Frederico Lourenço | Uma lasanha com Horácio

A trindade dos poetas supremos da Antiguidade está claramente identificada numa passagem dos «Poemas Lusitanos» de António Ferreira (contemporâneo de Camões), obra publicada postumamente em 1598. Os nomes são três: Homero, Vergílio e «Horácio, a quem obedeço». É evidente que nenhum poeta consegue competir com Homero e Vergílio, que são os dois vultos inigualáveis da história da literatura. Horácio chega-lhes perto, mas fica sempre aquém – a não ser numa coisa. A poesia de Horácio dá-nos a ver e a sentir aquilo que procuraremos sempre em vão na epopeia homérica e vergiliana: a vida real, contemporânea do poeta.

Horácio é uma janela aberta sobre a Roma do tempo dele. Sobre Roma entendida em termos políticos, sem dúvida: afinal, ele conheceu pessoalmente protagonistas da história de Roma como: Bruto, assassino de Júlio César; o imperador Augusto; Mecenas, o grande patrocinador dos poetas; o futuro imperador Tibério. Foi amicíssimo de Vergílio. Mas a janela que Horácio nos abre é também sobre a Roma real, da vida real.

Continuar a ler