Venezuela | Ouvir o “outro lado” – l’histoire du Venezuela | Comparar | Questionar

Tout comme nous, vous avez sûrement entendu dire qu’il se passe quelque chose au Venezuela ces derniers temps. Comme à chaque fois dans ces cas-là, nous sommes inondés d’informations provenant des médias privés qui ont leurs propres intérêts. Comme toujours, on entend le même refrain, avec des concepts fait pour nous faire peur et non pour nous informer.

On utilise directement les grands mots, Répression, Dictature, Censure. Mais nous sommes déjà habitués à lire en filigrane les intérêts de l’oligarchie, des Banques et de l’Empire nord-américain qui se cachent derrière ces informations.

Nous allons essayer d’avoir une lecture plus profonde et de comprendre ce qu’il se passe réellement au Venezuela.

Il est très important de faire une analyse géopolitique.
Tout d’abord il faut savoir que le Venezuela possède les plus grandes réserves de pétrole connues dans le monde.

Pour bien comprendre ce qu’il se passe au Venezuela, il faut aller voir ce qu’il se passe chez son voisin du Nord, les États-Unis. C’est une des sociétés les plus consommatrice de dérivés du pétrole dans le monde.

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Eu já tive namoradas de todas as cores | Francisco Louçã

Há um momento de viragem em qualquer debate sobre racismo, comunidades minoritárias ou culturas diferentes: é quando o último argumento de autoridade é que “eu até tenho amigos pretos”. É no que estamos na defesa do candidato racista do PSD em Loures. Mas já ouvimos essa escapatória muitas vezes, não é verdade?

Voltemos um pouco atrás. Este argumento dos “amigos pretos” não é o primeiro, ele tem de ser poupado para quando for desesperadamente necessário para restabelecer a normalidade do orador, sobretudo se se sentir suspeito de deriva envergonhante. Antes dessa evocação dos amigos fora de portas, veio a substância: os outros, os “pretos”, comportam-se de modo inaceitável ou têm hábitos ou atitudes que contrastam com as “nossas” e portanto devem ser disciplinados.

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Também já fui a cigana (ou a preta) dos outros | Ana Sousa Dias in Diário de Notícias

E lá consegue fazer isto, é espantoso. Esta era a reação do patrão que me tinha atribuído uma tarefa ridiculamente fácil, mas como eu era portuguesa ele não esperava que eu conseguisse. Estávamos em Bruxelas em 1973, talvez início de 1974, e naquela pequena empresa os únicos belgas eram o dono e a secretária. Nós, os outros, éramos uma espécie de equipa benetton: uma congolesa, uma espanhola, um vietnamita, uma polaca e eu. Recebíamos menos e tínhamos menos direitos do que os da Comunidade Económica Europeia, na altura constituída por França, República Federal da Alemanha, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo. E mais o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca, que tinham acabado de entrar.

Nós éramos todos de fora e isso criou cumplicidades com significados diferentes. Anne-Marie, linda e sempre vestida de capulanas espetaculares, era casada com um opositor de Mobutu, um homem de Lumumba que tinha sido forçado a deixar o então chamado Zaire. Tínhamos uma cumplicidade política, uma coisa em meias-palavras. Blanca era exuberante e atrevida. Aproveitava as ausências do chefe e da secretária para falar ao telefone com o namorado em Espanha. Ríamo-nos, só eu percebia o que ela dizia. Barbara encantava-se com os sons do português e de vez em quando ia a minha casa. Gostava da palavra nuvem. O contabilista Trinh era discreto, não convivia connosco.

O patrão, bigodinho estreito e sotaque de Bruxelas, e a secretária eram os únicos monsieur e madame. Nós éramos Anne-Marie, Blanca, Barbara, Trinh e Ana.

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Um virtuoso do racismo | Francisco Louçã in blog “Tudo Menos Economia”

propósito das declarações homofóbicas de Gentil Martins, médico, ou das declarações xenófobas de André Ventura, dirigente e candidato do PSD em Loures, houve quem ensaiasse uma fuga indiscreta com um protesto contra o “politicamente correcto”, uma espécie de censura que intimidaria a liberdade de expressão dos coitadinhos. Aceitar essa discussão admitiria que se trate de um simples problema de linguagem, quando é uma questão de atitude social e de discriminação que fere porque pretende ferir. Lastimo esse nevoeiro, tanto mais que se conhece bem como os termos mobilizam os significados: se hoje ninguém usa a sério uma expressão do tipo “fazer judiarias”, é simplesmente porque sabemos o que foi a perseguição a judeus ao longo de séculos e que culminou nos tempos da nossa perigosa civilização.

