Citations de Socrate qui vous remettront en question sur la vie | 470 avant JC /-399 avant JC

Philosophe et poseur de questions, empêcheur de tourner en rond depuis -435 av. JC.

25 citations de Socrate qui vous remettront en question sur la vie.

Socrate était l’un des philosophes les plus influents de tous les temps. Ses pensées sont non seulement de grande inspiration, mais ils vont vous faire remettre en question sur la vie d’une façon tout à fait unique. Socrate n’ayant jamais rien écrit, sa vie et sa pensée sont connues principalement par des contemporains (Aristophane), qui ont parfois été ses disciples (Platon et Xénophon), ainsi que par des sources indirectes, au premier rang desquelles Aristote (né en 384).

La doctrine de Socrate est que la justice est la vertu principale de l’accomplissement personnel de l’homme. L’homme est composé d’une âme et d’un corps.
Le corps a-t-il plus de valeur que l’âme ou l’âme a-t-elle plus de valeur que le corps ?
Pour Socrate, l’âme est supérieure au corps. Selon lui, l’âme représente l’amour, la raison, la conscience et par conséquent, le bonheur. D’après Socrate, l’âme permet de vivre en accord avec soi-même et donc, par la force des choses, d’être heureux. Vivre en accord avec son âme et en prendre soin, c’est vivre selon la justice, vertu morale suprême selon Socrate.
« Philosopher, c’est apprendre à mourir ». Selon Socrate, mourir, c’est séparer le corps de l’âme. En se détachant du corps, l’âme débutera son parcours ascendant vers l’absolu qu’il contemple. Philosopher est donc une façon de se préparer à l’éternité.

Voici les 25 citations de Socrate qui vous feront remettre en question la vie:

1) « La vraie sagesse est de savoir que vous ne savez rien. »

2) « Un vie sans examen ne vaut pas la peine d’être vécue. »

3) « Le seul bien est la connaissance, le seul mal est l’ignorance. 

Continuar a ler

Amor sexual e bem-aventurança | Frederico Lourenço

As pessoas que se interessam por temas cristãos e sabem um bocadinho de grego conhecem a palavra que está em causa quando, nos Evangelhos, Jesus fala de amor: «agápē» (ἀγάπη). Trata-se de uma palavra que podemos distinguir de outras duas palavras gregas que significam «amor»: philía (φιλία) e érōs (ἔρως). A ideia de uma expressão sexual do amor pode estar implícita em «philía» e é explícita em «érōs», mas à partida «agápē», o amor de que fala Jesus, é aquilo que um padre com quem conversei há muitos anos chamou o «amor desinteressado».

Eu falava-lhe na minha homossexualidade e nas questões daí decorrentes para o católico que eu tentava ser; e a solução que ele me deu foi que não havia mal no facto de eu ter um namorado, desde que fosse um «amor desinteressado». Ele não o disse explicitamente, mas percebi que a ideia dele era que estaria tudo bem se vivêssemos «como irmãos».

Esta exigência de que eu deveria viver como irmão do homem que eu amava e com quem eu partilhava a minha vida foi recomendada no século XX porque se tratava de um casal constituído por dois homens. Se fôssemos um casal constituído por pessoas de sexos diferentes e casados pela igreja teríamos podido dar expressão sexual ao nosso amor.

No entanto, nos primeiros séculos do cristianismo, mesmo casais heterossexuais eram desafiados a viver como irmãos num casamento isento de sexo. A «moda» veio logo com São Paulo (1 Coríntios 7), mas a literatura cristã apócrifa dos séculos II-III está a abarrotar de histórias e de exemplos que dão como ideal da vida de casados a virgindade permanente de ambos os esposos.

Continuar a ler

pieds nus | Zoubida Belkacem

Que nous soyons pieds nus, pauvres et insouciants
Dans la misère absolue ou en haillons
Nous serons toujours ces gamins heureux
Qui se suffisent d’un petit partage merveilleux
Dans un moment de grâce mielleux

Que nous soyons ces enfants oubliés
Habitants les bourgs et villages isolés
Sans accès, sans routes goudronnées,
Ni bus pour nous transporter
On garde enfoui en nous, innocence et vivacité.

Que nous soyons privés d’écoles à proximité
De chauffage et d’électricité
Sans loisirs pour nous divertir
Ni même de vêtements dignes pour nous vêtir.
Nous sommes toujours partant
Pour cueillir le bonheur , en un instant

Que nous soyons ces gamins indigents
Sans tablettes ni portables apparents
Nous gardons toujours dans nos yeux, ces constellations.
Cette euphorie que nous partageons.
Des enfants ni désoeuvrés, ni affamés
Nous voulons juste , de rêves d’évasions , nous enivrer.

Que nous soyons ces mômes marginalisés
Qu’on montre du doigt et qu’on n’ose à peine regarder.
Ces gamins libres et insoumis
Bouillonnant de vigueur et de vie
Portant toute l’innocence inassouvie.

Jeunesse souriante, jeunesse palpitante
Prendre un selfi, a l’aide d’une chaussure
L’espace d’un moment
Quelques instants volés au temps
Qui donnent l’impression, de vivre éternellement.

Zoubida Belkacem
Constantine le 03/02/2019
Oeuvres déposées

Retirado do Facebook | Mural de Zoubida Belkacem

Milhões de mortes devidas à colonização das Américas mudaram o clima mundial | in Esquerda.Net

O extermínio dos povos originários do continente americano provocado pela colonização europeia causou alterações climáticas segundo sustenta um estudo científico da University College London.

Foram dizimados 56 milhões de nativos americanos no primeiro século de colonização ocidental. A dimensão desta tragédia humana era já conhecida, a sua relação com as alterações climáticas ocorridas no século XVII ainda não tinha sido explorada.

O genocídio dos povos originários da América foi de tal ordem que causou o abandono da agricultura em várias zonas e a consequente reflorestação de uma área estimada como tendo o tamanho de França. Este aumento de árvores e vegetação causou uma diminuição do dióxido de carbono na atmosfera. De tal forma que houve uma mudança no efeito dos gases de estufa, originando alterações climáticas. O professor de Geografia Mark Maslin, co-autor deste estudo(link is external), explica que “o CO2 e o clima estavam relativamente estáveis até esse momento”.
Maslin e os seus colegas desafiam assim ideia de que a “pequena idade do gelo” dos anos 1600 teria sido causada devido apenas a fenómenos naturais.

Na sua investigação combinaram a análise das provas arqueológicas com os dados sobre o dióxido de carbono encontrados no gelo da Antártida que, capturando gases atmosféricos, permite analisar a sua quantidade em séculos passados. Alexander Koch, o investigador principal, sublinha que “os núcleos de gelo mostraram que houve uma queda maior de CO2 em 1610, provocada pela terra e não pelos oceanos”. Por isso, desceu um décimo de grau no século XVII. E estas alterações climáticas fizeram fracassar colheitas a nível mundial.

https://www.esquerda.net

Cristãos celibatários e eunucos e o problema da palavra «sic» | Frederico Lourenço

Antes de mais, uma epígrafe: «nenhum homem sem testículos e sem pénis pode fazer parte da assembleia (ecclēsia) de Deus» (Deuteronómio 23:1).

