russell escribió un pequeño libro –Teoría y práctica del bolchevismo– en el que plasmaba sus impresiones sobre la reciente revolución bolchevique. Allí planteó con simpleza y visión anticipatoria algunos problemas de la acumulación del poder y los riesgos de construir una nueva religión de Estado. En un texto fuertemente empático hacia la tarea titánica que llevaban a cabo los bolcheviques, sostuvo que el precio de sus métodos era muy alto y que, incluso pagando ese precio, el resultado era incierto. En este sencillo razonamiento residen muchas de las dificultades del socialismo soviético y su devenir posterior durante el siglo XX.

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LE DERNIER DES DESPOTES | Nour-Eddine Boukrouh

Dans un livre intitulé « Le problème des idées dans la société musulmane » rédigé au Caire en 196O, Malek Bennabi a proposé une théorie selon laquelle les sociétés, à l’image des enfants, accomplissent leur croissance en passant par trois âges successifs : « l’âge des choses », « l’âge des personnes » et « l’âge des idées ». Il lui apparaissait alors que les sociétés musulmanes, du point de vue de leur développement psychosociologique, étaient à l’âge des choses au regard des politiques économiques qu’elles suivaient (économisme), et à l’âge des personnes au regard des régimes politiques qui les régissaient (autocraties).

A l’époque, le monde arabo-musulman pensait que son principal problème était le sous-développement matériel et que son retard sur l’Occident allait être rattrapé en quelques décennies grâce au pétrole et aux plans de développement mis en branle. Ils lui donneraient, croyait-il, les choses de la civilisation occidentale sans être obligé d’adopter ses idées. En matière de valeurs, pensait-il, il était mieux pourvu. Sur le plan politique il s’en était remis pour assurer son bonheur et son honneur à des « zaïms », des « Raïs », des « Libérateurs », des « Guides » et des Rois « pieux » qui ne tiraient pas leur légitimité de la souveraineté populaire, mais soit de la tradition islamique pour les monarchies et les Emirats, soit de leur participation à la lutte anticoloniale ou à un coup d’Etat pour les républiques. Les peuples arabes végétaient, écrit Bennabi, sous la « double tyrannie des choses et des personnes ».

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A mercantilização da guerra e neoliberalismo | Carlos Matos Gomes

A mercantilização da guerra e neoliberalismo. O economista político Karl Polany escreveu em 1944 um livro – A Grande Transformação – em que antecipava as crises e taras do neoliberalismo. Deixava um aviso contra a mercantilização de elementos essenciais na época: da mão de obra, da terra e do dinheiro. O neoliberalismo que se tornou dogma nas últimas décadas do século XX só acentuou e expandiu a mercantilização de tarefas e actividades tradicionalmente na esfera dos Estados, como as forças armadas nacionais que representavam a soberania.
A mercantilização da guerra através das companhias militares privadas, como a Blackwater que aqui propõe a utilização de uma força aérea privada para fazer a guerra no Afeganistão, é um produto da ideologia neoliberal, a ultrapassagem de uma fronteira que se julgava inviolável.
A mercantilização do serviço militar, da função soberana que as forças armadas exerciam pode chocar quem defenda relações entre Estados baseadas num direito internacional mais ou menos consensual, mas não deixa de ser coerente com a mercantilização geral que constitui o alfa e o ómega, o princípio o e fim do neoliberalismo.
Não deixa de ser paradoxal que as chamadas forças do mercado, os seus teóricos e os seus fiéis, aqueles que habitualmente se designam por Direita, defensores da ideologia neoliberal que conduz a estas situações, sejam as mesmas dos que se afirmam conservadores, nacionalistas e patriotas, tradicionalistas, defensores de heróis e do sacrifício pela pátria!
Os neoliberais desmascaram as fantasias: A guerra é um negócio e os exércitos são uma mercadoria. “Dulce et decorum est pro pátria mori”, o verso de Horacio exortando os jovens romanos a imitar a coragem dos antepassados, talvez nunca tenha passado de uma bela frase. Uma flor de estilo utilizada pelos estados nação para congregar identidades e valores a um nível superior às mesnadas e aos mercenários reunidos à volta de senhores da guerra. O lema neoliberal é o da sacralização da fome do ouro: «auri sacra fames»!