A linguagem deste caso só é interessante porque o dirigente do PSD, tendo provocado uma tempestade política, veio reafirmar a sua posição, amparado pelo apoio de Passos Coelho e da chefatura laranja. Ou seja, fez questão de manter as suas palavras e de as realçar com mais boçalidades (desejar que o primeiro-ministro vá de férias para sempre, o que é que isso quer dizer?). Ele, doutorado em Direito e professor universitário, quer fazer-se notar por ser boçal. É o estilo que faz a sua candidatura, é aí que joga o seu destino. Ele quer ser conhecido no país pelo modo Trump.

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Georges Corm | Le monde arabe est dans un chaos mental absolu | In jornal “el watan”

Dans la meilleure tradition de l’intellectuel total, Georges Corm questionne nos présupposés et nos postulats, souvent erronés ou dépassés pour saisir un monde en perpétuel changement.

De notre correspondante particulière du Liban.

Le chaos, fruit de la guerre et des multiples conflits, se reflète aussi dans la conscience des hommes, une fausse conscience qui alimente le désastre issu de la domination occidentale. Sans concession et avec rigueur, Georges Corm n’accuse pas seulement le camp occidental, mais dénonce l’appauvrissement culturel et intellectuel dans le monde arabe qui a conduit au triomphe de l’idéologie wahhabite imposant son monolithisme dans les esprits de la nouvelle génération.

« Là où croit le péril croit aussi ce qui sauve», peut illustrer la pensée stimulante et quelque part optimiste de l’historien et intellectuel libanais, qui invite à penser les conditions d’une nouvelle renaissance du monde arabe. Dans cet entretien pour El Watan, l’ancien ministre des Finances de la République Libanaise revient sur son dernier ouvrage « la Nouvelle question d’Orient » dans lequel il prolonge la réflexion de ses précédents écrits et démontre le danger de la thèse essentialiste de Samuel Huntington sur le choc des civilisations érigée aujourd’hui en dogme de la géopolitique mondiale.

Dans l’introduction de votre ouvrage, vous abordez en même temps la notion de «chaos mental», qui brouille la perception de la réalité de nos sociétés et la compréhension des dynamiques conflictuelles à l’œuvre, et l’idée d’une remise en ordre épistémologique. Pouvez-vous revenir sur les préalables nécessaires à la déconstruction du discours simplificateur et des thèses essentialistes souvent mobilisées dans l’analyse des sociétés arabes ?

Je pense qu’il y a eu une dérive extrêmement grave dans les perceptions du Moyen-Orient, du monde arabe et du monde musulman. Ces dérives ont donné à voir ces régions du monde comme étant celles du nouveau danger géopolitique, existentiel et civilisationnel, tel que l’a forgé et formulé l’ouvrage de Samuel Huntington sur le choc des civilisations. Il s’agit en fait d’un manifeste qui sert à donner de la légitimité aux guerres illégitimes que mènent l’empire américain et ses alliés européens.

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Tony Judt | Historiador e Intelectual Público | de Rui Bebiano

Da contracapa:
A partir de uma observação da biografia e da obra do historiador britânico Tony Judt (1948-2010), Rui Bebiano analisa algumas das transformações relativas ao lugar e ao papel do intelectual público, desde o final da Segunda Guerra Mundial até à atualidade. Confronta-se aqui a possibilidade ou a necessidade de a história confluir, como saber e como representação, com as grandes mutações de natureza política e cultural e com os dilemas e opções que estas sempre levantam ou produzem. Em particular quando ocorrem em períodos mais recentes e quando se cruzam com escolhas cujo eco permanece. A partir da intervenção e da escrita de Tony Judt, o autor enfatiza e valida o lugar, o trabalho e a necessidade do «historiador público», reequacionando o próprio conceito de história à luz da intervenção na contemporaneidade.