Assim, sim; já podemos começar.

A imagem que veem aqui reproduzida é um maravilhoso quadro de Rubens, pertencente à Wallace Collection de Londres. Nele vemos Jesus, Pedro, mais dois discípulos adultos e o jovem Discípulo Amado. E vemos os futuros cristãos, representados sob a forma de ovelhas. A metáfora das ovelhas vem da boca do próprio Jesus, que se descreveu a si mesmo como o «bom (ou belo) pastor» e disse a Pedro para apascentar as ovelhas dele (isto é, de Jesus). Jesus lá teria razões, que a razão desconhece, para pensar nos seus futuros seguidores como animais de rebanho. Mas ao menos que sejamos ovelhas pensantes.

Uma palavra que assumiu especial importância nas discussões à porta fechada sobre o celibato dos padres nos primeiros anos do concílio de Trento foi a palavra «sic», que aparece, no episódio que inspirou o quadro de Rubens, na tradução latina do Evangelho de João (21:22).

A palavra significa «assim»; porém, em João 21:22 é um erro de tradução, pois o que Jesus diz em grego não é «assim» mas «se». No entanto, como a palavra grega ἐάν corresponde, em latim, a «si», facilmente se percebe como «si», devido a erro de cópia, deu «sic».

Continuar a ler

UM POEMA DE SAFO DE LESBOS | O HOMEM QUE SE SENTA A TEU LADO | CASIMIRO DE BRITO

O homem que se senta a teu lado

E ouve de perto a tua voz tão doce

O riso que se infiltra no meu coração

Invejo esse homem como se fosse um deus

Pois só de vê-lo a fala me falta

A língua me seca na boca e os olhos

Me ficam cegos e surdos os ouvidos

O suor aninha-se na pele e o corpo

Todo me treme e já desfaleço e verde

Como as ervas fico e nem sequer respiro

Poderei eu viver com tal calamidade?

 

DEDICADO A UMA QUERIDA AMIGA MINHA | Casimiro de Brito

Retirado do Facebook | Mural de Casimiro de Brito

As estratégias Martin Luther King e Louis Farrakhan

A emergência de um movimento negro faz de Portugal um país melhor. Se as leis forem respeitadoras da universalidade dos direitos, se não houver abuso na base da cor da pele, se o espaço público viver a pluralidade cultural, as políticas integradoras da vida social serão mais potentes. Há portanto uma obrigação para o Estado, para quem legisla, para as câmaras municipais, para as autoridades. Mas há também uma obrigação para esse movimento negro. É que tem que decidir para onde vai, escolhendo entre pelo menos dois caminhos.
O primeiro caminho é o mais difícil. É o da aliança dos movimentos para uma política maioritária, exigindo o reconhecimento para conseguir a redistribuição social. O reconhecimento identifica mas separa: o movimento feminista parte da vivência de uma opressão, o movimento negro de uma discriminação, e elas distinguem. Reconhecer a imposição dessa distinção é a condição primeira para a enfrentar. Mas é por isso que o reconhecimento exige redistribuição, o processo que une as classes populares, em vez de as separar. Esta estratégia foi a seguida por Martin Luther King na Marcha sobre Washington em 1963: pelos direitos cívicos dos negros e ainda pelo aumento do salário mínimo e pelo emprego para toda a gente. Reconhecimento e redistribuição. Era essa a estratégia dos fundadores do movimento negro, como Du Bois, e por isso se tornou socialista. Foi o caminho que percorreu Malcolm X. É a voz de Angela Davis, nos nossos dias.
O segundo caminho é o de Louis Farrakhan: criou um movimento sob a forma de gueto, a Nação do Islão, e responde ao ódio com o discurso do ódio. É uma posição confortável, não pretende conseguir nada, só formar uma igreja. Isso levou-o muito longe, ao convívio com a extrema-direita. Alguns dos seus apoiantes assassinaram Malcolm X pelo pecado capital de ter abandonado a ideia de gueto e por se ter tornado socialista, ou seja, por ter defendido a política mais inclusiva, a da união de classe na resposta ao capitalismo e ao racismo.
No movimento negro norte-americano, em cada frase, em cada ação, os movimentos estão a escolher entre King e Farrakhan. Ainda bem que se aprende com ele.

Francisco Louçã

Retirado do Facebook | Mural de Francisco Louçã

Notícias DiEM25 Portugal

Olá

Convidamos-te para a Iniciativa Arquipélago que terá lugar no próximo dia 1 de Fevereiro, sexta feira pelas 20h. Trata-se de uma chamada online onde todos os membros do DiEM25 dos diversos pontos do país poderão conversar e conhecer-se. Estarão presentes nesta reunião pelo menos dois membros do nosso Coletivo Nacional. Para te juntares à reunião basta acederes a este link na data e hora indicadas –   https://zoom.us/j/383127199. Também poderás inscrever-te se quiseres participar numa futura reunião aqui:https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScfDM1a9myufJYrDwWRTdogJLHQ-ZLa0gnPfcwf97QbTRz9lQ/viewform?usp=sf_link . Contamos contigo!

Relativamente às eleições europeias de Maio 2019, não foi formada ala eleitoral em Portugal no sentido de se constituir um partido para além de movimento DiEM25 Portugal (como ocorreu na Alemanha e na Grécia, por exemplo). Por cá,apoiamos a candidatura de partidos ou coligações que estejam alinhados com a nossa agenda progressista no âmbito da Primavera Europeia, neste caso específico o partido LIVRE. Aproveitamos assim para partilhar que o mesmo terá o seu congresso dia 2 de Fevereiro no qual, da parte da tarde, será votado o Programa “A New Deal For Europe” o Programa da Primavera Europeia, como programa eleitoral do LIVRE para as eleições europeias de 2019.
Se estiveres interessado em ser voluntário para a campanha eleitoral para as europeias, nomeadamente a nível das redes sociais, campanhas, eventos de rua, design gráfico, etc. contacta-nos para info@pt.diem25.org com o assunto “ Campanha eleitoral europeias” para te reencaminharmos.

Relativamente às iniciativas de bases do DiEM25 Portugal podes escrever ao Coletivo Nacional para o info@pt.diem25.org e  para os Coletivos/grupos locais de Faro, Lisboa, Oeiras, Porto através dos emails oficiais visíveis aqui. Se precisas de apoio para te juntar ou formar um coletivo/grupo local noutra zona do país escreve para gruposlocais@diem25.org. O mesmo aplica-se caso queiras ser voluntário nalguma área, nomeadamente em tradução de conteúdos do site.

Esperamos o teu contacto,

Carpe DiEM!

