vegetarianos, vegans e afins | Inês Salvador

Ines Salvador -200A uns certos vegetarianos, vegans e afins

Ponto de ordem e esclarecimento, que isto, às vezes, cansa:

1) – O peixe não é um vegetal! Por mais bem amanhado, em filete, com corte de chef, embrulhado em algas, se ainda não repararam, o peixe não é vegetal!

2) –  Quem põe os ovos são as galinhas e quem dá leite são as vacas! As vacas e as galinhas não são um vegetal! Também há outros animais que põem ovos e outros animais que dão leite. Nos mamíferos todas as fêmeas dão leite. Nós, as mulheres, também damos leite, é uma questão de emprenharmos e parirmos, que ficamos a dar leite, tal como as fêmeas das outras espécies de mamíferos. Se vos der para mamar noutro lado, e não se acanhem, também dá leite, é uma questão de lhe apanharem o jeito.

Continuar a ler

O Amor é mais falado do que vivido e por isso vivemos um tempo de secreta angústia | Zygmunt Bauman

Bauman-200O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.

O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.

Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.

Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”.

Zygmunt Bauman | sociólogo polaco