Pontos de vista de um palhaço | Heinrich Böll | Sugestão de Mário Vargas Llosa

“‘Opiniões de um Palhaço’, sua novela mais célebre, é um bom testemunho dessa sensibilidade social escrupulosa maníaca. Trata-se de uma ficção ideológica, ou como diziam ainda na época em que apareceu (1963), ‘comprometida’. A história serve de pretexto para um julgamento religioso muito severo e moralista do catolicismo e da sociedade burguesa na Alemanha Ocidental do pós-guerra”, sentencia o afiado escritor (Mário Vargas Llosa).

[Imagem cortesia de dadevoti ao Portal Raízes. Texto original em espanhol de Edith Sánchez em A Mente é Maravilhosa. Matéria original no link: http://www.portalraizes.com/vargasllosalivros/]

DiEM25 | Novo Colectivo Coordenador

Os membros do DiEM25 votaram e emergiu um novo Colectivo Coordenador. Os vencedores como os candidatos, são representativos do nosso movimento: Intelectuais, artistas, activistas e cidadãos preocupados que estão representados nos resultados das eleições!

Fica a conhecer as mulheres e os homens que escolheste para guiar o nosso movimento nos meses que se avizinham!

  • Noam Chomsky, reeleito (76.2%) – 2942 votos
  • Virginia López Calvo ( 56.57%) – 2184 votos
  • Brian Eno, reeleito (49.31%) – 1904 votos
  • Renata Avila, reeleito (45.43%) – 1754 votos
  • Rosemary Bechler, reeleito (38.64%) 1492 votos
  • Eírini Mítsiou (35.15%) 1357 votos

Obrigado por participares neste importante processo democrático. Estas eleições tornam o nosso movimento mais forte, mais inclusivo e dizem ao mundoO DiEM25 está a trazer para a política uma revolução de cidadãos organizados!

Lê mais aqui sobre o processo de eleições para o CC e sobre os candidatos a quem deste o poder para nos ajudar a seguir em frente.

Aos nomeados cujas candidaturas não foram bem sucedidas, agradecemos por participarem e esperamos que continuem a trabalhar connosco. O CC é apenas uma das muitas maneiras que podemos ajudar a Europa a organizar-se através do DiEM25.

Temos também outras notícias para partilhar: o DiEM vai participar na Fête de l’Humanité em Setembro e está a decorrer um evento de crowdfunding, segue o link seguinte para fazeres a doação: https://internal.diem25.org/donations/to/fete.

Carpe DiEM!

Luis Martín » Coordenador de Comunicações do DiEM25

PS: O nosso partido político alemão Demokratie in Europe (DiE) acabou de negociar um acordo de cooperação eleitoral com outro partido político, o Demokratie in Bewegung (DiB).  Em breve haverá um voto.

Um raio-X da Inquisição em Minas Gerais | Neusa Fernandes | por Adelto Gonçalves

                                                          I

Como tantas manifestações sociais registradas na História do Brasil que sofreram um certo abrandamento ao longo dos tempos, também o antissemitismo foi amenizado e começa agora a passar por um revisionismo graças a pesquisas nos arquivos brasileiros e portugueses, que deixam claro que a Inquisição, por intermédio de seus comissários, familiares, padres e bispos, perseguiu, torturou e queimou muitos cristãos-novos, especialmente os mais abastados. É o que mostra a historiadora Neusa Fernandes em A Inquisição em Minas Gerais no século XVIII (Rio de Janeiro, Mauad Editora, 2014) e A Inquisição em Minas Gerais: processos singulares (Rio de Janeiro, Mauad Editora, 2016).

Em suas pesquisas, a professora valeu-se principalmente dos processos inquisitoriais que estão no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, que revelam que os cristãos-novos alcançados pelas malhas da Inquisição, na maioria, estavam envolvidos no comércio do ouro e diamantes e de escravos, ainda que se

dedicassem a outras práticas comerciais.  Através das redes comerciais espalhadas por Portugal, Brasil e várias regiões da África, esses cristãos-novos alcançaram notoriedade social e até mesmo poder em suas comunidades, o que lhes garantia a segurança necessária para que continuassem a desenvolver as práticas judaicas, de que nunca se desvinculariam.

Mas, como mostra a historiadora, essas práticas só começaram a incomodar as classes poderosas a partir do momento em que as atividades comerciais desenvolvidas por esses cristãos-novos passaram a subverter o projeto metropolitano que queria a colônia voltada para o comércio exterior, ou seja, para o fornecimento de matérias-primas para os grandes comerciantes de Portugal, que, como se sabe, eram também dependentes daqueles círculos europeus mais fortes, especialmente ingleses, holandeses, franceses e italianos. Aliás, como registrou em 1755, à época do terremoto, o insuspeito ministro Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o marquês de Pombal, no século XVIII, “Portugal estava sem poder e sem força, e todos os seus movimentos eram regulados pelos desejos da Inglaterra” (vol. 2, pag.239).

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Citando | Agostinho da Silva

“Les plus faibles courent devant leurs émotions une porte ondulée d’ironie. Les plus forts, cependant, et je désire que tu sois du plus fort, sont enfermés dans un palais de silence. ”

“Chaque fois que je ressens plus que si je ne peux pas percevoir ce qu’il serait essentiel de percevoir, mais j’agis toujours comme si j’étais convaincu du contraire, ou, en d’autres termes, je ne renonce pas.”

“Voici un conseil qui peut servir votre philosophie: ne vous forcez pas; soyez un pêcheur patient dans cette rivière d’existence. Ne forcez pas l’art, ne forcez pas la vie, l’amour, ou la mort. Que tout se passe comme un fruit mûr qui s’ouvre et jette les graines fructueuses sur le sol. Qu’il n’y ait aucun geste qui perturbe votre vie dans le désir de vivre. ”

Agostinho da Silva, “Sept lettres à un jeune philosophe”

Em 1990 a direita recusava a vinda de Le Pen a Portugal | Francisco Louçã in Jornal Expresso

Em 1990 a direita recusava a vinda de Le Pen a Portugal. Em 2018 indigna-se porque Marine Le Pen foi desconvidada. O que fez virar a direita?