>>Os membros do Coletivo Nacional

Natalia Osipova | L’histoire de Manon

L’histoire de Manon, generally referred to as Manon, is a ballet choreographed by Kenneth MacMillan to music by Jules Massenet and based on the 1731 novel Manon Lescaut by Abbé Prévost. The ballet was first performed by The Royal Ballet in London in 1974 with Antoinette Sibley and Anthony Dowell in the leading roles. It continues to be performed and recognised internationally.

Rui Vieira Nery | Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

Estive, por curiosidade, a consultar a lista dos comissários das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades desde que elas recomeçaram sob esta designação, em 1977, na Guarda. Aqui vão alguns dos nomes: António Alçada Baptista, João Bénard da Costa, António Barreto, Elvira Fortunato, João Caraça, Manuel Sobrinho Simões, Onésimo Teotónio de Almeida… E em 1977, na primeira comemoração, cujo comissário era o Major Vítor Alves, o orador convidado foi Jorge de Sena…

Para 2019 – soubemo-lo hoje – o comissário será João Miguel Tavares…

O que me perturba nesta escolha não é, obviamente, o princípio genérico do rejuvenescimento do perfil do orador. Podemos discuti-lo, alegando que, bem vistas as coisas, a efectiva juventude das ideias de cada um não se mede pela idade do portador mas pelo seu carácter inovador intrínseco. E a esse nível Onésimo Teotónio de Almeida, que segundo as minhas contas fará este ano 73 anos, é certamente uma cabeça dez vezes mais informada do pensamento contemporâneo do que João Miguel Tavares, cuja coluna não passa de uma sebenta requentada de clichês neo-liberais simplistas que remontam pelo menos ao consulado da Senhora Thatcher. Mas neste nível etário ocorrem-me tantos nomes de gente da mesma geração com tanta coisa de mais sólido para dizer: uma Maria Mota, um Gonçalo M. Tavares, uma Carmo Fonseca, um Miguel Gomes, um Tiago Rodrigues, um Luís Tinoco…

Também não me incomoda a opção por um autor conservador. Quem me conhece sabe que considero a Direita democrática como um pilar indispensável de qualquer regime constitucional e que valorizo o debate franco e aberto com todas as correntes de pensamento que se reivindicam dos direitos, garantias e liberdades consagrados na nossa Constituição. Mas, mais uma vez, passam-me pela cabeça tantos nomes de pensadores conservadores com outra consistência, com outra profundidade de reflexão, com outra preparação de base: cito, só a título de exemplo, um Miguel Poiares Maduro, um António Araújo, um Paulo Rangel ou o próprio Pedro Mexia, que o Presidente da República tinha ali mesmo à mão na sua Casa Civil…

Continuar a ler

Maria João Pires: “O estrelato é muito mais perigoso do que pensamos” | Entrevista de Diana Ferreira in Jornal “Público”

“Digo sempre que não tem mal pensar em ter trabalho e em ganhar a vida – é aliás muito saudável –, simplesmente que isso não seja primordial, porque o artista também tem uma missão que é importante ele saber separar da ambição material.” 27 de Janeiro de 2019

Para o grande público, Maria João Pires estará sempre numa grande carreira internacional ao piano, mas o instrumento não representa o centro da sua vida. A propósito do seu regresso a Portugal e do arranque do projecto do Centro de Artes de Belgais – que abriu portas em Dezembro passado, com um ciclo de concertos que se estende até Maio –, o PÚBLICO visitou a sua quinta, no distrito de Castelo Branco, e foi conhecer as intenções desta pianista, que é difícil separar da pedagoga e da cidadã activa com preocupações sociais.

O que a trouxe de volta a Belgais?
As saudades duma casa que construí durante 20 e tal anos. Percebi que não fazia sentido desligar-me dela completamente. Houve uma altura em que pensei nisso, mas não funcionou. Esperei uns anos, vivi sempre numa casa alugada, tive projectos em locais muito difíceis – dois coros infantis na Bélgica, em lugares sem acústica, sujos, com imensos problemas, em escolas que não facilitavam nada as coisas… Todas as pequenas contrariedades fizeram com que eu sentisse que um projecto como o que queria fazer necessitava de um espaço.

Mas Belgais é bastante diferente dos coros que tem na Bélgica, não é?
O meu objectivo com os coros, que integram crianças a partir dos cinco, seis anos, é encontrar o método certo para fazer com que a música influencie o seu crescimento e a forma como encaram a vida. É um trabalho sobre a resiliência da criança para, através da qualidade na forma de cantar e de ouvir, desenvolver a cooperação com os outros. Trata-se de crianças praticamente sem experiências musicais. Actualmente, temos sobretudo crianças de países africanos e, em grande maioria, muçulmanos, com um passado complicado, de guerra ou de outro tipo de abusos, algumas órfãs, ou que foram retiradas aos pais… Encontrar o melhor método tem-me levado muitos anos! Em Portugal tive uma boa experiência, graças a uma grande chefe de coro, que me deu um apoio extraordinário. Na Bélgica tenho um dos meus assistentes, o pianista Miloš Popović, que fez uma formação extraordinária neste anos. Com a mulher dele, cantora, formamos um grupo de três. Eu vou lá a cada dois meses, para supervisão. Sem um bom chefe de coro não se consegue.

Continuar a ler

A propósito de “racismo” (título do Coordenador e Proprietário do Blog) | Bruno Sena Martins

Além de definir rígidas estruturas de desigualdade e de te expor a inúmeras violências – que serão mais quotidianas ou pontuais em função do vigor do negro na tua pele, da classe social a que pertences, da parte da cidade onde moras – o racismo em Portugal funciona como um perverso manual que te quer ensinar, às expensas de muita dor cumulada, a arte de falar baixo e de calar.

Durante décadas, joguei futebol entre pavilhões e pelados, em clubes da cidade e da província (não era suficientemente bom para relvados naturais e os sintéticos vieram tarde, com as lesões musculares). Pois bem, cada vez que entrava em campo, sabia que aos olhos do público adversário eu deixaria de ser mais um jogador entretido nos bailados do jogo e que passaria a ser o afamado Preto da Guiné, o tal que deve ir para a sua terra, logo que reclamasse uma falta, que me permitisse a uma entrada mais dura ou – escândalo – festejasse efusivamente um golo. Uma troca de palavras mais acesa com um colega de equipa poderia ser o suficiente para o racismo entrar no nosso balneário.

O racismo quer-te convencer (quando essa margem sequer existe) que te podes furtar à violência racial mantendo um perfil discreto, evitando escusadas indignações, idiossincrasias censuráveis ou quaisquer vaidades, jamais criticando a sociedade que te “recebeu” e, sobretudo, quer-te ensinar que não tens o direito a uma frase mal colocada ou a uma linha fora do tom, porque aí natural e lamentavelmente cumpres a profecia dos racistas acerca da tua ingratidão, menoridade, ou da tua propensão para colocar em perigo a paz social.

