O FUTURO É O PASSADO A LIMPO Júlio Isidro

José Afonso, 2/8/1929

Faria 92 anos e  a sua obra, o seu legado é cada vez mais actual e urgente.

José Afonso que tive o privilégio de ter como convidado no “Passeio dos Alegres” já doente, cantou e mostrou quanto vale a força das canções.

Não mais voltou à televisão, mas a RTP guarda o concerto de despedida no Coliseu de 1983 onde estive a aplaudi-lo. Nesse mesmo ano, recebíamos o Sete de Ouro, galardão de que me orgulho por figurar ao seu lado em capa de jornal.

José Afonso é hoje considerado um dos mais inspirados cantautores do mundo, com uma obra que é sempre uma descoberta.

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MA JOLIE MÔME , DEIXOU-ME | Júlio Isidro

Desculpem-me mas vou falar na primeira pessoa .
Juliette Greco era e continuará a ser uma paixão minha, sempre presente nos sonhos irrealizáveis de Paris nos anos 40, 50 por onde não andei porque as crianças não se podem perder nas ruas misteriosas e encantatórias da cidade -luz.

Aos 18 anos, sozinho em Paris, procurei os lugares da Diva de Negro na margem esquerda, à procura do Tabou ou do L’oeil de Boeuf espaços de cultura, amor e pecado onde a voz dos poetas cantava “Je suis comme je suis” e convivia com Camus, Boris Vian, Jean Cocteau ou Sartre que dela disse: – A voz da Greco tem milhões de poemas que ainda não foram escritos.

O menino tímido, ficou à porta do calor húmido de Chez Barbara, porque aqueles abraços e beijos de paixões aquecidas a Calvados ou Créme de Cassis, me inibiram.
Maldita educação/ domesticação trazida do país dos “bons costumes”.

Tantas vezes adormeci a ouvir Juliette a cantar Désabillez-moi e sonhei que cruzava os dedos naquela mão branca de mármore desta mulher de tantas canções e quase tantos amores.

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