Querido Fred | Tiago Salazar

Querido Fred,
Frederico Duarte Carvalho

Portas o facho da esperança ou da ironia ou fintaste a ti próprio? És tu um niilista ou um crente (nem que seja nas virtudes lenitivas do vinho?). Tu, que lês e bebes na História, achas que o mundo vai mudar para melhor ou não andaremos de crise em crise com interlúdios de fraternidade universal, até à extinção? A aldeia global não é uma grande farsa? Que sabe um inuit por aí além de um português ou que sabemos nós dos esquimós para além de iglus e beijos de nariz a dar e dar (por ora proibidos)?

Quando me vejo asfixiado, agrilhoado (como Prometeu), preso num colete de forças, atiro-me ao que me pode salvar-evadir, a escrita-a viagem, mormente, como se escrever-viajar me devolvessem o sentido de pertença a um mundo que sei condenado. A nossa geração não conhecia, até aqui, mais do que o drama dos recibos verdes. Fome, guerra, doença, miséria, são realidades para a maioria de nós desconhecidas. Haverá filhos de quem foi à guerra que padeçam de males que não serão menores, como o da rejeição e do abandono ou da violência doméstica (que também é a dos pais sofre os filhos). As nossas guerras têm sido outras: a do trabalho precário, sobretudo. Chamar guerra ao que se passa é um ultraje. Será do hino termos que ir logo apelar às armas? E os barões assinalados, os donos disto tudo, que farão eles neste momento a não ser acautelar os seus interesses, proteger as suas perdas, inventando outras formar de lucrar como lacraus e abutres e saqueadores de outroras e agoras?

Falemos da vida como ela é: tinhas (ou tens) um contrato. O teu patrão (patrões) encheram o bandulho com anos de vazio legal. Aumentaram as frotas, expandiram as lavandarias. Usaram a tua sapiência para valorizarem o seu produto, dando-te umas migalhas. Estás em crer que se isto durar meses ter neles um padroeiro ou serás depressa dispensado como foste de redacções onde assinaste trabalhos de primeira linha? Não, meu caro. Não te fies na virgem e corre (escreve, que é o que melhor sabes fazer).

Todos queremos proteger os nossos interesses. Uns as famílias, com amor sincero, outros as contas bancárias. A minha pátria é uma conta bancária é o que lhes palpita no coração. Repara nos discursos políticos, repara na Comunicação Social e na sua agenda. Alguém, da esquerda à direita, está verdadeiramente interessado em fazer disto uma oportunidade dourada de unir um país? O Rui? Agora me rio. Podes trazer a minha militância comunista ao barulho, mas digo-te já que a minha crença no partido começa e acaba na consideração pelos homens, dois em particular (Jerónimo e João). Repara como um comunismo (não ideológico) é o que mais falta faz em momentos cruciais, quando é o colectivo que precisa de sustento essencial (casas, trabalho, terra para cultivar…). Não preciso de dizer amén ao partido para te dizer que se a banca, por exemplo, fosse nacionalizada e o Estado fosse honesto, não haveria oportunismo como agora se vê, com moratórias que mais não são que o negócio da China, ou senhorios burgueses preocupados com confissões de dívidas.

Olha para a nossa História. Quando houve dinheiro a rodos, quantos ficaram ricos e quantos nunca sairam da cepa torta? Quantos ricos há neste país na disposição de repartirem as suas riquezas, de almofadarem (até passar a peste) o chão dos que os ajudaram a criar as suas fortunas. Nenhuma fortuna se cria de um homem só. Nem o CR7 seria o que é sem as suas equipas.

Trabalho de equipa é o que se precisa. Mas primeiro há que rever as noções de quem são os rivais.

abraço

Tiago Salazar

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar 

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