Apaixonar-se por Alain Delon em “O Leopardo” é como ser arrebatado por um daqueles amores intensos e avassaladores que só se vive na adolescência. Delon, com seus olhos penetrantes e sorriso enigmático, parecia personificar tudo o que era inatingível e irresistível. Vê-lo em cena, elegante e misterioso, como Tancredi, era quase como viver uma fantasia secreta, onde cada olhar e gesto dele poderia ser interpretado como um sinal de algo mais profundo. Aconteceu comigo!
Naquela época, era fácil sonhar acordada, imaginando-se ao lado dele nos salões sumptuosos, dançando uma valsa num baile inesquecível, enquanto ele sussurrava palavras doces no nosso ouvido. A beleza etérea de Delon, combinada com a aura de melancolia e desejo que ele transmitia, fazia o coração bater mais forte, como se fosse possível sentir uma conexão real através da tela.
Esses sentimentos, misturados com a intensidade das emoções adolescentes, transformam Alain Delon não apenas em uma estrela de cinema, mas em um ideal de amor romântico. Ele representava aquele mistério e fascínio que muitas vezes se associam ao primeiro amor — algo ao mesmo tempo excitante e inalcançável.Talvez o mais tocante de tudo seja como, mesmo depois de tantos anos, a lembrança desse amor adolescente por Delon, ainda pode despertar um sorriso nostálgico, como uma memória querida que nunca se apaga completamente.
29/03/2024 | Le général de Gaulle est sans nul doute le dirigeant français qui, grâce à de nombreux coups d’éclat, aura le plus marqué le XXe siècle de son empreinte. Portrait intime de ce grand stratège politique, depuis les champs de bataille de 14-18, où il fut plusieurs fois blessé, jusqu’à sa maison de Colombey-les-Deux-Eglises, en Haute-Marne, où il mena une vie de père de famille dévoué. L’occasion de découvrir un homme à part qui, déjà en son temps, avait compris l’importance du jeu médiatique et de l’art de la mise en scène pour asseoir son autorité. Des proches, des historiens et des journalistes témoignent.
Publicado no Weekend, suplemento de 6.ª feira do Jornal de Negócios
Hoje, ao saber da morte de Alain Delon, lembrei-me dos actores. E de tentar olhar lá para dentro deles! Será que se pode?
ABRA-SE A BOCA AO ACTOR E OLHE-SE LÁ PARA DENTRO
Tenho um medo dos actores que me pelo. Lembro-me do senhor Adolfo Gutkin me ter mandado subir ao palco do teatro da Trindade, para me juntar aos exercícios de aquecimento a que esses espectros, a que chamam actores, se dedicavam.
Tenho lido Deleuze & Guattari a falar dos devires: devir-intenso, devir-animal, devir-imperceptível. E ao falarem dos indivíduos e da melhor maneira de os definir, trazem-nos Spinoza e a sua maneira de olhar para as coisas.
Um corpo não se define pela sua forma, nem por ser substância ou sujeito, nem pelos órgãos ou funções que o constituem, nem por categorias, géneros ou representações de qualquer espécie. Um corpo define-se, antes, pelo conjunto de elementos materiais que lhe pertence através das relações de movimento e repouso e pelo conjunto de afetos intensivos de que ele é capaz.
Resumindo: as coisas são o conjunto de relações que as constituem e aquilo de que são capazes (afetar e ser afetadas).
Talvez o Leopardo, talvez A Piscina, talvez Rocco e os seus Irmãos ou o Sol por Testemunha.
Certamente o Leopardo, esse velho filme (mas não um filme velho) dos anos 60, em que Delon, dirigido por um mágico neorealista (Visconti), contracenou com duas lendas do cinema quando o cinema era rei e as suas criaturas realeza – Burt Lancaster, Dom Fabrizio Salina, e Claudia Cardinale, aka Angelica.
Delon como Tancredo na visão Viscontina do Gattopardo do príncipe de Lampedusa, como uma premonição da vida e, sobretudo, da decadência e morte – hoje, 18 de agosto de 2024 – do anjo de olhos azuis, um dos últimos abencerragens do grande cinema, francês e universal, do século XX.
