Quelle est, selon vous, l’oeuvre littéraire qui parle le mieux des femmes ? | Gallimard

Réponse partial

Madame Bovary pour sa modernité. L’auteur décrit si bien la femme qu’elle semble intemporelle. Le décor a certes changé mais pas les inspirations, pas les idéaux et la soif d’exister pour soi et non à travers l’homme. Quoi ses amants? Qui n’en a pas ou du moins qui n’en a pas eu l’intime pensée?

[Commentaire de Antonio Giuseppe Satta]

Retirado do Facebook | Mural de Gallimard

Ci-dessous, Virginia Woolf (1882-1941) photographiée par George Charles Beresford en 1902.

wolf

Arrival of the Fittest: why are biological systems so robust? | Arlindo L. Oliveira | in Digital Minds

arrivalIn his 2014 book, Arrival of the Fittest, Andreas Wagner addresses important open questions in evolution: how are useful innovations created in biological systems, enabling natural selection to perform its magic of creating ever more complex organisms? Why is it that changes in these complex systems do not lead only to non-working systems? What is the origin of variation upon which natural selection acts?

Wagner’s main point is that “Natural selection can preserve innovations, but it cannot create them. Nature’s many innovations—some uncannily perfect—call for natural principles that accelerate life’s ability to innovate, its innovability.”

In fact, natural selection can apply selective pressure, selecting organisms that have useful phenotypic variations, caused by the underlying genetic variations. However, for this to happen, genetic mutations and variations have to occur and, with high enough frequency, they have to lead to viable and more fit organisms.

In most man-made systems, almost all changes in the original design lead to systems that do not work, or that perform much worse than the original. Performing almost any change in a plane, in a computer or in a program leads to a system that either performs worst than the original, or else, that fails catastrophically. Biological systems seem much more resilient, though. In this book, Wagner explores several types of (conceptual) biological networks: metabolic networks, protein interaction networks and gene regulatory networks.

Each node in these networks corresponds to one specific biological function: in the first case, a metabolic network, where chemical entities interact; in the second case, a protein interaction network, where proteins interact to create complex functions; and in the third case, a gene regulatory network, where genes regulate the expression of other genes. Two nodes in such networks are neighbors if they differ in only one DNA position, in the genotype that encodes the network.

He concludes that these networks are robust to mutations and, therefore, to innovations. In particular, he shows that you can traverse these networks, from node to neighboring node, while keeping the biological function unchanged, only slightly degraded, or even improved. Unlike man-made systems, biological systems are robust to change, and nature can experiment tweaking them, in the process creating innovation and increasingly complex systems. This how the amazingly complex richness of life has been created in a mere four billion years.

In Digital Minds 

https://digitalminds2016.wordpress.com/2017/03/04/arrival-of-the-fittest-why-are-biological-systems-so-robust/

O festim | Carlos Matos Gomes

Os bárbaros da bola! Os nazismos (é de nazismo que se trata quando enfrentamos a cultura do ódio, da violência – dos Trumps e das Le Pen, do holandês, ou do hungaro, de que só sei pelos ecos das alarvidades de superioridade da sua raça) tem base de apoio visível e aplaudida. O caso é este, um jogador de futebol, Torres, do Atletico de Madrid sofreu uma falta violenta de um adversário e caiu inanimado no campo do Corunha. Teme-se o pior. A claque do Corunha canta e insulta. O jogador Torres é sujeito a manobras de reanimação que não se sabe se resultam e é retirado do campo. As claques berram.

O árbitro recomeça o jogo – the show must go on – os jogadores arrastam-se até aos 90 minutos. Os treinadores incentivam os jogadores como os donos incentivam os cães de luta. O árbitro entende que o jogador Torres é responsável pela interrupção e prolonga o jogo durante mais 7 minutos (até podia dar-se o feliz acaso de um jogador do Atlético, por qualquer razão emocional dar uma cabeça num adversário! Seria a apoteose.)