No dia 5 de julho de 1990, algumas centenas de personalidades protestaram por escrito contra a vinda de Le Pen a Portugal. Apelidaram os que com ele se reuniam em Sesimbra como “pessoas não gratas” e o Presidente da República denunciou a iniciativa. Entre quem então recusou a vinda de Le Pen estava gente grada do CDS (Freitas do Amaral, Francisco Lucas Pires, Basílio Horta, António Lobo Xavier, Abel Pinheiro, Narana Coisssoró) e do PSD, então no governo (Emídio Guerreiro, Manuela Aguiar, Pedro Roseta, Montalvão Machado, Rui Carp, Guilherme Silva).
Em 2018, em contrapartida, a direita levantou-se indignada por Marine Le Pen não vir à Web Summit. Nuno Melo, no seu estilo leve, gritou contra a má educação do desconvite. Os jovens turcos do PSD multiplicaram-se em explicações atabalhoadas sobre como estariam na primeira fila a ouvir Le Pen e a detestá-la mesmo muito. O Observador explodiu em amargura, anunciando que vivemos em “fascismo obrigatório” (Helena Matos, secundada pelo inimitável Alberto Gonçalves) ou que Le Pen foi alvo de um “ataque fascista” (Sebastião Bagulho), mais uns salamaleques de Rui Ramos e por aí adiante, há sempre um concurso de Constanças naquele panfleto quando há festa ou festança. 

O que é que então mudou na direita portuguesa para que em 1990 protestasse contra Le Pen e em 2018 acarinhasse a vinda da sua herdeira? E para que em 1990 achasse que a democracia é uma barreira e em 2018 defenda que Le Pen deve ser normalizada? Vale a pena reparar nesta transformação porque é um sinal. Há a razão pretextual: se a esquerda critica o convite a Le Pen, a direita quer Le Pen. Mas isso é só pavloviano. Há ainda a razão ideológica, relançar o refrão da Guerra Fria: a esquerda combate os fascistas por ser igual. Mas isso também é grotesco. Há outro motivo, esse mais importante, e é que a direita está encantada com Steve Bannon e Trump, achando que, como só tem a propor o sofrimento ao povo, a forma de ganhar eleições é espalhar ódio.
O episódio do convite a Le Pen, em si, não vale nada, é só uma tontice de Cosgrave. Mas a fúria convidativa da direita revela algo muito importante: a partir de agora, toda a sua política será suja. Vale tudo. Vamos ter salada ideológica, campanhas de calúnias, blogs falsos, imprensa escandalosa. Bannon é o mestre.

Francisco Louçã

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã

Os 4 (+1) inimigos das pontes | Engº Fernando Branco com Virgílio Azevedo in Jornal Expresso

Fernando Branco, professor catedrático do Instituto Superior Técnico, explica ao Expresso quais são os fenómenos que ameaçam as pontes. E diz que o mais recente ainda não tem solução.

odas as pontes são vulneráveis e podem cair se não tiverem inspeções e obras de manutenção regulares e adequadas. A falta de manutenção é, assim, o primeiro grande inimigo global das pontes, mesmo das que foram concebidas com base nas tecnologias mais avançadas, e não apenas as construídas nos anos 60 do século passado, como a Ponte Morandi (1969), que caiu em Génova provocando a morte a 43 pessoas.

Mas há mais quatro inimigos muito concretos (e um outro mais genérico), quatro fenómenos físicos e químicos que podem levar à sua degradação progressiva e, nos casos mais extremos de incúria e de falta de manutenção, ao seu colapso fulminante: a carbonatação, os cloretos, a fadiga e a reação alcali-sílica. Fernando Branco, especialista em engenharia de estruturas e professor catedrático do Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico (IST), onde dirige a secção de construção, explica ao Expresso como atuam estes inimigos que ameaçam a segurança de passageiros, automóveis, motos, autocarros, camiões e comboios.

O professor é também presidente da IABSE (Zurique), a mais antiga associação científica mundial desta área (100 países membros), e ainda autor com Jorge de Brito, outro catedrático do IST, do livro “Handbook of Concrete Bridge Management”, editado em 2004 pela associação de engenheiros civis dos EUA (ASCE). O livro foi durante anos um dos manuais de referência na construção de pontes neste país e ainda hoje continua a ser vendido, apesar da evolução tecnológica dos últimos 14 anos.

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AÍ ESTÁ “O LADO OCULTO”! | José Goulão

http://oladooculto.com é o endereço do novo semanário digital de informação internacional “O Lado Oculto”, que entrou agora online com uma edição experimental, o Número 0.

Nesta edição encontrará o leitor as informações essenciais sobre a publicação, que tem como mensagem de apresentação a frase “Antídoto para a propaganda global”. É mesmo isso que este colectivo de jornalistas seniores de muitas nacionalidades pretende trazer-vos, uma informação alternativa à desinformação dominante. Na edição experimental estão igualmente disponíveis as informações para proceder à assinatura.

A partir de agora “O Lado Oculto” deixou de ser nosso: está nas vossas mãos!

CONDIÇÃO FEMININA NUMA SOCIEDADE MACHISTA | António Galopim de Carvalho

(In “Évora, anos 30 e 40”, em preparação)

Depois do jantar, os homens saíam a caminho dos seus interesses. Fossem ricos, remediados ou pobres, a regra era essa. As mulheres ficavam em casa. Prisioneiras das responsabilidades que, tradicionalmente, lhes eram atribuídas, continuavam no exercício das tarefas domésticas e, ao mesmo tempo, a cuidar dos filhos. Destes, os mais pequenos faziam os trabalhos da escola ou brincavam, muitas vezes na rua, à porta da casa, sempre aberta. Nas famílias sem posses para terem criadas, competia às mães e às filhas com idade para ajudar, levantar a mesa, lavar a loiça, arrumar a cozinha e, as mais das vezes, costurar.