21/07/2022 • E o Resto é História | A aliança anglo-portuguesa comemora 650 anos – mas ela existiu mesmo ou é um mito? E ainda: o desembarque do Mindelo, que mudou o rumo das guerras liberais em 1832.
Retirado do Facebook | Mural de Carlos Fino, 15-08-2024
Uma noite de bebedeira, um iate alugado: a verdadeira história da sabotagem do gasoduto Nord Stream. Era o tipo de esquema absurdo que poderia surgir num bar na hora de fechar.
The Wall Street Journal | Em maio de 2022, um punhado de altos oficiais militares ucranianos e empresários se reuniram para brindar o sucesso notável de seu país em deter a invasão russa. Estimulados pelo álcool e pelo fervor patriótico, alguém sugeriu um próximo passo radical: destruir o Nord Stream.
Afinal, os gasodutos gêmeos de gás natural que transportavam gás russo para a Europa estavam fornecendo bilhões para a máquina de guerra do Kremlin. Qual melhor maneira de fazer Vladimir Putin pagar por sua agressão?
Vi uma reportagem de um canal de televisão americano passada recentemente na SIC e intitulada “Como Putin enganou cinco Presidentes americanos”.
Era um tipo de trabalho jornalístico-político clássico da TV americana — parte-se de uma tese que se quer “provar” e vai-se procurar cuidadosamente “testemunhos” que a demonstrem: o secretário de Estado Antony Blinken, antigos embaixadores americanos na ONU, na NATO ou em Moscovo, jornalistas da estação.
A pintura “Lady Godiva” de John Collier, concluída em 1898, é uma das representações mais famosas da lendária nobre inglesa. Lady Godiva, esposa de Leofric, Conde de Mércia, teria cavalgado nua pelas ruas de Coventry para protestar contra os altos impostos cobrados por seu marido. A lenda diz que os moradores foram instruídos a não olhar, mas um homem, “Peeping Tom”, desobedeceu e foi punido com a cegueira.
John Collier, um renomado artista inglês do estilo pré-rafaelita, captura Lady Godiva montada em um cavalo branco, com seu longo cabelo cobrindo estrategicamente seu corpo. A obra simboliza sacrifício, virtude e luta contra a injustiça.
A pintura é conhecida pelo seu detalhamento e uso de luz e sombra, características marcantes do estilo pré-rafaelita. A história de Lady Godiva inspirou diversas obras de arte, literatura e cultura popular, tornando-se um ícone de coragem e compaixão.
Painting by John Collier, Lady Godiva.
Retirado do Facebook | Mural de José Rafael Trindade Reis
A tênue película que nos separa deste mundo (João Pessoa-PB, Ideia Editora, 2024), que obteve o primeiro lugar no Concurso Nacional de Literatura da União Brasileira de Escritores (UBE), da Paraíba, é o primeiro livro de ficção de Ademir Demarchi, poeta consagrado com mais de uma dezena de livros publicados no gênero, além daqueles que reúnem ensaios e crônicas. Obra de inspiração onírica, seu novo livro traz pequenos relatos escritos a partir de sonhos ou mesmo pesadelos que, muitas vezes, beiram o fantástico, fazendo o leitor penetrar num universo kafkiano em que as regras são dominadas ou violadas pela imaginação
Estou sentado no Greek Theater de Los Angeles para um concerto que nunca tinha pensado assistir. Don McLean o “trovador da América” ali à frente vestido de preto, viola nos braços para nos cantar o que queríamos ouvir e até sabíamos de cor.
Deixou para o fim o que eu mais queria ouvir, “Vincent”e finalmente “American pie”, esta com quase nove minutos de duração.
Anna Karenine, écrit par Léon Tolstoï en 1877, est l’un des romans les plus célèbres de la littérature russe. Considéré comme l’une des meilleures œuvres de Tolstoï, ce roman explore les thèmes de l’amour, de la société, de la morale et de la recherche de sens dans la vie.
