Miguel Sousa Tavares: “O impacto vai ser brutal”

Miguel Sousa Tavares traçou, no podcast Viva Voz, um retrato alarmante da economia portuguesa caso o conflito no Médio Oriente prossiga. O escritor considera que a combinação entre a instabilidade crescente na região e a imprevisibilidade da administração de Donald Trump pode inverter o otimismo das contas nacionais, criando um ambiente de incerteza que ameaça exportações e crescimento económico.

O cronista do Expresso descreveu como Portugal se encontra exposto a choques externos, destacando a escalada dos preços da energia e o desajuste nas cadeias de abastecimento. “O impacto é brutal. Podemos pegar no exemplo de Portugal, onde o nosso governo está a fazer descontos no imposto sobre a gasolina, não é a abdicar do imposto, é a deixar de ganhar mais dinheiro com o IVA, graças à subida dos preços nas bombas de gasolina. E essa é apenas uma primeira medida para tentar evitar o terramoto que aí vem, porque vem aí um terramoto brutal”, afirmou, alertando que a inflação “estava em 1,8 por cento antes da guerra e ninguém sabe como é que acabará depois dela”.

Na perspetiva de Miguel Sousa Tavares, o país deve antecipar um cenário de recessão técnica já no final de 2026. A análise aponta para falhas profundas na resposta europeia, dependente de decisões vindas de Washington. Segundo o escritor, “vai ter consequências terríveis se a guerra continuar em termos de inflação, em termos de exportações, em termos de crescimento do PIB, que se isto continua mais um ou dois meses, nós vamos fechar o ano de 2026 com o PIB negativo, com o déficit das contas públicas”.

As críticas estenderam-se à União Europeia, vista pelo cronista como um bloco “indefeso” face às estratégias externas norte-americanas. A dependência energética e a ausência de coordenação em Bruxelas transformam o continente num alvo vulnerável. Miguel Sousa Tavares alerta que a “cozinha política” dos Estados Unidos coloca a Europa a pagar uma fatura pesada e, se o conflito no Estreito de Ormuz não cessar, Portugal poderá ver desaparecer os progressos económicos alcançados nos últimos anos.

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