https://www.airforcetimes.com/flashpoints/2017/08/02/blackwater-founder-wants-to-run-the-afghan-air-war-with-his-private-air-force/

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

L’islam n’est pas un catalogue de prescriptions | Cheikh Khaled Bentounès – Guide spirituel de la Tariqa Alawiyya

Dans cet entretien, le cheikh Khaled Bentounès, guide spirituel de la confrérie Alawiyya depuis 1975, dissèque avec lucidité les grandes plaies de notre époque, entre violences, conflits, mondialisation sans âme, crise des réfugiés et montée des extrêmes. Il interroge également les sociétés musulmanes, majoritairement engoncées dans une religiosité étriquée et spirituellement desséchée, réduisant l’islam à un «catalogue de prescriptions» et d’interdits. Fidèle à ses convictions humanistes, le cheikh Bentounès plaide pour une culture du «vivre-ensemble» dont la clef de voûte est «l’éducation à la paix». Pour lui, la paix n’est pas un vœu pieux mais un programme d’action. «C’est même le programme le plus urgent», insiste-t-il.

– Vous militez ardemment depuis quelques années pour l’institution d’une «Journée internationale du vivre-ensemble» sous l’égide de l’ONU. Où en êtes-vous avec cette initiative ?

Ça avance mais avec difficulté. Vous savez, avec un sujet et un objectif comme celui-là, les gens, d’emblée, n’y croient pas. Donc, il faut les persuader. Il y a un moment disons… de réflexion parce qu’on a affaire à des Etats. Il y a des personnes qui adhèrent. Mais faire adhérer des Etats, ce n’est pas simple.

On sait que le monde est bâti sur des intérêts égoïstes. Alors, il faut convaincre les uns et les autres que c’est dans l’intérêt de tous, que personne n’a le tout, que chacun a une partie, et qu’il est impératif de mettre ces parties en synergie, les unes avec les autres, pour qu’on puisse préparer l’avenir. Parce que nous, notre prétention, ce n’est pas de changer le monde mais de donner au moins un sens aux générations à venir.

Comment vont-elles vivre dans un monde où la société humaine s’entredéchire ? Où le pauvre n’a pas sa place, où la puissance des puissants ne fait qu’augmenter, et où des peuples entiers, qu’ils soient du Nord ou du Sud, sont en détresse ? Tout le monde est embarqué dans la même galère. Nous essayons de semer une espérance, une graine d’espoir chez nos jeunes filles et nos jeunes garçons. Nous veillons à ce qu’ils aient au moins l’espoir que leurs descendants ne vivront pas dans un monde de sang, un monde de violence, d’incompréhension et de domination.

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Diários de Che Guevara | Património Mundial da Unesco

21/07/2013

Documentos incluem manuscritos escritos nas montanhas da Bolívia. Projeto da Unesco reúne quase 300 textos e coleções de todo o mundo. 

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) decidiu incluir os manuscritos de Ernesto “Che” Guevara no Registro Memória do Registo Mundial, um projeto que reúne e protege quase 300 documentos e coleções de todos os cinco continentes.

Em cerimônia realizada em Havana, Cuba, na sexta-feira (19 Julho 2013), com a presença da viúva, da filha e do filho de Che Guevara, a Unesco oficializou a inclusão dos diários de juventude e outros escritos originais do líder da Revolução Cubana.

Entre os documentos está o diário que ele manteve nas montanhas da Bolívia, onde ele foi executado, em 1967, por militares bolivianos.

O Projeto Memória do Registo Mundial foi criado em 1997 e inclui registos como discos originais da música de Carlos Gardel até as listas de ouro dos exames imperiais da dinastia Qing chinesa.

Agora que foram reconhecidos como património mundial, os diários serão protegidos e cuidados com a ajuda da Unesco.

Renovação do Coletivo Coordenador do DiEM25’s | é tempo de votar!