Le roman suit les destins de deux familles de la haute société russe : les Oblonski et les Karenine. Le roman commence avec l’infidélité de Stépane Oblonski, qui est découverte par son épouse, Dolly. Cependant, c’est l’histoire d’Anna Karenine, la sœur de Stépane, qui prend le centre de la scène. Anna est une femme belle et séduisante, mariée à un homme plus âgé, Karenine, un haut fonctionnaire du gouvernement.
28/06/2024 | Discover Albert Einstein’s perspective on Buddhism as the only scientific religion in this enlightening video. Learn more about how Einstein viewed the principles of Buddhism through a scientific lens.
Há já uns meses, um amigo, pessoa com educação universitária de nível internacional e com fortes ligações pelo mundo, mundo exterior esse onde vivem os seus filhos, telefonou-me e, de chofre, fez-me esta pergunta terrível: “Achas que vai haver uma guerra?”
Fiquei surpreendido com a questão. Se ela tivesse surgido no intervalo dos concertos na Gulbenkian, onde eu e ele nos vamos encontrando com regularidade, em fins de tarde que nos amainam o espírito, seria normal. Contudo, ser essa pergunta o único objetivo de uma chamada telefónica era coisa bem diferente: traduzia a respeitável angústia que atravessava esse amigo e, no que me dizia respeito, demonstrava alguma confiança no meu juízo, a que eu não podia ser indiferente.
A mudança na linguagem de Zelensky sobre conversações com Moscovo não é genuína, é um fingimento, um gesto de simpatia para aliviar a pressão a que começa a ser sujeito.
Apesar das reticências em o admitir, tanto por Kiev como pelas chancelarias europeias, a guerra na Ucrânia só terminará quando Kiev mostrar disponibilidade para entrar em conversações com Moscovo, aceitar fazer concessões territoriais e adotar um estatuto de neutralidade estratégica semelhante àquele promovido pelo presidente Yanukovych, em 2010, uma inevitabilidade que começa aparentemente a fazer caminho e a impor-se. Mas será mesmo assim?
Obra polêmica do escritor português Mário Cláudio ganha tradução para o italiano.
Mário Cláudio, professor, jornalista e bibliotecário: autor de vasta obra que inclui mais de 60 títulos nos gêneros romance, conto, novela, crônica, teatro, literatura infanto-juvenil e ensaio.
“Pensai numa mãe solteira que vai à Igreja, à paróquia e diz ao secretário: Quero batizar o meu menino. E quem a acolhe diz-lhe: Não tu não podes porque não estás casada. Atentemos que esta mãe que teve a coragem de continuar com uma gravidez o que é que encontra? Uma porta fechada. Isto não é zelo! Afasta as pessoas do Senhor! Não abre as portas! E assim quando nós seguimos este caminho e esta atitude, não estamos fazendo o bem às pessoas, ao Povo de Deus. Jesus instituiu 7 sacramentos e nós com esta atitude instituímos o oitavo: o sacramento da alfândega pastoral. (…) Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da fé!”
São oito minutos e 26 segundos, hoje disponíveis no Arquivo RTP, e o que neles vemos é um hippie fardado, de longos cabelos negros, e barba mais longa ainda, a dissertar, em voz empastada, sobre coisas como “a sociedade da anti-cultura”, “o obscurantismo de tantos anos de fascismo com que o povo português foi massacrado”, “o ponto de vista dos explorados”, “a disciplina revolucionária”, “a incompetência revolucionária de certos oficiais do MFA”, “a direcção internacional capitalista” e até o famoso “princípio de Peter”. De permeio, frases históricas, antológicas, como esta: “não é recuando, recuando, que se chega à meta final.”
07/12/2013 | Apresentação do livro de Maria Luísa Ribeiro Ferreira “Uma Meditação de Vida, Em diálogo com Espinosa”. Abertura da sessão: Pedro Calafate. Apresentação: Viriato Soromenho-Marques. Na livraria Bulhosa – 04/12/2013.
