Gonçalo M. Tavares vence Prémio Formentor, por Luciana Leiderfarb, in Jornal Expresso

O júri considerou que a obra do escritor português, narra “a epopeia do extravio contemporâneo”. O prémio, um dos mais importantes da língua espanhola, tem o valor de 50 mil euros.

Foi por “desvendar as inesperadas implicações de uma humanidade assustada de si mesma” e “contar a epopeia do extravio contemporâneo” que o escritor Gonçalo M. Tavares recebeu, esta terça-feira, o Prémio Formentor de las Letras 2026, instituído pela Fundação Formentor com o valor pecuniário de 50 mil euros, o primeiro atribuído a um português.

O júri, constituído por Elide Pittarello, Gerald Martin, Sonia Hernández, Pilar del Río e Basilio Baltasar, declarou que “as imagens que atravessam a obra literária de Tavares, com uma engenharia filosófica que desmente as fatigadas convenções do romance, descartam o previsível e exortam noções inéditas“, notando que ele pertente a uma “genealogia literária dedicada a contar o reverso da realidade”.

“A sua obra acolhe personagens cuja extravagância pode atribuir-se às mais insólitas, estranhas e inesperadas dimensões da condição humana”, continua o júri, para quem “um dos méritos da obra de Tavares tem sido dar forma, presença e voz àquilo que a cultura preferiria omitir”.

Nascido em Luanda em 1970, o autor tem uma vintena de obras traduzidas para o castelhano e foi considerado “um génio” pelo escritor Enrique Vila-Matas. Outros grandes nomes da literatura também se pronunciaram sobre a sua produção, como é o caso de J.M. Coetzee, Don DeLillo e Olga Tokarczuk, que qualificou a obra de Gonçalo M. Tavares como “magistral e original”.

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