Os anti-intelectuais: Teólogos, pensadores e comentadores | Carlos Matos Gomes

Eles não pensam. Ou pensam como os teólogos, que apresentam provas da existência do deus que estiver na moda e as regras para os pobres de espírito alcançarem o paraíso na vida eterna que sejam mais convenientes aos seus soberanos.

Num artigo de Maio de 2015, António Guerreiro escrevia no Público sobre os comentadores da comunicação social e os seus percursos de vida: “Reconhecemo-los à distância, mal aparecem no pequeno ecrã a comentar, nos jornais como escritores subalternos e nos postos oficiais onde o culto do arrivismo passa por razão de Estado.” Referia-se aos eternos ex-, os renegados da extrema-esquerda que renunciaram à utopia, os arrependidos de ideias, agora tão realistas por princípio que o seu realismo é uma nova ideologia, tão autoritária como a anterior. Mas esta pequena matilha não se resume aos ex da extrema-esquerda, inclui ex de todas as formações e a mais numerosa talvez seja a dos ex-sociais-democratas, feitos em cozedura rápida à volta de Sá Carneiro, que comprou a marca social-democrata numa loja de conveniência em 1974 e até alguns do Partido Socialista. Escrevia ainda António Guerreiro: “Não é a apostasia que deve ser criticada. Espantoso e criticável é que se tenham conformado aos mesmos estereótipos e repitam a disposição mental de notários que o escritor Marcel Jouhandeau (…) previu que seria a evolução dos manifestantes de Maio de 68: “Voltem para casa! Daqui a dez anos serão todos notários”.

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DiEM25 | Juntos estamos a construir mais do que um movimento – explicamos porquê.

Sempre defendemos que a agenda progressista do DIEM25 merece expressão eleitoral. Nos últimos meses, avançamos com esta ideia em grande. Aqui está um sumário do que foi feito:

  • A 25 de Março em Roma, apresentamos o European New Deal, um plano compreensivo para estabilizar e salvar a nossa União.
  • Fizemos também um an open call a atores políticos, movimentos e redes na Europa para apreentá-lo nas urnas. Porquê? Porque apesar dos modelos políticos atuais estarem desactualizados, são os únicos disponibilizados. Para implementarmos mudanças, podemos e devemos usá-los ao mesmo tempo que trabalhamos para os tornar melhores.
  • A pedido dos nosso membros, mobilizámos os nossos ativistas para determinar que partidos ou candidatos deveriam ser apoiados pelo DIEM25 nas eleições do Reino Unido, França, Itália e Croácia.
  • No nosso evento de Berlim que ocorreu dia 25 de Maio, anunciamos que vamos enfrentar o sistema de frente criando o primeiro partido político transnacional e pedimos aos nossos membros para prosseguirem nas suas deliberações sobre se, como e quando é que isto pode ser uma realidade.
    (Vê este vídeo rápido do nosso evento em Berlim: “Next Stop 2019?”)

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OS NOVOS VAMPIROS | Tomás Vasques

Onde estão as televisões e os jornalistas quando não há incêndios? Fazem reportagens sobre a floresta? Entrevistam quem as devia limpar? Questionam o governo e demais autoridades sobre o assunto? Não. Passam horas à procura de um suspiro do Ronaldo ou em programas de “entretenimento”, onde sacam dinheiro em chamadas telefónicas a idosos e em outras idiotices. As televisões e os jornalistas, por incompetência e desleixo na informação e investigação, são dos maiores responsáveis pelos fogos nas florestas. E depois, caem sobre a desgraça, a dor e o sofrimento como vampiros. O exemplo de Judite de Sousa, ontem à noite, em estilo “noite de gala”, junto de um cadáver (certamente que não era de um seu familiar próximo) a debitar palavras como se estivesse no Coliseu, a entregar os óscares da TVI, serve por todos.

Retirado do Facebook | Mural de Tomás Vasques

Pós-verdade e Pós-democracia | André Barata, Filósofo | In “O Jornal Económico”

O que se verifica hoje é a condescendência com a mentira e, na medida inversa, a verdade em perda do seu valor facial. Aqui se joga, de forma preocupante, o valor da própria democracia.