A acelerada e visível degradação do sistema político de Washington só pode causar preocupação, sobretudo para quem conheça, sem ficar preso a preconceitos, a história constitucional dos EUA, e a sua contribuição para o republicanismo e federalismo modernos à escala global.
Assim como no passado o papel dos EUA foi decisivo para resolver crises tão avassaladoras como as duas Guerras Mundiais, hoje, a autofagia que reina nas instituições dos EUA pode contribuir para precipitar um conflito de proporções inauditas, num prazo de meses ou anos. Vejamos dois aspetos-chave da atual crise política.
03/08/2024 | Putin Acaba de Revelar Novo Míssil Hipersônico DEVASTADOR que Deixou o Mundo ESTUPEFACTO! No vídeo de hoje, mergulhamos fundo no lançamento de um novo míssil hipersônico pelo presidente russo Vladimir Putin, que deixou a audiência global em choque. Essa arma sofisticada, superando velocidades de Mach 5, marca um avanço tecnológico significativo na guerra moderna. Exploraremos as especificações técnicas, implicações estratégicas e reações internacionais a essa inovação militar. O que isso significa para a paz e a estabilidade global? Fique conosco enquanto trazemos especialistas para analisar as possíveis mudanças nas dinâmicas de poder internacional e estratégias de defesa. Inscreva-se para mais atualizações sobre como a tecnologia transforma a guerra e afeta a política global.
21/06/2024 | Nigel Farage afirmou que o Ocidente “provocou” a Rússia para a sua invasão mortal da Ucrânia há dois anos. O líder reformista do Reino Unido disse que a expansão da União Europeia, bem como da NATO, proporcionou a Vladimir Putin uma “desculpa”. Os seus comentários incendiários foram feitos numa entrevista televisiva de grande visibilidade, menos de duas semanas antes dos eleitores irem às urnas. É provável que provoquem uma reacção furiosa por parte de políticos de todo o espectro, que têm apoiado a Ucrânia nas suas tentativas de combater os russos.
LETRAS | Obra do professor Flávio R. Kothe desvenda em novela de detetive a estrutura anacrônica da universidade brasileira
I
Embora seja frágil a presença da literatura de mistério na tradição literária brasileira, ainda que muitos autores consagrados, como Jorge Amado (1912-2001), Antônio Callado (1917-1997), Dinah Silveira de Queiroz (1911-1982), Guimarães Rosa (1908-1967), Rachel de Queiroz (1910-2003), Orígenes Lessa (1903-1986) e, mais remotamente, Coelho Neto (1864-1934), tenham se aventurado na área, trata-se de gênero muito popular nos Estados Unidos e na Europa e que, muitas vezes, tem servido de pretexto para a análise da sociedade, atuando como instrumento de reflexão sobre as relações entre os donos do poder e os subalternos.
Cruyff : “Pelé est le seul joueur qui dépasse les limites de la logique.”
Ferguson : “Pelé est le meilleur joueur de tous les temps.”
Dis Stefano : “Pelé était meilleur que Messi et Cr7.”
Franz Beckenbauer : “Pelé est le meilleur joueur de tous les temps, c’est le joueur le plus complet que j’ai jamais vu.”
Menotti : « Quand on parle de football à Pelé ne le mets jamais parce que Pelé vient d’une autre planète. C’est un mélange de Cruyff, Maradona, Di Stéfano et Leo Messi.”
Gatti : “Pelé doit être séparé, après tu pourras parler des autres.”
Basile : “Pelé était le meilleur joueur que j’ai vu jouer, je n’ai rien vu de tel.”
Rivelino : “Pour mon Pelé, il vient d’un autre monde.”
Just Fontaine : « Quand j’ai vu Pelé jouer, j’ai su que je devais raccrocher mes bottes. »
Bobby Charlton : “Parfois j’ai l’impression que le football a été inventé pour ce joueur magique.”
Bobby Moore : « Pelé était le joueur le plus complet que j’aie jamais vu. Magie dans l’air. Rapide et puissant, il courait plus que tout autre joueur. On aurait dit un géant à l’intérieur du champ. Équilibre parfait et vision impossible.”