O festim continuou. Lembra o jornalista do El Pais: perante a insensatez do árbitro, os jogadores, os dirigentes, os treinadores, alguém com alguma higiene mental podiam ter mandado colocar a bola no centro do campo e esperar que o homem do apito apitasse, tivesse um reflexo de sensatez. Nada. A matilha tinha os focinhos no sangue. É esta a base de apoio do que por aí anda a levantar muros…

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Fronteira dos EUA com o México

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Speedy Gonzalez | Carlos Matos Gomes

O que vai acontecer ao Speedy Gonzalez? Com a ideia do genial Trump levantar um muro entre o México e os Estados Unidos já alguém perguntou ao fanático Rasputine que o aconselha ou à madame que lhe trata da imagem o que vai acontecer ao Speedy Gonzalez? Ele pode passar o muro? Fica retido? É deportado? O que vai acontecer ao Speedy Gonzalez? Já alguém se lembrou do Speedy Gonzalez?

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Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Para lá da «Geringonça» | André Freire | Lançamento terça-feira, dia 07/03, às 18h30m

Lançamento do livro Freire, André (2017), Para lá da «Geringonça»: O Governo de Esquerdas em Portugal e na Europa, Lisboa, Contraponto. Prefácio do primeiro-ministro, António Costa.
Por Ana Catarina Mendes, Secretária-geral Adjunta do PS e Vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, & Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE (*).
Terça-feira, dia 07/03, às 18h30m, na livraria Bertrand do shopping Picoas Plaza.

andre

L’histoire des Arabes en Algérie | Ibn Khaldoun

algerie_0-png-200L’Algérie n’a pas subi de conquête ou de colonie de peuplement arabe, et que, les Algériens, même ceux parlant l’arabe algérien ( en réalité un mélange de l’arabe classique et du berbère), sont dans leur totalité des Berbères.

(Ce texte est inspiré du volume N° 5 de l’histoire des Berbères par l’auteur Ibn Khaldoun. l’histoire des Berbères a été écrit en 13 volumes (29.000 pages) par le même auteur).
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Le débat secouant la société algérienne sur la question cruciale de l’identité arabe ou berbère de l’Algérie nécessite un retour à la source de ce clivage. L’origine en est, bien entendu, l’expansion arabe en Afrique du nord. Certains affirment que les Arabes n’ont jamais conquis l’Algérie, d’autres se revendiquent une origine arabe justifiant ainsi l’identité arabe de l’Algérie. Qu’en est-il en réalité? Afin de répondre à cette question, deux périodes, marquées par deux mouvements d’expansion majeurs, doivent être prises en considération : La période de la première expansion et celle ayant trait à la seconde, celle les Béni-hillals

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Gente que sai da barraca… | Inês Salvador

salvador-200Receio que hajam muitos mais joãos bragas do que se supõe… Desde logo entre as mulheres que acham que os bons homens escasseiam porque andam a virar para o outro lado, o lado do inimigo, entenda-se, e os homens que suspeitando-se que o outro é do lado do inimigo das mulheres se afastam, não se dê o caso de serem confundidos ou aquilo ser alguma doença que se pegue e não tenha cura, “diz que quem experimenta já não volta”, mais a segurança social que andamos todos a pagar a gentes de outras raças para passarem o dia no mc donald’s sem fazer nada, mais as casas em lisboa que estão caríssimas por causa dos turistas – orgulhosamente sós é que estávamos bem – e do lobby dos moços do lado do inimigo das mulheres que controlam as zonas históricas, e mais as mulheres independentes que só por isso já correm o risco de reputação duvidosa, o que nos homens é mérito de campeão, para elas é “subir na horizontal”, ainda que mais mal pagas que eles, elas não podem ser inteligentes, o que elas têm de ser é “boas”, “boazonas”, casadas ou comprometidas, alto lá com as liberdades e violência doméstica – física e psicológica – a dar com um pau, e eles têm sempre de ganhar mais que elas e serem mais espertos para se sentirem seguros da sua macheza, “ao homem português a dependência da mulher é erotizante”, disse mais ou menos assim a Agustina, e quem mais ataca as mulheres são as outras mulheres, e esta é a ordem natural das coisas… E assim, sucessivamente, uma enormidade de disparates que se ouvem, vêem e observam, nesta democracia sem democratas, de pequenos pides coscuvilheiros, moralistas e invejosos da vida dos outros, genuínos amantes da liberdade, desde que não sejam contrariados. Gente que sai da barraca, mas a barraca nunca há-de sair deles.
Sim, este é um dos posts mais fofinhos que já publiquei e não me digam que não andam no mesmo país que eu e não ouvem o mesmo que eu oiço.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