Eram as mães que, contra elas próprias, educavam as filhas e os filhos a perpetuarem os hábitos da sociedade machista em que cresci e me fiz homem, numa vivência estimulada pela Igreja e pelo poder político da época. Jovem casadoira, qualquer que fosse a sua condição, já sabia que o seu lugar ia ser no lar ou no ninho como algumas e alguns gostavam de dizer. Ao contrário das mulheres do campo, eram poucas as da cidade com trabalho fora de casa. Grande número destas, uma vez casadas, abandonavam o emprego, para se dedicarem à casa e aos filhos.
No mundo rural não era assim. Pobres por condição e tradição, mães com ou sem filhos e raparigas adolescentes tinham mesmo de trabalhar sempre que as oportunidades surgissem e essas oportunidades eram, sobretudo, a monda, a ceifa e a apanha da azeitona.

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Santana Lopes e suicídio das velhas baratas | Carlos Matos Gomes

Santana Lopes e suicídio das velhas baratas.

O Partido Santana Lopes, os reis que vão nus. Desde logo: o rei que vai nu não é o Pedro Santana Lopes. Os reis que vão nus são o BE, que não é radical nem revolucionário, é o PC, que não é comunista, é o PSD, que não é social democrata, é o CDS que não é democrata cristão. Resta o PS, que se assumiu desde o comício da Fonte Luminosa, em 1975 como o “rassemblement” de sociais democratas e democratas sociais, no sentido que a social democracia e a encíclica Rerum Novarum de Leão XIII tomaram no pós-guerra e na guerra fria.

Esses é que vão nus: não têm roupagem ideológica que lhes cubra o corpinho. Nem o BE nem o PC podem (nem querem, nem existem as tais condições objectivas) fazer qualquer mudança estrutural do regime demo capitalista, nem o PSD e o CDS podem fazer mais do que fazem: alterações pontuais na distribuição da riqueza entre assalariados e gestores, com o grosso a ser acumulado pelo sistema financeiro.

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Caminante no hay camino | Antonio Machado Ruiz

Todo pasa y todo queda
Pero lo nuestro es pasar
Pasar haciendo caminos
Caminos sobre la mar

Nunca perseguí la gloria
Ni dejar en la memoria
De los hombres mi canción
Yo amo los mundos sutiles
Ingrávidos y gentiles
Como pompas de jabón

Me gusta verlos pintarse de sol y grana
Volar bajo el cielo azul
Temblar súbitamente y quebrarse
Nunca perseguí la gloria
Caminante son tus huellas el camino y nada más
Caminante, no hay camino se hace camino al andar

Al andar se hace camino
Y al volver la vista atrás
Se ve la senda que nunca
Se ha de volver a pisar
Caminante no hay camino sino estelas en la mar

Hace algún tiempo en ese lugar
Donde hoy los bosques se visten de espinos
Se oyó la voz de un poeta gritar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar

Golpe a golpe, verso a verso
Murió el poeta lejos del hogar
Le cubre el polvo de un país vecino
Al alejarse, le vieron llorar
“Caminante, no hay camino, se hace camino al andar”

Golpe a golpe, verso a verso
Cuando el jilguero no puede cantar
Cuando el poeta es un peregrino
Cuando de nada nos sirve rezar
Caminante no hay camino, se hace camino al andar

Golpe a golpe, verso a verso

 

Antonio Machado, Cantares

Retirado do Facebook | Mural de Sónia Soares Coelho

“O LADO OCULTO” | FALTA UMA SEMANA | José Goulão

Na próxima sexta-feira, 24, o novo semanário digital de informação internacional “O Lado Oculto – Antídoto para a propaganda global” estará disponível neste endereço: https://www.oladooculto.com/

Será o Número Zero, uma edição experimental posta à disposição gratuitamente para avaliação dos eventuais leitores e angariação de assinaturas. No dia 7 de Setembro iniciar-se-á a publicação semanal regular. Os preços das assinaturas serão de 16 euros (anual), 10,50 euros (semestral) e 3,20 euros (seis números). Abrimos a oporunidade para todos os que acreditam no papel da informação independente se tornarem “assinantes solidários”, contribuindo com uma verba voluntária além do valor da assinatura. “O Lado Oculto” dependerá unicamente dos seus assinantes.

Como aperitivo podemos desde já anunciar que no Número Zero exporemos a “Liberdade Duradoura” que a NATO instaurou no Ageganistão em 17 anos de ocupação; faremos a anatomia do mais recente golpe na Venezuela, da séria confrontação entre Estados Unidos e a Turquia, que passa bem pelo interior da NATO e assusta o globalismo neoliberal; e explicaremos o acordo viciado entre Juncker e Trump, que apenas serve a indústria automóvel alemã. O Brasil em luta pela independência estará também nesta edição experimental.

Quem, até ao momento, não disponibilizou o endereço de e-mail para receber a newsletter anunciando o entrada online poderá fazê-lo para assinantes@oladooculto.com; também pode ir tentando oendereço www.oladooculto.com a partir de dia 24. Aqui encontrará todas as indicações para concretizar a assinatura.
A todos quantos percebem a necessidade de uma verdadeira informação internacional livre e independente pedimos que sejam assinantes e, além disso, divulguem quanto puderem este novo endereço: WWW.OLADOOCULTO.COM

José Goulão

Escritora Rita Pinheiro e o poeta Valdeck Almeida de Jesus palestram na Colômbia

A Garimpeira da Cultura Rita Pinheiro e o articulador cultural Valdeck Almeida de Jesus participam da 16ª edição do Parlamento Internacional de Escritores da Colômbia (em homenagem a Emile Brönte), que acontece de 22 a 25 de agosto de 2018, em Cartagena das Índias, com exposição de livros, leitura de poemas e apresentações de recital.

