UE | UMA VISÃO OPTIMISTA, APESAR DE TUDO | Do lado certo da história | Bernardo Pires de Lima

A proposta franco-alemã vai muito além dos 500 mil milhões de euros. Responde à enésima crise europeia, forjando o aprofundamento da integração, reflete a evolução qualitativa no debate alemão e tem a ambição de moldar positivamente a globalização. Cinco páginas que podem ficar na história.

Já dizia Jean Monnet, o europeu nunca eleito mais importante do pós-Guerra, que a “Europa será forjada em crises”. Caro Monnet: tem sido na mouche. Guerras totais ou regionais forçaram a paz improvável entre a França e a Alemanha ou entre repúblicas da antiga Jugoslávia. Crises económicas ou choques geopolíticos aceleram adesões, transições democráticas e transferências voluntárias de soberania para fortalecer políticas comuns. Crises e integração europeia têm andado de braço dado desde sempre. Por outras palavras, a consolidação da paz, através do comércio e da diplomacia, e o alargamento da geografia democrática, têm sido as duas grandes estratégias de sucesso destes 70 anos de Europa progressivamente integrada.

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