Falamos de pós-verdade, mas, por detrás do que se diz, que significado tem uma palavra que se tornou tão ubíqua? Muitas vezes a palavra nova hegemónica em vez de responder, na verdade, cala a pergunta. A maneira como se nomeia é aqui já um ponto de vista, que mais depressa pode contribuir para um juízo de legitimação conformada do que para uma apresentação do problema.

A mudança tem sido notada entre aqueles que, de forma mais presente no espaço público, especialmente políticos, evocam factos mais pelo seu poder de persuasão do que pelo que possam ter de verdade. Depressa apontamos Trump, claro, a quem devemos, sem grande exagero, o mais impressionante processo de banalização da mentira na história da representação política democrática – ainda que  não faltem antecedentes em regimes políticos que tiveram como ponto comum, no mínimo, a rejeição da democracia.  A diferença é que a coisa já não se coloca, como no passado, em termos de manipulação e usurpação da verdade por quem detém o monopólio do poder. O que se verifica hoje é a condescendência com a mentira e, na medida inversa, a verdade em perda do seu valor facial. Aqui se joga, de forma preocupante, o valor da própria democracia.
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ANGELISMO | Francisco Seixas da Costa in Jornal “Negócios”

Na língua portuguesa, a expressão é raramente utilizada. Angelismo é uma atitude de inocência ou credulidade, que descarta, ingenuamente, motivações mais interesseiras. Ao atentar na onda de loas com que foram recebidas as últimas declarações de Ângela Merkel sobre a Europa, claramente sugerindo a Alemanha como impulsionador de um processo de autonomização em matéria de defesa e segurança, perguntei-me se não estaríamos a embarcar num novo «angelismo», desta vez com etimologia derivada de Ângela e já não de anjos. Mas, no segundo seguinte, também me interroguei sobre que outras alternativas estão disponíveis no mercado de alianças.

Donald Trump, na brutalidade de muitas das suas posturas, tem a curiosa vantagem de tornar as coisas muito simples, por mais complexas que elas sejam. A nova América projeta uma agenda de afirmação nacional de interesses com imensa transparência, descurando deliberadamente a retórica acomodatícia de que, por muitos anos, se alimentou o «politicamente correto» das relações internacionais. Trump diz ao que vem: o relacionamento externo da «sua» América far-se-á exclusivamente nos termos que melhor corresponderem aos seus objetivos nacionais. E di-lo «alto e bom som», para óbvios efeitos internos, com isso reduzindo muitas das hipóteses de recuo ou compromisso.

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O “mundo ocidental” acabou | Paulo Querido

Bem, alguma virtude Trump tinha de ter: deixámo-nos de terrorismozinhos e entrámos em guerra aberta. O “mundo ocidental” acabou. A lógica agora é outra. A Europa pode dar as mãos a Putin e acertar contas com o bloco russo, que para vencer Hitler injetou milhões de litros de sangue na Segunda Guerra Mundial contra o fascismo (mas quem ficou com os louros foram os EUA, thanks Hollywood). E alinhar estratégias de abertura com o bloco asiático, principal interessado no que conta: globalização humana, prosperidade via comércio.

Do lado dos béras estão os donos da civilização moribunda, que é a do petróleo e do século passado, e os seus capatazes militares, os trumps que exploraram o voto da América interior moribunda para a sua cruzada contra a civilização.

Isto em português simples e antes que o desenho se acabe de formar.