Ronaldo : « Je suis d’accord avec tout le monde que Pelé a été le meilleur et le plus grand ».
Maradona : “Pelé peut être le meilleur jamais.”
Cristiano Ronaldo : “Pelé il n’y en aura qu’un au monde.”
Tarciso Burnigch, défenseur italien qui a marqué Pelé en finale de la Coupe des années 70. J’ai pensé : ‘C’est fait de chair et de sang, comme moi’ J’avais tort.”
Fachetti, défenseur italien à la Coupe du Mexique 1970 : « Nous sommes montés ensemble, hors du temps, pour têter un ballon. J’étais plus grand et j’avais plus d’élan. Quand je suis descendu par terre, j’ai regardé en haut, perplexe. Pelé était toujours là-haut, en train de tendre le ballon. Il semblait que je pouvais rester dans l’air aussi longtemps que je le voulais. »
Platini : “Il y a Pelé l’homme puis Pelé le footballeur, et jouer comme Pelé c’est jouer comme Dieu.
“Espero sinceramente que todos olhem para o nosso país e, mesmo do lado de fora, sintam vontade de cá vir nas férias, mas, se possível, sintam vontade de retornar”, afirmou o primeiro-ministro na quinta-feira à noite, durante o discurso de abertura da 632.ª edição da Feira de São Mateus, em Viseu.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse aos emigrantes portugueses que “vale a pena a acreditar em Portugal” e garantiu que o Governo está empenhado em que regressem ao país.
É preciso encontrar forma de financiar todas as casas que são necessárias para dar resposta às 90 mil famílias em condições habitacionais indignas. Espera-se noção das prioridades e coragem por parte do Governo.
Aqueles que leem estas linhas dispõem, muito provavelmente, de uma casa que satisfaz as suas necessidades. Talvez por isso não tenham efetiva consciência de que muitos não têm uma casa digna desse nome.
27/06/2023 | Pela primeira vez ao vivo em Portugal, o escritor e historiador Yuval Noah Harari debate O Futuro da Humanidade e os grandes desafios do Século XXI, desafiado pelas perguntas da cientista e Prémio Pessoa Maria Manuel Mota e do comentador e advogado Adolfo Mesquita Nunes. Quais são as implicações éticas da inteligência artificial? É a privacidade possível num mundo cada vez mais conectado? Como conciliar o avanço tecnológico com a preservação ambiental? Que medidas podem ser adotadas para promover a justiça social diante das desigualdades crescentes? Estas são algumas das questões a que Yuval Noah Harari responde nesta entrevista.
The three Graces, or Le Grazie with Cupid, is a marble sculptural group made by the sculptor Alberto Thorvaldsen (1770-1844) in different executions. The specimen sculpted in 1820-1823 is exhibited at the Thorvaldsen Museum in Copenhagen in Denmark.
The mythological subject of the Graces recurs in Thorvaldsen’s sculptural production throughout his life; starting with the first realization in 1804, the sculptor returns to the theme in 1817, 1819, 1821 and, now in old age, with the plaster kept at the Accademia di San Luca in Rome, in 1842.
We discussed an operation on Russian territory, and a representative of Ukraine’s military intelligence was admitted. It pertains to a conversation between the head of the Pentagon and the Russian Defence Minister, after which the US immediately called Kyiv. Austin said, “If you are thinking of doing something like this, don’t do it.” We sent a severe warning, commented the Russian side.
At the beginning of this month, a call was made at the Pentagon. On the other side, the caller said Russian Defence Minister Andrei Belousov “urgently needed to talk to Secretary of Defence Lloyd Austin about the alleged Ukrainian operation.” After this conversation, Austin called Kyiv and said: “if you are thinking of doing something like this, don’t do it.”