Valdeck Almeida de Jesus, Embaixador do Parlamento para o Brasil, fará leitura de poemas e de um artigo sobre a cena poética da periferia de Salvador, bem como doará um exemplar do livro “Poéticas Periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana” ao presidente do Parlamento, poeta Joce Daniels. Esta coletânea reúne cem poetas das quebradas da capital baiana, e foi recentemente lançada na XXV Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Sarau da Onça e na Flipelô (edição paralela, na Casa do Benin, ambos em Salvador). Rita Pinheiro homenageará o escritor Valdeck Almeida de Jesus com uma exposição da vida e obra do jornalista jequieense. Além do mais, fará leitura de poemas e performance poética.

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Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa | Semifinalistas do Prêmio Oceanos 2018

Conhecidos os Semifinalistas do Prêmio Oceanos 2018

Classificaram-se 60 obras de escritores originários de seis diferentes países de língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Timor-Leste.

16 autores portugueses estão entre os Semifinalistas, divididos em 11 editoras

A primeira fase de votação do Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, uma parceria com o Itaú Cultural, definiu as 60 obras que se classificaram para a fase intermediária e os nove jurados que definirão os dez finalistas da edição de 2018 (na qual concorrem, exclusivamente, obras publicadas em primeira edição no ano de 2017).

Com patrocínio do Itaú, da República de Portugal (por meio do Fundo de Fomento Cultural Português) e da CPFL Energia o prêmio já apresenta, de modo significativo, os efeitos da abertura das inscrições para todo o universo da língua portuguesa. Iniciado no ano passado, esse processo de ampliação tem o sentido de promover o intercâmbio editorial e difundir autores de diferentes nacionalidades para além das fronteiras de seus países de origem.

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João Paulo Oliveira e Costa | ‘Antes dos descobrimentos nenhum ser humano sabia como era o planeta’ | in Jornal “Sol”, com José Cabrita Saraiva

Foi um dos académicos que se pronunciaram contra a construção de um Museu dos Descobrimentos em Lisboa. Mas também não se identifica com aqueles que consideram os Descobrimentos uma tragédia. ‘Os portugueses agregaram o mundo’, resume. ‘Não fomos os maiores, mas fomos importantes – e somos’.

Catedrático do departamento de História da FCSH (Universidade Nova de Lisboa), João Paulo Oliveira e Costa recebe-nos no seu gabinete com vista para a igreja de N. Sr.ª de Fátima, de Porfírio Pardal Monteiro. Geralmente conotado com a direita, o historiador faz questão de nos mostrar uma fotografia tirada na Festa do Avante. Mostra uma pintura mural, como uma frase em grandes parangonas: ‘Os Lusíadas exaltam a maior contribuição coletiva do povo português para o progresso humano: os Descobrimentos, a abertura das relações através dos oceanos, num processo histórico ainda hoje não terminado. Processo que tem incluído (e continua a incluir), desumanidades colonialistas e imperialistas’. «Esta para mim é a visão mais equilibrada do processo dos Descobrimentos», comenta. Com uma vasta obra sobre o assunto (e perto de 40 anos de estudo), João Paulo Oliveira e Costa foi um dos signatários de uma carta publicada no semanário Expresso contra a criação de um Museu dos Descobrimentos na capital. Ao SOL, explica porquê, mas também por que não concorda com algumas das críticas que estavam implícitas nesse texto.

Temos a ideia de que os Descobrimentos são um tema tão estudado que se torna pouco estimulante para um historiador. Esta polémica vem desmentir essa ideia?

Se estamos a falar estritamente das viagens de exploração, há muito pouco a acrescentar. Ninguém consegue acrescentar muito às viagens de Vasco da Gama e de Bartolomeu Dias, às explorações que levaram os portugueses ao Japão ou mesmo às explorações no interior do Brasil.

Está tudo estabelecido?

Aí sim. Mas se falarmos de uma coisa muito mais vasta que é a Expansão desde o início do século XV, com a conquista de Ceuta, até à independência de Macau em 1999 e de Timor em 2002, esse processo tem pano para mangas e muitos temas que continuam completamente virgens. Portanto o tema da Expansão…

… é quase inesgotável.

E universal. Ainda na passada semana assinámos um acordo com uma fundação saudita que quer conhecer toda a documentação que há em Portugal acerca da Arábia.

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Esta palavra “Descobrimentos”…! | LUÍS REIS TORGAL | in Jornal Público

É bom discutir conceitos, mas é necessário, fundamentalmente, ir muito além das palavras.

Uma discussão efémera e sem consequências?

Não sei porque acabei por vencer o meu comodismo de aposentado para vir discutir a questão do uso do nome “Museu dos Descobrimentos”.

O certo é que não acredito muito nestas discussões, em geral supérfluas e efémeras, por mais interesse que tenha a sua temática. Não levam geralmente a nada, pois os responsáveis pelas decisões finais são, normalmente, os poderes instituídos. Vejam o que se passou com os feriados: houve em 2012 argumentos sérios de historiadores e cidadãos contra a sua abolição ou suspensão. Nenhum argumento significativo se esboçou a favor dessa eliminação, a não ser o do puro pragmatismo. E, todavia, quatro feriados foram “suspensos” ou “extintos”, até que outro governo, com outra ideologia, decidiu trazê-los de volta.

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Em busca da transcendência na poesia de João Cabral | por Adelto Gonçalves

I

Fazer uma leitura teológica da poesia de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), autor consagrado pelo poema dramático “Morte e vida severina”, foi a que se propôs o jornalista, pesquisador e professor Waldecy Tenório em sua tese de doutoramento “A bailadora andaluza: a lucidez, a esperança e o sagrado na poesia de João Cabral”,  defendida em 1995 na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), sob a orientação do professor Franklin Leopoldo e Silva.