Retirado do Facebook | Mural de Paulo Querido

O homem é um ser perverso | Carlos Vale Ferraz

Texto- síntese da comunicação de Carlos Vale Ferraz para a Sessão “Palavra de Escritor” do Grupo 3 de Oeiras da Amnistia Internacional – Biblioteca Operária Oeirense, 30 Março 2017
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No dia 30 de Março falei na seção de Oeiras da Amnistia Internacional. Escolhi o tema da perversidade do homem, que estas dignas organizações tentam minimizar. Deixo aqui alguns tópicos, um pouco à laia de informação sobre o inimigo que enfrentam.
«O homem é um gorila lúbrico e feroz» escreveu Hipólito Taine, um positivista francês do século XIX, que tentava compreender o homem à luz de três fatores determinantes, o meio ambiente, raça e momento histórico. À luz destes factores não temos motivos para nos congratularmos com a evolução da nossa espécie. Utilizei esta citação no meu primeiro romance «Nó Cego». No romance que irá sair em Setembro/Outubro mantenho-me céptico quanto natureza do homem. Kant considerava os cépticos como nómadas, e como vigilantes da razão. Tenho sido nómada do espírito e procurado ser mais céptico que asséptico. Não ser asséptico é, para mim, não acreditar na bondade do homem, mas que o bem existe e que se opõe ao mal. Estou fora da moda que tudo relativiza. De que o mal é fruto do meio. Nos meus romances responsabilizo as minhas personagens. Não gosto de coitadinhos. Também recuso a leitura das grandes religiões sobre a bondade intrínseca do homem, por ele ter sido criado à semelhança de Deus e Deus não poder ser mau. Pode, como se verifica pelas suas criações. Não estou mal acompanhado. A má opinião sobre a humanidade é antiga. A natureza humana em Platão é degenerada, mas ele considerava que a degeneração podia ser travada através do uso da razão e pela contemplação do Sumo Bem pelo homem. Discordo desta parte. É a inteligência e a razão que tornam o homem um ser perverso.

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França: o grande perturbador europeu | Carlos Matos Gomes in “Medium.com”

Gostar da França não me impede de ler a sua história sem arrebatamentos e olhar para as suas grandes figuras com a distância a que nos devemos colocar de quem nos vê como alimento, ou como combustível para a fornalha dos seus egos.

Não posso influenciar as eleições francesas, mas as eleições francesas influenciam-me. Os perigos do ricochete conferem-me o direito à opinião. As falsas promessas do nacionalismo francês que estão à venda na segunda volta das eleições francesas constituem a maior ameaça para mim e para a Europa. Isto porque o nacionalismo francês é, tem sido sempre, a causa das grandes catástrofes da Europa.

A França e o nacionalismo francês são o maior perturbador Europeu.

Ao contrário do que a historiografia francesa, os seus brilhantes pensadores têm querido e conseguido impingir como verdade, o principal perturbador europeu é a França e não a Alemanha, ou a Prússia, ou o império austro-húngaro. É por a França ser o trouble maker europeu que as eleições para a presidência da República Francesa são tão importantes para os europeus.

Napoleão, a estrela quase anã do nacionalismo francês, era um oportunista, antes de ser um tático militar, era um videirinho com a única ambição de subir na vida. Escreveu numa carta à irmã: Como o nosso pai se orgulharia do que nós conseguimos! “ Voilá. Rodeou-se de pequenos escroques — que serão os seus generais, os seus marechais. Tipos, como ele, capazes de tudo para se promoverem. O nacionalismo francês tem estas raízes de obscuros trepadores sociais, violentos e sem escrúpulos. A família Le Pen é um típico produto desta França de pequenos negociantes, de pequenos traficantes, de pequenos criminosos. A biografia da maioria dos generais e marechais de Napoleão é a de faquistas de esquina, corruptos como intendentes, corajosos fisicamente quando se trata de salvar a pele, incultos e com fé no chefe, enquanto ele lhes garantir o direito ao saque. A única grandeza dos nacionalistas franceses está nos dourados e nas plumas dos uniformes com que disfarçam a sua cupidez.

Ter um sargento da cavalaria napoleónica arvorado em general, ou marechal, de espada desembainhada e cavalos à carga a dirigir a França não augura nada de bom.

O nacionalismo francês, com estas origens napoleónicas, provocou a guerra contínua na Europa desde 1796, quando Bonaparte marcha para a campanha de Itália, até à derrota em 1815, em Waterloo. Em 1870 nova guerra nacionalista contra os alemães por causa da Alsácia-Lorena (guerra franco-prussiana), depois a I Grande Guerra, a derrota na II Guerra Mundial, a humilhação da Indochina, a arrogância racista que terminou com a derrota na Argélia…

A vitória do nacionalismo francês termina sempre com uma guerra e com uma derrota.

A família Le Pen é herdeira desse negro passado, sempre com o engodo de restituir a grandeza da França, e afirmar a superioridade dos franceses!

Há sempre crentes para estes saldos de promessas! No domingo saberemos quantos!