Denunciar a violência racista, recusar olimpicamente regras de bom comportamento, ousar gritar, reivindicar o universal direito a errar e falar nas alturas que a raiva te leva, são ensinamentos que vêm da perseverança de um longa luta anti-racista em portugal e que felizmente estão para ficar: negras e negros de braço erguido raivosamente gritando contra a violência e contra a violência da desigualdade seguiremos ocupando as avenidas. Este caminho não tem volta e devemos estar gratos a pessoas como o Mamadou Ba – por estes dias sumamente acossado pelo mais virulento ódio racista – pela insigne coragem de nos ajudar a rasgar as cartilhas racistas e de ousar enfrentar o racismo institucional, arriscando a própria vida. Não pode haver outra arte. A luta continua.

Bruno Sena Martins

Retirado do Facebook | Mural de Bruno Sena Martins

Poema em forma de prosa | Maria Isabel Fidalgo

nesta manhã de sol, a intensidade da luz é um oboé de esperança. sopro e ocorrem-me primaveras intensas, tanta a beleza do verde ao longe. a noite, em marés de receios é um apeadeiro de desgraças. hoje canto o dia e o mistério da claridade a sacudir os sentidos. sagrado este brilho onde o coração dos pássaros se ergue alto.
hoje celebro o dia, a manhã clara para planar numa colina de sonho onde haja futuro para os nossos voos.
depois sorrimos. és tão depressa quando me fazes sorrir depois da noite.

Brexit | Se todos querem que dê desgraça, assim será | Francisco Louçã

O desastre do Brexit não estava escrito nas estrelas, é antes o resultado de uma meticulosa construção em que nada foi deixado ao acaso. Começou pela intriga partidária, Cameron queria arrumar o Partido Conservador e prometeu o que não tencionava cumprir, até que uma inopinada maioria eleitoral o obrigou ao referendo. Aí chegado, pediu à Comissão Europeia a facilidade de incumprir normas dos tratados para mostrar músculo contra os imigrantes europeus e levou o que queria. Armado de demagogia contra a ameaça da vinda de trabalhadores, chegou à noite da contagem dos votos confortado pelas sondagens, mas amanheceu derrotado. E foi então que a intriga se adensou.

Vingança

Demitido Cameron, chegou May e a sua história conta-se em poucas palavras: foi a eleições para se reforçar e acabou minoritária e pendurada numa aliança com os unionistas irlandeses, e com um Labour renascido com Corbyn, um crítico das políticas liberais europeias que não lhe facilita a vida. A partir daí, foi uma penosa negociação em que a diplomacia britânica, tida como profissional, se afundou e descobriu que ninguém lhe dava a mão. May foi humilhada e despachada para fora da sala, ficando a saber o que é o bullying em versão bruxelense. A lição é esta: com a Suíça, com a Noruega, até com a Irlanda depois do seu referendo, com o Canadá, a negociação é para um acordo, com o Reino Unido é uma punição.

Continuar a ler

Um matemático e um filósofo na Grécia antiga | Frederico Duarte Carvalho

Na Grécia antiga, estava um matemático sentado numa estrada, muito triste. Um filósofo que passava, abordou-o:
– O que se passa? – perguntou o filósofo.
– Estou triste – respondeu o matemático.
– Então porquê?
– Porque não tenho um problema para resolver…
– Mas, está triste por causa disso? – perguntou, espantado, o filósofo.
– Pois é – confirmou o matemático, que acrescentou: Sabe, eu gosto de resolver problemas. E agora não tenho nenhum…
– Mas, isso é um problema! – exclamou o filósofo!
– Então e como é o vamos resolver?
– Pois não sei – respondeu o filósofo que, sem saber o que poderia fazer, sentou-se ao lado do matemático e ficaram ambos tristes.
Um político ia a passar e viu ambos, matemático e filósofo, tristes. E perguntou o que passava.
– O matemático não tem um problema para resolver e eu não sei como resolver esse problema – explicou o filósofo.
O político sorriu e disse:
– Não há problema nenhum! Eu ajudo-vos!
– A sério? Como? – perguntaram filósofo e matemático quase em uníssono.
– Simples: o matemático vai pensar numa questão filosófica para colocar e, em troca, o filósofo pensa num problema matemático. Assim, cada um terá um problema para resolver!
– Mas, isso não faz parte das minhas competências! Eu não percebo de filosofia – respondeu o matemático.
– E eu não percebo de matemática – informou o filósofo, surpreendido com a proposta do político.
– Não quero saber. Isso agora é com cada um de vocês. Eu limitei-me a apresentar uma solução para os vossos problemas. Agora, vocês é que sabem o que podem – e, dito isto, o político continuou, triunfante, o seu caminho.
Conclusão: um político não precisa de entender de matemática ou de filosofia para apresentar soluções. Se depois os problemas não se resolvem, é porque nem matemáticos e filósofos os sabem resolver!

Frederico Duarte Carvalho

Retirado do Facebook | Mural de Frederico Duarte Carvalho

Garças | Lídia Borges | novo livro de poemas

No próximo dia 26 de Janeiro de 2019, pelas 15h30, na biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, vem à luz um novo livro de poemas.
Com um percurso em crescendo, e uma poesia apurada e depurada em imagens do mais puro lirismo,intimista, de raízes telúricas e afetivas, onde o mundo é absorvido na esfera do belo e do inteiro, Lídia Borges/Olívia Marques, traz-nos, agora, as ” Garças”.
A apresentação será feita por Isabel Cristina Mateus.

(…) Ao entrar na cozinha nesta manhã tão antiga
são as cerejas, o pão, o leite
a manteiga, a voz da avó
a trazer ao céu da minha boca
o sabor do amor mais pleno que senti. (…)

Este lançamento coincide com a reedição da obra “Sementes Daqui”, vencedora do Prémio Literário Maria Ondina Braga 2013 (1ª edição Novembro de 2013).

Timgad, Batna, Algeria, patrimoine mondial de l’humanité

Un site, un musée a ciel ouvert, tout comme Khemissa, Madaure et la grandiose el DJEMILA

Magnifique reportage réalisé pour l’ UNESCO par la chaîne japonaise NHK sur la Pompeii d’Afrique: Timgad, Batna, Algeria, patrimoine mondial de l’humanité.

París y Berlín alumbran un nuevo tratado para hacer frente a los desafíos de la Unión | Merkel y Macron firman en Aquisgrán un nuevo acuerdo de cooperación franco-alemán | in “EL PAÍS”

Sumar fuerzas para hacer frente a los mayúsculos desafíos a los que se enfrenta una Unión Europea alicaída, que se asoma a un abismo existencial. Ese es el mensaje que subyace en el Tratado de Cooperación e Integración franco-alemán que Angela Merkel y Emmanuel Macron han firmado este martes en Aquisgrán, la ciudad fronteriza, símbolo del espíritu europeo.

La canciller alemana y el presidente francés han acordado reforzar los lazos que unen el llamado eje París-Berlín, en un momento especialmente complicado para la Unión. Con las elecciones europeas a las puertas, Reino Unido de salida, los populismos galopando sin aparente freno, París y Berlín son conscientes de que emitir señales de fortaleza y determinación europea se ha convertido en una necesidad acuciante. El tratado encarna la defensa del multilateralismo y propugna una Unión “soberana y fuerte” impulsada por el motor franco-alemán.

