Spinoza. Wittgenstein. Freud. Um olhar em perspetiva | Marcos Bazmandegan

Ler Spinoza à luz de Wittgenstein: a grande questão de Wittgenstein pela existência de uma ordem a priori na natureza e se sim, qual. Todo o questionamento sobre a linguagem visava responder a esta pergunta. E a conclusão de que estamos presos à linguagem, que ela é miragem que nos possibilita conceber o inexistente, questionar pelo inquestionável. Wittgenstein deixa-nos uma chave de leitura para todas as proposições da Ética de Spinoza. Eis um caminho infindável de análise. Outro: Freud e o método psicanalítico. Outra chave, uma chave mestra. Com ela podemos ler o Spinoza e também o Spinoza lido depois de Wittgenstein, porque também podemos analisar Wittgenstein através dos olhos de Freud. E depois, analisar Freud e analisar a própria psicanálise freudiana à luz das suas relações com Deus, o judaísmo e o pai e voltar a Spinoza.

E se deitássemos Spinoza no divã de Freud? E se interpretássemos a sua vida e pensamento à luz do método psicanalítico? Qual seria uma possível leitura psicanalítica do seu Deus sive Natura, quando sabemos que Deus está relacionado com a figura paterna e a Natureza com a materna? Como compreender a rutura com o Judaísmo após a morte do seu pai e qual o impacto que a morte prematura da mãe teve no relacionamento com o feminino, na sua vida e na sua obra? Como compreender a sua atividade filosófica e a última parte da Ética através do conceito de sublimação? Como olhar para a Ética à luz do conflito interior paterno/materno e masculino/feminino?

Marcos Bazmandegan | 27-10-2023

Bento de Spinoza e Albert Einstein, em Nova Iorque, com a estátua da Liberdade ao fundo, por Marcos Bazmandegan

Esta imagem foi produzida por IA e foi-me cedida por Jorio Eduardo Maia. Ela representa uma conversa contemporânea entre Bento de Spinoza e Albert Einstein, em Nova Iorque, com a estátua da Liberdade ao fundo.

Ao lado, o símbolo do infinito e do tempo a servir de legenda para uma possível conversa sobre a temporalidade e o eterno.

Poderia ficar horas a olhar para esta imagem e a imaginar não só as conversas, mas também a analisar as atitudes de um para o outro. Primeiramente, admiração mútua. Depois, uma amizade fácil entre os que procuram a verdade e se guiam pela razão. Mas também um sem fim de afinidades de ordem pessoal, ambos descendentes de judeus, que em determinado momento das suas vidas se afastaram das práticas e crenças religiosas, sem com isso negar a sua pertença à civilização judaica. Depois a América, terra da liberdade e do livre pensamento, lugar natural e destino certo de ambos pensadores ávidos de liberdade individual. A estátua da Liberdade preside o encontro, ali podem falar e trocar ideias que muito poucos podem compreender profundamente.

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