A Guerra e Paz editores celebra 20 anos de vida, por Manuel S. Fonseca

Hoje, a Guerra e Paz editores comemora 20 anos de vida. Digo isto com a alegria serena desses dias em que o sol é grande e caem com a calma as aves. A Guerra e Paz foi ao longo de alguns anos «aquela cativa que me tem cativo» e já explico. Um terramoto (ou terá sido maremoto?) arrasou-nos em 2011: a insolvência do nosso então distribuidor bateu-nos de frente e pareceu mergulhar-nos um abismo irremediável. Devíamos ter desistido. Vivamente nos recomendaram que desistíssemos.

Dia a dia, mês a mês, durante 12 anos, a cada leda madrugada, às vezes lágrimas em fio, houve, umas vezes seis, outras sete ou oito obreiros da Guerra e Paz que persistiram no que um amigo meu chama, «a trincheira da luta». Batemo-nos com armas desiguais: só tínhamos sinais de fumo, machetes e catanas onde outros tinham radares, satélites e misseis. Mas voltámos, passo a passo, à vida e, hoje, com uma alegria serena, sabemos que não hipotecámos esses 12 anos. Pelo contrário, foram anos em que servimos um amor, qual «Raquel, serrana bela»: e mais serviríamos, «se não fora para tão longo amor tão curta a vida».

Hoje, a Guerra e Paz editores celebra 20 anos como eu aos meus 20 anos comemorei a liberdade. É uma empresa limpa, competitiva, com relações de amizade com todo o universo do livro, autores, outros editores, livreiros, tradutores, revisores, paginadores. Estamos a crescer muito acima do crescimento do mercado e a ganhar solidez. Hoje, a Guerra e Paz, que chegou a parecer condenada, é uma editora com apetite de futuro.

Temos um passado que não esquecemos e muito agradeço a antigos sócios, ao José Santos, co-fundador, ao Abílio Nunes – dois amigos da minha infância em Luanda – como amigos são o José António Pinto Ribeiro e o Manuel Cintra Ferreira, de quem sempre terei saudades, como agradeço aos actuais sócios, dois amigos perseverantes, António Parente e Pedro Henriques.

Hoje, a Guerra e Paz já é um pequeno grupo. Tem uma nova chancela, a euforia, que a Rita Fonseca faz voar à velocidade da Artemis II, e integrou, há 6 meses, a Gradiva Publicações, uma editora histórica, cujo alto mérito teremos de provar que merecemos. Somos 14 pessoas. Estamos aqui diariamente – há mesmo quem já esteja há 20 anos, caso do Ilídio Vasco, decano dos artífices desta casa – com um só propósito: continuar a fazer da Guerra e Paz uma editora de que os autores e os leitores gostem, servindo o livro e a leitura, e onde seja um prazer trabalhar.

Obrigado à Rita e ao Ilídio, ao José Cardoso, Américo Araújo, Maria José Batista, Luisa Pinto, Beatriz Fernandes, Andreia Pereira, Helena Rafael, Elisabete Lucas, Andreia Santos, Diana Trigo, Magda Filipe: são eles a Guerra e Paz. E obrigado à equipa da VASP, que nos distribui. Obrigado à nossa jurista, Fátima Esteves, ao nosso TOC, Rodrigo Santos, ao nosso excelente presidente da Mesa da AG, António Palma: mais do que tudo, liga-nos uma amizade sincera.

Fazemos 20 anos: com uma alegria serena, estamos já de olhos no futuro.

Manuel S. Fonseca, editor

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