El preámbulo del acuerdo anuncia una “profundización de las relaciones bilaterales” para hacer frente a “los desafíos a los que los Estados de Europa deben enfrentarse en el siglo XXI”. “Deseamos hacer converger las economías, los modelos sociales, favorecer la diversidad cultural y acercar a las sociedades y sus ciudadanos”, reza el texto de 13 páginas que firmarán este martes Macron y Merkel en la sala de la coronación del Ayuntamiento de Aquisgrán.

París y Berlín se muestran convencidos de que “la amistad estrecha entre Francia y Alemania ha sido determinante y continúa siendo un elemento indispensable de una Unión Europea unida, eficaz, soberana y fuerte”.

El tratado defiende también una política Exterior y de Defensa y Seguridad común, con el objetivo de “reforzar la capacidad de acción autónoma de Europa”. Establece el “refuerzo y profundización de la unión económica y monetaria” y promueve la “convergencia económica y fiscal”, sin entrar en excesivas concreciones. Las expectativas quedan así muy rebajadas respecto a las suscitadas tras el discurso pronunciado por Macron en La Sorbona, en el que detalló un ambicioso plan para avanzar en la integración europea en otoño de 2017. Desde entonces, Berlín ensimismada en una sucesión de crisis internas, ha mermado la ambición de unas reformas —sobre todo las de la eurozona— que aspiraban a refundar la Unión.

Este martes se cumplen 56 años del Tratado del Elíseo, el que en 1963 firmaron el presidente francés Charles de Gaulle y el canciller Konrad Adenauer en París y con el que sellaron la alianza entre los dos países. Habían pasado 18 años desde el fin de la Segunda Guerra Mundial y aquel documento consolidó la reconciliación y puso en marcha el motor franco-alemán, que hoy aspira a cobrar un nuevo impulso en Aquisgrán. El tratado que este martes se firma, prentende “completar” aquel de la reconciliación franco-alemana.

Grandes dosis de simbolismo

El lugar elegido para la firma no es casual. Este rincón del continente representa la condensación del europeísmo. Bélgica, Holanda y Alemania son los tres países fundadores, que la geografía reúne en este encuentro de fronteras. Un puñado de kilómetros más allá, Francia y Luxemburgo. Esta fue la residencia del emperador Carlomagno, que dominó el continente, y aquí se entrega cada año el premio que lleva su nombre y que distingue a personalidades europeas.

Grandes dosis de simbolismo pues, para un tratado que Merkel consideró el pasado fin de semana “necesario” para inyectar nueva fuerza en la UE. “El mundo ha cambiado y es necesario un nuevo tratado para consolidar los postulados del Tratado del Elíseo”, ha indicado la canciller. Más allá del simbolismo, el texto contempla algunas medidas concretas como la armonización de la legislación mercantil y la coordinación de la política económica. La cooperación militar y el intercambio y coordinación de posiciones en instituciones como Naciones Unidas o la OTAN, además de la UE son otros de los puntos que aborda un tratado, criticado por numerosos analistas por su falta de ambición.

La convergencia de la que habla el texto franco-alemán es precisamente la que ha dado alas a las fuerzas populistas, que en Francia acusan a Macron de minar la soberanía nacional y de “vender” el país a la potencia alemana. Le acusan incluso de querer ceder la Alsacia a los alemanes, así como su asiento en el Consejo de Seguridad de la ONU, haciendo un ruido que no casa con el contenido del acuerdo. El presidente francés hizo una excepción y viajó fuera de las fronteras de su país, donde se encuentra asediado políticamente por la crisis de los chalecos amarillos.

ANA CARBAJOSA, EL PAÍS

https://elpais.com/internacional/2019/01/21/actualidad/1548093362_419483.html

Entrevista a Daniel Bessa: “O Diabo não veio, mas isto está por arames”| in Jornal “O Observador”

Entrevista conduzida Por Edgar Caetano | 21/01/2019 

Quando se diz que Portugal “dá lucro”, excluindo as responsabilidades com o pagamento da dívida — como fizeram recentemente Catarina Martins e Marisa Matias, do Bloco de Esquerda — isso mostra que somos governados por pessoas comparáveis a “alguém que vai pedir ajuda ao balcão de sobreendividados da DECO mas garante que ‘está tudo muito bem, só não consigo pagar a dívida´”. Em entrevista ao Observador, Daniel Bessa diz que este é um tipo de raciocínio que não vem só dos partidos mais à esquerda mas, também, de um Partido Socialista onde os “pedronunistas” têm cada vez mais influência, pese embora a “mestria” de António Costa a conter essa transformação do partido em algo “muito diferente do que era dantes”, do que era no tempo de Mário Soares e do tempo em que Daniel Bessa foi ministro da Economia (de Guterres).

Daniel Bessa acredita que Mário Centeno não irá fazer outro mandato como ministro das Finanças, até para não ter de ser ele a “gerir as consequências da política que tem sido seguida”. Depois de anos em que o Governo “não investiu nada”, agora estão a ser lançados “novos investimentos todos os dias, talvez para promover o ministro Pedro Marques”, mas já a partir do próximo ano “não vai haver dinheiro para esses investimentos todos”. “Vão ter de pagar às farmácias… Vão ter de recrutar os funcionários para resolver o problema das 35 horas. Não vão querer reduzir os salários ou aumentar os impostos… Têm os compromissos que foram agora anunciados em matéria de investimento… A maionese não prende, como se costuma dizer”, afirma Daniel Bessa, atirando que “o Diabo não chegou, mas isto está por arames”.

Continuar a ler

Jesus, mestre do Bem | Frederico Lourenço

Se é verdade que os quatro evangelhos canónicos retratam Jesus como profeta, não é menos evidente para quem lê estes mais maravilhosos de todos os textos que a sua figura central, Jesus de Nazaré, é retratado também como mestre. A palavra «mestre» (em grego «didáskalos») é usada como forma de alguém se dirigir a Jesus pela primeira vez, no evangelho mais antigo, em Marcos 4:38. Neste evangelho, há uma dúzia de ocorrências da palavra «mestre», em que tanto os discípulos de Jesus como pessoas do público em geral se lhe referem por meio dessa palavra.

Marcos também nos clarifica o conteúdo da didáctica praticada por este extraordinário «didáskalos»: trata-se de um «ensinamento novo» (διδαχὴ καινή, Marcos 1:27). Nunca é de mais sublinhar a novidade cortante daquilo que Jesus veio ensinar. Jesus – com a doutrina de «fazei bem àqueles que vos odeiam» (Lucas 6:27) – veio ensinar à humanidade a novidade absoluta do Bem.