Mitra sempre foi um dos vários nomes que ouvi nas histórias de infância contadas pela minha mãe e tios, dos tempos em que brincavam nos Olivais, em Lisboa. O Mitra era um João com quem ela partilhava turma e sobre quem nunca soube ao certo explicar como é que este João se tornou no Mitra. Talvez pela cabeça rapada. Talvez porque apenas herdou a alcunha de um irmão mais velho. Talvez. Mas era certo: não era um elogio. Aliás, uma busca rápida no Priberam, confirma-me isso mesmo:
“Jovem urbano, geralmente associado às camadas sociais mais desfavorecidas, de comportamento ruidoso, desrespeitoso, ameaçador ou violento e que tem gostos considerados vulgares.”
Mitra não é o João nem sequer uma pessoa: é um lugar. E é desse lugar que lhe quero falar: o Albergue da Mendicidade da Mitra. Um depósito de “miseráveis”, onde a polícia durante o Estado Novo prendia, sem condenação nem recurso, quem queria fazer desaparecer das ruas: mendigos, pedintes, vadios, aleijados, loucos e prostitutas. Rapavam-lhes o cabelo, metiam-lhes uma farda de cotim e um número ao pescoço, a lembrar um campo de concentração.
Esta história – e outras – são contadas pela Joana Pereira Bastos, a Raquel Moleiro, o Rúben Tiago Pereira e o Tiago Miranda. Hoje, a reportagem chega-lhe em forma de documentário, amanhã, nas páginas da Revista E, em prosa. Sou suspeita, mas aconselho a ver, a ouvir e a ler tudo.
O antropólogo e ensaísta francês Emmanuel Todd publica “A Derrota do Ocidente” (edições Gallimard). A oportunidade de analisar os riscos de um conflito entre a NATO e a Rússia e as suas implicações para o equilíbrio do mundo, enquanto o Médio Oriente, por sua vez, foi incendiado.
Os Jogos Olímpicos de Paris 2024 são um acontecimento típico dos tempos que antecipam a conhecida “armadilha de Tucídides” que os dirigentes europeus deviam conhecer e lhes devia servir de orientação, se fossem cultos e sensatos, e se a História não fosse uma prova de que em situações de crise a humanidade escolhe ser dirigida pelos mais grotescos dos seus exemplares, os que fecham os olhos e investem contra o que lhes surge entre a sua ambição e a parede onde vêm o inimigo, mais uma prova de que a racionalidade é um bem descartável, sempre à mercê da arrogância e da ambição.
Que veux-tu que je t’écrive ? Que puis-je t’apprendre que tu ne saches ? N’es-tu pas au commencement et à la fin de toutes mes pensées ? O ma bien-aimée…
— Lis donc ce qui est en moi, et vois comme je t’aime.
Tu as été longtemps ma joie ; maintenant tu es ma consolation. Ton regard est si charmant, ton sourire est si ineffable et si doux, tu répands autour de toi un tel rayonnement de grâce, de dévouement et d’amour que j’oublie mon deuil et que je sors de ma nuit en te regardant ! Tout frappé et tout brisé que je suis, il me semble, quand je suis près de toi, qu’il peut encore entrer un peu de lumière dans mes yeux et un peu de bonheur dans mon âme ! — Je t’aime, mon pauvre ange ! Tu as tous les trésors qu’une femme peut avoir dans le cœur et dans l’esprit. Tu es riche, va ! Tu t’es élevée par le plus noble amour à la plus haute vertu. Toi qui m’as ôté tant de jours de deuil, toi qui m’as fait tant de jours de fête, aie un jour de fête aujourd’hui ! Sois heureuse comme tu es bénie ! sois heureuse comme tu es bonne ! Sois heureuse comme tu es aimée !
Écarte de ton beau front et de ton grand cœur les petits chagrins du moment, les ombres, les nuages qui passent ! Tu mérites le ciel. Je voudrais que Dieu te le donnât sans t’ôter à moi ! Qu’il te fît ange en te laissant femme !
La vie n’est supportable que si l’on y introduit non pas de l’utopie mais de la poésie, c’est à dire de l’intensité, de la fête, de la joie, de la communion, du bonheur et de l’amour.
