Soneto da saudade | Guimarães Rosa

Quando sentires a saudade retroar 
Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
E ternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!

Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
Uma voz macia a recitar muitos poemas…
E a te expressar que este amor em nós ungindo
Suportará toda distância sem problemas…

Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.

Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos…
Nem a distância apaga a chama da paixão

Guimarães Rosa

O PROJECTO ANGLO-AMERICANO DA GUERRA PERPÉTUA | José Gabriel Pereira Bastos

Duas Guerras contra a Alemanha deixaram o Eixo Imperial Anglo-Americano (com a França a tentar não ficar de fora) numa posição de prepotência que a Guerra Fria (a “luta contra o comunismo”) reforçou.

Com a implosão da URSS, o Eixo ficou sem ‘inimigo’ e rapidamente teve que inventar um, com Dick Cheeney. A inventona do 9/11 permitiu avançar o “projecto imperial de invasão de sete países em 5 anos”.tendo como alvo último o Irão Xiita, utilizando os Sunitas como instrumento.

Correu mal, como corre sempre mal aos Americanos, quando atacam na Ásia (Coreia, Vietname). Agora não só não conseguem sair de lá (estão no Afeganistão há 17 anos e no Iraque há 15, perderam a guerra da Síria e, ao apoiarem a Al Qaeda, o ISIS, a Al-Nusra, perderam o contrôlo instrumental do terrorismo Sunita.

Subjacente a toda esta desestabilização histórica programada, continua o projecto Maçónico Anglo-Americano da New Age, isto é, do sincretismo religioso místico-ritual, que veio substituir o projecto republicano francês, com a sua ‘religião cívica’, que se tornou obsoleta, como a França, a burguesia, o proletariado, a Arte Nova, a Modernidade.e o ateísmo.

Os Americanos, já Freud lembrava, não teorizam, sincretizam, E a sincretização dos DOIS DEUSES ÚNICOS com umas festas pagãs da Primavera e uns rituais homoeróricos secretos para burgueses, tudo ao serviço do Deep-State, parece-lhes bem. Não vão a parte alguma com a New Age mas como são muito ‘religiosos’ e já têm multidões de Evangélicos Republicanos Nacionalistas, dão uns para os outros, já que não conhecem o Mundo e pouco ou nada lêem ou viajam. É a Democracia do Vale tudo (até tirar olhos) e da Grande Confusão Ideológica a que chamam, por lá, “Democracia” Bilionária.

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Painel do presbitério da Basílica da Santíssima Trindade em Fátima

Mosaico com cerca de 500m2 (10m de altura e 50m de largura), cobrindo a parede curva do fundo do presbitério, é feito em terracota dourada e moldada manualmente.
A cor do ouro simboliza a santidade e a fidelidade de Deus, tendo os três traços vermelhos a finalidade de realçar o dourado e favorecer a percepção do mistério e da santidade. Todo o dinamismo e tensão de luz e ouro no sentido horizontal e vertical pretendem provocar no coração de quem está na igreja um estado de alma que acolhe a beleza, a comunhão e o amor.
À direita e à esquerda do trono e do Cordeiro, a Jerusalém Celeste, na qual se vê a multidão de Anjos e de Santos. O Cordeiro é formado pela cor do ouro e por tonalidades de alvura, porque Ele é a Luz. D’Ele partem ondas de luz.
Os Santos estão pintados em tons coloridos, a indicar que estão na luz, receberam a luz, deixaram-se iluminar e penetrar por ela, acolheram o dom da vida divina.

Bloco de Esquerda, Podemos e Esquerda Insubmissa criam movimento europeu | Raquel de Melo in “TSF”

Catarina Martins, Pablo Iglesias e Jean-Luc Melénchon assinaram declaração “Agora, o Povo. Por uma revolução cidadã na Europa” para apelar à união dos cidadãos “para romper com espiral política inaceitável”.

Os líderes do Bloco de Esquerda, do espanhol Podemos e do França Insubmissa assinaram, esta quinta-feira, em Lisboa, um documento conjunto, que visa a criação de um movimento político europeu, descrito como “um passo em frente” para romper com o que classificam de “espiral inaceitável” a ocorrer na Europa.