O ensaio foi publicado no ano seguinte pela Ateliê Editorial, de São Paulo, com o título A bailadora andaluza: a explosão do sagrado na poesia de João Cabral, com prefácio do professor João Alexandre Barbosa (1937-2006) e, se vivêssemos num país menos inculto, certamente, já teria tido várias reedições. Mas, hoje, talvez por essa mesma lamentável razão, ainda se pode adquirir pela Internet um exemplar da primeira edição por módico preço.

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Da nau encalhada à Descoberta discreta, um museu aos tropeções | João Pedro Pincha | in Jornal Público

19 de Maio de 2018

Um museu para os Descobrimentos não é ideia nova. Já se quis uma nau à beira-rio, já se quis um pólo interactivo que contasse a História a partir da língua. As Descobertas incendiaram o debate, mas agora é de Descoberta que se fala. Faz diferença? E sobretudo: será que é desta?

Dia 22 de Maio de 2015. Um dia depois de ser finalmente inaugurado o novo Museu Nacional dos Coches, em Belém, Fernando Medina chamava os jornalistas aos Paços do Concelho para testemunharem a assinatura de um “protocolo de formalização de interesse” na construção de um núcleo museológico dedicado aos Descobrimentos. Com o nome provisório de Pólo Descobrir, o projecto tinha a particularidade de incluir a instalação de uma nau, com cerca de 40 metros de comprimento, na Ribeira das Naus.

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SOBRE O AQUECIMENTO GLOBAL | António Galopim de Carvalho

No tempo que estamos a viver, em que todos os dias se fala, e bem, do aquecimento global e consequentes manifestações atmosféricas, com magnitudes extremas, não raras vezes catastróficas, a acontecerem com frequência alarmante, fora das épocas e do lugares. Estamos a assistir a mudanças climáticas que constantemente ouvimos dizer serem da inegável responsabilidade da sociedade de consumo, um processo que continua a passar ao largo das preocupações do presidente do segundo país mais poluidor do mundo (o primeiro é a China).

Não em defesa da estúpida teimosia do senhor Trump, importa, todavia, reflectir sobre o que tem sido o sobe e desce da temperatura do planeta, nos derradeiros milhares de anos, à escala global, e o consequente sobe e desce do nível geral da superfície do mar.

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Mesa Farta de Literatura Negra e Periférica na Casa do Benin | Valdeck Almeida de Jesus

Literatura e Culinária enriquecem o cardápio de atividades da

Casa do Benin durante a 2ª FLIPELÔ

Entre os dias 09 e 12 de Agosto, a Casa do Benin (Rua Baixa dos Sapateiros, 7 – Pelourinho) se junta à movimentação da 2ª FLIPELÔ e oferece ao público uma programação especial que envolve literatura, culinária, música e muito mais. Com destaque para a produção literária negra e da periferia da cidade, a mesa da Casa do Benin será, literalmente, bem servida. A comida afrodiaspórica da chef Angélica Moreira, do Ajeum da Diáspora, dará o sabor para rodas de conversas literárias, performances poéticas, apresentações musicais, além de um encontro de saraus e de um slam (batalha poética). Também acontece uma feira livre com livros e produtos afins.

A Casa do Benin é um dos espaços culturais administrados pela Prefeitura Municipal de Salvador, através da Gerência de Equipamentos Culturais (GECULT) da Fundação Gregório de Mattos (FGM). Assumindo a idealização e coordenação geral da iniciativa, o gerente da GECULT, Chicco Assis, explica que a participação da Casa do Benin na Festa Literária exalta dois expoentes da literatura soteropolitana – a produção literária negra e das periferias. Segundo o gerente, “Salvador, que há muito se destaca no cenário literário nacional e internacional, graças a obra de inúmeros dos seus escritores negros, tem sido bastante fortalecida atualmente pelos movimentos que tem acontecido nas periferias da cidade, capitaneados especialmente pela juventude negra, através saraus, slams e outros acontecimentos”.

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A propósito da polémica sobre o Museu das Descobertas. Equívoco, teimosias e hipersensibilidades | João Paulo Oliveira e Costa | in Diário de Notícias

12 Maio 2018

O equívoco

Seis meses depois das eleições autárquicas surgiu uma reacção a um dos pontos do programa eleitoral de Fernando Medina que propunha a criação de um Museu das Descobertas, o que suscitou uma carta, que também assinei, em que se criticava o nome do museu. No meu caso fi-lo por entender que o processo de expansão ultramarina portuguesa que deve ser musealizado é muito mais amplo, no tempo, no espaço e nas suas dinâmicas, do que a simples sequência de navegações e explorações dos séculos XV e XVI. Confundir a conquista de Ceuta ou de Goa bem como a colonização do Brasil, por exemplo, com os Descobrimentos é uma generalização errada que, no fundo, criou um mito. A carta saída no Expresso tinha como pretexto um hipotético museu, mas logo a polémica ficou centrada na palavra e nas suas leituras sem que ninguém tentasse discutir conteúdos. Estava criado o equívoco, se é que não foi um embuste.

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Por um Museu dos Descobrimentos | Luís Filipe Thomaz | in Jornal Observador

Os Descobrimentos portugueses não inauguraram o Paraíso na Terra, mas deram origem ao mundo moderno tal como o temos, com os defeitos e virtudes inerentes a toda a construção humana.

A intenção de organizar um “Museu das Descobertas” anunciada pelo presidente da Câmara de Lisboa suscitou uma reacção histérica. Se me perguntam se concordo com a ideia, respondo: plenamente. Se me perguntam pelo nome, não. Prefiro “Museu dos Descobrimentos”.