Mencionei que, em Marcos, tanto os discípulos como o público em geral se dirigem a Jesus com a interpelação «mestre». Curiosamente, a situação é subtilmente diferente nos evangelhos de Mateus e de Lucas. Nestes dois evangelhos, o público em geral usa a palavra «mestre» para referir Jesus, mas os discípulos não lhe chamam διδάσκαλος. Chamam-lhe «senhor» (κύριος) e, em Lucas, temos a situação curiosa de Jesus ser chamado por um nome que está ausente de todos os outros livros do Novo Testamento: trata-se da palavra homérica «epistátês» (ἐπιστάτης), que ocorre pela primeira vez na literatura grega no Canto 17 da Odisseia.

O termo em Homero significa algo como «suplicante», mas na literatura grega da época clássica tem o sentido de «comandante». No «Édipo em Colono» de Sófocles, o deus Posídon é referido como o «epistátês» de Colono, ou seja «divindade tutelar de Colono». Quando os discípulos de Jesus no Evangelho de Lucas aplicam ao seu mestre esta palavra ausente de todo o restante Novo Testamento, estão a aplicar-lhe uma palavra cheia de História.

Voltando a «mestre» como «didáskalos»: a palavra também é usada por Lucas com referência a João Baptista (Lucas 3:12). Há muitas semelhanças entre Jesus e João Baptista que ressaltam da leitura dos quatro evangelhos. Entre as diferenças, no entanto, há uma fundamental: João Baptista preconizava o ascetismo. Jesus, não.

Isso está claríssimo logo a partir de Marcos 2:18. O prazer da vida humana fazia parte da maneira de Jesus estar na terra – e os seus discípulos, contrariamente aos de João, não jejuavam: apreciavam o prazer da boa mesa e do bom vinho. Esta desvalorização do ascetismo e da abstinência por parte de Jesus está clara em Mateus 9:19; 11:18, Lucas 7:33-34. Toda a gente sabe o que Jesus fez perante a perspectiva de dar água a beber numa festa: transformou-a em vinho.

O cristianismo que se estabeleceu a partir do «ensino novo» de Jesus pautou-se, na sua obsessão pela abstinência, por João Baptista. Estabeleceu a ideia de que o prazer terreno é mau, que é preciso jejuar, que há uma incompatibilidade básica entre espiritualidade e corporalidade: que o corpo é, de alguma forma, intrinsecamente profano. Os apetites humanos são para NÃO satisfazer, na doutrina do cristianismo, à boa maneira de João Baptista. No entanto, não foi esse o ensinamento do mestre do Bem, Jesus.

Por isso, uma das frases mais deliciosas de Jesus é a que ocorre quando Jesus, já ressuscitado e, para todos os efeitos, já só com corpo espiritual, aparece aos discípulos e diz: «Rapazes! Tendes algo para comer?!» (João 21:5)

Comamos, pois. Não martirizemos o nosso corpo. Porque o mestre do Bem nos ensinou que fazer bem ao corpo faz bem.

(na imagem: Jesus e João Baptista por Guido Reni)

Frederico Lourenço

Retirado do Facebook | Mural de Frederico Lourenço

 

Vinte Poemas de Amor e Uma Crônica Desesperada | Valdeck Almeida de Jesus

Sinopse: O poeta Valdeck Almeida escreveu vinte textos poéticos e uma crônica, os quais refletem um amor não realizado por uma pessoa conhecida através de cartas e outra através de redes sociais. Ambas são do Triângulo Mineiro, e nenhuma das duas foram encontradas pessoalmente, nesse trânsito que durou mais de trinta anos. O livro foi traduzido ao espanhol, com ilustrações de Zezé Olukemi.

Interessados podem clicar nesse link e baixar gratuitamente:
Para Valdeck “esta é uma oportunidade de circular por lugares não acessíveis e ter a sensação de poder fazer parte do imaginário de leitores de todos os cantos, além de ser uma alternativa para escritores iniciantes e/ou veteranos para democratizar sua produção literária”.

“Uma coligação à direita é a única forma de retirar a esquerda do poder” | Pedro Santana Lopes in ENTREVISTA TSF DN

O Dr. António Costa introduziu este fator novo que acho que foi muito clarificador na política portuguesa. Fazia falta o PCP e o Bloco estarem comprometidos com soluções governativas e essa experiência aconteceu. Agora o caminho, na minha opinião, é apresentar alternativa à política que eles seguiram, e é por isso que estou a trabalhar. Portanto, falam por mim os atos e as propostas pela positiva que faço. Não gosto de dizer que nunca me coligarei com o PC ou com o Bloco ou com o PS, ou seja o que for, não comparando. Prefiro falar pela positiva, sobre com quem admito a hipótese de me coligar depois das legislativas, se tivermos representação parlamentar (…) | 19 DE JANEIRO DE 2019

Pacificado no seu papel de líder do Aliança, Pedro Santana Lopes apresenta o seu novo partido à direita do PSD – indicando os impostos e as empresas como prioridades. Aliás, diz que só haverá uma alternativa à esquerda quando a direita se unir. E quer fazer parte dessa união.

A manutenção de Rui Rio na liderança do PSD é uma boa ou má notícia para o Aliança de Pedro Santana Lopes?
Vamos ver, que os outros partidos políticos tenham a sua casa arrumada e a sua vida organizada é bom para o sistema político em geral. Neste caso, trata-se obviamente de um partido com quem a Aliança poderá trabalhar – não é um partido distante do Aliança. Eu, por ter deixado esse partido, não passei a estar mais próximo do PCP ou do Bloco de Esquerda, estou no espaço político onde sempre estive. Por isso, é bom que as outras forças políticas tenham as suas decisões tomadas, preparando as opções que têm de fazer em ano eleitoral para os programas serem nítidos, as diferenças também, e para se saber qual é a estratégia política de cada um.