(título garbosamente escolhido por VCS)

Londres | A velha aliança e a oliveira secular | Carlos Matos Gomes

oliveira02Sou completamente a favor. Podemos ter muitas razões de queixa dos ingleses, mas devemos-lhe muito mais. Os cruzados ingleses auxiliaram Afonso Henriques a conquistar Lisboa aos mouros. Não é pouca coisa não termos de andar nas ruas de camisa de dormir, de estarmos proibidos de salpicões, febras, presuntos e principalmente de sandes de coiratos antes de ir à bola. As mulheres devem dar graças por poderem guiar automóveis e tomar banhos de sol na praia. Também foram cruzados ingleses que estiveram na conquista de Silves, que permitu nos anos 70 a vinda dos ingleses e inglesas para Albufeira e para o 7 e 1/2. Devemos-lhe a melhor rainha da história, Felipa de Lencastre. As empresas de caminhos de ferro, de telefones, de transportes publicos, a industria do textil do algodão, a derrota dos franceses, até as colónias lhes devemos. Devemos-lhe o Churchill ter tratado Salazar como o pobre diabo que ele era na segunda guerra… devemos-lhe o barão de Forrester, que inventou o vinho do Porto… eu devo-lhes ter tido um MG… aos vinte anos… até as aventuras hípicas de uma égua de 7/8 de sangue inglês. Por mim, tudo isto e algo mais que é do foro privado vale uma oliveira secular, que, tenho a certeza, os ingleses a tratarão muito bem.

Retirado do Facebook | Mural de Carlos Matos Gomes

Zeca Afonso | Traz outro amigo também

Amigo maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
Em toda a parte todo o mundo tem
Em toda a parte todo o mundo tem
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

Os meus dias e a rotina | Inês Salvador

salvador-200Aos meus dias nunca nada de extraordinário pontua, ou melhor, é sempre uma espécie de extraordinária rotina. Por exemplo, ontem fui ao final do dia ao shopping. A um daqueles shoppings muito grandes onde há de tudo, desde pessoas a comprar casacos de dois mil euros a outras que andam a cravar tabaco na área da restauração. E era mesmo para a área da restauração que eu ia, jantar qualquer coisa com amigos e colegas. Sabe-nos sempre bem, depois de um dia de trabalho, aquele exercício de andar a tourear mesas em faenas triunfantes e poses de capote até chifrarmos uma mesa em que caibamos todos, de tabuleiro na mão, enquanto a sopa arrefece e a salada aquece. Logo que entrei no shopping, a preparar-me para a corrida, que a lide ia ser difícil, dirigi-me a uma caixa multibanco para levantar uns trocos do que me pinga das offsuores, que a vida é mais transpirar. E foi então que desatei aos gritos. Aos gritos. E não parava de gritar. Uma mão humana acenava-me de dentro do ecran do multibanco, uma mão masculina a querer dizer-me alguma coisa insistia em gesticular na minha direção de dentro do ecran do multibanco. Estava um homem preso dentro da caixa do multibanco. Fez-se logo ali um ajuntamento de gente a saber o que se passava com a moça, que era eu, e logo a seguir sai de detrás da parede um homem sorridente a dizer-me que tivesse calma, que era da manutenção e estava a tentar dizer-me para não usar a máquina. Pronto, não passou disto e tudo se acalmou. A parte chata foi ter de aturar os que entraram de manutenção ao serviço de me consolar, “imagino o susto que apanhou”. Por cada susto que se apanha, há sempre vinte pessoas que imaginam o susto que os outros apanharam. Isto, pelas estatísticas de estudos norte-americanos ainda não realizados.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salavador

(Título inventado na hora por Vítor Coelho da Silva – Inês, desculpe-me, mas era necessário)

Let’s open TheGreekFiles! | DiEM25 | Yanis Varoufakis

Today we’re launching #TheGreekFiles, a targeted campaign on EU transparency, one of the key values of our movement.