O mês passado iniciamos o processo de renovação do nosso Coletivo Coordenador (CC). Candidatos da Europa e fora dela colocaram as suas declarações pessoais e vídeos  aqui.

Estes candidatos são todos “DiEMers” empenhados que querem avançar e trabalhar intensivamente para que o nosso movimento progrida e se expanda para atingir os objetivos propostos.

Agora é a tua vez de participares neste processo democrático importante para o DiEM25: vota nos candidatos que sentes que irão guiar da melhor forma os próximos meses.

Podes votar a partir de agora até ao dia 25 de Agosto às 23:59 pm aqui.

Faz com que a tua voz seja ouvida!

Carpe DiEM25!

Luis Martín
Coordenador de Comunicações do >>DiEM25

A ignorância dos povos a converter | Carlos Matos Gomes

O Observador e os profetas que por lá pregam a sua fé confiam o êxito do seu proselitismo ao mesmo factor dos apóstolos que expandiram todas as religiões: a ignorância dos povos a converter. Os pregadores do neoliberalismo, de que o Observador é a folha paroquial, sabem que o sistema de crédito público, isto é da dívida do Estado, tem uma origem muito antiga – nas repúblicas de Génova e de Veneza, segundo alguns historiadores, daí o sistema passou para a Holanda colonial, com o seu comércio marítimo e tornou-se dominante na Europa logo a partir do início da industrialização. A dívida pública é um processo muito antigo e de manhas conhecidas, que se resume, no essencial, à alienação do poder soberano do Estado aos financeiros, seus credores. A única parte da riqueza dos Estados que resta como propriedade dos cidadãos é, precisamente, a divida do Estado. A dívida do Estado é a corda que o condenado transporta para ser enforcado.
Os pregadores, os comentadores económicos do neoliberalismo, sabem muito bem que a divida pública é o motor do capitalismo. É a dívida pública que transforma o dinheiro improdutivo dos especuladores financeiros em capital e riqueza, sem as canseiras e os riscos da sua aplicação na indústria ou noutras actividades produtoras de bens e serviços reais. Os comentadores como os que no Observador difundem a ideologia do neoliberalismo, estão simplesmente a praticar tiro político contra este governo fazendo de conta que comentam cientificamente assuntos de finanças. Ameaçam com o Inferno, mas vivem da venda das suas brasas, como os pastores das igrejas.
A Helena Garrido e os seus colegas catequistas sabem muito bem que os credores do Estado não fazem nenhum favor em emprestar dinheiro ao Estado, pois a soma emprestada é convertida em títulos de dívida, facilmente transferíveis, que funcionam nas suas mãos como se fossem dinheiro sonante. A dívida do Estado permite aos financeiros criar dinheiro. Como o Estado Português é de confiança, nunca ameaçou nem sequer discutir a renegociação da dívida, nem sequer de prazos e juros, a dívida portuguesa é uma mina.
Os alertas de Helena Garrido contra os perigos da dívida pública são pura hipocrisia política, são apenas ferroadas contra o governo de António Costa por preconceito ideológico e por desejo de colocar os seus homens a gerir o pote, como explicou num momento de franqueza o grande Marco António Costa. O Observador prefere um governo com os seus amigos e os do Marco António Costa e a Helena Garrido escreve por conta desse objectivo. A dívida pública é apenas um pretexto.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Os azares do Maduro e o regime bola-variano | Carlos Matos Gomes

 