Continuar a ler

O PSD QUE EU CONHECI E O ACTUAL ESTADO DA ARTE | Rodrigo Sousa e Castro

Após a revolução tive a oportunidade de conhecer notáveis personalidades do PPD.
Era jovem, comprometido com a revolução e com a mudança e também comprometido com a defesa intransigente das Instituições Democráticas nascentes, particularmente a Constituição da República Portuguesa tinha um enorme interesse em conhecer esses políticos e com eles dialogar.
A notável plêiade de fundadores e artífices do PPD, Sá Carneiro, Sá Borges, Magalhães Mota , Pinto Balsemão, Jorge Miranda , Victor Crespo, Fernando Amaral, Mota Amaral e muitos mais, confortava os que lutavam pela Democracia, Igualdade e Justiça e colocava o partido como elemento estrutural do novo Regime , a III República, conjuntamente com o partido socialista de Mário Soares, Salgado Zenha, Almeida Santos e outros.
Era claro, que ao longo do País e sobretudo nas pequenas localidades, os que apoiavam ou militavam no partido, constituíam na maior parte dos casos, núcleos conservadores muitas vezes tutelados pelos curas católicos, mas gente, que havia acatado a ideia de Liberdade e Democracia como uma nova esperança.
A liderança politica, acima citada, urbana, cosmopolita e académica teve a arte e o condão de conduzir essa massa conservadora em apoio duma solução progressista para a Nova República, e foi ela própria muitas vezes o motor da mudança (Jorge Miranda p. ex.) tal como noutras alturas foi o moderador dos excessos.
Essa insigne geração de políticos desapareceu ou está em vias disso e o partido PPD que entretanto tomou o nome de PSD gerou dentro de si, através do carreirismo partidário, as alternativas subsequentes.
A transição foi feita por um homem de características totalmente diversas, Cavaco Silva, que rodeado de arrivistas da “ província” geriu o partido numa fase de vacas gordas, constituindo um núcleo duro de indivíduos que hoje podemos recordar pelas piores razões.
Uma parte enveredou por processos fraudulentos de enriquecimento sem causa, outra parte aninhou-se na comodidade dos negócios privados mais ou menos sérios e benéficos para a Nação.
Eis agora chegados a um ponto em que a liderança perdeu valor e prestigio, qualidade humana e técnica, e mais grave perdeu a noção do tempo politico e da vacuidade do seu vazio estratégico e de pensamento.
Resultante de uma cooptação sem critério das lideranças intermédias, o arrivismo, nepotismo e compadrio não é mais escamoteável como uma realidade incontornável deste e de outros partidos políticos.
É nesse quadro que Pedro Passos Coelho, alguém sem a mínima preparação ou qualidade para governar o País, chega a Primeiro Ministro.
A inércia das Instituições garantirá pela certa que o PSD não vai desaparecer de pé para a mão, mas o caminho que se perfila, a não ser arrepiado, é de decadência .
O que não augura nada de bom para a saúde da Democracia que tanto prezamos.

Rodrigo Sousa e Castro

Retirado do Facebook | Mural de Rodrigo Sousa e Castro

Entrevista a Catarina Martins | “Extrema-esquerda está associada a totalitarismos, perseguição, ódio. Não encontra disso no BE” | in Jornal “O Observador”

“As pessoas precisam de saber que estamos a pagar a um sistema financeiro — que salvámos repetidas vezes e que nunca quer socialização de ganhos — tanto como gastamos no SNS.”

Em quase hora e meia de conversa, só por uma vez Catarina Martins hesitou a meio de uma resposta. Foi quando lhe pedimos um defeito que apontava a António Costa. Não porque não tenha críticas a fazer-lhe (tem várias, do ponto de vista político, a ele, ao governo e ao PS), mas porque estava à procura da melhor formulação para aquilo que queria dizer: “Tem esperança de que os problemas se resolvam mais depressa, quando eles precisavam de um pouco mais de olhar.” Que é como quem diz, fica à espera que as coisas se resolvam por si. De resto tinha frase pronta para quase todas as perguntas do Observador, naquela que é a primeira grande entrevista deste ano eleitoral para a dirigente bloquista.

A conversa começa na Lei de Bases da Saúde (a do governo seria “perfeita” se tivesse lá escritas as palavras da nova ministra da Saúde), segue pela legislação laboral, Europa, propinas. E quando chega ao tema professores, Catarina Martins ataca com palavras duras: “O governo está a fazer populismo. É absolutamente irresponsável”. Estabelece como uma das prioridades económicas do país e da Europa as alterações climáticas. Não traça metas nem cenários de governo para as próximas legislativas, diz apenas que a esquerda precisa de “mais força”. Até porque “o Partido Socialista é o Partido Socialista”.

Continuar a ler

Bernini, Pluto et Proserpina | Gian Lorenzo Bernini

Gian Lorenzo Bernini, Pluton et Proserpine (Persephone), 1621-22, marbre de Carrare, 225 cm de hauteur (Galleria Borghese, Rome) Entretien entre les docteurs Beth Harris et Steven Zucker. Proserpine est la variante latine du mythique Perséphone grec. Créé par Beth Harris et Steven Zucker.

O Livro do Império | João Morgado

Um manuscrito resgatado pela Inquisição para redenção de Portugal.

«Portugal tem um império em declínio, com um rei destemido, mas influenciado por uma nobreza e um clero corruptos. Omnipotente, a Inquisição não hesita em prender, matar e destruir as mentes e as obras mais brilhantes.

No país vizinho, observam a decadência de Portugal, jogam com o poder e o apoio dos jesuítas, e mantêm a esperança de voltar a dominar toda a península.

Mas eis que um trota-mundos sem eira nem beira, apesar de uma vida de prisões, putaria e inimigos poderosos, decide cantar as glórias desse povo num poema épico que lembra todos “aqueles, que por obras valerosas” se foram da “lei da morte libertando”. Mas ao cantar uma estirpe de homens que se igualara a deuses, por contraste compunha também um libelo acusatório contra a depravação vigente. Como foi possível que el-rei e o Santo Ofício tenham deixado publicar esta obra?

Livro do Império narra a vida de um poeta arrependido e a história de Portugal em vésperas da batalha de Alcácer-Quibir.»

JL Jornal de Letras “Glória, Decadência, Redenção”, por Miguel Real (19.12.2018)

“Se um Eça do nosso tempo se atrevesse a perguntar a João Morgado – Filho, tu estavas lá? – teria rigorosa resposta – Sim, estive lá. Porque a expressão aliciante da sua prosa consegue despertar a convicção de que o autor estava efectivamente esteve lá, e tudo o que diz tem igual autoridade à dos documentos que lhe permitem enriquecer a crónica dos acontecimentos, que recria e medita com a minúcia do seu espírito criador”,

Prof. Adriano Moreira Apresentação da obra, 17.DEZ.18

“Após séculos de mal-entendidos, «O Livro do Império» vem, por fim, reconciliar um Camões humanizado com o público leitor”, numa obra que “pela sua argúcia analítica, pela cultura da época, riqueza da linguagem e ritmo narrativo, consagra João Morgado como um escritor de referência no romance histórico e na literatura portuguesa.”

F. Delfim dos Santos, Universidade Nova. Apresentação da Obra, FNAC Chiado, 17.DEZ.18

Os Lusíadas, (Canto IX, 83) | Luis Vaz de Camões

Oh, que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves! Que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é exprimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo.

Os Lusíadas, (Canto IX, 83)

Luis Vaz de Camões

YOU ARE WELCOME TO ELSINORE

Entre nós e as palavras há metal fundente 
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte     violar-nos     tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas     portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida     há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

MÁRIO CESARINY

Poema | Licínia Quitério

Há homens que atravessam a rua
sem olhar
Levam nos ombros pedaços da noite
e não há cor que os vista
São homens cinzentos 
indiferentes ao sol ou à borrasca
Quem os vê diz
ali vão os homens tristes
mas nem eles sabem o tamanho
da tristeza ou da improvável alegria
O chão da rua conhece
a cadência incerta
a leveza ausente
dos passos destes homens
Há quem lhes chame homens de bruma
porque vagos são
os seus contornos
Virá uma manhã sem homens tristes
Ninguém perguntará
para onde foram
Alguém escreverá a sua história
no livro branco
do esquecimento
A rua permanece

Licínia Quitério

Estados Unidos da América | o mais longo “shutdown” da sua História | Germano Almeida