“Chegou a hora de romper com os grilhões dos tratados europeus, que impõem austeridade e promovem o ‘dumping’ fiscal e social”, lê-se na declaração “Agora, o Povo. Por uma revolta cidadã na Europa”, na qual Catarina Martins (BE), Pablo Iglesias (Podemos) e Jean-Luc Melénchon (Esquerda Insubmissa) acusam os governantes europeus de terem condenado os países “a uma década perdida” com uma “aplicação dogmática, irracional e ineficaz das políticas de austeridade” e dirigem um apelo aos cidadãos.

“Apelamos aos povos da Europa para que se unam na tarefa de construir um movimento político internacional, popular e democrático de forma a organizarmos a defesa dos nossos direitos e a soberania dos nossos povos face a uma velha ordem, injusta e que nos conduzirá ao desastre”, escrevem.

Salientando que o novo movimento “ao serviço das pessoas” se abre a todos os que defendem a democracia “económica”, “política” (contra “ódios e xenofobias”), “feminista”, “ecológica” e “da paz”, os três líderes partidários dizem-se “cansados de acreditar naqueles nos governam de Berlim e de Bruxelas”.

“Estamos a trabalhar arduamente para construir um novo projeto de organização para a Europa”, acrescentam, concluindo que tratar-se de “uma organização democrática, justa e equitativa que respeita a soberania dos povos”.

Criado a um ano das eleições europeias, o movimento abre-se agora “a outras forças políticas” para dizer à União: “Agora, o povo”.

Raquel de Melo

https://www.tsf.pt/politica/interior/bloco-de-esquerda-podemos-e-esquerda-insubmissa-criam-movimento-europeu-9254877.html

A Livraria Bertrand e a Guerra e Paz convidam

Vai ser uma série de antologias de Fernando Pessoa & Companhia. A primeira – Absinto, Ópio, Tabaco e Outros Fumos – vai dar uma animada conversa. É já na 3ª feira, dia 17, na Bertrand do Chiado. Reparem bem na tremenda variedade das bocas que vão estar à conversa: Eugénia de Vasconcellos, poeta e ensaísta; Júlio Resende, compositor e pianista; Jorge Barreto Xavier, professor e programador cultural. Eu vou-me sentar ao pé deles, boca fechada está claro, que o que é bom é ouvir quem sabe. É às 18:30 e preciso que venham todos. Querem ver o convite? Já mostro! [ Manuel S. Fonseca ] 

Mais um dia no paraíso | Mauro Castro

A figura na calçada da avenida Bento Gonçalves não combinava muito com a claridade da manhã. O dia começou com uma travesti fazendo sinal para meu táxi, dinheiro na mão, gesto típico de quem já foi rejeitada por outros taxistas. Como quem diz: posso não ser a passageira dos seus sonhos, meu bem, mas tenho dinheiro para pagar a corrida. Os primeiros raios da manhã iluminavam uma figura esguia, pernas longuíssimas, shortinho jeans minúsculo, enterrado, as tiras da calcinha aparecendo no quadril, top rosa choque, salto alto vertiginoso e cabelão desgrenhado. Além da nota de 20 balançando em minha direção, ela tinha um bichinho no colo. Um hamster, acreditem, um ratinho malhado. Parei, óbvio.
Imagina um cheiro forte de perfume. Sentou na frente, educadíssima “Vila Cachorro Sentado, por favor”, a maquiagem borrada, perguntei se estava tudo bem, “melhor impossível, beijei na boca, dancei muito”, saindo de uma festa “Psy”, música eletrônica, tentando retomar o sentido, “fraca pra bira”, estava saindo de uma padaria onde tinha tomado um copão de café preto. Maquiadora, performer, massoterapeuta, explicou que ganhou o hamster do dono da festa que não queria mais o animal “será que dou queijo pra ele?”.
A discrição da minha passageira foi pro saco quando mostrei meu livro à venda. Bateu palmas, pediu detalhes, deu chilique quando mostrei minha foto com a Fernanda Lima, Amor & Sexo, “ARRASOU, VIADO!!”, quase perdeu o hamster pela janela do táxi, pediu que eu sintonizasse um batidão no rádio, que tocava FM Cultura bem baixinho, mas já era hora de desembarcar, a corrida chegava ao fim, minha cliente lamentou estar sem bateria pra fazer uma selfie. Melhor assim.
Desceu do táxi e entrou requebrando pela vila, jogando charme para os papeleiros que saiam para o trabalho puxando seus carrinhos, os gatos abanando o rabo para o hamster apavorado no braço de sua nova cuidadora.
Mais um dia no paraíso.