A nossa língua é rica em subtis cambiantes semânticos, pelo que, ao contrário do francês ou do italiano, faz uma diferença entre descoberta descobrimentoDescoberta usa-se sobretudo para coisas materiais e pode ser meramente fortuita: a descoberta do fogo na Pré-História, a do magnetismo terrestre pelos chineses da época Sung (960-1279), a da radioactividade pelo casal Curie, ou do ouro na Austrália, no século XIX.

Ao invés descobrimento denota um processo activo e voluntário de exploração geográfica, como em 1972 mostrou Armando Cortesão no seu artigo “Descobrimento” e Descobrimentos na revista Garcia de Orta. Eu dediquei-lhe um artigo relativamente extenso que enviei para publicação na revista Brotéria, onde, espero, sairá logo que haja paginação disponível. Aqui, não pretendo senão deixar um breve apontamento.

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Os Donos do Mundo | Pedro Baños

Pedro Baños revela-nos as táticas e os segredos dos países para dominar e influenciar à escala mundial, incluindo através da religião. Recorrendo a vários exemplos reveladores, o autor mostra-nos ainda as estratégias clássicas – todas com uma base de hipocrisia e aproveitamento das fragilidades alheias – e aponta os erros do passado que continuam a repetir-se e que são inerentes à condição humana. As regras do jogo podem ter mudado, mas há princípios imutáveis.

Uma análise reveladora sobre as principais estratégias de manipulação implementadas pelos países para manter e reforçar o seu poder ao longo dos séculos.

Pedro Baños é coronel do Exército na reserva. Diplomado pelo Estado-Maior de Espanha, é um dos maiores especialistas em Geopolítica, Estratégia, Defesa, Segurança, Terrorismo, Inteligência e Relações Internacionais. Casado e pai de três filhos, é atualmente analista e conferencista.

Osipova’s Pure Dance

According to Sadler’s Wells the description has changed a little for Osipova’s Pure Dance

“Superstar ballerina Natalia Osipova brings together a handpicked programme of exciting and eclectic dance works, taking the audience on a journey from the world of classical ballet to contemporary repertoire.

Osipova will dance Anthony Tudor’s The Leaves are Fading and Roy Assaf’s Six Years Later , alongside three brand new works by Alexei Ratmansky , Iván Pérez and Yuka Oishi that have been specially commissioned for the programme.”

A Noite é dos Pássaros | Edmar Monteiro Filho | por Adelto Gonçalves

Queiramos ou não admiti-lo, somos uma Nação fundada sobre a escravidão, e não apenas dos povos africanos, oficialmente extinta há pouco mais de cem anos, mas também dos povos que aqui viviam antes da chegada da esquadra de Cabral, em 1500. De fato, não estamos sozinhos num concerto mundial em que a violência tem origem nas diferenças não apenas de cor da pele como também de crença, de origem, de convicção política e tantas outras. Mas sofremos especialmente as consequências de um feixe de misérias ocasionadas pelo tratamento de seres humanos como bestas durante centenas de anos. Ainda hoje, há os escravos com carteira assinada, os escravos sem segurança, sem garantias, os escravos humilhados pela necessidade absoluta.

Aquele que domina e escraviza entende o outro como inferior, criatura vinculada ao conceito de utilidade, seja para realizar as tarefas que o dominador não deseja ou não está apto a realizar, seja para dar prazer ou simplesmente alimentar a vaidade de deter a posse de outro ser humano – ainda que, no mais das vezes, tal domínio venha justificado pela negação da humanidade do escravizado. Assim, a escravidão nasce da diferença que se autoriza a suprimir a dignidade ao outro, na medida em lhe retira não apenas a liberdade, mas a autodeterminação.

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Conto da moral de Alfama | Carlos Vale Ferraz (pseudónimo de Carlos Matos Gomes)

Vivo entre evangélicos e Portugal é um país de cristãos desde a fundação.
Não percebo porque existem bancos em Portugal.
De vez em quando batiam-me à porta, aqui em Alfama, transparentes e de olhos revirados, aos pares, quase sempre, a darem-me indicações para alcançar o Céu, entre os fumos das sardinhas.
Sempre preferi oferecer-lhes um copo de vinho. O gato chegava-se à minhas pernas e miava enquanto eles me catequizavam.
Há dias que só me falam de usura. Retorqui, espantado – vivo por cima de uma casa de penhores, de prego, vá lá. Perguntei: A agiotagem não tem a aprovação do vosso Deus? Responderam – e eram americanos:
– Não há coisa mais desprezível para um ser humano (especialmente para um cristão), do que aproveitar do necessitado para ganhar um dinheirinho (jurinhos).
– É revoltante essa situação! – adiantou o coadjuvante do primeiro catequista. – E pensar que muitos cristãos vivem disto, aqueles que se esperam expressar o amor de Jesus Cristo! Antes era só judeus. Mas foram todos para Israel aviar palestinianos…
– Pois é, o engenheiro Jardim Gonçalves, com uma pensão de 2 milhões por ano é capaz de ser agiotagem e ele é cristão. E os Espirito Santo, que até tinham capela em casa?
– Um assunto de suma importância para a vida do cristão, é o controle financeiro. Eles são especialistas. Ou foram…
– Claro, afinal, a nossa vida deve ser de culto, louvor e adoração a Deus em todos os sentidos.
– Tudo o que fazemos deve refletir Cristo em nós.

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Europa marítima e Europa continental - novos papéis | Carlos Matos Gomes

Substituir a Inglaterra como a potência marítima da Europa

A Europa, pelo menos desde as cruzadas, dividiu-se e articulou-se segundo dois polos: um polo atlântico, que fez dela uma potência marítima, e que incluiu as Ilhas Britânicas, a Holanda e Portugal, e um polo continental constituído com base no império de Carlos Magno, com a França, a Alemanha e o Norte de Itália, ao qual se associou a Espanha, que construiu um império nas Américas e no Pacífico (Filipinas), absorvido pelos ingleses.