Here’s Yanis explaining the campaign in three minutes. Or read on below.

Deep in a vault in the headquarters of the European Central Bank (ECB) lie #TheGreekFiles, a legal opinion about the ECB’s role in snuffing out the Athens Spring in 2015.

If released, these documents could send shockwaves across Europe. And as a European taxpayer, you paid for them. But the ECB’s boss, ex-Goldman Sachs head Mario Draghi, says you can’t see them!

So former Greek Finance Minister Yanis Varoufakis and MEP Fabio de Masi, together with a broad alliance of politicians and academics, have announced they will file a mass freedom of information request to the ECB to uncover #TheGreekFiles once and for all.

If Mario says no, they’ll take the campaign to the next level, and consider all options – including legal action – to make this vital information public.

How can you help?

  1. Sign and share our Change.org petition
  2. Visit #TheGreekFiles campaign page to learn more about this action, including why its success is vital for our Union’s future
  3. Share this campaign with your contacts and through social media using #TheGreekFiles hashtag
  4. Contribute to DiEM25, so that we can continue this fight for as long as it takes.

We must all throw light on the lawfulness and propriety of ECB decision-making – starting with this case – to give European democracy a chance, as well as to make the ECB less vulnerable to power politics.

Will you, Vítor, join this campaign and add your name to our struggle?

YES, I want to help unlock #TheGreekFiles!

Carpe DiEM25!
Luis Martín
DiEM25 Communications Coordinator

Dmitri Hvorostovsky | Bright Is the Night

Ночь светла. Над рекой
Тихо светит луна.
И блестит серебром
Голубая волна.
Темный лес Там в тиши
Изумрудных ветвей
Звонких песен своих
Не поет соловей.
Под луной расцвели
Голубые цветы.
Они в сердце моем
Пробудили мечты.
К тебе грезой лечу,
Твое имя шепчу.
Милый друг, нежный друг,
По тебе я грущу.
Ночь светла. Над рекой
Тихо светит луна.
И блестит серебром
Голубая волна.
В эту ночь при луне
На чужой стороне,
Милый друг, нежный друг,
Помни ты обо мне.

Light is the Night. The moon is
Shining quietly over the river.
And there is silver moonshine
On the blue wave.
The forest is dark. The nightingale isn’t singing
Loudly its songs
On the emerald-green branches
Of the silent trees.
The blue flowers
Are in full bloom in the moonshine.
They have awakened dreams
In my heart.
I’m flying to you in my dreams,
Whispering your name.
My sweetheart, my darling,
I’m longing for you.
My darling, I’m still longing
For you this night.
My sweetheart, my darling,
I recall you in the moonlight ,
this night, still loving you
As much as always.
My sweetheart, my darling,
Remember me
Over there, in your homeland,
In the moonlight, this night.
My sweetheart, my darling,
Remember me…

David Bowie | Absolute Beginners

I’ve nothing much to offer
There’s nothing much to take
I’m an absolute beginner
But I’m absolutely sane
As long as we’re together
The rest can go to hell
I absolutely love you
But we’re absolute beginners
With eyes completely open
But nervous all the same

If our love song
Could fly over mountains
Could laugh at the ocean
Just like the films
There’s no reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It’s absolutely true

Nothing much could happen
Nothing we can’t shake
Oh, we’re absolute beginners
With nothing much at stake
As long as you’re still smiling
There’s nothing more I need
I absolutely love you
But we’re absolute beginners
But if my love is your love
We’re certain to succeed

If our love song
Could fly over mountains
Sail over heartaches
Just like the films
If there’s reason
To feel all the hard times
To lay down the hard lines
It’s absolutely true