Carlos Matos Gomes | 1946; militar na reforma, historiador in Medium.com

Vazios europeus | Carlos Matos Gomes in “Incomunidade”

As aldeias abandonadas de Espanha e de Portugal são um dos resultados do vazio do projecto europeu do pós-guerra. São simultaneamente reais e simbólicas. As aldeias vazias do pós-guerra recordam-me o castelo templário do Almourol, isolado e vazio no meio do Tejo, junto a Tancos e à Barquinha onde nasci.

Em Portugal, após o inevitável fim das impossíveis soberanias coloniais – inevitável porque contra a ordem mundial imposta pelos vencedores da II Guerra e impossível porque contra os objectivos finais do colonialismo de lucrar com a exploração barata de matérias-primas e a transformação em produtos de alto valor –, restou um vazio disfarçado com o objectivo nacional da integração europeia. O novo desígnio. A bebedeira foi curta, mas provocou uma ressaca profunda. Hoje vivemos a ressaca do vazio que, por um lado, criámos e, por outro, encontrámos.

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DiEM25 | Estamos a ficar políticos!

No passado fim-de-semana foi o 60ª aniversário da EU. Num palco em Roma, repleto de líderes progressistas de toda a Europa, revelámos o nosso New Deal Europeu, um programa económico para salvar a Europa de si mesma.

Além disto, para surpresa de grande parte dos meios de comunicação social mundiais fizemos um convite público a atores políticos, movimentos e grupos em toda Europa para levar este New Deal Europeu a votação.

É isso mesmo: um ano após a participação na conversa global sobre como salvar a EU, estamos agora a organizar-nos para o fazer acontecer!

(Se não conseguiste estar presente no nosso magnífico encontro em no Teatro Itália de Roma – vê  este vídeo)

Vítor, temos muito trabalho nos próximos meses, visto que caminhamos para uma nova fase. Enquanto membros do DiEM25 temos todos de discutir como atrair a mais vasta aliança de democratas por detrás do New Deal Europeu, e torná-lo realidade.

Depois, a 25 de Maio, juntar-nos-emos novamente em Berlin no Teatro Volksbühne local de nascimento do DiEM25’s) onde iremos anunciar o quadro de referência para levar o trabalho do nosso movimento para as atuais políticas da união.

Este é o nosso movimento. Precisamos de tantas vozes e propostas quanto possível para trazer a mudança à Europa. Por favor junta-te a esta discussão fulcral e guia o DiEM25 para esta nova fase entusiasmante.

Obrigada e carpe DiEM25!

Luis Martín
DiEM25 Coordenador de Comunicação

PS – Como as eleições presidenciais francesas – essenciais para o futuro da EU – estão ao dobrar da esquina, tivemos uma discussão animada (liderada pelos nossos membros franceses) sobre a qual deverá ser a nossa posição a esse respeito. Vê este documento informativo para saber mais sobre as conclusões e decide a posição do DiEM25 mediante votação (a votação termina à meia noite de dia 11 de Abril!).

Mas afinal o que assinaram em Roma há 60 anos? | Rui Tavares in “Jornal Público”

A UE é um dos mais livres e iguais espaços de cidadania. Isso já não é coisa pouca e deveria aconselhar-nos a cuidar da sua preservação e aprofundamento.

O atual Tratado da União Europeia foi negociado num convento belga. A primeira versão, que mais tarde seria tantas vezes emendada até ao Tratado de Lisboa, foi terminada no início de 1957. Escolheu-se um local e uma data — Roma, 25 de março — para a sua assinatura por três presidentes e três monarcas dos seis países fundadores da UE.

Tomadas estas decisões, um funcionário da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço foi metido num comboio a partir do Luxemburgo. Levava com ele o texto do tratado e as máquinas de mimeografia que então se usavam para imprimir as cópias que seriam solenemente assinadas em Itália. Mas quando chegou à fronteira da Suíça este primeiro eurocrata ouviu um barulho na sua carruagem que prenunciava o pior. Sem que ninguém se tivesse lembrado disso, havia então uma lei suíça que determinava que as carruagens de mercadorias e as de passageiros fossem separadas e seguissem caminhos diferentes. O pobre homem lá perdeu um tempo precioso a localizar as máquinas de mimeografia e chegou à capital italiana já muito próximo da data da assinatura do tratado.