Estes dois eixos mantiveram-se até à II Guerra Mundial. Nós, portugueses, pertencemos desde sempre ao “círculo” marítimo — a Batalha de Aljubarrota e o casamento do novo rei com Felipa de Lencastre são um exemplo, o apoio à restauração da soberania através de um rei português e a expulsão da rei espanhol é outro, assim como o decisivo apoio inglês contra as invasões napoleónicas. Até o ultimato inglês a propósito da presença portuguesa numa área de África é, no fundo, uma imposição da pertença de Portugal no “círculo” da potência marítima contra a tentação de se aliar à potência continental, na altura a Alemanha de Bismark.

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Perigiali [George Seferis] | Mikis Theodorakis | “On the seashore” | Singer: Maria Farantouri

“On the seashore” is a song by Mikis Theodorakis made on a poem by the great Greek poet George Seferis. It is a poem about inevitable changes in our lives where we have to let go of things we love and cherish and move on. The song was written in 1962 . It is a song that carries many of the distinct colours, phrases and sesnsations that make up what is Greece and I tried to couple those with photos that carry these feelings as well. Here it is performed by Maria Farantouri.

Denial In a hidden seashore white as a dove we found ourselves in midday, thirsty, but the water undrinkable. On the golden sand we wrote her name, how beautifully the breeze came and erased the writing. We started our life with all our heart, all our breath, all our passion — a mistake! and we changed our life. George Seferis was the pen name of Georgios Seferiadis (1900 — 1971). He was one of the most important Greek poets of the 20th century, and a Nobel laureate. He was also a career diplomat in the Greek Foreign Service, culminating in his appointment as Ambassador to the UK, a post which he held from 1957 to 1962. Mikis Theodorakis , born July 29, 1925, is one of the most renowned Greek songwriters and composers. Internationally, he is probably best known for his songs and for his scores for the films Zorba the Greek), and Serpico. Politically, he identified with the left until the late 1980s and has consistently opposed oppressive regimes and was the key voice against the Greek Junta 1967-1974, which imprisoned him. Maria Farantouri ,born in 28 November 1947, is a Greek singer and also a political and cultural activist. She has collaborated with prominent Greek composers such as Mikis Theodorakis

“Poéticas Periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana” | Lançamento do livro em 04 de agosto de 2018

 Segue, em anexo, release como sugestão de pauta sobre o lançamento do livro “Poéticas Periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana”, que acontece dia 04 de agosto de 2018, das 14:30 às 16:30h, no estande da PerSe Editora, na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
O livro reúne 100 poetas de saraus e slams de poesia de várias quebradas de Salvador, apresentação de Tia Má (Maíra Azevedo) e prefácios de Day Borges (Coletivo de Entidades Negras) e Geilson dos Reis (Sarau Arte Livre – UNEB).

Galinha Pulando lança livro com cem poetas na Bienal de São Paulo

A antologia “Poéticas periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana”, reúne textos de poetas da periferia de Salvador-BA e será lançada no dia 04 de agosto de 2018 (sábado), das 14:30 às 16:30hs, no Estande N010 da PerSe Editora, na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Contemplado pelo Calendário das Artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBA), o livro reúne cerca de 100 autores e é resultado do trabalho coletivo de vários protagonistas de saraus, slams, grupos e coletivos de artistas da palavra, oriundos das periferias de Salvador. Textos de apresentação: Tia Má, Dhay Borges e Geilson dos Reis. Capa de Marcos Paulo Silva e Alisson Chaplin. A juventude da Bahia ocupa o centro e os bairros de Salvador como nunca antes na história, em luta, através da poesia, por espaço na cena literária e contra as opressões como racismo, genocídio dos jovens negros, intolerância religiosa etc. São centenas de grupos de saraus que recitam em ônibus, praças, esquinas. Este livro é uma compilação de parte dessa produção poética.

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Revista “Outros Ares” | Entrevista a Liudmila Petruchévskaia | por Ernane Catroli

A ideia de entrevistar Liudmila Petruchévskaia veio naturalmente, logo após terminar de ler “Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha”, primeiro livro da autora publicado no Brasil (pela editora Companhia das Letras e traduzido direto do russo por Cecília Rosas).

Como afirmo em uma das perguntas, os contos de “Era uma vez…” mais parecem misturar fantasia com realidade, em vez do contrário. Nesse caso, a ordem dos fatores altera, sim, o produto. Há uma grande diferença entre ler uma história cujo cenário é real, verossímil, e de repente deparar com um elemento fantástico, e ler um conto cuja atmosfera, desde seu início, é soturna, misteriosa, às vezes beirando o místico, e de repente a realidade vir à tona, puxando o nosso tapete. Assim são os contos de Liudmila.

São contos fantásticos, apesar de a realidade estar lá, muito presente, viva. E o estranhamento que essa mistura em ordem e dosagens diferentes causa no leitor é muito marcante. Os contos de Liudmila são encantadores, mas num sentido quase perverso. Mas faço questão de frisar: eu escrevi “quase”, porque os contos de Liudmila também são maravilhosos, de extrema qualidade literária. E, como diz a autora numa das respostas abaixo, são muito simples.

Na entrevista que você lerá a seguir, Liudmila fala sobre sua passagem por sanatórios quando criança, por causa de uma tuberculose; sobre a censura que sofreu, e ainda sofre, na Rússia; sobre de onde vêm suas histórias; dá uma alfinetada em Nabokov e outras coisas mais.