Os primeiros estudos de Spinoza foram em Teologia Judaica. Não há dúvidas a este respeito. Podemos considerar Spinoza parte da História da Filosofia Judaica ou até perguntar se poderá existir uma filosofia judaica? Essa é outra questão, mais complexa. Complexa em parte devido a inúmeras confusões que se fazem a respeito desta área de estudos.
No sentido comum, Filosofia Judaica é o nome que se dá aos estudos teológicos e filosóficos (filosofia religiosa) do Judaísmo. É sobretudo na Idade Média que esta disciplina se desenvolve e Maimónides é o seu maior expoente, particularmente através da sua obra Moré Nebuchim ou Guia dos Perplexos.
Na sequência da polémica causada por uma das cenas da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, muitos sabichões, inclusive comentadores das nossas televisões como Ana Gomes, criticaram a reacção dos católicos que se indignaram. Então esses católicos não sabiam que essa cena era uma adaptação de um quadro de um pintor neerlandês sobre o tema “O Festim dos deuses” e que não tinha nada a ver com a “Última Ceia” de Leonardo da Vinci?? Pois bem, fiz uma pequena investigação que agora partilho convosco com as respectivas imagens.
Quadro 1 – Leonardo da Vinci pinta a fresco em Milão “A Última Ceia” (1495). Com o passar do tempo esta imagem torna-se um ícone desse episódio estruturador do Cristianismo. De acordo com o Evangelho, a Eucaristia foi instituída por Cristo nesse momento, que os católicos celebram sempre na Quinta Feira Santa.
“Para chegar a uma decisão sobre esse assunto, primeiro precisamos ter clareza sobre certas regras da guerra. A regra nº1, (a estampar) na 1ª página do Livro da Guerra, é esta: “Não marche sobre Moscovo”. Vários o tentaram antes, (designadamente) Napoleão e Hitler, e nada de bom daí resultou. Essa é a primeira regra. Não sei se vossas excelências conhecerão a regra nº2 da guerra. Ela dita: “Não vá lutar com seus exércitos terrestres na China”. É um país vasto, sem objetivos claramente definidos, e um exército lutando lá seria engolido pelo que é conhecido como Ming Bing, o povo em revolta.”
Marechal Montgomery, no Parlamento britânico, em 1962
28 julho 2024 |Tal como a generalidade dos seus parceiros europeus, a Alemanha não está imune a uma fragmentação política a que não estava habituada. A paralisia política em Berlim contamina Bruxelas.
1. Olaf Scholz confessava em público, há dois dias e com um largo sorriso nos lábios, a sua convicção de que Kamala Harris pode vencer as eleições americanas de Novembro. De algum modo, o chanceler alemão traduzia o alívio sentido na maioria das capitais europeias com a vertiginosa evolução dos termos em que as eleições presidenciais americanas vão decorrer.
Os europeus viviam o pesadelo de ver Donald Trump cada vez mais próximo da Casa Branca, em circunstâncias europeias e mundiais ainda mais dramáticas do que as que viveram no seu primeiro mandato. A guerra está de regresso ao velho continente, com uma nova-velha ameaça permanente à sua própria segurança. Um mundo mergulhou em profunda turbulência para a qual não se quis preparar a tempo. Internamente, o regresso de uma direita nacionalista e populista, mais ou menos amiga de Trump e de Putin, ameaça a sua própria coesão.
Em tempos que parecem hoje quase lendários, por tão distantes e estranhos ao estado presente das coisas, a UE aparentava ter a visão de um desígnio estratégico comum. Promessas de paz, sustentabilidade, cooperação internacional davam-lhe rosto próprio.
Sobre isso se derramou muita tinta nas páginas de revistas de ciência política e relações internacionais. Será que o euro iria disputar a hegemonia global do dólar? Será que a condenação aberta, em 2003, por parte da França de Chirac e da Alemanha de Schröder, da ilegal, injustificada e sangrenta invasão norte-americana do Iraque, poderia prenunciar uma autonomia crescente da UE no seio de um mutável sistema internacional? Será que a proximidade entre Alemanha e Rússia, em matéria energética, poderia ser o embrião da formação do temível titã geopolítico, do Atlântico ao Pacífico, pensado pelos estrategistas Mackinder e Haushofer, e que nunca sai dos pesadelos anglo-saxónicos?