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Avec espoir et célébration | Avaaz

Quelque chose de fantastique vient de se produire. Le “Trump” des Pays-Bas, Geert Wilders, vient d’être battu aux élections, alors qu’il était en tête de la course électorale jusqu’au dernier moment!

Wilders avait promis de faire fermer toutes les mosquées, de faire sortir les Pays-Bas de l’Union européenne et d’interdire le Coran. Après Trump et le Brexit, le monde entier avait les yeux rivés sur les Pays-Bas: l’extrême-droite allait-elle poursuivre sa terrifiante trajectoire?

Mais en fin de compte, le peuple néerlandais a voté pour l’espoir au lieu de la haine. La marée de politiques fascisantes commence enfin à refluer! Notre mouvement était au coeur de cet effort: de quelle manière?

20 000 manifestants, 500 km en bus, une vidéo virale visionnée 5 millions de fois, une annonce publicitaire vue par 300 000 personnes, et tout un mouvement uni contre la haine.

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Prémios | Carlos Matos Gomes

Prémios. Por muito que me custe, passo o dia e parte da noite a ouvir notícias sobre os bancos. Notícias de milhões, o BES e grupo de forcados associados torrou 10 mil milhões, o BPN do pobre Oliveira e Costa e família de amigos de Cavaco Silva, de 6 a 8 mil milhões, o BANIF de oque e amigos, um pouco menos, a Caixa um 3 ou 4 mil milhões de imparidades, o Montepio, o BCP, o BPI … Do que oiço e ouvi, todos os conselhos de administração, conselhos fiscais, mesas de assembleias gerais destas e doutras desnatadeiras receberam chorudos prémios de gestão… O Ministério Público não se interessa em saber se foi incompetência ou corrupção, a doutora Cristas, toda bem disposta diz que era de confiar e assinava de cruz, com os pés dentro de água e a pele a luzir de bronzeador. O público, como nas touradas grita Bravo e Olé!

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

“Aos homens que nunca foram meninos” | Ana Catarina Mendes

Passaram 75 anos desde que Soeiro Pereira Gomes dedicou aos homens que nunca foram meninos “Os Esteiros”, pensando em todos aqueles a quem foi roubado o direito a ser criança, o direito a frequentar a escola, o direito a uma cidadania plena com igualdade de oportunidades.

Três quartos de século depois, continua a ser necessário pensar nos que, por muitas razões, não tiveram acesso à educação em quantidade e qualidade necessárias para a sua plena inserção. A igualdade de oportunidades é um desígnio para uma sociedade inclusiva e democrática!

Para lá de todos os défices de que tanto se fala, o grande e silencioso défice estrutural da nossa sociedade é o défice das qualificações. Um défice que o anterior Governo não quis combater porque na sua visão de Direita a segunda oportunidade educativa não era uma prioridade. Um défice social que nunca preocupou o PSD ou o CDS e que é tão ou mais importante reduzir quanto o défice orçamental.

Relançar a educação e formação de adultos é cumprir mais um compromisso que o PS assumiu com os portugueses.

Esta é a razão de ser do programa Qualifica: estratégia de educação e formação de adultos que combina reconhecimento, validação e certificação de competências com formação complementar obrigatória ajustada a cada caso.

A grande ambição da educação e formação de adultos é o combate à desigualdade pela falta de qualificações e competências. Mas, é também suprir um défice social e pagar uma dívida da democracia para os cidadãos que não tiveram oportunidade de estudar.

Acompanhei e privei com muitos que, por falta de condições económicas, não puderam estudar. Gente capaz, inteligente, culta e autodidata que procurou nas bibliotecas o acesso gratuito a livros para aprender mais, nos amigos ajuda para sonhar com outro mundo, na força da vida de trabalho crescer como cidadão. Mas sempre com a tristeza de não ter frequentado os bancos da escola…Dar novas oportunidades a quem foi excluído do sistema de ensino é uma dívida da sociedade democrática, porque os “homens que nunca foram meninos” merecem e porque a exclusão escolar é ainda um problema do presente.