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António Barahona | “Acredito que não se morre, muda-se de estado” | Entrevista de Diogo Vaz Pinto in Jornal “i”

Os 80 anos não foram o suficiente para enxotar o seu ânimo mais desavergonhado mas, para Barahona, a beleza não sobrevive sem algum pudor

Foto de Hugo Alves

Beco dos Birbantes, velha cicatriz de quantos golpes, é um desses traços a que só se chega sendo muito íntimo de uma cidade. Já aparecia referido antes do terramoto de 1755, e aí, no que ficou de uma antiga vila operária, vive um grande poeta português. Na rua estreitíssima, sem saída, o sol só passa a língua, brevemente, a sombra pouco aquece e Lisboa sente-se encostada a uma escrupulosa saudade. À volta, há uns anos, as muralhas dissimuladas dos condomínios de luxo. E ele tem rejeitado propostas para abandonar a casa que explica em termos modestos a riqueza de viver na capital como numa aldeia. Vive ali há anos, com os filhos adolescentes e a mulher, bem perto do Jardim do Torel, que se debruça sobre uma vista agreste da selva de betão. Fizemos as fotografias e ele posou com toda a paciência, desinteressado de como pudesse ficar. Um homem que a morte há-de descobrir ainda muito belo, “contraditório, puro, sábio”, alguém que, a um ano dos 80, sente a vida envolta em beleza, ainda que avance sobre o caos e as trevas. Num trabalho que o vem ocupando nos últimos anos e que o terá até ao último fôlego, este colega de Camões, Cesário e Camilo Pessanha tem reescrito toda a obra e acaba de publicar o sexto tomo da sua suma poética – “Aos Pés do Mestre” (ed. Averno). Confessou-nos a tristeza de ficar sozinho cada verão, quando os filhos fazem férias na praia. Um homem que não se cansa de amar não chega a ver a velhice. António Barahona, o benjamim do grupo do Café Gelo, foi pai aos 26 – o mais novo dos nove filhos tem hoje 14 anos. Viajou muito, converteu-se ao islão quando tinha 30, entrou em inúmeras polémicas, perdeu alguns amigos, mas tem feito mais. É desses cujo talento começa na sua capacidade de admiração. Fala dos amigos como “jardins suspensos do meu repouso, árvores com folhas todo o ano”. Tem–se batido contra o acordo ortográfico, medida que o fez adoptar uma ortografia pessoal. Esta é hoje o mais eloquente libelo contra a “burrocracia” que, em nome de uma imbecil uniformização da língua, tem desfigurado a sua beleza. Continuar a ler

The Ignorant Do Not Have a Right to an Audience | By Bryan W. Van Norden, professor of philosophy | in New York Times

On June 17, the political commentator Ann Coulter, appearing as a guest on Fox News, asserted that crying migrant children separated from their parents are “child actors.” Does this groundless claim deserve as much airtime as, for example, a historically informed argument from Ta-Nehisi Coates that structural racism makes the American dream possible?

Jordan Peterson, a professor of psychology at the University of Toronto, has complained that men can’t “control crazy women” because men “have absolutely no respect” for someone they cannot physically fight. Does this adolescent opinion deserve as much of an audience as the nuanced thoughts of Kate Manne, a professor of philosophy at Cornell University, about the role of “himpathy” in supporting misogyny?

We may feel certain that Coulter and Peterson are wrong, but some people feel the same way about Coates and Manne. And everyone once felt certain that the Earth was the center of the solar system. Even if Coulter and Peterson are wrong, won’t we have a deeper understanding of why racism and sexism are mistaken if we have to think for ourselves about their claims? And “who’s to say” that there isn’t some small fragment of truth in what they say?

If this specious line of thought seems at all plausible to you, it is because of the influence of “On Liberty,” published in 1859 by the English philosopher John Stuart Mill. Mill’s argument for near-absolute freedom of speech is seductively simple. Any given opinion that someone expresses is either wholly true, partly true or false.

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Não, Portugal não foi a maior potência esclavagista | João Pedro Marques | in Jornal “Diário de Notícias”

O historiador Miguel Cardina afirmou, em recente entrevista ao DN, que Portugal foi “a maior potência esclavagista da modernidade” e que isso não tem sido devidamente considerado no país. Devo dizer ao meu colega que está enganado. Eu não sei em que fonte ou fontes Miguel Cardina se apoiou para afirmar o que afirmou. Admito que tenha recorrido ao site The Trans-Atlantic Slave Trade Database. Se foi esse o caso, não terá visto com suficiente rigor. As tabelas do referido site, referem-se exclusivamente ao tráfico transatlântico de escravos, e para além de deixarem de fora, claro está, a parte africana do negócio escravista, reportam os números de Portugal e Brasil, em conjunto. Já chamei a atenção para isso em artigo anterior, que terá passado despercebido a Miguel Cardina.

Mas há um segundo aspecto do seu engano que é muito mais importante. É que para além de não ter visto com suficiente rigor ao perto, Miguel Cardina também não terá visto bem ao longe. Deixou-se encadear, imagino eu, pelos números das tabelas e encadeou-nos inadvertidamente a nós. É que a história do tráfico de escravos e da escravidão não se resume ao tráfico transatlântico nem é ele que por si só cria uma “potência esclavagista”. Não estou a pôr em causa, de modo algum, as tabelas do Trans-Atlantic Slave Trade Database, que são muito úteis, e que conheço desde a década de 80, época em que David Eltis, o seu criador, mas enviava pelo correio, pois ainda não estavam online. Mas as tabelas estão longe de dizer tudo. Referem-se apenas ao tráfico transatlântico e não nos falam, por exemplo, do que se passava em terra. Na verdade, no Ocidente, a maior potência esclavagista, se essa expressão tem algum sentido ou algum interesse, não foi Portugal, mas sim os Estados Unidos. É verdade que os Estados Unidos proibiram o tráfico transatlântico de escravos em 1807 e que, nos estados do norte, começaram a abolir a escravidão ainda antes disso, logo em 1777. Os estados do sul, porém, mantiveram-na até à derrota na guerra civil, em 1865, e, se bem que já não importassem escravos por mar a não ser de forma residual e ilícita, produziam-nos e comerciavam-nos internamente, através daquilo a que se chama breeding, isto é, a reprodução biológica.

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