Os azares do Maduro e o regime bolavariano. A União Europeia e muitos europeus, entre os quais me incluo, não consideram as recentes eleições na Venezuela democráticas e transparentes, nem Nicolás Maduro um exemplo de dirigente político aceitável pelos nossos padrões. Os Estados Unidos de Trump até congelaram os bens do chefe do regime que em vez de bolivariano deveria ser bolavariano!
Por outro lado, a Europa não vê qualquer nuvem de desconfiança no negócio em que um ditador árabe, o emir Hamad Al Thani, dono da Qatar Investments Authority, e das receitas do petróleo e do gás (3º maior produtor mundial) fez circular entre a Espanha e a França cerca de 500 milhões de euros para contratar o futebolista brasileiro Neimar, transferindo-o do Barcelona para o Paris Saint-Germain, ambos por ele patrocinados! O fisco espanhol, que se atirou corajosamente às canelas do futebolista Cristiano Ronaldo, não tem agora qualquer desconfiança sobre a limpeza do dinheiro do dito emir! Para nós, europeus, o Qatar é uma democracia e o emir ganhou honesta e democraticamente a fortuna e o direito de dispor das matérias-primas do antigo protectorado britânico a seu belo prazer, num regime de poder familiar absoluto.
Isto é, para os europeus e as autoridades europeias de Bruxelas e da FIFA, se o Maduro, em vez de utilizar os rendimentos do petróleo para se perpetuar no poder através de umas eleições manipuladas, tivesse feito circular os “petrobolivares” na compra de um clube de futebol em Berlim, Londres, Paris, ou Barcelona e na troca de futebolistas como cromos de caderneta entre eles, já seria um tipo decente, um democrata a quem ninguém incomodaria com pormenores de eleições e de direitos da oposição!
Os azares do Maduro assentam no facto de ele não ser emir de uma ditadura petrolífera nas arábias, onde apenas 250 mil dos 2 milhões de habitantes têm direitos de cidadania e não se dedicar aos santificados e imaculados negócios do futebol.
Também o ajudava ser aliado dos Estados Unidos, e a Venezuela abrigar o quartel-general do Comando Central da superpotência na região, como acontece com o Qatar.
O futebol limpa e desinfeta! Viva a bola abaixo o bolívar.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

MARCELO, HOJE | Francisco Seixas da Costa

Marcelo Rebelo de Sousa é hoje entrevistado pelo DN.

Fazer uma exegese do texto é uma tentação natural: é sempre curioso interpretar Marcelo à luz do que vai dizendo, porque isso faz obviamente parte do auto-retrato que ele quer fixar de si próprio.

Com a sua experiência de constitucionalista, Marcelo está a desenhar, muito em função da conjuntura que lhe aconteceu, o esquiço daquilo que pretende vir a protagonizar, como modelo para o exercício do cargo presidencial. Porque também é professor, tende a teorizar bastante essa sua interpretação, procurando que ela componha um todo coerente que seja facilmente percetível pelo país. Ou, pelo menos, por quem faz a opinião no país.

Nota-se nesta entrevista uma específica preocupação (um tanto excessiva?) em fazer perceber o seu comportamento à família política de onde é originário, por forma a não deixar que a sua imagem no seu seio fique conquistada pelo rótulo de “traidor” que, de forma mais ou menos explícita, exsuda de algumas “opiniões” do “Observador” ou da bílis nas redes sociais. Isso é muito evidente no modo como aborda questões como os incêndios ou o roubo do material militar.

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A comunicação social desempenha um papel decisivo na banalização do mal | Carlos Matos Gomes

Esta classe de pessoas, os maiores especialistas em finanças, foram os que, antes da crise de 2008 afirmaram que as autoridades dos Estados nacionais e, desde logo as dos Estados Unidos, não teriam de tomar medidas em relação a bolhas de especulação, porque eles, os banqueiros, tinham tudo preparado para as eliminar de forma indolor! É de falsos especialistas que estamos a falar. De uma quadrilha a nível mundial.
Em quase todos os países estes falsos especialistas milionariamente pagos não só não foram levados a tribunal, não só não foram desacreditados como vendedores de banha da cobra, como se mantiveram nos governos ou em posições chave nas instituições financeiras. Casos de antigos e futuros quadros do Goldman Sachs. Na melhor das situações lamentaram com lágrimas de crocodilo as dores causados pela austeridade que os Estados impuseram aos cidadãos para pagarem os seus crimes de especulação. 

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Em defesa da Venezuela | Boaventura Sousa Santos in Jornal “Público”

Estou chocado com a parcialidade da comunicação social europeia, incluindo a portuguesa, sobre a crise da Venezuela.