SECRETÁRIA-GERAL-ADJUNTA DO PS

A incompatibilidade do nacionalismo com a democracia | Carlos Matos Gomes

A utilização do velho truque de Nero, de lançar fogo a Roma e acusar os cristãos, pelos jovens neofascistas do movimento “Nova Portugalidade” a propósito de uma conferência/comício de Jaime Nogueira Pinto numa faculdade, trouxe o tema da relação do nacionalismo com a democracia à actualidade. Jaime Nogueira Pinto sabe de história e de política. Conhece a teoria e a prática. Jaime Nogueira Pinto sabe da incompatibilidade entre nacionalismo e democracia, mas sabe também que com verdades, como dizia um júnior do partido popular, não se ganham eleições. Na atual fase da história aqui em Portugal é conveniente afirmar exactamente o contrário, a compatibilidade entre nacionalismo e democracia. O caminho faz-se caminhando e chegará o tempo de retirar a máscara e chamar à ditadura democracia orgânica.
Passe a redundância, o nacionalismo é incompatível com a democracia porque o nacionalismo se baseia em conceitos incompatíveis com a democracia. O nacionalismo baseia-se no conceito da superioridade. Os nacionalistas defendem a superioridade do seu grupo e logo a inferioridade dos outros. O nacionalismo defende a desigualdade entre grupos. A democracia defende a igualdade. A afirmação da superioridade causa naturais reacções nos que são considerados inferiores. Daí a violência dos nacionalistas. A superioridade só pode ser imposta pela força. O nacionalismo defende a violência. Mas a violência só pode ser eficaz se for dirigida e executada pelos mais fortes. O nacionalismo defende a desigualdade interna, daí os corpos especiais e os privilégios e os direitos das elites.

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O grande abandono | José Pacheco Pereira in Jornal “Público”

Eles sabem que o CDS, o PSD, o PS os abandonaram à sua sorte, estão-se literalmente borrifando para as “causas fracturantes” do Bloco de Esquerda, e a “linguagem de pau” do PCP não os mobiliza. Eles esperam no seu fel – até um dia.

Na semana passada a televisão portuguesa fez várias notícias sobre a recepção de refugiados yazidis sírios e iraquianos e as condições que lhes estão a ser preparadas por algumas organizações, autarquias e o próprio Estado. Mostrava-se o interior de uma casa que ia ser entregue a uma família refugiada, e as condições em que iam recomeçar a sua vida em Portugal. Estava a ver essas imagens num café e restaurante popular, onde várias mulheres trabalham na cozinha. Conheço-as pessoalmente – é gente que tem um salário mínimo e que trabalha em muito más condições, num local quente e acanhado, durante imensas horas. Não são estatisticamente pobres, mas são pobres. Têm salário, têm uma profissão, precária que seja, têm famílias e filhos, são umas novas e outras de meia-idade, mas são pobres.

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Porque o lugar da mulher é na revolução | Carla Manuela Mendes

Não, hoje não é dia para frases lamechas. Não é dia para oferecer flores (podem oferecer noutros dias), não é dia para realçar as mulheres belas, recatadas e do lar. Não é dia de colocar a mulher num pedestal e deixá-la cair no dia seguinte. A emancipação da Mulher não passa por unhas de gel, campanhas de marketing ou oferta de electrodomésticos para proveito dos companheiros ou maridos. Hoje é dia de não deixar cair no esquecimento as lutas travadas pelas mulheres ao longo da História. Hoje é dia de homenagear as mulheres anónimas que, em cenários de guerra, fome, violência, lutam diariamente por um mundo mais justo e igualitário. Hoje é dia de fazer sentir aos homens que temos um percurso comum, somos diferentes mas devemos ter direitos iguais. O dia também é deles porque podem contribuir e juntar-se à nossa luta. O dia também é de alerta para algumas mulheres que, inconscientemente, moldadas por modelos sociais, aceitam e reproduzem cenários machistas. As mulheres sustêm o mundo, sonham-no e constroem-no contra todo o tipo de limitações e condicionamentos. Saibamos honrar a luta das que nos antecederam porque nada é garantido e ainda há muita luta a travar. Saibamos ser orgulhosamente mulheres: inteligentes, sensíveis, lutadoras, sonhadoras, assertivas, conquistadoras. Porque o lugar da mulher é na revolução.

Retirado do Facebook | Mural de Carla Manuela Mendes