Depois do terceiro assalto, o taxista comprou uma arma | Mauro Castro

Depois do terceiro assalto, o taxista comprou uma arma. Sua mulher entrou em pânico. O marido sempre foi um homem pacato, pai zeloso, temente a Deus, nunca se meteu em confusão. Mas a arma foi comprada, um 38 engasgado com seis balas tornou-se parte do assento do motorista, sob o estofamento, camuflado, invisível, mas à mão. Ninguém nunca soube da arma além da esposa, o taxista não era homem de contar vantagem, gargantear, ele mesmo procurava esquecer o revólver, nunca tirou-o do lugar onde foi colocado, não manuseava a arma, tinha uma espécie de respeito, repulsa, quase nojo, nunca deixou que outro sentasse ao volante, o banco daquele táxi guardava o seu segredo.

O homem anunciou o assalto já espetando uma faca na carne do taxista, penetrando alguns milímetros, pra não deixar dúvida, descarga de adrenalina, berreiro no ouvido, vou te matar filho da puta, escuridão, periferia, toca sem olhar pra mim, aperta a faca, o aço na costela, o medo no osso, entra no beco, sem saída, passa a grana, passa tudo, quero dinheiro, miserável, carteira com a grana, tudo, pode pegar, te mato, mãos no volante mané, passa o celular, não tenho, não uso telefone, tem mais dinheiro aqui, a mensalidade da escola, no porta-luvas, otário, perdeu, pega tudo, leva, gritaria no meio da noite, cachorro latindo, o beco deserto, chão batido, longe de tudo, de socorro, o bandido saíndo, ainda gritando, jurando de morte, o dinheiro, a mensalidade da creche no bolso do vagabundo, a mão do taxista sob o banco, achando a coronha da arma, empoeirada, áspera, anatômica, o bandido correndo em direção ao mato, a escuridão, o primeiro disparado, o segundo, o vagabundo caindo, levantando em direção ao mato, mais um tiro, outro, só a escuridão, cachorrada latindo, mais um tiro, o bandido sumido, flashes de fogo, estampidos, o gatilho sendo apertado a esmo, até não surtir mais efeito, o cheiro de pólvora na noite, a arma quente, descarregada, silêncio, nada de bandido, nem mais os cachorros, nada, a escuridão abafando tudo naquele beco sem saída, o vazio, a arma jogada no arroio, o taxímetro desligado, o rádio desligado, a mente quieta, o caminho de casa, o banho mais demorado, o sono, silêncio.

Esquecido em um quarto de paredes nuas, janela para um muro, tudo foi a tanto tempo, quando tinha táxi, quando tinha colegas, quando tinha uma esposa, retalhos das lembranças mais antigas, as que sobraram, que o Alzheimer não lhe arrancou por completo. Nem mesmo a enfermeira que lhe trocou a última fralda ele lembra. Certo apenas as cruzadinhas, Coquetel, que alguém lhe traz uma vez por mês, quando vem pagar o asilo, o filho, o neto, foi tudo a tanto tempo, não reconhece mais ninguém. Palavras cruzadas, apenas as cruzadinhas.

Quem tira a vida de outro, horizontal, nove letras: assassino.

Mauro Castro

NASA Scientists with their calculations board in 1961

This impressive image was taken by photographer J. R. Eyerman and was featured in LIFE magazine. It depicted a chalk board full of calculations that the NASA Scientists were working on. People believe that the equations on the chalk board were only written on for the picture as the equations are general ones rather than equations the Scientists would have been working on at the time. The Scientists in this photo were known as Computers. This name was given to people whose job was to solve mathematical equations, hence how the name Computer was then given to the electronic device which could do their job years later.

Photo credit: Blogspot | http://knowledgedish.com/rare-historical-photos-fb/32/

Migrant Mother in 1936

This image was taken by photographer Dorothy Lange during the Great Depression. She stumbled upon a camp in Hoboken where she searched through the crowds of starving workers until she found the lady in this image, Frances Owens. She took 6 images of Frances with her children, and you can really see from this image how a picture speaks a thousand words. You can see from her face the stress and worry that she faced. Dorothy Lange informed the authorities of the starving workers in the camp and they sent 20,000 pounds of food to them.

http://knowledgedish.com/rare-historical-photos-fb/3/ | Photo credit: Mashable

Fiz um conto para me embalar | Natália Correia

Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.

Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.

Rosas fatais, as três donzelas
A mão de espuma as desfolhou.
Nenhum soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.

Natália Correia

The Second Machine Age | Arlindo L. Oliveira | Digital Minds

The Second Machine Age, by Erik Brynjolfsson and Andrew McAfee, two MIT professors and researchers, offers mostly an economist’s point of view on the consequences of the technological changes that are remaking civilisation.

Although a fair number of chapters is dedicated to the technological innovations that are shaping the first decades of the 21st century, the book is at its best when the economic issues are presented and discussed.

The book is particularly interesting in its treatment of the bounty vs. spread dilema: will economic growth be fast enough to lift everyone’s standard of living, or will increased concentration of wealth lead to such an increase in inequality that many will be left behind?

The chapter that provides evidence on the steady increase in inequality is specially appealing and convincing. While average income, in the US, has been increasing steadily in the last decades, median income (the income of those who are exactly in the middle of the pay scale) has stagnated for several decades, and may even be decreasing in the last few years. For the ones at the bottom at the scale, the situation is much worst now than decades ago.

Abundant evidence of this trend also comes from the analysis of the shares of GDP that are due to wages and to corporate profits. Although these two fractions of GDP have fluctuated somewhat in the last century, there is mounting evidence that the fraction due to corporate profits is now increasing, while the fraction due to wages is decreasing.

All this evidence, put together, leads to the inevitable conclusion that society has to explicitly address the challenges posed by the fourth industrial revolution.

The last chapters are, indeed, dedicated to this issue. The authors do not advocate a universal basic income, but come out in defence of a negative income tax for those whose earnings are below a given level. The mathematics of the proposal are somewhat unclear but, in the end, one thing remains certain: society will have to address the problem of mounting inequality brought in by technology and globalisation.

Arlindo L. Oliveira

Histórias da História | Paulo Fonseca

Histórias de luta e de afecto 
e de vidas em directo.
Longa lista leva já,
a história da humanidade …
mártires,
guerreiros,
heróis,
ternos da liberdade 

voz dos simples,
batutas de luz
contra as pautas da injustiça …
também ingenuidade
de criança,
de noviça …
Poetas do sonho
que fez mudar o mundo
enfadonho.
imundo …
Jesus Cristo,
Madre Teresa,
Mandela,
Che Guevara,
Luther King,
Xanana,
Mandala,
Gandhi,
Pepe Mujica,
Salgueiro Maia,
Gorbatchov e
agora Lula …
lavradores do afecto,
verbo e complemento directo,
todos mal tratados
na horta que semearam …
suor bento
que corre de emoção
hino triunfal da devoção
aos outros,
ao mundo,
ao coração …

Paulo Fonseca

Ergo Uma Rosa | José Saramago

 

Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou ventos de cabelos que sacode.
Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontua de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.
Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.
Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me doi de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.

José Saramago 

DiEM25 | Estás a inspirar vários elementos progressivos no mundo – literalmente.

Algumas semanas atrás pedimos a tua ajuda para lançar o MeRA25, a nossa ala eleitoral na Grécia. É preciso dizer que respondeste à nossa iniciativa de forma abosultamente espetacular.

Não só ajudaste a lançar uma alternativa política para a Grécia, inspiraste também milhares a juntarem-se ao nosso movimento – Na Grécia e em todo o lado.

Inspiraste os nossos membros na Grécia e eles agora sabem que não estão sozinhos.

Insiraste os cidadãos gregos a rejeitar o status quo que foi imposto em 2015.

E inspiraste Zack Exley e Saikat Chakrabarti – dois conselheiros da campanha de Bernie Sanders, a assisitir ao lançamento do MeRA25 – e a juntarem-se à nossa luta e à revolução democrática do DiEM25.

Temos ainda muito que fazer e muitos desafios a superar.

O DiEM25 já é uma fonte de esperança para a Europa – e um pilar de resistência contra os interesses instalados do sistema financeiro e político.

Com o teu apoio vamos tornar-nos mais fortes e vamos recuperar a nossa democracia.

Obrigado e carpe DiEM!

Luis Martín

>>Coordenador de comunicações do DiEM25