Frida Kahlo

kahlo - 200Frida Kahlo est une artiste peintre mexicaine. A l’âge de 6 ans, elle souffre de poliomyélite (sa jambe droite s’atrophie et son pied ne grandit plus) puis elle souffre de “spina bifida” (malformation congénitale) et enfin, en 1925, elle est victime d’un grave accident de bus (son abdomen et sa cavité pelvienne sont transpercés par une barre de métal + 11 fractures à sa jambe droite, pied droit cassé, bassin, côtes et colonne vertébrale brisés). Elle devra subir de nombreuses interventions chirurgicales et de nombreux séjours à l’hôpital. Après son accident, elle se forme elle-même à la peinture. Tout cela est l’élément déclencheur de la longue série d’autoportraits qu’elle réalisera. En effet, sur 143 tableaux, 55 relèvent de ce genre. En 1929, elle épouse Diego Rivera, de 21 ans son aîné, mondialement connu pour ses peintures murales. Elle a de nombreuses relations extraconjugales, notamment avec des femmes. Des liaisons avec des hommes sont connues comme Léon Trosky, liaison courte mais passionnée. La fin de sa vie sera difficile : on lui ampute la jambe droite puis elle est affaiblie par une grave pneumonie et décède en 1954, à 47 ans. Les derniers mots dans son journal seront ” “j’espère que la sortie sera joyeuse… et j’espère bien ne jamais revenir.” Elle a été incinérée car elle ne souhaitait pas être enterrée couchée, ayant trop souffert dans cette position au cours de ses nombreux séjours à l’hôpital. Le nouveau billet de 500 pesos mexicains en circulation depuis le 30 août 2010 est à son effigie car elle est devenue une icône.
“Ils pensaient que j’étais une surréaliste, mais je ne l’étais pas. Je n’ai jamais peint de rêves, j’ai peint ma réalité.” (Frida Khalo)

Portugal lá fora | André Barata in “Económico”

andre_barata_200Marcelo Rebelo de Sousa faz bem ao deslocar o 10 de Junho da ordem simbólica da força e do poder do Estado para a dos laços das comunidades.

Paradas e desfiles das forças armadas diante do seu comandante supremo ficam melhor a Coreias e a potências cheias de tédio assertivo. Voltas a Portugal, cada ano uma cidade, convêm mais ao ciclismo ou ao calendário presidencial, desde que em qualquer outro dia do ano. Por princípio, as celebrações oficiais do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, deviam ser celebradas fora do país. Porque as comunidades estão lá fora, são alguns milhões e representam uma dimensão do país que depende sobretudo, e de quase nada mais, de laços de reconhecimento e afecto.

Marcelo Rebelo de Sousa faz bem portanto, ao deslocar o 10 de Junho da ordem simbólica da força e do poder do Estado para a dos laços das comunidades. Parece óbvio, mas o incrível é ser a primeira vez que o 10 de Junho sai do país. E também faz bem em levar as comemorações oficiais para Paris — a mais populosa cidade “portuguesa” fora de fronteiras — e em condecorar portugueses, luso-descendentes e franceses que se notabilizaram por fortalecerem e darem novos sentidos a esses laços. Por exemplo, os quatro portugueses que, no momento do atentado no Bataclan, não hesitaram abrir as portas dos seus prédios para abrigar quem procurava escapar do horror e da morte.

E claramente não terá passado despercebida ao Presidente a feliz coincidência de Paris iniciar o Europeu de futebol a 10 de Junho. Na ordem simbólica dos laços comunitários, o futebol há muito transcendeu o bafio do tempo da outra senhora. Goste-se muito ou pouco de futebol, é a actividade onde Portugal ganha maior projecção cosmopolita.  Não apenas por Cristiano Ronaldo ser, de longe, o português mais conhecido em todo o mundo, fazendo com que muitas outras línguas pronunciem o nome do nosso país, mas sobretudo porque os dias de selecção nacional são de facto dias que restabelecem o convívio de uma comunidade sem fronteiras, de anseios e esperanças comuns, que vai merecendo o nome do nosso país na nossa língua.

André Barata – in “Económico” – Retirado do Mural de André Barata