Dia Mundial do Gato, Neco da minha rua | Inês Salvador

ines-200Na minha rua mora o Neco. O Neco é um gato. O Neco tem um dono, que é o dono do Neco e esta história começa todos os dias ao fim da tarde quando o dono do Neco vai passear o Neco à rua. O Neco passeia de trela pela rua como passeiam os cães. Não, não é assim que começa esta história, isso era dantes. Recomecemos a história. Os cães agora é que passeiam de trela pela rua como passeia o Neco. Assim pensa o Neco, todos os cães são gatos como ele e ele é o gato mais importante de todos. O Neco é o centro do mundo em desfile triunfante. Suave e firme, ondulante e negro, segura-nos com as esmeraldas que carrega nos olhos. Jaguar ou pantera, todo o mundo é dele. Primeiro os cães, e eles que se aproximem e que o adorem, para deles se afastar e ficar sozinho mais à frente. O Neco, que sabe tudo, deste e doutros mundos, sabe que ser o mais importante de todos é um lugar solitário e que da solidão dessa importância não pode vacilar. Segue-o o dono, na mera função de segurar a trela que o liga ao mundo. A trela é aparente. Um engodo que ilude todos, porque o Neco faz o que quer. Conhece-nos a todos, sabe quem somos e onde moramos, que lugar ocupamos na rua dele. E então espera-nos, escorrega-nos pelas pernas, depois pelas mãos, a salvar-nos do impulso de o querermos para sempre. Atiça-nos as esmeraldas com a promessa de voltar, se ele quiser, quando ele quiser. É ele que manda. Tem as verduras da frutaria para ver, e isso agora interessa-o mais. Vai cheirá-las a todas, indagar-lhes a forma, perscrutar as que estão debaixo, o que estiver escondido vai ser revelado. Tem uma rua para redescobrir todos os dias como se fosse a primeira vez. No cabeleireiro já o esperam, sabe-se desejado. O Neco é um sedutor, sabe tudo das pequenas grandes coisas das mulheres. Acaricia-lhes os pés, as mãos, conhece-lhes o verniz e a laca, certifica o champô e o penteado que se desenha no espelho. O Neco, se não fosse o gato mais importante do mundo, teria um cabeleireiro só para estar entre as mulheres, matreiro, de soslaio estudado, a todas garante serem as mais belas. Ser desejado é a sua profissão e na escola de condução também há expediente. O Neco, que sabe todos os códigos, talvez queira tirar a carta. De carro já anda, livre e solto, contra as normas, faz do dono motorista. De pêlo de veludo negro brilhante como seda, apresenta-se junto ao carro que sabe que é o seu. Aguarda a abertura da porta e entra para ficar à janela. O Neco gosta de passear de carro como um rei gosta de ver o seu reino. Atento e majestoso, vê para ser visto. É natural que todos o olhem, é a obrigação deles e, mesmo que não fosse, não poderiam resistir-lhe. É assim que arrasta o dono para a esquina onde se põem os dois num longo cigarro de fumaça contemplativa de quem passa, de tudo o que passa e se passa. O Neco já sabia tudo, está só a mostrar ao dono o tal segredo que é só deles. Se o mundo acabar é daquela esquina que o Neco vai ver. E depois do mundo acabar é naquela esquina que o Neco e o dono vão estar. Na esquina indestrutível do mistério que os une. Ali, indestrutíveis um do outro. E quando perguntamos ao dono como é aquilo possível, ouvimos-lhe na voz o Neco, suave e firme, ondulante de veludo e seda, e é “com todo o tempo do mundo” que nos responde. Todo o tempo do mundo é o tempo do amor, do sonho do amor, do amor de sonho. Do amor que fez do Neco o rei da nossa rua e guardião dos nossos sonhos.

Retirado do Facebook | Mural de Inês Salvador

Rolling Stones | Angie

Angie, Angie
When will those clouds all disappear?
Angie, Angie
Where will it lead us from here?
With no lovin’ in our souls and no money in our coats
You can’t say we’re satisfied
But Angie, Angie
You can’t say we never tried

Angie, you’re beautiful
But I hate that sadness in your eyes
Angie, I still love you baby
Remember all those nights we cried
All the dreams we held so close
Seemed to all go up in smoke
Let me whisper in your ear
Angie, Angie
Where will it lead us from here? Yeah

All the dreams we held so close
Seemed to all go up in smoke
Hate that sadness in your eyes
But Angie, I still love you baby
Everywhere I look I see your eyes
There ain’t a woman that comes close to you
Come on baby dry your eyes
But Angie, Angie
Ain’t it good to be alive
Angie, Angie, you can’t say we never tried.