A Venezuela vive um dos momentos mais críticos da sua história. Acompanho crítica e solidariamente a revolução bolivariana desde o início. As conquistas sociais das últimas duas décadas são indiscutíveis. Para o provar basta consultar o relatório da ONU de 2016 sobre a evolução do índice de desenvolvimento humano. Diz o relatório: “O índice de desenvolvimento humano (IDH) da Venezuela em 2015 foi de 0.767 — o que colocou o país na categoria de elevado desenvolvimento humano —, posicionando-o em 71.º de entre 188 países e territórios. Tal classificação é partilhada com a Turquia.” De 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0.634 para 0.767, um aumento de 20.9%. Entre 1990 e 2015, a esperança de vida ao nascer subiu 4,6 anos, o período médio de escolaridade aumentou 4,8 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3,8 anos. O rendimento nacional bruto (RNB) per capita aumentou cerca de 5,4% entre 1990 e 2015. De notar que estes progressos foram obtidos em democracia, apenas momentaneamente interrompida pela tentativa de golpe de Estado em 2002 protagonizada pela oposição com o apoio ativo dos EUA.

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A arrogância intelectual do radicalismo pequeno burgês | Agostinho Lopes

A IGNORÂNCIA, A PREGUIÇA E O PRECONCEITO
A ignorância pode ser suprida pelo estudo, pela investigação. Mas tal exige algum esforço intectual. Quando se juntam as duas, o resultado para o jornalista e/ou comentador é mortal. Quando se mistura o preconceito, que estabelece a matriz da análise, temos o caldo entornado…
A que propósito vem todo este arrazoado moralista? Ao tratamento de muita Comunicação Social da posição do PCP sobre o dito pacote florestal do Governo PS, votado na quarta-feira, 19 de Julho, e em particular, o seu voto contra, o projecto do Banco de Terras do Governo.
Podiam-se sortear alguns exemplos. Por exemplo, Jorge Coelho, Francisco Louçã, este com o acinte da intriga, e outros. Escolha-se o último lido, Daniel Oliveira, no Expresso Diário de 24 de Julho (poder-se-ia falar do último Eixo do Mal), e o seu sermão ao PCP sob o bonito título “a-terra-ao-proprietário-mesmo-que-a-não-trabalhe”!
A ignorância. O Daniel, não tem que saber de tudo. E logo não tem de conhecer o longo e largo dossier da política florestal no País. E em particular, a relação incêndios florestais/estrutura da propriedade florestal e a sua diversidade. O Daniel não tinha de saber que o problema da pequena propriedade florestal, dita abandonada, é mais velha do que aquilo que nós sabemos…! O Daniel não tinha de saber as posições e propostas do PCP e do que debateu com o Governo e deputados do PS. O Daniel não sabe mesmo, mas a isso não era obrigado, o conjunto de projectos votados, e a história longa, política e parlamentar de algumas dessas questões e temas, como o do cadastro. O Daniel, não estudou, não investigou, não perguntou sequer. Mas isso tem um nome…

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Venezuela | Ouvir o “outro lado” – l’histoire du Venezuela | Comparar | Questionar

Tout comme nous, vous avez sûrement entendu dire qu’il se passe quelque chose au Venezuela ces derniers temps. Comme à chaque fois dans ces cas-là, nous sommes inondés d’informations provenant des médias privés qui ont leurs propres intérêts. Comme toujours, on entend le même refrain, avec des concepts fait pour nous faire peur et non pour nous informer.

On utilise directement les grands mots, Répression, Dictature, Censure. Mais nous sommes déjà habitués à lire en filigrane les intérêts de l’oligarchie, des Banques et de l’Empire nord-américain qui se cachent derrière ces informations.

Nous allons essayer d’avoir une lecture plus profonde et de comprendre ce qu’il se passe réellement au Venezuela.

Il est très important de faire une analyse géopolitique.
Tout d’abord il faut savoir que le Venezuela possède les plus grandes réserves de pétrole connues dans le monde.

Pour bien comprendre ce qu’il se passe au Venezuela, il faut aller voir ce qu’il se passe chez son voisin du Nord, les États-Unis. C’est une des sociétés les plus consommatrice de dérivés du pétrole dans le monde.

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