Ansiedade Americana | Joseph E. Stiglitz | DN

As eleições presidenciais dos Estados Unidos serão, quase de certeza, o acontecimento dominante do próximo ano. Salvo algo inesperado, é provável que vejamos uma reedição da competição entre Joe Biden e Donald Trump, com o resultado perigosamente incerto. Um ano depois, as sondagens nos principais estados indecisos dão vantagem a Trump.

As eleições serão importantes não apenas para os Estados Unidos, mas para o mundo. O resultado poderá depender das perspetivas económicas para 2024, que por sua vez dependerão em parte da evolução da última conflagração no Médio Oriente. O meu melhor palpite (e o pior pesadelo) é que Israel continuará a ignorar os apelos internacionais para um cessar-fogo em Gaza, onde 2,3 milhões de palestinos estão desamparados há décadas. O que vi durante uma visita no final da década de 1990, como economista-chefe do Banco Mundial, foi suficientemente doloroso, e a situação só piorou desde que Israel e o Egito impuseram um bloqueio total, há 16 anos, em resposta à tomada do enclave pelo Hamas.

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Social-democracia | Wikipédia | VCS

A social-democracia é uma ideologia política que apoia intervenções econômicas e sociais do Estado para promover justiça social dentro de um sistema capitalista, e uma política envolvendo Estado de bem-estar socialsindicatos e regulação econômica, assim promovendo uma distribuição de renda mais igualitária e um compromisso para com a democracia representativa.

É uma ideologia política de centro-esquerda, surgida no fim do século XIX dentre os partidários de Ferdinand Lassalle, que acreditavam que a transição para uma sociedade socialista deveria ocorrer sem uma revolução, mas sim, em oposição à ortodoxia marxista, por meio de uma gradual reforma legislativa do sistema capitalista a fim de torná-lo mais igualitário.[1]

O conceito de social-democracia tem mudado com o passar das décadas desde sua introdução. A diferença fundamental entre a social-democracia e outras formas de ideologia política, como o marxismo ortodoxo, é a crença na supremacia da ação política em contraste à supremacia da ação económica ou do determinismo económico-socioindustrial.[2][3]

Historicamente, os partidos sociais-democratas advogaram o socialismo de maneira estrita, a ser atingido através da luta de classes. No início do século XX, entretanto, vários partidos socialistas começaram a rejeitar a revolução e outras ideias tradicionais do marxismo como a luta de classes, e passaram a adquirir posições mais moderadas. Essas posições mais moderadas incluíram a crença de que o reformismo era uma maneira possível de atingir o socialismo. Dessa forma, a social-democracia moderna se desviou do socialismo científico, aproximando-se da ideia de um Estado de bem-estar social democrático, e incorporando elementos tanto do socialismo como do capitalismo. Os social-democratas tentam reformar o capitalismo democraticamente através de regulação estatal e da criação de programas que diminuem ou eliminem as injustiças sociais inerentes ao capitalismo, tais como Rendimento Social de Inserção (Portugal), Bolsa Família (Brasil) e Opportunity NYC. Esta abordagem difere significativamente do socialismo tradicional, que tem, como objetivo, substituir o sistema capitalista inteiramente por um novo sistema econômico caracterizado pela propriedade coletiva dos meios de produção pelos trabalhadores.

Atualmente em vários países, os sociais-democratas atuam em conjunto com os socialistas democráticos, que se situam à esquerda da social-democracia no espectro político.

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Cartas do Confinamento de 23 de Março a 1 de Maio de 2020 | Tiago Salazar e Frederico Duarte Carvalho

Âncora Editora

«Dois escritores, nascidos no mesmo ano, com carreira no jornalismo, um em Lisboa e outro no Porto, correspondem-se durante os primeiros 40 dias do confinamento de 2020. As missivas são uma maneira de enfrentar e manter a sanidade durante a Pandemia.


E falam de amores, traições, sexo, dinheiro, poesia, família, política e do sentido da vida – ou da sua falta. Uma escrita pura e dura, sem rodeios. Há esperança e desespero. Ninguém sabe se vai ficar tudo bem. Tiago Salazar e Frederico Duarte Carvalho deixam-nos um documento histórico e que irá perdurar para além do tempo.»

ANNUS | Tiago Salazar

Sou de fazer balanços (incluindo das ancas), mas não só ao findar de um ano. Faço-o todos os finais de dia na companhia de um short robusto ou um pyramid, uma caneta, papel e o ecrã de fundo da CMTV.

Ontem, por exemplo, foi um dia fixe. Fiz um tour com um casal de franceses interessados, que me elogiaram o acento da Bretanha, riram e escutaram as histórias deste e daquele ilustre, a leitura do arranque magistral do poema de Voltaire sobre o desastre de Lisboa (terramoto de 1755), as diabruras de Pangloss no bas fond de Alfama e ainda deram pourboir.

Depois, fui dormir a sesta e deixei-me estar horas perdidas (ou ganhas) na cama. Li as notícias da Bola, assisti aos jogos dos rivais azuis e brancos e vermelhos (e pensei no porquê de todos aspirarem à Liga Inglesa ou Árabe) e encerrei o dia com uma garrafa de Magos e um Clint Eastwood dos primórdios do Oeste. Folheei a História de Portugal do John dos Passos e trouxe-a para agora me entreter antes de ir mostrar as formosuras e tragédias de Belém, o Restelo e a Ajuda.

Levo uma vida pacata. Sosseguei a passarinha com a consciência de que a limpeza do Caminho é a única ocupação digna de registo. Não significa que esteja aposentado do ramo da curiosidade. Com conta, peso e medida, como se querem os dias, os meses e os anos.

Retirado do Facebook | Mural de Tiago Salazar