Prelúdio de Natal | David Mourão Ferreira

Tudo principiava 

pela cúmplice neblina 

que vinha perfumada 

de lenha e tangerinas 

Só depois se rasgava 

a primeira cortina 

E dispersa e dourada 

no palco das vitrinas 

a festa começava 

entre odor a resina 

e gosto a noz-moscada 

e vozes femininas 

A cidade ficava 

sob a luz vespertina 

pelas montras cercada 

de paisagens alpinas. 

David Mourão-Ferreira, in ‘Antologia Poética’

Retirado do Facebook, Mural de Maria Teresa Carrapato

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