A partir de ontem, segunda, 14 Janeiro 2019, os Estados Unidos estão já a viver o mais longo “shutdown” da sua História – e já tiveram mais de 20. Nunca se assistiu em Washington DC a um clima de paralisação e impasse político tão grave e irresolúvel como o que existe neste momento, com Presidente e liderança democrata no Congresso a terem posições aparentemente inconciliáveis sobre o financiamento do muro. Já vamos no dia 25 da paralisação parcial dos serviços federais – é certo que só afetam cerca de um quarto do total dos ministérios, mas parece-me, no mínimo, ridículo desvalorizar (como já vi um ou outro comentador da nossa praça fazê-lo) a dimensão e o alcance que isso tem: estamos a falar de mais de 800 mil funcionários públicos americanos sem ganhar há quase um mês, alguns deles já almoçam e juntam à custa da caridade. É isto “melhorar a economia americana” e “proteger o trabalhar americano”? Esqueçam. Não são só “os museus e os parques” que deixam de funcionar. Há vários serviços que não abrem, há programas de assistência que não se cumprem, há pessoas necessitadas ou dependentes que deixam de ser assistidas.

Tudo por causa de um Presidente disfuncional, que preso a um egocentrismo cego não sabe negociar politicamente – nem faz a mínima ideia do que significam as palavras “compromissos” ou “cedências”. Trump insiste em tentar virar o bico ao prego e vai dizendo que “os democratas estão a prejudicar os americanos” e está à espera que “eles comecem a trabalhar”. Mas não é assim: num impasse como este, quem tem que ter a chave da solução é, obviamente, o Presidente. Ameaças de recorrer à “emergência nacional” (utilizando fundos que estariam destinados a acontecimentos como catástrofes) não vão, desta vez, safar Donald. O que esta enorme crise política do “shutdown” está a revelar, essencialmente, é que o estilo manhoso de “artista de variedades” de Donald Trump – uma espécie de vendedor de banha de cobra com uma conversa sexy para quem é vulnerável a cair em populismos baratos e nada sustentados em factos – resultou no ambiente eleitoral da campanha de 2016 para um nicho muito significativo do eleitorado americano. Mas é curto – mesmo muito curto – para alguém que ocupa as funções (mesmo muito difíceis) de Presidente dos EUA. Trump está a exibir, nesta crise, toda a sua incompetência e todas as suas limitações políticas. Naquele sistema complexo, ser Presidente implica saber negociar, fazer compromissos, ceder um pouco para levar a sua avante. Trump tem sido o contrário disso: tem passado os últimos dias a insultar os democratas, a minimizar os efeitos do que provocou.

Continuar a ler

QUANDO A PASIONÁRIA VIROU CATÓLICA | José Luís Andrade | in “Observador” 14/1/2019

Depois de ter sido uma das figuras maiores da máquina de propaganda de Moscovo, a “Pasionaria” acabou os seus dias reconciliada com a sua fé de infância e juventude, tendo regressado à Igreja Católica.

Dolores Ibárruri Gómez, mais conhecida por la Pasionaria, foi uma encarniçada militante comunista espanhola, membro do Bureau Político do Partido Comunista de Espanha desde 1932, e sua presidente desde 1960 até à sua morte em 1989. Nascida em 1895, crescera numa família basca de simpatias carlistas, entranhadamente católica. Os parcos recursos do pai, mineiro, e a sua larga prole (11 filhos), levaram-na a ter de sair da escola aos 16 anos para ganhar a vida e ajudar a família. Pouco depois, conheceu o seu primeiro companheiro, Julián Ruiz, um militante socialista filo-bolchevista, com quem casaria em 1916. Ruiz foi determinante na sua conversão ao comunismo e, com ela, e com outros defensores da inscrição do PSOE na Internacional Comunista, fundaria o PCE, em Novembro de 1921.

Ao escrever o seu primeiro artigo em El Minero Vizcaíno, adoptou o pseudónimo de Pasionaria, ou porque o tivesse redigido durante a Semana Santa, como sugere a maioria dos seus biógrafos, ou porque o usasse nos seus anteriores textos de colaboração no boletim paroquial, como defendem alguns. Mercê do seu papel na revolução das Astúrias de 1934, iniciada pelo PSOE mas a que o PCE se anexara oportunisticamente, foi «eleita» para o Comité Executivo da Komintern, no 7º (e último) Congresso da Internacional Comunista, em Agosto de 1935. Foi nesta reunião magna dos comunistas estalinistas que foi aprovada a estratégia das Frentes Populares que, poucos meses depois, daria frutos em Espanha. A Pasionaria seria uma das principais intérpretes dessa orientação política e uma das figuras de proa da eficaz máquina de propaganda de Moscovo.

Continuar a ler

Lancement du Prix littéraire francophone régional : «Le Choix Goncourt de l’Algérie» | in “alifa” le magazine de l’art et de la culture

Le Choix Goncourt de l’Algérie est un prix créé par l’Académie Goncourt et porté par l’ambassade de France et l’Institut français Algérie.

L’Institut français d’Algérie a obtenu cette année la création d’un prix littéraire spécifique, parrainé par l’Académie Goncourt : «Le Choix Goncourt de l’Algérie». Organisé seulement dans une douzaine de pays à travers le monde, le Choix Goncourt sera décerné pour la première fois en 2019 en Algérie. Cette première édition est donc un événement.

Dans chaque ville où l’Institut français d’Algérie est présent (Alger- Annaba – Constantine – Oran – Tlemcen), des jurys composés d’étudiants, de lycéens et d’adhérents aux médiathèques des cinq instituts français voteront pour désigner leur lauréat. Ce dernier sera choisi parmi les huit ouvrages francophones présélectionnés en 2018 par l’Académie Goncourt, en vue de l’attribution de son célèbre prix.

La proclamation du prix «Le Choix Goncourt de l’Algérie» aura lieu en mars 2019, à l’occasion de la Semaine de la langue française et de la francophonie, en présence des présidents des différents jurys. L’écrivain(e), dont le roman aura été choisi, sera invité(e) à parrainer l’édition suivante.

Pour en savoir plus : www.academiegoncourt.com/choix-goncourt-algerie.

Contact presse : meliza.beghdad@diplomatie.gouv.fr

https://www.alifa-dz.com/lancement-du-prix-litteraire-francophone-regional-le-choix-goncourt-de-lalgerie/

Se eu morrer | Maria Isabel Fidalgo

Se eu morrer grita aos céus que foi por ti. vela o meu rosto com um leque de seda e encosta-o ao teu bafo quente para que o frio não me quebre. ficarei assim um pouco mais de tempo sobre o mundo num agasalho de hálito perfumado. não me despenteies. olha-me como no primeiro momento em que me cegaste com os ponteiros do olhar e talvez eu acorde para uma última despedida. pega no meu corpo inerte como num lenço de vidro e pousa-o sobre o mar no travesseiro das ondas onde o teu busca a liquidez no verão. escreve no azul – amo-te- e sorrir-te-ei em cada braçada de água como um verso que se desnuda quando se diz amor pela primeira vez.

mif