TRADUÇÃO, INTRODUÇÃO E NOTAS DE DIOGO PIRES AURÉLIO
«São muitas as razões que fazem deste livro uma obra singular, a menor das quais não é, certamente, o seu título: Ética Demonstrada segundo a Ordem Geométrica. Porquê Ética, se as questões do bem e do mal só aparecem na Parte IV, depois de as três primeiras especularem sobre ontologia, epistemologia, física e psicologia, e se, além disso, desde ainda antes da sua publicação, o livro foi sempre visto como um libelo ateísta, inspirado em Lucrécio e na forma como este encara “a natureza das coisas”?» [Da Introdução]
«Penso que Espinosa tem de ser sentido como um santo. Penso que todos temos de lamentar o facto de não o termos conhecido pessoalmente, tal como deploramos não ter conhecido, pelo menos é o que me acontece a mim, Berkeley e Montaigne.» [J. L. Borges]
«Espinosa é profundamente relevante para a discussão sobre a emoção e os sentimentos humanos. (…) A alegria e a tristeza foram dois conceitos fundamentais na sua tentativa de compreender os seres humanos e sugerir maneiras de a vida ser mais bem vivida.» [António Damásio, Ao Encontro de Espinosa]
«Pode dizer-se que todo o filósofo tem duas filosofias, a sua e a de Espinosa.» [Henri Bergson]
SOBRE O AUTOR: Baruch de Espinosa nasceu em Amesterdão a 24 de Novembro de 1632, tendo sido um dos principais filósofos do século XVII, a par de Descartes e Leibniz.
Nasceu no seio de uma família judaico-portuguesa, oriunda da vila alentejana da Vidigueira e fugida às perseguições da Inquisição.
Recebeu dos pais o nome de Benedito de Espinosa, mas assinou Baruch em várias das suas obras, devido à sua condição de judeu nascido em Amesterdão. Acabou por adoptar o nome Benedictus, ou seja, a correspondente palavra latina, depois da excomunhão hebraica ditada pela sinagoga portuguesa de Amesterdão em 1656.
Espinosa foi um profundo estudioso da Bíblia, do Talmude e de obras de filósofos judeus, como Maimónides. Estudou Sócrates, Platão e Aristóteles, De Rerum Natura de Lucrécio, os epicuristas e o pensamento heterodoxo de Giordano Bruno. Hermeneuta da Bíblia, Espinosa considerava-a uma obra metafórica e alegórica que não exprimia a verdade sobre Deus.
Opôs-se a todo o género de superstições, tendo-se notabilizado pela sua frase «Deus sive natura» («Deus, ou seja, a natureza»). Não admira pois que, da expulsão decretada em português pela sinagoga de Amesterdão, faça parte a imprecação de que «Deus jamais lhe perdoe os seus pecados» e que «a cólera e a indignação do Senhor o cerquem e para sempre se abatam sobre a sua cabeça».
Para subsistir, Espinosa trabalhou no polimento de lentes nas épocas em que viveu em casas de famílias de Outerdek e Rijnsburg. Recebia, contudo, corres- pondência de personalidades tão destacadas como o filósofo Leibniz, o médico Ludovico Meyer, Henry Oldenburg, da Royal Society, e o cientista holandês Huygens.
Luís XIV ofereceu-lhe uma pensão para que Espinosa lhe dedicasse um livro, o que ele recusou. Em 1670, Espinosa trocou Amesterdão por Haia, onde concluiu o seu Tratado Teológico-Político, que recebeu críticas dos poderes políticos e religiosos. Recusou o convite da Universidade de Heidelberg, para poder manter a independência de pensamento. Morreu no domingo de 21 de Fevereiro de 1677, vitimado por tuberculose.
Tinha 44 anos, e muitos anos depois o escritor Jorge Luis Borges haveria de dizer que era um dos homens com quem mais teria gostado de conversar. Ética teve publicação póstuma devida à dedicação dos seus amigos.