Nobody expected the MAGA Inquisition, but it’s here, and will destroy American science, by Paul Krugman, 9 Jun 2025

The trial of Galileo

It was obvious, if you thought about it, that the second Trump administration would be hostile to science and intellectual endeavor in general.

After all, look at some key elements of the MAGA coalition. Fossil fuel interests don’t want anyone studying climate change. Conspiracy theorists like Alex Jones make much of their money selling quack medical remedies, which makes them hostile to conventional medicine. (And partisan orientation became a key factor determining whether people were willing to be vaccinated against Covid.) Practitioners of voodoo economics don’t want anyone looking into the actual results of cutting taxes on the rich. Nativists proclaiming an immigrant crime wave don’t want anyone examining who commits violent crimes. And so on.

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A sexualidade das nossas avós, in “Ancestralidades”, mural do Facebook

Há dias falava com o primo que indagava sobre a sexualidade das nossas avós. 

Encaro a questão com normalidade. 

No caso da avó Luísa ouvia dizer que brincava com as bonecas de trapo às vésperas de casar.

E para quem nos acompanha desde o início sabe que a noite de núpcias quase deu para o torto.

O jovem casal, Álvaro e Luísa casaram contra a vontade da família do noivo, por uma questão de classe social. A avó teve que ser emancipada para poder contrair matrimónio. Como nos primeiros tempos por razões económica terem que viver em casa dos pais da noiva. A casa era pequena e ali moravam muitas pessoas. 

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Crónica de Raquel Varela, in Facebook, 9 Junho 2025

Faço este ano 20 anos de carreira a estudar revoluções e trabalho. Da organização dos trabalhadores à sua subjectividade (infelizmente conhecida como “saúde mental”) é aqui, no trabalho, seja ele de um professor ou de um operário que repousam todas as minhas esperanças. Talvez por isso compreenda cada vez menos porque não lutam os trabalhadores de forma mais consistente e determinada, quando quase tudo está perdido. 

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Reforma do Estado: não virem a casa de pernas para o ar, por Paulo Baldaia, in Expresso, 9 Junho 2025

O Estado Social Europeu é uma conquista histórica que devemos, também em Portugal, à social-democracia, ao socialismo democrático e à democracia-cristã. Não podemos dormir à sombra dos louros conquistados, mas esta foi a casa comum que construímos e não a podemos virar de pernas para o ar. […] Num país em que a taxa de pobreza, antes de qualquer prestação social, é de 40%, imaginar que os problemas se resolvem enfraquecendo o papel do Estado e liberalizando ainda mais a economia é do domínio do delírio e da insensibilidade social

No plano teórico, para falar da reforma de que se fala, até faria sentido começar por redefinir o papel do Estado, estabelecendo um princípio estratégico ou um enquadramento conceptual que direcione as reformas, mas quando está tanta coisa por fazer e se tem muita pressa é mesmo preciso ir devagar. Não sei quanto tempo vai durar a conversa, mas espero que nunca acabe porque reformar o Estado é um processo contínuo que tem de responder aos desafios de cada momento.

Estando muito longe de podermos tomar decisões sobre as áreas de intervenção directa em que faça sentido reduzir o papel do Estado, é espantoso como não falta quem sonhe com a vida da comunidade entregue quanto antes à concorrência entre privados em áreas como a Saúde, a Educação ou a Previdência. Ao Estado ficaria entregue a responsabilidade de cuidar dos desvalidos ou actuar em regiões onde o “negócio” não fosse rentável para os privados. O resultado seria, portanto, uma acelerada deterioração da qualidade de serviços prestados pelo Estado, dando mais razão a esta vontade que está muito mais ancorada no negócio crescente dos privados do que na incapacidade do Estado em cumprir as suas obrigações.

A prometida liberdade de escolha, mesmo assente em políticas públicas inclusivas e com regulação do Estado, é uma falácia. Num país com índices de pobreza como o nosso, o cheque-ensino ou o cheque-saúde serviriam, sobretudo, para ressarcir as classes média-alta e alta dos serviços privados que conseguem pagar. A ideia de financiar diretamente os cidadãos, em vez de financiar as instituições públicas, serve essencialmente quem tem capacidade de investimento. Mais de metade do país ficaria entregue a serviços públicos descapitalizados e seguramente de qualidade muito inferior à actual. Há, portanto, muito trabalho para fazer antes de perguntar ao povo se é isto que o povo quer.

O Estado Social Europeu, que conheceu um período de grande expansão com a prosperidade económica do pós-guerra, é uma conquista histórica que devemos, também em Portugal, à social-democracia, ao socialismo democrático e à democracia-cristã. Temos de resolver problemas que resultam do envelhecimento populacional, da pressão sobre os recursos públicos e da necessidade de modernização das administrações públicas. Não podemos dormir à sombra dos louros conquistados, mas esta foi a casa comum que construímos e não a podemos virar de pernas para o ar.

O objectivo como comunidade tem de continuar a ser o de garantir a todos os cidadãos o acesso a serviços básicos, redistribuindo os recursos para reduzir as desigualdades. Todos os aplausos são devidos aos empresários que fazem funcionar uma economia de mercado como a nossa, mas num país em que a taxa de pobreza, antes de qualquer prestação social, é de 40%, imaginar que os problemas se resolvem enfraquecendo o papel do Estado e liberalizando ainda mais a economia é do domínio do delírio e da insensibilidade social. O Estado tem de ser um factor de desenvolvimento económico e social. E aí há muito a fazer.

É preciso garantir equilíbrio orçamental de longo prazo, para diminuir a dívida e o seu serviço, utilizando o dinheiro poupado nos juros a modernizar o Estado. É preciso reorganizar os serviços públicos para eliminar redundâncias, reduzindo os custos e aumentando a eficiência. É preciso apostar na digitalização e na inteligência artificial para simplificar a relação dos contribuintes (pessoas e empresas) com as administrações públicas, reduzindo a burocracia e facilitando os licenciamentos. É preciso descentralizar competências até ao nível em que a proximidade com os utentes aumenta a produtividade do Estado. Se o governo for capaz de fazer isto, que está tão longe da megalomania dos que julgam estar ao virar da esquina uma economia que se basta a si própria, será o melhor governo de sempre em Portugal.